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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Out21

Oposição a Bolsonaro mostra força, e "frente ampla" engatinha

Talis Andrade

Protesto na Avenida Paulista

Termômetro das manifestações no país, Avenida Paulista tinha nove carros de som, dos quais oito eram de esquerda

 

por Bruno Lupion /DW

 

Os protestos de rua realizados neste sábado (02/10) em diversas cidades do país e do exterior contra Jair Bolsonaro, a exatamente um ano das eleições de 2022, mostraram que a oposição ao governo segue capaz de levar pessoas para a rua, mas que uma "frente ampla" substantiva contra o presidente ainda está distante.

A pauta dos atos deu ênfase à crise econômica e social do país, com menções aos preços da gasolina e do gás de cozinha, à fome e ao desemprego. Na Avenida Paulista, uma estrutura inflável em frente ao Museu de Artes de São Paulo (MASP) representava um grande botijão de gás, com o preço de R$ 125.

Também eram presentes faixas e palavras de ordem pelo impeachment do presidente, apesar de faltarem as condições objetivas para isso no momento. Bolsonaro segue com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a quem cabe deflagrar o processo de impeachment, e de parte significativa do Congresso e do Centrão.

 

Organização diversa, público nem tanto

Os atos deste sábado tiveram um arco de organizadores mais amplo do que as manifestações antibolsonaristas que vinham sendo convocados pela centro-esquerda e esquerda desde maio, puxados inicialmente pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelo PSOL e que depois ganharam o apoio do PT e outras legendas.

Neste sábado, participou ativamente da organização, por exemplo, o Solidariedade, que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff e chegou a indicar pessoas para cargos de segundo escalão no governo Bolsonaro, mas agora sinaliza apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. A legenda é presidida pelo deputado federal Paulinho da Força (SP), que também é presidente licenciado da Força Sindical. Além do PT, do PSOL e do Solidariedade, estavam na organização dos atos deste sábado PC do B, PSB, Cidadania, PV, Rede e PDT.

As manifestações também tiveram o apoio do grupo Direitos Já!, criado em 2019 e que reúne dezenove partidos à esquerda e à direita, incluindo o PSDB, o PSL e o Novo. O movimento Acredito!, uma das iniciativas de "renovação da política", participou do ato. No carro de som, discursos ressaltaram a importância de ter "pessoas de todas as cores" contra o governo.

Homem ao lado de botijão de gás gigante com o preço de R$ 125

Protestos tiveram muitas críticas à crise econômica e referências à inflação

 

"Temos muitas divergências, mas temos uma unidade. Não queremos mais Bolsonaro governando este país", afirmou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de cima do caminhão de som. "O grito de hoje não é um ponto final, mas o início de uma caminhada que une os diferentes contra um desgoverno que quer restringir liberdades", disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS), em mensagem gravada reproduzida em São Paulo.

O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), enviou mensagem reproduzida no ato em São Paulo. "Esse Brasil exige união de todos os democratas. O lado certo é o lado da resistência, da denúncia dos desmandos do atual governo", afirmou. O ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também enviou um vídeo com sua fala.

A participação de siglas à direita, porém, foi fragmentada e restrita a algumas pessoas. Lideranças importantes desse campo, como o governador paulista João Doria, do PSDB, não compareceram – ele estava fazendo campanha das prévias do PSDB em Minas Gerais. O Livres, movimento liberal suprapartidário, tampouco foi aos atos.

Márcio Moretto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital, foi ao ato da Paulista fazer uma pesquisa de campo e relatou à DW Brasil que havia nove caminhões de som na avenida, dos quais oito tinham uma clara orientação à esquerda.

No carro de som central, em frente ao MASP, ele notou um "esforço grande" dos organizadores para compor uma frente ampla de oradores, "mas os manifestantes não estavam tão abertos a essa amplitude toda". Ciro Gomes, do PDT, foi bastante vaiado durante a sua fala, assim como Paulinho da Força.

Grande boneco inflável representando o ex-presidente Lula em protesto

No Rio, um grande boneco inflável representava o ex-presidente Lula

 

Em termos de comparecimento, as manifestações deste sábado foram significativamente mais amplas do que as de 12 de setembro, quando os grupos de direita Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua, que haviam convocado atos para aquela data, tentaram atrair setores da esquerda mas não encheram as ruas . Naquela oportunidade, não houve envolvimento direto de partidos na organização, e esquerdistas evitaram engrossar atos que tinham originalmente o mote "Nem Bolsonaro, nem Lula" – que foi retirado pelo MBL na véspera.

Mas, na Avenida Paulista, a impressão de Moretto é que o ato não superou o número de apoiadores de Bolsonaro que foram ao local ouvir o presidente no feriado de 7 de setembro. Na ocasião, os bolsonaristas adotaram como estratégia concentrar os protestos em São Paulo e em Brasília, em vez de se dispersar em cidades variadas, e a Polícia Militar estimou um público de 125 mil pessoas na capital paulista.

Segundo o portal G1, neste sábado foram registrados atos em 84 cidades do país, incluindo as 27 capitais. A Polícia Militar de São Paulo calculou um público de 8 mil pessoas na Avenida Paulista, enquanto os organizadores estimaram o público em 100 mil pessoas.

 

"Abaixo da expectativa"

O cientista político Bruno Bolognesi, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), avalia que os atos deste sábado ficaram abaixo da expectativa que havia sido criada pelas legendas em torno de uma suposta capacidade de mobilização da "frente ampla", e não foram capazes de oferecer uma "resposta satisfatória" diante dos atos bolsonaristas de 7 de setembro. "Não foi o suficiente para botar pressão e dizer 'somos maiores, temos mais gente'", diz.

Ele é cético quanto à tentativa de criação de uma "frente ampla" contra Bolsonaro comandada por partidos, que no Brasil, diz, em geral não refletem de forma orgânica as suas bases nem têm capacidade de mobilização de militantes.

Boneco de Bolsonaro com uma faixa escrito genocida

Manifestantes pediam o impeachment de Bolsonaro

 

"É uma ilusão achar que uma frente com 15 partidos vá mobilizar, pois não estamos em um país onde os partidos fazem sentido para seus militantes. O que mobiliza no Brasil são líderes carismáticos", diz. Bolognesi nota que a eventual ida de Lula ao ato poderia alavancar a participação de mais pessoas, mas o petista não tem ido às manifestações "por questões estratégicas de sua campanha".

Ele considera a tentativa de "frente ampla" "capenga", pois "o que aparece nas ruas não é frente ampla, é a esquerda, pois a direita e a centro-direita não conseguem mobilizar".

Bolognesi acrescenta que outro motivo para os atos deste sábado não terem sido mais cheios é que a pauta do impeachment de Bolsonaro perdeu força, pois "institucionalmente não há nenhuma vontade de fazer isso acontecer", o que teria um efeito desmobilizador.

 

"Diante das circunstâncias, um sucesso"

A cientista política Márcia Ribeiro Dias, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), tem uma avaliação diversa e diz que, diante de desafios atuais para levar a oposição a Bolsonaro às ruas, os atos deste sábado tiveram resultados muito positivos.

