Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

08
Out23

Reinaldo Azevedo contra "o golpismo de gravata"

Talis Andrade
 
Reinaldo Azevedo no Reconversa com @WalfridoWarde
 
 
Image
 
 
8 DE JANEIRO: "Eu adverti o governo do DF no dia 7 que aquela gente era criminosa e iria invadir os Poderes; isso está documentado". 
 

O setor lixo da imprensa fez parceria informal c/ o esgoto bolsonarista p/ tentar vincular gov. Lula a Hamas. VAMOS À MEMÓRIA??? 1) Bolsonaro recebeu Beatrix von Storch, chefe de partido neonazista e neta do mais longevo ministro de Hitler. Mesmo depois do suicídio do ...
Image
Reinaldo Azevedo
... genocida, ele tentou criar enclave nazista no norte da Alemanha. 2) Bolsonaro recebeu apoio de “ex-líder” da KKK, chefe real da seita; 3) um dos governantes mais próximos de Bolsonaro é o húngaro Viktor Orbán, antissemita fanático. Querem continuar? A memória instrui.
Image
 
Image

Reinaldo Azevedo no UOL

Enfraquecimento do STF só serve aos fascistoides 

gravata-com-fuzil-1696494667208_v2_900x506.jpg.web


Imagem: Gustavo Maia

Depois do 8 de janeiro, quando assistimos ao ataque da horda vestindo camiseta amarela, é chegada a hora de considerar outras formas de ser do golpismo. Pode, por exemplo, se apresentar de gravata. Dois eventos nesta quarta merecem ser vistos mais de perto.

O primeiro: David Alcolumbre (União-AP), que preside a CCJ do Senado e é a verdadeira mão que balança o berço de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que o sucedeu no comando da Casa, quer voltar ao posto em fevereiro de 2025 — ainda está longe, mas essa gente é precavida. E transformar o Supremo em alvo é uma de suas ferramentas para atingir tal intento.

O segundo evento: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), participou de uma homenagem aos 35 anos da Constituição e defendeu que cada Poder se mantenha nos seus limites constitucionais. Parte da imprensa sustentou — já com a boca torta de tanto usar o cachimbo da porrada — que se tratava de um "recado" ao tribunal. Não me parece. Fato: uma cadeia de porra-louquices fez o deputado parecer um moderado. E isso nos relata um tanto do atual estado de coisas.

 

ALCOLUMBRE
Falemos de Alcolumbre. Presidiu o Senado em 2019 e 2020 e não pôde se recandidatar para a função porque a Constituição veda a recondução de um parlamentar ao mesmo cargo da Mesa por dois biênios seguidos numa só legislatura. Pacheco e Lira completarão dois mandatos seguidos porque os exerceram nos dois anos finais de uma legislatura e nos dois iniciais de outra. Aí pode.

O político do Amapá, que sempre foi a sombra mais do que consentida de seu sucessor, quer voltar a ser o titular do cargo também de direito, não só de fato. E resolveu fazer mais do que política de boa vizinhança com o bolsonarismo. Está mesmo decidido a ganhar o seu podre coração. E tem conseguido. É um mestre do jogo ambíguo: caso se arranje com a "reacionarada", tentará transformar a candidatura em fato consumado, buscando impor-se também à base governista. Um verdadeiro pacificador, não é mesmo? Inclusive quando indica ministros...

E eis, então, que o homem resolveu voltar suas armas contra o STF. Nesta quarta, numa votação-relâmpago, de espantosos 42 segundos, a CCJ aprovou uma PEC do senador morista-bolsonarista Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), que impõe limites a decisões monocráticas dos magistrados e uma disciplina para a devolução de votos-vista. A estrovenga passou pela CCJ, embora seja inconstitucional. Afinal, um Poder não pode regular a rotina de funcionamento de outro. Trata-se de matéria prevista no Regimento Interno daquela Casa de Leis, que foi recepcionado pela Constituição de 1988.

