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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Abr21

Bolsonaro já tentou o golpe e perdeu

Talis Andrade

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por Tereza Cruvinel

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Ainda não sabemos exatamente como as coisas aconteceram mas vai ficando claro que Bolsonaro já tentou dar um golpe e perdeu. E que diante da recusa do ministro da Defesa e, principalmente, do comandante do Exército, a emprestarem a força militar para atos inconstitucionais, possivelmente contra os governadores, ele reagiu demitindo Azevedo e Silva, determinando a troca dos comandantes das três forças e deflagrando a crise militar em curso.

No calor destes acontecimentos inesperados, a primeira e mais corrente leitura foi a de que ele estaria fazendo as mudanças para ampliar seu apoio militar e eventualmente partir para o golpe. Mas, juntando as pontas e revendo os fatos precedentes, a conclusão deve ser outra: as demissões foram o troco que ele conseguiu dar, usando a caneta e o poder de comandante-em-chefe das Forças Armadas. A nomeação de Braga Netto para o lugar de Azevedo e Silva e a troca dos comandantes, entretanto, não mudará o fato de que o estamento militar ativo não está disposto a se meter em aventuras golpistas.

Quando Azevedo e Silva, já demitido, telefona para o presidente do STF assegurando isso, e o general Santos Cruz dá declarações muito eloquentes no mesmo sentido, eles sabem do que estão falando: não vai ter golpe, se depender dos militares.

Assim, a crise militar é decorrência da tentativa de golpe fracassada de Bolsonaro, não de uma intenção. Com o tempo, vamos saber o que se passou de fato.  Ele propôs o estado de defesa e foi repelido? Ele quis medidas de força contra os governadores, contra as medidas de isolamento contra as quais voltou a falar nesta quarta-feira, enquanto seu novo ministro da Saúde e os presidentes das casas do Congresso as defendiam? Sabemos que Azevedo lhe negou as cabeças do comandante do Exército e do general Paulo Sérgio, por ter este último criticado a política sanitária federal em comparação com a gestão positiva da pandemia nos quarteis. Sabe-se que ele quis uma declaração de Pujol contra a decisão do ministro Fachin anulando as condenações de Lula. Mas não deve ter sido apenas isso. Deve ter havido algo mais. Há pouco, vi a ex-presidente Dilma Rousseff dizer mais ou menos a mesma coisa em entrevista à TV247:  "parece-me que ele (Bolsonaro) tentou uma ação".

Juntando as pontas: na segunda-feira Bolsonaro estava sob os efeitos de uma grande derrota, a demissão do ex-chanceler Araújo imposta pelo Senado. Talvez tenha tentando uma ação naquele dia mesmo. O 31 de março se aproximava, e lembremos que o governo foi à Justiça derrubar liminar obtida pela deputada Natalia Bonavides contra as celebrações do aniversário do golpe de 1964. Repelido até pelos militares, deu o safanão no tabuleiro trocando seis ministros. E com isso conseguiu até mesmo diluir a percepção da derrota representada pela substituição do chanceler.

Na semana passada, Bolsonaro perdeu no STF a ação contra os governadores que adotaram o toque de recolher, acusando-os de implantar o estado de sítio. Falando a apoiadores, deu claramente a entender que estava preparando alguma coisa. Discorrendo sobre a miséria e a fome, para combater o isolamento, disse que "o caos  vem aí".  E perguntado sobre a decretação do estado de sítio, afirmou: “Eu gostaria que não chegasse o momento, mas vai acabar chegando”.

E não seria ditadura, mas viria “para dar liberdade para o povo. É para dar o direito ao povo trabalhar. É para dar direito ao povo trabalhar. Não é ditadura não. Temos uns hipócritas aí falando de ditadura o tempo todo, uns imbecis. Agora o terreno fértil para a ditadura é exatamente a miséria, a fome, a pobreza”.

Foram estas declarações que levaram o presidente do STF, ministro Fux, a ligar para Bolsonaro perguntando se o estado de sítio estava em seus planos. Ele negou. Segundo o jornalista Ricardo Kotscho, ele quis decretá-lo e o ex-ministro da Defesa Azevedo e Silva não topou. Teria que passar pelo Congresso, mas talvez ele quisesse a força do Exército para impor a medida goela abaixo. Ainda saberemos.

