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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

17
Jul21

Ministro Rogério Marinho passa por cirurgia no coração na Bahia

Talis Andrade

O ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional

 

Ministro do Desenvolvimento Regional colocou um stent após diagnóstico de obstrução arterial. Ele está em férias com a família

 

 
- - -

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, teve um mal-estar na noite de sexta-feira (16/7), quando se deslocava para Porto Seguro (BA), onde passa férias com a família. Segundo sua assessoria, após ser submetido a exames, foi diagnosticada uma obstrução arterial.

Ainda durante a madrugada deste sábado (17/7), o ministro passou por uma angioplastia para a colocação de um stent. Ele passa bem e deve receber alta nas próximas horas, diz nota da assessoria.
 
O ministro está internado em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. Ele tem 57 anos. Em publicação no Twitter, Marinho comentou seu estado de saúde:
Rogério Marinho
@rogeriosmarinho
Amigos, tive um mal-estar na noite passada quando chegava em Porto Seguro-BA para férias com a família. Fiz exames e foi diagnosticada uma obstrução arterial. Na madrugada, passei por uma angioplastia para colocação de stent. Estou bem e espero receber alta nas próximas horas
 
Em fevereiro, Marinho foi internado em um hospital de Belo Horizonte (MG), após sentir dor na articulação do ombro. Ele cumpria agenda oficial na capital mineira quando buscou o serviço médico e foi encaminhado para a internação. Na ocasião, o diagnóstico foi de tendinite calcária.
 
O ministro está em período de descanso desde a última segunda-feira (12/7) e deve retornar ao trabalho no próximo dia 22.
04
Abr21

Guedes ameaça desembarcar do governo e fala em Rogério Marinho para substituí-lo

Talis Andrade

Rogério Marinho e Paulo Guedes

 

247 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dito a interlocutores que poderá desembarcar do governo Jair Bolsonaro e sugerido o nome do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para chefiar a pasta.

De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Guedes estaria insatisfeito com relação entre o governo e o centrão no tocante ao Orçamento deste ano, que pode ultrapassar o limite do teto de gastos. 

Marinho, porém, diverge de Guedes em relação ao teto de gastos e defende a ampliação dos investimentos públicos como forma de superar a crise resultante da pandemia e gerar empregos. 

01
Nov20

Ou havia lobista ou havia mentiroso no governo. O lobby é falso. Então...

Talis Andrade

rogerio-marinho-e-paulo-guedes.jpg

Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, e Paulo Guedes, da Economia. No embate de agora, não há nem mesmo empate. Guedes contou uma lorotaImagem: Isac Nóbrega/PR; "Hugo Harada/Gazeta do Povo

por Reinaldo Azevedo

- - -

Como o ministro da Economia, Paulo Guedes, não sabe o que fazer ou que rumo tomar, então ele ataca. Ao participar de audiência pública no Congresso, chamou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) de "casa de lobby" e disse que ela financia um ministro gastador. Referia-se a Rogério Marinho, titular do Desenvolvimento Regional. Nas suas palavras:

"A Febraban é uma casa de lobby, muito honrada, muito justo o lobby, mas tem que estar escrito na testa 'lobby bancário', que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive, financiando estudos que não têm nada a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. Financiando ministro gastador para ver se fura o teto, para ver se derruba o outro lado".

Alguém percebeu algo de ruim no que leu até agora? Acho que não. E vai ficar melhor. Leiam mais:

"O acordo de cooperação técnica firmado entre o MDR e o Pnud prevê que o estudo não será custeado com recursos públicos. Com isso, a Febraban e entidades do Sistema S bancarão as despesas, estimadas em R$ 20 milhões."

Em nenhum momento se fala em furar o teto de gastos. O objetivo é precisamente outro: mobilizar investimentos da iniciativa privada. Afirma o documento:

"Devem ser desenhadas ações de curto, médio e longo prazos, com indicação de novos modelos de negócios que abram espaço para investimentos públicos e privados com foco na redução das desigualdades regionais. A estratégia também permitirá o financiamento privado apoiado por mudanças legais e infralegais que tragam segurança legal e institucional, com o objetivo de atendimento à política liberal adotada pelo governo federal."