De resto, ainda que o troço fosse aprovado e que não tivesse a inconstitucionalidade declarada, versaria sobre matéria já arbitrada pela própria Corte, que impõe mais celeridade do que a porcaria aprovada na comissão. Não tem grande importância nem acho que prospere. O que se quis mesmo foi um pretexto para arreganhar os dentes para o tribunal, além de dar piscadelas à extrema-direita.

 

OUTRAS INICIATIVAS
Outras iniciativas estão em curso, com o apoio de alguns bocós na imprensa que, não sendo extremistas de direita, são idiotas o suficiente para tratar os 11 magistrados o fator de desestabilização da democracia. O presidente do Senado resolveu apresentar uma PEC criminalizando o porte de droga, não importa qual, porque disse que os ministros estariam usurpando o papel dos parlamentares ao definir uma quantidade de maconha que caracterizaria tráfico. Para lembrar: a Lei 11.343 prevê cadeia apenas para o traficante, não para o consumidor. Ocorre que as evidências apontam que, na prática, o preto e pobre vai em cana porque quase sempre é considerado traficante, mesmo quando consumidor; o rico endinheirado se safa porque é quase sempre considerado consumidor, mesmo quando traficante. Será que juízes não devem se ocupar da questão?

Há mais: um certo Plínio Valério (PSDB-AM) não parece estar especialmente preocupado com a tragédia da seca e do desequilíbrio climático que castiga seu Estado. Tem outras ocupações. Quer uma emenda que defina um mandato de oito anos para os membros da Corte. Já escrevi aqui os sobre efeitos deletérios que teria um troço como esse. O atual presidente do Senado, que fala pelo ex, não pensa assim.

Roberto Barroso assumiu o comando do Supremo na quinta, 28 de setembro. Na segunda, 2 de outubro, lá estava o presidente do Senado a anunciar apoio à tese do mandato, como se o Brasil fosse uma dessas sólidas democracias parlamentares europeias. Numa entrevista, engrolou:

"Bom, essa é uma tese que eu já defendi publicamente. Continuo a defender. Acho que seria bom para o Poder Judiciário, para a Suprema Corte do nosso país. Seria bom para a sociedade brasileira termos uma limitação do mandato de ministro do Supremo. Agora que já resolverá a segunda vaga de responsabilidade do presidente Lula, eu acho que preenchida essa vaga, é o momento de nós iniciamos essa discussão no Senado Federal e buscarmos a elevação da idade mínima para ingresso no Supremo Tribunal Federal, a fixação de mandato na Suprema Corte, no tempo também que dê estabilidade jurídica até pra formação da jurisprudência do país. Essa é uma tese aplicada em outros países do mundo. É uma tese defendida por diversos segmentos, inclusive por ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, e eu acho que é uma tese possível de ser debatida e discutida no Senado Federal"

No dia 27 do mês passado, em sessão garbosamente conduzida por ele, seus pares aprovaram o despudorado projeto de lei, que já havia passado pela Câmara, que define o marco temporal para a demarcação de terras indígenas, além de expor as áreas já demarcadas ao risco de exploração econômica mesmo sem a concordância dos ocupantes originários. O STF já havia decidido, por nove votos a dois, que o marco é inconstitucional. A aberração aprovada consegue ser ainda pior.

 

NO PAU DE ARARA
Há uma óbvia aliança de bolsonaristas e moristas -- estes especialmente espalhados na imprensa --, organizados e conjurados para atacar o Poder de toga. Afinal, as primeiras condenações pelos atos golpistas estão em curso; todos sabem que Bolsonaro está na fila e que os crimes da dita força-tarefa começam a vir à superfície. Assim, a canalha precisa testar se o ódio que os sectários do dito "Capitão" devotam a pelo menos nove ministros se expande além da bolha. É nessas horas que entram os oportunistas, com suas alianças episódicas.

