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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Nov20

Para melar a campanha de baixarias, a turma do Melo inventou que Manuela tinha tatuagens de Fídel, de Che

Talis Andrade

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A turma do Melo inventou tatuagens e outras estórias, de quem não tem programa de governo, para melar com baixarias a campanha idealista e séria e dígna de Manuela. Campanha de esperança de quem acredita no futuro, de que lutará para tirar Porto Alegre do abandono. 

Pararam com os fake news, depois que a imprensa internacional revelou estes dias as tatuagens de Maradona, comunista, e amigo de Che Guevara, de Fídel, de Hugo Chávez. Eles pararam de mandar o eleitor de esquerda para Venezuela e Cuba, países hermanos da Argentina de Maradona.

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MARADONA IMORTAL

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por Urariano Mota

Quando soube ontem da morte de Maradona, senti um abalo, que me deixou sem compreender a emoção. Foi como um sentido de perda pessoal, semelhante à perda de um amigo, cuja partida sentimos sempre como uma parte de nós que se vai e se esvai. Maradona, um amigo, que coisa mais contraditória. E por quê? Havia em mim, como na maioria dos brasileiros, um sentimento de rivalidade por seu brilho, ao qual sempre contrapomos o de Pelé. Maior é Pelé, Pelé é o maior jogador do mundo! O mais brilhante, genial é Pelé, etc. etc. Coisa sobre a qual o coração da gente protesta.

E por quê? Eu e amigos alcançamos uma idade em que a compreensão se torna mais elástica. Isso não é bem condescendência. Talvez seja uma ciência da experiência. Mas no abalo do peito, nos olhos cuja umidade eu reprimia, havia também uma ciência da idade. O tempo que acumulamos nos deixou todos mais emotivos. Vezes há em que de repente embargamos a voz, viramos o rosto de lado envergonhados por cedermos de modo tão imprevisível às lágrimas. E fiquei sem explicação, como um sentimento expresso no soneto de Camões:  

“ferida que dói e não se sente;
um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer”.

Mas depois compreendi. A razão que o peito agitava é que estava guardada na memória mais que uma absurda rivalidade entre dois gênios do futebol. Maradona era, foi um daqueles atletas fora da alienação política. Ele esteve sempre ao lado da esquerda, contra a corrente, contra o conforto da conformação. Então vi as fotos da tatuagem de Che no seu ombro, a de Fidel na perna esquerda, e suas declarações em defesa de Lula e Dilma, a favor  de Hugo Chaves e de Maduro. Nisso residia o meu abalo no peito, a emoção pelo Pibe.  Então pude ver sem olhos de rivalidade, então pude ver como um cidadão do mundo o seu belíssimo segundo gol contra a seleção inglesa. 

 

https://www.youtube.com/watch?v=1wVho3I0NtU&feature=emb_logo 

Meu Deus, um craque desses é do mundo, é da confraternização universal, está além da conflagração. Quase há um grito oculto neste gol: “abaixo o imperialismo inglês!”.

E vi, e soube algumas das suas declarações, que o sentimento adivinhou e não sabia:

"Eu não quero que Havelange diga que me quer como um pai. Eu não sou um filho da puta.  

Me dei conta depois que as dores de barriga da minha mãe eram porque ela não comia para dar de comer aos filhos.

Eu cresci em um bairro privado de Buenos Aires. Privado de luz, privado de água, privado de telefone."

Então pude compreender com olhos da razão aquilo que o sentimento viu antes. E mais sereno, agora posso dizer que a morte de Maradona deixa na gente algumas reflexões. No espaço dos seus 60 anos, ele cresceu, amadureceu para o gênio que foi, sofreu e se redimiu no campo com brilho único. E  em posições políticas que desejavam mudar o mundo. 

E por isso ele se tornou imortal. E procuro esclarecer de que gênero com perguntas do meu  romance “A mais longa duração da juventude” num trecho: 

“o que faremos da imortalidade? O que plantaremos no lugar do que é efêmero, que retira do próximo fim o seu gozo? Como teremos a saciedade sem a fome? Seria a imortalidade o paraíso sem o seu contrário, uma duração eterna do que é fluido e fugaz? Será como uma estrada que leva a lugar nenhum, uma reta de asfalto infindo sem marcos e placas de cidades?,,,” 

E mais:

“Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos, nós só a alcançamos pelo que foi mortal, mortal, e sempre mortal não morreu. A imortalidade é isto, o trompete de Louis Armstrong, a voz de Ella Fitzgerald”, o jogo e vida de Maradona.  