Por que Guedes está tão zangado com Marinho nesse caso? Só a sua inação, a sua incapacidade de coordenar uma equipe tão grande e a sua frustração explicam o chilique. Então vamos pela ordem:

- o acordo é firmado com um órgão da ONU;

- o Ministério do Desenvolvimento Regional fez esse acordo de cooperação técnica apenas;

- o que se quer é estimular o capital privado nesses projetos;

- uma das propostas está ligada a obras no semiárido nordestino a partir da concessão de áreas para irrigação.

Goste-se ou não de Marinho, é evidente que isso não faz do ministro uma marionete do lobby da Febraban, que, segundo Guedes, estaria atuando fora da sua área. Alguém aí enxerga algum de mal em que entes privados e suas respectivas entidades de classe banquem estudos que busquem novos modelos de financiamento de obras que não dependam de recursos públicos — aqueles que já não existem hoje? 

Com a devida vênia, Guedes está irritado é com a própria paralisia e com a ineficácia de seu jeito destrambelhado de fazer as coisas. Então resolveu disparar contra o desafeto. Afirmei no programa O É da Coisa, na BandNews FM, que o ministro da Economia havia deixado o governo numa situação muito ruim: ou este abriga um lobista ou abriga um mentiroso — eventualmente as duas coisas.

Como se nota, a história de que a Febraban faz lobby para financiar um ministro gastador, fura-teto, é lorota. Isso é conversa de quem não faz, mas também não deixa que façam.

O ministro da Economia estava furioso porque o tal decreto que colocava as Unidades Básicas de Saúde no escopo das parcerias público-privadas teve de ser retirado por Bolsonaro. Houve uma grita generalizada contra o texto, e, como ficou evidente, o próprio ministro não conseguiu explicar o que queria.

A verdade é que o tempo de Guedes no governo vai se esgotando. Seu repertório, como já afirmei aqui tantas vezes, é velho. Estúpido foi fazer um decreto envolvendo a rede primária de entendimento à Saúde sem falar com ninguém e sem dar explicações. Essa inciativa de Marinho, que ele atacou com ferocidade, deveria ser aplaudida.

Mas a sua arrogância incompetente não deixa. 

 

03
Out20

O ‘Posto Ipiranga’ está cercado e falta pouco para fechar

Talis Andrade

O-posto-Ipiranga-de-Jair-Bolsonaro.jpg

 

 

por Fernando Brito

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O primeiro ataque foi frustrado. Quando o general Walter Braga Netto disparou, numa entrevista no Planalto, o canhonaço do Plano Pró-Brasil, em abril, sugerindo um “Plano Marshall” para o Brasil devastado pela pandemia, a blindagem de Paulo Guedes ainda era forte o suficiente para resistir.

O auxílio-emergencial, de lá para cá, manteve o ministro da Economia, mas sempre na dependência de oferecer algo para depois do fim do “cheque especial” que ganhou para gerir o país à base de um déficit que, tudo indica, chegará ao fim do ano em cerca de R$ 1 trilhão, 13% ou pouco mais de nosso Produto Interno Bruto.

A reação da economia, por sinal, foi menos desastrosa do que se previa, mas as pressões de inflação. câmbio e juros, inevitáveis quando se desenha tamanho déficit, só fazem crescer.

Quase aos berros, Guedes pede reforços fiscais: a nova CPMF, travestida de “imposto digital” ou “digitax” como fala o pessoal do mercado, é a divisão de R$ 120 bilhões (sonhou-se até com R$ 240 bi, com a cobrança bífida, como língua de cobra, ao pagador e ao recebedor) era sua principal aposta para liberar os agentes econômicos das contribuições patronais, na esperança que fossem, assim, gerar emprego e renda. O auxílio, à meia-ração, seria obtido com arrocho no salário mínimo e nos proventos de aposentadorias, além de um cata-cata de migalhas em outros programas sociais.

O homem encastelado no Planalto, de olho em sua súbita popularidade com a prodigalidade do auxílio, quase que só dizia “se vira” ao general desesperado, mas se preocupava em segurar os mercadistas, jurando fidelidade ao Santo Teto dos Gastos, seu padroeiro de devoção.

Guedes parece sem alternativas. Sua principal tarefa tem sido a de inventar novas formas e nomes para as ideias que já lhe foram recusadas.