Alcolumbre é poderoso, influente, mas está longe de ser o rei da popularidade entre os pares. Tenta se garantir com os bolsonaristas porque estes podem dar tração à sua candidatura; com eles, buscará se impor como fato consumado à base aliada. E, no melhor dos mundos, ainda posará de pacificador. Nem precisará de um Rogério Marinho (PL-RN) para vocalizar as pautas dos reaças. Estes, por sua vez, têm a esperança de que um tribunal eventualmente mais enfraquecido possa poupar Bolsonaro. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) sonha até com a anistia. Outro dos delírios em voga, que tem um deputado como porta-voz — Domingos Sávio (PL-MG) — é transformar o Congresso em instância revisora do Supremo...

 

AINDA FALTA ARTHUR LIRA
O presidente da Câmara, que prefere terçar armas com o Executivo, não com o Judiciário, se disse contrário à tese do mandato. Disse que aceita debater a limitação de decisões monocráticas, mas não mandato. Discursou nesta quarta em homenagem aos 35 anos da Constituição. Afirmou:

"A Constituição passou por várias emendas, mas preservou, lógico!, a sua essência. É útil, é pioneira e é desbravadora. Ilumina, ainda hoje, os caminhos por onde cada um dos integrantes deste Parlamento pode trilhar. Estabelece as balizas que delimitam o campo de ação de cada um dos Poderes do Estado, e é importante, sempre, que nós saibamos nos conter, cada Poder desta nação nos seus limites constitucionais. E eu tenho absolutamente certeza de que o Parlamento brasileiro os obedece, os cultiva e os respeita"

Não me parece, à diferença do que se tem dito por aí, que esteja, ele também, "mandando recados" ao Judiciário. De saída, rechaça a bobagem do "Congresso como revisor do STF". E já se sabe que não está disposto a flertar com mandatos para ministros. O que estou dizendo, meus caros, é que, dado o surto que toma o Senado, com as ambições fora do controle, o presidente da Câmara surge, na comparação ao menos, como um pacificador. E isso só chama a atenção para a figura de Pacheco como aquele destinado a ser o que efetivamente não foi. Ou que não foi o que poderia ter sido.

17
Jul21

Ministro Rogério Marinho passa por cirurgia no coração na Bahia

Talis Andrade

O ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional

 

Ministro do Desenvolvimento Regional colocou um stent após diagnóstico de obstrução arterial. Ele está em férias com a família

 

 
- - -

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, teve um mal-estar na noite de sexta-feira (16/7), quando se deslocava para Porto Seguro (BA), onde passa férias com a família. Segundo sua assessoria, após ser submetido a exames, foi diagnosticada uma obstrução arterial.

Ainda durante a madrugada deste sábado (17/7), o ministro passou por uma angioplastia para a colocação de um stent. Ele passa bem e deve receber alta nas próximas horas, diz nota da assessoria.
 
O ministro está internado em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. Ele tem 57 anos. Em publicação no Twitter, Marinho comentou seu estado de saúde:
Rogério Marinho
@rogeriosmarinho
Amigos, tive um mal-estar na noite passada quando chegava em Porto Seguro-BA para férias com a família. Fiz exames e foi diagnosticada uma obstrução arterial. Na madrugada, passei por uma angioplastia para colocação de stent. Estou bem e espero receber alta nas próximas horas
 
Em fevereiro, Marinho foi internado em um hospital de Belo Horizonte (MG), após sentir dor na articulação do ombro. Ele cumpria agenda oficial na capital mineira quando buscou o serviço médico e foi encaminhado para a internação. Na ocasião, o diagnóstico foi de tendinite calcária.
 