Nesta quarta-feira, os novos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica serão conhecidos, e das escolhas dependerá o desfecho da crise militar.  Se Bolsonaro decidir caronear quatro generais para escolher Freire Gomes, aumentará ainda mais o fosso que agora os separa do estamento ativo - embora tenha tantos da reserva no governo.

Certo é o que nos sobra disso tudo: apenas o desgoverno da pandemia. Enquanto o novo ministro da Saúde e os chefes do Congresso defendiam o isolamento social e demais cuidados para conter o vírus enquanto não temos as vacinas suficientes, um Bolsonaro sem máscara voltava a dizer:

- O apelo que a gente faz aqui é que esta política de lockdown seja revista. Isso cabe, na ponta da linha, aos governadores e aos prefeitos. Porque só assim podemos voltar à normalidade. O Brasil tem que voltar a trabalhar".

Deste o jeito, o novo ministro também pode não durar.

É crise sobre crise, e mortos sendo empilhados.

 

16
Jan21

"As pessoas morreram por hipoxemia, por falta de oxigênio. Na verdade, não morreram por causa da Covid"

Talis Andrade

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Enquanto o povo da capital amazonense vive uma inédita tragédia sanitária, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, monta e financia uma força-tarefa de médicos defensores do que chamam de “tratamento precoce” da Covid-19, denuncia o portal 247.

O chamado tratamento precoce apregoado pelo governo de Jair Bolsonaro consiste no uso de remédios que segundo estudos científicos não têm eficácia no combate ao coronavírus, como a cloroquina para malária e ivermectina e azitromcina, para vermes.

Painel da Folha de S.Paulo revela que a força-tarefa agiu na segunda-feira (11), um dia após o governador Wilson Lima (PSC) pedir socorro ao governo federal e a outros estados devido à falta de oxigênio no estado.

Esta força-tarefa deveria ser investigada. O médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, Anfremon Monteiro Neto, diz que visita cerca de 50 pacientes com coronavírus por dia e que "todos" eles dizem ter usado os medicamentos prescritos pelo tal "tratamento precoce", como azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina.

Segundo ele, nenhum desses remédios ajudam na situação do paciente. O médico afirmou também que é preciso preparar o Brasil para a segunda onda da doença. “Não é falta de tratamento precoce. É sacanagem com a gente que trabalha aqui, que trabalha sério e está tentando fazer alguma coisa. Em vez de ficar fazendo manobras evasivas, o governo tem que preparar o país para a segunda onda. Se preparem, porque ela é devastadora, ela é cruel e vai levar muita gente". Veja o vídeo aqui

Mario Vianna, presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, denuncia:

A capacidade de oxigênio não aguentou e zerou a central de tanques. As pessoas morreram por hipoxemia, por falta de oxigênio. Na verdade, não morreram por causa da Covid. Morreram porque o suprimento, o medicamento que os mantinham vivos, por algum motivo faltou. Portanto, o diagnóstico correto para a causa da morte, já que eu sou legista também, é hipoxemia por falta de oxigênio. Isso é uma condição que, a meu ver, precisa ser apurada, porque tem aspecto até do ponto de vista criminal.

Escreveu Reginaldo Azevedo: A Associação Médica Brasileira não tem cura. Padece de uma doença sem cura chamada subserviência. Tornou-se um aparelho do governo Bolsonaro. 

Reinaldo também reclama do silêncio cúmplice da Sociedade Brasileira de Infectologia, do Conselho Federal de Medicina. Reinaldo condena o charlatanismo do me engano que eu gosto da força tarefa do Ministério da Saúde: "Hoje, Amazonas não consegue nem cuidar dos prematuros. É o custo da irresponsabilidade oficial e coletiva". 

O jornalista Ricardo Kotscho escreve que é preciso salvar o país de Jair Bolsonaro, que comete genocídio como evidencia a crise sanitária em Manaus.

