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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Mai21

Operação sangrenta em favela do Rio repercute no exterior, e ONU pede investigação independente

Talis Andrade

ONU pede investigação 'independente' após operação policial em favela no Rio que matou 25 pessoas.

ONU pede investigação 'independente' após operação policial em favela no Rio que matou 25 pessoas. AP - Silvia Izquierdo

A operação contra o narcotráfico que deixou pelo menos 25 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, repercutiu dentro e fora do Brasil. Jornais no exterior relatam o episódio, enquanto ONGs e órgãos das Nações Unidas pedem uma investigação independente sobre a ação policial. 

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos denunciou o uso desproporcional da força policial nas favelas brasileiras, uma situação que, frisou o porta-voz da instituição, Rupert Colville, já vem de muito tempo.

O órgão da ONU pediu, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, que o Ministério Público brasileiro “conduza uma investigação independente e imparcial sobre o assunto, seguindo as normas internacionais. Além disso, pedimos um debate amplo e inclusivo no Brasil sobre o modelo de manutenção da ordem aplicado nas favelas", completou o porta-voz.

"Lembramos às autoridades brasileiras que se deve recorrer à força apenas em casos estritamente necessários e que devem sempre respeitar os princípios de legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade da força letal", insistiu.

O Alto Comissariado se disse ainda "profundamente preocupado", principalmente depois de ter sido informado que, após a operação, “a polícia não tomou as medidas necessárias para preservar as provas na cena do crime, o que pode dificultar a investigação".

A organização humanitária Human Rights Watch também se exprimiu sobre o caso e pediu que a polícia “não toque nos corpos [das vítimas] até o final das investigações”. A entidade lembra que “graves falhas” foram cometidas no passado durante inquéritos de homicídios envolvendo a polícia no Rio de Janeiro.

Os jornais internacionais, como o português, Público, relatam o ataque como sendo a operação “mais letal da história do Rio de Janeiro”. A imprensa francesa também repercutiu o caso, e o jornal Le Monde chamou a operação policial de “banho de sangue”

O jornal Italiano La Repubblica relata que, segundo a polícia, o tráfico de drogas no Brasil usa táticas dignas de guerrilhas. No entanto, “as forças de segurança brasileiras também são frequentemente acusadas de uso excessivo da força contra a população civil durante operações realizadas nas principais cidades do país”.  

O canal de televisão em língua árabe Al Jazeera descreve a operação em uma de suas manchetes como ‘Carnificina’, enquanto a emissora norte-americano CNN, em seu site em inglês, fala das reações no Brasil, com “protestos generalizados da sociedade civil” e uma mobilização nas redes sociais, que já criaram o hashtag #TheJacarezinhoMassacre.

Ações policiais estavam suspensas por causa da pandemia

A operação foi realizada apesar de uma decisão do STF, proibindo a polícia de fazer esse tipo de operação em favelas brasileiras durante a pandemia do coronavírus - salvo em circunstâncias "absolutamente excepcionais".

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, a polícia do Rio de Janeiro foi responsável pela morte de 453 pessoas entre janeiro e março deste ano, e de 1.245, no ano passado.

(Com informações da AFP)

 

07
Mai21

Mourão defende execução de negros no Rio de Janeiro: “tudo bandido”

Talis Andrade

Vice-presidente da República, Hamilton Mourão

ONU condena chacina de Jacarezinho e quer investigação imparcial

 

247 - O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos condenou a chacina que deixou 25 mortos durante uma ação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (6). O porta-voz da ONU, Ruppert Colville, cobrou para que “o Ministério Público realize uma investigação imparcial, completa e independente sobre o caso, seguindo os padrões internacionais”.

De acordo com reportagem da coluna do jornalista Jamil Chade, no UOL, a ONU disse considerar o caso como "especialmente perturbador”, uma vez que existe uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo que operações do gênero sejam realizadas nas favelas durante a pandemia de Covid-19. 

Colville também afirmou que o massacre confirma o uso excessivo de força por parte das forças de segurança e que o modelo de policiamento nas comunidades deve ser repensado. "Relembramos às autoridades brasileiras que o uso da violência deve ser usado apenas quando estritamente necessário e que deve sempre respeitar o princípio da legalidade, precaução e proporcionalidade", disse.

"Também pedimos que haja uma discussão ampla e inclusiva no Brasil sobre o modelo atual de policiamento das favelas, que estão presas num ciclo vicioso de violência letal com dramático impacto em uma situação já difícil para a população", completou. 

Em 2019, a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, já havia criticado a violência policial e as violações dos direitos humanos no Brasil. No ano passado, o Comitê sobre Desaparecimentos Forçados cobrou do governo de Jair Bolsonaro explicações sobre a violência policial e o desmonte dos mecanismos de monitoramento e prevenção da tortura. Em 2020, parlamentares brasileiros denunciaram à ONU 69 casos de suspeita de execuções sumárias no país e pediu que as mortes fossem investigadas.

 

Mourão defende execução de negros no Rio de Janeiro: “tudo bandido”

negro alvo.jpg

 

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, (PRTB) afirmou, na manhã desta sexta-feira (7), que os 25 mortos em consequência de uma operação policial na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, são "todos bandidos". Foi considerada a maior chacina da história da capital fluminense
 

"Tudo bandido! Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje. Lamentavelmente, essas quadrilhas do narcotráfico são verdadeiras narcoguerrilhas, têm controle sob determinadas áreas e é um problema da cidade do Rio de Janeiro", disse. "É um problema sério da cidade do Rio de Janeiro que vamos ter que resolver um dia ou outro", acrescentou. Seu relato foi publicado pelo site Metrópoles

De acordo com a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, as ações no Jacarezinho não deveria ser chamada de "resultado de operação policial" ou de "tiroteio", mas frutos de uma "chacina" ou um "massacre".

A operação desrespeitou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu a realização de operações policiais nas favelas durante a pandemia do coronavírus.

A ação gerou protestos no Jacarezinho.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) anunciou uma ação de seu partido junto com o PT, da deputada federal Benedita da Silva (RJ), e a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), contra o governo do Rio de Janeiro pela chacina.

O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou um levantamento apontando que, entre janeiro de 1998 e março deste ano, 20,9 mil pessoas morreram em confronto com a polícia no estado do Rio. O número representa uma morte a cada dez horas, em média, nestes 23 anos.

 

Gleisi: Mourão acha que todo morador de comunidade é bandido

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, usou suas redes sociais para rebater fala preconceituosa do vice-presidente, Hamilton Mourão, que defendeu execução de negros no Rio de Janeiro.  “tudo bandido”, disse ele ao comentar a chacina na comunidade do jacarezinho (RJ) que matou 24 civis e um policial.

Gleisi Hoffmann
@gleisi
Mourão acha que todo morador de comunidade é bandido. É a cara da política de ódio de Bolsonaro, a criminalização da pobreza e racismo. O caminho da humanização é longo. Não é só nas periferias que se combate tráfico de drogas. Vidas pobres e negras importam, e muito!
Image

Moradores e ativistas protestam contra a chacina de Jacarezinho

jacarezinho.jpg

 

Manifestantes foram às ruas protestam contra a chacina do Jacarezinho, que aconteceu nessa quinta-feira (6) durante uma operação policial para desmantelar um esquema de aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas, como assassinatos, roubos e sequestros de trens da Supervia.

 

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