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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

25
Ago23

BRICS-Plus, a incontornável nova ordem mundial

Talis Andrade
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 

por Carol Proner

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O BRICS ampliado tornou-se realidade. Dos mais de 40 pedidos de ingresso em diferentes níveis de formalização, foram admitidos seis novos membros com mandato a partir de 2024. Com Arabia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Argentina, o grupo de 11 países representará 36% do PIB mundial em paridade de compra e 46% da população do planeta, tornando-se o arranjo econômico mais impactante em produção de petróleo, gás natural e alimentos.

É destaque na imprensa de todo o mundo que o BRICS segue aberto a novas candidaturas desde que sejam cumpridos requisitos de admissibilidade aprovados nesta 15ª Cúpula realizada na África do Sul. Contrariando fortes interesses do mundo unipolar, o Bloco criado em 2011 aparece como resposta aos fracassos e falhas constatadas nas organizações multilaterais de comércio e de finanças associadas ao sistema ONU e sequestradas pelas amarras da dolarização e das sanções econômicas coercitivas unilaterais.  

O Brics é, portanto, uma realidade tendencialmente expansiva e, com a mediação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), certamente vai acelerar o surgimento de uma nova arquitetura financeira mundial.

Não surpreende que a imprensa hegemônica no Brasil noticie a expansão do Bloco com os habituais clichês e preconceitos alinhados ao “atlantismo” ou ao imperialismo. Para entender a importância do que está por vir, é preciso diversificar as fontes de informação. Como ponto de partida, vale ouvir os pronunciamentos dos líderes para entender que o que se pretende tem a ver com a sobrevivência de países em desenvolvimento diante da constatação de que estão em franco encolhimento econômico, social e humano.

Para usar uma régua de medida da própria ONU, dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) rumo a 2030, metade estão atrasados e a outra metade sofre estagnação ou retrocesso. Esse foi o argumento de Lula no encerramento da Cúpula em Joanesburgo e ele tem absoluta razão. De fato, os medidores de direitos humanos e de democracia regridem de forma generalizada em todo o mundo. Os extremismos e a violência explodem em diversos lugares e mais uma vez estamos sob ameaça de uma guerra nuclear.

De modo geral, a ONU nunca esteve tão questionada quanto aos seus objetivos e métodos de preservação da paz. O sistema de segurança, criado para evitar conflitos armados, já bastante desgastado pelo uso das falsas operações de intervenção humanitária, está atualmente inviabilizado pelo enfrentamento entre membros e pelas amarras de funcionamento que demandariam a refundação do mecanismo. Por outro lado, os propósitos organizativos e universais da Carta de São Francisco sucumbem diante da insistência de alguns em restaurar a lógica da guerra fria e da guerra contra o terror.

É inútil evitar o tema da instrumentalização dos organismos internacionais e suas estruturas financiadas por potências interessadas, castigando sociedades inteiras submetidas a sanções e bloqueios ilegais. Esta já seria uma razão suficiente para que diversos países procurassem outro sistema de organização que lhes fosse mais favorável, aliando emergência de paz à emergência climática.

Tem razão Lula quando diz que o combate à mudança do clima é uma oportunidade de repensar o modelo de financiamento, comércio e desenvolvimento. Tem mais razão ainda quando repete o que disse na Cúpula da Amazônia, realizada em Belém, que a transição energética não pode repetir a relação de exploração colonial.

Segundo a posição brasileira, o mundo precisa de soluções que diversifiquem e agreguem valor à produção econômica com responsabilidade social, ecológica e climática. E esse tema traz para o centro do debate o papel dos grandes produtores de petróleo e gás para viabilizar a inadiável transição energética.

Países em desenvolvimento com biomas florestais abundantes estão prontos para ensinar ao mundo desenvolvido formas sustentáveis de ampliar a produtividade agrícola, gerar renda e oferecer proteção social, e essa é a proposta que será desenvolvida a partir da gestão estratégica das bacias da Amazônia, do Congo e do Borneo-Mekong mencionadas no discurso brasileiro.

Como se vê, as críticas generalizadas à expansão do BRICS, além de distorcidas, perdem a chance de reconhecer o papel do Brasil na liderança internacional. A começar pela Presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, a cargo de Dilma Rousseff, deveríamos ser capazes de reconhecer que, por onde passa, Lula e sua equipe contaminam de otimismo e esperança os fóruns e as agendas internacionais.

O Brasil vai assumir a presidência do G20 e já anuncia que vai recolocar a redução das desigualdades no centro da agenda internacional, bem como o tema dos bancos públicos e fundos públicos para o fortalecimento da democracia.

