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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Fev21

Não podendo elevar sua estatura, Arthur Lira rebaixa pé-direito da Câmara

Talis Andrade

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por Josias de Souza

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A principal ferramenta de trabalho do jornalista é o nariz. De todos os sentidos, o olfato é o que faz mais sentido na atividade jornalística. O melhor repórter, quando sente algo fedendo, corre atrás. Por mal dos pecados, a presidência do réu Arthur Lira não cheira bem.

Como ainda não inventaram lavanda capaz de disfarçar certos odores, o novo chefão da Câmara tirou um gambá da cartola. Decidiu tomar distância do nariz dos repórteres, um apêndice que brilha, espirra, coça e se mete onde não é chamado.

Lira transferiu para o porão da Câmara o comitê da imprensa, que funcionava há seis décadas num espaço contíguo ao plenário. Mandou instalar no local o gabinete do presidente.

Os repórteres perdem a possibilidade de farejar os ares malcheirosos que escapam pela portinha que liga o plenário ao comitê. E Lira livra-se do dissabor de tropeçar nos narizes que armam barricadas no trecho do Salão Verde que o presidente percorre a caminho da sessão.

Lira imagina estar golpeando o nariz da imprensa. Ainda não se deu conta de que desrespeita não os repórteres, mas a plateia que paga o seu salário e tem o direito de receber, com a devida rapidez, informações sobre o que andam fazendo na Câmara os seus hipotéticos representantes.

A remoção do comitê de imprensa é a primeira grande obra de Arthur Lira. Fica demonstrado que, impedido pela natureza de elevar a própria estatura, o líder do centrão decidiu rebaixar o pé-direito da Câmara.

A julgar pela timidez das reações, doravante bastará que os pares de Lira permaneçam de cócoras para serem considerados deputados de enorme altivez.

23
Dez19

Baixaria à sombra da mangueira do Alvorada

Talis Andrade

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Por Helena Chagas

A vida nunca foi fácil à sombra da mangueira do Alvorada. Tenho vasta quilometragem naqueles plantões. Horas a fio vigiando o entra e sai do portão do Palácio, sentados no chão, sol e chuva, sanduíche frio, coca-cola quente… Na maioria das vezes, pouca notícia. Mas a obrigação de ficar ali. Espanta a leviandade dos que, nas redes sociais, criticam os profissionais que têm sido alvo das ofensas grosseiras do presidente Jair Bolsonaro à saída do Alvorada, onde para todos os dias para dar algum recado.

Como os jornalistas aceitam isso? Por que não reagem? Por que não respondem? Por que simplesmente não se recusam a ouvir e vão todos embora?

Porque são profissionais, cumprindo sua obrigação. Ser ofendido, com transmissão ao vivo, pelas inúmeras bobagens que o presidente da República diz não é nada agradável. Mas perderá a razão qualquer jornalista que chame Bolsonaro para a briga ou lhe dê uma resposta na mesma altura — ainda que muito merecida.

Deve dar vontade, sim, de abandonar a cobertura e deixar o presidente falando sozinho. Mas também é solução, nem do ponto de vista do jornalismo e nem da defesa da democracia. Talvez seja isso o que Bolsonaro quer. Mas o país ficaria privado de saber que seu presidente disse que um jornalista tem “cara de homossexual”, como se isso fosse um defeito, e envolveu a mãe de outro em uma resposta grosseira.

Apesar de tudo isso, e de não reagir diretamente, os plantonistas do Alvorada continuaram fazendo o que devem – e que tanto irrita Bolsonaro: perguntando e expondo as respostas que recebem. Porque deve ser assim, tanto nas democracias estáveis como naquelas que precisam lutar parasobreviver.

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23
Dez19

Jornalistas deviam evitar circo do Alvorada

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho

 
O circo montado há meses por Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada foi dividido assim:
de um lado, o gradil do chiquerinho dos jornalistas, com uma plataforma de microfones, mantendo os repórteres à distância para a “entrevista coletiva”; de outro, bem ao lado, outro chiqueirinho para o “grupo de apoiadores” de camisas amarelas, que ficam batendo palmas e atiçando o capitão a bater pesado nos jornalistas.

