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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

02
Jan22

Bolsonaro é eleito 'Corrupto do Ano' por consórcio internacional

Talis Andrade

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Organização que reúne jornalistas investigativos de vários países destaca que Bolsonaro minou sistema de justiça e travou guerra destrutiva contra a Amazônia

 

ANSA - O presidente Jair Bolsonaro foi eleito "Personalidade do Ano" por seu papel na promoção do crime organizado e da corrupção pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio internacional que reúne jornalistas investigativos e centros de mídia independente.

"Eleito após o escândalo da Lava Jato como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região da Amazônia que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país", afirma o OCCRP.

Segundo o relatório, Bolsonaro venceu "por pouco" outros dois líderes populistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder turco, Recep Tayyp Erdogan, que também causaram "grandes danos aos seus países, regiões e ao mundo".

O texto enfatiza que ambos os políticos "lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia".

Além disso, o consórcio destaca a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, no caso das "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando ele era deputado estadual.

As investigações contra o vereador Carlos Bolsonaro, outro filho do mandatário, também por um suposto esquema de repartição de salários de assessores; a verba depositada por Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Michele Bolsonaro; e as denúncias contra o próprio Bolsonaro também foram ressaltadas no documento.

De acordo com Drew Sullivan, editor do OCCRP e um dos nove jurados, as acusações paira sobre os familiares do líder brasileiro. "A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo." disse Sullivan.

"Essa é a definição de livro de uma gangue do crime organizado". A publicação cita ainda que o prefeito afastado do Rio, Marcello Crivella, "amigo e aliado" do presidente, foi preso por liderar uma organização criminosa.

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Amazônia - O consórcio internacional enfatizou que as ações do Bolsonaro "não afetam apenas o Brasil", porque ele "abriu grandes extensões da Amazônia para a exploração por aqueles que já haviam se beneficiado da destruição da região crítica e ameaçada".

"A destruição contínua da Amazônia está ocorrendo por causa de escolhas políticas corruptas feitas por Bolsonaro. Ele encorajou e alimentou os incêndios devastadores", afirmou o jurado Rawan Damen, diretor do Arab Reporters for Investigative Journalism.

Para ele, "Bolsonaro fez campanha com o compromisso explícito de explorar - ou seja, destruir - a Amazônia, que é vital para o meio ambiente global".

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31
Ago20

Escândalo de corrupção dos Bolsonaro é destaque no ‘New York Times’

Talis Andrade

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O desastre do governo do presidente Jair Bolsonaro, que transformou o Brasil em pária internacional, continua a ganhar grande repercussão no exterior.

Neste final de semana, o diário americano ‘ The New York Times’ publicou reportagem sobre as investigações que pesam contra a família do ocupante do Palácio do Planalto.

Relata os depósitos que o ex-assessor e amigo da família, Fabrício Queiroz, fez nas contas bancárias da primeira-dama, Michelle, e do filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro. O ‘New York Times’ detalha o chamado caso das “rachadinhas”, um esquema de lavagem de dinheiro que permite o roubo de salários do setor público, por meio da contratação de funcionários fantasmas ou empregados dispostos a devolver parte do salário para vereadores e deputados.

A reportagem dá destaque para a ameaça de Bolsonaro de agredir fisicamente um repórter que perguntou ao presidente, na semana passada, o motivo pelo qual Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama. “A resposta foi agressiva, mesmo para um presidente conhecido por expressar sua raiva a jornalistas e críticos: “O que eu gostaria de fazer”, disse Bolsonaro ao repórter, “é encher tua boca na porrada”, replicou o ‘Times’.

O jornal noticia que os brasileiros estão fazendo uma pergunta que pode ameaçar o futuro político do presidente Jair Bolsonaro: por que sua esposa e filho receberam pagamentos de um homem sob investigação por corrupção?

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De acordo com o diário americano, o escândalo ganhou força a partir de junho, com a prisão de Queiroz e os posteriores vazamentos para a imprensa de que o ex-assessor havia enviado a Michelle Bolsonaro muito mais dinheiro do que os investigadores haviam divulgado. “Isso colocou em dúvida a explicação do presidente de que um único pagamento revelado em 2018 foi feito para pagar uma dívida”, descreve o New York Times.

Roubo de dinheiro público

“Em ações judiciais e vazamentos para a imprensa, as autoridades levantaram a suspeita de que, a partir de 2007, Queiroz ajudou o filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, a roubar dinheiro público embolsando parte dos salários de pessoas de sua folha de pagamento”, aponta o diário.

A reportagem esmiuça o caso, relatando que, entre 2011 e 2016, Queiroz canalizou o equivalente a milhares de dólares para Michelle Bolsonaro, em transações que nenhum deles consegue explicar. “Os promotores do caso também acreditam que os depósitos feitos ao filho do presidente podem estar ligados ao esquema”, informa o jornal.

Silêncio

O ‘Times’ também chama a atenção para o silêncio do gabinete do presidente Bolsonaro, que simplesmente se recusou a comentar ou explicar o caso em nome de Bolsonaro e sua esposa. “Michelle Bolsonaro conheceu o marido em 2006, enquanto trabalhava como secretária no Congresso. Depois que os dois começaram a namorar, ela se juntou à equipe legislativa dele, uma mudança que triplicou seu salário”, afirma o ‘Times’. O jornal informa ainda que o advogado de Flávio Bolsonaro não respondeu ao pedido de entrevista feito pelo jornal.

O ‘Times’ relembra que o escândalo começou a tomar forma logo após a eleição presidencial de 2018, quando o Ministério Público identificou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017. À época, ele constava da folha de pagamento de Flávio Bolsonaro. O investigadores constataram que os valores movimentados eram incompatíveis com os ganhos declarados por Queiroz.

Família na defensiva

”Desde então, outras investigações legislativas e criminais colocaram a família Bolsonaro na defensiva”, sustenta a reportagem, citando investigações que miram Carlos Bolsonaro por desvios de recursos semelhantes quando ele era vereador e por seu envolvimento com a indústria das fake news. O terceiro filho do presidente, Eduardo, também está envolvido no caso das fake news.

 

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