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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Nov18

Moro ministro de Bolsonaro e o julgamento de Lula: "Juiz é juiz sempre, mesmo em férias continuo sendo juiz"

Talis Andrade

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por Erick Julio

A presidenta nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, foi a Curitiba prestar sua solidariedade ao ex-presidente e lembrou que Moro na verdade faz novamente um teatro para condenar Lula.  “Ao tirar férias e não se exonerar do cargo de juiz, ele dirigiu para quem iria ficar o processo, para a juíza substituta sua amiga, que vai fazer o que ele quiser. Porque se ele se exonerasse, como manda a lei, o processo seria distribuído tecnicamente”, aponta a presidenta.

 

Gleisi questionou a consistência do processo judicial movido contra o ex-presidente. Para a senadora, a ação do Ministério Público Federal (MPF) não deveria nem sequer ter sido aceita pela Justiça.  “Qual foi o crime que o presidente Lula cometeu? Não apresentaram uma prova daquilo que o estão acusando. Lula não é dono do sítio. Lula não pediu nenhuma reforma. Lula não sabia de nenhum pedido. As testemunhas, todas, afirmaram isso e, mais, disseram que as reformas nunca tiveram a ver com nenhum dinheiro da Petrobras”.

 

“De novo é uma armação e uma mentira sobre Lula.  Como podem processar um homem que não cometeu nenhum ato ilícito? O Direito Penal exige a pessoalidade ao ter cometido algo. Se Lula não pediu reforma, se Lula não sabia da reforma, por que está sendo processado? Está sendo processado pela política”, critica Gleisi.

 

“Magistrado de férias não está obstaculizado” disse Moro juiz e ministro de Bolsonaro

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No dia 8 de julho, Moro em mais uma de suas ações arbitrárias despachou de férias para impedir o cumprimento da ordem liminar no Habeas Corpus (HC), expedida pelo desembargador do TRF-4 Rogério Fraveto, que determinava a liberdade do ex-presidente Lula. Na ocasião, o juiz-ministro justificou: “no sentido de que o magistrado de férias não está obstaculizado de, em casos urgentes, proferir decisões ou participar de atos processuais”.

 

Agora, por que devemos crer que ele não vai “participar de atos processuais” enquanto monta sua equipe para trabalhar no Executivo de Bolsonaro? O descaramento de Moro foi lembrado pelo líder do PT na CâmaraPaulo Pimenta, nesta quarta. “Naquele episódio do habeas corpus, Moro se manifestou e disse ‘juiz é juiz sempre, mesmo em férias continuo sendo juiz’, portanto, hoje, Moro de férias continua sendo juiz para perseguir Lula”, criticou o deputado.

 

No mesmo sentido, o líder do PT no SenadoLindbergh Farias, criticou a manobra de Moro e ainda mostrou grande preocupação com a democracia brasileira. “Moro já foi designado ministro da Justiça e, ao sair de férias, temos aqui uma mistura típica de um estado autoritário. A separação dos Poderes, que é a marca das democracias, corre risco. Ele já está no Executivo, no governo Bolsonaro, e tenta controlar o processo judicial”, destacou o senador, que ainda lembrou que o Parlamento Europeu manifestou preocupação com a desmoralização do Judiciário do Brasil.

 

"Lula seria eleito presidente logo no primeiro turno e por isso foi preso"

 

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O presidente da CUTVagner Freitas, também esteve em Curitiba para manifestar seu apoio a Lula. Ele lembrou que o ex-presidente foi condenado, sem provas, para ser retirado da disputa eleitoral deste ano. “Lula seria eleito em primeiro turno e por isso foi preso. Vamos as ruas defender os direitos dos trabalhadores e o principal representante da classe trabalhadora é Lula. Vamos libertá-lo e fazer caravanas juntos pelo Brasil”, disse Freitas.

 

A presidenta da PT ainda fez questão de alertar que, mesmo com as manobras do juiz-ministro, Lula nunca estará sozinho. “Nós não vamos arredar o pé, quanto não soltarem Lula. Não desistiremos de Lula nunca. É o maior líder popular, gostem ou não. Aceitem ou não. Precisaram prender Lula para ganhar uma eleição. O lugar dele é com o povo nas ruas, trazendo esperança. Ele nunca desistiu do povo brasileiro e nós e o nunca desistiremos dele. Lula Livre”, finalizou Gleisi.

