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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

24
Jan22

O que esperar de quem enterra a mãe e vai comprar bilhete de loteria

Talis Andrade

 

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por Ricardo Noblat

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Como ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello era despreparado e adepto da teoria de manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mesmo em uma instituição verticalizada como as Forças Armadas, decisões absurdas não se cumprem.

O médico cardiologista Marcelo Queiroga, não, ele entende do riscado, daí a ter sido bem recebido quando nomeado para suceder a Pazuello. Dele o que se pode dizer depois de 10 meses no cargo é que seu grau de periculosidade é maior do que o do general.

Muita coisa fez Pazuello e deixou que fosse feita por ignorância. Queiroga sabe muito bem o que faz ou deixa de fazer. Na última quinta-feira, ele e a ministra Damares Alves, da Mulher e dos Direitos Humanos, protagonizaram um fato vergonhoso.

Foram visitar no interior de São Paulo a família da menina que teve uma parada cardíaca no dia em que foi vacinada contra a Covid-19. Nas redes bolsonaristas, o caso fora apresentado como mais uma prova de que vacina faz mal às crianças.

Bolsonaro, que em dois anos de pandemia jamais pisou em lugar nenhum para mostrar-se solidário às vítimas do vírus, telefonou aos pais da menina e revelou todo o seu apreço por eles, em mais uma investida disfarçada contra a vacinação infantil.

Queiroga, antes, havia relatado a ocorrência de 4 mil mortes relacionadas à vacina. Mentiu, como de costume. O ministério sob seu comando só admitiu essa ligação em 13 casos dos mais de 162 milhões de brasileiros vacinados.

Para fechar a semana, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde afirmou em nota técnica que a vacina contra a Covid-19 não tem efetividade nem segurança demonstradas, mas que a hidroxicloroquina tem.

O Ministério da Saúde reconheceu oficialmente que a parada cardíaca da menina nada teve a ver com a vacina que ela tomou. Bolsonaro aproveitou a ocasião para outra vez levantar suspeitas quanto à segurança da vacinação contra a Covid.

O sujeito que vai um dia ao enterro da mãe, e no outro sai para comprar um bilhete de loteria, passa a impressão que a morte pouco o abala. Mesmo a morte da mãe. O que esperar dele?

Charges sobre democracia - 07/08/2020 - Poder - Fotografia - Folha de  S.Paulo

18
Jan22

Aviso aos homens e mulheres que sonham com um Brasil melhor

Talis Andrade

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O candidato favorito a perder é...

 
 
Em outubro próximo, não olhe para cima nem para baixo. Apalpe o bolso na hora de votar para presidente da República. E lembre-se dos parentes, amigos e conhecidos mortos pela Covid-19.
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18
Jan22

Está chegando a hora de acertarmos as contas com Bolsonaro

Talis Andrade

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O mensageiro da morte, agora, ameaça levar a Covid-19 para o Suriname

 

 

Faz um ano que começou no Brasil a vacinação contra a Covid-19. Ela deve-se ao governador João Doria (PSDB), de São Paulo, porque o presidente Jair Bolsonaro era contra.

O país tem agora 78,3% de sua população vacinada com alguma dose, e 68,6% com duas ou com a dose única. É o 54º colocado no ranking do Our World in Data dos países que mais se vacinaram.

Registre-se o empenho de Bolsonaro em retardar a vacinação, causando mortes que poderiam ter sido evitadas. Foi bem-sucedido desde que o vírus surgiu na China em dezembro de 2019.

Não foi naquele ano, nem em março de 2020, quando o vírus matou aqui pela primeira vez, nem em janeiro de 2021, quando o primeiro brasileiro foi vacinado, que Bolsonaro disse com orgulho:

Da minha parte, eu não tomei vacina e não vou tomar vacina. É um direito meu e de quem não quer tomar. Até porque os efeitos colaterais e adversos são enormes.”

A declaração foi feita por ele há pouco mais de um mês, precisamente em 8 de dezembro. Há apenas seis dias, ele disse ser contra a vacinação infantil devido aos seus “efeitos colaterais”.

Como 79% dos brasileiros são a favor de vacinar as crianças, e 81% da apresentação de comprovante de vacinação para a entrada em locais fechados, Bolsonaro, ontem, deu o dito pelo não dito.