Tendo sido realizado na África, o encontro dos BRICS foi a oportunidade para o Brasil anunciar a retomada das parcerias com o Sul Global e os projetos com o continente africano e uma nova agenda de cooperação entre os países que têm vínculo histórico e raízes comuns.

É nesse sentido que a expansão do BRICS é inevitável e, apesar da diversidade política e cultural na gestão de direitos e da democracia nos diversos países e continentes, pode representar um ajuste inovador e de futuro diante de uma ordem internacional desgastada e em franco declínio.

23
Ago23

Um Brasil de margaridas e mães bernadetes

Talis Andrade
Mulheres agricultoras realizam a 7ª Marcha das Margaridas. O evento, que é feito de quatro em quatro anos, traz para a capital federal as pautas políticas das mulheres do campo, da floresta, das águas e das cidades. A última edição foi em 2019. Desta vez, o lema é “Pela Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver”. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

por Susana Prizendt

OutrasPalavras

Em seu poema mais famoso, Drummond afirma que havia uma pedra no meio do caminho. É uma constatação que todos nós fazemos e refazemos continuamente, já que é comum encontrarmos obstáculos nas trilhas que percorremos ao longo da vida. Só que as tais pedras costumam ser mais duras e pesadas nas trilhas de quem já nasceu em áreas de conflito, como é o caso dos territórios em que a concentração fundiária e a exploração de seres humanos e da natureza são práticas seculares.

No Brasil, país continental em que quase 50% das áreas agrícolas se situam em menos de 1% das propriedades, a realidade de quem nasce em uma família sem um pedaço de terra para chamar de seu é descobrir desde cedo como encontrar um caminho no meio de tantas pedras pesadas. E é nessa busca diária pela sobrevivência, que muitas pessoas encontram motivos poderosos pelos quais lutar: justiça social, direitos, sacralidade da vida em todas as suas instâncias. Conceitos que parecem abstratos, mas que, se o que representam não está presente de fato – como é o caso do que ocorre na maioria das comunidades humanas – geram consequências muito concretas na realidade de quem está do lado menos favorecido.

Sim, há dois lados na estrada. O lado de quem detém o poder e a posse de bens, dos que são acometidos por uma ganância constante, que leva à tentativa de se apropriar mais e mais do que deveria ser de outrem. E, embora nem todos os homens se encontrem desse lado, ele é, sem dúvida, masculino. Se você tem alguma dúvida, basta olhar para as pessoas que estão em cargos de tomada de decisão nas grandes empresas, no poder público nacional ou nos organismos internacionais; para quem detém os maiores patrimônios; para os que são obedecidos e temidos pela população em geral. Sim, são majoritariamente homens e, também, majoritariamente brancos.

Do outro lado da estrada – o lado mais pedregoso – se encontra a população cuja cor de pele destoa das tonalidades expressas pela branquitude. São os descendentes dos povos indígenas, que habitavam milenarmente nosso território e foram acuados, a partir de 1500, vítimas da ambição, das armas e das doenças que chegaram junto com os invasores. São os descendentes dos povos africanos, dos que foram trazidos para cá à revelia, forçados a trabalhar até a morte para alimentar um sistema de brutal exploração que só beneficiou uma minoria de origem europeia.

Mas, ao usar o termo “os”, no masculino, estamos passando por cima de um fato essencial: o fato de que, mesmo em meio aos desfavorecidos, há diferenças; o fato de que, na parte mais empedrada desse caminho, quem nós iremos encontrar, invariavelmente, somos nós, as mulheres. Uma prova irrefutável disso é a insegurança alimentar que assola as casas sustentadas por mulheres. De acordo com o II Vigisan – 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil – realizado pela Rede PENSSAN, o nível considerado grave chega a 39,5% nas famílias sustentadas por mulheres negras, enquanto nas famílias sustentadas por homens negros ele é de 34,3%. No topo do ranking das famílias com mais acesso à uma alimentação considerada suficiente estão as que são sustentadas por homens brancos, como já era mais do que esperado, frente à história secular de domínio que eles vêm exercendo no país. 

 

Transformar a Praça dos Três Poderes em um Jardim

 

Num outro poema celebrado de sua obra, nosso querido Drummond menciona que uma flor brotou no asfalto. Em meio a uma superfície árida, endurecida, embrutecida, algo tão delicado – e surpreendentemente vivo! – conseguiu brotar. Rompeu as camadas densas que isolavam terra e céu. Revelou que, se há a dureza da pedra, também há a resiliência da planta, também há a ousadia da flor. É a natureza manifestando seu impulso de sobrevivência, sua capacidade de superar os obstáculos que a civilização humana, conduzida por uma elite de homens brancos, tenta nos impor.