09
Set18

Dodge processa internauta por xingamentos nas redes sociais

Talis Andrade


Procuradora-Geral da República pede indenização de R$ 50 mil por danos morais e retirada do conteúdo ofensivo

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GGN - A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se sentiu insultada por um internauta que a tem chamado de "cadela" nas redes sociais, e decidiu mover uma ação onde pede R$ 50 mil reais por danos morais e retirada do conteúdo das redes sociais.

O início dos ataques começou após Raquel entrar com um inquérito contra o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Regional (TRF-4), ordenando que Lula fosse colocado em liberdade. Isso ocorreu em julho, quando o magistrado acatou pedido de habeas corpus dos deputados Paulo Pimenta (PT-RS), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP), fundamentados nos mesmos argumentos - de liberdade política - que respaldam a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, de 17 de agosto, exigindo imediatamente que Lula possa participar dos debates e entrevistas eleitorais como candidato.



Na primeira publicação, o internauta divulgou uma foto da procuradora com a frase de Bertolt Brecht "a cadela do fascismo está sempre no cio", depois passou a usar a palavra "cadela" frequentemente para se referir à Dodge.



No texto do processo, Dodge destaca que é a primeira mulher a ocupar o cargo mais alto do Ministério Público, "um marco histórico", portanto deveria receber o mesmo respeito de "um homem que ocupasse o mesmo cargo".

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Leitores respondem

 

Mas, .... as cadelas é que deveriam se sentir insultadas.

Alguma cadela entrou na justiça?

"No texto do processo, Dodge destaca que é a primeira mulher a ocupar o cargo mais alto do Ministério Público, "um marco histórico", portanto deveria receber o mesmo respeito de "um homem que ocupasse o mesmo cargo"."

Concordo com ela, desde que ela tivesse o mesmo respeito pelo cargo, coisa que definitivamente não tem.

Aliás, os antecessores dela, Gurgel, Janot, Brindeiro e alguns entre estes que não lembro o nome tiveram a mesma falta de respeito pelo cargo que ela demonstra.

Este antro de golpistas deveria ser extinto. Economizaríamos milhões para investir em educação.

 

***

Ela não passa de uma golpista, raivosa ,rancorosa e preconceituoso, só isso.

As cadelas são amigas, companheiras, amorosas, dóceis com seus donos. Ainda servem de cão de guarda.

As cadelas não merecem essa comparação.

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27
Ago18

Moro envergonha o Brasil perante as democracias mais estáveis e civilizadas do mundo

Talis Andrade

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O sequestro do voto, a exceção de Moro

por Tarso Genro

___

“Eu errei agindo fora da lei para evitar uma situação de risco”. Quem age fora da lei para evitar uma situação de risco – quando o faz com legitimidade – age para evitar um dano a si mesmo ou a terceiros, em defesa de valores universais que - naquele caso concreto – são acolhidos na dogmática da própria Constituição democrática. Por exemplo, invadir uma propriedade privada para libertar uma pessoa escravizada, apropriar-se de uma arma de terceiro para defender-se de agressão desproporcional, iminente e injusta, ou omitir-se de socorrer uma pessoa idosa para poder socorrer uma criança. Não era disso que Moro estava tratando, quando atuou fora da sua jurisdição para impedir o cumprimento de uma ordem judicial por claro facciosismo político.

 

A ordem de soltura poderia ser revisada pela instância apropriada, mas Moro assumiu – com a sua decisão ilegal – o risco do “político”: “Seu mundo (passou a ser) o mundo do Estado (que ele pretendia encarnar) e além dele não (haveria) nada”. Neste tipo de escolha os valores em disputa, sobre os quais pende a decisão do indivíduo que lidera são aferidos, não pela sua validade obtida na origem do poder constituinte, mas o são pela potência de quem tem força para decidir. É o momento em que todo o Direito fica em suspenso, porque supostamente é necessário proteger um bem maior que, naquele momento, a validade do Direito originário da Constituição não protege e então só o líder pode salvá-lo.