Ao seu modo cínico e debochado, queixou-se em entrevista a uma emissora de rádio do Espírito Santo:

“Deixo bem claro: foi o nosso governo que comprou 400 milhões de doses de vacinas. Continuam me acusando de ser contra a vacina, mas como? Se comprei 400 milhões de doses?”

Um apanhado de 15 afirmações feitas por ele nos últimos 15 meses confirma o que Bolsonaro quer que esqueçamos:

2 de setembro de 2020 – “Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina.”

21 de outubro de 2020 – “Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém.”

5 de dezembro de 2020 – “Como sempre, eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto-final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto-final.”

17 de dezembro de 2020 – “Se você virar um jacaré, problema seu. Se você virar super-homem, se nascer barba em mulher ou algum homem começar a falar fino, eles não vão ter nada a ver com isso.”

19 de dezembro de 2020 – “A pressa da vacina não se justifica porque você mexe com a vida das pessoas, você vai inocular algo em você.”

7 de janeiro de 2021 – “Vocês sabem quantos por cento da população vai tomar vacina? Pelo que eu sei, menos da metade vai tomar.”

11 de fevereiro de 2021 – “Quando eu falei remédio lá atrás, levei pancada. Nego bateu em mim até não querer mais. Entrou na pilha da vacina. O cara que entra na pilha da vacina, só a vacina, é um idiota útil. Nós devemos ter várias opções.”

4 de março de 2021 – “Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo:] ‘Vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem [vacina] para vender no mundo.”

17 de junho de 2021 – “Eu estou vacinado entre aspas. Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou vírus para valer. Quem pegou o vírus está imunizado, não se discute.”

14.out.2021 – “Por que obrigar criança a tomar vacina? Qual a chance de uma criança, por exemplo, contrair o vírus e ir a óbito? […] Parece, não quero afirmar, que é o lobby da vacina.”

7 de dezembro de 2021 – “A gente pergunta: por que o passaporte vacinal? Essa coleira que querem botar no povo brasileiro. Cadê nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder minha liberdade.”

19 de dezembro de 2021 – “Vacina para criança: primeiro, só autorizado pelo pai. Se algum prefeito, governador, ditador aí quiser impor, é outra história, mas, por parte do governo federal, tem que ter a autorização dos pais. Tem que ter uma receita médica.”

27 de dezembro de 2021 – “A questão da vacina para crianças é uma coisa muito incipiente, o mundo ainda tem dúvidas, e não vêm morrendo crianças que justifique uma vacina emergencial.”

6 de janeiro de 2022 – “A vacina será de forma não obrigatória. Então, ninguém é obrigado a vacinar o teu filho. Se é não obrigatória, nenhum prefeito ou governador poderá impedir o garoto ou a garota de se matricular nas escolas por falta de vacina.”

12 de janeiro de 2022 – “Trezentas e poucas crianças. Lamento cada morte – ainda mais de crianças, que a gente sente mais –, mas não justifica vacinação, pelos efeitos colaterais adversos que essas pessoas têm.”

A próxima viagem internacional de Bolsonaro será ao Suriname nesta quinta-feira (20/1). Dos 52 integrantes da equipe precursora que voariam para lá, 10 contraíram o vírus.

Quer dizer: não basta ter dado passe livre ao vírus para que matasse quem tivesse de morrer no Brasil, ele pode pôr em risco, no Suriname, a saúde dos que o receberem, e a sua comitiva.Image

O mensageiro da morte não liga para a própria vida desde que escolheu ser paraquedista e antes de o Exército dispensá-lo por conduta antiética, acusado de pretender jogar bombas em quartéis.

O médico responsável pela internação de Bolsonaro no último dia 3, o cirurgião Antônio Luiz Macedo, aconselhou Michelle, a primeira-dama, a pôr um cadeado na moto dele.

“O presidente não pode fazer força também por um bom tempo, a força pode fazer o abdome torcer”, explicou Macedo. Há dois dias, Bolsonaro passeou de moto em Brasília.

Se não tem amor à vida, o problema é dele. Ameaçar a vida alheia, porém, é um problema que afeta a todos os seus governados. Está próxima a hora de acertarmos as contas com Bolsonaro.