Entre esses desafios, ela menciona que o campo de oposição ao presidente está dividido entre um polo em torno de Lula e um polo de centro-direita que não aceita o ex-presidente como um possível líder de uma "frente ampla".

Além disso, Dias afirma que a prática de realizar protestos em finais de semana, segundo ela introduzida pela direita durante os atos pelo impeachment de Dilma, acabou sendo adotada pela esquerda, mas desfavorece esse campo. "A tradição da esquerda era fazer manifestação de dia de semana, para o trabalhador ir depois do expediente, para atrapalhar e chamar a atenção. É outra coisa mobilizar durante o final de semana", diz.

A professora da UniRio acrescenta que há pessoas que fazem oposição a Bolsonaro que ainda preferem não ir às ruas por causa da pandemia, e que mesmo assim as manifestações foram muito maiores do que as do dia 12 de setembro, convocadas por MBL e Vem Pra Rua. Ela também considera os protestos deste sábado mais significativos que os atos bolsonaristas de 7 de setembro, considerando a amplitude nacional. "Acho que foi um sucesso", diz.

 

O momento do governo Bolsonaro

O presidente enfrenta a sua pior aprovação popular desde o início do governo. Pesquisa realizada pelo PoderData em 27 a 29 de setembro mostra que 58% dos brasileiros consideram seu governo ruim ou péssimo, maior taxa desde que ele tomou posse. É a terceira pior marca para um presidente neste momento do mandato, e só perde para Michel Temer e José Sarney.

A alta na sua desaprovação ocorre em um momento de crise econômica no país, que vê a inflação anual se aproximar de 10%, com alta no preço de alimentos e da energia, como gasolina, gás e eletricidade – este último, em função da crise hídrica – e mais de cinco meses de uma CPI no Senado expondo má gestão e suspeitas de irregularidades na condução da pandemia de covid-19, que se aproxima da marca de 600 mil mortos.

A taxa de desemprego atingiu seu recorde da série histórica no trimestre encerrado em abril, em 14,7%, e recuou para 13,7% no trimestre encerrado em junho, mas ainda atinge 14,1 milhões de pessoas. Em abril, havia cerca de 27,7 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 13% da população, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada em setembro – em 2017, essa taxa era de 11,2%.

O auxílio emergencial, transferência de renda mensal criada em abril de 2020 para amparar as famílias mais pobres afetadas pela pandemia, está programado para terminar neste mês de outubro. Bolsonaro chegou a anunciar que o substituiria por um novo programa Bolsa Família, com maior valor e para mais beneficiados, mas dificuldades orçamentárias e políticas do Planalto reduziram as chances de isso ocorrer. O governo estuda prorrogar o auxílio emergencial por mais alguns meses.

Por outro lado, além do prestígio junto ao presidente da Câmara, que protege Bolsonaro de um impeachment, a parcela da população que avalia sua gestão como boa ou ótima está estável há vários meses em cerca de um quarto da população. Quando Dilma foi afastada do cargo de presidente, 13% consideravam seu governo ótimo ou bom, e Fernando Collor deixou o Palácio do Planalto com essa taxa em 9%.

26
Set21

O meu, o seu, o nosso dinheiro

Talis Andrade

 

por Cristina Serra

- - -

Em abril de 2009, uma série de reportagens do site “Congresso em Foco” abalou o Congresso Nacional, ao revelar que parlamentares faziam turismo com dinheiro público. A verba era de uma generosa cota para compra de passagens aéreas relacionadas às atividades do mandato.

Na prática, porém, cada congressista gastava o dinheiro ao seu bel prazer e sem dar satisfações a ninguém. Deputados e senadores ainda levavam a tiracolo parentes, amigos e cupinchas para destinos turísticos no Brasil e no exterior, como Nova York, Miami, Londres, Paris, Milão, Madri. Uma farra!

Doze anos depois, os repórteres Eduardo Militão, Eumano Silva, Edson Sardinha e Lúcio Lambranho revisitam o escândalo e trazem mais novidades no livro “Nas asas da mamata”, recém-publicado. Eles descobriram agora, por exemplo, que o contribuinte bancou as passagens de Jair e Michele Bolsonaro para a lua de mel em Foz do Iguaçu, em 2007. 

A gastança era possível graças a regras extremamente permissivas adotadas por Michel Temer e Aécio Neves, quando exerceram a presidência da Câmara. No Senado, com José Sarney no comando, não era diferente. A falta de controle era de tal ordem que a cota aérea de dois senadores foi gasta depois da morte deles. Ao todo, 560 parlamentares foram investigados e os gastos, em valores de hoje, seriam de R$ 105 milhões.

Para não esvaziar a surpresa da leitura, acrescento apenas que os autores reconstituíram as investigações oficiais para traçar a teia de impunidade que resultou em mais um crime sem castigo. O que fizeram Corregedoria, Conselho de Ética, Câmara, Senado, Polícia, Ministério Público, Judiciário? Está tudo no livro, com nomes, datas, decisões. 

Esse belo trabalho jornalístico põe em evidência um dos aspectos mais nefastos da mentalidade e da prática política no Brasil: o de que autoridades em geral não querem entender que têm a obrigação de prestar contas de cada centavo gasto do meu, do seu, do dinheiro suado dos nossos impostos. 

25
Ago21

Generais conspiradores e inconfiáveis

Talis Andrade

ditadura por Lucas Nine.jpg

 

 

por Jeferson Miola

- - -
Reportagem do jornal Estadão informa que, à exceção da presidente Dilma, interlocutores dos ex-presidentes Sarney, Collor, FHC e Lula, assim como do usurpador Michel Temer, consultaram pelo menos seis generais da ativa e da reserva sobre o risco de golpe.

Segundo o jornal, “ouviram de militares que eleições vão ocorrer e o vencedor – seja quem for – tomará posse”. Ufa!

Os interlocutores civis teriam sido Aldo Rebelo, Nelson Jobim, Raul Jungmann e Denis Rosenfield. A reportagem de Marcelo Godoy e Pedro Venceslau não repercute fala do Jobim.

Para Aldo, “a boa notícia dentro da má notícia é que os militares não estão interessados em desempenhar um protagonismo na desorientação que estamos atravessando”. Interessante notar que Aldo nomeia o caos gerado pelo próprio governo militar como uma “desorientação que estamos atravessando”.

Tal alienação de Aldo a respeito da realidade não causa espanto. Afinal, ele também é abduzido pela tese militar delirante de que a batalha de Guararapes [Pernambuco, 1648] significou a fundação da nossa nacionalidade e marcou a fundação do Exército brasileiro. Detalhe: o Brasil ainda era uma colônia portuguesa, não um país soberano.

Nesta mesma linha otimista [ou autista, com o devido respeito aos autistas], Denis Rosenfield garante que “não há possibilidade de o Exército participar de uma ruptura”, como se o comandante da força terrestre já não tivesse atentado contra a Constituição em 2018 e também antes.

Denis, que organizou o livro em que Temer confessou ter realizado reuniões secretas com os generais conspiradores Sérgio Etchegoyen e Villas Bôas para transitar a derrubada da Dilma, ainda expressa uma visão mais esquizofrênica: “Nossos generais são constitucionalistas”.