Mas, se no caso do verso do nosso poeta, o que brota é uma criatura quase intangível – que ele classifica como feia –, na realidade brasileira podemos encontrar muitas outras manifestações de resistência (e até de pujante fertilidade) que irradiam vigor e beleza. E é justamente uma explosão da energia mobilizada por um conjunto crescente desses seres que pudemos testemunhar no dia 16 de agosto. A capital do país, lugar marcado pela imponência do concreto e pelo exercício do controle masculino sobre a vida de tudo que em nossos territórios habita, recebeu a 7ª edição da Marcha das Margaridas

Região central de um território multiétnico, espaço de aparência sóbria em que homens de ascendência predominantemente branca circulam de terno escuro em seus carros oficiais ou em seus jatinhos, cidade das utopias e das distopias do ontem e do hoje, a nossa Brasília, sempre tão apartada das massas populares, se encheu de cores, texturas, cheiros e sons, antecipando a chegada da primavera. Foram mais de 100 mil mulheres que vieram dos campos, das cidades, das florestas e das águas para unir suas vozes em um clamor por sua liberdade de existir de forma digna e plena, rompendo com a opressão que o patriarcado lhes impõe há tantos séculos. 

De todos os cantos do Brasil – e até de fora dele, pois o encontro contou com representantes de 33 outros países –, surgiram bandeiras, estandartes, vestidos, colares… mas também mãos calejadas, rostos curtidos pelo sol, cicatrizes de partos e de lutas, memórias de dor e de gozo de quem se manteve de pé em meio aos furacões erguidos nos ares pelos preconceitos, pela discriminação, pela misoginia, pela exploração de sua força de trabalho e pela negação de direitos fundamentais até sobre seus próprios corpos. De quem nunca se resignou frente às várias formas de violência – explícitas ou silenciosas.

A ação política feminina de maior amplitude da América Latina mostrou a que veio, reafirmando o compromisso assumido pela mulher que a ela deu o nome, a líder camponesa Margarida Maria Alves, que há 40 anos atrás foi assassinada pela oligarquia agrária do Nordeste. Trata-se de um crime que está longe de ter sido um caso isolado ou único, mas que já se repetiu muitas vezes e segue se repetindo e tingindo nosso solo de sangue, como deixa nítido outra brutal demonstração de violência, ocorrida no dia 17 deste mês, apenas um dia após a Marcha se espraiar pela nossa capital, o assassinato de Mãe Bernardete Pacífico, ialorixá e líder da Comunidade Remanescente de Quilombo Pitanga de Palmares, à frente da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.

Nas quatro décadas decorridas entre um crime e o outro, nosso país seguiu imerso em uma verdadeira guerra civil, em que corpos negros e indígenas são constantemente tombados pela polícia, pelas milícias rurais e urbanas, pela miséria e pela fome. Com o golpe ocorrido em 2016, esse tipo de violência contra a vida se ampliou, ganhou apoio governamental e uniu forças com os setores que praticam a intolerância religiosa, como as igrejas fundamentalistas neopentecostais, em um processo de opressão e perseguição a todxs que não se enquadram nos estreitos padrões que o conservadorismo prega.

Mãe Bernardete foi morta dentro do terreiro em que era ialorixá. No espaço sagrado no qual praticava sua fé junto com sua comunidade quilombola. Ela era negra, ela era de uma religião de matriz africana, ela era uma liderança social e política. Por tudo isso, foi vista como uma pedra no caminho dos que querem manter privilégios e alimentar preconceitos. Através das mãos destes, foi brutalmente removida da estrada.

Mas o que os donos dessas mãos não compreendem é que, muito longe de serem um pedaço de rocha, embora tenham revelado imensa força em suas posturas, seres como Margarida Alves e Mãe Bernardete são feitas de material vivo, pulsante, que pode até tombar, mas que rebrota. São feitas dos mesmos ingredientes que compõem as flores. Assim, são capazes de romper a dureza do mundo e conseguir brotar em plena aridez. E, quando as pétalas se vão, vêm os frutos e as sementes, em um processo de renovação da vida que nunca poderá ser contido.

É o impulso ancestral de Gaia, de nossa Pachamama, das orixás e das cunhatãs. É com esse impulso vivo dentro de nós que seguiremos brotando. Exigimos não apenas justiça pelos crimes sofridos, exigimos o reconhecimento de tudo o que somos, de todos os direitos que nossa existência no mundo nos assegura, seja qual for nossa cor de pele, nossa crença, nossa herança. Somos flores e, como diz o poema, furamos o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Setembro virá e a fertilidade da Mãe Terra encherá novamente os caminhos de pétalas coloridas, mesmo onde as pedras forem densas. Não, eles não vão deter a primavera.

