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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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22
Mai21

Cinco passos para se tornar um líder populista e fazer sucesso

Talis Andrade

juizes picaretas.jpg

 

 

Por Márcio Chaer /Consultor Jurídico

O livro Me, the People, de Nadia Urbinati, seguido pelo documentário de mesmo nome, ensina como se tornar um líder populista em cinco passos. A fórmula serve para jornalistas, advogados, juízes, policiais e religiosos.

A receita, sinteticamente, é essa 1) identificar pessoas infelizes; 2) aumentar o medo dessas pessoas; 3) culpar alguém; 4) desmoralizar instituições, como o Congresso ou o STF; e 5) usar meios de comunicação para amplificar a mensagem.

O melhor exemplo contemporâneo, no Brasil, da eficiência desse truque foi o lavajatismo, que entregou o governo do país a Jair Bolsonaro. Os protagonistas mais visíveis dessa obra, como Sergio Moro e Deltan Dallagnol, adquiriram grande projeção. Mas, na linha auxiliar do movimento, outros personagens lucraram com o negócio.

O principal papel desses coadjuvantes foi fuzilar os ministros do Supremo, os estraga prazeres que revogavam decisões estapafúrdias da autoapelidada “lava jato”. Entre eles, brilham nomes como Modesto Carvalhosa e Joaquim Falcão, por exemplo — que chegaram a virar sócios da apelidada Fundação Dallagnol, que drenaria algo como R$ 2,5 bilhões da Petrobras.

Troca de cipó

Outro que identificou, com oportunidade, o potencial de notoriedade e negócios que é bombardear ministros do STF foi o procurador de justiça Roberto Livianu, que criou o cômico e bem patrocinado “Instituto Não Aceito Corrupção”, sala de espera luxuosa para sua futura empresa de compliance.

Fábrica de falsos heróis e falsos vilões, a “lava jato” deu fama e renda também ao hoje conhecido Conrado Hübner Mendes. Ele funcionou como caixa de ressonância de Curitiba na rotina de tentar emparedar ministros do Supremo. Críticas à chamada “operação”, só no ocaso do esquema, claro. Importante saber a hora de trocar de lado.

Já se publicou aqui em 2018: na bolsa de valores morais, faz cada vez mais sucesso dizer o que as massas querem ouvir. No campeonato nacional da demagogia, defender a prisão de quem apenas é réu conta pontos. Difícil mesmo — como foi na década de 1930 na Alemanha ou na década de 1960 no Brasil — é sustentar que a cruzada moralista contra o que se entende por corrupção não autoriza tudo.

O que o cronista mostra saber sobre o STF é o que sai nas imprecisas notícias de jornal. Sua única experiência com o Direito da vida real foi uma reclamação trabalhista, contra a FGV. Nunca advogou. Sua tese em Direito Constitucional foi no campo das ciências sociais em um país que não tem tradição de direito escrito e muito menos de jurisdição constitucional: a Escócia.

Atacar decisões sem as ler é um esporte muito praticado por comentaristas que atacam o juiz que não decide como esperam as arquibancadas. Sempre em busca do aplauso fácil, fazem o papel de animadores de auditório.

Em seus textos, Hübner continuou a fazer eco a Curitiba quando o procurador-geral da República, Augusto Aras, enquadrou a “operação”. Em seus textos, o cronista cobra de Aras que restaure a PGR da era do terror quando se empreendia caçadas como as que vitimaram Dilma, Lula e Temer.

Alvo de uma representação e um processo, o advogado licenciado agiu de maneira estranha para quem festeja processos e condenações. Assim como alguns jornalistas valentões que atacam duramente a honra alheia, mas se escondem na hora que o oficial de justiça aparece, Hübner pediu socorro à sua corporação alegando um inexistente atentado contra a liberdade de expressão. Uma lógica peculiar: o cronista e seus amigos acham que ele pode escrever o que quiser de quem for. Mas se for alvo de uma representação ou processo será um atentado contra a democracia.

Aras pode ter cometido um erro tático ao proporcionar tanta visibilidade ao cientista social amador. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça optaram por outro caminho. Abriram inquéritos para brecar a campanha profissional de desmoralização de ministros — deflagrada para manter Curitiba no governo do país. Oswaldo Eustáquio, preso na Papuda, em Brasília, também se disse vítima de um atentado contra sua liberdade de expressão.

O livro Me, the People — obra que faz a continuação de outra, o excelente Como a picaretagem conquistou o mundo, de Francis Wheen — identifica uma inflexão do populismo no mundo. Mas identificar aflitos e desnorteados (1), aludir e inflar um perigo (2), culpar o STF (3) ou desmoralizar a PGR (4) e usar a mídia (5) — mostra Hübner —, ainda funciona por aqui como fórmula fulminante para o sucesso.

15
Ago19

Deltan não poupou nem os próprios colegas procuradores das suas trapaças

Talis Andrade

deltan holiday e bolsonaro

              

Deltan Dallagnol, o trapaceiro que usou o cargo de procurador da República para praticar crimes e satisfazer suas ambições pessoais e de poder, está totalmente desmascarado.

As mensagens do Intercept oferecem características suficientes para se traçar um perfil consistente e completo – psicológico, sociológico e ideológico – deste embusteiro de traços messiânicos que empregava um discurso falso-moralista em proveito próprio e, simultaneamente, em benefício de um projeto fascista de poder.

O cardápio de trapaças do Deltan é bastante diversificado. Abarca desde desvio funcional, prevaricação e fraude processual até ilegalidades, farsas jurídicas e formação de quadrilha.

O que as mensagens do Intercept também demonstram é que Deltan, um trapaceiro total e em tempo integral, não poupou nem mesmo os próprios colegas das suas trapaças.

Em 20 de outubro de 2016, depois de conter o ego e acatar o conselho do “Assessor 1” de imprensa para não participar de solenidade do Fórum de Liberdade e Democracia, do direitista Instituto de Formação de Líderes de São Paulo [IFL], na qual os “leprosos” Jair Bolsonaro e Fernando Holiday estariam presentes, Deltan sacanamente pediu que o colega Roberto Livianu o representasse para receber a homenagem.

deltan pede a livianu para substituí-lo

Livianu, outro personagem cuja vaidade é infinitamente superior à estatura intelectual e profissional, e sem ser informado por Deltan das presenças “leprosas”, aceitou representá-lo no evento.

Livianu

Envaidecido, depois da cerimônia um orgulhoso Roberto Livianu publicou o seguinte tweet: “Prêmio Liberdade 2016 do IFL para a Força-Tarefa do MPF na Lava Jato. A pedido de Deltan compareci honrado para receber em nome dos colegas.

O que Roberto Livianu não sabia, entretanto, é que Deltan o fez de tolo; soube tirar proveito da vaidade do perfumado, paulista e branco promotor.

Tempos depois, quando Livianu encaminhou a “honraria” a Curitiba pelas mãos do Roberson Pozzebon, o Robito, sócio do Deltan no lucrativo mercado de palestras, um debochado Deltan fez chacota de Livianu com seus colegas no Telegram: “Prêmio bonitão heim??? Esse é aquele em que ele [ele é Roberto Livianu, feito de tolinho] nos representou quando cancelei a ida para SP porque é um instituto liberal e estariam lá Bolsonaro e outros radicais de direita… guiness!! Kkkk kkkk”.

deltan faz chacota de livianu

Deltan, assim como seu chefe e comparsa Sérgio Moro, só sobrevivem porque, se eles caem, cai a casa da oligarquia e cai também a casa do governo miliciano.

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