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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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28
Jul20

A estranha demissão do presidente do BB

Talis Andrade

Rubem Novaes (primeiro plano, à direita) foi empossado nesta segunda (7) por Paulo Guedes no comando do Banco do Brasil em cerimônia no Palácio do Planalto — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Altamiro Borges
Para surpresa dos abutres financeiros, na sexta-feira (24) o Banco do Brasil confirmou que Rubem Novaes, o neoliberal convicto que presidia a instituição, entregou seu pedido de demissão para Jair Bolsonaro. Ainda não foi divulgado o substituto para o cobiçado posto e nem explicado os reais motivos da intempestiva saída. 

O BB apenas divulgou que o privatista pediu para sair por entender que o banco "precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário". O executivo foi indicado ao cargo por Paulo Guedes, czar da economia, em novembro de 2018, logo após a eleição do “capetão” fascista. 

“Tem que vender essa porra logo”


A sua saída da presidência preocupa o “deus-mercado” – que nutre há muito tempo o desejo de engolir o BB. No mês passado, em reunião da comissão parlamentar que discute ações econômicas pós-pandemia, Rubem Novaes expressou o seu temor diante das dificuldades encontradas para a privatização do Banco do Brasil. 

“Minha dúvida é se, com as amarras que temos do setor público, vamos ter velocidade de transformação que nos permita uma adaptação a esse novo mundo. Eu sinceramente desconfio que não”, lamentou. Para ele, o BB atua “com bolas de chumbo aos pés. As decisões são demoradas, têm que passar por TCU, Secom, CGU”.
 
Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril, o abutre Paulo Guedes também já havia chiado. Ele disse que o governo “faz o que quer” com a Caixa e o BNDES, mas “não consegue fazer nada” no BB, mesmo tendo um ‘super-liberal lá’, em referência à Rubem Novaes. “Tem que vender essa porra logo”, disse o pornô-ministro. 

Privilégios, compadrio e corrupção

Diante desses entraves, não se sabe ainda se ele pediu para sair ou foi enxotado. Em entrevista à CNN-Brasil, Rubem Novaes disse que deixou o cargo por “não se adaptar à cultura de privilégios, compadrio e corrupção de Brasília”. Ele não citou um fato específico, mas culpou o ambiente político reinante na capital do país. 

Já a Folha especula que “pessoas próximas ao executivo Rubem Novaes, 74, dizem que ele estava cansado da política em Brasília e quer falar o que pensa sem ter que lidar com os efeitos negativos das suas declarações. De saída do Banco do Brasil, ele deve seguir como assessor especial de Paulo Guedes (Economia)”. 

Conflito com os aliados do Centrão 

O jornal ainda lembra que “nos bastidores, ele travava uma queda de braço com o ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas desde que veio à tona sua declaração chamando a corte de ‘usina de terror’. A fala ocorreu na reunião ministerial de 22 de abril, quando Novaes também defendeu a privatização do BB”. 

“Em seguida, ele defendeu o aporte de verba do banco em site de fake news, após Carlos Bolsonaro criticar a interrupção preventiva feita pela área de marketing do BB. Como resposta, o TCU sustou parte relevante da publicidade do BB na internet e o banco alega que estava tendo prejuízo”. 

Essas brigas desgastaram Rubem Novaes, que também entrou em confronto com os políticos do Centrão, os novos aliados de Bolsonaro. “Apesar disso, sua saída não era esperada na classe política e pegou de surpresa também membros da equipe econômica, que não sabiam explicar o motivo da demissão”, garante a Folha. 

Seguidor de Olavo de Carvalho 

O jornal Estadão, por sua vez, destila veneno ao afirmar que, “sob pressão, Rubem Novaes deixa o cargo”. “A saída está alinhada ao movimento de Bolsonaro de se afastar do núcleo considerado radical. Novaes é ligado ao escritor Olavo de Carvalho, que tem atrapalhado a pauta governista e gerado ruídos com o Legislativo”. 
 
“Além disso, a avaliação na equipe econômica é que o desempenho dele no mercado de crédito teria sido insatisfatório. Novaes se mostrou reticente a atender aos pedidos do presidente de baixar juros em linhas ao consumidor, principalmente no cheque especial, e ampliar a oferta de crédito para atenuar os efeitos da crise”.
 

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