 

O mestre Pedro Serrano escrevendo sobre “jurisdição e exceção” volta sua inteligência para reportar-se ao epígono do direito nazista, Carl Schmitt, cuja teoria política e jurídica “abandona a distinção entre poder constituinte e constituído como base da ditadura soberana, substituindo-a pela ‘decisão”. Nesse sentido, ” a soberania” – acrescenta Serrano – “é definida pelo poder de decidir sobre o Estado de exceção, suspendendo o direito.” Assim, a busca permanente de Schmitt para inscrever “a decisão sobre o Estado de exceção no interior do direito” é – com este percurso – simplesmente um exercício manipulatório para construir um ponto de apoio formal, para legitimar a força política de um indivíduo: um líder, um “dono” da exceção, capaz de anular a força do poder constituinte e instaurar o arbítrio, supostamente para defender o Estado idealizado pelo “líder”. Não aquele organizado pela soberania popular.

 

A declaração do juiz Moro ao CNJ defendendo-se da acusação de ter cometido ilegalidades, por ocasião do deferimento do Habeas Corpus concedido a Lula pelo Desembargador Favreto do TRF 4, é um primor de autoconfiança e serenidade doutrinária. É confissão capaz de sintetizar, numa só frase, toda a sua conduta ao longo da sua tenaz perseguição ao Presidente Lula, que consolidou o que a consciência jurídica nacional e mundial já se deu conta: Moro é o promotor e dono confesso da exceção, que enquadrou – com o vital apoio do oligopólio da mídia – todo o nosso Sistema de Justiça. Hoje ele nos envergonha perante as democracias mais estáveis e civilizadas do mundo.

 

O que devemos nos perguntar, neste momento gravíssimo em que Moro comanda o Direito e o oligopólio da mídia comanda o ódio – que ele mesmo disseminou – é se o Juiz de Curitiba sabia efetivamente o que estava confessando perante o CNJ, visando testar o limite do seu poder nesta última cartada de afirmação da exceção, ou se a sua formação humanística não chegou a Carl Schmitt e às justificativas metafísicas de Heidegger, para apoiar a ascensão do nazismo.

 

Na primeira hipótese, poderá se concluir que ele é um juiz consequente com o que tem de pior no direito ocidental moderno, na época da decadência do Estado de Direito formatado no Século passado por Hermann Heller, Carl Renner, Hans Kelsen e Radbruch, entre outros tantos luminares. Na segunda hipótese, porém, poderá se chegar à conclusão que o liberal-rentismo – a quem serve a falência da democracia e do Estado de Direito lá conquistado – está se utilizando do desconhecimento e da precária formação jurídica dos Juízes, para não permitir que a soberania popular seja exercida de forma autêntica e livre.

 

O grande Roberto Schwarz abre os seu “Ideias fora do lugar” lembrando um panfleto de Machado de Assis, em que este reclama contra o fato “impolítico e abominável da escravidão” e recorre, depois a Nabuco, lembrando quando este protestou no teatro de Alencar, ao dizer que “se isso ofende o estrangeiro, como não humilha o brasileiro?” Outras vozes – prossegue Schwarz – peroravam contra a “morbosa filantropia britânica” que combatia a escravidão, pela qual – ao não servir-se dos bons negros importados da África – “deixa(va) morrer o pobre irmão branco, escravo sem senhor …”.

 

É possível defender a exceção, sem humilhar o país no exterior civilizado? É possível prestigiar o povo e a nação, escravizando a opção política da maioria, que quer Lula concorrendo a Presidente, acima de todos os demais? Moro está com os fósforos acesos, perto de um paiol de sensibilidades e princípios que protegem a soberania popular e o Estado de Direito. Com desenvoltura já se organizam as hordas do fascismo. Moro poderá jogar os fósforos sem vacilação, se não for detido nas próximas semanas e a exceção será o “normal”. A regra então poderá ser queimada nas ruas, contemplada na perfeição do golpe e já inscrita na face autoritária de um líder, que decidiu a exceção sem dizer (ou saber) seu nome.

