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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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04
Mai20

Síndrome de Kawasaki: doença que pode estar relacionada à Covid-19 é detectada em crianças na Europa

Talis Andrade

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Cerca de vinte casos da Síndrome de Kawasaki foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos testadas positivas ao coronavírus na região parisiense. iStock / SanyaSM

 

 

O alerta foi feito por médicos do Reino Unido e reforçado por especialistas na França. Diversas crianças testadas positivas ao coronavírus apresentam também sintomas da Síndrome de Kawasaki, doença rara caracterizada pela inflamação na parede dos vasos sanguíneos e complicações cardíacas.

Na região parisiense, cerca de 20 casos já foram detectados em crianças com idades entre 2 e 10 anos. A professora de Reumatologia Pediátrica do hospital Kremlin-Bicêtre, em Paris, Isabelle Kone Paut, confirma um “acúmulo anormal de casos”.

“Há um mês, recebemos regularmente telefonemas de UTIs sobre crianças que apresentam quadro de miocardite severa e sinais da Síndrome de Kawasaki. Algumas delas testaram positivo à Covid-19”, afirma a especialista em entrevista ao jornal francês La Dépêche.

No norte da Itália, uma das regiões mais castigadas pelo coronavírus, especialistas também registraram casos severos desta doença em crianças de idade inferior a 9 anos. Na Espanha e na Bélgica, hospitais atenderam a menores com sintomas similares.

As autoridades sanitárias europeias ainda investigam se existe uma relação entre a Síndrome de Kawasaki e a pandemia de Covid-19. Mas a situação é preocupante, em um momento em que os países europeus anunciam a saída do confinamento a partir do começo de maio e a França prevê que as crianças de escolas maternais e ensino primário voltem às aulas.

Por isso, muitos médicos e pesquisadores franceses, entre eles pediatras e especialistas em doenças inflamatórias, realizam uma reunião de emergência sobre essa questão.

Equipes médicas da França em alerta

Em entrevista à France Info, o ministro francês da Saúde, Olivier Véran, confirmou ter recebido um alerta por parte das equipes médicas de Paris indicando que “cerca de 15 crianças apresentam sintomas de febre, problemas digestivos e uma síndrome inflamatória vascular que pode provocar problemas cardíacos”.

Em sua opinião, algumas dessas crianças foram contaminadas pelo coronavírus. O ministro afirma que a situação é levada a sério e necessita “vigilância e atenção”. “Mobilizo a comunidade médica e a comunidade científica na França e internacional para ter o máximo possível de informações e saber se existe uma relação entre o coronavírus e essa doença que, até o momento, não vinha sendo observada em nenhum lugar”, reiterou.

Questionado sobre a possibilidade desse novo quadro poder adiar a reabertura das escolas na França – prevista para 11 de maio – Verán afirmou que, na ausência de explicações médicas sobre o fenômeno, nenhuma decisão será tomada por enquanto. “Teremos novas informações rapidamente sobre essas crianças e seus dossiês médicos para poder explorar soluções”, afirmou o ministro.

As autoridades sanitárias britânicas também trabalham para tentar descobrir se existe uma relação entre a Covid-19 e a Síndrome de Kawasaki. De acordo com o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, a doença pode ser causada pelo coronavírus.

“Não temos 100% de certeza, porque algumas pessoas que a contraíram não foram testadas positivas ao coronavírus. Estamos fazendo muitas pesquisas, mas é algo que nos preocupa”, declarou à rádio LBC.

Já o chefe dos serviços de Saúde do Reino Unido, Chris Witty, ressaltou que a Síndrome de Kawasaki é uma doença “muito rara”. “Acredito que seja plausível que ela esteja relacionada ao vírus, ao menos em alguns casos”, declarou na coletiva de imprensa do governo britânico na segunda-feira (27).

Como se manifesta a Síndrome de Kawasaki

Em entrevista à rádio francesa RMC, Pierre-Louis Léger, chefe da UTI neonatal do hospital Trousseau, em Paris, afirma que a Síndrome de Kawasaki é “uma doença relativamente rara, mas conhecida dos pediatras”. Mais frequente na Ásia do que nos países ocidentais, a doença se manifesta por uma inflamação das artérias, especialmente as coronárias, podendo causar um infarto do miocárdio. Entre os sintomas estariam a febre, erupções cutâneas, vermelhidão em torno da boca e das mucosas labiais e garganta, inchaço dos gânglios no pescoço, inchaço de mãos e pés, além de irritação dos olhos.

Para o especialista, alguns casos apresentam “insuficiência cardíaca necessitando levar o paciente para a UTI e aplicar tratamentos específicos”. Léger afirma ter atendido três crianças nos últimos 15 dias no hospital Trousseau e diz estar a par de que outras foram hospitalizadas com sintomas similares em Paris.

