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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Out21

"André Esteves usa Veja para apoiar Bolsonaro"

Talis Andrade

 

 

Em participação no Bom Dia 247, na TV 247, neste sábado (30), o jornalista Joaquim de Carvalho comentou a reportagem da Veja que ataca o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).Capa da revista Veja 29/10/2021

A Veja, que pertence à Editora Abril e que tem o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, como proprietário, está sendo utilizada para beneficiar o governo Jair Bolsonaro, de acordo com Carvalho.

Alcolumbre foi atacado porque é ele quem tem o poder - como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado - de definir a data da sabatina de André Mendonça, indicado por Bolsonaro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Este é o motivo pelo qual a publicação veio à tona, para pressionar o parlamentar a pautar a sabatina.

Para o jornalista, André Esteves, por meio da Veja, "está apoiando o Bolsonaro pelo conjunto da obra, porque o Bolsonaro serve aos interesses dele e ao interesse do grande capital. E isso já vem de antes. Em 2018 a Veja fez uma capa desonesta na qual colocou a foto do Paulo Guedes - e é exatamente como o mercado vê - e o título era: 'ele vai governar o Brasil'. E depois tinha só no subtítulo dizendo que era o Bolsonaro, que se ele se elegesse o Guedes seria o cara que ia tomar conta da economia e ia corrigir os problemas da economia. Não aconteceu nada disso".

"Então na verdade eles estão interessados é na privatização da Petrobrás, no que ocorreu já, da retirada dos direitos [dos trabalhadores], estão interessados na entrega do pré-sal para grandes corporações fora do Brasil. O interesse deles é esse, e em dividendos espetaculares, obviamente, que a Petrobrás paga. O Bolsonaro representa os interesses do grande capital. Foi sempre assim", completou.

André Esteves e Joaquim de Carvalho

O banqueiro, com pinta de playboy, comprou uma revista com todo o gado peba - uma redação de jornalistas com cabrestos da direita volver

24
Out21

A revista 'Veja' e o antijornalismo de ódio

Talis Andrade

caso-veja-nassif-livro

 

por Rede Brasil Atual

Para o jornalista Luis Nassif, editor do site Jornal GGN as rede de fake news e de discursos de ódio, que vieram à tona com Jair Bolsonaro, têm raiz na maneira como a mídia comercial passou a se comportara partir de 2005, em especial, a revista Veja. Para Nassif, a publicação semanal é o principal responsável pelo “antijornalismo” que implementou uma lógica de intimidação, assassinato de reputações e de assédio judicial que hoje estão no cerne do bolsonarismo. 

A crítica histórica é explorada no livro Caso Veja: o naufrágio do jornalismo brasileiro, recém lançado pela Kotter Editorial. O obra retrata parte o apogeu seguido da crise da imprensa no Brasil, como detalhou o autor em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual. 

“Eu conto essa história, mostro qual era a lógica desses grupos de mídia. Ou seja, os grupos que eram incumbidos de levar a palavra do povo na discussão política, um fator essencial da democracia. Mas mostro que esses eram grupos que tratavam a notícia como um produto comercial, então queriam vender mais. Se o povo quer sangue, dá-lhe sangue. Eles usavam a notícia como ‘chantagem’ para conseguir anunciantes. Isso no Brasil e em outros lugares do mundo. Vou contando essa história e depois me concentro em casos mais absurdos da revista Veja, as fake news mais absurdas, mostrando como chegamos hoje a Bolsonaro e essas redes de ódio”, observa Nassif. 

A fórmula importada

A investigação que levou ao seu novo livro teve início quando o próprio jornalista se viu alvo da “máquina de moer reputações da Veja“, como classifica. Nassif, então colunista de Economia da Folha de S. Paulo ,foi um dos primeiros alvos de uma fórmula implementada por Rupert Murdoch no grupo da Fox News, nos Estados Unidos, importada ao Brasil por Roberto Civita, ex-diretor editorial do Grupo Abril e editor da revista Veja. Essa lógica era incrustada nos discursos do campo da direita, que usava de ofensas contra adversários para vencer uma “guerra cultural”. 

“A ideia deles era de que com esse poder, eles iriam se tornam protagonistas políticos, comandantes de partidos. E a partir desse controle impediriam a entrada de novos grupos”, aponta Nassif. 

Essa caminho, segundo ele, era uma forma que essas empresas encontraram de seguir relevantes em meio a uma mudança radical no padrão de mídia, com a entrada da internet e suas redes sociais. O auge do setor dos anos 90, já estava em declínio com o acúmulo de dívidas, a quebra de empresas e a desvalorização do câmbio.