"Panelaços e notas de repúdio, como sabemos, não são capazes de nos livrar do mal maior na pandemia que é esse desgoverno do capitão Bolsonaro e do seu cúmplice Pazuello, que a cada dia aumentam o desespero do povo brasileiro".

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"Com o atraso proposital para o início da vacinação e o aumento nos casos de mortes e contaminações, batendo recordes diários, brasileiros continuam impedidos de ir às ruas para defender os seus direitos, única forma de obrigar a Câmara a iniciar um processo de impeachment".Image

Capa do jornal Folha de S.Paulo 16/01/2021

Capa do jornal Super Notícia 16/01/2021

Capa do jornal Estado de Minas 16/01/2021

Capa do jornal O Tempo 16/01/2021

02
Dez20

De juiz herói a homem de negócios, Moro agora ajudará empresas que quebrou

Talis Andrade

camelo moro paraquedas.jpg

 

Por Ricardo Kotscho

“Pelo que entendi, Moro decidiu receber sua parte no golpe em dinheiro” (Fernando Haddad, no Twitter)

Haddad entendeu bem. Depois de detonar com a Lava Jato algumas das maiores empresas e o sistema político-partidário do país, Sergio Moro, o juiz herói nacional do combate à corrupção, pulou para o outro lado do balcão e virou um homem de altos negócios.

Em apenas dois anos, o ex-juiz largou a toga para virar ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, que ajudou a eleger, sonhou com uma vaga no STF, rompeu com o presidente e, após uma quarentena de seis meses, abriu uma banca de advogado.

Um dos seus primeiros clientes foi o empresário israelense Benjamim Steinmetz, que tem um litígio bilionário com a empresa brasileira Vale.

Pouco depois, assinou contrato para ser sócio-diretor da consultoria multinacional Alvarez & Marsal, que tem entre seus clientes justamente a Vale, além das empreiteiras Odebrecht e OAS, os principais alvos da Lava Jato, além do ex-presidente Lula.

Para Moro, em sua ética particular, não há “conflito de interesses” em nada disso. Pagando, está tudo limpo.

Money is money

“Moro fez um negócio espetacular. Com o dinheiro que ganhará, deve abrir mão dos interesses políticos, por enquanto”, disse um amigo do ex-ministro ao colunista Vicente Nunes, do Correio Braziliense.

E não é pouco dinheiro, não. Pela administração judicial das duas empreiteiras que a Lava Jato quase destruiu, com dezenas de milhares de demissões de trabalhadores, a Alvarez & Marsal vai receber R$ 34,8 milhões, valor definido provisoriamente pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

De nada adianta agora as viúvas e os órfãos do ex-herói choramingarem nas redes sociais pela perda do seu candidato a presidente. Moro não quer mais nem ouvir falar nisso. Money is money.

Quem deve estar feliz com isso é Bolsonaro, que enxergava no ex-ministro seu principal concorrente em 2022 na faixa da extrema-direita. Como o resto agora é tudo centro, centro-direita ou centro-esquerda, o caminho ficou livre para o capitão.

Moro não pode reclamar da vida

Só tenho uma dúvida: quanto estiverem frente a frente os advogados dos litigantes Vale e Benjamim Steinmetz, que eram sócios de uma mina de minério de ferro na Guiné, uma história que envolve subornos, de que lado o cruzado Moro vai ficar? Ou isso também não vem ao caso?

“Não é advocacia” o que ele vai fazer, garante o camaleão, que agora virou “consultor” de empresas enroladas.

Para um juiz de primeira instância, que se formou numa faculdade de Maringá (PR), e tem dificuldades com o idioma de Shakespeare, até que Moro não pode reclamar da vida. Já fizeram até livros e filmes sobre ele nos seus tempos de herói e parceiro da mídia.

A Lava Jato vai acabando aos poucos, os denunciados do Centrão estão todos soltos, mas a joint-venture com o FBI rendeu bons frutos ao ex-juiz e seu séquito de procuradores.

Mega-Sena

Num país com 14 milhões de desempregados, Moro acertou sozinho na Mega-Sena. Já garantiu seu futuro.

