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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

24
Nov22

Casca: Bolsonarista invade escritório e agride advogada que denunciou perseguição a petistas

Talis Andrade

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Janaíra Ramos sofreu lesões no braço e nas pernas 

 

Advogada, responsável por denunciar movimento contra comerciantes que votaram em Lula, disse ao Sul21 que agressões continuaram em plena rua

 

 

Por Luís Gomes /Sul21

 

 

A advogada Janaíra Ramos registrou nesta quarta-feira (23) um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia Regional, em Casca, contra um bolsonarista que invadiu seu escritório, a agrediu e a ameaçou de morte. A advogada foi responsável por denunciar no início do mês o movimento promovido por bolsonaristas da cidade contra comerciantes que votaram no presidente eleito Lula (PT), em que os seguidores do atual presidente defenderam pintar estrelas nos estabelecimentos dos opositores.

À polícia, Janaíra afirmou que estava em seu local de trabalho quando o agressor tocou o interfone do escritório. Sem reconhecer o homem, ela o deixou entrar. O agressor então teria se identificado e dito que precisava falar com a advogada, que recusou, quando então ele começou a agredi-la.

Janaíra disse ter recebido tapas e chutes, além de ter sido ofendida e ameaçada de morte se não saísse da cidade.

Após as agressões, a advogada realizou exame médico, que constatou um edema no seu joelho esquerdo e escoriações no antebraço.

Na sequência, ela pediu uma medida cautelar protetiva contra o agressor. A Vara Judicial da Comarca de Casca acatou o pedido e determinou que o agressor está proibido de se aproximar a uma distância de menos de 100 metros, de manter contato com a advogada, mesmo que indiretamente, de ir ao escritório e à residência dela ou de fazer qualquer postagem ou menção à vítima em redes sociais.

Em conversa com o Sul21 nesta quinta-feira (24), Janaíra conta que não tinha nenhuma relação com o agressor, apenas havia visto ele nas manifestações bolsonaristas à beira de estradas, mas que não o reconheceu quando ele foi ao seu escritório e abriu a porta. “Ele entrou na antessala, eu terminei de atender o meu colega e fui falar com ele. Ele disse: ‘preciso uns 20 minutinhos para falar com a senhora’. Eu digo: ‘quem é o senhor? Não quero conversa, faz favor e se retire do meu escritório”.

O homem então teria se recusado a deixar o local, mesmo após reiterados pedidos de Janaíra. “Aí ele me disse: ‘Por enquanto eu vim te avisar, depois eu vou te matar’”.

Janaíra conta que, então, saiu da sala em que estavam, enquanto o homem tentava impedi-la. Quando chegaram no portão externo, ele desferiu um tapa contra ela nas costas. A advogada diz que machucou os braços ao se apoiar depois da agressão. “Eu achei que ele ia me matar. Eu saí para morrer na rua e não dentro do escritório”.

Ela conta que, depois do tapa, recebeu um chute e começou a ser ofendida, com o homem dizendo que ela “seria a primeira” e que o “PT vai ser limpado daqui”.

A advogada conseguiu se abrigar em uma vizinha e acionou a polícia. Inicialmente, o homem teria deixado o local, mas retornou na sequência e tentou forçar a porta do escritório. Janaíra foi acompanhada pela polícia até o hospital para ser examinada e depois registrou a ocorrência. O agressor, que já estava no local, prestou depoimento e foi liberado.

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Nas redes sociais, o homem disse que tudo o que fez foi dar um “chute na bundinha”. Ainda assim, ele diz que não a agrediu e que a advogada mentiu sobras as ameaças. Ele afirma que irá processar Janaíra por calúnia a difamação. Contudo, posteriormente, apagou a postagem e fechou perfis em redes sociais.

“Eu vou ter que provar o quê, se eu estou toda lesionada. Tem laudo”, disse Janaíra ao Sul21. “Mas, aqui, como a maioria é bolsonarista, coitadinho dele”.

Janaíra está sendo perseguida por bolsonaristas de Casca nas redes sociais desde quando denunciou o movimento de boicote aos comerciantes petistas, que comparou a práticas de nazistas contra judeus na Alemanha dos anos 1930, e o fato de eleitores de Lula terem sido agredidos ao comemorarem o resultado do segundo turno.

Ela havia denunciado o movimento dos bolsonaristas à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e, na terça-feira (22), se reuniu com o chefe da Polícia Civil no Estado, delegado Fábio Motta Lopes, em conjunto com as deputadas Luciana Genro e Fernanda Melchionna para tratar de casos de violência política que estão ocorrendo no Rio Grande do Sul após as eleições.

A advogada diz que agora está estudando o que fazer, se continuará trabalhando na cidade nos próximos dias ou não. Ela teme que o homem possa voltar armado ao local. Por outro lado, diz que deixar a cidade seria permitir que os bolsonaristas alcançassem seu objetivo. “É o que eles querem. Eu estou reagindo e resistindo, mas tenho medo”.

O homem acusado da agressão é um arquiteto com registro no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS). Nesta quinta, o conselho divulgou uma nota em que repudia a agressão e diz que irá acompanhar o desdobramento das apurações sobre o caso, mesmo ele não tendo vinculação com o exercício profissional.

“O CAU/RS manifesta à sociedade gaúcha que tem compromisso e atua diariamente para garantir que as divergências políticas, naturais e legítimas em uma sociedade democrática, sejam resolvidas com diálogo e dentro da lei sem colocar em risco a integridade física ou moral das pessoas”, diz a nota da entidade.

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O nazista agressor 

 

24
Nov22

Bolsonarista nazista Rodrigo Tondelo invade escritório e agride advogada Janaíra Ramos

Talis Andrade

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O nazista agressor Rodrigo Tondelo

 

Redação Sul 21

Bolsonarista invade escritório e agride advogada que denunciou perseguição a petistas em Casca, no Rio Grande do Sul. Advogada, responsável por denunciar movimento contra comerciantes que votaram em Lula, disse ao Sul21 que agressões continuaram em plena rua 

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Janaíra Ramos

 

A advogada Janaíra Ramos registrou nesta quarta-feira (23) um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia Regional, em Casca, contra um bolsonarista que invadiu seu escritório, a agrediu e a ameaçou de morte. 