Até hoje não entendi como as empresas e os profissionais podem se submeter a isso.

Na manhã desta sexta-feira, foi um festival de baixarias do presidente da República (!), que ficou completamente transtornado quando os repórteres lhe perguntaram sobre o caso Flávio & Queiroz.
 

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Ao ser perguntado por um repórter de O Globo se tinha comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que teria feito ao motorista Fabrício Queiroz, ele destrambelhou de vez:

“Oh, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?”

Muito aplaudido por meia dúzia de debilóides que urravam, Bolsonaro se empolgou e partiu para o ataque contra outro repórter:

“Você tem cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual…”

E foi por aí, até virar as costas e sair batendo o pé, indignado.

Se o presidente não se dá ao respeito, as empresas deveriam poupar seus profissionais de participar desse teatro grotesco e exigir mais civilidade nas “entrevistas coletivas”, que mais parecem bate-bocas de mesa redonda de futebol.

Não existe no mundo “entrevista coletiva” com platéia de apoiadores atrapalhando quem está ali para entrevistar o presidente sobre os assuntos quentes do dia.

Eu fui Secretário de Imprensa e Divulgação no começo do governo Lula, durante dois anos, e nunca aconteceu nada parecido a isso.

São testemunhas os repórteres setoristas que cobriam o Palácio do Planalto naquela época, que sempre foram tratados com o maior respeito pelo presidente e por mim.

Às vezes, é verdade, eu tinha que afastar algum microfone ou gravador, de algum repórter mais afoito, da boca do presidente, para colocar ordem na bagunça.

Mas nunca houve ofensa a nenhum profissional e todos tinham condições de fazer seu trabalho, repórteres e fotógrafos.

É preciso dar um basta nessa palhaçada.

Que organizem essas entrevistas no Palácio do Planalto, com regras civilizadas, sem platéia de áulicos e batalhões de seguranças intimidando jornalistas.

Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas e a Associação Brasileira de Imprensa, entidades para as quais eu já fui eleito em outros tempos, deveriam zelar pela dignidade do exercício profissional.

Chega de baixaria!

Vida que segue.
 

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23
Dez19

Quando os jornalistas não eram palhaços de circo mambembe

Talis Andrade

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Lendo Kotscho lembro meus tempos de setorista no Palácio das Princesas nos governos Cid Sampaio, Miguel Arrais e Paulo Guerra.

Eu escrevia a coluna "Ontem, em Palácio", para o Diário de Permanuco. 

Havia a Sala de Imprensa no Palácio. Nenhum jornalista ficava no sol, na chuva ou no frio da noite. Tinha entrada livre, a Sala era território livre, como ainda hoje as embaixadas, apesar da tentativa bolsonarista de invadir a Embaixada da Venezuela em Brasília.

Não atuei na imprensa de Brasília, mas sei que lá, por informações e vivências de jornalistas amigos, também existia uma Sala de Imprensa ( com máquinas de escrever, telefone, cafezinho, teletipo, todo o luxo e tecnologia da época). Mesmo nos tempos de chumbo era um espaço livre. Me lembro do mando de Texeirinha, Antônio Texeira Junior, que tem um busto em uma praça de Boa Viagem, Recife, bem indicativo do antigo prestígio da profissão.

Ensinei Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, e Sala de Imprensa fazia parte do currículo, quando se discutia Liberdade de Imprensa, Comunicação Governamental, Jornalismos Investigativo e Opinativo.

Cada meio de comunicação credenciava um profissional. 

Durante a Ditadura Militar, que autoritarismo fez desaparecer a sala de imprensa dos palácios? 

Por que esse espaço de Liberdade não foi reconquistado com a volta da Democracia, das eleições de presidentes civis e diretas para governador? 

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