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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Mar19

A minha Bíblia jamais será laranja

Talis Andrade

ribs jesus mercadores templo pastores bancada bíb

 

Por José Barbosa Junior

no Blog do Miro e Jornalistas Livres

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“Ai de vocês que fazem leis injustas, leis para explorar o povo!”

(Isaías 10.1)

 

E não é que na República Pornô Gospel Miliciana do Brasil a Bíblia voltou a ser tema de mais uma bravata ministerial? A já descartada pastora Iolene Lima, que seria a segunda pessoa mais poderosa no MEC, defendia um ensino todo “embasado na Bíblia”, segundo ela.

E segundo a Bíblia dela. Laranja.

A Bíblia laranja de Iolene “explica” tudo, mas não responde nada. Por ela, as meninas ainda vestem rosa e os meninos azul, homossexuais devem ser mortos, as tragédias da humanidade são “vontade de Deus”, mulheres devem ser submissas e fazer arminha com as mãos é quase um equivalente ao “erguei as mãos e dai glória a deus”.

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A Bíblia laranja é a mesma de Bolsonaro, de Malafaia, de Feliciano, Valadões… é aquela que acha natural mentir para ganhar a eleição, que não vê problema algum no machismo, vê o feminismo como ameaça, acredita em kits gays e mamadeiras fálicas, quer o “cidadão de bem” armado e prega a violência como o fim de todas as coisas.

Pois a minha Bíblia, ainda que a capa seja preta, é vermelha! Sim, vermelha! Para o bem ou para o mal, vermelha.

Vermelha do sangue que jorra das páginas muitas vezes violentas, principalmente do Primeiro Testamento (ou Antigo Testamento para alguns), quando inocentes e povos “inimigos” morrem aqui e ali pela força dos povos em guerra e por conta de seus deuses sanguinários (inclusive Javé, Deus das tribos que se juntam e formam o povo hebreu). Vermelha do sangue dos profetas que se levantam contra reis tiranos, ainda que muitos desses reis fossem “ungidos do Senhor”. Vermelha do sangue de Abel, que até hoje clama da terra por conta da banalização do mal…

Mas, principalmente, vermelha por conta do sangue de Jesus, o pobre periférico não-branco, tido por muitos como um marginal, que andava rodeado por gente excluída da “sociedade”, filho de exilados políticos e, mais tarde, ele mesmo um preso nas mãos do império e morto como um qualquer. Sangue que denuncia o imperialismo. Sangue que grita contra o preconceito. Sangue vermelho, pisado pelos poderosos e acolhido pelos pobres. Sangue que salva, não por sacrifício, mas por prova contundente de que a vida que se vive para o outro, ninguém é capaz de deter. Nem a morte!

Marielle, presente, confirma isso!

A Bíblia vermelha é a que denuncia a exploração dos mais velhos e das viúvas, como os que já são e serão mais ainda maltratados caso essa Reforma maldita da Previdência seja aprovada: “Tratem os outros com justiça; socorram os que são explorados, defendam os direitos dos órfãos e protejam as viúvas.” (Isaías 1.17)

A Bíblia vermelha denuncia os juízes corruptos, que fazem do seu juízo forma de opressão e apoio aos poderosos: “Até quando dareis sentenças injustas, favorecendo os ímpios? Sede juízes para o desvalido e órfão, fazei justiça ao mísero e ao indigente; libertai o fraco e o pobre, livrai-os das garras dos ímpios!” (Salmo 82.2-4), juízes que mantém inocentes presos: “os quais com uma palavra fazem réu o inocente, no tribunal negociam e trapaceiam contra o defensor, e com testemunho falso e outras mentiras evitam que se faça justiça ao homem íntegro e sem culpa.” (Isaías 29.21)

A Bíblia vermelha condena o acúmulo de capital e a má distribuição de renda: ““Ai de vocês que adquirem casas e mais casas, propriedades e mais propriedades, até não haver mais lugar para ninguém e vocês se tornarem os senhores absolutos da terra!” (Isaías 5.8)

A Bíblia vermelha condena o lucro absurdo dos bancos em detrimento da população mais pobre, extorquida: “Você empresta a juros, visando lucro, e obtém ganhos injustos, extorquindo o próximo… Mas você me verá batendo as minhas mãos uma na outra contra os ganhos injustos que você obteve e contra o sangue que você derramou” (Ezequiel 22.12,13).

Por fim, a Bíblia vermelha aponta para Jesus, que vive com e para os pobres, tomando suas dores, lutando por seus direitos, desafiando um perverso sistema que coliga o império à religião, provocando césares e sacerdotes… e deixando vivo o seu exemplo: “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (João 13.15).

As Bíblias estão aí… aos montes. A minha, jamais será laranja!