A advogada foi responsável por denunciar no início do mês o movimento promovido por bolsonaristas da cidade contra comerciantes que votaram em Lula, em que os seguidores do atual presidente defenderam pintar estrelas nos estabelecimentos dos opositores.

Foto: Wikimédia commons/Reprodução

Advogada denuncia perseguição ao estilo nazista a eleitores de Lula em Casca, no Rio Grande do Sul. Bolsonaristas de município gaúcho criaram lista de boicote a comerciantes petistas e defenderam identificar estabelecimentos com estrela. 

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A advogada Janaíra Ramos participou nesta quarta (9) de audiência da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, onde relatou as perseguições políticas que ocorrem no município de Casca a pessoas identificadas como eleitores Lula (PT).

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24
Nov22

MAIS UM CRIMINOSO FASCISTA! AGORA EM CASCA/RS!

Talis Andrade

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Leonel Radde
@LeonelRadde
MAIS UM CRIMINOSO FASCISTA! AGORA EM CASCA/RS! Na manhã desta quarta-feira (23/11) a advogada Janaíra Ramos foi violentamente agredida pelo líder fascista daquele município, arquiteto Rodrigo Tondelo, que vinha ameaçando-a de morte após repercussão nacional das...
 
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...denúncias dela mostrando as práticas nazistas de perseguição aos eleitores de Lula após sua vitória. Ele foi ao escritório dela fazendo ameaças de morte, e após agressões verbais passou a agredi-la fisicamente, continuando as agressões na rua, para onde ela... (+)
 
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... conseguiu fugir, assim como xingamentos e ofensas. Segundo relato no Boletim da Ocorrência, ele a chamava de “vagabunda e vadia” e dizia “que petista tem que morrer”. A escalada da extrema direita precisa ser contida com a criminalização de todos os atos de violência... (+)
 
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...política que estão praticando desde a derrota de seu candidato. Prestamos nossa solidariedade a ela por mais essa agressão covarde! Executiva do PT de Passo Fundo.
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24
Nov22

Advogada eleitora de Lula é agredida fisicamente por fascista Rodrigo Tondelo em Casca, RS

Talis Andrade

www.brasil247.com - Rodrigo Tondelo e Janaína Ramos

O covarde Rodrigo Tondelo/ Janaíra Ramos

 

A Executiva do PT de Passo Fundo (RS) criticou a "escalada da extrema direita"

 

247 - A advogada Janaíra Ramos foi agredida na manhã desta quarta-feira (23) pelo arquiteto bolsonarista Rodrigo Tondelo.

De acordo com a Executiva do PT de Passo Fundo (RS), ele foi ao "escritório dela fazendo ameaças de morte, e após agressões verbais passou a agredi-la fisicamente, continuando as agressões na rua".

"A escalada da extrema direita precisa ser contida com a criminalização de todos os atos de violência".

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Maria do Rosário
Manifesto minha total solidariedade à advogada Janaíra Ramos, de Casca (RS), covarde e violentamente agredida pelo bolsonarista Rodrigo Tondelo. Nenhuma divergência política justifica qualquer tipo de violência, motivo pelo qual ele deverá responder à justiça pelos seus atos.
 
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Janaíra é lutadora exemplar pela democracia, muito corajosa, pois mesmo em ambiente hostil tem denunciado a perseguição aos eleitores de Lula em seu município, onde os comércios começaram a ser marcados pelos fascistas. Não ficarão impunes. Basta de violência política! Covardes!
 
08
Nov22

Bolsonaristas usam tática nazista para intimidar eleitores de Lula no RS

Talis Andrade

 

Jair-Bolsonaro-Nazista.jpg

 
Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
E esses criminosos se querem cidadãos de bem. Como eram os nazistas, os fascistas, os franquistas, os salazaristas. Todos fascínoras de família! Mensagens sugerem marcar com estrelas as casas de quem votou em Lula no norte do RS
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Ariel Palacios on Twitter: "Estrela amarela: Os nazistas obrigavam os judeus  a usar a estrela de Davi, um dos mais famosos símbolos do judaísmo, como  distintivo para identificar qualquer cidadão que tivesse
A estrela de David – Shema Ysrael
O Distintivo Judaico: Durante a Época Nazista | Enciclopédia do Holocausto

Bolsonaristas de Casca (RS) espalham mensagens para perseguir comerciantes petistas na cidade

por Herculano Barreto Filho

Um grupo de eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou táticas semelhantes às usadas pelo regime nazista para perseguir comerciantes petistas em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul com apenas 9.000 habitantes.

Em Casca (RS), bolsonaristas espalharam mensagens nas redes sociais e em grupos de WhatsApp pedindo que comerciantes locais colocassem adesivos com a estrela vermelha do PT na frente de seus estabelecimentos. A prática é parecida com o nazismo alemão, que obrigou comerciantes judeus a colocar a estrela de Davi em suas lojas na década de 1930.

Uma lista que circula em rede sociais pedia o boicote a 20 comércios identificados como sendo de petistas. No segundo turno, 72,3% dos eleitores (4.557) de Casca votaram em Bolsonaro, contra 27,7% (1.748) de Lula.

O que diz o Ministério Público. Em nota, a Promotoria diz ter recebido a informação de listas de boicote, situação que tem ocorrido em diversas cidades do país. "Estariam circulando em redes sociais com nomes de comerciantes e pessoas que teriam votado no Lula", diz, em um dos trechos do texto. No texto não há menção sobre o pedido de incluir a estrela vermelha.

Por que o episódio se assemelha à tática nazista? No regime nazista na Alemanha, no começo da década de 1930, foram elaboradas listas para boicote de comércios de propriedade de judeus. Os nazistas grafitaram vitrines dessas lojas e espalhavam avisos pelas cidades, pedindo para que a população não comprasse produtos nesses estabelecimentos.