09
Mai23

Lula sobre a taxa de juros: Roberto Campos não tem compromisso com o Brasil

Talis Andrade

foto: Ricardo Stuckert

Lula, na coletiva: "Se eu, como presidente, não puder reclamar dos equívocos do presidente do Banco Central, quem vai reclamar? O presidente americano?

 

“Os varejistas, os empresários, os trabalhadores não suportam mais a taxa de juros. O desemprego está mostrando a sua cara no setor de comércio, muitas lojas estão quebrando, fechando”, alertou Lula, em Londres

 

Para manter o plano de sabotar o desenvolvimento e a soberania econômica do país, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, decidiu, na semana passada, manter a taxa Selic no mesmo nefasto patamar de 13,75%. Pela sexta vez consecutiva. A descabida justificativa de Neto para sabotar a atividade produtiva, a inflação, no entanto, caiu por terra mais uma vez. Durante entrevista coletiva em Londres, no Reino Unido, no sábado (6), o presidente Lula nocauteou o argumento de que é preciso segurar os juros porque a inflação continua longe do centro da meta de 3,25% estabelecida para 2023.

Assista a série “Banco Central de Bolsonaro: sabotador da economia brasileira”, em seis episódios

“Nós não temos inflação que garanta qualquer argumento de [alguém] dizer, nós precisamos manter a taxa de juros alta porque [senão] não iremos cumprir a meta. Nem quero discutir isso outra vez porque, a meta, é o Conselho Monetário que determina”, apontou Lula, durante a coletiva.

“Se determinar 1%, 0%, vai ser mais difícil alcançar. Com 3%, ele não está alcançando. Ora, você pode mudar [a meta] a hora que você quiser”, sugeriu o presidente. “A sociedade brasileira, os varejistas, os empresários, os trabalhadores não suportam mais a taxa de juros. O desemprego está começando a mostrar a sua cara no setor de comércio, muitas lojas estão quebrando, fechando”, alertou.

“Outro dia, eu o vi dando uma entrevista, dizendo que, para atingir a meta de 3%, a taxa de juros deveria ficar acima de 20%. Tá louco?”, perguntou o presidente. Esse cidadão não pode estar falando a verdade”.

“Se a gente quiser gerar emprego no país, temos de ter crédito para o trabalhador, para o pequeno e médio empreendedor, para as grandes empresas. Senão o país não cresce”, explicou o petista.

Dinheiro circulando

“Preciso de um país que tenha um Banco do Brasil, uma Caixa Econômica, um BNDES, um BNB (Banco do Nordeste), um Base (Banco da Amazônia) com capacidade de emprestar, porque se não tiver dinheiro circulando, não tem desenvolvimento econômico”, advertiu Lula. “O Brasil não tem mais carro popular. Como é que um pobre que trabalha vai comprar um carro de R$ 70 mil?”

“Nunca me viram bater no Banco Central”, afirmou o presidente, durante a coletiva. “Eu não bato no Banco Central, porque o Banco Central não é gente, é um banco. O que eu discordo é da política. É isso. Quem concorda com a política de juros a 13,75%, defenda publicamente. Eu não concordo”, sentenciou.

“Se você tem compromisso com o crescimento da economia, com geração de emprego e com inflação, cuide dos três. Com os juros a 13,75%, os outros dois [economia e emprego] não serão cumpridos”, destacou.

Autonomia do BC

“Eu não discuto autonomia do Banco Central”, avisou o presidente. “Eu duvido que esse cidadão tenha mais autonomia do que o Henrique Meirelles [ex-presidente  do BC]. O Meirelles tinha a responsabilidade de ter um governo discutindo com ele, olhando as preocupações. Esse cidadão não tem”, avaliou Lula.

“Ele tem compromisso com o Brasil? Não tem. Ele tem compromisso com o outro governo, que o indicou, é importante ficar claro. Ele tem compromisso com quem gosta de taxa de juros alta”, disse, referindo-se ao mercado financeiro.

“Se eu, como presidente, não puder reclamar dos equívocos do presidente do Banco Central, quem vai reclamar? O presidente americano? Então, me desculpem, o Banco central tem autonomia mas não é intocável”.

14
Abr23

Em Pequim, Lula se encontra com Xi Jinping e defende maior 'equilíbrio da geopolítica mundial'

Talis Andrade
 
 
Movimento de aperto de mãos com bandeiras da China e do Brasil
O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente brasileiro, Lula, em Pequim. 14/04/2023
O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente brasileiro, Lula, em Pequim. 14/04/2023 © Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido na tarde desta sexta-feira (14) pelo líder chinês, Xi Jinping. O encontro entre os dois líderes é o ponto alto da visita do chefe de Estado brasileiro a Pequim. Antes da reunião com Jinping, Lula esteve com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, no Grande Palácio do Povo, sede do governo chinês.