Quem ficou na estrada foram os ex-funcionários da Odebrecht e da OAS, porque agora Moro vai ajudar seus patrões, que estão todos soltos, a “fazer tudo direito”.

Para quem ainda não entendeu o que está acontecendo no Brasil, vale lembrar um ensinamento de Ernst Kretschmer (1888-1964), um psiquiatra alemão:

“Os psicopatas estão sempre entre nós. Em tempos tranquilos, nós os examinamos. Em tempos difíceis, eles nos governam”.

E como são difíceis estes tempos…

Vida que segue.

02
Nov20

Entre taças de vinho em Noronha, estava Salles no nascer do "caso Nhonho"

Talis Andrade

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por Ricardo Kotscho

Às vésperas do feriadão de Finados, sem outros assuntos mais urgentes na sua área para resolver, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acompanhado de uma fornida comitiva, embarcou num avião da FAB para o arquipélago de Fernando de Noronha (PE), onde não há sinais de focos de incêndio.

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Estavam a bordo também o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e outros funcionários do governo.

25
Fev20

Brasil miliciano: todo poder às bancadas BBB

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho
 
“Uma certeza se pode ter: a maluquice perversa a que o Brasil está entregue não terminará bem” (abertura da coluna de Janio de Freitas na Folha com o título “Nosso andar no escuro”).


Todo mundo já desconfiava disso, desde o início deste desgoverno, caro Janio, mas nada acontece para evitar o desastre.

Líder sindical de militares e policiais por 28 anos na Câmara, Jair Bolsonaro hoje nem partido tem e despreza a articulação política, mas mesmo assim controla o Congresso como quem manipula um boneco de ventríloquo.

Como isso é possível, com mais de 30 partidos no parlamento, e tantos interesses difusos?
 
Muito simples: depois da Lava Jato, os partidos foram substituídos pelas bancadas “temáticas” e deixaram de ter qualquer importância.

Quem manda agora no Legislativo são as bancadas suprapartidárias chamadas de BBB (da bala, do boi e da bíblia), todas elas ligadas ao bolsonarismo raiz e cevadas com cargos e emendas pelo Palácio do Planalto.

Bolsonaro apenas está colocando em prática, agora com todo o poder na mão, o que pregou como deputado do fundão do baixo clero quando ninguém o levava a sério.

É com e para essa gente que Bolsonaro governa, liberando armas e as terras dos índios na Amazônia para os bois e o garimpo, e dispensando a turma da bíblia de pagar impostos.

Em sua coluna de domingo no Globo, Bernardo Mello Franco lembra que, já em 2003, o ex-capitão pregava da tribuna uma greve geral dos policiais militares contra a reforma da Previdência.
 
Era o início do governo Lula.

A greve não saiu, mas Bolsonaro nunca desistiu do seu projeto de botar fogo no país a partir dos quartéis das PMs. De quem ele quer se vingar?

O grosso da mão-de-obra das milícias que se ramificaram por toda parte, não por coincidência, é formado por ex-PMs e ex-militares expulsos de suas corporações.

É isso que está por trás dos motins que explodiram no Ceará esta semana e já deixaram 170 mortos em cinco dias.

E por que no Ceará?

Nada acontece por acaso, como já escrevi esta semana.

Sergio Moro colocou como secretário nacional de Segurança Pública o general Guilherme Teófilo, que nas últimas eleições tomou uma surra de Camilo Santana, do PT, o governador reeleito do Ceará em 2018, com 80% dos votos, no primeiro turno.

Teófilo foi candidato pelo PSDB, mas logo se bandeou para Bolsonaro e arrumou uma boquinha em Brasília.

O comandante da Força Nacional, a ele subordinada, é um coronel da PM cearense.

Os líderes da rebelião são todos políticos bolsonaristas que se elegeram por diferentes partidos com os votos dos quartéis.

A bancada da bala no Congresso é coordenada por quatro senadores e 32 deputados ligados às Forças Armadas e às PMs.

Bem maiores são as bancadas do boi, formadas pelos setores mais atrasados do agronegócio, e a da bíblia, que não para de crescer, no embalo dos templos neo-pentecostais dos bispos eletrônicos espalhados por todo o país.