"O boicote aos comércios e a ideia de marcar as pessoas que votaram no PT é a reprodução da linguagem nazista, que é típica do bolsonarismo", diz Michel Gherman, que coordena o núcleo de estudos judaicos do departamento de sociologia da UFRJ (Universidade do Rio de Janeiro).

Embora não veja a relação entre o nazismo e o bolsonarismo como novidade, Gherman entende que há uma escalada nos episódios. "O bolsonarismo é letrado politicamente pelo nazismo. Mas os episódios estão cada vez mais explícitos. Assim como os nazistas isolaram os judeus, os bolsonaristas agora querem isolar os petistas."

Como bolsonaristas espalharam a mensagem? Mensagens atribuídas a bolsonaristas da cidade de Casca foram direcionadas aos próprios eleitores do PT, com uma ameaça em tom irônico: "Atenção petistas, coloquem esse adesivo na porta do seu negócio [mensagem acima da imagem da estrela símbolo do PT]. Mostre que você tem orgulho de quem elegeu."

Comércio fechado e depredação

Mais de 120 comércios fecharam as portas ontem após ameaças enviadas via WhatsApp. A advogada Janaíra Ramos, 54, denunciou casos de assédio eleitoral ao Ministério Público, que também incluem agressões a petistas após o resultado das eleições, na noite de 30 de outubro.

O escritório da defensora amanheceu hoje com o interfone depredado. Às 20h53 de ontem, as câmeras do circuito interno registraram as imagens de um homem danificando o portão do estabelecimento. No vídeo, um indivíduo que aparenta usar um soco inglês, arma branca de ferro com orifícios para encaixar os dedos, desfere quatro golpes no interfone e sai do local caminhando.

Ela está coletando as imagens em uma mídia e irá registrar ocorrência do caso hoje à tarde junto à Polícia Civil pelo crime de dano.

"Bolsonarismo aqui virou uma seita." Em entrevista ao UOL Notícias, ela vê o episódio como uma retaliação às denúncias contra os ataques bolsonaristas após o segundo turno das eleições presidenciais, no dia 30 de outubro.

"As pessoas perderam a racionalidade, e as coisas aqui estão fugindo do controle. Estamos tomando as medidas cabíveis para que as agressões parem."

Ela atribui esses atos de violência ao que vê como uma "minoria extremista", que não aceita o resultado das urnas. "O bolsonarismo aqui virou uma seita. É um grupo minoritário, que está colocando em risco a própria convivência das pessoas em uma cidade pacata por causa de uma incitação ao ódio criminosa", diz.

Primeiro, eles [bolsonaristas] fazem listas para perseguir pessoas e comerciantes. Depois, organizam uma greve no comércio. Agora, começam a depredar o patrimônio. São recados para intimidar as pessoas? Os líderes desses movimentos precisam ser identificados e responsabilizados"Janaíra Ramos, advogada

Outros ataques denunciados em Casca. Um petista que comemorava a vitória de Lula nas urnas teve o carro depredado por bolsonaristas. De acordo com a denúncia, uma mulher parou em frente ao veículo, identificado com bandeiras do PT, e começou a chamá-lo de "bandido e ladrão." Em seguida, outros apoiadores de Bolsonaro atiraram garrafas na direção do veículo, que ficou danificado. O ataque só foi interrompido porque havia policiais militares nas imediações.

Em outro episódio, uma mulher sofreu ferimentos ao ter uma bandeira do PT arrancada da sua mão. Em seguida, relatou, os agressores atearam fogo no material. "Nenhum petista pôde comemorar a vitória de Lula em Casca", relatou a advogada Janaíra Ramos.

bolsonaro por_luscar nazista.jpg

21
Out22

O amor cristão e o ódio do deputado bolsonarista que ameaça queimar estudantes como aconteceu na boite kiss

Talis Andrade

Veja a íntegra da leitura da carta de Lula aos evangélicos - Vídeo  DailymotionNexo Jornal

Um menino reza pelo Brasil, pela vitória de Lula, na leitura da Carta aos Evangélicos. Outro pergunta ao Papa Francisco se o pai ateu, "um bom bom" que morreu recentemente, está no céu.

Dois lindos momentos do cristianismo. Quando o malígno deseja que os estudantes de Santa Maria, porque denunciaram a corrupção do orçamento secreto no Ministério da Educação, sejam queimados vivos como aconteceu na boite Kiss.

Deputado diz que estudantes têm de ser queimados vivos

O deputado federal bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS) critica um protesto feito pelos universitários de Santa Maria contra o bloqueio de verbas do MEC (Ministério da Educação) promovido pelo governo Bolsonaro. Ele também cita os alunos da Universidade Federal de Pelotas, usa termos como vergonha, escória do mundo, miseráveis e coitados para se referir aos estudantes e faz referência a uma cena do filme “Tropa de elite”. “É o filme Tropa de elite. Sabe o que aconteceu. Olha o um. Olha o filme um. Pegaram aqueles coitadinhos. Que coitadinhos? Aqueles riquinhos, ajudando pobre, se deram mal. Queimaram vivo dentro de pneus! Queimaram vivo dentro de pneus! E é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai, que têm grana, merecem”, diz o parlamentar, com o tom de voz bastante elevado.

Foi na cidade gaúcha de Santa Maria que ocorreu o incêndio na boate Kiss, em janeiro de 2013. Na ocasião, chamas causadas por fogos de artifício detonados dentro da danceteria se alastraram de forma descontrolada, o que resultou na morte de 242 pessoas. Entre as vítimas, havia 113 estudantes da universidade citada por Nunes no vídeo

Nesta sexta, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) anunciou que vai denunciar Nunes ao Conselho de Ética da Câmara e ao Ministério Público. “Inadmissível fazer uma ameaça sórdida de que os estudantes da UFSM deveriam ser queimados vivos, ainda mais na cidade que sofreu a tragédia da Boate Kiss”, afirmou a parlamentar. Também houve reação do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Burmann, que foi candidato a deputado federal pelo PDT, mas não se elegeu. Ele postou um vídeo nas redes sociais classificando as falas do bolsonarista como “um ataque arrogante, carregado de ódio, sem nenhum sentimento humano”.