Raul Jungmann é até indulgente com os conspiradores fardados. Ele entende que as Forças Armadas são “vítimas” do assédio permanente do Bolsonaro. Sem se constranger com o ridículo, Jungmann reclama que Bolsonaro fica “fazendo bullying de forma contínua” com as Forças Armadas. Pobrezinhas, tão indefesas!

A despeito das evidências gritantes da interferência ilegal e inconstitucional dos militares na política, Jungmann – assim como Aldo e Denis – também vende seu otimismo desajuizado.

Ele diz que “é um erro pensar que o Exército pode ser usado em um golpe” mesmo diante do fato de Bolsonaro ter se lançado candidato presidencial em novembro de 2014 nas instalações da AMAN; mesmo diante das evidências da atuação conspirativa do Alto Comando pelo menos desde 2015 e da intimidação do STF em 2018; mesmo diante da impunidade do general-transgressor Pazuello e da atuação política ostensiva de militares da ativa e da reserva nas mídias sociais; e mesmo diante do ataque ao Senado pelos comandantes militares com o ministro da Defesa e da ameaça petulante de cancelamento da eleição caso não seja adotado o voto impresso.

Embora os chefes do partido militar costumem arrotar respeito à Constituição, eles não são minimamente confiáveis. Assim como não são nada confiáveis os generais que aparentam incômodo ou que simulam dissidência – Mourão, Santos Cruz, Rêgo Barros e assemelhados.

A falsa retórica de legalismo e profissionalismo é desmentida pela realidade concreta. Eles agem como uma típica facção partidária – o partido militar, com eventuais correntes internas – e assumem sonhar “ou com a candidatura de Mourão à Presidência ou a consolidação de uma alternativa a Lula e a Bolsonaro em 2022”, anota o Estadão.

No palco da política, os militares atuam como se estivessem num teatro de operações de guerra combatendo o inimigo: usam técnicas diversionistas, se camuflam e promovem guerras psicológicas, de informação e de dissimulação. Não se pode esperar deles, portanto, que digam a verdade ou que revelem o plano conspirativo que acalentam para continuarem no poder.

Os acontecimentos do país na última década – pelo menos desde 2013 – não autorizam ilusões acerca desta facção militar que tomou o poder e comanda o país por trás do biombo chamado Bolsonaro.

Estes generais e comandantes militares, originários do porão da ditadura, pertencem à geração mais nefasta e hostil à democracia. Eles negam a ditadura de 1964 diante do Congresso e desvirtuam o significado do artigo 142 da Constituição para pretextarem a intervenção militar e a tutela da democracia.

Enquanto em público engambelam a sociedade com sofismas, no esgoto das mídias sociais, nos quarteis e nas polícias militares eles estimulam caos e tumulto – como na incitação dos protestos inconstitucionais no 7 de setembro – para “serem chamados” a exercer o papel “moderador” [sic].

A falsa retórica legalista destes generais inconfiáveis não terá nenhum valor enquanto eles não saírem da cena pública e regressarem urgentemente para os quartéis. Por isso é preciso atenta vigilância democrática e ampla mobilização popular nas ruas.

É sintomático este tipo de questão ocupar o centro do debate político nacional. Evidencia a tragédia da realidade brasileira. Numa democracia saudável, generais não são consultados sobre garantias constitucionais, mas apenas lembrados das consequências criminais para terroristas que atentam contra a democracia.

 

ditadura retorno apologia.jpg

 

22
Ago21

Ex-presidentes vão aos generais perguntar sobre risco de golpe

Talis Andrade

Capa da revista ISTOÉ 20/08/2021

 

Os ataques de Jair Bolsonaro à democracia e a ameaça de não aceitar as eleições de 2022 sem a adoção do voto impresso levaram cinco ex-presidente da República a procurar contatos com militares para saber se há risco de golpe militar.

Segundo o Estado de S.Paulo, generais da reserva e da ativa asseguram que as eleições vão acontecer e o vencedor – seja quem for – tomará posse.

Questionados sobre os eventos militares em que o ocupante do Palácio do Planalto comparece, os generais explicaram que não podem impedir sua presença nesses eventos, mas afastaram a hipótese de Bolsonaro contar a seu favor com uma insubordinação nas Forças Armadas.

 

28
Jan21

LSN é pauta para historiadores e não objeto de trabalho da PF!

Talis Andrade

Memorial da Democracia - Congresso sanciona a 'Lei Monstro'

Por Lenio Luiz Streck e Eduardo Januário Newton

No dia 23 de janeiro passado, a ConJur noticiou o levantamento realizado pela Folha de São Paulo sobre o número de inquéritos instaurados com arrimo na Lei de Segurança Nacional (Lei 7170/83). Antes mesmo de o atual Presidente da República chegar ao Palácio do Planalto, já era possível verificar a existência de procedimentos inquisitivos lastreados na LSN. Esse dado, por si só, já seria preocupante. A questão se agrava com o considerável incremento desses inquéritos ocorrido após 2019. O presente texto visa a examinar as possíveis razões para esse fenômeno.

A inconstitucional (não recepcionada) LSN não foi a primeira a tratar o tema e deve ser compreendida a partir da chamada "Doutrina da Segurança Nacional". Com a vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial e a bipolarização do mundo, iniciou-se toda uma nova configuração de quem seria o inimigo, que não precisava mais se encontrar além das fronteiras nacionais. A "Doutrina de Segurança Nacional" teve na Escola Superior de Guerra o seu grande centro difusor. Trata-se de um discurso marcado pela mais completa intolerância para quem discorda dos ideais hegemônicos. O slogan Brasil, ame-o ou deixe-o representa indelevelmente essa incapacidade em conviver com o pensamento diferente.

Após o esgotamento do chamado "milagre econômico", a ditadura civil-militar começou a ser cada vez mais questionada pela sociedade civil que buscava a fruição das liberdades. O último general-presidente já não governou tendo o amparo do Ato Institucional nº 5. No dia 15 de março de 1985, o poder político era enfim devolvido às lideranças civis. Era a consolidação do processo lento, gradual e seguro concebido pelos generais Geisel e Golbery.

Porém, a transição para a democracia não se deu de forma completa. A participação de atores políticos vinculados ao regime autoritário, a começar pela figura do Presidente José Sarney, não foi o único legado recebido pela Nova República. Fauzi Hassan Choukr aponta para um resquício que possui pertinência para o acréscimo de inquéritos instaurados com base na Lei de Segurança Nacional e apontados inicialmente:

"Estruturas administrativas juridicamente justificadas são, ainda, um legado silencioso do regime caído (...)"1

A Lei de Segurança Nacional se encontra inserida nesse conjunto de uma herança – tóxica – da ditadura civil-militar (1964-1985). Ademais, não é fruto do acaso o aumento de inquéritos instaurados com base nessa legislação ser observado nesses últimos dois anos.

Todavia, fazer a associação entre o histórico da Lei de Segurança Nacional e o atual Presidente da República não se mostra suficiente, pois é possível — e necessário — aprofundar o objeto da análise a partir de um fenômeno que cada vez mais se fortalece na realidade jurídica brasileira: o lawfare, que iniciou bem antes do atual governo.