Com a cobertura de um ponta-de-lança civil e político – Rogério Marinho – ombreado a Braga Netto como líder do assalto ao Posto Ipiranga, criou-se o clima para as primeiras escaramuças.

Elas vieram a público, ontem, mais pela reação de Guedes que pela ação dos atacantes.

Ambos levam planos a Bolsonaro: Marinho, o aplauso nas inaugurações de obras antigas no Nordeste; Braga Netto um rol de projetos de obras que se sustentaria num hipotético trilhão de reais de investimentos estrangeiro, uma privatização “no atacado” que venderia 160 empresas e uma carteira de obras que seria uma versão 4.0 das velhas “frentes de trabalho” dos tempos da ditadura, privilegiando aquelas que fossem intensivas em mão de obra.

Sonhar, claro, não custa nada, senão a perda de contato com a realidade.

A fraqueza de Guedes chegou ao ponto de que até seu ex-admirador Merval Pereira diz hoje, em O Globo, que ele não tem forças para pedir a cabeça de Marinho. Nem mesmo a ameaça do Banco Central de subir os juros caso desabe o teto de gastos provocou solidariedade ao quase ex-ministro da Economia.

As coisas só não se definem mais rápido porque Jair Bolsonaro, quem diria, aprendeu a arte política de deixar que as coisas se tornem insustentáveis antes de fazer sua própria vontade.

02
Out20

Lula inocente, reconhece Ascânio Seleme, o Globo

Talis Andrade

Lula inspira charges | Acervo

Se petista for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório

 

Caberá ao Supremo decidir. Mas o que até outro dia parecia ser apenas um sonho dos petistas de raiz, hoje soa como possibilidade real. Se o Supremo entender que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento do ex-presidente no caso de tríplex do Guarujá, Lula terá sua condenação suspensa, seus direitos políticos restabelecidos e poderá disputar a eleição presidencial de 2022. Uma eventual vitória no tapetão jurídico, contudo, não elimina o fato de os governos de Lula e Dilma terem sido hospedeiros de incontáveis e astronômicos esquemas de corrupção.

De qualquer forma, a suspensão da condenação servirá para a narrativa de reconstrução da imagem do PT. Dará aos militantes e simpatizantes uma bandeira. Um novo julgamento terá de ser feito sobre a mesma acusação, o que certamente demandará tempo, já que parte do ponto zero. Isso não significa que o ex-presidente não tem culpa, o que terá de ser comprovado pelos seus advogados no tribunal. Mas uma palavra que já está sendo empregada pelos seus apoiadores será a que vai embalar uma eventual campanha de Lula. Inocente!

Se Lula for candidato, muita coisa mudará no tabuleiro sucessório. Em primeiro lugar tem que se levar em conta que ele partirá de um patamar de intenções de voto bem mais alto do que Fernando Haddad tem hoje. O problema, é que o seu teto não deve estar muito distante do seu piso. A candidatura do ex-presidente pode também sepultar qualquer entendimento amplo para evitar a reeleição de Jair Bolsonaro. Os que se aglutinarão ao seu redor serão os de sempre. Embora o candidato seja forte de arrancada, a chapa de chegada que sair daí não será.

Outra questão a ser considerada é que país Lula vai encontrar em 2022. Do jeito que o governo tem se movimentando, pode ser que no ano da eleição não exista mais teto de gastos e Bolsonaro esteja livre para esbanjar. Nesta hipótese bastante razoável, Paulo Guedes terá sido substituído pelo gastador Rogério Marinho. E então a autorização oficial para torrar dinheiro público servirá para inocular no eleitor o mesmo remédio usado nas gestões petistas, que se chamava Bolsa Família e hoje atende pelo nome de Renda Brasil.

A influência da política de bolsas em período eleitoral, já se viu antes, é devastadora. A campanha do candidato petista, portanto, terá de ser sobre questões políticas. Neste caso, difícil dizer como o eleitor receberá este discurso. Pode entender tratar-se apenas de retórica. Apesar do discurso da inocência, é difícil dissociar a imagem de Lula da corrupção da era petista. Este, aliás, será o elemento mais nocivo à campanha do PT, com Lula ou com Haddad.

