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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

17
Ago19

Depressão e ansiedade de universitários: um problema em ascensão que preocupa especialistas e instituições

Talis Andrade

Pesquisas realizadas em todo o país confirmam que a saúde mental dos estudantes está se deteriorando

zero-hora-17-08-2019- doente rasil estudante .jpg

 

Em julho do ano passado, um estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi encontrado morto no campus de Palmeira das Missões. Havia tirado a própria vida. Em fevereiro, uma aluna teve o corpo localizado no quarto, na unidade de São Borja da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). O caso foi noticiado como suicídio, mas uma perícia posterior não ratificou essa causa. Em maio, outra estudante, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), matou-se.

Os três episódios, que envolveram universitários em sofrimento psíquico, deram contorno trágico a um problema que alarma as universidades: a deterioração da saúde mental de parte expressiva dos alunos. As estatísticas indicam que há um fenômeno grave em andamento, detectado pelas instituições, que multiplicaram programas de suporte. 

UFRGS, por exemplo, criou no ano passado um grupo de trabalho em saúde mental do estudante e lançou um site com orientações sobre o tema. A UFSM também acaba de montar um comitê para atuar na prevenção, além de contar com uma liga de alunos que atuam na proteção dos colegas.

Por meses, GaúchaZH conversou com quase duas dezenas de estudantes das três universidades em que ocorreram as mortes e deparou com uma sucessão de relatos sobre isolamento e depressão. Cada novo aluno ouvido declarava estar passando ou ter passado por episódios depressivos ou de ansiedade. Alguns disseram ter se sentido à beira do suicídio. Todos afirmaram estar cercados por colegas em situação mental precária.

Esse cenário tornou-se mais visível após uma revolução no Ensino Superior, que colocou o sonho de cursar a universidade ao alcance de grupos tradicionalmente excluídos. Nos últimos anos, houve a ampliação das vagas, a interiorização dos cursos, a adoção de políticas de cotas e a possibilidade de ingresso com a nota do Enem, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Essas mudanças criaram uma mobilidade acadêmica inédita, com estudantes espalhando-se pelo Brasil. 

Alunos e professores ouvidos por GaúchaZH acreditam que essa bem-vinda transformação, responsável por democratizar o acesso e promover a igualdade, pode ter tido um efeito colateral imprevisto. A escassez de estruturas e recursos de apoio aos ingressantes pode ter favorecido casos de depressão nos campi.

A morte mais recente foi de uma estudante de Jornalismo da UFPel que havia chegado do interior paulista em 2016 (GaúchaZH não publica o nome por não ter conseguido entrevistar um parente próximo). Quem encontrou o corpo foi Vitória Borgelt, em maio, ao voltar para casa depois de passar a noite na residência de um amigo.

Com a mesma idade (20 anos), Vitória e a estudante de Jornalismo também compartilhavam a moradia e a condição de forasteiras (Vitória é paraense e vivia no Rio). Eram amigas, e antes haviam sido namoradas. As duas também compartilhavam sintomas de depressão, que se agravaram após terem ido a Pelotas.

 

 

 

26
Mar19

Dois meses após tragédia de Brumadinho, atingidos sofrem de doenças físicas e mentais

Talis Andrade

brumadinho marcelo cruz foto.jpg

 

 

Lu Sodré
Saúde Popular

Uma região afetada pela falta de abastecimento de água tratada, moradores apresentando adoecimentos físicos e sofrimentos mentais, e um luto que não tem fim. Essa é a situação na qual se encontra a cidade de Brumadinho e comunidades vizinhas, exatamente dois meses após o rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão. De acordo com balanço da Defesa Civil, até sábado (23) estavam confirmadas as mortes de 212 pessoas. Outras 93 continuam soterradas.

Em meio a dor e destruição, uma das principais preocupações dos atingidos é com as consequências que a lama tóxica pode trazer à saúde. Em fevereiro, o governo estadual de Minas Gerais afirmou que quatro bombeiros, que atuavam nas buscas de corpos das vítimas, apresentaram concentração de metais em seus exames de sangue. A notícia agravou o estado de alerta da população.

Christovam Barcellos, coordenador do Observatório de Clima e Saúde, explica que a lama contém resíduos tóxicos como níquel, chumbo, ferro e mercúrio, substâncias que podem trazer consequências sérias para aqueles que entraram em contato com os metais pesados.

 

Às margens do Rio Paraopeba

Mesmo o contato indireto com os rejeitos também oferece risco à saúde das pessoas, acrescenta o pesquisador da Fiocruz. Isso pode acontecer, por exemplo, por meio do consumo de água atingida pela lama tóxica.

“O sistema de abastecimento de água da região entrou em colapso, foi interrompido o abastecimento. Muita gente está sem água. Existem notícias que muitas pessoas estão abrindo poços na região, e isso é um perigo porque o poço pode trazer água contaminada pelos rejeitos”, afirma Barcellos.