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25
Fev19

Laicidade e Escola sem Partido: concepção do movimento é equivocada

Talis Andrade

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Por Paulo Gustavo Guedes Fontes

ConJur - A laicidade do Estado, isto é, sua neutralidade em termos religiosos, deriva da própria liberdade de religião e da necessidade de convivência pacífica e igualitária entre todos os credos e entre os que não professam religião ou adotam crenças religiosas. A laicidade é como que a outra face da moeda em relação à liberdade de religião[1].

A Constituição traz ainda dispositivo específico, o artigo 19, I, que veda aos entes federativos estabelecer cultos ou igrejas, subsidiá-los ou com eles manter aliança, o que seria nosso correspondente da establishment clause do Direito Constitucional norte-americano, constante da Primeira Emenda da Constituição daquele país.

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Pretendo debater neste artigo concepção presente nos textos e declarações dos líderes do movimento Escola sem Partido a respeito do princípio da laicidade. A assertiva do movimento é de que a laicidade estatal abrangeria não apenas a neutralidade do Estado diante das religiões, mas também o respeito pelo Estado à moralidade decorrente da religião, ou de determinada religião, e adotada por seus adeptos, considerando que a moralidade derivada de uma religião seria indissociável dela própria.

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Tal concepção fundamentaria a vedação, defendida pelo movimento, no âmbito do ensino fundamental e médio, de temáticas como a ideologia de gênero e a educação sexual, que poderiam contrapor-se à moralidade religiosa. O movimento defende ainda a precedência dos valores familiares em temas morais, invocando o artigo 12, IV, da Convenção Americana de Direitos Humanos.

Concede-se sem dificuldade que as religiões possuem sempre uma metafísica e uma ética, como afirmou Clifford Geertz[2]; isto é, além de uma compreensão sobre a divindade e a natureza do mundo, toda religião postula preceitos éticos ou de moralidade, fixando um modo de vida e regras para as relações sociais.

No entanto, estender a noção de laicidade como desejado parece-nos um equívoco teórico, capaz de levar, ao contrário, à ofensa desse mesmo princípio.

O princípio da laicidade impede que o Estado e seus agentes, no exercício de suas funções, privilegiem uma religião em detrimento de outras, prejudiquem determinada confissão e, em geral, adotem manifestações explicitamente religiosas. Refere-se, pois, à exigência de neutralidade por parte do Estado em termos religiosos. Mas tal princípio não inclui o dever suplementar do Estado de abster-se de atos e manifestações que possam de alguma forma contrapor-se ou ofender determinada moralidade religiosa.

Com efeito, se assim fosse, a legislação e a atuação estatal como um todo deveriam sempre coadunar-se com os preceitos religiosos. A rigor, o Estado não poderia permitir o divórcio, pois isso feriria a moralidade das religiões que não o admitem; não poderia reconhecer as uniões homoafetivas, como fez o STF na ADPF 132; ou, nos EUA, não poderia admitir o aborto, como fez a Suprema Corte na decisão Roe x Wade de 1973.

O Estado estaria completamente manietado em sua ação, impedido de aplicar suas próprias regras e princípios jurídicos, para evitar contrapor-se às éticas ou moralidades religiosas.

Sabe-se que os filósofos do Direito divergem sobre as relações entre Direito e moral. Alguns, como os jusnaturalistas, defendem a existência de uma conexão conceitual entre essas realidades, isto é, em algum ponto da reflexão o Direito e a moral se confundiriam. Já os positivistas adotam a tese da separação entre Direito e moral; mas, mesmo eles, e queremos destacar esse aspecto, admitem a existência de uma conexão histórica ou contingente entre os conceitos. Isto quer dizer que o Direito efetivamente abriga boa parte da moral social e, nas mãos do Estado, preceitos morais tornam-se normas jurídicas, de observância obrigatória para todos os cidadãos. Não matar é uma regra moral e também jurídica, e de certa forma toda norma jurídica alberga um valor moral[3]. Dissente-se sobre a amplitude com que os juízes podem lançar mão de argumentos morais, mas parece pacífico que os legisladores podem tranquilamente adotar pontos de vista morais na elaboração das leis, desde que não ofendam princípios e regras constitucionais.

Sendo assim, o Estado, por meio do Direito, consagra posições morais, selecionando-as entre as concepções morais, frequentemente divergentes, existentes no meio social. Quando adota normas civis, penais, trabalhistas, ambientais, admite ou não as uniões homoafetivas etc., o Estado está fazendo escolhas morais.

Portanto, na sua função legislativa, e em geral, o Estado faz escolhas morais e valorativas e não tem qualquer obrigação de fazê-las sempre em conformidade com os preceitos de qualquer moralidade religiosa, ou se abstendo de não as ofender. O contrário é que está vedado: o Estado não pode fazer escolhas que sejam inspiradas de forma direta e exclusiva na moralidade religiosa, justamente para não ferir o princípio da laicidade. Uma lei contra o aborto que se inspirasse explicitamente em preceito de moralidade religiosa incorreria em inconstitucionalidade.