O ministro está em período de descanso desde a última segunda-feira (12/7) e deve retornar ao trabalho no próximo dia 22.
04
Abr21

Guedes ameaça desembarcar do governo e fala em Rogério Marinho para substituí-lo

Talis Andrade

Rogério Marinho e Paulo Guedes

 

247 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dito a interlocutores que poderá desembarcar do governo Jair Bolsonaro e sugerido o nome do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para chefiar a pasta.

De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Guedes estaria insatisfeito com relação entre o governo e o centrão no tocante ao Orçamento deste ano, que pode ultrapassar o limite do teto de gastos. 

Marinho, porém, diverge de Guedes em relação ao teto de gastos e defende a ampliação dos investimentos públicos como forma de superar a crise resultante da pandemia e gerar empregos. 

01
Nov20

Ou havia lobista ou havia mentiroso no governo. O lobby é falso. Então...

Talis Andrade

rogerio-marinho-e-paulo-guedes.jpg

Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, e Paulo Guedes, da Economia. No embate de agora, não há nem mesmo empate. Guedes contou uma lorotaImagem: Isac Nóbrega/PR; "Hugo Harada/Gazeta do Povo

por Reinaldo Azevedo

- - -

Como o ministro da Economia, Paulo Guedes, não sabe o que fazer ou que rumo tomar, então ele ataca. Ao participar de audiência pública no Congresso, chamou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) de "casa de lobby" e disse que ela financia um ministro gastador. Referia-se a Rogério Marinho, titular do Desenvolvimento Regional. Nas suas palavras:

"A Febraban é uma casa de lobby, muito honrada, muito justo o lobby, mas tem que estar escrito na testa 'lobby bancário', que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive, financiando estudos que não têm nada a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. Financiando ministro gastador para ver se fura o teto, para ver se derruba o outro lado".

Alguém percebeu algo de ruim no que leu até agora? Acho que não. E vai ficar melhor. Leiam mais:

"O acordo de cooperação técnica firmado entre o MDR e o Pnud prevê que o estudo não será custeado com recursos públicos. Com isso, a Febraban e entidades do Sistema S bancarão as despesas, estimadas em R$ 20 milhões."

Em nenhum momento se fala em furar o teto de gastos. O objetivo é precisamente outro: mobilizar investimentos da iniciativa privada. Afirma o documento:

"Devem ser desenhadas ações de curto, médio e longo prazos, com indicação de novos modelos de negócios que abram espaço para investimentos públicos e privados com foco na redução das desigualdades regionais. A estratégia também permitirá o financiamento privado apoiado por mudanças legais e infralegais que tragam segurança legal e institucional, com o objetivo de atendimento à política liberal adotada pelo governo federal."

Por que Guedes está tão zangado com Marinho nesse caso? Só a sua inação, a sua incapacidade de coordenar uma equipe tão grande e a sua frustração explicam o chilique. Então vamos pela ordem:

- o acordo é firmado com um órgão da ONU;

- o Ministério do Desenvolvimento Regional fez esse acordo de cooperação técnica apenas;

- o que se quer é estimular o capital privado nesses projetos;

- uma das propostas está ligada a obras no semiárido nordestino a partir da concessão de áreas para irrigação.

Goste-se ou não de Marinho, é evidente que isso não faz do ministro uma marionete do lobby da Febraban, que, segundo Guedes, estaria atuando fora da sua área. Alguém aí enxerga algum de mal em que entes privados e suas respectivas entidades de classe banquem estudos que busquem novos modelos de financiamento de obras que não dependam de recursos públicos — aqueles que já não existem hoje? 

Com a devida vênia, Guedes está irritado é com a própria paralisia e com a ineficácia de seu jeito destrambelhado de fazer as coisas. Então resolveu disparar contra o desafeto. Afirmei no programa O É da Coisa, na BandNews FM, que o ministro da Economia havia deixado o governo numa situação muito ruim: ou este abriga um lobista ou abriga um mentiroso — eventualmente as duas coisas.

Como se nota, a história de que a Febraban faz lobby para financiar um ministro gastador, fura-teto, é lorota. Isso é conversa de quem não faz, mas também não deixa que façam.