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17
Ago18

Temer quer exemplar punição do desembargador que assinou habeas corpus de Lula

Talis Andrade

Raquel Elias Dodge, procuradora-geral, completa com Cármem Lúcia Antunes Rocha, presidenta do STF - Superior Tribunal Federal e do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, e Laurita Hilário Vaz, presidenta do STJ - Superior Tribunal de Justiça, o triunvirato do golpe do judiciário que derrubou Dilma Rousseff e empossou Michel Temer na presidência da República. Carmém Lúcia foi procuradora do governo de Minas Gerais na ditadura de 1964. E Laurita Hilário, promotora do regime militar em Goiás. Dodge trabalhou com os senadores tucanos José Serra e Anastasia. As três velhas senhoras representam o conservadorismo no poder judiciário, e partidariamente atuam com políticos da direita e/ou extrema direita. T.A. 

 

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CRIME DE PREVARICAÇÃO

PGR afirma que desembargador Rogério Favreto agiu por interesse pessoal

17
Ago18

Favreto: "Não pode o magistrado julgar e valorar, atribuindo diferentes pesos aos processos com base no nome na capa do processo"

Talis Andrade

Falso moralismo acobertou ilegalidades de juízes no caso Lula

 

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Com críticas ao moralismo que tem atingido o Direito, o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, defendeu sua atuação na decisão que determinou a soltura do ex-presidente Lula. A defesa de Favreto afirma que o magistrado agiu dentro de sua competência, em uma decisão devidamente fundamentada.

 

Os argumentos foram apresentados ao Conselho Nacional de Justiça, que instaurou, de ofício, um pedido de providências para apurar uma suposta infração disciplinar. A liminar favorável ao ex-presidente Lula gerou uma série de decisões que estão sendo apuradas pelo CNJ.

 

Com o entendimento de que a prisão de Lula seria prejudicial a sua liberdade de expressão, já que este era pré-candidato à Presidência da República, Favreto decidiu, durante plantão judicial, conceder a liminar em Habeas Corpus.

 

No mesmo dia, um domingo, o juiz Sergio Moro, que estava de férias, expediu um despacho contra a soltura de Lula. Depois, o desembargador Gebran Neto, relator da "lava jato" no TRF-4, também proibiu a Polícia Federal de cumprir a ordem. Depois, Favreto reiterou sua decisão, mas o ex-presidente continuou preso.

 

Ao prestar informações ao CNJ, a defesa de Favreto contou sua versão do caso e afirmou que agiu dentro de sua competência, uma vez que era o plantonista designado e que a análise de Habeas Corpus é matéria que deve ser apreciada no regime de plantão.

 

Sobre o conteúdo da decisão, lembrou que o próprio CNJ já decidiu por diversas vezes que magistrado precisa gozar de independência e autonomia, não competindo ao órgão analisar conteúdos e fundamentos das decisões judiciais.

 

"O magistrado agiu dentro de sua competência, proferindo decisão devidamente fundamentada, passível apenas de revisão por meio de recursos dirigidos às instâncias superiores", diz o documento, assinado pelos advogados Marcelo Nobre e Danyelle Galvão.

 

Sobre o desenrolar dos fatos, a defesa de Favreto criticou os agentes da Polícia Federal. Em vez de cumprirem a decisão, narrou a petição, eles decidiram consultar o juiz Sergio Moro, que julgou a ação penal contra o ex-presidente Lula em primeiro grau. "A polícia, o juiz Sergio Moro e o juiz Gebran Neto não eram legitimados para sequer recorrer da decisão aqui analisada, muito menos tinham competência para colocar obstáculos ou impedir o seu cumprimento", diz a defesa de Favreto.

 

"Como é possível permitir que a polícia descumpra uma ordem judicial porque o agente policial decidiu 'consultar' um juiz de primeiro grau que se encontrava em férias? Existe uma nova organização judiciária que coloca um Juiz de piso como autoridade judicial que precisa ser consultada quando um magistrado do tribunal emite uma ordem judicial? E o juiz com superpoderes poderia ter sequer respondido ao questionamento da polícia? Lógico que não!"

 

Direito e moralismo

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Defesa de Favreto diz que só ele era competente para decidir sobre Lula no plantão do dia 8 de julho, quando mandou soltá-lo. Moro, Gebran e Thompson Flores extrapolaram suas funções, segundo petição enviada pelo desembargador ao CNJ

 


No documento apresentado ao CNJ, a defesa de Favreto faz críticas ao moralismo que tem atingido o Direito, formando heróis às avessas. "Um moralismo particular pode ser a tônica dos argumentos mais sórdidos para acobertar uma atitude ilegal e totalmente descabida no processo judicial, por exemplo, ensejando verdadeiras caçadas", diz.