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16
Jan22

Em defesa de Eduardo Bolsonaro, o filho zero três de quem é

Talis Andrade

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Ricardo Noblat

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Afinal, desembarcou em São Paulo o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que há mais de um ano fugiu do país com medo de ser preso depois de sugerir ao presidente Jair Bolsonaro que prendesse os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.

Foi recepcionado por uma dezena, se tanto, de seguidores que apoiam sua candidatura ao governo de São Paulo. Weintraub fugiu com a ajuda do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o zero três. Eduardo está incomodado com o seu retorno.

À época da desastrada sugestão feita pelo ex-ministro ao presidente da República, Eduardo escreveu nas redes sociais:

“Quando saiu a fala de Weintraub sobre o STF, a popularidade dele só aumentou. As pessoas estão começando a pedir Weintraub para governador de São Paulo. Sou entusiasta da ideia.”

Bolsonaro estava em guerra com o Supremo e ainda não havia se rendido por completo ao Centrão. Uma vez que se rendeu, filiou-se ao PL do ex-mensaleiro Valdemar Costa Neto e lançou a candidatura do ministro Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.

E aí? Aí que deixou mal o filho entusiasta de Weintraub. Bolsonaristas de raiz começaram a reproduzir declarações antigas de Eduardo favoráveis à candidatura do ex-ministro. E o zero três sentiu-se obrigado a reagir. Culpou robôs pela ação:

“Agradeço o carinho e a espontaneidade dos que lembram agora destes prints de quase dois anos atrás. Porém, eu sei reconhecer de onde vim. Logo, o meu candidato para o governo de SP será aquele indicado pelo presidente.”

 

Os filhos zero não têm autonomia, nunca tiveram. São cópias escarradas do pai. Mas como estão crescidinhos, têm esse direito. É uma questão de escolha, e também de pendência. O que está em jogo para eles é a sobrevivência política.

Que sejam deixados em paz.

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09
Jan22

Queiroga disputa com Pazuello título de pior ministro Saúde

Talis Andrade

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Falta remédio para pacientes com doenças crônicas

 
 

O general Eduardo Pazuello, de triste memória, ficou exatos 303 dias como ministro da Saúde do pior governo que o Brasil já teve. Este mês, o cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, vai ultrapassar a marca do general.

Se de fato deixar o cargo até abril para candidatar-se pela Paraíba ao Senado ou à Câmara dos Deputados, Queiroga será outro que irá embora sem deixar saudades. Estará apto a disputar com Pazuello o título de pior ministro da Saúde do pior presidente.

Pazuello será lembrado por ter dito que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Não tem juízo quem obedece a ordens estúpidas. Queiroga, por ter obedecido todas as ordens de Bolsonaro e dado o dedo para manifestantes em Nova Iorque.

Como general, ainda mais da ativa, Pazuello não poderia ter participado de atos políticos em público, mas participou de um, no Rio, ao lado de Bolsonaro. Como médico, Queiroga não poderia retardar a aplicação de vacinas em crianças, mas retardou.

Pazuello não tinha obrigação de entender de saúde, Queiroga tem. Pazuello poderá dizer que, como ignorante, limitou-se a seguir a orientação do presidente da República. A desculpa não valerá para Queiroga. Ele segue a orientação de Bolsonaro porque quer.

Com frequência, vai além. Bolsonaro não deve tê-lo instruído a deixar que faltasse remédios na rede pública de saúde para pacientes com doenças crônicas. Mas está faltando. São remédios caros. Os doentes recorrem a doações para não morrer.

Uma associação de famílias de pacientes com esquizofrenia, por exemplo, identificou que a clozapina está em falta em nove estados. Em São Paulo, uma fábrica de remédios de alto custo está parada, e zerado o estoque de 21 drogas contra diversos males.

Informa o Ministério da Saúde que o processo de compra de medicamentos para São Paulo está andando. O Ministério da Mulher e Direitos Humanos ficou de encaminhar o pedido das famílias de pacientes com esquizofrenia ao Ministério da Saúde.

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01
Jan22

Para uma derrota certa e humilhante, Bolsonaro não irá

Talis Andrade

Charge do Amarildo

 

 

por Ricardo Noblat

- - -

Com cara enfezada e fala dirigida unicamente aos seus devotos fiéis, o presidente Jair Bolsonaro apresentou-se aos brasileiros no último dia de 2021 para desejar-lhes um feliz ano novo.