O ministro da Economia estava furioso porque o tal decreto que colocava as Unidades Básicas de Saúde no escopo das parcerias público-privadas teve de ser retirado por Bolsonaro. Houve uma grita generalizada contra o texto, e, como ficou evidente, o próprio ministro não conseguiu explicar o que queria.

A verdade é que o tempo de Guedes no governo vai se esgotando. Seu repertório, como já afirmei aqui tantas vezes, é velho. Estúpido foi fazer um decreto envolvendo a rede primária de entendimento à Saúde sem falar com ninguém e sem dar explicações. Essa inciativa de Marinho, que ele atacou com ferocidade, deveria ser aplaudida.

Mas a sua arrogância incompetente não deixa. 

 

03
Out20

O ‘Posto Ipiranga’ está cercado e falta pouco para fechar

Talis Andrade

O-posto-Ipiranga-de-Jair-Bolsonaro.jpg

 

 

por Fernando Brito

- - -

O primeiro ataque foi frustrado. Quando o general Walter Braga Netto disparou, numa entrevista no Planalto, o canhonaço do Plano Pró-Brasil, em abril, sugerindo um “Plano Marshall” para o Brasil devastado pela pandemia, a blindagem de Paulo Guedes ainda era forte o suficiente para resistir.

O auxílio-emergencial, de lá para cá, manteve o ministro da Economia, mas sempre na dependência de oferecer algo para depois do fim do “cheque especial” que ganhou para gerir o país à base de um déficit que, tudo indica, chegará ao fim do ano em cerca de R$ 1 trilhão, 13% ou pouco mais de nosso Produto Interno Bruto.

A reação da economia, por sinal, foi menos desastrosa do que se previa, mas as pressões de inflação. câmbio e juros, inevitáveis quando se desenha tamanho déficit, só fazem crescer.

Quase aos berros, Guedes pede reforços fiscais: a nova CPMF, travestida de “imposto digital” ou “digitax” como fala o pessoal do mercado, é a divisão de R$ 120 bilhões (sonhou-se até com R$ 240 bi, com a cobrança bífida, como língua de cobra, ao pagador e ao recebedor) era sua principal aposta para liberar os agentes econômicos das contribuições patronais, na esperança que fossem, assim, gerar emprego e renda. O auxílio, à meia-ração, seria obtido com arrocho no salário mínimo e nos proventos de aposentadorias, além de um cata-cata de migalhas em outros programas sociais.

O homem encastelado no Planalto, de olho em sua súbita popularidade com a prodigalidade do auxílio, quase que só dizia “se vira” ao general desesperado, mas se preocupava em segurar os mercadistas, jurando fidelidade ao Santo Teto dos Gastos, seu padroeiro de devoção.

Guedes parece sem alternativas. Sua principal tarefa tem sido a de inventar novas formas e nomes para as ideias que já lhe foram recusadas.

Com a cobertura de um ponta-de-lança civil e político – Rogério Marinho – ombreado a Braga Netto como líder do assalto ao Posto Ipiranga, criou-se o clima para as primeiras escaramuças.

Elas vieram a público, ontem, mais pela reação de Guedes que pela ação dos atacantes.

Ambos levam planos a Bolsonaro: Marinho, o aplauso nas inaugurações de obras antigas no Nordeste; Braga Netto um rol de projetos de obras que se sustentaria num hipotético trilhão de reais de investimentos estrangeiro, uma privatização “no atacado” que venderia 160 empresas e uma carteira de obras que seria uma versão 4.0 das velhas “frentes de trabalho” dos tempos da ditadura, privilegiando aquelas que fossem intensivas em mão de obra.

Sonhar, claro, não custa nada, senão a perda de contato com a realidade.