No encontro com Leji, Lula ressaltou o interesse do Brasil em estreitar os laços com Pequim: "Queremos elevar o patamar da parceria estratégica entre os dois países, ampliar fluxos de comércio e, junto com a China, equilibrar a geopolítica mundial". 

O presidente brasileiro lembrou que o país asiático foi um parceiro essencial para a fundação do grupo Brics, que reúne as potências emergentes Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul. Os esforços para intensificar as relações bilaterais para estabelecer uma nova dinâmica do eixo sul-sul foram destacadas por Lula.

"É importante dizer que a China tem sido uma parceria preferencial do Brasil nas suas relações comerciais. É com a China que a gente mantém o mais importante fluxo de comércio exterior", afirmou, acrescentando que, com o país asiático, o Brasil tem sua maior balança comercial.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2022, a China importou mais de US$ 89,7 bilhões em produtos brasileiros e exportou quase US$ 60,7 bilhões para o mercado nacional. O volume total comercializado aumentou 21 vezes desde a primeira visita de Lula ao país, em 2004, informou o governo federal.

De acordo com dados oficiais, entre 2007 e 2021, o país foi o quarto principal destino internacional de investimentos chineses. Brasília ainda informa que os setores com maiores aportes chineses foram eletricidade (45,5%), extração de petróleo e gás (30,9%).

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Assembleia Popular nacional da China, Zhao Leji. 14/04/2023
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Assembleia Popular nacional da China, Zhao Leji. 14/04/2023© Ricardo Stuckert

 

Equilibrar a geopolítica mundial

Além de reforçar a parceria econômica, Lula pretende também atuar com os chineses em questões internacionais. "Junto com a China estamos tentando equilibrar a geopolítica mundial, discutindo os temas mais importantes", declarou Lula nesta sexta-feira.

Na visita à Assembleia Nacional Popular, o chefe de Estado esteve acompanhado de parlamentares que, com o líder chinês, destacaram a importância de ampliar investimentos e a parceria para o desenvolvimento de projetos em setores como educação e espacial.

Na sequência do encontro com Zhao Leji, Lula e a comitiva participaram de uma cerimônia na Praça da Paz Celestial, depositando flores no monumento Heróis do Povo.

Publica BBC News

Como deve mudar relação do Brasil com a China no novo governo Lula

13
Abr23

"Brasil está de volta à cena internacional", diz Lula na China em posse de Dilma no Banco do Brics

Talis Andrade

O presidente iniciou sua agenda oficial nesta quinta-feira (13) com uma visita ao centro de pesquisa e desenvolvimento da marca Huawei, uma das principais empresas de tecnologia chinesas, e se reunirá com importantes empresários do país. À noite, Lula terá um encontro e um jantar com o Secretário-Geral do Partido Comunista em Xangai, Chen Jining.

Lula e Dilma em Xangai, durante a cerimônia de posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o Banco dos Brics,
Lula e Dilma em Xangai, durante a cerimônia de posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o Banco dos Brics,© Ricardo Stuckert

 

O primeiro compromisso de Lula aconteceu em Xangai, com a cerimônia de posse de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o Banco do Brics, grupo formado pelas economias emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

A visita oficial à China, principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, estava inicialmente marcada para os dias 25 a 31 de março, mas foi adiada devido a uma pneumonia de Lula, de 77 anos.

Em um discurso de cerca de meia hora, Lula disse que o tempo em que o Brasil esteve ausente das grandes decisões internacionais ficou no passado. "Estamos de volta ao cenário internacional após uma inexplicável ausência. Temos muito a contribuir com questões centrais do nosso tempo, a exemplo da mitigação da crise climática, do combate à fome e da desigualdade", frisou. 

"É inadmissível que a irresponsabilidade e a ganância de uma pequena minoria coloquem em risco a sobrevivência do planeta e de toda a humanidade. O Brasil está de volta com a disposição de contribuir novamente para a construção de um mundo mais desenvolvido, mais justo e ambientalmente sustentável", afirmou o presidente, dizendo que gostaria de compartilhar a "experiência de desenvolvimento econômico e inclusão social" aplicada por ele e a ex-presidente Dilma Rousseff em seus governos.

Lula também lembrou que as mudanças climáticas, a pandemia e os conflitos armados "impactam negativamente as populações vulneráveis e os objetivos de desenvolvimento sustentável passam por graves retrocessos." Por isso, frisou o presidente, muitos países em desenvolvimento "acumulam dívidas impagáveis."