 

Segundo ele, sob esse escudo do moralismo, magistrados lançaram uma contraordem de decisão de instância superior ou de colega do mesmo grau de jurisdição. "Uma grave e profunda fissura no Poder Judiciário. Grandes atrocidades foram cometidas pela humanidade em nome da moral particular dos homens, de um homem ou de uma nação inteira", diz a defesa de Favreto.

 

Conforme o documento, o fato de o processo se tratar do ex-presidente Lula não devia importar para o deslinde. "Não pode o magistrado julgar e valorar, atribuindo diferentes pesos aos processos com base no nome na capa do processo, porque estes argumentos não possuem valor jurídico", diz.

 

17
Ago18

AO CNJ, DESEMBARGADOR FAVRETO DIZ QUE MORO AGE COMO SE FOSSE AUTORIDADE SUPERIOR

Talis Andrade

Acostumada a espalhar fake news e meias-verdades, assessoria de imprensa da Operação Lava Jato de Curitiba acobertou crime: desmentiu a imprensa que noticiou as férias de Sérgio Moro em Portugal

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O desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Rogério Fraveto, que em julho determinou a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e viu sua decisão ser descumprida pela Polícia Federal após uma série de contraordens, disse, em sua defesa ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – onde é alvo de um processo aberto para apurar o episódio – que não é amigo do ex-presidente e afirma que tanto a PF quanto o juiz Sergio Moro desrespeitaram uma ordem judicial de instância superior.

 

"Estranhamente, como descrevemos, sua ordem não foi cumprida pela carceragem do ex-presidente, que decidiu consultar o juiz Sergio Moro, alçado a figura mitológica que combate o mal, como se fosse uma autoridade superior. Este ato de desrespeito à ordem judicial por uma autoridade policial deveria ser apurado pela Corregedoria da Policia Federal", diz Fraveto em sua defesa.

 

Segundo o jornal O Globo, Favreto destaca que Moro, ao ser provocado pela PF, deveria ter informado que não poderia se manifestar sobre o caso por se tratar de uma decisão tomada por uma autoridade de instância superior e pelo fato de também estar de férias no exterior.

 

"Sublinhe-se aqui a gravidade do que este procedimento pode apurar: como é possível permitir que a polícia descumpra uma ordem judicial porque o agente policial decidiu 'consultar' um juiz de primeiro grau que se encontrava em férias? Existe uma nova organização judiciária que coloca um juiz de piso como autoridade judicial que precisa ser consultada quando um magistrado do Tribunal emite uma ordem judicial? E o juiz com superpoderes poderia ter sequer respondido ao questionamento da polícia? Lógico que não!", diz o texto da defesa de Favreto ao CNJ.

 

 

16
Ago18

'Quadrilha de togados' quer manter Lula preso

Talis Andrade

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por Ricardo Kotscho

___

Da tribuna do plenário da Câmara Federal, o deputado petista Paulo Pimenta, do Rio Grande do Sul, desfechou nesta segunda-feira o mais duro ataque a autoridades do Judiciário envolvidas na decisão de manter Lula na prisão de Curitiba.

 

Pimenta citou o que chamou de “fatos estarrecedores” revelados pelo delegado geral da PF, Rogério Galloro, em entrevista ao Estadão, no fim de semana, em que detalha a operação que envolveu o TRF-4 e o Ministério Público Federal para impedir que fosse cumprida a ordem de soltura de Lula dada pelo desembargador plantonista Rogério Favreto, no último dia 8 de julho.

 

“Desde quando um delegado tem que fazer consultas para cumprir uma ordem judicial?”, peguntou o deputado. “Aí diz que recebeu uma ligação da Raquel Dodge, que dá uma ordem para que a determinação não fosse cumprida. Desde quando o Ministério Público tem essas atribuições?”.

 

Paulo Pimenta também faz referência a uma ligação que Galloro diz ter recebido de Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente do TRF-4, para esperar o despacho dele, determinando que a ordem judicial não fosse cumprida.