A fraqueza de Guedes chegou ao ponto de que até seu ex-admirador Merval Pereira diz hoje, em O Globo, que ele não tem forças para pedir a cabeça de Marinho. Nem mesmo a ameaça do Banco Central de subir os juros caso desabe o teto de gastos provocou solidariedade ao quase ex-ministro da Economia.

As coisas só não se definem mais rápido porque Jair Bolsonaro, quem diria, aprendeu a arte política de deixar que as coisas se tornem insustentáveis antes de fazer sua própria vontade.

02
Out20

Lula inocente, reconhece Ascânio Seleme, o Globo

Talis Andrade

Lula inspira charges | Acervo

Se petista for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório

 

Caberá ao Supremo decidir. Mas o que até outro dia parecia ser apenas um sonho dos petistas de raiz, hoje soa como possibilidade real. Se o Supremo entender que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento do ex-presidente no caso de tríplex do Guarujá, Lula terá sua condenação suspensa, seus direitos políticos restabelecidos e poderá disputar a eleição presidencial de 2022. Uma eventual vitória no tapetão jurídico, contudo, não elimina o fato de os governos de Lula e Dilma terem sido hospedeiros de incontáveis e astronômicos esquemas de corrupção.

De qualquer forma, a suspensão da condenação servirá para a narrativa de reconstrução da imagem do PT. Dará aos militantes e simpatizantes uma bandeira. Um novo julgamento terá de ser feito sobre a mesma acusação, o que certamente demandará tempo, já que parte do ponto zero. Isso não significa que o ex-presidente não tem culpa, o que terá de ser comprovado pelos seus advogados no tribunal. Mas uma palavra que já está sendo empregada pelos seus apoiadores será a que vai embalar uma eventual campanha de Lula. Inocente!

Se Lula for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório. Em primeiro lugar tem que se levar em conta que ele partirá de um patamar de intenções de voto bem mais alto do que Fernando Haddad tem hoje. O problema, é que o seu teto não deve estar muito distante do seu piso. A candidatura do ex-presidente pode também sepultar qualquer entendimento amplo para evitar a reeleição de Jair Bolsonaro. Os que se aglutinarão ao seu redor serão os de sempre. Embora o candidato seja forte de arrancada, a chapa de chegada que sair daí não será.

Outra questão a ser considerada é que país Lula vai encontrar em 2022. Do jeito que o governo tem se movimentando, pode ser que no ano da eleição não exista mais teto de gastos e Bolsonaro esteja livre para esbanjar. Nesta hipótese bastante razoável, Paulo Guedes terá sido substituído pelo gastador Rogério Marinho. E então a autorização oficial para torrar dinheiro público servirá para inocular no eleitor o mesmo remédio usado nas gestões petistas, que se chamava Bolsa Família e hoje atende pelo nome de Renda Brasil.

A influência da política de bolsas em período eleitoral, já se viu antes, é devastadora. A campanha do candidato petista, portanto, terá de ser sobre questões políticas. Neste caso, difícil dizer como o eleitor receberá este discurso. Pode entender tratar-se apenas de retórica. Apesar do discurso da inocência, é difícil dissociar a imagem de Lula da corrupção da era petista. Este, aliás, será o elemento mais nocivo à campanha do PT, com Lula ou com Haddad.

Se apresentar como alternativa ao extremismo de direita tampouco parece ter muito eco em largas camadas da população, como mostra a pesquisa do PoderData. Embora seja ainda muito cedo, o fato de 38% dos eleitores dizerem votar em Bolsonaro significa muita coisa. Uma delas é que o brasileiro parece não se incomodar muito com o fantasma do fascismo que sobrevoa o governo Bolsonaro.