Só na estrada que liga Caraguatatuba a São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, dos dois lados da via, há mais templos do que farmácias e botecos, alguns pomposos, a maioria em garagens.

Brotam de um dia para outro com as mais variadas e exóticas denominações.

Bolsonaro se dizia católico, mas desde a campanha eleitoral tornou-se terrivelmente evangélico, a ponto de já ter participado de cultos em 40 templos no seu primeiro ano de governo.

Com o Congresso dominado pelas bancadas BBB e as oposições na muda, o Brasil miliciano que sequestrou as instituições agora poderá formar maioria também no STF, onde serão abertas em breve duas vagas.

O que sobrou da sociedade civil, com as centrais sindicais destroçadas pela reforma trabalhista, limita-se a divulgar notas de protesto quando Bolsonaro exagera na dose da imbecilidade e da estupidez. E fica tudo por isso mesmo.
 
Viramos um acampamento de refugiados em nossa própria terra, onde impera a lei do mais forte e, como dizem os militares, manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Sem contar os milicianos de carteirinha (ninguém sabe quantos), já que está tudo muito misturado, são hoje 500 mil homens nas PMs que obedecem ao comando de Brasília e se sentem fortalecidos para afrontar os governadores.

Diante desse quadro, a caminho do poder absoluto, guarnecidos por uma tropa de generais e no comando da rede bolsonarista de rádio e televisão, fica até difícil entender porque os Bolsonaros se mostram tão preocupados com os celulares do amigo miliciano morto na Bahia e as investigações sobre as rachadinhas e o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio.

Estão com medo de quê?

Escreve o sempre bem informado Janio de Freitas, veterano de outras guerras e outros carnavais:

“Aproxima-se uma situação limite. A inclusão de generais em torno de Bolsonaro tem mais a ver com a ditadura, claro, mas também com um motivo prático e imediato: formar uma guarda pretoriana, a partir da ideia de que nenhuma instituição ou movimento público confrontaria essa representação do Exército com a tentativa de um impeachment, que também a alcançaria”.
Impeachment? Com esse Congresso dominado pelas bancadas BBB e o mercado fechado com Paulo Guedes e Trump?

E o que viria depois? O general Mourão?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come…

Bonito não vai ser, com certeza, caro Janio.

Eu não esperava passar por tudo de novo, já entrando na fase de prorrogação da vida.

Faz escuro, cada vez pior, sem luzes à vista.

E vida que segue…

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12
Fev20

Silêncio dos Bolsonaros aumenta suspeitas sobre morte de miliciano

Talis Andrade

 

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por Ricardo Kotscho

Quarenta e oito horas depois, tudo é mistério e silêncio sobre a morte do miliciano Adriano Nobrega, domingo, no interior da Bahia.

Foi queima de arquivo? Houve confronto? Há fotos do corpo? Quem o protegeu na sua fuga? Que segredos guardavam seus 13 celulares? Onde será o enterro?

A família presidencial limitou-se a soltar uma nota do seu advogado, negando qualquer relação com o falecido, que o então deputado Jair Bolsonaro já defendeu da tribuna da Câmara.

Pelo segundo dia seguido, Jair Bolsonaro simplesmente negou-se a falar com os jornalistas sobre o acontecido.

Preferiu exaltar Donald Trump aos seus seguidores na porta do Alvorada. O que Trump teria a ver com isso?

Várias vezes homenageado pelos Bolsonaros, o ex-capitão do Bope da PM era o chefe do Escritório do Crime de Rio das Pedras, acusado de vários crimes e investigado por sua participação no esquema de “rachadinhas” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Assembléia Legislativa do Rio, onde trabalhavam a mãe e a ex-mulher de Nobrega, sob o comando do ex-PM Fabrício Queiroz.

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Foragido há mais de um ano, o miliciano também era próximo dos dois ex-PMs acusados do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, que saíram do condomínio Vivendas da Barra para cometer o bárbaro crime.

Impressionante como a Policia Militar do Rio fornece mão de obra para as milícias, que hoje dominam boa parte do Rio de Janeiro e estão infiltradas nos três poderes.