 

Depois de rememorar os fatos, o deputado gaúcho pergunta ao plenário no trecho em que acusa os envolvidos de formação de quadrilha:

 

“Se de fato eles sabiam que estavam cometendo um crime, e que se associaram para que a lei não fosse cumprida, e se a nossa legislação diz que a associação de três ou mais pessoas para cometer um crime é bando ou quadrilha, como eu posso caracterizar senão como ação de uma quadrilha que se associou para desrespeitar a lei e usar de seus cargos para perseguir um indivíduo, motivado por interesses pessoais e ideológicos”.

 

Ao final, Pimenta questionou: “Quem vai investigar essa quadrilha de togados?”. E acusou: “O chefe do bando é um juiz criminoso”.

 

 

15
Ago18

Justiça e PF estão fora das caixinhas

Talis Andrade

 

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por Tereza Cruvinel

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Houve uma gritaria supostamente legalista quando, há poucos dias, o candidato Ciro Gomes afirmou que Lula só sairá da prisão se a Justiça e o Ministério público “voltarem para suas caixinhas”.

 

Ciro já explicou dezenas de vezes que se referia aos excessos, desmandos e exorbitâncias que acontecem nesta esfera.

 

O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galoro, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, revela comportamentos da procuradora-geral da República e de dois desembargadores, no dia do “prende-solta” de Lula, bastante ilustrativos da desordem apontada por Ciro.

 

Ontem eles tentaram justificar o que fizeram mas ficou evidente que exorbitaram.

 

Em nota, o presidente do TRF-4, Thompson Flores, admitiu que telefonou mesmo ao diretor-geral da PF, pedindo que não cumprisse a ordem de soltura emitida pelo desembargador Rogério Favreto, de seu próprio tribunal, que no plantão de domingo, dia 8 de julho, concedera habeas corpus a Lula.

 

Diz ele na nota que o fez porque, em seguida, iria emitir ordem judicial anulando a decisão do plantonista.

 

A nota refere-se também a registro da revista “Veja”, segundo o qual o desembargador Gebran Neto teria dito, a pessoas de seu relacionamento, que “agiu fora da lei” para impedir o mal maior, que seria a soltura de Lula.

 

Gebran, como se sabe, foi o primeiro a desautorizar o colega Favreto, invocando sua condição de relator do processo.

 

Diz a nota que Gebran “não autoriza ninguém a falar em seu nome, nem a imputar-lhe declaração sobre fatos objeto de julgamento”. Não nega categoricamente que tenha dito o que lhe é atribuído.

 

A procuradora-geral Raquel Dodge, que também telefonou ao diretor-geral da PF naquele domingo, não se manifestou.

 

Quando autoridades do sistema de Justiça “saem de suas caixinhas” tão afrontosamente, permitem discursos como o que fez ontem na Câmara o deputado petista Paulo Pimenta.

 

Depois de afirmar que três autoridades se juntaram para burlar a Justiça, o que é um crime, e que a associação de mais de duas pessoas para cometer crimes caracteriza quadrilha, ele pergunta: “quem vai investigar esta quadrilha de togados?”

 

Colocar cada qual em sua caixinha, como disse Ciro, não é manietar a Justiça ou coisa assim, como se tentou vender.

 

É restabelecer os limites que impedem ocorrência como as daquele domingo, só possíveis quando o Estado de Direito preserva a forma mas não a inteireza.

 

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P.S. deste correspondente: A caixinha referida está mais para torres de marfim.

 

Caixinhas existem que o Brasil possui hoje mais de cem tribunais de justiça.

 

A CNJ foi criada, em 2004,  por Lula, quando presidente, para evitar a venda de sentenças, de habeas corpus, de precatórios, de despejos coletivos etc.

 

Recentemente apareceu a indústria de delações premiadas.

 

O advogado Tacla Durán denunciou a cobrança de propina pela lava jato de Curitiba.

 

O caixinha, obrigado, bem que existe. Como cria do foro privilegido amplo, geral e irrestrito, com todos os abusos de autoridade com divinos poderes.

Escreve Joaquim Ferreira dos Santos que "Caixinha, obrigado", da autoria de Juca Chaves, foi gravada em 1960. "Muitas das críticas que estão na letra são atualíssimas". 