Nesse sentido, a atuação estatal deve orientar-se pelo que já se chamou de “razão pública”, argumentos que buscam ser válidos para a generalidade dos cidadãos, independentemente de suas crenças religiosas, filosóficas, políticas etc. Ainda que o fundamento de determinada lei resida na moralidade, esta há de ser a moralidade comum, capaz de ser defendida sem o recurso a concepções religiosas. Nesse sentido, de afastarem-se razões ou fundamentos religiosos das políticas públicas, foi o voto do ministro Marco Aurélio na ADPF 54 que autorizou o aborto do feto anencéfalo.

Diga-se, também, que a política e os programas e posições dos variados partidos e seus adeptos estão sempre impregnados de concepções morais, mais uma razão pela qual o Estado, nas suas diversas formas de manifestação, acabará veiculando posições morais. Cite-se como exemplo a recente campanha do governo francês contra a homofobia nas escolas públicas[4]. E, como dito, o Estado não está nisso limitado por concepções ou moralidades religiosas.

Ainda que o suposto dever de “respeitar a moralidade religiosa” fosse restrito à postura do professor em sala de aula, tal concepção não se mostra viável. Tomemos a proposição: “os homossexuais têm o direito de se casar”. Segundo a assertiva em debate, o professor não poderia dizer isso em sala de aula, se tal afirmação for capaz de contradizer ou ofender a moralidade de alguma religião. Mas a proposição é chancelada pelo Estado brasileiro, por meio da decisão do Supremo que a reconheceu como decorrente do princípio constitucional da isonomia. Estaria o professor, pois, tolhido de repassar aos alunos uma informação relevante sobre a sociedade e o ordenamento jurídico para não ferir preceitos religiosos?

A concepção em discussão acaba por conferir à liberdade de religião posição de supremacia diante de outros direitos fundamentais. O direito à educação, a liberdade de expressão e científica, todo e qualquer direito deveria recuar diante dos óbices impostos pela religiosidade. E, como sabemos, é característica dos direitos fundamentais não estabelecerem entre si uma hierarquia prévia; do ponto de vista abstrato, dois princípios colidentes obrigam da mesma forma, isto é, não guardam qualquer relação de precedência um sobre o outro, o que vem a ser justamente o que Robert Alexy definiu como o caráter prima facie dos princípios[5].

Por fim, concluindo o raciocínio, fica claro que essa pretendida capitulação do Estado diante da moralidade religiosa é, sim, capaz de configurar ofensa ao princípio constitucional da laicidade, trazendo as considerações religiosas do âmbito privado, onde devem permanecer, para a esfera pública.

Deixaremos para outro escrito a refutação do argumento segundo o qual o artigo 12, 4, da Convenção Americana de Direitos Humanos imporia, por sua vez, a abstenção do Estado diante das convicções morais dos alunos e de seus familiares.

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[1] FONTES, Paulo Gustavo Guedes. Laicidade e proibição do véu islâmico na França. Revista Direito Mackenzie, v. 10, n. 1, 2016, p. 180-187.
[2] GEERTZ, Clifford. The interpretation of cultures. New York: Basic Books, Inc, Publishers, 1973, pp. 126/127.
[3] FONTES, Paulo Gustavo Guedes. Filosofia do Direito. São Paulo: Método, 2014, 158 p.
[4] http://br.rfi.fr/franca/20190128-franca-governo-lanca-campanha-contra-transfobia-nas-escolas
[5] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. 2ª edição. São Paulo: Malheiros, 2011, p. 96.

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08
Jan19

Bolsonaro, religião e Estado laico: o que esperar do futuro governo

Talis Andrade

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por Débora Melo

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Bolsonaro tem sinalizado que o combate à discussão de gênero e sexualidade nas escolas será uma das prioridades de seu governo e da base aliada no Congresso Nacional. Ao criticar questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2018 sobre linguagem LGBT, o presidente eleito disse, no mesmo pronunciamento, que vai buscar para o Ministério da Educação "alguém que entenda que nós somos um País conservador".

Para Ivone Gebara, Bolsonaro representa uma ameaça ao Estado laico e os sinais desse risco foram emitidos antes mesmo do resultado da eleição. Ela cita como exemplo uma passagem bíblica à qual o então candidato recorria com frequência.

"Durante a campanha ele tomou uma palavra do Evangelho de João: 'Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Mas qual verdade? A verdade dele", diz. "Não há problema no fato de Bolsonaro ser cristão, mas as convicções pessoais não podem ser impostas ao Estado. O governo é uma parte do Estado, e o Estado brasileiro é maior que o governo brasileiro", afirma a teóloga.