A ocasião pedia que ele manifestasse compaixão pelas vítimas da pandemia da Covid-19 e despertasse em seus familiares a esperança em dias melhores, mas não foi o que aconteceu.

Bolsonaro estava tenso e irritado. Deu por esgotada sua recente versão de Jairzinho paz e amor e reconciliou-se com a outra que sempre lhe caiu muito bem – a do presidente criador de casos.

Não de bons casos, mas de maus. O presidente é um fabricante de crises que não sabe viver em relativa paz. Se o modelo de fato servisse aos seus propósitos, poderia dar-se bem ao fim e ao cabo.

Mas não é o que parece, segundo indicam todas as pesquisas de opinião. O exercício do poder exige a delicada e penosa construção de maiorias sem as quais nada é possível.

Se não for capaz de ampliar o contingente dos que ainda o apoiam, onde Bolsonaro pensa que chegará? Parte dos seus seguidores, convencida de que ele não se reelegerá, o largará de mão.

Cresce entre seus aliados dentro e fora do governo a impressão de que ele começa a examinar a hipótese de abdicar da reeleição, disputando uma vaga ao Senado ou recolhendo-se à sua casa.

Para uma derrota certa e humilhante, ele não irá. Tem mais três ou quatros meses pela frente para decidir o seu destino.

Charge do Amarildo

27
Dez21

"A mamata veste farda", diz Xico Sá sobre compra de picanha por militares

Talis Andrade

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Jornalista ironiza gasto de recursos do Ministério da Defesa com filé mignon e picanha

 

247 - O jornalista Xico Sá repercutiu, nesta segunda-feira (27), a informação de que o Ministério da Defesa desviou recursos destinados ao combate à Covid-19 e utilizou verba para a compra de  filé mignon e picanha. "A mamata veste farda", ironizou em post no Twitter. 

A constatação sobre o gasto dos recursos é de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União). Segundo informações do levantamento sigiloso feito pela Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas) obtido, foram usados R$ 535 mil em itens considerados de luxo.

 
xico sá
@xicosa
A mamata veste farda
Blog do Noblat
Dinheiro do combate à Covid pagou comida boa e farta de militares - por Ricardo Noblat Enquanto isso, 116 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar e ao menos 19 milhões passam fome

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27
Dez21

Dinheiro do combate à Covid pagou comida boa e farta de militares

Talis Andrade

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Enquanto isso, 116 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar e ao menos 19 milhões passam fome

 
 
Filé mignon, picanha, bacalhau, camarão, salmão e bebidas alcóolicas não frequentam a boia servida a soldados e militares de baixa patente. É comida para generais e oficiais graduados.
 

Da rubrica do Orçamento “Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional decorrente da Covid”, só deveria sair dinheiro para compra de itens essenciais.

E daí? Daí que não foi assim no Ministério da Defesa em 2020, informa levantamento sigiloso feito pela Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas do Tribunal de Contas da União.

Segundo a repórter Constança Rezende, da Folha de São Paulo, a Secretaria constatou que, dentre os órgãos superiores dos três Poderes, a Defesa foi o que mais gastou com itens não essenciais.

 

Capa do jornal Folha de S.Paulo 27/12/2021

 

Resposta do Ministério da Defesa por meio de sua assessoria de imprensa: as atividades militares foram mantidas na pandemia e faz parte delas a alimentação das tropas. Resposta capenga.

Os auditores esperavam que, em consequência do regime telepresencial de trabalho, houvesse redução de gastos com alimentação, como houve nos ministérios da Educação e da Saúde.

Trechos do relatório dos auditores:

“Não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia”.

“Ressalte-se que, dos recursos destinados ao combate à pandemia Covid-19 utilizados indevidamente para aquisição de itens não essenciais (aproximadamente R$ 557 mil), 96% foram despendidos pelo Ministério da Defesa”.

“Além de não servir à finalidade a que se destina, a contratação desse tipo de insumo fere o princípio da moralidade previsto no art. 37 da Constituição Federal de 1988, o qual está diretamente relacionado à integridade nas compras públicas”.

Diz ainda o relatório que a aquisição de comida por órgãos públicos “deve ter por finalidade o fornecimento de alimentação saudável, balanceada e adequada para suprir as necessidades nutricionais básicas de seu público-alvo”.