Neste contexto, ressaltou Lula, a criação do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento) foi um marco na atuação conjunta dos países emergentes, "por suas dimensões, tamanhos de suas populações, pesos de suas economias e influências que exercem em suas regiões e no mundo." 

De acordo com Lula, "a falta de reformas efetivas das instituições financeiras tradicionais limitam o volume e as modalidades de crédito dos bancos já existentes. Pela primeira vez, um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial, livre das amarras e constitucionalidades impostas pelas instituições tradicionais", ressaltou.

"Fim da submissão dos países em desenvolvimento"

Isso possibilita financiar projetos com moedas locais. "Não queremos ser melhor do que ninguém. Queremos as oportunidades para expandir nossas potencialidades e garantir aos nossos povos dignidades, cidadania e qualidade de vida. Por isso, além de continuar trabalhando pela reforma do FMI, da ONU e do Banco Mundial, e pela mudança das regras comerciais, precisamos usar de maneira criativa o G-20, que o Brasil presidirá em 2024, e os BRICS, em 2025", disse. Ele salientou que o Banco dos BRICS representa o "fim da submissão" dos países em desenvolvimento às instituições internacionais.

"Estou certo de que a experiência da presidenta Dilma ao governar o Brasil, se renovará à frente desse importante instrumento para o desenvolvimento dos países", acrescentou Lula, dizendo que sua presença representa o compromisso com os Brics. "Fico feliz por ter uma mulher à frente desse banco: uma mulher forte e com muita experiência", disse. Lula conclui dizendo que a criação de um Banco do Sul "era um sonho" que ele teve nos oito anos à frente da presidência.

Em seu discurso de posse na presidência do NDB, Dilma Roussef destacou o projeto de reforçar o uso de outras moedas além do dólar nas transações internacionais. "Vamos desenvolver modelos de financiamento inovadores, capazes de alavancar recursos públicos e privados para obter o máximo impacto. Captaremos recursos dos mais diversos mercados mundiais, em diferentes moedas, como o renmimbi (yuan), o dólar e o euro. Buscaremos ainda financiar nossos projetos em moedas locais, privilegiando o mercado doméstico e diminuindo a exposição às variações cambiais."

Visita a Pequim

Na noite desta quinta-feira, o presidente brasileiro viaja para Pequim, onde se reunirá com o chinês Xi Jinping, nesta sexta. Na pauta, está o reforço das relações bilaterais, com a expectativa de firmar cerca de 20 acordos em diversas áreas, em especial em áreas como tecnologia, infraestrutura e energia. Os dois líderes também devem abordar o conflito na Ucrânia, em que o Brasil tem tentado se inserir num papel de mediação. 

A comitiva brasileira em Pequim reúne 40 autoridades, entre as quais oito ministros, além de dezenas de empresários.  Antes de deixar o Brasil, Lula disse que planejava convidar o presidente Xi para uma visita ao país, "para mostrar os projetos que temos de interesse de investimento dos chineses".

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22
Mar23

Yanomami: O sonho tormentoso de Deus

Talis Andrade
Foto: Ricardo Stuckert

 

Em textos poéticos, a angústia frente ao eterno retorno da tragédia dos povos da Amazônia. O Criador vislumbra o impasse da destinação de suas criaturas. Tudo em nome da “poeira brilhante na lama”, como definiu Davi Kopenawa

 

 

O PESADELO DIVINO

Num sonho tormentoso, Deus se vê falando a Motociata e Motosserra, ilustres ninfocidas e guardiãs do recém-criado décimo círculo infernal.

1. Há muito contemplo o caminho que percorreis. Conheço as vossas tramas e os vossos ardis. Bem sei do que sois capazes.

2. Agora, pois, atentai à minha palavra: Eis que ponho inimizade eterna entre vós e os ribeirinhos, e selo convosco uma firme aliança, simbolizada por este anel, feito do mais fino ouro que se pôde extrair da Terra Yanomami.

3. Sem o vosso auxílio e unidade de espírito não se cumpriria tão cedo o plano que ora cogito.

4. Arrependi-me novamente da criação e decidi, de uma vez por todas, extirpar os seres viventes da face da terra.

5. Não posso, porém, renunciar así no más à minha obra, pois, feito o belo Narciso, também ele um ser criado à minha imagem e semelhança, apego-me a tudo aquilo em que me vejo, ainda que mal, espelhado.

6. Por isso, lembrei-me de vós, que formais uma só carne e um só pensamento. 

7. Recordai o mandamento que ditei a vossos pais: crescei e multiplicai-vos!

8. Tomai em vossas mãos aquilo que escapou das minhas. Expandi a vossa atuação até os confins da terra e até o fundo dos mares. E não poupeis o luzeiro menor, dominai-o! E, se puderdes, tratai de ocultar o maior, toldando o firmamento com o vosso admirável arsenal de pestilências.