Evangelho de João: 'Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Mas qual verdade? A verdade dele.Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga

Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga

 

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A proximidade do presidente eleito com empresários de conglomerados de comunicação ligados às igrejas também é vista com preocupação. Dono da Record e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo declarou apoio a Bolsonaro e ainda no primeiro turno tomou medidas que de certa forma beneficiaram a candidatura do capitão da reserva. Enquanto os demais candidatos se enfrentavam em debate na TV Globo, por exemplo, a Record exibia uma entrevista exclusiva com Bolsonaro.

Na avaliação de Helena Martins, professora do curso de publicidade da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do coletivo Intervozes, o cenário que se desenha é o de crescimento da presença de igrejas na mídia.

"Ele pode fazer isso distribuindo verbas publicitárias, beneficiando esses setores com concessões e autorizações e mesmo com práticas cotidianas de favorecimento, como entrevistas exclusivas", afirma Martins.

"A gente tem observado que, junto ao crescimento desses grupos na comunicação cresce também o discurso conservador, porque são veículos pautados pela agenda conservadora", diz. Ela afirma se preocupar com a possibilidade de que "uma plataforma extremamente importante para a difusão de ideias e informação que é a mídia seja dominada por um segmento conservador que não está aberto à circulação de opiniões diferentes". "Podemos ter um cenário cada vez mais fechado e menos plural de comunicação." Transcrevi trechos. Leia mais

08
Jan19

O Deus obsessivo e politicamente incorreto de Bolsonaro

Talis Andrade

A ideia de Deus começa a se tornar, como nas piores teocracias, um curinga para encobrir políticas de obscurantismo

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Apoiadora de Bolsonaro durante a posse, em 1 de janeiro. SILVIA IZQUIERDO AP
 

 

por Juan Arias

No discurso de posse do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a palavra mais usada foi Deus, fazendo honra ao seu lema de campanha, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Dá a impressão de que o Brasil deseja ser governado sob o amparo divino, mais do que sob as leis e a Constituição.

E não só o presidente, mas também seu recém-estreado ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que Deus estará “na diplomacia, na política, em todas as partes”. E chegou a individualizar essa presença forte de Deus em dois personagens emblemáticos do mundo atual: os presidentes dos Estados UnidosDonald Trump, e do Brasil, Bolsonaro. São eles dois que, segundo o diplomata, devolverão a Deus a uma civilização que o tinha perdido.

Trata-se, entretanto, de um Deus ambíguo e politicamente incorreto, já que apresentado como representante da civilização cristão-judaica. Não é o Deus que deve libertar os escravos da pobreza e da injustiça, o Deus dos que sofrem por serem diferentes, o dos excluídos dos privilégios, e sim o que adoram os satisfeitos, o vingador mais que o pacificador. O Deus da violência mais que o desarmado das bem-aventuranças.

Não acredito que o sonho dos brasileiros, até dos mais pobres, seja o Deus militarizado que impõe uma obediência cega. Eu os vejo mais como seguidores do Deus dos limpos de coração, como aqueles que, mais que a justiça divina, temeram sempre a violência arbitrária dos que os escravizam. Sempre em nome desse Deus, curinga para justificar todas as opressões. O Deus dos escravos nunca será o Deus com o qual o poder mercadeja. Transcrevi trechos. Leia mais 

 
 

 

08
Jan19

MENTIROSO CONTUMAZ, BARRIGONA, LAVAGEM CEREBRAL

Talis Andrade

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por Mirson  Murad

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O prefeito ausente, Marcelo Crivella, mentiroso contumaz, que já assassinou muita gente por desprezo e abandonada dentro e às portas dos hospitais municipais. Que não paga os salários devidos aos funcionários da prefeitura, que não dá colégio para as criancinhas que ousam morar na ex-Cidade Maravilhosa, agora em campanha para sua reeleição... ha!ha!ha, declarou que vai fazer 25 operações ortopédicas diariamente e finaliza a declaração afirmando ter acabado de receber a informação de terem sido feitas nesse dia 45 operações dessas.

Mentiroso contumaz, o "bispo" não pode aprovar nenhuma dessas ditas cirurgias. Aí fica a pergunta: - Será que existe,ainda, algum imbecil que pretenda dar seu voto para essa ignóbil criatura? Quem viver,verá!

A TV Bandeirante insiste em sua barriga que, pelo tempo de gestação, já virou barrigona, com "anúncio cultural" onde afirma que quase 200 milhões de pessoas falam o idioma português tendo entre mais outros 8 países o Brasil e Portugal. Ora bem, senhores da BAND, só no território brasileiro somos 206 milhões de pessoas portanto, provavelmente somos 250 milhões e não apenas 200 milhões.

A TV Globo faz lavagem cerebral do povo brasileiro com as vinhetas "agro e pop tá na Globo" iludindo a população de que o Brasil não precisa, não depende de um vigoroso parque industrial. Que a vocação, o futuro do nosso Brasil continental está nos agronegócios apenas. Isso fica bem claro, subliminarmente. Ou não? Me engana que gosto. Como gosto!

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04
Jan19

CONTINUOU A GLORIFICAÇÃO DE BOLSONARO, NÃO COMO PRESIDENTE E SIM COMO ENVIADO DE DEUS

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Ele mesmo comanda essa exaltação, quase canonização. Mesmo nos seus discursos disparatados e estapafúrdios, não esquece: "Deus me enviou e o povo me elegeu". Um grupo não majoritário, insiste em identifica-lo como mito. O Chefe da Casa Civil, interrompeu seu próprio discurso de posse, pediu uma salva de palma para Bolsonaro.

Quem se salvou ontem, foi Paulo Guedes. Falou durante 49 minutos, interrompido varias vezes por aplausos. Deixou marcas, que se executadas deixarão resultados positivos. Vejamos.

A prioridade absoluta é a reforma da Previdência. Se conseguirmos aprová-la, teremos 10 anos de economia consolidada.

Para isso, precisamos do apoio do Congresso e recorreremos a todos para essa aprovação. Se não conseguirmos aprovar no plenário, faremos a reforma através de emenda constitucional.

Mas ganhou mais aplausos ao falar sobre DESIGUALDADE. Foi taxativo, incisivo, definitivo. Como foi o ponto mais importante (o próprio Bolsonaro não deve ter gostado) vou usar aspas para que fique bem claro que a constatação é dele, e a afirmação do fim da desigualdade também.

"Os representantes dos Três Poderes recebem as mais altas aposentadorias. O povo não recebe nada. Essa desigualdade será eliminada".

 

RODRIGO MAIA CONFIRMA O REPÓRTER

Ha mais de 1 mês, revelei: sua reeleição está garantida, no dia 1 de fevereiro, será eleito para mais 2 anos como presidente da Câmara. Vem tratando disso e coordenando seu novo mandato, quando estávamos em plena campanha eleitoral. Ninguém imaginava quem seria o presidente da Republica.

Maia planejava 2 anos na presidência da Câmara até 2020.

A partir daí, tentaria completar seu plano, se candidatando a presidente da Republica em 2022. Depois de muita hesitação, o PSL (Bolsonaro) decidiu reforçar a vitoria de Rodrigo Maia. Mas tudo termina aí, ninguém está tão longe da presidência da Republica quanto Maia, sem a menor chance.

Haja o que houver, quem está mais perto da presidência, é o vice, general Mourão. Mas isso é outra historia.

 

O EXIBICIONISMO DO CHANCELER

Tomou posse discursando em grego, latim e Tupy Guarany. Ninguém entendeu nada. Em matéria de diplomacia propriamente dita, total exclusão. Encampou a posição do próprio Bolsonaro, de total submissão e subserviência aos EUA e Israel.

Vergonhoso, perigoso, ruinoso.

 

21
Dez18

AS MÚLTIPLAS PREOCUPAÇÕES DE BOLSONARO

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Faltando 12 dias para a posse, tem que enfrentar os próprios erros e o dos outros. E os "colaboradores" do fracasso, geralmente estão dentro de casa, têm intimidade e familiaridade. Mas existem os equívocos danosos e inconstitucionais, trazidos á discussão por ele mesmo. Por exemplo: a questão dos índios, que ele disse, "vou modificar completamente e ate comercializar suas terras".

Juristas vieram a publico, estarrecidos com a ignorância do presidente eleito, em matéria de Constituição. O ex-presidente do Supremo, o respeitadíssimo Ayres Brito, deu uma aula, (gratuita) sobre o assunto, mostrando que a questão está consolidada e garantida, não pode ser modificada, nem por emenda constitucional. Bolsonaro sabe que precisa "bater em retirada". Mas seus conhecimentos gerais, são estouvadamente primários.

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Enquanto isso, os filhos "postes parlamentares", vão criando individual e coletivamente problemas de movimentação de dinheiro, transformado em escândalo nacional. Envolvendo o próprio presidente eleito, que se apresentava como padrão de moralidade. Deixo a conclusão para a COAF, órgão que será comandado por Bolsonaro-Moro. Estão acostumados a jogar tudo na lixeira política. E dessa forma, impunes, dominaram a Republica.

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O outro filho "poste parlamentar", desenterrou a polemica questão da pena de morte, que pretende implantar no Brasil. Como sua ignorância é igual á do pai, não sabe que a questão só pode ser modificada por plebiscito. Deu como justificativa: "No Brasil já existe pena de morte para DESERÇÃO em tempo de GUERRA". Não vou perder tempo com tanta idiotice.

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Foi comentar com o pai, que fulminou e liquidou a questão: "Não quero saber de pena de morte". O assunto morreu.

AS PREOCUPAÇÕES PROVISORIAS DE BOLSONARO (2)

No momento, todas as suas atenções estão voltadas para a posse e a pós-posse. Ou seja, o primeiro ato como presidente, ato que pretende seja estrondoso, interna e externamente. Mas antes tem que resolver uma questão-tradição: no dia primeiro de janeiro, desfilará de carro aberto como fizeram todos os presidentes eleitos?

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Pode mudar de ideia, mas até agora, acredita que comparecerão mesmo 500 mil pessoas, estará a descoberto e vulnerável. Tem sido aconselhado, (até por militares) a desfilar, não fugir da multidão. A verdade: está com medo da multidão.

(De1937 a 1945, ditador de fato, que fechou Câmara e senado, encheu prisões com advogados e jornalistas, Vargas desfilou todos os anos. Escolhia uma data histórica, em pé num vistoso Rolls Royce, era aplaudido em plena Avenida Rio Branco, com o povo na calçada, vibrando. Vargas ia até o Jóquei Clube, em dia de Grande Prêmio Brasil. Circulava conversava, nunca foi desconsiderado. E era um ditador).

PS- Bolsonaro tem problemas com a família. Os filhos, e inesperadamente a própria mulher.

PS2- Esta, antes de ser primeira dama, queria ser madrinha de um submarino. Como represália, deixou vazia a cadeira ao lado do marido, constrangimento total.

PS3- Recebeu um cheque de 24 mil reais, obrigando o marido a um grande roteiro verbal, para mostrar que o cheque era para ele.

PS4- Antes de morar no Alvorada, evangélica, mandou retirar tudo que lembrasse a religião católica, maioria no país.

PS5- O general Augusto Heleno conversou com Bolsonaro sobre péssima repercussão. As peças voltaram para o Alvorada.

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21
Dez18

Pastor e igreja de Michelle Bolsonaro são processados pelo sumiço de R$ 700 mil de fiel

Talis Andrade

 

 

por Kiko Nogueira

 

O pastor Josué Valandro com o casal Bolsonaro

 

O pastor e a igreja de Michelle Bolsonaro — frequentada por Jair, sedizente católico, quando lhe parece oportuno — estão sendo processados pelo sumiço de R$ 726 300 reais de uma fiel.

O caso está na Justiça do Rio de Janeiro.

Oséias Oliveira de Abreu, da Igreja Batista Atitude, IBA, da Barra da Tijuca, é acusado de dar um golpe e aplicar o dinheiro de uma senhora no estrangeiro.

Na ação estão incluídos, além de Oséias, a mulher dele, Fabiana, a organização e seu presidente, Josué Valandro Junior, amigo do casal Bolsonaro.

O dinheiro foi bloqueado. Valandro recorreu para liberar.

De acordo com a petição inicial, Oséias e a esposa “arrecadam informações dos fiéis, inclusive financeiras – tudo em nome de ‘Deus’”.

Tinham “ciência das aplicações” e a incentivaram a transferir o que tinha “e mais alguns valores” para um fundo de investimentos.

Valandro, “ao tomar ciência dos fatos, simplesmente lavou as mãos e requereu que seu nome e o da igreja não fossem incluídos, comportamento esse muito distinto da ação acolhedora normalmente ostentada no altar”.

Oséias e Fabiana tinham cargo de supervisores na companhia.

No final de 2017, ele foi preso em um condomínio de luxo na Barra com joias e uma esmeralda avaliada em R$ 8 milhões pela Polícia Civil.

Contra o “Pastor Oséias” há mais de 40 anotações criminais desde 2012.

Aparece como sócio em mais de dez empresas registradas em endereços falsos. Tinha contra si um mandado de preventiva por estelionato e falsificação de documento particular.

É suspeito de fraudes que causaram prejuízos de milhões a diversas vítimas.

O que um sujeito com esse currículo estava fazendo na Atitude?

Oséias e Josué aparecem orando juntos em fotos postadas por crentes (veja abaixo).

 

Pastor Oséias, acusado de vários golpes, e Josué Valandro com um fiel
Josué e Oséias oram juntos

 

Michelle participa do ministério de surdos da IBA.

Ela é intérprete de libras. Frequenta a Atitude desde 2017, quando se sentiu  “muito tocada”, contou Josué à Folha. 

Valandro fez campanha para o marido dela. Num culto, chamou-os ao palco.

“O peso das suas costas eu não tenho como carregar”, disse ele ao então candidato.

“Vamos orar por sua vida, para que Deus te dê força em sua caminhada”.

Esteve na diplomação realizada no TSE.

Antes da solenidade, comandou uma oração numa sala reservada aos ministros da corte.

A Atitude possui cerca de dez mil fiéis em doze templos espalhados pelo estado do Rio, mais Vitória do Espírito Santo, Vancouver e Orlando.

Marcello Siciliano, o vereador acusado de mandar matar Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, é um dos autores de uma lei autorizando o templo da Barra a ter cinco andares.

2018, declarou Valandro, ficará marcado como o ano em que “as famílias cristãs salvaram o país”.

Michelle e Josué
 

 

19
Dez18

O Médium, a Pastora e o Capitão Messias

Talis Andrade
 
Por Céli Pinto
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Os três personagens do título podem ser analisados partir de várias entradas: caráter; saúde mental; charlatanismo político. Mas vou deixar a tentação de falar deles de lado, porque estou convencida de que o mais importante é entender as razões do sucesso e da popularidade desses personagens no Brasil do século XXI.

Por que grande quantidade de pessoas, de diferentes origens sociais, culturais ou ideológicas, iam até Abadiânia em busca de solução para seus problemas? Por que imensos templos estão lotados, ouvindo pessoas descontroladas que ameaçam as congregações com o demônio, se dizendo ungidas por Deus para com ele ter interlocução direta? Por que 56 milhões de brasileiros e brasileiras votaram um em candidato para a presidência da República que nunca disse a que veio e, nas raras vezes em que se manifestou, falou de violência e de cortes de direitos que atingem os mais pobres, os menos protegidos, as mulheres, os negros, os sem terra, os indígenas, a população LGBT, todos e todas que dependem de políticas sociais para sobreviver?

Alguma razão explica a facilidade com que o médium, a pastora e o capitão messias interpelam grandes massas com tanta facilidade? Explicar por que as pessoas buscam e acreditam no médium talvez possa ser um modelo para entender a congregação que ouve a pastora e os que elegeram o capitão messias. As pessoas que chegam ao médium podem, em sua imensa maioria, ser divididas em dois grandes grupos: ou estão em grande sofrimento psíquico ou com uma grave enfermidade que as deixam muito próximas da morte. Nas duas situações há uma desorganização importante nos discursos que lhes organizavam a vida. Antes de chegarem ao médium, foram sujeitos de discursos amorosos, de discursos da meritocracia, da vida saudável. Mas, em um certo momento, pode haver um radical desencaixe discursivo: as pessoas não se sentem acolhidas como sujeitos e como agentes de nenhum desses discursos. O mesmo acontece com os que são acometidos de graves enfermidades, quando enfrentam a finitude, e a ciência médica não mais lhes garante a vida. Como todos vamos morrer, parece óbvio que, em um certo momento, a ciência não nos garantirá a vida, mas isto fica muito longe do razoável,quando atinge a subjetividade de cada um.

Este sujeito desencaixado, que não encontra lugar para sua sobrevivência psíquica ou da própria vida nos discursos que fizeram sentido ao longo de sua existência, identifica no discurso místico, do milagre, do transcendental, a possibilidade de reordenar a vida e reconstruir o seu lugar de sujeito. E isto é conseguido pelas mãos do médium. É tão forte este tipo de discurso que até os mais céticos, frente a um tipo desclassificado como João de Deus, às vezes não têm coragem de apontar a fraude.
 
O mesmo desencaixe discursivo parece explicar as grandes congregações pentecostais, este evangelismo de resultados que prolifera nas cidades brasileiras. Nesta circunstância, às crises desestruturantes do eu psíquico soma-se a crise dos discursos que relacionam o pertencimento de cada um à sua comunidade de sentido. Os fiéis são migrantes de zonas pobres ou rurais que estão desenraizados nas grandes cidades; são pais, mães e filhos sem ferramentas para enfrentar novos arranjos familiares e novas formas de vida; são trabalhadores e trabalhadoras para os quais o mundo do trabalho fecha as portas. Os discursos pentecostais do bem contra o mal, a possibilidade da redenção no encontro com o divino em um árvore frutífera livra os crentes da ameaça de topar com o poderoso satanás a cada esquina e reorganizada assim a vida, dando uma certeza para cada ato da vida, nas relações afetivas, na família, no trabalho. O mundo complexo e discursivamente anárquico é trazido à transparência através de certezas expressas em mantras repetidos em transe em grandes templos, sob o comando de algum iluminado que diz ter íntima relação com o divino.

Estes momentos místicos, representados pelo médium e pela pastora, são recorrentes na história da humanidade e dizem muito da relação dos humanos com sua própria condição de seres conscientes de sua finitude e insignificância frente ao tempo do universo. A novidade é o comércio da miséria humana sob a forma capitalista. Médiuns, pastores e outros quaisquer, capazes de articular o discurso da esperança, facilmente se tornam parte da classe dos novos milionários do capitalismo financeiro global, pessoas com imensas fortunas que não têm qualquer relação com o sistema produtivo, mas são parasitas que podem ser agrupados sob o rótulo de celebridades.

Mas o fenômeno da implosão discursiva não para no surgimento do médium e da pastora, ele também dá pistas para explicar fenômenos como o capitão messias, eleito presidente do Brasil.

Antes de avançar no argumento, uma rápida digressão. Seria cômodo atribuir a vitória do capitão ao crescimento mundial de uma ideologia política de extrema-direita. Mas, mesmo sem desconsiderar o cenário internacional, as questões internas apontam para muitas possibilidades explicativas, entre elas a que se relaciona, por décadas, ao êxito do médium ou à ascensão da pastora.

De 2013 a 2018, o Brasil viveu um continuo esgarçamento do conteúdo do discurso que lhe deu sentindo desde a redemocratização na década de 1980. Das chamadas Jornadas de Junho, em 2013, às eleições de 2018, um conjunto de acontecimentos estraçalhou os discursos políticos que davam sentido à jovem democracia brasileira, transformando-os em centenas de fragmentos dispersos, sem articulação. Alguns acontecimentos se destacam do conjunto: a memória recente dos escândalos de corrupção que envolveram os governos Lula desde 2005 e minaram a capacidade de interpelação do discurso petista; a ruptura do PSDB com o pacto democrático, não aceitando o resultado das eleições das urnas em 2014 e liderando o movimento que provocou a queda da presidenta Dilma Rousseff em agosto de 2017; a criminalização da política através da operação Lava Jato, que combinou o estrelismo de um juiz e alguns procuradores e com a transformação de uma figura execrada na história brasileira em herói: o delator.
 
De um país com dois partidos muito bem estruturados, o PT e o PSDB, que se alternavam na presidência da república, com partidos de centro circulando ao redor dos grandes e pequenos partidos nos dois extremos que montavam o quadro, o discurso político brasileiro se reduziu a um amontado de ladrões disputando as melhores fatias das riquezas nacionais. O resultado mais pungente foi a desqualificação da política e a morte do sujeito político, o eleitor da democracia, que se forjara desde a década de 1980.

Nada é mais forte para descrever este sujeito perdido do que fotos das manifestações de rua, quando frequentemente se pode ver um cidadão sozinho, com um cartazete feito à mão em que está escrito: “eles não me representam”. Estas circunstâncias asseguram as condições de emergência ótimas para o discurso simplificador, que reorganiza o sujeito a partir de consignas violentas, interpelando os sentimentos mais emocionais possíveis, de vingança, de medo à diferença, trazendo para a linha de frente militares e pastores, revivendo medos atávicos da população brasileira (como o contra o comunismo, seja isto o que for na cabeça de cada um). Prometendo morte e cadeia para contraventores que provocam a violência urbana ou roubam os cofres públicos, o capitão messias interpela a população através do discurso da ordem, que parece colocar cada significado em seu lugar, sem deixar possibilidade para a dúvida, desejando convencer a todos de que estaremos longe do mal para sempre.

O médium, a pastora e o capitão messias são as respostas à desorganização discursiva frente à morte, a solidão, a descrença nas soluções políticas. Todos organizam sujeitos em crise, todos têm soluções mágicas e fáceis. Todos contam com a benevolência das instituições estabelecidas, com a boa vontade de muitos que nem creem no médium, na pastora, ou no capitão messias.
 
 
13
Dez18

Patética, Damares e seu Jesus de pé de goiaba (vídeo)

Talis Andrade

damares _adnael.jpg

por Fernando Brito

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Seria cômico se não fosse deprimente e assustador.

Damares Alves, já quase ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos protagoniza, no Youtube, um vídeo patético, onde conta que, aos dez anos de idade, pegou “uma substância”, subiu num pé de goiaba e ia se matar, pois estava “esmagada por Satanás desde os seis anos de idade”.

Foi salva, diz ela, por Jesus Cristo em pessoa, apesar de sua (dela) falta de fé em que o Onipotente soubesse subir num pé de goiaba, talvez porque a goiaba seja vermelha e não raramente esteja cheia de bichos evidentemente comunistas, porque se ocultam sob a casca verde do fruto, disfarçados.

Patético.

Não é preciso que Nosso Senhor suba num pé de goiaba. Basta a D. Damares suba num divã e receba ajuda psicológica.

Francamente, nem dá para falar muito de uma pessoa tão doente e desequilibrada.

O governo Bolsonaro nem começou e já virou um circo de aberrações

 

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