Mais da metade da população brasileira — 116 milhões de pessoas — vive com algum grau de insegurança alimentar. Ao menos 19 milhões passam fome, situação agravada pela pandemia e pela crise econômica do país.

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26
Dez21

Sobram nomes, mas falta candidato para enfrentar Lula e Bolsonaro

Talis Andrade

alves eleições 2018.jpg

 

 

E assim o Ano Novo está para chegar. Tomara que pelo menos traga vacinas para nossos filhos e netos

 
 

Você sabe quem é Lula e, no mínimo, o que ele se oferece para fazer caso se eleja no ano que vem. Se não sabe, deduz que ele tentará repetir alguns acertos do seu governo. Quem o viveu acha que foram tempos melhores. Quem não viveu, ouviu falar.

Você sabe quem é Bolsonaro, o pouco que ele fez (cite uma coisa boa) e o muito que estragou. Se não sabe, em que país você vive? Mas se quiser votar nele mesmo assim, ou se preferir não votar, você tem lá suas razões que devem ser respeitadas.

Você sabe o nome dos candidatos que ambicionam se lançar como opções a Lula e a Bolsonaro? Sabe o mínimo do que eles pensam, e por que querem disputar o voto nem, nem? E, se eleitos, o que fariam por seu bolso e a vida dos seus filhos?

É por isso que a terceira via está destinada ao fracasso. O mundo gira e a Lusitana roda sem que se saiba a razão para que dois terços dos eleitores admitam sair do cercadinho onde só parece haver espaço para Lula e Bolsonaro. Em cima da hora, não sairão.

A construção de uma candidatura exige tempo, a não ser que um fato extraordinário a alavanque. Em 1994, o Plano Real, que domou uma inflação de 80% ao mês, elegeu Fernando Henrique Cardoso que enfrentava dificuldades para se eleger deputado.

Lula aprendeu com três derrotas o caminho para alcançar o que pretendia, e mesmo assim só se elegeu porque o Real começou a fazer água. Se ele não fosse preso em 2018, Bolsonaro seria eleito? Se não fosse a facada, qual teria sido a sorte de Bolsonaro?

Fala-se em muitos nomes, mas na vida real a terceira via no momento resume-se a três. Por ordem de intenções de voto nas pesquisas eleitorais divulgadas até hoje: Sérgio Moro (PODEMOS), Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).

 

Doria não se reelegeria governador de São Paulo. Perder para presidente não lhe fará tanto mal. Ciro não cresce porque Lula não deixa pela esquerda, nem Bolsonaro pela direita. Moro ainda é uma incógnita, com voz de pato e uma ideia fixa: corrupção.

Rodrigo Pacheco, embora bonito e alto, é uma invenção de Gilberto Kassab para manter unido o seu PSD. Pacheco, candidato a presidente, sequer convenceu Pacheco, presidente do Senado e muito satisfeito com isso. Quem não estaria? O Senado é o céu.

A candidatura a presidente de Simone Tebet é para dar tempo para que o MDB se reparta entre Lula e Bolsonaro. E fim de papo. Espero que tenham tido um feliz Natal. E que apesar de Bolsonaro, o Ano Novo traga vacinas para nossos filhos e netos. Amém.

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21
Dez21

Bolsonaro, o primeiro presidente eleito que declara guerra ao povo

Talis Andrade

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Como não pode impedir a vacinação de crianças contra a Covid, ele cria dificuldades

 

por Ricardo Noblat

O que quer o presidente Jair Bolsonaro quando pede para divulgar a lista dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária autores do parecer favorável à vacinação contra a Covid-19 de crianças entre 5 e 12 anos de idade?

Simples: quer jogar seus fanáticos seguidores contra eles. Expô-los a toda sorte de ameaças – de insultos a agressões físicas. É o que começou a acontecer desde que Bolsonaro considerou absurda a vacinação de crianças, adotada no mundo inteiro.

No fim de semana, recuou, como de costume. Disse que as crianças podem ser vacinadas, sim, mas só por recomendação médica e com o prévio consentimento dos pais. O consentimento dos pais é necessário. Parecer médico só em casos especiais.

Bolsonaro é o primeiro presidente da República eleito que declara guerra ao povo brasileiro.

 

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