Segundo ele, a compreensão por atingidos pelo crime da Vale deve se estender a todas as pessoas que vivem às margens do Rio Paraopeba, que teve sua morte constatada por estudo da organização SOS Mata Atlântica, no início do mês. “Ali, no entorno do local onde houve o acidente, moram 3 mil pessoas. Todos eles são afetados de uma maneira ou de outra”, argumenta o pesquisador.

 

Sentindo na pele

Embora não seja moradora de Brumadinho, a vendedora ambulante Chirlene da Silva Souza, de 34 anos, sente na pele, literalmente, o que acredita ser consequência de água contaminada ingerida há alguns dias.

Horas após beber água da torneira, disponibilizada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), começou a sentir dor no estômago. “Meu braço começou a manchar todo e até hoje estou passando mal. Naquele dia eu bebi quase dois litros de água. Estava com sede, sede mesmo e não tinha outra opção, não tinha outra água. Foi só eu tomar a água que deu isso em mim. Fora o resto que tá acontecendo comigo, minha barriga está inchando, endurecendo”, relata Chirlene.

A moradora do bairro Imperador, em São Joaquim de Bicas – cidade circundada pelo rio Paraopeba – também relata que não é a única a sentir-se mal. “Depois que o povo começou a beber essa água tem um monte de gente passando mal, vomitando, tendo diarreia. Minha mãe está com umas manchas feias no corpo. Minha sobrinha, que mora pra baixo e está bebendo a água [da Copasa], diz que está dando dor de barriga na família toda”.

Chirlene procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade e foi encaminhada para realizar exames de sangue e urina com a finalidade de investigar a possibilidade de intoxicação. “No braço que está manchado, parece que a carne está morta. Do jeito que o povo fala, tenho medo. Falam que se a gente beber pode dar muitos danos. Falam que prejudica a saúde depois de anos e a minha já tá prejudicando”, conta preocupada.

José Geraldo Martins, farmacêutico e integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), confirma a situação relatada por moradores. “Temos casos esparsos de problema de pele, em sua maior parte manchas, feridas, algumas coceiras, em crianças, jovens. Isso está sendo observado de uma maneira qualitativa, não temos um levantamento quantitativo disso, mas, qualitativamente, nós que estamos no território temos observado isso”.

Em posicionamento enviado ao Brasil de Fato, a Copasa informa que água distribuída no município atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde, e que a captação do rio Paraopeba está desligada desde o dia 25 de janeiro, quando a barragem da Vale rompeu.

Porém, Geraldo diz que em municípios como Mário Campos e Betim, cresce também a morte de animais. “Animais de grande porte como bovinos, equinos, cães e gatos que morrem do nada, porque certamente foram lá, na beira do rio, beberam da água e acabam morrendo”, conta.

Segundo o militante, que atua no setor de saúde do MAB, a água potável não está sendo oferecida a toda a população. “Uma boa parte das pessoas, que moram rio abaixo, utilizam cisternas e poços que, de certa forma, se alimentam da água do Paraopeba. Há surtos de diarreia, vômitos, dores abdominais. É um quadro sugestivo de gastroenterite causada, provavelmente, pela má qualidade da água, porque está visivelmente turva, muito mais turva do que os padrões aceitáveis para o consumo humano”.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alega estar realizando o monitoramento da qualidade da água para consumo humano por meio da coleta e análise da água de poços e cisternas situados até 100 metros das margens do rio Paraopeba. As ações foram iniciadas no dia 29 de janeiro e possui periodicidade de 15 dias.

O órgão também declara que, no âmbito da coordenação de Vigilância de Doenças e Agravos Transmissíveis, tem acompanhando o surgimento de casos diarreicos e de doenças imunopreveníveis. A Secretaria aponta, no entanto, que as ocorrências estão dentro do limiar esperado para o período do ano, até o momento.

-brumadinho- foto lu sudré rio paraopeba.jpgRio Paraopeba totalmente contaminado pelos rejeitos da mineração da Vale | Foto: Lu Sudré


Sofrimento mental

Apesar dos sintomas físicos, Zé Geraldo avalia que o grande dano do crime socioambiental da Vale se dá em nível psicológico. “Há um sofrimento mental decorrente da morte de amigos, familiares próximos; muitos corpos não foram resgatados ou identificados. As famílias não puderam nem dar um enterro digno aos seus entes queridos, e houve perda do modo de vida, de projetos de renda. Os agricultores, os pescadores, pessoas que viviam de alguma forma ligadas à exploração do rio.”

De acordo com o representante do MAB, a incerteza no futuro é outro sentimento que atormenta os atingidos de Brumadinho, já que as soluções oferecidas pela Vale são temporárias, como a garantia de caminhões-pipa para os agricultores irrigarem suas hortas.