9. Acreditei uma vez nas virtudes dos filhos de Noé e dos filhos de seus filhos. De todo o coração, apostei na redenção da criatura. Debalde!

10. Fazei, pois, cumprir o meu intento e sereis recompensadas com a incomparável paz do inexistente.

 

 

DOS LEGADOS PATRIÓTICOS

 

Ao yanomami
A anomia

À mídia
O direito à afasia

Ao pastor
A voz da fanfarronice pia

 

20
Nov22

“País irmão”: Lula se reúne com presidente de Portugal em Lisboa e encontra comunidade brasileira

Talis Andrade

ImageO presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu em Lisboa o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu em Lisboa o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu em Lisboa o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu em Lisboa o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. AP - Armando Franca

O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, desembarcou em Lisboa nesta sexta-feira (18), após ter participado da COP27 no Egito. Além de se reunir com o chefe de Estado português, o petista se encontra no sábado com representantes da numerosa comunidade brasileira que vive no país. Ele foi recebido na porta do palácio presidencial de Belém por grupos de apoiadores, mas também por bolsonaristas.

Lula chegou em Lisboa minutos antes das 13 horas (pelo horário local), a bordo do mesmo jatinho privado que o levou para o Egito, onde participou da COP27, justamente no momento em que a seleção portuguesa de futebol partia para a Copa do Mundo no Qatar. Por essa coincidência de horários, ele teve de sair do aeroporto por uma área privada, dedicada somente aos chefes de Estado. Uma comitiva de 10 carros esperava por ele e Fernando Haddad.

Depois de almoçar camarões vermelhos e robalo ao leite de coco e dendê no badalado restaurante Cícero – onde na saída foi cercado por muitos brasileiros – Lula foi diretamente ao palácio presidencial de Belém para o encontro com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Na porta de Belém, grupos de bolsonaristas e apoiadores de Lula manifestavam, cantavam e trocavam insultos. O presidente eleito obteve em Portugal 65,7% dos votos no segundo turno.

A agenda em Lisboa, ainda não fechada e mantida em grande segredo por razões de segurança, acabou por agregar o presidente moçambicano Filipe Nyusi, que estava momentos antes no palácio e acabou ficando para receber Lula. O líder brasileiro não escondeu sua alegria ao encontrar os dois chefes de Estado e disse nas redes sociais que foi uma “grata surpresa” ver o presidente africano.

Lula ao chegar em Lisboa, entre os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (d).
Lula ao chegar em Lisboa, entre os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (d). AP - Armando Franca

 

"Importante parceiro do Brasil na Europa"

Às 20 horas de Lisboa (17h em Brasília), Lula participa de um jantar com o primeiro-ministro português Antonio Costa e uma restrita lista de convidados. A imprensa não tem acesso ao jantar.

Além de agradecer o apoio a sua candidatura, Lula deverá discutir com ambas autoridades as questões relacionadas com o retorno das negociações entre União Europeia e Mercosul, que ficaram paralisadas durante o governo Bolsonaro. A questão da facilitação dos vistos para os brasileiros também deve entrar na pauta das conversas.

Antes de desembarcar, Lula escreveu em seu twitter: “Hoje vou para Lisboa, onde me encontro com o presidente de Portugal e o primeiro-ministro. Portugal é um país irmão e importante parceiro do Brasil na Europa. Vamos retomar diálogos para o melhor de nossos povos”.

Para este sábado (19), Lula deve se reunir com a comunidade brasileira que reside em Portugal, em um encontro organizado pelo núcleo do PT no país e a Casa do Brasil, onde irá ouvir as questões que preocupam os 210 mil imigrantes que estão no país. O tema da xenofobia, sofrida por muitos brasileiros que vivem em Portugal, também deverá ser discutido neste sábado.

 
18
Jul22

Bolsonaro cria o Dia da Chacota Diplomática para atacar a democracia brasileira

Talis Andrade

Charge do Zé Dassilva: a urna eletrônica em debate | NSC Total

 

247 - Embaixadores convidados por Jair Bolsonaro (PL) para participarem de uma reunião nesta segunda-feira (18) no Palácio da Alvorada - evento que será usado pelo brasileiro para atacar as urnas eletrônicas - foram alertados por seus países a não embarcarem na tese bolsonarista, informa Valdo Cruz, do g1.

Os diplomatas foram lembrados que seus países já têm definida uma posição de apoio ao processo eleitoral brasileiro. De acordo com representantes de embaixadas em Brasília, os embaixadores participarão da reunião para poderem transmitir a seus governos o que foi dito.