Antes de entrar para a política, o gaúcho Bibo Nunes trabalhou como apresentador e repórter em diversos veículos de imprensa do Rio Grande do Sul, como a RBS TV Cruz Alta, o jornal Zero Hora e a TVE RS. Concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD, em 2014, e a ao cargo de vereador de Porto Alegre pelo PMDB, em 2016, mas não obteve sucesso em nenhuma das ocasiões. Em 2018, se associou ao bolsonarismo e foi eleito deputado federal pelo PSL, com mais de 91 mil votos. Migrou para o PL em 2021 e tentou a reeleição em 2022, mas não conseguiu.

Discurso de ódio bolsonarista na boca malígna de Bibo Nunes

Papa consola criança que perguntou se seu pai ateu estava no céu

Cidade do Vaticano - O papa Francisco afirmou neste domingo que Deus não abandona as pessoas boas, ao responder a uma pergunta feita por um menino que queria saber se seu pai, que era ateu e morreu há pouco tempo, estava no céu.

Durante uma visita à paróquia do bairro de Corviale, na periferia de Roma, Francisco respondeu às perguntas dos fiéis, entre os quais estava Emanuele, um menino de oito anos, cuja voz estava embargada pelo choro.

Diante desta situação, o papa lhe encorajou a fazer sua pergunta perto de seu ouvido, lhe abraçou e ambos conversaram durante alguns minutos. Posteriormente, o pontífice pediu permissão ao menino para revelar sua inquietação.

Francisco explicou então que Emanuele lhe contou que seu pai havia morrido há pouco tempo e que, embora não fosse crente, tinha batizado seus quatro filhos, mas sua dúvida era "se o papai estava no céu".

"Que lindo que um filho diga que seu pai era bom. Um lindo testemunho daquele homem para que seus filhos possam dizer dele que era um homem bom. Se esse homem foi capaz de ter filhos assim, é verdade que era um grande homem", declarou o papa.

Francisco ressaltou que embora este homem "não tivesse o dom da fé, não fosse crente, fez batizar os filhos" e, perante a dúvida de Emanuele, respondeu: "Quem diz quem vai para o céu é Deus".

Então Francisco perguntou aos presentes: "Deus abandona seus filhos quando são bons?", ao que responderam "não" em coro.

"Bom, Emanuele, esta é a resposta. Deus seguramente estava orgulhoso do seu pai, porque é mais fácil batizar os filhos sendo crente que batizá-los não sendo crente. E seguramente Deus gostou muito disso", acrescentou.

E concluiu: "Fale com seu pai, reza ao seu pai. Obrigado, Emanuele, pela sua valentia ".

Outra das perguntas ao papa foi se todos, "inclusive os não batizados", somos "filhos de Deus", ao que Francisco explicou: "Somos todos filhos de Deus, inclusive os que são de outras religiões distantes".

"Inclusive os mafiosos, embora estes prefiram comportar-se como filhos do diabo", completou.

As crianças também lhe questionaram sobre o que sentiu quando foi escolhido papa e Francisco respondeu que "não sentiu medo, nem uma grande alegria (...), mas uma grande paz". EFE

Campanhas de Lula lançam cartas aos evangélicos desde 1989; veja a primeira
A liberdade religiosa era o compromisso número 1 da carta lançada na eleição contra Collor. Veja íntegra do exemplar obtido por CartaCapital


A carta aos evangélicos lançada na quarta-feira 19 pelo ex-presidente Lula (PT) não foi a primeira a ser divulgada por uma campanha do petista ao Palácio do Planalto: a iniciativa pioneira ocorreu em 1989, na campanha que disputou contra Fernando Collor, que lançou as mesmas mentiras hoje repetidas por Jair Bolsonaro de fechar igrejas. 

Carta de Lula aos religiosos rebate fake news dos fariseus e cita Evangelho de São João

por Vinicius do Valle 

Depois de semanas de discussão e especulação sobre a possibilidade de Lula lançar uma carta para evangélicos, saiu ontem, no dia em que se comemora Nossa Senhora Aparecida, um documento da campanha petista, assinado por Lula, destinado aos religiosos do Brasil. O documento sai após uma versão anterior, destinada especificamente aos evangélicos, ter sido vazada para a imprensa – revelando a dificuldade da campanha petista em lidar com o tema de forma interna.

Para muitos do comitê eleitoral petista, a campanha de Lula deveria focar na agenda econômica e social, as quais Lula teria muito a mostrar, ao invés de alimentar a agenda moral e religiosa. No entanto, a enxurrada de fake news de conteúdo religioso e o alívio relativo nas condições de vida de parcela da população, gerado pelo auxílio Brasil turbinado e redução do preço da gasolina – feitos sob medida para a campanha bolsonarista e com prazo de duração limitado — tornaram a agenda moral inescapável.

A versão final do documento parece, nesse sentido, ter ficado no “meio termo” entre a posição de não entrar no embate religioso e a de um documento voltado especificamente ao segmento evangélico, com compromissos específicos e fechados. Na carta, Lula afirma o respeito ao direito à religião e à liberdade religiosa. Reconhece o papel das religiões na sociedade brasileira, e se compromete a respeitar a Constituição, todas as religiões, os templos e locais de culto, públicos ou privados. Cita ainda o evangelho de João, capítulo 10 e versículo 10, manifestando o desejo de construir uma sociedade em “que todos tenham vida em abundância”.

 

21
Out22

A nazista vereadora bruxa de Bolsonaro compara mulheres de esquerda a cadelas

Talis Andrade

Û©Gifs/Imagens | Gifs, Bruxas, Halloween

A vereadora bolsonarista de Montenegro, no Rio Grande do Sul, Camila Carolina de Oliveira (Republicanos), está sendo alvo de representação por quebra de decoro em virtude de um vídeo que a parlamentar postou em suas redes sociais comparando mulheres de esquerda a cadelas. 