A única manifestação do governo até agora veio do sempre prestativo procurador geral Augusto Aras, que voltou a pedir a federalização das investigações, como o ministro da Justiça Sergio Moro já havia feito no ano passado.

Sem mais delongas, querem colocar o caso nas mãos da Polícia Federal subordinada a Moro, que acaba de livrar a cara de Flávio Bolsonaro em vários crimes de que era acusado no Rio.

Não parece tudo muito estranho?

Por onde andam aqueles repórteres investigativos tão empenhados em vazar as investigações da Lava Jato sobre Lula e o PT?

Por que será que nenhum deles se interessou até agora em saber o que aconteceu na Bahia, desde o primeiro cerco à mansão onde Nobrega estava escondido, na Costa do Sauípe, antes de fugir para o interior?

Não seria o caso de ir a Rio das Ostras para apurar as ligações de Adriano Nóbrega com o crime organizado e a política, ouvir seus comparsas, mergulhar neste submundo que estendeu seus tentáculos até Brasília, como se viu no premonitório final do filme “Tropa de Elite 2”?

Que fim levaram as investigações sobre as dezenas de funcionários recrutados pelo esquema de Queiroz para alimentar o esquema das “rachadinhas”?

Por falar nisso, que fim levou Fabrício Queiroz? Evaporou?

A quantas andam as investigações sobre os mandantes da execução de Marielle, dois anos após a prisão dos autores dos disparos?

Pautas não faltam, mas ninguém parece interessado em juntar as pontas desse imbroglio federal assolado por fantasmas e coincidências que levam sempre aos mesmos personagens.

Se algum repórter ousa tocar no assunto diante do presidente, no cercadinho do Alvorada, ele solta os cachorros em cima dos jornalistas, xinga a mãe, dá uma banana, e vira as costas.

Até quando assistiremos a este espetáculo deprimente de humilhações e subserviência?

Daqui a pouco, ninguém fala mais no assunto, e voltaremos a tratar só das “reformas” reivindicadas pelo mercado, enquanto as maiores aberrações e evidências de maracutaias logo são “normalizadas”.

Com tantas famílias desabrigadas pelas enchentes e 11 milhões sem emprego, este ano a Quarta-Feira de Cinzas parece ter chegado antes do Carnaval.

Vida que segue.

 

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11
Jan20

A guerra virtual: fake news x memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

O desenho é bem simples: mostra o prédio-sede do Ministério da Educação em Brasilia com a fachada alterada para “Miniztério da Educassão”.

Precisa dizer mais? Quem assina é o chargista Zé Dassilva, que eu ainda não conhecia. Bombou em todos os grupos das redes.Image

Saem os comentaristas políticos e entram os humoristas, que estão tomando conta das redes sociais, na guerra contra as fake news e do ódio desse governo de mentira.

A luta é desigual porque os novos chargistas e humoristas da internet são amadores e enfrentam uma milícia bem armada, movida por robôs e muito dinheiro, para propagar as fake news do capitão e inventar outras.

Com poucas palavras e muita criatividade, vejo com alegria o surgimento desta nova geração que enfrenta com estilingue a tropa de choque do boçalnarismo em marcha.

Por uma feliz coincidência, estamos comemorando estes dias os 50 anos do “Pasquim”, o semanário humorístico que, mesmo sob censura, mais azucrinou os poderosos da época da ditadura militar.

Nenhum editorial ou colunista político tem a força dos traços de Aroeira e Miguel Paiva, dois remanescentes daquela época, que voltaram com a corda toda no Brasil 247, onde fazem parte do grupo Jornalistas pela Democracia, ao qual também pertenço.

Levo horas para escrever um texto que eles resumem num quadrinho para detonar os poderosos e ridículos neofascistas do atual governo.

A ofensiva contra o Porta dos Fundos mostra como os humoristas do traço ou do vídeo estão incomodando esta súcia de imbecis que agridem a democracia e o vernáculo.

O personagem da semana nos memes foi esta aberração chamada Abraham Weintraub, o “imprecionante” analfabeto funcional, sem caráter e seu noção, que está destruindo a Educação brasileira.