E o caminho de reeditar o discurso do inimigo externo por meio da retórica da ultradireita era tida como a grande aposta do grupo Abril. O que também ganhou a conivência das demais famílias que controlam os principais veículos de comunicação do Brasil.Image
 
O modelo de antijornalismo

A partir daí, Nassif destaca na obra que houve uma ofensiva para afastar jornalistas não alinhados e mais independentes à linha editorial. “E esse estilo veio simultaneamente com ataques da Veja, através do Diogo Mainardi”, afirma. 
“Eu percebi que estava tendo mudanças tectônicas no jornalismo brasileiro. Saio da Folha tempos depois, levo seis meses para entender o que estava acontecendo e começo a série ‘O Caso de Veja‘. E a partir daí, gradativamente, a gente vai desvendando a loucura. Eles contratam o Reinaldo Azevedo para tentar me desmoralizar através de seus ataques. Tenho 500 páginas de ataques terríveis dele e do Mainardi que, ao invés de me derrubarem, me incentivaram a continuar. E eu continuei a série contando todos os principais podres da Veja. Quando cheguei na ligação da revista com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, eles pararam de me atacar e entraram com cinco ações judiciais”, descreve o jornalista. 

Além de jogadas comerciais e partidárias, Nassif também revela a Glauco Faria o modelo de reportagem da revista, baseado inicialmente em dados verdadeiros e relevantes, mas que não precisavam ter relações com o contexto da denúncia. O principal, garante ele, era dar à notícia um aspecto cinematográfico, a despeito da veracidade, imparcialidade e da ética. O que levou a reportagens escabrosas, como uma entrevista inventada com o músico Marcelo Nova, e sobre fantasiosas contribuições das Farcs e de Cuba ao PT, entre outras. “E foi assim que eles perderam a guerra jornalística. O caso Veja ajudou a mostrar que eles não eram de ferro”, conclui Nassif.
 
 
10
Out20

Fim da Lava-Jato e a nova Arena de Bolsonaro

Talis Andrade

trono arena_gilmar.jpg

 

 

Por Rodrigo Vianna

- - -

"Não vai ficar pedra sobre pedra".

A frase de Dilma, dita alguns meses antes do Golpe de 2016, ecoa como uma espécie de maldição.

Os golpistas foram soterrados, um a um.

Eduardo Cunha (MDB-RJ), comandante da tropa de choque no Congresso, segue preso. 

Aécio Neves (PSDB-MG) experimenta a morte política em vida, e nesta semana chegou a ser renegado pela candidata do PSDB em Belo Horizonte. 

Os tucanos paulistas José Serra e Aloysio Nunes, fiéis servidores do governo golpista de Michel Temer (MDB), foram denunciados judicialmente e caminham para o ocaso humilhante.

O Golpe de 2016, como se sabe, reuniu várias forças: o lavajatismo de Curitiba, a covardia do PSDB, o oportunismo do MDB... tudo com patrocínio de Washington, e sob auxílio luxuoso da Globo e de seus satélites na imprensa. 

A Globo e o que sobrou da Abril, aliás, também colhem o que plantaram: vivem crise financeira e perdem relevância. 

Faltavam os lavajatistas. 

Nas últimas semanas, Deltan powerpoint Dallagnol disse adeus à ribalta; e Sérgio camisa preta Moro pode dar adeus ao Brasil: a mulher dele anuncia que o ex-juiz sente-se intimidado pelo bolsonarismo que ele e os garotos curitibanos ajudaram a fomentar. 

Nos EUA, certamente, Moro e a conje andarão em agradável cia.

O resumo da opereta é que o poder não se consolidou nas mãos dos golpistas "liberais", mas caiu no colo da extrema-direita - que teve papel marginal (em vários sentidos) no processo de 2016.

A Lava-Jato e Moro, o PSDB e Temer, a Globo com kamels/mervais e outras miniaturas jornalísticas: todos eles perderam importância.

A extrema-direita mostra-se muito mais habilidosa do que supunham tucanos e estrategistas do Jardim Botânico. 

E aí entramos na segunda parte desse artigo...

A Nova Arena

lava_jbosco.jpg

 



Em maio de 2020, Bolsonaro flertou com o golpe e com um regime abertamente fascista. Foi contido.

Mas a pandemia deu a ele a chance de livrar-se do lavajatismo, lançando também ao mar alguns incômodos personagens marginais (em vários sentidos): allans, copollas, malafaias, olavos e saras agora choram pelos cantos.

Falta resolver a equação econômica: aparentemente, fica o neoliberalismo, mas sem os "exageros" de Paulo pinochet Guedes.

É como se tivéssemos dois governos Bolsonaro:

- o primeiro ano e meio reuniu lavajatismo, ultraliberalismo, terraplanismo e todo tipo de delinquência moral e política;

- a partir de agora, temos um bolsonarismo "contido" (mas não menos perigoso).

O abraço em Toffoli, a nomeação de Kassio Nunes para o STF e a reunião com os gorduchos garotos da velha política: são símbolos dessa nova fase.