Ele foi canhoto no campo e fora do campo. Ele foi canhoto por chutar de esquerda e canhoto na política. Canhoto também no que existia de desajeitado, no uso e abuso de substâncias para diminuir a dor. E lembro de Cartola na canção O Mundo é um Moinho. Num dos versos o nosso compositor canta “em cada esquina cai um pouco a tua vida”. Assim foi a sua pessoa e gênio que não cabia em si. 

Os jornais falam que Maradona estava ansioso, deprimido e angustiado nos últimos dias.  Que a sua esperança era voltar para Cuba, a terra onde recebeu  a mais ampla solidariedade e tratamento de hermano para hermano. Mas a última dor chegou antes. Então fica isto, para sempre: 

Maradona imortal no futebol, no cidadão político, no homem alto, altíssimo,  fora do campo, quando abraçava e amava as referências socialistas. Ele foi mais que um tango. Para mim, mais que um deus. Um homem, enfim. 

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26
Abr19

Em Portugal temos um estado de direito, Moro…

Talis Andrade

Num Estado de direito existe a presunção de inocência. A menos que… Sérgio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da Operação Lava Jato legitima junto de muitos observadores

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Por Manuel de Carvalho

- - -

É, no mínimo, um desplante. E no máximo um desplante no limiar do agravo diplomático que um ministro da Justiça estrangeiro venha até nós chamar “criminoso” a um ex-primeiro ministro que nem sequer foi condenado em primeira instância.

Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule um pecúlio de suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente. Caso o juiz Sérgio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência. A menos que…

A menos que Sérgio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da Operação Lava Jato legitima junto de muitos observadores.

Porque, é óbvio, um juiz tem o dever de ser minucioso na atribuição de estatutos a terceiros. Tem de conservar a prudência e o recato sobre processos em investigação, principalmente quando está num país estrangeiro. Tem de ser capaz de manter a elevação do seu cargo e da sua responsabilidade e saber resistir às acusações como as que José Sócrates, na sua delirante visão do mundo, lhe dirigiu. Tem, finalmente, de respeitar a independência da Justiça nos países que visita, abdicando de condenar sumariamente pessoas que nem sequer começaram a ser julgadas.

Sérgio Moro tem toda a legitimidade em defender as suas ideias sobre as virtudes do sistema penal brasileiro sobre o português, incluindo os méritos da delação premiada ou essa acumulação de funções que concedem ao juiz de instrução a responsabilidade de ser também o juiz que preside aos julgamentos dos suspeitos. Pela dignidade do seu cargo e pelo prestígio que acumulou antes de acelerar o julgamento de Lula para impedir a sua recandidatura, antes de produzir uma condenação que muitos observadores internacionais consideram ser forçada face à fragilidade das provas, antes de aceitar ser ministro do mais polémico presidente do Brasil das últimas décadas, Moro seria sempre bem-vindo a Portugal para fazer a apologia das suas ideias de justiça. O que disse sobre Sócrates foi muito para lá do tolerável e tornou-o uma persona non grata.

Estranha-se por isso a ruidosa teia de silêncio que se abateu sobre as suas lamentáveis acusações a José Sócrates. Não haver um juiz que lhe lembre o óbvio, um jurista que lhe aponte o atentado ou um governante que lhe denuncie o abuso é um triste sinal. Ninguém se quer colar a José Sócrates porque Sócrates é um activo tóxico, bem se sabe.Mas o que está em causa é muito mais do que a ofensa a um ex-primeiro ministro sob suspeita. É um princípio básico do Estado de direito que foi atacado. É a credibilidade do sistema judicial português que é atingida – há um “criminoso” à solta, protegido pela impunidade? Logo, é um abuso de um ministro de um Governo presidido por um político cujas virtudes democráticas e valores humanistas se desconhecem por não existirem.