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Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Parafraseando Nelson Rodrigues, os cretinos fundamentalistas escolheram o grande Paulo Freire, um dos maiores educadores do século passado no mundo, como alvo principal, sem saber a importância da “Pedagogia do Oprimido” na formação de gerações de brasileiros.

Ou exatamente por isso ele foi preso e exilado pela ditadura de 1964, e continua sendo combatido mesmo depois de morto, por esses completos idiotas que assumiram o poder pelo voto.

Piores que eles são os que votaram nesta canalha, porque estes vão continuar infernizando o país, mesmo depois que Bolsonaro se for.

Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Vida que segue. 

 

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23
Dez19

Jornalistas deviam evitar circo do Alvorada

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho

 
O circo montado há meses por Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada foi dividido assim:
de um lado, o gradil do chiquerinho dos jornalistas, com uma plataforma de microfones, mantendo os repórteres à distância para a “entrevista coletiva”; de outro, bem ao lado, outro chiqueirinho para o “grupo de apoiadores” de camisas amarelas, que ficam batendo palmas e atiçando o capitão a bater pesado nos jornalistas.

Até hoje não entendi como as empresas e os profissionais podem se submeter a isso.

Na manhã desta sexta-feira, foi um festival de baixarias do presidente da República (!), que ficou completamente transtornado quando os repórteres lhe perguntaram sobre o caso Flávio & Queiroz.
 

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Ao ser perguntado por um repórter de O Globo se tinha comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que teria feito ao motorista Fabrício Queiroz, ele destrambelhou de vez:

“Oh, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?”

Muito aplaudido por meia dúzia de debilóides que urravam, Bolsonaro se empolgou e partiu para o ataque contra outro repórter:

“Você tem cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual…”

E foi por aí, até virar as costas e sair batendo o pé, indignado.

Se o presidente não se dá ao respeito, as empresas deveriam poupar seus profissionais de participar desse teatro grotesco e exigir mais civilidade nas “entrevistas coletivas”, que mais parecem bate-bocas de mesa redonda de futebol.

Não existe no mundo “entrevista coletiva” com platéia de apoiadores atrapalhando quem está ali para entrevistar o presidente sobre os assuntos quentes do dia.

Eu fui Secretário de Imprensa e Divulgação no começo do governo Lula, durante dois anos, e nunca aconteceu nada parecido a isso.

São testemunhas os repórteres setoristas que cobriam o Palácio do Planalto naquela época, que sempre foram tratados com o maior respeito pelo presidente e por mim.

Às vezes, é verdade, eu tinha que afastar algum microfone ou gravador, de algum repórter mais afoito, da boca do presidente, para colocar ordem na bagunça.

Mas nunca houve ofensa a nenhum profissional e todos tinham condições de fazer seu trabalho, repórteres e fotógrafos.

É preciso dar um basta nessa palhaçada.

Que organizem essas entrevistas no Palácio do Planalto, com regras civilizadas, sem platéia de áulicos e batalhões de seguranças intimidando jornalistas.

Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas e a Associação Brasileira de Imprensa, entidades para as quais eu já fui eleito em outros tempos, deveriam zelar pela dignidade do exercício profissional.

Chega de baixaria!

Vida que segue.
 

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23
Dez19

Quando os jornalistas não eram palhaços de circo mambembe

Talis Andrade

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Lendo Kotscho lembro meus tempos de setorista no Palácio das Princesas nos governos Cid Sampaio, Miguel Arrais e Paulo Guerra.

Eu escrevia a coluna "Ontem, em Palácio", para o Diário de Permanuco. 

Havia a Sala de Imprensa no Palácio. Nenhum jornalista ficava no sol, na chuva ou no frio da noite. Tinha entrada livre, a Sala era território livre, como ainda hoje as embaixadas, apesar da tentativa bolsonarista de invadir a Embaixada da Venezuela em Brasília.

Não atuei na imprensa de Brasília, mas sei que lá, por informações e vivências de jornalistas amigos, também existia uma Sala de Imprensa ( com máquinas de escrever, telefone, cafezinho, teletipo, todo o luxo e tecnologia da época). Mesmo nos tempos de chumbo era um espaço livre. Me lembro do mando de Texeirinha, Antônio Texeira Junior, que tem um busto em uma praça de Boa Viagem, Recife, bem indicativo do antigo prestígio da profissão.