Sobre o acompanhamento da saúde mental dos atingidos, a Secretaria de Saúde do estado afirma que está em funcionamento o Plano de Ação da Coordenação Estadual de Saúde Mental (CESM), que atua junto aos equipamentos Brumadinho. De acordo com o órgão, medidas específicas para a saúde mental e física dos trabalhadores que atuam no local após o rompimento da barragem também estão sendo oferecidas.

 

Destruição ambiental

A confirmação da inexistência de vida no Paraopeba é outro elemento preocupante, na opinião de Christovam Barcellos, do Observatório de Clima e Saúde. Com a lama tóxica, o ecossistema do rio foi destruído, gerando desequilíbrio ao meio ambiente e proliferação de outras doenças.

“Os peixes são predadores de diversos tipos de animais, inclusive larvas de mosquito. Pode ser que o rio Paraopeba comece a ter transformações ecológicas e surjam novas espécies, porque está faltando peixes, répteis, sapos, lagartos, cobras. Todos esses são predadores de algumas espécies. Isso pode criar um ambiente favorável para a transmissão, por exemplo, da febre amarela e da esquistossomose”, aponta Barcellos.

O especialista acrescenta que aqueles que entram em contato com a lama tóxica podem contrair leptospirose. “Todas essas doenças podem ser consequências indiretas do desastre. Precisamos olhar além da lama de rejeito e do Córrego do Feijão, e sim toda a bacia do rio Paraopeba. Uma perturbação ecológica dessa magnitude, desse tamanho, alcançando vários ciclos naturais, animais e minerais, pode perturbar tanto o ambiente que acabam surgindo doenças novas e aparecendo mosquitos em áreas que não tinham mosquito”, enfatiza.

Procurada, a Secretaria de Saúde de MG diz estar monitorando casos suspeitos de leptospirose e acompanha de forma próxima a ocorrência de febre amarela. Sobre o aumento de doenças como zika, dengue e chikungunya, a SES-MG afirma que o estado se encontra em alerta, já que “certamente existe a possibilidade de aumento de vetores devido à mudança ambiental ocorrida em decorrência do rompimento da barragem.”

 

Estudo por 20 anos

Em resposta à demanda da reportagem, o Ministério da Saúde disse, em nota, que está desenvolvendo um “estudo de coorte [conjunto de pessoas que têm em comum um evento ocorrido no mesmo período] que vai avaliar doenças que estejam relacionadas diretamente ao desastre, como a contaminação por metais pesados e leptospirose”. O estudo deve acompanhar, segundo o ministério, cerca de mil profissionais envolvidos no resgate de vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho pelos próximos 20 anos.

Ainda de acordo com a pasta, “o primeiro passo do monitoramento será a coleta de amostras de sangue e urina, que seguirão para análise no Instituto Evandro Chagas (IEC), primeiro laboratório de referência para essa ação”. Caso seja necessário, completa a nota, “outras instituições referenciadas também poderão ser envolvidas”.

De acordo com o ministério, a ação terá a colaboração de pesquisadores de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ) e a organização Médicos Sem Fronteiras.

06
Mar19

MÍDIA ARGENTINA REPERCUTE INSANIDADE MENTAL DE BOLSONARO

Talis Andrade

 

247 - A Agência de Notícias da Argentina Télam repercutiu o vídeo obsceno postado pelo presidente Jair Bolsonaro o Twitter.

"A oposição brasileira anunciou hoje que denunciará o presidente Jair Bolsonaro por pedido de desculpas à pornografia e que ele avalia pedindo-lhe um exame de saúde mental após publicar um vídeo com sexo gay explícito nas redes sociais para criticar os desfiles de rua do carnaval brasileiro", diz o texto no site.

"O vídeo enviado pelo presidente para sua conta no Twitter mostra um homem durante o carnaval acima do teto de um táxi no centro de São Paulo passando o dedo pelo ânus e depois outro urinando na cabeça. Dada a avalanche de críticas pelo teor do mau gosto presidencial, um desafiante Bolsonaro insistiu e perguntou no Twitter

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

O que é golden shower?

Menos de meia hora depois recebeu a resposta do presidente autoproclamado José de Abreu, que retuitou, do perfil Jair, me arrependi: "Golden shower é um termo em inglês para se referir a cheques depositados na conta da primeira dama, referentes ao pagamento de um suposto empréstimo de R$ 40 mil para quem movimentou R$ 7 milhões em três anos, presidente. Chove ouro".

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O 'Golden Shower' (Chuva Dourada), é a excitação sentida no ato de urinar no parceiro ou receber jatos de urina do parceiro durante a atividade sexual. foi esta prática que Jair Bolsonaro divulgou em um vídeo para criticar o carnaval.

 

"Por essa razão, o chefe do bloco de deputados do PT, Paulo Pimenta, pediu à empresa americana Twitter para bloquear 'definitivamente' a conta do chefe do Estado".

Confira a postagem:

Vídeo incorporado
Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões:

(Decidimos colocar as famosas tarjas pretas no vídeo de Bolsonaro)
 

 

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