Lawfare é uma espécie de tática conflituosa na qual o Direito é utilizado como arma contra um inimigo específico.2 A tática bélica traduz um instrumento de perseguição ilegítimo e antidemocrático.3

Outrora, quem demonstrava publicamente o seu descontentamento com o detentor do poder corria o sério risco de perecimento da própria vida. Essa realidade já não mais existe.

É claro que não mais se verifica a instituição de uma política institucionalizada de torturar e fazer desaparecer os adversários políticos. As coisas se adaptam darwinianamente. E se sofisticam. Atualmente, por meio do lawfare, isto se dá por dois meios: (i) o uso do processo sem devido processo e (ii) por meio de uma legislação autoritária que é usada contra quem critica o establishment. Ou seja, eis aí o fenômeno da abertura de inquéritos: o que se visa é a intimidação, uma forma de calar. Mas não esqueçamos do uso do “processo sem o devido processo legal”, que faz vítimas cotidianamente.

A crítica ao lawfare não só deve se basear no fato de que ele fragiliza o direito, porque despreza a sua autonomia frente a outros discursos, mas também pelo fato de representar uma ameaça interna ao próprio regime democrático. É um "predador endógeno do Direito".4

Essa forma de lidar com a divergência ideológica não se mostra em conformidade com o Texto Constitucional, que assegura como fundamento da República o pluralismo político. A LSN deveria ser objeto apenas de estudo de historiadores e não objeto de trabalho em delegacias da Polícia Federal. Simples assim.

Daí que a sua revogação ou declaração judicial de não-recepção constituem pautas urgentes para que a sociedade civil venha a provocar os poderes constituídos. Devemos aprovar uma Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Pedro Serrano, Lenio Streck, Marcelo Cattoni, Paulo Teixeira – PL 3864/20, dentre outros, tratam disso em projeto no Parlamento). Enquanto não chegamos à extração da Lei de Segurança Nacional do ordenamento jurídico, é imprescindível se insurgir contra a sua aplicação. Trata-se de um verdadeiro dever cívico de quem se encontra comprometido com a construção da democracia brasileira.

Como dizia o agora icônico Belchior, na música Velha Roupa Colorida – como uma espécie de recado inconsciente para aqueles que ainda não entenderam que os anos de chumbo foram superados - o passado é uma roupa que não nos serve mais.

Ainda numa palavra final: hoje existe a Lei de Abuso de Autoridade,5 que no seu artigo 27 diz que é crime

Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa.

Simples. Direto. Autoexplicativo.Lei de Segurança Nacional para o gal. Villas Bôas! — Conversa Afiada


1 CHOUKR, Fauzi Hassan. Transição e consolidação da democracia.Florianópolis: Empório do Direito, 2016. p. 99.

2 STRECK, Lenio Luiz. Lawfare. In: ALVES, Giovanni; GONÇALVES, Mirian; TONELLI, Maria Luiza Quaresma & RAMOS FILHO, Wilson. (coordenadores). Enciclopédia do golpe. volume 1. Bauru: Canal 6, 2017. p. 119.

3 Idem, ibidem.

4 Cfe. STRECK, Lenio Luiz. Ensino, Dogmática e Negacionismo Epistêmico. Fpolis, Tirant, 2020, passim.

5 Ver nesse sentido o novo livro Comentários a Lei de Abuso de Autoridade – artigo por artigo. STRECK, L.L. e LORENZONI, P.C. Florianópolis, Ed. Tirant Lo Blanch, passim. No livro, entre outras questões, propõe-se a discussão sobre a teoria do ônus argumentativo.

28
Nov20

Inauguração do Memorial Prestes: A generosidade comunista e a resistência poética

Talis Andrade

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A resposta certeira de Manuela: “Sabe, Melo, eu estou feliz que finalmente tu trouxeste o bicho-papão do comunismo para o debate. Eu quero que os senhores e senhoras comparem as nossas experiências porque o meu partido governa o Maranhão, pegou o Maranhão destruído, Melo, pelo teu partido, pelo MDB de [José] Sarney”. Flávio Dino, do PCdoB, governa o Maranhão desde o dia 1 de janeiro de 2015. A resposta de Manuela me fez lembrar a fala de André Pereira. Aqui lembro o romancista Urariano Mota, admirador de Manuela lá do seu exílio em Olinda, dos quatro cantos doados para o povo no Carnaval.

Inauguração do Memorial Prestes: A generosidade comunista e resistência poética

Memorial Luis Carlos Prestes (Palmas) - TripadvisorMemorial Coluna Prestes tem uma programação especial - Notícias -  Secretaria da Comunicação

Como eleger, entre tão belos e incandescentes discursos que iluminaram a inauguração da obra única de Oscar Niemeyer na terra natal de Luiz Carlos Prestes, no sábado (28), a mais densa e emocionada manifestação em louvor da trajetória solidária do homenageado com este monumental Memorial que enriquece o patrimônio cultural e arquitetônico de Porto Alegre para sempre?

Atrevo-me a este resumo do título, que amalgama três ideias que escolho como substanciais. E ainda cito um texto do próprio Niemeyer, sobre a motivação do projeto.

A generosidade comunista, socialista e prestista reuniu no lotado espaço da edificação de 700 metros quadrados, todos os que, de alguma forma, contribuíram para que um processo de 27 anos (iniciado em 1990, ano da morte de Prestes) pudesse, enfim, virar realidade agora. 

Assim, reconheceram todos, vivos e mortos que pavimentaram a construção, de Dulphe Pinheiro Machado e Paulo Ricardo Petri in memoriam, ao vereador Vieira da Cunha autor do projeto de lei que deu legitimidade legislativa ao empreendimento, ao prefeito Olívio Dutra, que doou o terreno da municipalidade e até mesmo o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveleto, que partilha o local e canalizou recursos financeiros para erguer o prédio onde predomina a cor vermelha, em tons que se alternam conforme os percalços e as glórias da vida do Cavaleiro da Esperança, como o chamou Jorge Amado. O compositor e cantor Taiguara, autor da musica, cujo titulo é exatamente a consigna de autoria do escritor baiano, foi destacado e representado pelo filho também músico Lenine Guarani, que realizou uma apresentação musical no palco armado na área externa do Memorial. Neste local protegido da garoa do entardecer, representantes de entidades e partidos políticos se pronunciaram, salientando a necessidade de inspirarem-se nas lições de Prestes. Entre muitos, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.  

A professora Gorete Grossi, que fez o papel de mestre de cerimônia do ato da inauguração oficial, ainda citou o secretário estadual de Segurança e o secretário municipal de Cultura que igualmente colaboraram para o sucesso do evento.  Atentos soldados da BM e sigilosos policiais civis não permitiram que os sempre belicosos provocadores do MBL praticassem a intolerância e o ódio que infestam as redes sociais e algumas pregações nas tribunas da colendas municipal e estadual.  E as poucas vaias esboçadas dirigidas ao secretário do prefeito tucano da capital foram amortecidas pelo soar do brado mais forte e convicto do “Fora, Temer!” que ecoou, em vários momentos, na sonoridade acústica entre os vãos e as curvas da engenhosa obra.