Ensinei Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, e Sala de Imprensa fazia parte do currículo, quando se discutia Liberdade de Imprensa, Comunicação Governamental, Jornalismos Investigativo e Opinativo.

Cada meio de comunicação credenciava um profissional. 

Durante a Ditadura Militar, que autoritarismo fez desaparecer a sala de imprensa dos palácios? 

Por que esse espaço de Liberdade não foi reconquistado com a volta da Democracia, das eleições de presidentes civis e diretas para governador? 

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15
Dez19

BRASIL DO ÓDIO E DA MORTE VIRA UM PUXADINHO DAS “VIVENDAS DA BARRA PESADA”

Talis Andrade

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Bolsonaro conseguiu: em menos de um ano de governo, o Brasil virou o país do ódio e da morte, da tristeza e da melancolia.

Os noticiários da TV deste domingo dão conta de que sete corpos foram encontrados na caçamba de um caminhão em Angra dos Reis, no Rio, depois de um dia inteiro de tiroteios que deixaram outras vítimas de balas perdidas.

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Em Salvador, três adultos e uma criança foram mortos numa chacina.

Ainda no Rio, com a greve na saúde, por falta de salários, pacientes morrem nas filas sem atendimento e familiares deles levam cestas básicas para funcionários do hospital que passam dificuldades.

Em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, a polícia estoura uma rinha de cães da raça pitbull, em que os criminosos fazem um ritual para assar os cachorros mortos na brasa.

Foi o que eu consegui ver, mas deve ter muito mais e pior neste domingo, um dia normal, depois que o capitão presidente e sua tropa de figuras abomináveis assumiram o poder.

Nos supermercados, clientes brigam com os atendentes por causa do preço da carne.

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Este grande país, outrora respeitado e admirado, virou apenas um puxadinho do condomínio miliciano “Vivendas da Barra Pesada”, de onde saíram os Bolsonaros para ocupar o Planalto.

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A dez dias do Natal, não vejo enfeites nem na Oscar Freire, os pinheirinhos nas lojas murcham por não encontrar fregueses e os moradores de rua continuam deitados nas calçadas, pedindo uma ajuda.

Na frente de uma loja de móveis, com uma enorme cama de casal, um coitado dorme sobre papelões.

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Este é o retrato do Brasil do bolsonarismo galopante, que avança, sem encontrar barreiras.

Quem ainda pode promover feijoadas ou churrascos com os amigos para comemorar não sei o que?

Vivemos um clima de fim de feira, em que os deserdados disputam a xepa, antes da chegada do caminhão do lixo. Ninguém lhes dá um alento.

Num país em que os pobres voltaram a ser miseráveis, e a “nova classe média” pensa que faz parte da elite, 34 mil pessoas estão morando nas ruas de São Paulo, a cidade mais rica do país, e todo mundo acha isso normal, nem repara.

Numa época em que as pessoas pareciam ficar mais felizes e solidárias, eu só vejo gente triste, melancólica, estressada, correndo para cumprir seus compromissos., fazer as compras.

Só se encontra ainda alguma alegria nos botecos, depois de muita cerveja _  isso quando os bolsominions não provocam alguma confusão, agora que eles estão no poder e se acham os maiorais.

É tanta estupidez, falta de respeito com quem pensa diferente, que prefiro ficar em casa, lembrando outros natais.

O discurso do ódio venceu, numa guerra verbal ideológica e furiosa, fratricida.

“Estamos de retorno à idade Média em termos de valores, com esse poder neoliberal, imposto por meio da força e das crenças, um discurso moralista pentecostal”, tenta explicar Joel Birman, psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Mário Sergio Conti, em entrevista ao programa “Diálogos”, na Globonews.

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Por mais que eu queira, é difícil mudar de assunto quando você está no meio de uma tempestade que imobiliza as pessoas e nos deixa cada vez mais sem saída.

Apesar de tudo, vida que segue.

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