É preciso lembrar que o regime militar de 1964 levou quase dois anos para organizar uma base institucional que só em 1966 passaria a flutuar em torno da Arena - o fiel partido da ditadura reunia caciques regionais, militares, direita tecnocrática e anticomunista, além de uma ampla gama de oportunistas provincianos; nos anos 1980, trocou de nome para PDS.

Bolsonaro parece lançar-se na construção de um novo "Arenão".

Abandona a ideia de um partido ideológico (o tal Aliança Brasil naufragou, não houve coleta de assinaturas suficientes), e prefere abraçar-se com as forças que já estão aí - desde 1500.

No Arenão, cabem: o PP, o PSD de Kassab, o Republicanos de Edir Macedo. 

E, ao que parece, sobra espaço para acomodar o DEM de Maia e Alcolumbre. 

Reparemos que são todos eles "filhotes" do velho partido da ditadura.

O PP é descendente direto da Arena/PDS. Já o DEM é a continuação do PFL (dissidência da Arena/PDS que permitiu eleger Tancredo/Sarney em 1985). O PSD de Kassab por sua vez é uma costela do DEM.

Ao se observar o mapa eleitoral de 2020, nota-se que o "bolsonarismo raiz" (feito de youtubers, pastores oportunistas e militares tresloucados) não mostra tanta força. Já o Arenão ocupa o lugar de MDB e PSDB como representante da direita.

PSD tem boas chances em BH, Campo Grande e Goiânia. DEM pode vencer no Rio e em Curitiba, Florianópolis e Salvador.

O PSDB está forte apenas em Natal e Palmas. E vai precisar suar muito pra manter São Paulo.

Imaginava-se que DEM/PSDB tentariam juntos organizar um "campo intermediário" para concorrer com a esquerda e o bolsonarismo em 2022. Parece que esse meio do caminho será sugado pelo bolsonarismo, num novo arranjo.

Mais do que a sopa de siglas, importa notar que o regime Bolsonaro, sob tutela dos militares e do Centrão, busca institucionalizar-se: consolida-se em parceria com uma direita parlamentar, habilidosa e com amplas ramificações nos municípios.

Se, de um lado, esse Arenão "modera" Bolsonaro, de outro sinaliza para uma estabilização do regime, que ganha assim mais chance de se prolongar para além de 2022.

O que pode atrapalhar esse plano: a economia em frangalhos, o caos social e a derrota de Trump nos EUA. 

Por fim, fica claro que a esquerda colherá poucos bons resultados nas urnas em 2020. 

A saída é manter-se firme, renovar lideranças e voltar ao trabalho de base. Sem abrir mão da herança lulista.

A batalha será longa. O inimigo parece tosco, mas tem muita capacidade de construir novas alianças, repaginando velhas arenas.
02
Out20

Gleisi festeja absolvição de Lula

Talis Andrade

dia da condenação injusta.jpg

 

Hoje 2 de Outubro, Dia da Condenação Injusta, a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores comentou nesta sexta-feira a decisão da juíza Gabriela Hardt, que absolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da acusação de que havia lavado dinheiro com palestras recebidas de empreiteiras. Segundo Gleisi Hoffmann, a “justiça tarda mas não falha”. 

 
 
Gleisi Hoffmann
 
@gleisi
Precisamos esperar 5 anos mas taí, a justica tarda mas não falha. Está desmontada mais uma tese de Dallagnol e Moro que armaram uma tramoia jurídica contra Lula. Agora cabe ao STF votar a suspeição desse ex-juizeco e Lula reaver seus direitos políticos. #JustiçaParaLula
 
 
Image
04
Mai18

Revista Veja entra na prisão onde está Lula, cujo acesso foi proibido ao Nobel da Paz, governadores, senadores, deputados federais 

Talis Andrade

 

 

DCM - Enquanto a juíza Carolina Moura Lebbos (de rosto desconhecido) barrou a entrada do prêmio Nobel da Paz Esquivel, do teólogo Leonardo Boff e de governadores, senadores, deputados federais e amigos do ex-presidente, a revista Veja dá como “reportagem” de capa o texto com o título “EXCLUSIVO: A vida de Lula no cárcere”.

 

veja.jpg

 

Num ataque descarado, a semanal da Editora Abril descreve o calibre da espingarda do segurança, afirma que o ex-presidente Lula está num cômodo de 15 metros quadrados e que o ambiente é monitorado de câmeras. O mesmo texto repete que ele tem como refeição pela manhã café preto e pão com manteiga, além de sofrer de diabetes.

 

Como Carolina permitiu a entrada do repórter da Veja para seu jornalismo de guerra é uma boa pergunta, considerando o transtorno que ela causou à ex-presidente Dilma Rousseff em Curitiba.


Batata que isso ia acontecer.

 

 

 

 

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