Segundo um diplomata ouvido pelo colunista, Bolsonaro vai acabar “pregando no deserto” e será ouvido apenas por aqueles que têm posições semelhantes à do brasileiro.

Bolsonaro afirmou no domingo (17) que 40 embaixadores confirmaram presença. O Palácio do Planalto teme que países importantes deixem de participar. Os Estados Unidos devem enviar o encarregado de negócios, Douglas Koneff, e o Reino Unido também deve enviar representantes. 

Assessores do chefe do Executivo têm medo de que o evento acaba se tornando uma agenda negativa para Bolsonaro.
 
A convocação dos embaixadores foi considerada pela jornalista Helena Chagas como Dia da Chacota Diplomática.   
 
 

22
Mai22

Imprensa internacional: com bobó de camarão e mistério, casamento de Lula é “trégua nupcial” antes da eleição

Talis Andrade

Image

Lula Mariage.webp

Envolto em mistério, o casamento de Lula ganhou destaque na imprensa internacional AP - Ricardo Stuckert

 

por RFI

O casamento do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi destaque na imprensa internacional desta quinta-feira (19). Jornais e revistas contam detalhes sobre a cerimônia, se interessam pelo perfil da noiva e apresentam o evento com uma “trégua nupcial” antes da corrida eleitoral.

O jornal francês Le Monde conta que o casamento foi envolto em mistério até o último minuto, lembrando que os noivos pediram discrição máxima aos cerca de 200 convidados para a cerimônia. O local da festa foi revelado apenas na véspera do evento, por meio de um QR Code impresso no convite.

“Um desejo de discrição que contrasta com as muitas declarações de amor que os dois [noivos] proferiram durante suas aparições públicas”, aponta a reportagem do vespertino. “Mas um pouco antes da cerimônia, a conta Instagram de Lula publicou uma foto da noiva, com seu vestido bordado de estrelas, em homenagem ao partido dos trabalhadores”, detalha Le Monde.

Retomando informações da imprensa brasileira, o jornal francês Le Figaro indicou os nomes de alguns presentes, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-governador Geraldo Alckmin ou ainda o cantor Gilberto Gil. O diário também deu alguns detalhes sobre a festa, descrevendo um cardápio “composto por sabores tipicamente brasileiros, como o bobó de camarão”.

O jornal uruguaio El Observador contou que os convidados beberam vinhos argentinos e espanhóis, além de espumantes brasileiros. Já o site da revista francesa Paris Match, conhecida por cobrir celebridades, aproveitou os detalhes do cardápio, que já haviam sido revelados por colunistas sociais brasileiros, para falar dos rumores nas redes sociais sobre o custo da cerimônia. Mas a revista preferiu dar mais destaque para o perfil da noiva, apresentada como “uma socióloga feminista”, membro do PT desde 1983.

A história de Rosângela Silva, 55 anos, suscitou o interesse de vários veículos internacionais. Com o título “‘Janja’, a socióloga que se tornou a esposa de Lula”, a revista francesa L’Obs conta que desde que o ex-presidente voltou a ser elegível, em 2021, Rosângela o acompanha em suas viagens e “foi uma das estrelas do lançamento de sua pré-campanha, em 7 de maio”. A revista relata ainda que Lula já deu pistas sobre o papel que "Janja" poderia desempenhar como primeira-dama, “em programas de segurança alimentar em um país onde a fome aumentou desde a pandemia de Covid-19”, detalha a L’Obs.

 

Rejuvenescer a imagem de Lula

 

O canal americano ABC contou que os convidados receberam uma lembrancinha com os dizeres “O Amor Venceu”. "Lula tem procurado caracterizar a corrida presidencial como uma luta entre amor e ódio, vinculando este último à campanha de [Jair] Bolsonaro", diz o texto, em uma das tentativas de fazer uma análise mais política do evento.

O correspondente da agência Bloomberg no Brasil aponta que o casamento faz parte de um movimento “que provavelmente ajudará a rejuvenescer a imagem de Lula", que tem 76 anos. Para o jornalista, o evento "aumentará seu apelo junto aos eleitores mais conservadores”.

Já o jornal Le Monde fala do casamento como “uma trégua nupcial antes da batalha eleitoral”, e tenta adivinhar os assuntos discutidos durante a festa. “Ninguém sabe se as estratégias políticas para o futuro estiveram no centro das conversas dos convidados (...), nem mesmo se os comentários sobre a noiva foram acompanhados de alguns questionamentos sobre suas supostas inclinações para concorrer a um mandato de deputada federal, em outubro”, escreve o vespertino. “Oficialmente, era hora de comemorar. (...) Apenas uma trégua de casamento antes da batalha”, finaliza o jornal.

 

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