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Chamar “criminoso” a um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso que revela a verdadeira natureza de Sérgio Moro. Um juiz-político (ou um político-juiz) que nem num país que o recebe mostra perceber o que é o respeito diplomático. E, já agora, o que é um Estado de direito pleno. Publicado in Público

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26
Abr19

TENSÃO DIPLOMÁTICA Moro chama José Sócrates de criminoso e causa mal-estar em Portugal

Talis Andrade

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Por Gabriela Coelho

---

ConJur - "Não debato com criminosos", disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em entrevista a uma emissora de televisão portuguesa nesta quarta-feira (24/4). A declaração foi uma resposta à afirmação do ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que tinha dito que o Brasil vive uma tragédia institucional e classificado Moro como "ativista político".

Tudo começou quando Moro criticou o sistema jurídico português durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa. Em sua exposição, o ministro afirmou ter identificado uma "dificuldade institucional" em Portugal para fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.

Sócrates criticou o ataque de Moro. "O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional", afirmou Sócrates em nota divulgada a imprensa.

 

Críticas Laterais

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O ministro da Justiça brasileiro também foi criticado pelo jornalista português Manuel Carvalho, do portal Público. Carvalho defendeu que chamar de "criminoso" um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso, que revela a verdadeira natureza de Sergio Moro.

"Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente", disse o jornalista.

Para Manuel, caso o juiz Sergio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência.

"A menos que Sergio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da operação "laja jato"  legitima junto de muitos observadores", provocou o jornalista. 

 

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26
Abr19

TENSÃO DIPLOMÁTICA José Sócrates diz que Sergio Moro é "indigno, medíocre e lamentável"

Talis Andrade

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Por Gabriela Coelho

---

ConJur - O imbróglio entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, ainda não terminou. Os dois são protagonistas de um mal-estar causado por declarações infelizes de Moro durante um congresso jurídico em Portugal.

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"Impossível ler a declaração do ministro da Justiça brasileiro sem um esgar de repugnância. Ela põe em causa os princípios básicos do direito e da decência democrática. Não, nunca cometi nenhum crime nem fui condenado por nenhum crime. Não posso aceitar ser condenado sem julgamento, muito menos por autoridades brasileiras", disse Sócrates.

Na nota, o primeiro-ministro de Portugal afirma que na Europa, o povo "conhece bem o ovo da serpente". "Conhecemos o significado das palavras de agressão, de insulto e de violência política. Conhecemos o significado dos discursos governamentais que celebram golpes militares, defendem a tortura e recomendam o banimento dos adversários políticos", afirmou.

Sócrates afirma ainda que os portugueses conhecem o significado do silêncio daqueles que assistem a tudo isto como se não fosse com eles. "Há no entanto, em todo este episódio, um mérito: as palavras produzidas confirmam o que já se sabia do personagem - como juiz, indigno; como político, medíocre; como pessoa, lamentável", defende.

 

O mal-estar


Tudo começou quando Moro criticou o sistema jurídico português durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa. Em sua exposição, o ministro afirmou ter identificado uma "dificuldade institucional" em Portugal para fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.

Depois disso, Sócrates afirmou, por meio de nota à imprensa, que Moro é um "ativista político disfarçado de juiz", e que, por isso, o Brasil vive "desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político".

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Uma emissora de televisão portuguesa, então, perguntou o que Moro tinha a dizer sobre as críticas de Sócrates. Ele rebateu, apenas, "não debato com criminosos". Por esse pronunciamento, ele também foi duramente criticado pelo jornalista Manuel Carvalho, do portal Público.

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24
Abr19

Sócrates afirma que Sérgio Moro foi juiz “indigno” e é político “medíocre”

Talis Andrade

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Público - O antigo primeiro-ministro José Sócrates acusou nesta quarta-feira o ministro brasileiro da Justiça, Sérgio Moro, de ter sido um juiz “indigno” e de ser um político “medíocre” e uma pessoa “lamentável”, considerando que desrespeita “princípios básicos do Direito”.