Na denúncia apresentada pelos partidos PSB, MDB e PTB, os vereadores alegam que Camila utilizou a estrutura da Câmara Municipal para a filmagem de propaganda política eleitoral, “contendo música com expressões de ódio e preconceito a um determinado grupo da sociedade”, diz trecho de reportagem do Metrópoles.

No vídeo, Camila aparece dançando ao som de um funk que tem como refrão que “as de esquerda têm mais pelo que cadela”, se referindo às mulheres que são contrárias à sua ideologia política.

Ela aparece dançando música com requebros indecentes, ladeada por duas adolescentes, o que caracteriza abuso de menores. 

A vereadora de Montenegro (RS), Camila de Oliveira (Republicanos), durante performance nas redes sociais.

200 mulheres se ofendem com postagem de vereadora e mobilizam movimento por cassação

Um grupo de 200 mulheres se revoltou com postagens nas redes sociais de uma vereadora da pequena cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul, e começou um movimento para pautar sua cassação. A postagem que causou a mobilização foi feita no último sábado (15) e um protesto já está marcado na próxima quinta-feira (20).

A vereadora Camila Carolina de Oliveira (Republicanos) foi eleita em 2020 na cidade de aproximadamente 65 mil habitantes e distante 60 quilômetros de Porto Alegre. Ela costuma fazer postagens no Instagram onde aparece dançando, junto de duas meninas que aparentam ser adolescentes menores de 18 anos, cantando e dançando músicas do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

Na postagem do último sábado o trio dançava e cantava uma letra da música comparava mulheres de esquerda a animais. “As mina de direita são as top bela (sic), enquanto as de esquerda têm pelos igual cadela”, diz a música que utiliza a batida do famoso funk Baile de Favela, do MC João.

“Após esse último ataque da vereadora, em que agride as mulheres e os partidos de esquerda, criamos um grupo com mais de 200 mulheres. Ela é uma representante do povo, foi eleita com voto popular e não pode ter uma atitude dessa, deveria estar preservando e reconhecendo as mulheres, não nos atacando com palavras tão tristes e desvairadas como as postagens infelizes que tem feito”, afirmou Eliane Morfan, do PT da cidade.

Ela explica que apesar de endereçada às mulheres de esquerda, a vereadora acabou ofendendo também as mulheres de direita e apoiadoras de Bolsonaro. Elas convocaram uma manifestação para a próxima quinta-feira na Câmara de Vereadores de Montenegro, onde irão pedir a cassação da vereadora por quebra de decoro.

“Há tanto mulheres de esquerda como de direita no grupo, então marcamos de irmos todas de camisetas brancas, e cada uma vai levantar a bandeira do seu partido para mostrar que não foram apenas as mulheres de esquerda as ofendidas, mas também as mulheres de direita e que votaram no Bolsonaro que compreendem o que é uma democracia, coisa que ela não compreende”, afirmou.

Além do PT, outros partidos presentes na cidade também expressaram seu repúdio às atitudes da vereadora. Entre eles MDB, PSB e PTB, que possuem representantes na câmara municipal, protocolaram denúncia por quebra de decoro parlamentar contra Camila de Oliveira na última segunda-feira (17).

Leia a seguir a nota de repúdio do PT da cidade

O PT Montenegro vem a público expressar seu repúdio às manifestações ofensivas da vereadora Camila Oliveira (Republicanos) aos educadores no Dia do Professor e as mulheres de esquerda em falas preconceituosas e discriminatórias através de suas redes sociais. Com o agravante de usar o espaço da Câmara de Vereadores e a estrutura pública para propaganda eleitoral e ataques abjetos à comunidade montenegrina, inclusive expondo adolescentes nos vídeos publicados.

O PT comunica que a partir de reunião da executiva municipal constituiu-se uma comissão de mulheres, lideranças de esquerda, como grupo de trabalho para encaminhamentos do ponto de vista administrativo e jurídico cabíveis.

Por fim, solidários com todes, convidamos para ato de repúdio, no dia 20 de outubro, a partir das 18h em frente à Câmara Municipal de Vereadores .

Ricardo Agadio Kraemer- Presidente do PT Municipal

Ezequiel de Souza- Vice Presidente do PT municipal

Comissão de Mulheres: Liliane Mello, Eliane Morfan, Monalisa Furtado e Maria Lucimar Machado

Três partidos ingressam com representação contra vereadora que gravou  vídeos com músicas na Câmara - Fato Novo

17
Out22

Onyx nega aperto de mão a Leite

Talis Andrade

Onyx nega aperto de mão a Eduardo LeiteOnyx nega aperto de mão a Eduardo Leite...

O candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PL, Onyx Lorenzoni, se recusou a apertar a mão de seu adversário, Eduardo Leite (PSDB-RS), depois de um debate realizado nesta 6ª feira (14.out.2022) na rádio gaúcha GZH.

Eles disputam o 2º turno pelo governo do Estado.

No 1º turno, Onyx teve 37,5% dos votos válidos. Leite, 26,81%.

Em imagens divulgadas nas redes sociais, é possível ver Onyx ignorando quando Leite estende a mão para cumprimentá-lo. O episódio vem um dia depois de o candidato do PL ser acusado de homofobia contra o tucano. ...

17
Jul22

O país de Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

 

 
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xico sá
@xicosa
O fascismo brabo miliciano tá mais aceso do que nunca. Todo cuidado é pouco com essa gente. Bolsonarismo mata. Todo apoio e solidariedade à campanha de . #FreixoImage
Michel Gherman
@michel_gherman
Cenas de terrorismo agora na Tijuca. teve passeata atacada por fascistas. Clima de terror político. Negar isso é parte do terror.
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Marcia Tiburi
@marciatiburi
Várias pessoas relatando sobre o ataque do Rodrigo Amorim (um dos que quebraram a placa de Marielle) e sua malta contra Freixo na praça Sans Pena. Eles estavam armados. Ouvi alguém dizer que foi difícil proteger o Freixo. Tomem cuidado. Não se brinca com grupos de extermínio.ImageISTOÉ
 
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Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
Fascistoides em ação. Querem se impor com ameaça e truculência. Reitero o q já disse na rádio e escrevi na Folha e no UOL: hora de ocupar as ruas. Opor a paz ao terror. E aí ⁦⁩É violência à revelia ou parceria?
 

Veja
Diario de PernambucoImage
@mariadorosario
Mais de 1 milhão de pessoas passam fome no RS, segundo o Consea-RS. De cada 10 famílias, 7 enfrentam insegurança alimentar. A fome segue no plano desse desgoverno para empurrar o povo brasileiro para a extrema miséria. Com Lula existe esperança. VAMOS JUNTES NESSA LUTA!Image
 
13
Jul22

Patricia Facchin entrevista Jair Krischke (vídeos)

Talis Andrade

Na charge do Amarildo: AI-5 | A Gazeta

 

Jair Krischke é ativista dos direitos humanos no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Em 1979, fundou o Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, a principal organização não governamental ligada aos direitos humanos da região sul do Brasil.

 

IHU On-Line — Quais são suas lembranças do dia 13 de dezembro de 1968, quando Arthur da Costa e Silva emitiu o AI-5?

Jair Krischke — Tudo começou um pouco antes. Nós que participávamos daquilo que veio a ser depois o Movimento de Justiça e Direitos Humanos, imaginamos que o AI-5 era um golpe a mais, que era mais uma das tantas quarteladas que aconteciam na América Latina. Porém fomos surpreendidos, pois se tratava de um golpe baseado em uma doutrina de segurança nacional, que viria para ficar por muito tempo. Nós do Movimento de Justiça e Direitos Humanos já estávamos envolvidos em retirar brasileiros perseguidos do Brasil e em levá-los para o Uruguai e a Argentina, mas em 1968 já começávamos a sentir a falta de esperança em relação à redemocratização e então começamos as articulações para enfrentar a ditadura, especialmente no terreno político.

Antes do AI-5 foi criada a Frente Ampla, que reuniu três figuras políticas de grande importância no Brasil, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda; algo inimaginável. Essa Frente Ampla estava se articulando para politicamente fazer frente à ditadura, quando o grupo da chamada “linha dura”, pretendendo se eternizar no poder, lançou o AI-5. Nessa época eu estava em Porto Alegre, envolvido em retirar do Brasil companheiros sindicalistas, líderes estudantis e políticos e levá-los para o refúgio.

Meses antes da instituição do AI-5, o então deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, fez um discurso na Câmara dos Deputados, em setembro, recomendando às moças e às senhoras que se recusassem a sair com oficiais do Exército e que, inclusive, no baile de Sete de Setembro não dançassem com eles. Esse discurso foi tomado pelos militares, especialmente pelo então ministro do Exército, o General Costa e Silva, como uma ofensa aos militares, que solicitaram a cassação de Márcio Moreira Alves. No dia 12 de dezembro, o Congresso recusou a cassação, com uma diferença de 75 votos, e mesmo a Arena, partido da ditadura, votou contra a cassação dele. No dia seguinte, 13 de dezembro, fomos surpreendidos com o AI-5. Somente depois — a história não pode ser avaliada no tempo em que está ocorrendo — nos demos conta de que esse AI-5 era um golpe dentro do golpe, era um endurecimento daquilo tudo que a ditadura já havia feito.

 

Com a instituição do AI-5, o setor mais reacionário das Forças Armadas decidiu terminar com as mínimas garantias com as quais a cidadania ainda contava, e deu poderes extraordinários à ditadura. Isto é, o presidente da República passou a ter um poder que não requisitava apreciação judicial para fazer aquilo que bem entendesse em termos não só da União Federal, mas dos estados e municípios. Além disso, o presidente tinha poder para intervir no Congresso Nacional, e mais tarde o fechou, como fechou também as Assembleias Legislativas dos estados e as Câmaras de Vereadores. Além disso, o AI-5 estabeleceu a censura prévia a tudo que se possa imaginar: a censura foi estabelecida não só na comunicação social — jornais, rádios e TV —, mas também em todas as expressões artísticas. Isso deu vigência plena à doutrina de Segurança Nacional.

Depois daquele discurso de Márcio Moreira Alves, nós já estávamos esperando que alguma coisa iria acontecer, mas não imaginávamos que seria algo com a gravidade que aconteceu, de forma tão radical. Com o AI-5, a repressão voltou forte e com requintes de uma crueldade que antes não havia acontecido. Tivemos que tirar muitas pessoas do país, porque a perseguição começou a se dar de uma forma indiscriminada: se suspeitassem que alguém tivesse feito isso ou aquilo, já era razão suficiente para a perseguição. O AI-5 estabeleceu uma possibilidade de prisão sem fundamentação jurídica, sem direito a acesso a advogado ou aos familiares. Para temas de “crimes políticos” não havia possibilidade de habeas corpus, que também foi suspenso com o AI-5.

Foi difícil dar conta de proteger todos aqueles que novamente vieram a ser perseguidos. Lembro disso muito bem, porque isso foi gerando consequências. Como a repressão endureceu muito, começamos a perceber que os serviços de inteligência do exército, da marinha, da aviação, da polícia federal e militar, começaram a agir de forma desenfreada, nos dando um trabalho imenso.

 

IHU On-Line — Como o AI-5 interferiu na sua atividade de retirar pessoas do país naquele momento?

Jair Krischke — Passamos a viver com muita cautela e cuidado, porque sabíamos que a repressão estava aí, que éramos vigiados e que a qualquer momento um de nós poderia ser preso. Por exemplo, mesmo nas nossas reuniões, quando uma pessoa na qual não confiávamos muito estava presente, para não tocar em assuntos delicados sobre a segurança de outras pessoas, tínhamos uma norma: qualquer um de nós, ao perceber que a presença de alguém era problemática, perguntava “que horas são?”; esse era o nosso sinal de alerta.

 

IHU On-Line – Isso acontecia com muita frequência?

Jair Krischke — Não com muita frequência, mas acontecia. Assuntos sensíveis eram compartimentados e o próprio processo para retirar pessoas do Brasil passou a ser bastante compartimentado: quando alguém saía de São Paulo e ia até o Paraná, não sabia quem seria o responsável pelo trecho que o levaria do Paraná até Santa Catarina, que por sua vez não sabia quem seria o responsável pelo trecho de Santa Catarina até o Rio Grande do Sul. Se informava apenas que uma pessoa estaria no tal local, com uma camisa branca e com um exemplar do jornal Correio do Povo embaixo do braço, ou que uma moça com um lenço branco amarrado na bolsa estaria em tal local. Não se informava quem eram essas pessoas, mas se davam sinais de como encontrá-las.

Eu tomei uma decisão nesse momento: todas as manhãs quando despertava, prometia a mim mesmo “hoje não vou ficar paranoico”. Isso valia por 24 horas. Quando você se envolve nesse tipo de atividade e sabe que há uma repressão muito forte, que qualquer descuido vai impactar a vida de alguém, a tendência à paranoia aumenta.

Nós passamos a ser seguidos e tivemos que aprender a evitar o seguimento. De repente estávamos circulando de automóvel e achávamos que o carro de trás estava nos seguindo. Nessa situação, tentávamos atrair o carro para uma sinaleira que estivesse fechando e tratávamos de cruzar no último momento. Se o carro que vinha atrás também cruzava, era porque estava nos seguindo. Então, várias vezes eu e meus companheiros fazíamos esse teste e muitas vezes o carro seguia mesmo e tínhamos que dar um jeito de mudar o trajeto ou mudar de carro, e fizemos isso muitas vezes.

 

IHU On-Line — Como o senhor e outros se articularam para fazer frente ao AI-5? Houve essa possibilidade?

Jair Krischke — Nós lutávamos contra um poder realmente imenso e não podíamos ser tolos a ponto de achar que poderíamos enfrentar as Forças Armadas no seu terreno; sabíamos que deveríamos enfrentá-la com inteligência. E isso nos levou a criar mecanismos de defesa, como aquele da pergunta “que horas são?” ou mesmo esses testes para ver se estávamos sendo seguidos, ou seja, desenvolvemos uma série de mecanismos de defesa porque começamos a entender como o aparelho repressivo passou a funcionar depois do AI-5.

Nós não tínhamos como reagir e não tínhamos como enfrentar os militares no campo da força. Tivemos que estudar o inimigo, ver suas fraquezas e explorá-las. Aqueles grupos que resolveram enfrentá-los, o fizeram com a maior generosidade que se pode imaginar, e aqueles jovens que ingressaram na luta armada para ir para o enfrentamento pagaram um preço altíssimo. Nós do Movimento de Justiça e Direitos Humanos fizemos uma avaliação do que poderia ser feito. A nossa primeira avaliação foi a de que nenhum de nós iria sair do país. A segunda avaliação foi examinar quais eram as condições para operar salvando pessoas. Decidimos, então, estudar como os militares agiam, nos prevenir e fazer aquilo que achávamos que tínhamos que fazer. O nosso maior prejuízo foi em novembro de 1969, quando vários companheiros foram presos.

Nessa época, em novembro de 1969, o aparelho repressivo já estava bastante azeitado, funcionando a mil, e montou o assassinato de Carlos Marighella. Os militares dizem que foi um enfrentamento, mas foi uma execução. Nessa ocasião também foram presos os dominicanos, entre eles o Frei Betto. Em decorrência disso, muitos companheiros nossos foram presos.

 

IHU On-Line – Esse foi o período mais tenso de toda a ditadura para o senhor?

Jair Krischke — Sim, foi o mais tenso porque toda essa estrutura repressiva agia por sua própria conta, praticando barbaridades, sem freio ético e moral. O grande comandante desse período foi o famoso delegado Sérgio Paranhos Fleury, e se deve a ele todas as barbaridades que se possa imaginar, como o Esquadrão da Morte.

Em novembro de 1969 eu passei todo o mês esperando ser preso, porque tive que “colocar a cabeça para fora” para tirar os companheiros que estavam presos no Departamento de Ordem Política e Social - DOPS, mas não fui preso. Essa é uma outra história.

Alguns militares chamavam a ditadura de guerra psicológica, porque também era uma guerra psicológica. O Brasil, comparado com outros países da região, não teve tantos mortos e desaparecidos. Em termos proporcionais, a Argentina, que tinha à época 40 milhões de pessoas, teve 30 mil desaparecidos na sua ditadura, e o Brasil, que à época tinha 90 milhões de pessoas, não chegou a registrar 500 mortos e desaparecidos. Por quê? Por ser uma ditadura branda? Não, porque a ditadura foi uma repressão seletiva e feita com o objetivo de criar terror e pavor na sociedade brasileira. E ela criou um pavor tão grande, que nós ainda hoje não discutimos os assuntos relativos ao aparelho repressivo.

Há uma negativa porque à época as pessoas tinham medo de falar sobre isso. As pessoas viviam a sensação de terror de que a qualquer momento poderia acontecer alguma coisa com elas. Isso porque, quando se estabelece um regime de exceção, pode acontecer de tudo, como aconteceu. Pessoas que não tinham nada a ver com a contestação da ditadura foram presas. Aqueles que foram presos e que não tinham nada que ver foram os mais torturados, porque os repressores imaginavam que estavam diante de um durão que não queria contar o que sabia e o torturavam mais.

 

IHU On-Line — Qual foi a sua reação quando o AI-5 foi revogado?

Jair Krischke — Nós do grupo Movimento de Justiça e Direitos Humanos estávamos esperando que isso acontecesse. Então, quando começaram a anunciar que possivelmente o AI-5 deixaria de existir em 31 de dezembro de 1978, já começamos a projetar uma série de reuniões para tornar o Movimento de Justiça e Direitos Humanos oficial. Assim, em janeiro de 1979 conseguimos reunir, uma vez por semana, umas 30, 40 pessoas para tratar da organização do Seminário de Justiça e Direitos Humanos. Ao final do seminário foi proposta a criação do Movimento, oferecemos um estatuto que foi aprovado e elegemos a primeira diretoria. Desde outubro de 1978 já tínhamos claro que, ao cessar a vigência do AI-5, tínhamos que “pendurar o bilhete no pescoço do tigre”.

Cumprimos as exigências legais para oficializar o Movimento e fomos ao cartório para registrá-lo. Eu conhecia o oficial do cartório, mas ele não quis registrar o Movimento. Deixei o documento lá e voltei depois de uns dez dias, mas o oficial já estava com a negativa pronta e assinada. Como ele negou o registro por escrito, nós recorremos, entramos com uma ação na Justiça e, por sentença judicial, o Movimento foi registrado em agosto de 1980. Então, quem era o apavorado nessa história toda? Era alguém que tinha posse de direito. Resumindo, quando a imprensa noticiava que o Geisel iria anunciar o fim do AI-5, nós aproveitamos para estabelecer o Movimento.

 

IHU On-Line — Retrospectivamente, 50 anos depois, que avaliação faz da instituição do AI-5 no Brasil? Quais foram os impactos políticos do AI-5 para o país e como o senhor lembra desse momento da história brasileira, do qual participou?

Jair Krischke — O AI-5 produziu um retrocesso brutal na sociedade brasileira, porque se estabeleceu um autoritarismo muito maior do que o do golpe de 64. Esse é um militarismo que vigorou de 1968 a 1978, por dez anos, mas com tal violência que isso ficou inculcado nos brasileiros. Se observarmos, sociologicamente, não nos livramos ainda desse autoritarismo, pois ele conseguiu ingressar na epiderme do brasileiro.

 

IHU On-Line — Que comportamentos e ações indicam isso?

Jair Krischke — As violações aos direitos humanos. Quem viola os direitos humanos no Brasil? O Estado brasileiro, e isso tem a ver com esse autoritarismo: se “a autoridade decidiu, está decidido”, mesmo se for uma ilegalidade e mesmo que sejam atos nada republicanos. Lamentavelmente, muitas pessoas, por ignorância, entendem que é assim mesmo. Conversando com um rapaz de aproximadamente 23 anos que foi barbaramente agredido pela polícia, disse a ele que a agressão era um absurdo, e ele me perguntou se a polícia não poderia bater nele. Isso acontece porque o autoritarismo acabou indo para o DNA das pessoas e se acha que a tal autoridade “pode tudo”. Isso atingiu profundamente o povo brasileiro e ainda não conseguimos nos livrar dessa aceitação do autoritarismo.

 

IHU On-Line — Que questões centrais precisam ser tratadas no país para repensarmos o papel autoritário do Estado brasileiro, 50 anos depois do AI-5?

Jair Krischke — Em primeiríssimo lugar, a plenitude do exercício da cidadania. Isto é, o Estado brasileiro precisa entender que o cidadão tem direito a ter direitos e o Estado tem que ser o primeiro a garantir esse direito. O Estado tem que ser o garantidor de direitos e nós precisamos avançar quanto a isso; é um exercício da cidadania. Se formos ao Uruguai, veremos que o povo uruguaio tem uma consciência muitíssimo maior do que a nossa em termos de cidadania, em não admitir que seus direitos sejam desrespeitados. Isso é sensível a qualquer pessoa. Qualquer pessoa do povo tem muito claro que, como cidadão, tem direitos.

Isso é interessante porque, no Brasil, costuma-se dizer que os defensores dos direitos humanos “são só defensores de bandidos”; nos acusam de mil coisas. No Uruguai, na Argentina, no Chile ou no pequeno Paraguai, quem lida com direitos humanos é respeitado, até o Estado respeita. No Brasil isso não ocorre e é assim por consequência da ditadura, porque quem enfrentava os milicos como exercício da cidadania, quem cobrava do Estado, éramos nós. Por isso, passamos a ser os inconvenientes para a ditadura. E essa ditadura acabou criando uma guerra psicológica, induzindo as pessoas a fazerem a leitura de que quem os denunciava era amigo de bandido, porque quem lutou contra a ditadura era chamado de terrorista. Veja, chamar alguém de terrorista tem como implicação que a pessoa tenha praticado um ato terrorista, logo, não era verdade.

As pessoas que foram vítimas da ditadura nunca mais esquecem: o sono não é tranquilo, volta e meia todo aquele terror do qual você foi vítima te assalta de novo. As pessoas que foram vítimas dessa truculência nunca mais puderam dormir tranquilas, e nós vamos carregando essa cruz.

 

IHU On-Line — O senhor também tem esse tipo de sentimentos ao lembrar do passado?

Jair Krischke — Tenho companheiros que trabalham comigo, especialmente aqueles que foram presos mais jovens, que não se livram disso. Tenho colegas que até hoje fazem tratamento psiquiátrico por terem a síndrome do pânico e não conseguirem sair de casa. Por exemplo, tenho uma amiga que ainda está trabalhando, mas tem dias que seu marido vai levá-la para o trabalho e, quando vai se aproximando do local do trabalho, ela começa a tremer, suar e tem que voltar para casa. Isso fica!

Como todos os dias eu fazia o exercício de dizer para mim mesmo “hoje não vou ficar aloprado”, isso me defendeu, claro que me defendeu muito; eu procurei criar um antídoto. Mas, é evidente, há situações que lembram claramente, por exemplo, quando a sua vida era posta em risco. Essas coisas são muito gozadas porque, de repente, lá adiante, é que isso vai aparecer: andamos pela vida bastante tempo e de repente aquelas coisas do passado começam a te fustigar. Digo isso por companheiros meus que, 30 anos depois, começaram a sentir problemas. Isso o doutor Freud deve explicar.

 

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