O cenário atual da economia não é bom e tudo indica que ainda vai se deteriorar mais (veja nota ao lado). Mesmo assim, o fato é que com os cofres abertos Bolsonaro vai fazer campanha no modelo bolsista. E Lula, isolado na esquerda, terá de fazer um esforço que hoje não está disposto a fazer para tentar atrair o centro. Dificilmente vai conseguir. A construção desta ponte deveria já estar em andamento, mas com o ex-presidente o PT navega praticamente sozinho. Mesmo posando de inocente e perseguido, a candidatura do maior líder petista pode acabar dando um segundo mandato a Bolsonaro.

 

12
Ago20

Bolsonaro rifa Guedes e abre espaço para a era Rogério Marinho

Talis Andrade

bolsonaro paulo guedes os moicanos de pinochet dit

 

 

por Luis Nassif

-- -- --

Vamos tentar estimar o cenário econômico sob Jair Bolsonaro.

O primeiro passo é o diagnóstico sobre o comportamento da indústria regional, de acordo com os dados de junho divulgados na Pesquisa Mensal da Indústria do IBGE, Os resultados são ilusoriamente otimistas.

Em relação ao mês anterior, celebrou-se o crescimento  em 13 estados e queda em apenas 1 – Mato Grosso. Porém, se comparar o nível de junho com janeiro, haverá 13 estados em queda e apenas 1 em alta – Goiás. E se a comparação for com 12 meses atrás, também apenas Goiás mostrou aumento.

bolsonaro-rifa-guedes-e-abre-espaco-para-a-era-rog

Repare que as menores quedas, desde janeiro. ocorrem em estados com preponderância da indústria extrativa, como Goiás (+3,2%), Mato Grosso (-1%), Pernambuco (-1,3%), Pará (-2,7%) e Minas Gerais (-4,7%).

Nos indicadores nacionais, fica nítida a queda da indústria de transformação e a resistência da indústria extrativa, beneficiada pelo aumento das importações chinesas.

rogerio.jpg

A indústria extrativa tem pouco impacto na economia como um todo, por dispor de uma rede de fornecedores extremamente restrita. Além disso, gera pouco emprego.

O segundo ponto são os efeitos da renda básica sobre a economia e sobre a popularidade de Bolsonaro. Embora a decisão de R$ 600,00 tenha sido da Câmara, Bolsonaro está colhendo os frutos. À renda básica está sendo atribuído o mérito de ter impedido uma queda maior na economia; e uma queda maior na popularidade de Bolsonaro.

Nas discussões internas do governo, o dogmatismo cego de Paulo Guedes matava qualquer tentativa de mobilização econômica. Prova disso foi a reunião ministerial do dia 22 de abril, com Guedes humilhando os generais de Bolsonaro pela tentativa de lançar o plano Pró Brasil.

Agora, a Câmara quebrou o dogmatismo cego de Guedes e reforçou enormemente os argumentos de Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, ao lado de Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, um sopro de racionalidade no jardim zoológico do Ministério de Bolsonaro.

Ontem, a demissão do Ministro da Privatização, Salim Mattar, e de Paulo Uebel, responsável pelos estudos de reforma administrativa, pediram demissão, sinalizando a debandada da equipe de Paulo Guedes. Antes deles, já havia saído Mansueto de Almeida, que seguiu para o Banco Pactual para administrar a carteira de créditos que o Banco do Brasil transferiu para lá, com inacreditáveis 90% de deságio.

Completa-se, assim, o aggiornamento de Bolsonaro, ao custo de 100 mil mortes pelo Covid-19.

Do desenho inicial, abriu mão do falso discurso moralista de Sérgio Moro, está se afastando cada vez mais dos olavistas, aproximou-se do Centrão, atraindo, agora, Michel Temer, abriu mão do discurso anti-ambientalista, está rifando Paulo Guedes e até se solidarizou com um motoboy negro agredido pela polícia.

Mas, por trás desse novo Bolsonaro, o verdadeiro Bolsonaro continua firme como uma rocha, ampliando a radicalização das polícias, através do WhatsApp, ampliando o armamento da população e esperando reunir condições para tentar o ataque final contra as instituições.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub