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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Jul20

Cahora Bassa, Itaipu, Três Gargantas. As barragens onde da água nasce a luz

Talis Andrade

 

São grandes obras de engenharia que afirmam a intervenção da mão humana na paisagem, nem sempre com o equilíbrio desejado. Estas são algumas das maiores barragens alguma vez construídas, capazes de produzir eletricidade para abastecer dezenas de países

por Maria João Martins/ Diário de Notícias/ Portugal
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Mantêm quase sempre os nomes que os antigos davam àquele lugar do rio: Cahora Bassa,
como os homens de Tete indicavam que, a partir dali, o Zambeze não era navegável. Ou Itaipu, termo com que os guaranis celebravam a água que canta. E assim sucessivamente. Mas desses tempos ancestrais resta apenas o velho desejo humano de pôr a natureza ao seu serviço e, do ímpeto dos grandes rios, fazer a luz que nos ilumina e a energia que nos move.

Cahora Bassa (Moçambique)Barragem de Cahora Bassa - Moçambique

No final dos anos 1960, com a Guerra Colonial a abalar o regime (e a sociedade portuguesa), o projeto de uma grande barragem no rio Zambeze, em Moçambique, divide o Governo de Marcelo Caetano. Baltazar Rebelo de Sousa, governador da então província ultramarina, considera que uma obra de tal dimensão, capaz de fornecer eletricidade também à Rodésia (atual Zimbabwe) e à África do Sul, solidificará a presença portuguesa na região. Mas, em Lisboa, homens como o ministro das Finanças, João Dias Rosas, pensam que o investimento é excessivo para uma região de soberania incerta. Não obstante, as obras iniciaram-se em 1969, exigindo uma vigilância reforçada pela tropa portuguesa e uma operação logística muito complexa, já que o facto de todas as peças da futura barragem serem importadas da Europa obrigou, entre outras medidas, à pronta modernização do porto da cidade da Beira. Em 1974 começou-se a encher a gigantesca albufeira no lugar onde o rio se estreita e passa a impedir a navegação e o trabalho humano - kahoura-bassa em língua nyungue, idioma bantu, falado por mais de 400 mil pessoas na província de Tete. Nos acordos de Lusaka, Portugal e Moçambique chegaram a acordo quanto à gestão do empreendimento, mas a guerra civil no território levou-o a trabalhar, sobretudo na década de 1980, muito aquém das suas possibilidades. Mais de 40 anos depois de inaugurada, continua a ser a maior barragem em betão de África e a maior obra alguma vez edificada pelos portugueses nas antigas colónias. A sua albufeira é a quarta maior do continente, imediatamente a seguir a Assuão (Egito), Volta (Gana) e Kariba (na fronteira do Zimbabwe com a Zâmbia).

Três Gargantas (China)Três Gargantas cumpre três funções estratégicas para a China: energética, ambiental e de navegação

A maior central hidroelétrica do planeta situa-se na China, transformando em energia a força do maior rio da Ásia, o Yang-tsé. Pensada pelo menos desde 1919, chegou a ser iniciada pelo Governo nacionalista de Chiang Kai-shek e os próprios japoneses tinham-na prevista nos seus planos de ocupação da China. Todavia, as obras só se iniciaram em 1993 e sua conclusão ocorreu em 2012, após 19 anos de trabalho, participação de 40 mil trabalhadores e um custo estimado em 28 biliões de dólares. Possui um reservatório de água de mais de 600 quilómetros cúbicos, mais de 2,2 quilómetros de comprimento e o topo da barragem está 185 metros acima do nível do mar. O projeto utilizou 16 milhões de metros cúbicos de concreto e aço, o suficiente para construir 63 torres Eiffel. Tem uma capacidade instalada de 22 500 MW, mas a produção de eletricidade não foi o único objetivo da sua construção, também foi possível reduzir o potencial de inundação do rio Yang-tsé ao longo dos mais 6000 quilómetros do seu leito. A construção da Três Gargantas não foi, todavia, isenta de polémica interna e externa, já que destruiu sítios arqueológicos e desalojou mais de um milhão de pessoas.

Itaipu (Brasil-Paraguai)

Construída no rio Paraná, é um empreendimento conjunto do Brasil e do vizinho Paraguai inaugurado em 1984. O seu lago tem uma área de 1350 quilómetros quadrados, indo de Foz do Iguaçu, Foz no Brasil e Ciudad del Este, no Paraguai, até Guaíra e Salto del Guairá, 150 quilómetros a norte. Foi até à conclusão das Três Gargantas a maior barragem, mas em 2016, quando já perdera esse título, realizou um feito histórico ao produzir, num ano, mais de 100 milhões de MWh de energia limpa e renovável, batendo o recorde do gigante chinês. Em território brasileiro localizam-se ainda outras grandes obras do género, como Tucuruí e Belo Monte, ambas no estado do Pará.

Guri (Venezuela)

Guri-Venezuela.jpg

 

No rio Caroni, a 100 quilómetros da foz do rio Orinoco, encontra-se a Central Hidroelétrica Simón Bolívar, também conhecida como represa de Guri. A sua construção foi iniciada em 1963 e só ficou totalmente concluída em 1986, formando o segundo maior lago artificial do país, logo a seguir ao de Maracaibo. Em março de 2019, em plena crise energética, Nicolás Maduro chegou a noticiar que a barragem fora sabotada por opositores ao seu Governo.

Grand Coulee (Estados Unidos)

Situada no rio Columbia, no estado de Washington, a central hidroelétrica de Grand Coulee começou a ser pensada como parte do New Deal, a política de obras públicas com que o presidente Franklin Roosevelt procurou responder à tragédia do desemprego em massa durante a Grande Depressão. Construída por fases (só ficou totalmente concluída em 1974), tornou-se uma das mais famosas do mundo, devido ao tamanho e à envergadura: a sua barragem possui 1,6 quilómetros de largura e o dobro da altura das cataratas do Niágara. O cantor folk Woody Guthrie dedicou-lhe várias canções enquanto trabalhou na área ao longo da década de 1940.

27
Jun20

Manaus é a metáfora do saneamento privatizado

Talis Andrade

A sede do senador Coca-Cola

 

No ranking das dez piores cidades em coleta de esgoto, Manaus é a sexta colocada com apenas 12,43% da população beneficiada

por Roberto Malvesi

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Quer saber como será o futuro do saneamento privatizado do Brasil? É só ver os dados do saneamento de Manaus, o preço da água, a satisfação dos clientes, a abrangência do que foi feito até hoje. No ranking das dez piores cidades em coleta de esgoto, Manaus é a sexta colocada com apenas 12,43% da população beneficiada, dado do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – base 2018)[1].

A situação de Manaus é pior que Belém e Macapá. E é bom sempre lembrar que o saneamento básico envolve o abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, manejo dos resíduos sólidos e a drenagem da água de chuva.

O serviço controlado pelo Grupo Aegea Saneamento e Participações, que atua na cidade através da concessionária Águas de Manaus, tem esse serviço público sob sua responsabilidade desde o ano 2000. Portanto, 20 anos para fazer o que fizeram em termos da tão propalada eficiência do setor privado. Bom observar que é uma Parceria Público Privada (PPP), não uma privatização como a proposta no projeto agora aprovado. 

O velho discurso do capital nunca se faz de rogado. Anuncia que haverá bilhões de reais em investimentos, milhões de empregos serão gerados, que os índices nacionais de saneamento são uma vergonha e precisam ser melhorados. De fato, nossos índices são vergonhosos, mas a solução apontada é mais vergonhosa ainda. 

O Brasil criou uma lei e uma política de saneamento básico (11.445/2007), criou um Ministério das Cidades depois desfeito, tem recursos do FGTs e outros para investir no setor. O que sempre faltou foi vontade política. 

Se a privatização fosse a solução, Paris e mais de 260 cidades do mundo não teriam desprivatizado seus serviços de água. E o argumento é bem simples, os serviços pioraram de qualidade e se tornaram muito mais caros. Então, o único remédio foi desprivatizar. 

O capital vai seguir o roteiro das outras privatizações já tão óbvias, isto é, onde houver lucro, vai investir. Onde houver despesas deixará o osso para o Estado, como já disse claramente o senador Jaques Wagner da Bahia. Assim são as estradas, os aeroportos e demais serviços privatizados. Pior, se der errado, devolvem o bagaço para o Estado.

Sem ilusões, só restarão privatizados os serviços de saneamento lucrativos. Nosso povo empobrecido e periférico continuará na lama, no meio dos esgotos, nas inundações, no lixo e sem água potável para beber. 

OBS: É preciso analisar melhor o projeto aprovado, já que parece estabelecer o mercado de outorgas de água, uma mercantilização dos mananciais que tínhamos derrotado até agora. O que seria o horror dos horrores. Mas, esse é assunto para outro texto.

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[1] O saneamento privatizado de Manaus lidera o ranking de reclamações. https://amazonasatual.com.br/o-saneamento-privatizado-de-manaus-lidera-o-ranking-de-reclamacoes/

 

22
Fev20

Brasil à beira do apartheid hídrico

Talis Andrade

Patrulhas armadas, drones e muros já bloqueiam acesso a rios e represas brasileiros. Privatização do saneamento e da Eletrobras ameaçam levar segregação a todo o país. Surge uma pauta política obrigatória: o Direito à Água desmercantilizada

 

Texto Antônio Martins

Fotos Dida Sampaio

Elementos insólitos marcam agora a paisagem, nos canais de irrigação que desviam a água do Rio São Francisco para as grandes fazendas de fruticultura do Nordeste. Em Petrolina (PE), seguranças armados ao estilo Robocop, apoiados por drones, deslocam-se em motocicletas, vigiando a canaleta, para que a população não tenha acesso à água. Os moradores precisam arriscar-se, furtivos, para matar a sede. Em Cabrobó (PE), surgiu um enorme muro, diante do conduto da “transposição”. Agricultores que estão a menos de cem metros da corrente já não tem acesso a ela, nem como dessedentar suas poucas cabeças de cabras. As cenas, que parecem brotar de uma ficção distópica, estão em algo hoje raro na mídia comercial brasileira: uma reportagem. O jornalista Patrick Camporez passou semanas viajando pelas regiões onde estão explodindo os conflitos pela água no país. Seu relato está numa sequência de quatro matérias (1 2 3) que O Estado de S. Paulo começou a publicar domingo (2/2) e se estenderá até amanhã.

Brasil dispõe de 12% de toda a água doce que há no mundo. O acesso à água, abundante, foi por séculos livre. Até há duas décadas, quase não havia conflitos. Este cenário está se transformando rapidamente, mostra Patrick. Nos últimos cinco anos, foram registrados 63 mil boletins de ocorrência policiais registrando confrontos. Surgiram 223 “zonas de tensão”. Os casos são muito diversos, mas o contexto é comum. O poder econômico – agronegócio, administração de hidrelétricas, indústrias, grileiros interessados em se apropriar de terras públicas – tenta, de múltiplas maneiras, restringir o acesso a rios e represas. O Estado quase sempre o apoia. Agricultores familiares e comunidades tradicionais – índios e quilombolas – são as grandes vítimas. 

As mortes se multiplicam. Em Santarém, na confluência de dois dos maiores rios do mundo (Amazonas e Tapajós), o líder quilombola Haroldo de Silva Betcel teve uma grande chave de fenda fincada às costas pelo capataz de uma fazenda. A região virou polo sojeiro. Haroldo cometeu o “crime” de se rebelar contra os fazendeiros, que compraram terras, cercaram igarapés e bloquearam o acesso do quilombo Tiningu (existente desde 1868) à água. Em Colniza (MT), outra fronteira de expansão do “agro”, um agricultor foi morto, e nove feridos, a bala por jagunços de grandes proprietários, quando retiravam o líquido no Rio Traíra.

Os métodos chocam. Notórios desde os tempos da colônia por seu conhecimento sobre os labirintos aquáticos, os índios Mura, do Amazonas, estão atônitos com uma nova ameaça: os búfalos. Os proprietários rurais soltam os animais nos igarapés, para que levantem lodo do fundo dos leitos, tornem a água insalubre e devastem a vegetação rasteira das margens, alimento dos peixes de que dependem os Mura.

Dois retrocessos políticos de enorme gravidade ameaçam submeter 200 milhões de brasileiros ao tormento revelado por Patrik Camporez. A privatização da Eletrobras colocará em mãos privadas, se concretizada, não apenas a geração de energia, mas também as centenas de barragens que regulam e condicionam o fluxo de nossos rios. Controlados por empresas cujo objetivo é o lucro, as represas serão vistas não como um Comum, mas como um ativo a ser explorado da forma mais rentável possível. Em sua mensagem à reabertura do Congresso, este ano, Bolsonaro elencou a medida entre suas prioridades, no ano legislativo que começa.

Já a população urbana está diante do projeto que privatiza o abastecimento de água e os serviços de saneamento – hoje públicos em quase todo o país. Está no Senado, já tendo passado pela Câmara, texto neste sentido, também encaminhado pelo Palácio do Planalto. Entre diversos itens bizarros, um dispositivo obriga as prefeituras a oferecerem à iniciativa privada o “direito” de apresentar propostas para a compra dos serviços municipais de água e esgoto. A proposta coloca o Brasil na contramão de uma tendência internacional. Um relatório do Transnational Institute revelou, em 2017, que em 180 cidades, de 35 países – da Bolívia à Alemanha haviam revertido a privatização de seu abastecimento. Entre outras razões estavam a piora nítida dos serviços e o aumento acentuado das tarifas – ambos ditados pela necessidade de gerar lucros para os acionistas. Vale lembrar que o Estado de S.Paulo apoia tanto a privatização da Eletrobras quanto a do abastecimento urbano

Tanto pelo que já ocorreu, quanto pelo que ainda está em jogo, em tempos áridos, surge no Brasil mais uma pauta – para uma esquerda que esteja disposta a enxergar os dramas concretos da população e os horizontes pós-capitalistas. Trata-se de conceber e propor medidas concretas para que a água seja direito, e não mercadoria.

Inclui derrubar muros e desarmar milícias; desapropriar os proprietários de terra que restrinjam o acesso da população a cursos de água que passam por suas posses; assegurar que todos possam servir-se livremente dos rios, lagos e canais – na medida necessária para seu consumo, a manutenção de suas lavouras familiares e a dessedentação do gado.

Envolve, em especial, garantir o que nunca foi feito antes: um vastíssimo programa de obras públicas para despoluir os rios urbanos, enfrentar as crises hídricas que fustigam metrópoles como São Paulo e Rio, superar nosso imenso atraso em saneamento – especialmente nas periferias – e converter a água num Comum. Ele gerará, ao mesmo tempo, centenas de milhares de ocupações, de todo tipo. Será financiado com os recursos de uma Reforma Tributária e com a emissão de moeda pelo Estado – ou seja, com os mesmos métodos usados para salvar os bancos, em tempos de crise, mas agora com enorme ganho social.

Vivemos tempos de grandes ameaças, mas enormes possibilidades. Os programas de “reformas fracas” já não dialogam com uma sociedade angustiada. É preciso pensar o pós-capitalismo.

 

11
Mai19

A ÁGUA BRASILEIRA CORRE PARA AS MULTINACIONAIS

Talis Andrade

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O Brasil caminha na contramão do resto do mundo. A privatização do serviço de água, sob o formato de concessão ou PPP, e a autorização de captação desse bem em larga escala por grandes empresas, têm sido comuns em todo o país, escreve David Boys em Le Monde. 

 

Ao redor do mundo, uma onda de remunicipalização tem devolvido às mãos públicas os serviços de água – na grande maioria das vezes, após décadas de má gestão privada.

 

Tim Smedley escreve para BBC: No Brasil, a cidade de São Paulo quase ficou sem água em 2014 durante a pior seca da sua história - sendo que o país concentra de 12% a 16% da água doce do mundo.


O principal reservatório que atende à maior cidade brasileira chegou a operar com apenas 3% da sua capacidade - muito inferior à crise hídrica da Cidade do Cabo em 2018, em que as autoridades ameaçaram cortar o abastecimento, caso os reservatórios atingissem 13,5% da sua capacidade."

 

Smedley: Fala de 'roubo' de água: De acordo com Dorcas Pratt, vice-diretora da Water Witness International, organização voltada para o desenvolvimento sustentável, "a grande questão é que 62% do uso de 'água virtual' no Reino Unido - a quantidade de água necessária para produzir os alimentos que consumimos e produtos que usamos - é proveniente do exterior".
"Nossa pegada hídrica global significa que a água usada pelo Reino Unido está interligada com a de comunidades e economias no mundo todo", diz Pratt.

 

O Brasil já entregou a empresas internacionais suas fontes de água. Mas Bolsonaro pretende a entrega total:

 

Não devemos esquecer o alerta de David Boys: "No Brasil, há o caso de Itu, no interior do Estado de São Paulo, onde ocorreu a remunicipalização do serviço de água e saneamento após oito anos de gestão privada (2007-2015), que causou o maior racionamento e um levante popular sem precedentes na história da cidade.

Apesar desse exemplo, o Brasil caminha na contramão do resto do mundo. A privatização do serviço de água, sob o formato de concessão ou PPP, e a autorização de captação desse bem em larga escala por grandes empresas, têm sido comuns em todo o país. Em muitos lugares, tais práticas têm causado revoltas populares, como em Correntina, no oeste da Bahia."

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A ÁGUA BRASILEIRA CORRE PARA AS MULTINACIONAIS

por Flávio José Rocha da Silva

A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal, mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta lista.

Antes já comprovadamente explorada na irrigação e dando base para o que hoje é chamado de “exportação da água virtual” com a venda de frutas e de soja para fora do país (há outros itens, mas estes são os mais relevantes atualmente), o controle dos recursos hídricos avança no país por parte das multinacionais. A água nossa de cada dia já gera, há muito tempo, lucro para alguns grupos econômicos estrangeiros vindos de países sem a mesma abundância em mananciais como tem Brasil. Há razões para essas empresas se instalarem aqui no nosso país. Basta afirmar que para produzir 1 quilo de banana são gastos 790 litros de água, segundo o site da Waterfootprint [1] (organização que mede o gasto de água para produzir alguns alimentos e produtos). No caso da soja, para produzir 1 quilo desta leguminosa são necessários 1.500 litros de água. Adivinhe o nome do país que se tornou o maior produtor de soja no mundo.

Sobre a apropriação da água para a fruticultura irrigada, pergunte aos moradores do entorno do Canal da Integração construído pelo então governador do Ceará, Ciro Gomes, o que eles acham da presença das grandes empresas de fruticultura na Chapada do Apodi cearense e o acesso que eles tem sobre aquela água. É que por lá a água tem dono, e não são os moradores locais. Experimente ter que amarrar a si próprio em uma estaca para descer em um canal e conseguir uma lata de água durante a madrugada correndo o risco de ser pego por seguranças e ainda ser acusado de roubo. Nem todos são convidados para o banquete do progresso da agricultura em grande escala e mecanizada do Apodi.

Quero tratar também de outra forma de comercializar/mercantilizar/privatizar a água. É sobre o que vem acontecendo com a administração das distribuidoras de água do nosso país. Desde a Era Collor de Mello, aprofundando-se no “reinado” de Fernando Henrique Cardoso e nos governos petistas, a posse deste serviço pelos estados e municípios vem sendo lentamente desconstruída e repassada para empresas privadas. Não tenho nada contra as empresas privadas, mas água é importante demais para ficar sobre o controle de algumas empresas. Privatizar pode significar privar as pessoas do acesso a um bem natural em muitos casos. Se você não pode pagar a conta da água, você será privado do acesso a ela nas torneiras da sua casa. Empresas privadas precisam pagar funcionários, impostos e ter lucro. E quanto mais lucro melhor para garantir a sobrevivência no mundo cruel dos negócios. É a natureza delas. Goste-se ou não, é assim que funciona. Se você pensa que é diferente, pergunte aos bolivianos sobre a relação nada amigável entre eles e a empresa estadunidense Bechtel que administrou a distribuição da água por lá e causou tamanho revolta com o aumento das tarifas impagáveis pelos mais pobres e o consequente corte da água para as suas casas. Não por acaso, aconteceu a chamada Guerra da Água causando a morte de mais de setenta pessoas nas ruas de Cochabamba no ano 2000. Pode também perguntar aos franceses porque as empresas distribuidoras de água na França, que por décadas foram administras por empresas privadas, passaram a ser reestatizadas em vários municípios de lá, incluindo Paris. No entanto, o Brasil segue o caminho da privatização da água já fracassado em outros países. Por que será?

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A linguagem não é neutra. Mas o que há entre a não neutralidade da linguagem e a privatização da água no Brasil? Simples: ela é utilizada a favor da justificativa do repasse das nossas águas para as mãos de multinacionais. Você lerá/verá/escutará cada vez mais que a água é um bem econômico e assim deve ser tratada. Interessante é que nunca se afirma que por isso mesmo ela deva ser administrada pelo Estado e gerar mais dividendos para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes. Outro artifício linguístico é falar em concessão do saneamento básico. Concessão é com-ceder, ceder o que se tem para outrem. No Brasil o governo diz conceder para passar a ideia de que a estatal continuará a pertencer ao governo, mesmo que ela passe a ser administrada por uma empresa privada tirando todo o poder governamental sobre a mesma. Tenta-se fantasiar o boi de cavalo. Será difícil retomá-la para o âmbito governamental em um país onde o mundo privado já domina os governos. Com relação a palavra saneamento, o primeiro lampejo mental para a população em geral é lembrar de esgoto. Quem não quer melhorar a situação do acesso e tratamento dos esgotos brasileiros. Você acredita que as empresas privadas vão sair por aí cavando asfalto para promover o aceso aos esgotos nas nossas favelas? Sejamos sinceros, onde já tem será mantido, onde não tem, não terá por iniciativa delas.

Um outro elemento linguístico utilizado para ajudar a convencer a todos da boa natureza da privatização da água é o discurso da escassez para amedrontar a população. Esta é outra estratégia que vem dando certo. Não que a escassez não exista. Ela é real e mortífera em várias partes do globo. Mas onde não é realidade ou não tão impactante, a escassez tem sido amplificada por parte da mídia. “Ficaremos sem água”, “a água está acabando,” “é preciso economizar água,” “Não desperdice água,” “o desperdício é causado porque a água é gratuita,” etc. Não há no mesmo discurso o chamamento da atenção para o fato de que 70% da água doce no planeta são gastos com irrigação e menos de 10% em uso doméstico. O discurso é tão eficaz, que existem crianças policiando o banho dos pais. Não que não devamos economizar água, longe disso. O problema é culpar o usuário comum quando ele não é o grande vilão da história.

Outro bom exemplo da linguagem a serviço da manipulação é a forma como o atual governo e as mídias encontraram para retratar as negociações para as privatizações das estatais da água. Primeiro era por meio da Parceria Público Privada – PPP. Então surgiu agora o Programa de Parceria de Investimento – PPI. Tudo falácia. No final é o dinheiro público financiando a compra das empresas públicas por empresas privadas e ainda com garantia de lucros nos contratos. Sem essa garantia, os grupos econômicos não consideram a amizade com o governo tão sincera.

 

Brasil já tem 17 milhões de pessoas atendidas na distribuição de suas águas por uma multinacional canadense em 12 estados brasileiros

 

O bom e velho BNDES foi acionado pelo governo da vez para ajudar a “democratizar o saneamento” com o PPI. Bondade não tem limite para este Banco de Desenvolvimento. E seus atos bondosos incluem a pressão para que os estados concedam a administração das suas distribuidoras de água para a privatização, digo, concessão (mas é privatização, mesmo). A fila vai começar com a CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. OBNDES está financiando grupos econômicos que queiram entrar no negócio da água e 18 estados estão na fila para entregar o leite a um bebê faminto.

Mas se engana quem pensa que as multinacionais da água ainda vão chegar. Hoje o Brasil já tem 17 milhões de pessoas atendidas na distribuição de suas águas por uma multinacional canadense em 12 estados brasileiros. Ela comprou esta “fatia do mercado” da Odebrecht Ambiental. Parece pouco, mas o valor da transação foi de quase 3 bilhões de reais. Não é um mercado para qualquer um, como se vê.

O Ouro Branco, como é chamada a água em contraposição ao título de Ouro Negro dado ao petróleo, é um bom negócio, mas não para as populações carentes. Em um pequeno livrinho chamado O Manifesto da Água (2002), de autoria Riccardo Petrella e em outro livro publicado pela canadense Maude Barlow intitulado O Convênio Azul: a crise global da água e a batalha futura pelo direito a água (2009) [2], as consequências negativas para as comunidades e positivas para as empresas estão descritas com vários exemplos ao redor do planeta. São Paulo conhece bem as negativas quando sofreu um choque com o racionamento provocado pela ideia do lucro primeiro, população depois. É que 49,7% da Sabesp pertencem a empresas privadas. Vários analistas da questão hídrica culparam a empresa por não ter investido na melhoria da infraestrutura por anos, uma das causas do problema. Teoricamente o governo paulista tem maioria de 0,3 para a tomada de decisões. Mas nós todos sabemos como falham as teorias…

O avanço das ondas das novas privatizações vem como um tsunami. O problema é que agora não há mais estatais como Vale do Rio Doce, Embraer, Telebras, Rede Ferroviária, etc. Tudo já foi vendido nos anos noventa. Se é preciso satisfazer a sede dos grupos econômicos, que venha a bebida disponível no momento e esta é a água nossa de cada dia.

água ouro campanha Peru.jpg

 



*Autor:  Flávio José Rocha da Silva - Doutor em Ciências Sociais - (https://www.facebook.com/pg/OPA-Observat%C3%B3rio-da-Privatiza%C3%A7%C3%A3o-da-%C3%81gua-852140801528639/about/?ref=page_internal)

[1]Há várias maneiras de calcular o gasto com á água na produção de alimentos. Escolhemos o da Waterfootprint que pode ser acessado no link http://www.pegadahidrica.org/?page=files/home
[2] O livro está acessível em espanhol no link http://www.archivochile.com/Chile_actual/patag_sin_repre/03/chact_hidroay-3%2000022.pdf

 

 

 

 

26
Mar19

Papa Francisco já disse que essa economia mata. Mata pessoas e mata a natureza

Talis Andrade

A retaliação do lixo

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por Roberto Malvezzi

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São 332 barragens nas cabeceiras do Rio São Francisco. Cerca de 70% cheias de rejeitos da mineração. Basta estourar a de Congonhas do Campo, com rejeitos de metais pesados para minerar o ouro, que o Velho Chico estará morto por 100 anos, calculam especialistas da área.

Então, Brumadinho e Marianna, que não mandaram aviso, avisaram que estamos com uma barragem de rejeito amarrada em cada pescoço. Nós somos 18 milhões de pessoas no Vale do São Francisco, sem falar agora dos paraibanos que bebem também dessa água.

Mas, o aviso da velha mídia é que na região de Caldas, também Minas Gerais, há uma represa com rejeitos de material radioativo. Isso mesmo. É a bacia do Rio Grande, portanto do Paraná, portanto do Prata. Só na bacia do Grande são 9 milhões de pessoas. O povo, a Universidade e o MPF alertam para a insegurança da barragem diante de acontecimentos incomuns na parede, leia-se vazamentos e infiltrações. Porém, a Industrias Nucleares do Brasil (INB) já disse que não tem mais de 1 bilhão de reais (Sic!) para desativar a barragem.

Papa Francisco já disse que essa economia mata. Mata pessoas e mata a natureza. Não há duas crises, há apenas uma crise de civilização. Na verdade, ninguém sabe qual a segurança de rejeitos radioativos e de mineração em toda face da Terra. Uma bomba pode aparecer nas nossas vidas a qualquer momento.

Enquanto isso, o povo da região de Itacuruba, Pernambuco, se manifesta mais uma vez contra a instalação de mais uma usina nuclear, dessa vez no Baixo São Francisco. Horror em cima de horror.

Nem vamos falar do plástico que ocupa os oceanos, da contaminação por metais pesados da agricultura, dos hormônios e antibióticos lançados em toneladas nas águas. O capital não pode medir as suas próprias consequências, tem apenas que seguir em frente.

A retaliação do lixo vai se tornando fantástica. Para quem gosta do caos, somando a vingança do lixo com a vingança de Gaia – vide Moçambique -, o espetáculo vai sendo dantesco e inimaginável, apocalíptico. Ninguém vai poder reclamar da falta de emoção. Divirtam-se.

congonhas sitiada pelo inimigo .jpg

Publicou o Correio Braziliense, em 11 de fevereiro último: A preocupação é grande com a Barragem Casa de Pedra, devido à sua localização: praticamente dentro da cidade, é a que todos veem, parecendo abraçar a área urbana. A estrutura fica a 250 metros de casas e a 2,5 quilômetros do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, patrimônio cultural da humanidade.

A preocupação em Congonhas não é para menos. O levantamento mostra 20 desastres em barragens no mundo, sendo sete deles no Brasil, todos em Minas Gerais. A ocorrência mais antiga em território mineiro foi a Mina de Fernandinho, em 1987, quando sete pessoas morreram. 

Depois, veio o da Mineração Rio Verde, em Macacos (Nova Lima, na Grande BH), em 2001, com cinco mortes no desastre que atingiu 43 hectares e assoreou 6,4 quilômetros do leito do Córrego Taquaras. A partir daí, o estado viveu uma sequência de tragédias. 

Em 2003, em Cataguases, na Zona da Mata, a barragem de água e resíduos de produção de celulose de um dos reservatórios da Indústria Cataguases de Papel se rompeu, liberando no Córrego do Cágado e no Rio Pomba cerca de 1,4 bilhão de litros de lixívia (licor negro), sobra industrial da produção de celulose. O desastre afetou três estados, deixando 600 mil pessoas sem água.
 
Quatro anos depois, foi a vez da Barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases (Mineração Bauminas). Mais de 4 mil moradores ficaram desalojados, e ao menos 1,2 mil casas foram atingidas.
 
Em 2014, novamente em Itabirito, uma barragem da Mineração Herculano se rompeu e soterrou os operários que realizavam a manutenção no talude de uma represa de rejeitos de minério de ferro desativada, deixando três mortos.
 
Um ano depois, o rompimento da Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central do Estado, entrou para o mapa do mundo como o maior desastre socioambiental do planeta. Dezenove pessoas morreram. Um dos corpos nunca foi encontrado.
 
A tragédia de Brumadinho já soma 212 mortos e 93 pessoas ainda estão desaparecidas.
24
Jun18

O BRASIL, GOVERNADO PELO PT, FOI QUEM MAIS INVESTIU EM ENERGIA NO PLANETA E TUDO ESTÁ SENDO DESTRUÍDO PELA LAVA JATO!

Talis Andrade

demolição.jpg

 

por Emanuel Cancella

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A energia é o insumo mais importante na economia de qualquer país. Sem energia não tem a industrialização, base do crescimento do PIB. Os EUA, a Europa e outros países precisam da energia até para não morrerem de frio.

 

No Brasil, governado por FHC, tivemos o “apagão” elétrico por falta de energia.

 

Nos governos do PT, de Lula e Dilma, os investimentos em energia foram maciços. E não foi só no petróleo, em que, no governo de Lula, a Petrobrás desenvolveu tecnologia inédita permitindo a descoberta do pré-sal.

 

A tecnologia inédita no mundo para permitir a descoberta do pré-sal estava parada há mais de 30 anos na Petrobrás. Os investimentos e os riscos eram imensuráveis.

 

Até que a ousadia de um geólogo, diretor da Petrobrás, Guilherme Estrela, venceu o desafio. Com o aval do presidente Lula, perfurou o poço de Tupi, que agora se chama Lula. O furo, de cerca de 7 km, no mar, custou US$ 240 milhões, em 2006. Estrela fez questão de ligar para o presidente Lula e informar: Presidente, descobrimos uma província de petróleo da melhor qualidade. Lula quase caiu para trás.

 

A Globo, nem mesmo com a descoberta do pré-sal, parou de atacar a Petrobrás, sempre visando à entrega da Empresa aos gringos.

 

A mesma Globo, que, na década de 90, fez campanha pela privatização da Petrobrás, comparando a Petrobrás a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás, também não se rendeu quando a Petrobrás, por ter descoberto o pré-sal, conquistou da OTC, pela 3ª vez, o “Oscar” da indústria do petróleo, o maior prêmio da indústria do petróleo em todo mundo (1).

 

A Globo, em editorial de dezembro de 2015: “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” (2).

 

Em março de 2014, entre em cena a Lava Jato, chefiada pelo juiz Sérgio Moro. Em março de 2015, Moro é premiado pela Globo (3).

 

A Lava Jato chegou com o claro intuito de manchar a imagem da Petrobrás. Fazia isso através de criminosos vazamentos,  seletivos e diários, de delação premiada.

 

Esses vazamentos, proibidos na nossa legislação, eram diretamente para a mídia, principalmente para a Globo, mas só visavam atingir a Petrobrás nos governos do PT.

 

Isso porque o tucano FHC nunca foi molestado pela Operação, apesar de citado na Lava Jato em “trocentas” denúncias na Petrobrás e em muitas envolvendo seu próprio filho, além de ter apartamento de luxo em Paris e Nova York e fazenda com aeroporto no Brasil (5,6,7).

 

E Lula do PT é acusado de ser proprietário de um tríplex em Guarujá. A operação afirma que esse apartamento seria fruto de propina da OAS, entretanto a Lava Jato nunca provou através do registro de imóveis, ou qualquer documento válido, a propriedade de Lula. E Lula está preso por uma reforma nesse triplex de Guarujá que o dono da OAS, Leo Pinheiro, disse em delação premiada que fez a pedido de Lula. Pasmem! A reforma, já foi comprovado, que nunca existiu e Lula continua preso (4).

 

As duas refinarias do Nordeste (Ceará e Maranhão) tiveram suas construções canceladas pelo Pedro Parente, por conta de superfaturamento apontado pela Lava Jato. O correto seria prender os larápios, mas manter a Obra (8).

 

Resultado: por 4 meses de importação de diesel os EUA embolsaram R$ 7 BI (9). Por decisão de Pedro Parente as refinarias diminuíram para 60% a capacidade de refino. Quem ganhou com essas decisões foram os EUA. E Parente aprovou ainda a venda de grande parte de nossas refinarias, sempre beneficiando os gringos.

 

No campo das energias limpas e renováveis:

 

- Em 2015, no governo Dilma, o Brasil era o país que mais investia em energia eólica (10).

 

- No governo Dilma, 3 hidrelétricas foram construídas. Ainda há em andamento as obras de dez hidrelétricas (11).

 

- A Petrobrás, nos governos do PT criou Petrobrás Biocombustível. Energia renovável através da mamona, resido de óleo de cozinha etc. Pedro Parente tirou a Petrobrás não só do setor de biocombustíveis, como do gás, petroquímico, fertilizante para entregar para os gringos (12).

 

A lava Jato alegando combate a corrupção em 2014 paralisou as obras do Comperj, a Petroquímica é o braço mais lucrativo da indústria do petróleo e agora anuncia que o Comperj esta sendo entregue aos Chineses (13).

 

A lava Jato segundo o Clube de Engenharia, a Aepet, Fisenge, FUP e FNP destruiu a engenharia nacional e a industria naval. A lava Jato com o seu combate a corrupção irresponsável, é a grande responsável pela maioria dos 13 milhões de desempregados do Brasil, e também pela derrubada da presidente Dilma e pela   alçada ao poder do golpsita MiShel Temer, conhecido como o governo mais corrupto da história do país (15 a 19).

 

Encerro mais uma vez com a charge e o recado do Latuff, para a Fisenge (Federação interestadual dos Engenheiros):

 

“Pera aí, mas isso é investigação ou demolição?

moro explode petrobras pré-sal.jpg

 

 

Fonte:

1http://anpei.org.br/anpeinews/petrobras-recebe-premio-internacional-por-tecnologias-para-pre-sal/

2https://oglobo.globo.com/opiniao/o-pre-sal-pode-ser-patrimonio-inutil-18331727

3http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/juiz-da-lava-jato-ganha-premio-de-personalidade-do-ano-do-globo.html

4https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/351698/Lula-foi-condenado-por-reforma-que-nunca-existiu.htm

5https://www.cartacapital.com.br/revista/895/negocios-de-familia

6https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/350908/Com-ap%C3%AA-em-Paris-segundo-ex-amante-FHC-diz-que-pris%C3%A3o-de-Lula-%C3%A9-justa.htm

7http://www.tijolaco.com.br/blog/a-historia-da-incrivel-fazenda-de-20-dolares-de-fhc-e-seu-aeroporto-de-empreiteira/

8https://www.brasil247.com/pt/247/ceara247/173765/Cancelamento-de-refinarias-no-Nordeste-foi-decis%C3%A3o-econ%C3%B4mica-diz-gerente-da-Petrobras.htm

9http://www.fup.org.br/ultimas-noticias/item/22709-em-apenas-quatro-meses-eua-lucram-r-7-bi-em-vendas-de-diesel-para-o-brasil

10http://www.ebc.com.br/noticias/economia/2015/05/brasil-e-um-dos-paises-que-mais-investem-em-energia-eolica-diz-associacao

11https://www.plantaobrasil.net/news.asp?nID=82252

12http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-09/petrobras-deixara-setores-de-biocombustiveis-petroquimica-e-fertilizantes

13https://sindipetronf.org.br/component/k2/item/10538-comperj-desmonte-da-petrobras-e-lava-jato-deixam-25-mil-desempregados-em-itabora%C3%AD

14https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/02/chinesa-vence-licitacao-para-unidade-de-gas-do-comperj.shtml

15https://jornalggn.com.br/noticia/para-engenheiros-lava-jato-promovo-desmonte-da-industria-nacional

16https://jornalggn.com.br/noticia/documentario-mostra-como-a-lava-jato-destruiu-a-economia-em-poucos-meses

17https://jornalggn.com.br/noticia/para-engenheiros-lava-jato-promovo-desmonte-da-industria-nacional

18http://www.aepet.org.br/w3/index.php/artigos/noticias-em-destaque/item/919-lava-jato-e-desmonte-do-pre-sal-a-combinacao-que-levou-o-rio-a-falencia

19https://www.oantagonista.com/brasil/exclusivo-em-crusoe-pa



***

10
Jun18

Eletricitários anunciam greve de 72 horas contra entrega da Eletrobrás

Talis Andrade

Privatização trará um aumento exorbitante

no valor da tarifa

rios represas energia usinas.jpg

 

 

O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), colegiado que congrega confederação, federações, sindicatos e associações dos trabalhadores/as das empresas do setor elétrico nacional, anunciou uma paralisação de 72 horas das atividades dos trabalhadores do Sistema Eletrobras, em protesto contra as investidas do governo na tentativa de privatização da holding e suas subsidiárias. A paralisação começa à zero hora da segunda-feira (11/06) e irá até meia-noite da quarta-feira (13/06).

 

Espera-se a adesão de cerca de 24 mil empregados do Sistema Eletrobras, que compreende empresas de geração e transmissão de energia: CGTEE, Chesf, Eletronorte, Eletronuclear, Eletrosul e Furnas; além de distribuidoras dos estados do Amazonas, Acre, Alagoas, Piauí, Rondônia e Roraima. Apesar da esperada adesão em massa, o CNE alerta que a prestação dos serviços essenciais de fornecimento de energia será mantida, sem prejuízo aos consumidores, e que as equipes de manutenção e urgência estarão à disposição em caso de emergências.

 

Explosão tarifária sem segurança energética

 

Segundo Wellington Diniz, diretor jurídico do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU-MA), a categoria espera que a greve chame a atenção da população para a ameaça de privatização da Eletrobras, que pode trazer consequências como explosão tarifária e prejudicar a segurança energética. “ Segundo uma afirmação feita no ano passado pela própria ANEEL, a privatização da Eletrobras trará um aumento exorbitante no valor da tarifa. Além disso, com os grandes reservatórios do país nas mãos de multinacionais, não teremos controle sobre a qualidade da nossa eletricidade, sobre o uso adequado da água, e sobretudo, sobre as constantes ameaças às nossas fronteiras, já que muitos empreendimentos estão na região Amazônica”, alerta Diniz.

 

Ainda segundo Diniz, o principal pleito do movimento é a entrega do cargo pelo Presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, a quem aponta como “o principal mentor de um processo que já vem provocando um verdadeiro desmonte das empresas do Grupo Eletrobras, na visão dos trabalhadores”. Ainda segundo Diniz, “desde que assumiu o cargo, Wilson está implementando uma reestruturação que vem atingindo direitos adquiridos pelos trabalhadores, além de diminuir a capacidade de atuação das empresas frente aos seus concorrentes mercado”, completa.

 

Eletrobras o fim

 

A Eletrobras representa 32% da capacidade instalada de geração de energia, atua na distribuição em seis estados das regiões Norte e Nordeste e é responsável por 47% das linhas de transmissão de energia do país. Tem usinas de vários tipos de energia, como eólica, nuclear, solar e termonuclear, mas as que se destacam são as hidrelétricas. Atualmente, o governo federal detém 63% do capital total da empresa, sendo 51% da União e outros 12% do BNDESPar.

[Via Último Instante]

 

 

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