 

Este ataque consta de uma nota enviada à agência Lusa pelo antigo líder dos socialistas portugueses e surge na sequência de uma polémica originada por declarações proferidas na segunda-feira, em Lisboa, pelo ministro brasileiro, que, enquanto juiz, foi responsável pela Operação Lava Jato e pela prisão do antigo chefe de Estado do Brasil Lula da Silva.

 

Na segunda-feira, Sérgio Moro identificou uma dificuldade institucional, tanto no Brasil, como em Portugal, no sentido de a justiça fazer avançar processos de corrupção contra individualidades políticas, como o antigo primeiro-ministro português

 

José Sócrates reagiu poucas horas depois, caracterizando Sérgio Moro como "um activista político disfarçado de juiz".

 

Confrontado com esta acusação de José Sócrates, o ministro brasileiro da Justiça e da Segurança Pública respondeu: “Não debato com criminosos".

 

Para José Sócrates, esta polémica com Sérgio Moro tem apenas “um mérito”

As palavras [por ele] produzidas confirmam o que já se sabia do personagem: Como juiz, indigno; como político, medíocre; como pessoa, lamentável”, apontou o antigo primeiro-ministro português entre 2005 e 2011.

 

Na nota enviada à agência Lusa, José Sócrates considera que “é impossível ler a declaração do ministro da Justiça brasileiro sem um esgar de repugnância”.

 

“Ela põe em causa os princípios básicos do direito e da decência democrática. Não, nunca cometi nenhum crime nem fui condenado por nenhum crime. Não posso aceitar ser condenado sem julgamento, muito menos por autoridades brasileiras”, escreve.

 

Na Europa, segundo o antigo secretário-geral do PS, conhece-se bem “o ovo da serpente”, assim como “o significado das palavras de agressão, de insulto e de violência política”.

 

“Conhecemos o significado dos discursos governamentais que celebram golpes militares, defendem a tortura e recomendam o banimento dos adversários políticos”, referiu também José Sócrates, aqui numa alusão à extrema-direita brasileira.

 

Já num recado destinada a meios políticos nacionais, José Sócrates adverte que se conhece igualmente “o significado do silêncio daqueles que assistem a tudo isto como se nada fosse com eles”.

 

 

24
Abr19

Sócrates, primeiro-ministro de Portugal: "Espetáculo da Lava Jato é bastante sinistro".

Talis Andrade

Moro "é um ativista político disfarçado de juiz"

O antigo primeiro-ministro José Sócrates afirmou que o Brasil está a viver "uma tragédia institucional" e considerou que o atual ministro brasileiro da Justiça, Sérgio Moro, atuou como "um ativista político disfarçado de juiz".

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Estas posições constam de uma nota enviada por José Sócrates à agência Lusa, depois de o ministro brasileiro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, ter identificado uma "dificuldade institucional" em Portugal em fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.

 

Respondendo à intervenção proferida por Sérgio Moro na Conferência de Abertura sobre o Estado Democrático de Direito e o Combate à Criminalidade Organizada e à Corrupção, no VII Fórum Jurídico de Lisboa, o antigo líder do executivo português (2005/2011) declarou: 

 

O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político

 

Segundo José Sócrates, isto "é o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz". "Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto", avisou.

 

Numa reação à intervenção proferida por Sérgio Moro, o antigo primeiro-ministro português referiu que o atual ministro brasileiro, enquanto juiz, validou "ilegalmente uma escuta telefónica" entre a então Presidente da República, Dilma Roussef, e o seu antecessor na chefia do Estado brasileiro, Lula da Silva.

"O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão Globo, que a divulga nesse mesmo dia, o juiz condena o antigo Presidente [Lula da Silva] por corrupção em atos indeterminados, o juiz prende o ex- Presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida", apontou José Sócrates.

 

Também de acordo com o antigo líder do PS e primeiro-ministro, nessa mesma fase do processo, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu notificar as instituições brasileiras para que permitissem a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha.

 

"Mas as instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prémio: É nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito [Jair Bolsonaro] e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva", acrescentou José Sócrates.

 

Em suma, para o antigo líder dos socialistas portugueses, este "espetáculo" no Brasil, em torno da Operação Lava Jato, "é, na realidade, bastante sinistro". Transcrito do Diário de Notícias, Portugal

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