 

 

Caixinha Obrigado
Juca Chaves

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A mediocridade é um fato consumado
na sociedade onde o ar é depravado
marido rico, burguesão despreocupado
que foi casado com mulher burra mas bela
o filho dela é político ou tarado
Caixinha, obrigado!

 

A situação do brasil vai muito mal;
Qualquer ladrão é patente nacional;
Um policial, quase sempre, é uma ilusão
E a condução é artigo racionado.
Porém, ladrão... isso tem pra todo o
Lado!
Caixinha, obrigado!

 

O rock'n'roll, nesta terra é uma doença,
e o futebol, é o ganha pão da imprensa
vença ou não vença, o Brasil é o maioral
e até da bola, nós já temos general
que hoje é nome de estádio municipal
Caixinha, nacional!

 

a medicina está desacreditada
penicilina, já é coisa superada
tem curandeiro nesta terra pra chuchu
Rio de Janeiro tá pior que Tambaú
e de outro lado, onde está o delegado
Caixinha, obrigado!

 

Dramalhão, reunião de deputado
é palavrão que só sai pra todo lado
Se um deputado abre a boca, é um
atentado
E a mãe de alguém é quem sofre toda vez
No fim do mês... cento e vinte de ordenado.
Caixinha, obrigado!

 

 

14
Ago18

Um judiciário capaz de "fatos estarrecedores" contra Lula presidente do povo

Talis Andrade

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O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), fez um discurso na tribuna do plenário nesta segunda-feira 13 em que se mostra indignado com o que chama de “fatos estarrecedores” os divulgados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, em entrevista neste fim de semana ao jornal O Estado de S.Paulo.

 

“Desde quando um delegado tem que fazer consultas para cumprir uma ordem judicial?”, questiona Pimenta, sobre a confissão do delegado, quando recebeu a determinação judicial para soltar o ex-presidente Lula, no dia 8 de julho, pelo desembargador Rogério Favreto, do TRF-4.

 

“Aí diz que recebeu uma ligação da Raquel Dodge, que dá uma ordem para que a determinação não fosse cumprida. Desde quando o Ministério Público tem essas atribuições?”, questiona novamente.

 

14
Ago18

O coronelato de roça que praticam os algozes de Lula

Talis Andrade

 

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O “strip-tease” do arbítrio

 

por Fernando Brito

 

Na imprensa deste final de semana, assiste-se ao espetáculo obsceno da revelação de como as instituições judiciais se tornaram tão adeptas do Direito quanto aqueles “capangas lá do Mato Grosso” que ficaram tristemente famosos numa sessão do Supremo tribunal Federal.

 

Na Veja, o desembargador João Gebran Neto diz que agiu ilegalmente para “evitar um mal maior” – a soltura de Lula por algumas horas, até que o monólito da Justiça pudesse esmagá-lo outra vez – e atropelou a decisão do desembargador Rogério Favreto:

 

O desembargador Gebran Neto admitiu a amigos que ignorou a letra fria da lei ao dar decisão contrária à soltura de Lula, desconsiderando a competência do juiz de plantão. Gebran alegou que era a única saída para evitar um erro ainda mais danoso: libertar o petista.

 

Gebran, está claro, o fez com as “costas quentes” que lhe deu o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores que, relata o chefe da Polícia Federal, Rogério Galloro, ao Estadão, telefonou aos que tinham a obrigação de cumprir a ordem e, a revogou de “gogó” e, ele sim, sem jurisdição para isso.

 

O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogerio Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4.

         Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

 

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?

          Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iriamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei                   para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nos vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da Republica ) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

 

Num país minimamente sério, o Conselho Nacional de Justiça estaria abrindo procedimentos contra Gebran, Flores, e o Ministério Público instaurando uma investigação contra o próprio diretor da PF.

 

Desde quando “vale o telefonema” diante de um mandado judicial? Desde quando, sem ser provocado, um juiz decide que outra decisão judicial representa “um mal maior”?

 

Imagino que os nossos grandes juristas do STF devam estar achando, a esta altura, como explicações e justificativas para isso, ou os confeitos que estejam preparando para enfeitar o coronelato de roça que praticam os algozes de Lula.

 

Na Justiça brasileira, porém, isso já não enoja ninguém.

 

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