O especialista indica que muitos dos menores hospitalizados não tinham antecedentes graves de saúde ou sofriam de doenças crônicas. Ele ressaltou que muitos deles testaram positivo ao coronavírus.

“Nem todos apresentaram sintomas respiratórios típicos na fase inicial. Mas, em um segundo momento, eles desenvolvem sintomas pouco descritos até o momento em crianças contaminadas pelo coronavírus: problemas digestivos, febre, piora do estado geral”, observa.

Léger afirma que depois de alguns dias na UTI, seus pacientes logo se recuperaram. “As crianças respondem bem aos tratamentos. Até o momento, nenhum paciente teve consequências graves, mas esses casos precisam ser monitorados e receber muita atenção, salienta.

Excesso de resposta imunitária

O reumatologista e pediatra Alexandre Belot, do hospital Femme Mère Enfant, em Lyon, lembra que, até o momento, nada permite confirmar a relação entre a Síndrome de Kawasaki e o coronavírus, mas as suspeitas existem e estão sendo avaliadas.

“A Síndrome de Kawasaki é uma doença inflamatória sobre a qual não conhecemos a causa. Essa pode ser genética, mas poderia ser ativada pelo estímulo de um vírus”, afirma o especialista, em entrevista ao jornal francês La Depêche.

De acordo com Belot, “é possível que crianças infectadas pelo coronavírus desenvolvam uma forma desta doença provavelmente devido a um quadro propício, talvez excesso de resposta imunitária”.

04
Mai20

Coronavírus: 329 prefeitos da região parisiense pedem que escolas continuem fechadas em 11 de maio

Talis Andrade

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A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou no domingo (3) uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo que as escolas não sejam reabertas em 11 de maio - data prevista para o início do relaxamento da quarentena na França. AFP - DAMIEN MEYER

 

A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, neste domingo (3), pedindo que as escolas não reabram em 11 de maio. A data, que marca o início do relaxamento das medidas de quarentena na França, é considerada precipitada pelas autoridades locais.

"Senhor presidente da República, na região parisiense, o Estado não pode se abster de sua responsabilidade da reabertura das escolas em 11 de maio. Esse calendário é impraticável e irrealista", escreve a Associação dos Prefeitos da Região Parisiense em uma carta aberta publicada no site do jornal francês La Tribune.

O documento, assinado por 329 prefeitos - entre eles, a de Paris, Anne Hidalgo - denuncia a falta de organização do governo, além da impossibilidade de receber os alunos em boas condições. “A preparação do fim do confinamento se faz em um calendário forçado, quando ainda não temos todas as informações para orientar a população”, afirma a carta aberta.

A associação pede, desta forma, o adiamento da abertura das escolas. “A flexibilização e a adaptação às condições locais são necessárias e os prefeitos desejam, evidentemente, estar associados às negociações. (…) Mas a falta de engajamento do Estado de suas responsabilidades em matéria educativa e sanitária, em plena crise e quando o estado de emergência será prolongado, é inimaginável”, reitera o documento.

 

Polêmica volta às aulas

Várias organizações sindicais já haviam criticado, nos últimos dias, a data de volta às aulas, considerada “arbitrária”. A principal organização do ensino primário, a SNUipp-FSU lembrou que esse calendário não foi aprovado por nenhuma autoridade médica. Já a central sindical Sud reivindica a reabertura das escolas em setembro devido “às exigências impraticáveis”.

“As condições sanitárias não estão reunidas e não permitem uma volta às aulas em maio em boas condições para os alunos e profissionais. Recomeçar em setembro permitiria ter tempo para preparar melhor as aulas e os estabelecimentos tanto na organização do material quanto em contratações suplementares”, afirma o sindicato.

Pais também se preocupam com a reabertura das escolas em um momento em que vários países europeus, entre eles a França, registram casos da Síndrome de Kawasaki em crianças contaminadas pelo coronavírus. O próprio Conselho Científico francês – criado pelo governo durante a pandemia – recomendou a reabertura das escolas somente em setembro. Mas o governo insiste na volta às aulas em 11 de maio.

Nesta segunda-feira (4), ao apresentar o projeto do fim gradual da quarentena ao Senado, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que a reabertura das escolas é uma prioridade do governo. “Onde ela pode acontecer, ela vai acontecer, se possível para as crianças que mais precisam”, afirmou.

Os estabelecimentos escolares estão fechados desde 16 de março na França devido à epidemia que já deixou 24.895 mortos no país. O projeto do governo prevê a abertura dos maternais e do ensino primário a partir de 11 de maio. As classes seguintes devem voltar as aulas a partir de 18 de maio. Já a situação do ensino médio será reavaliada no final do mês, segundo o primeiro-ministro. As medidas foram aprovadas pela Assembleia, na semana passada, e passam por exame e votação no Senado nesta segunda-feira.

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