Se apresentar como alternativa ao extremismo de direita tampouco parece ter muito eco em largas camadas da população, como mostra a pesquisa do PoderData. Embora seja ainda muito cedo, o fato de 38% dos eleitores dizerem votar em Bolsonaro significa muita coisa. Uma delas é que o brasileiro parece não se incomodar muito com o fantasma do fascismo que sobrevoa o governo Bolsonaro.

O cenário atual da economia não é bom e tudo indica que ainda vai se deteriorar mais (veja nota ao lado). Mesmo assim, o fato é que com os cofres abertos Bolsonaro vai fazer campanha no modelo bolsista. E Lula, isolado na esquerda, terá de fazer um esforço que hoje não está disposto a fazer para tentar atrair o centro. Dificilmente vai conseguir. A construção desta ponte deveria já estar em andamento, mas com o ex-presidente o PT navega praticamente sozinho. Mesmo posando de inocente e perseguido, a candidatura do maior líder petista pode acabar dando um segundo mandato a Bolsonaro.

 

12
Ago20

Bolsonaro rifa Guedes e abre espaço para a era Rogério Marinho

Talis Andrade

bolsonaro paulo guedes os moicanos de pinochet dit

 

 

por Luis Nassif

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Vamos tentar estimar o cenário econômico sob Jair Bolsonaro.

O primeiro passo é o diagnóstico sobre o comportamento da indústria regional, de acordo com os dados de junho divulgados na Pesquisa Mensal da Indústria do IBGE, Os resultados são ilusoriamente otimistas.

Em relação ao mês anterior, celebrou-se o crescimento  em 13 estados e queda em apenas 1 – Mato Grosso. Porém, se comparar o nível de junho com janeiro, haverá 13 estados em queda e apenas 1 em alta – Goiás. E se a comparação for com 12 meses atrás, também apenas Goiás mostrou aumento.

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Repare que as menores quedas, desde janeiro. ocorrem em estados com preponderância da indústria extrativa, como Goiás (+3,2%), Mato Grosso (-1%), Pernambuco (-1,3%), Pará (-2,7%) e Minas Gerais (-4,7%).

Nos indicadores nacionais, fica nítida a queda da indústria de transformação e a resistência da indústria extrativa, beneficiada pelo aumento das importações chinesas.

rogerio.jpg

A indústria extrativa tem pouco impacto na economia como um todo, por dispor de uma rede de fornecedores extremamente restrita. Além disso, gera pouco emprego.

O segundo ponto são os efeitos da renda básica sobre a economia e sobre a popularidade de Bolsonaro. Embora a decisão de R$ 600,00 tenha sido da Câmara, Bolsonaro está colhendo os frutos. À renda básica está sendo atribuído o mérito de ter impedido uma queda maior na economia; e uma queda maior na popularidade de Bolsonaro.

Nas discussões internas do governo, o dogmatismo cego de Paulo Guedes matava qualquer tentativa de mobilização econômica. Prova disso foi a reunião ministerial do dia 22 de abril, com Guedes humilhando os generais de Bolsonaro pela tentativa de lançar o plano Pró Brasil.

Agora, a Câmara quebrou o dogmatismo cego de Guedes e reforçou enormemente os argumentos de Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, ao lado de Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, um sopro de racionalidade no jardim zoológico do Ministério de Bolsonaro.

Ontem, a demissão do Ministro da Privatização, Salim Mattar, e de Paulo Uebel, responsável pelos estudos de reforma administrativa, pediram demissão, sinalizando a debandada da equipe de Paulo Guedes. Antes deles, já havia saído Mansueto de Almeida, que seguiu para o Banco Pactual para administrar a carteira de créditos que o Banco do Brasil transferiu para lá, com inacreditáveis 90% de deságio.

Completa-se, assim, o aggiornamento de Bolsonaro, ao custo de 100 mil mortes pelo Covid-19.

Do desenho inicial, abriu mão do falso discurso moralista de Sérgio Moro, está se afastando cada vez mais dos olavistas, aproximou-se do Centrão, atraindo, agora, Michel Temer, abriu mão do discurso anti-ambientalista, está rifando Paulo Guedes e até se solidarizou com um motoboy negro agredido pela polícia.

Mas, por trás desse novo Bolsonaro, o verdadeiro Bolsonaro continua firme como uma rocha, ampliando a radicalização das polícias, através do WhatsApp, ampliando o armamento da população e esperando reunir condições para tentar o ataque final contra as instituições.

 

 

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