Poética foi a intervenção da atriz Débora Finocchiaro citando textos de Júlio Cortazar e Caio Fernando de Abreu, que valorizam a arma vigorosa da poesia, e a imagem que a deputada federal Maria do Rosário elaborou sobre o inverno gelado e o verão de sol avermelhado que se descortinarão incorporados ao visual do prédio situado a pouca distância do rio Guaíba.

A resistência foram pregações de todos os que falaram, de Olívio Dutra, Adão Villaverde, Ciro Gomes e outros.

Olívio garantiu que não há democracia sem socialismo. 

O deputado estadual Villaverde disse que são três os eixos essenciais do pensamento e da ação de Prestes que nortearam sua geração: a luta popular, a democracia e a soberania brasileira.

Ciro, o visitante cearense, elogiou os gaúchos pela grande dimensão do gesto de tributar a memória de um lutador como Prestes. “Vocês nem imaginam o quanto é importante o que está se fazendo aqui hoje”, discorreu. E com a costumeira língua sem papas, exortou a unidade das esquerdas para derrubar o “impostor vagabundo” que usurpa o poder surrupiado da presidenta legítima.

O professor Geraldo Barbosa, presidente da Associação do Memorial, dividiu com seu vice Edson Santos e o diretor de Patrimônio Ronald Moreira as congratulações pelo árduo trabalho de quase três décadas em que a própria lei autorizando a obra foi modificada, com o apoio do prefeito José Fogaça, afirmando a relevância da obra, como fez, na semana passada, a maioria dos vereadores da Câmara da capital.

Barbosa ainda leu uma carta enviada do Rio de Janeiro pela filha do laureado, Anita Benário Prestes, e a parte derradeira de uma reflexão de Oscar Niemeyer a respeito do projeto que produziu para agraciar o amigo comunista.

Datado de 2008 e detalhando a intenção de eternizar a caminhada de Prestes a partir dos 26 anos, quando liderou a coluna famosa pelo país, o texto “Não basta louvar” surpreende também pela surpreendente atualidade, já passada quase uma década.

Niemeyer cita “O Poder Global”, coletânea de José Luiz Fiori, sobre as contradições do mundo globalizado e “a onda neoconservadora que cresce por toda parte, com forte apoio do governo norte-americano”. Isso há 10 anos…

E no parágrafo final, Niemeyer refere-se ao império norte-americano Bush, tão dominador em sua devastação capitalista quanto é hoje o de Trump.

Bastaria mudar o nome do presidente na escrita do arquiteto aqui:

“Reli este texto e sinto que não basta louvar o passado. O importante é continuar essa luta por um mundo melhor que o império de Bush procura em vão obstruir”.

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28
Nov20

Manuela a Melo: “finalmente tu trouxeste o bicho-papão do comunismo para o debate”

Talis Andrade

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247 - No último debate antes do segundo turno em Porto Alegre na noite da última sexta-feira (27), Manuela d’Ávila (PCdoB) e Sebastião Melo (MDB) trocaram farpas após o último acusar a candidata de apoiar o stalinismo e “viver no passado”.

“Ideologia não tapa buraco, não bota médico no posto de saúde e muito menos resolve a questão da passagem... O mundo mudou, eu também mudei, evoluí em muitas coisas e a senhora continua no passado, em 1950, Stalinista ainda, quer dizer, um projeto que não deu certo em lugar nenhum do mundo e que a senhora continua insistindo com isso”, disse Melo.

Na próxima pergunta, sobre a questão do meio ambiente, Manuela aproveitou para rebater: “Sabe, Melo, eu estou feliz que finalmente tu trouxeste o bicho-papão do comunismo para o debate. Eu quero que os senhores e senhoras comparem as nossas experiências porque o meu partido governa o Maranhão, pegou o Maranhão destruído, Melo, pelo teu partido, pelo MDB de [José] Sarney”. 

Flávio Dino, do PCdoB, governa o Maranhão desde 1 de janeiro de 2015.Image

 

 

03
Jan19

Bolsonaro a Villas Bôas:"O que conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui"

Talis Andrade

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por Ricardo Della Coletta

El País 

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O presidente Jair Bolsonaro, o primeiro militar reformado a chegar ao poder pelo voto desde os anos 40, foi pessoalmente prestigiar a cerimônia de transmissão de posse do cargo de ministro da Defesa, e iniciou seu discurso com uma declaração de agradecimento dirigida ao atual comandante do Exército, general EduardoVillas Bôas: “Meu muito obrigado, comandante [do Exército, general Eduardo] Villas Bôas. O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", disse.

O novo mandatário do Brasil, que tem hoje seu primeiro dia de trabalho depois de empossado, não deu qualquer detalhe adicional sobre a declaração. Villas Bôas, que deixa o cargo e sofre de doença degenerativa, é considerado um oficial respeitado e moderado. Sua passagem mais controversa foi ter se manifestado no Twitter um dia antes do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal, falando contra a "impunidade". Na ocasião, o decano do STF, Celso de Mello, repudiou a manifestação.

O restante do breve discurso de Bolsonaro na cerimônia foi marcado por elogios às forças armadas e à carreira militar, além de críticas veladas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de citar ações dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco que, segundo Bolsonaro, valorizaram as carreiras militares, Bolsonaro emendou: “Depois tivemos o outro governo, vocês sabem qual foi Tivemos alguns problemas, mas prosseguimos a nossa jornada”, disse.

“Como regra, fomos um tanto quanto esquecidos, porque as forças armadas são na verdade um obstáculo para os que querem usurpar do poder”, acrescentou. “O tempo passou, as FAs sofreram um brutal desgaste junto à classe política, mas não junto ao povo brasileiro, que continuou acreditando em nós”, concluiu.

 

26
Nov18

BOLSONARO, DEPOIS DE 20 DIAS DE INDECISÃO, CONFUSÃO, CONTRADIÇÃO, VAI GOVERNAR COM UMA EQUIPE REACIONÁRIA, INCOMPETENTE, SEM UNIDADE, RESPONSABILIDADE, CREDIBILIDADE

Talis Andrade

por Helio Fernandes

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Desde o primeiro dia depois de eleito, acumulou erros, equívocos, fracassos. Começou de forma inacreditável, entregando uma parte enorme da administração ao economista e ex-banqueiro fracassado, Paulo Guedes. 4 ministérios, a presidência da BNDES, controle do orçamento, fiscalização do caixa da União. Ele não tem cacife ou gabarito, para 10 por cento do que lhe entregaram.

 

A seguir, a retumbante convocação do magistrado, que garantiu durante a campanha e da coordenação espúria com Bolsonaro: "Não abandonarei a magistratura, não farei carreira política". Com uma semana de eleito, preocupado com a própria sucessão, Bolsonaro trouxe Moro para o seu lado, como segundo homem da Republica, e visivelmente na eventualidade de substituí-lo na presidência. Isso ficou rigorosamente claro.

 

Na campanha, Bolsonaro foi incisivo: "Não gosto de reeleição, não disputarei o segundo mandato". Agora mudou de ideia, constitucionalmente pode completar (?) 4 anos e mais 4. Mas numa situação adversa pode contar com Moro, como ele confirmou na entrevista coletiva de 1 hora e 45 minutos. Mas como é um mistificador confesso, deu entrevista ao Fantástico e garanti: "Não serei candidato a presidente, nem farei carreira política".

 

Se ele não quer fazer carreira política nem ser presidenciável, por que trocou Curitiba por Brasília, e assumiu 2 ministérios? O da Justiça, rotineiro, nenhuma importância. Mas com o ministério da Segurança Publica, assumiu dois compromissos realmente fundamentais para a comunidade da antiga "Cidade Maravilhosa", hoje dominada pelos traficantes, milicianos, comando vermelho.

 

Moro garantiu que destruirá o crime organizado e acabará com a corrupção. Poucos acreditam. Mas se conseguir cumprir o prometido, pode ter esquecido o relacionamento criminoso com Bolsonaro, pelo qual responde a uma investigação perante o CNJ.

 

Enquanto isso fica na duvida se acontecerá, Bolsonaro insiste nos desacertos provados e comprovados. O ultimo: a escolha do ultrarreacionário embaixador Ernesto Araujo, registra um fato inédito: é embaixador, mas jamais ocupou posto no exterior. E assim que foi indicado, despejou publicamente, um festival de besteiras, deveria logo ser desconvidado.

 

Primeira afirmação que deveria provocar vergonha: "Meu ídolo é o presidente Trump".

 

A segunda, ainda mais grave: "Trump é mais importante para o desenvolvimento do mundo, do que o próprio Churchill".

 

A indicação de Joaquim Levy para a presidência do BNDES, provocou um encontro de 3 horas entre Paulo Guedes e Bolsonaro. Levy não para em cargo algum. Diretor do Bradesco, secretario da fazenda do governador Sergio Cabral, (já enriquecido vastamente como deputado estadual) ministro da Fazenda fugaz e tumultuado de Dona Dilma. Demitido, conseguiu um cargo cobiçadíssimo no Banco Mundial, nos EUA.

 

Convidado, deixou logo os EUA, quanto tempo ficará? Depois da conversa prolongada com o medíocre Paulo Guedes, o presidente eleito aceitou a indicação, mas fez a imposição: "Você será o responsável pela atuação do Joaquim Levy".

 

O Brasil não acerta com Joaquim, esse representa a segunda decepção. Com essa equipe desalinhada, desarvorada, desencaminhada, sem convicção ou credencial, Bolsonaro terá que fazer uma reforma ministerial, com a maior urgência possível. A não ser que antes da posse, desconvide alguns convidados.

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PS - Não acredito, mas é tido como certo. Maitê Proença preencheria, perdão, esvaziaria, o ministério do Meio Ambiente.

PS2 - Sua grande credencial: foi casada com Paulo Marinho, negocista que finge de empresário.

 

O PRESIDENTE CORRUPTO E USURPADOR, FALOU QUATRO MINUTOS SOBRE OS 129 ANOS DA REPUBLICA

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Utilizou uma cadeia, que palavra, de radio e televisão, mas só teve como personagem, ele mesmo. Exaltou a importância da democracia, e a consagração do sistema político com os presidentes eleitos. Não citou Bolsonaro, mas queria bajulá-lo. Com isso pretendia esquecer o seu próprio exemplo, e a forma como chegou ao Planalto.

 

Fui o primeiro a revelar que Bolsonaro queria "salvar a liberdade de Temer", enviando-o para um cargo de embaixador. Encontrou e continua encontrando muitas dificuldades, mas não desistiu da ideia. Agora, é o próprio Temer que enfrenta problemas. Tem que sancionar ou vetar, o aumento odioso dos ministros do STF, teto para os ocupantes de cargos públicos.

 

O prazo para a sua decisão era de 10 dias, terminaria dia 20. Sem saber o que fazer, prorrogou o limite para o dia 28. Não pode desagradar o presidente eleito. Nem revoltar os avaros magistrados.

 

BOLSONARO E MAIS MÉDICOS: INCONSCIENTE, INCOERENTE, IMPRUDENTE

 

O presidente eleito é tão reacionário, arrogante e prepotente, que se esperava alguma coisa do gênero. Atingir Cuba para agradar Trump, era o que se sussurrava. Mas ninguém imaginava que fosse prejudicar populações imensas, executando o "menos médicos", alegando que os profissionais estavam sendo injustiçados. Ouvir um personagem de extrema direita e sem respeito por ninguém, falar em justiça, é piada ou desfaçatez. E também ignorância.

 

Cuba tem representantes credenciados, não apenas na medicina, mas também no esporte. E sempre com a mesma autoridade e com a obrigação da reciprocidade. Antes de ser ditador, Chaves foi eleito presidente. Fez o primeiro contrato de "mais médicos" com Cuba. Recebeu 10 mil médicos, "pagou" com o que tinha sobrando, e o que Cuba mais precisava: petróleo. Os médicos não recebiam a não ser casa e comida. Não entrava dinheiro.

 

Quando Chaves ficou doente pela primeira vez, preferiu ir se tratar em Havana, longe de Caracas. Ficou bom, fez outro contrato de 20 mil médicos. 3 anos depois, em estado grave, foi morrer em Cuba.

 

O governo Fidel recebia dinheiro do exterior, enviado por profissionais do esporte, futebol americano, (NLF, o mais rico e popular dos EUA), e vôlei, com jogadores no Brasil, Itália, Rússia, Turquia. Os mais ricos, ganhavam fortunas, não mandavam nada para Cuba.

 

Trabalhavam o ano todo nos EUA, passavam as ferias em casa, em Cuba. Ameaçados de perderem a cidadania, não poderem voltar, fizeram um acordo que dura até hoje; devolvem 25% do que recebem, um bom acerto para todos.

 

Bolsonaro, com uma só rajada de incompetência, prejudicou a todos, principalmente os brasileiros. E os médicos, que não foram trabalhar no interior, pagavam misérias. Era e é um direito deles. Agora, o presidente corrupto e usurpador, cumprindo ordens do presidente eleito, prepara contrato para substituir os cubanos, populações estão assustadas.

 

Bolsonaro mandou fazer CONVOCAÇÃO e não CONTRATAÇÃO. Quem recusar será perseguido. Nisso o presidente eleito é insubstituível e insuperável. Enquanto isso, populações inteiras, completamente abandonadas, aguardam. Isso é o reinado de Bolsonaro, que se imaginava que começaria em janeiro de 2019.

 

PS - Bobagem. Tudo teve inicio com a conspiração judiciária, plantada e solidificada pelo acordo Bolsonaro-Moro.

PS2 - Perdão, Moro-Bolsonaro.

 

SURGE NO HORIZONTE, O NOME DO PRIMEIRO EMBAIXADOR DE BOLSONARO

 

Publiquei com exclusividade, que o presidente eleito estava disposto a nomear embaixador, o presidente corrupto e usurpador. Era o fato, e acrescentei: "As dificuldades são muito grandes, aqui e no exterior, ninguém quer recebê-lo". Agora, até o dia 28, obstáculo que o próprio presidente corrupto e usurpador tem que ultrapassar sozinho. VETAR ou SANCIONAR o aumento teto dos salários dos 11 ministros do STF.

 

Se sancionar, agrada os magistrados de todas as instancias que irão julgá-lo a partir de janeiro. Mas desagrada o presidente eleito. Este só fica satisfeito com o VETO. Existe uma terceira posição, a da omissão covarde. Não sanciona nem veta, entra em vigor em janeiro, automaticamente.

 

Um embaixador praticamente garantido: general Sergio Etchegoyen. Atual chefe do GSI, (gabinete de segurança institucional, antiga Casa Militar). Está conseguindo o que o chefe pretendia, como "salvação da liberdade".

 

OS SALÁRIOS DE BOLSONARO, A PARTIR DE JANEIRO

 

O colunista Lauro Jardim publicou com exclusividade: assim que assumir, em janeiro, passa a receber, mensalmente, 60 mil reais. Juntando o salário presidencial e a aposentadoria da Câmara, quase 30 mil reais por 8 mandatos inúteis.

 

O colunista informa que não incluiu o que recebe do Exercito, como capitão na reserva, pouco tempo na ativa. Perguntou a Bolsonaro quanto recebia, ele não quis informar.

 

PS - O Exercito deposita todo mês na sua conta bancaria, 8 mil, 670 reais. REAJUSTÁVEIS, periodicamente.

 

GRAVAÇÃO ASSUSTADORA

 

A Policia Federal documentou uma conversa telefônica, entre um senador e um ministro do Supremo Tribunal Federal. A preocupação é total, procuram uma solução, antes que viralise. Mas o ZAP está publicando. O fato surgiu a menos de 2 horas.

 

EXISTEM COISAS TÃO INEXPLICÁVEIS QUANTO A ELEIÇÃO DO BOLSONARO

 

Apenas um exemplo; o submarino da Argentina, desapareceu em 15 de novembro de 2017. Depois de buscas colossais, foi encontrado em 15 de novembro deste 2018.

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24
Jun18

Dario Messer, chefe da mafia judia, também quer as benesses da delação mais do que premiada

Talis Andrade

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BANESTADO – de longe o maior caso de corrupção de todos os tempos: mais de 134 bilhões! De dólares!

 

Dario Messer, o 'doleiro dos doleiros', e Alberto Youssef, 'rei dos doleiros', atuaram paralelamente como capos das máfias judia e libanesa no assalto ao BanEstado, no Mensalão e na Lava Jato, sempre tendo Sergio Moro como juiz santo protetor.

 

Youssef foi três vezes julgado por Moro, e três vezes salvo, sendo que, na segunda vez, ino-cen-ta-do como traficante de drogas. A quadrilha de Youssef foi presa com 700 quilos de cocaína, doutra vez com 1,3 tonelada.  

 

Conto sobre os sete folegos de Youssef aqui. Que o juiz Sergio Moro considerou que não havia provas que mostrassem a participação de Youssef de "forma revelante" para o tráfico.

 

Dario Messer, mais o pai, dono de um banco no Brasil, também esteve ligado ao tráfico, como associado do presidente Horacio Cartes do Paraguai, que respondia inquérito no Brasil por contrabando de cigarros. Cartes também associado ao senador Perrella do helicoca, capturado com 445 kg de pasta de coca. 

 

Esquisitamente a Lava Jato foi criada para investigar os tráficos de drogas e diamantes. Uma investigação que prendeu o traficante de drogas Rene Luiz Pereira, que tinha ligação com o traficante de diamantes Carlos Habid Chater, que tinha ligação com o traficante de moedas Alberto Youssef, velho conhecido de Moro. 

 

Youssef foi preso no Maranhão. Estava em São Luís para fazer o pagamento de R$ 1,4 milhão a João Abreu, então secretário da Casa Civil do governo de Roseana Sarney (PMDB). Nunca respondeu por este crime. Tem mais: a espalhafatosa Polícia Federal plantou na imprensa nacional a seguinte manchete: "Doleiro de Londrina é preso e tem hotel sequestrado pela Justiça". Que mentira! Que lorota boa!

 

As multas, os bens sequestrados, as propinas, a grana dos delatores lavado pela lava jato, tudo um faz de contas que ninguém faz as contas. Disse Lenio Luiz Streck: "Sempre fico com uma pulga atrás da orelha quando um delator diz: entreguei 40 milhões (é um exemplo) para fulano. Eu penso: mas ninguém lhe pergunta como ele fez isso? Mandou um motoboy? Mandou para um banco? Mandou para o exterior? E se entregou em cash, como ele arrumou esse ervanário, se qualquer retirada de banco acima de dez mil exige burocracia? Enfim, criou-se um mundo de ficções".
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PROPAGANDA ENGANOSA. Espia um dos imóveis sequestrados de Alberto Youssef solto em São Paulo, podre de rico, em uma vida de luxo e luxúria 

 

Preso no Maranhão, Youssef pediu para ir para a Curitiba, e foi, e lá parou as investigações dos tráficos de drogas e diamantes. Foi assim que a Lava Jato começou a operação para salvar a Petrobras do quadrilhão do PMDB, formado por Michel Temer, Henrique Alves, Eduardo Cunha, três ex-presidentes da Câmara dos Deputados. 

 

A Lava Jato orquestrou o golpe que derrubou Dilma Roussef, e colocou na presidência Temer, que entregou a Petrobras e o Pré-Sal de volta ao PSDB de Fernando Henrique, a Pedro Parente amigo de Moro, que terminou homenageado em Nova Iorque pela empresa Lide do tucano Dória, com patrocínio da Petrobras. 

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UMA NOITE DE GALA. Pedro Parente e o casal Moro em Nova Iorque 

 

 

O pesadelo de Sergio Moro: Dario Messer negocia acordo para se entregar

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 DARIO MESSER, 'doleiro dos doleiros', título dado por Alberto Youssef

 

Dario Messer, conhecido como ’doleiro dos doleiros’, quer se entregar às autoridades. "Foragido há quase dois meses e com ordens de prisão do Brasil e do Paraguai, o doleiro Dario Messer se diz disposto a colaborar com a Justiça, mas quer negociar condições para que possa se entregar. Sobretudo, espera ter a possibilidade de responder aos processos em liberdade", informa o jornalista José Marques, na Folha de S. Paulo. "Dario está aberto e quer falar tudo o que sabe, mas não quer ter a faca no pescoço", diz José Marcondes de Moura, advogado brasileiro de Messer.

 

Leia artigo do duploexpresso.com sobre as ligações entre Messer, Moro e PSDB:

 

Vale lembrar que, assim como no caso “Banestado”, apesar de novamente denunciado, Dario Messer, “estranhamente”, mais uma vez passou ileso – quase incógnito – pelo “Mensalão”.

 

Ironia: no “Mensalão”, mais uma vez, os nomes “Messer” e “Moro” voltam a se cruzar. Ainda que tangencialmente. Isso porque o juiz paranaense participou, como assistente, do julgamento no STF. Diz-se mesmo que teria chegado a redigir votos da Ministra Rosa Weber. Inclusive aquele, escandaloso, que condenou José Dirceu – sem provas – sob a alegação de que “a doutrina [a literatura jurídica] assim permite”.

 

[nota: apenas segundo esse ghost writer!]

 

Em 2015, no início da Lava Jato, Messer muda-se para o Paraguai. Nesse país, muito próximo do atual Presidente, goza de “santuário”.

 

Pergunta:

 

– Terá sido Messer alertado por alguém da Operação Lava Jato a fazer essa sua mudança – repentina – para o Paraguai?

 

– E a também, ao mesmo tempo, despachar parentes próximos para Israel?

 

A mudança de endereço de Messer para o Paraguai é, contudo, apenas parcial: visa apenas a proteger a sua pessoa. Isso porque embora no Paraguai resida, o centro de suas operações continua sendo o Uruguai. País esse que serve de base das operações da família Messer desde os tempos do pai de Dario, Mordko Messer. É certo, contudo, que segue sendo fácil supervisionar as operações do Paraguai, uma vez que um voo entre Assunção e Montevideo leva pouco mais de 1h. Reuniões presenciais, a salvo de interceptações, não seriam tão fáceis caso Messer tivesse seguido a família rumo a Israel, certo?

 

Chegamos então a 2017 e a novo escândalo: o FIFAgate. Mais uma vez Messer é “estranhamente” poupado. Para além de menção solta na imprensa esportiva, não houve nenhum destaque para o fato de representantes da gigante Nike terem mencionado o nome de Messer em depoimento ao FBI, nos EUA, em agosto de 2017.

 

Notem que, ao longo dos anos, Messer seguiu operando sem ser incomodado pela Justiça americana – seja no Brasil, seja no Paraguai. Vale lembrar que no país de residência atual, o Paraguai, até base militar americana há!

 

Há indícios, segundo nossas fontes, de que, em troca do salvo conduto de que goza, Messer seja informante das agências de inteligência americanas. Ainda mais atuando no que os americanos sempre consideraram um local “sensível” para o fluxo de dinheiro frio: a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai. Com parentes abrigados em Israel, possivelmente a “cooperação” também se estenda à inteligência do país.

 

Aliás, vale ressaltar que parentes de Messer se mudaram para Israel (justamente!) no mesmo ano em que Messer partia para o Paraguai: 2015. Largaram para trás, no Brasil, carreiras promissoras no mundo da finança. Sim, na finança, é claro. Afinal, diz o ditado que “um fruto não cai longe da árvore” (que o gerou), não é mesmo?

 

Homem bomba, Messer é o maior pesadelo de Sergio Moro. Fonte primária nos revela, por exemplo, que nas reuniões de cúpula da Odebrecht, ainda no início da Lava Jato, dizia-se que havia alguém que, com muita facilidade, poderia parar Sergio Moro em dois tempos.

 

Não outro que…

 

– … Dario Messer!

 

E é neste ponto que a narrativa de lá, da Odebrecht, casa com o que ouvimos de fontes nossas na inteligência europeia: para além de convicções “ideológicas” e cooptação financeira via “palestras”, o que teria tornado Sergio Moro um “operador” dos interesses americanos no Brasil seria o fato de o juiz, já havia muito, ser refém da inteligência americana. Afinal, os americanos têm também em seu poder o dossiê “Banestado”. Possivelmente, inclusive, em virtude da parceria com o próprio Dario Messer. Assim, desde o início da Lava Jato, conseguem empurrar Sergio Moro no sentido que determinam.

 

Isso explicaria, por exemplo, o esforço “heterodoxo” e (extremamente) artificial para trazer denúncias de corrupção na Petrobras, empresa sediada no Rio de Janeiro, para Sergio Moro, no Paraná. Usaram para tanto um velho conhecido, também de Banestado: Alberto Yousseff.

 

Mera coincidência?

 

Yousseff que, figurinha carimbada no submundo dos doleiros, pode até mesmo ter sido plantado no “esquema” que rolava na Petrobras. Isso porque, bastante antigo, era de conhecimento não apenas da classe política como também de todo submundo de “operadores” e doleiros. Um círculo, afinal, bastante restrito, em que todos se conhecem. “Operam” ora concorrendo ora, inclusive, em consórcio, quando as operações são grandes demais.

 

Como sabemos todos a esta altura, com direito inclusive a vazamentos para o Wikileaks, o “esquema” na Petrobras também era de conhecimento de outro ator chave nessa história toda:

 

– A inteligência dos EUA.

 

Sim, a mesma que alimenta – e dirige – Sergio Moro.

 

E foi assim, através da “fortuita” (?) – e claramente marginal! – participação de Yousseff num esquema de décadas, que a jurisdição sobre a Petrobras (“carioca”) foi atraída para alguém que os americanos já tinham no Bolso: Sergio Moro, o juiz do Paraná.

 

Pensem comigo:

 

– De repente, as múltiplas estadias de Moro nos EUA – após o enterro do caso Banestado – podem ganhar um novo significado, não é mesmo?

 

Os tais cursos de “treinamento” em “lavagem de dinheiro”, para além da fachada – que provavelmente até existia, deviam contar “ademais” com, digamos… hmmm… “cadeiras” e “créditos” suplementares – clandestinos! – ministrados pela inteligência americana

.

A propósito, vale lembrar que mesmo hoje, num mundo em que não há como garantir sigilo absoluto de comunicações remotas (nem mesmo de chefes de Estado), as mais que frequentes idas de Sergio Moro aos EUA sempre chamaram a atenção do público atento ao noticiário da Lava Jato. O álibi de “palestras” – pagas não se sabe por quem… – pode perfeitamente mascarar o verdadeiro objetivo: o recebimento, seguro, de instruções. Bem como de “dicas”, documentos e gadgets de espionagem.

 

(como, por exemplo, aquele que, em um par de horas apenas!, triou e degravou o grampo – ilegal – na conversa entre a Presidente Dilma e o Presidente Lula?


Quando, na sequência, o “juiz” Sergio Moro entregou – ilegalmente! – o seu login e senha no sistema da Justiça Federal ao jornalista Matheus Leitão, filho da também jornalista Miriam Leitão, para que Matheus, no lugar de Moro (!), fizesse o login e baixasse o áudio, para que esse fosse, ato contínuo, transmitido ao vivo na Globonews, causando grave perturbação da ordem pública?


Inclusive com “populares” (sic) cercando o Palácio do Planalto e ameaçando invadi-lo?)


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O elo perdido - e explosivo - ligando Lava Jato e Ban$stado

 

Segundo fonte nossa na comunidade de inteligência europeia, os “operadores” do enterro do escândalo do Banestado – de longe o maior caso de corrupção de todos os tempos: mais de 134 bilhões! De dólares! – teriam recebido 0,8% desse montante para operacionalizar o “desmonte”. Por óbvio, entre os “coveiros” necessariamente se encontravam membros do Judiciário. Os “operadores jurídicos” do “enterro” também teriam, portanto, entrado no rateio desse butim.

 

Ou seja: 0,8% dos 134 bilhões de dólares.

 

Nada menos que 1.072 bilhão de dólares!

 

Vale lembrar que o juiz Sergio Moro, na qualidade de juiz de instrução, presidia as investigações então. Leia mais. Texto de Romulus Maia 

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