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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

23
Fev21

MPF distorceu notícia para desviar atenção da imprensa sobre decisão desfavorável da Justiça da Suíça

Talis Andrade

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Tribunal Penal Federal da Suíça considerou ilegal entrega de documentos a procuradores brasileiros que atuavam na "lava jato"

A Lava Jato fabricava depoimentos de presos e testemunhas. Portanto, muito mais fácil criar informações falsas para a imprensa. Era uma fábrica de boatos, de mentiras, de injúrias, de calúnias, de meias-verdades. Mantinha assessoria de imprensa e agências de publicidade. Era uma organização criminosa. Acabou de podre.

Publica o portal Consultoria Jurídica: Integrantes da chamada "lava jato" em Curitiba criaram um factoide para esconder uma decisão desfavorável e se antecipar ao trabalho da imprensa. A informação consta em novos diálogos enviados pela defesa do ex-presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal.

O episódio envolve decisão do Tribunal Penal Federal da Suíça que considerou ilegal uma entrega de documentos do país a procuradores brasileiros que atuavam na "lava jato". 

Conforme noticiou com exclusividade a ConJur em 2 de fevereiro de 2016, a promotoria do país europeu fez um pedido de cooperação solicitando que diversos investigados no Brasil fossem interrogados. Junto com os questionamentos, entretanto, foram enviados documentos bancários sigilosos de uma empresa offshore suíça. Os dados haviam sido solicitados anteriormente pelo Brasil para tentar provar que a Odebrecht pagou propina a terceiros. Esses documentos foram considerados ilegais pelo tribunal suíço.

Em 20 de janeiro de 2016, 13 dias antes da ConJur publicar a reportagem, o MPF em Curitiba já começou a se movimentar sobre como abafar a decisão desfavorável.

"Pepino com a Odebrecht. Se preparem. Um tribunal suíço deu razão a eles num pedido que o MPC [Ministério Público suíço] fez ao MPF", disse uma pessoa não identificada em um grupo lavajatista. A identidade de quem enviou a mensagem não aparece porque o nome dos responsáveis por criar chats hackeados do Telegram é suprimido. 

Em seguida pessoa identificada como "Renata", provavelmente assessora de imprensa do MPF, respondeu: "Isso deve sair na imprensa já, já. Quando tiverem informações, por favor, me passem". A partir daí foi articulado um release que seria enviado apenas aos jornalistas que eventualmente questionassem o MPF sobre a decisão do tribunal suíço. 

"Essa informação será trabalhada pela comunicação. Mas eu e Jeanne tb pensamos que podemos trabalhar de alguma forma a investigação Suíça. Seria mais ou menos algo na linha de que a empresa que questiona tanto a condução da investigação, se diz inocente etc, é investigada na Suíça por corrupção", prossegue Renata. 

"Mas só falamos [com a imprensa] se nos procurarem. É isso? Sem divulgação…", pergunta outro assessor, identificado como Rubens. 

 

A decisão


O questionamento do envio de dados na Suíça foi feito por uma das empresas offshore apontada por investigadores da "lava jato" como responsável pelo pagamento de propina a ex-diretores e gerentes da Petrobras. Os dados bancários dessa empresa foram enviados pelo MP suíço e utilizados como prova na "lava jato".

Inconformada com a atitude, a offshore recorreu ao Tribunal Penal Federal da Suíça afirmando que o envio dos dados foi ilegal, uma vez que houve produção de provas disfarçada de cooperação. 

Ao analisar a ação, o tribunal concluiu que houve um caso de entraide sauvage ("auxílio judicial selvagem", em tradução livre do francês). Na decisão, a corte ressaltou que em alguns casos o envio de dados sigilosos é permitido no processo rogatório. "Porém, o fornecimento de provas caracteriza uma forma da 'entraide sauvage' repudiada", diz a sentença.

Com base na decisão do tribunal suíço, a defesa do executivo da Odebrecht Marcio Faria da Silva pediu o desentranhamento das provas da ação penal que resultou em sua prisão. O executivo foi condenado por Sergio Moro. 

Os advogados de Silva lembraram que o próprio Moro, então juiz, afirmou que "as provas materiais principais" do processo são os documentos bancários anexados ao pedido de cooperação encaminhado pela Suíça ao Brasil em 16 de julho de 2015.

 

O release do MPF


Já no release do MPF, publicado um dia depois da reportagem da ConJur, a decisão suíça foi tratada como uma vitória dos procuradores brasileiros.

A manobra se deu da seguinte forma: ao invés de falar que a Justiça do país europeu considerou ilegal o envio dos dados bancários e cobrou informações das autoridades locais, o MPF noticiou apenas que a Odebrecht buscava impedir o uso do material no Brasil, mas que a empreiteira não conseguiu. 

"Com o recurso, a Odebrecht almejava impedir o uso, no Brasil, dos documentos bancários suíços que comprovam que ela pagou propinas multimilionárias, mediante depósitos diretamente feitos nas contas controladas por funcionários da Petrobras. Contudo, o Tribunal suíço concedeu à empresa apenas o direito a um recurso interno, tal qual ocorreria caso o pedido de cooperação tivesse partido do Brasil para a Suíça", diz a nota. 

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13
Jun19

A Globo dobrou a aposta diante do monumental escândalo que desmoralizou por completo a Lava Jato.

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

 

Enquanto a imprensa ao redor do mundo se escandaliza com a revelação das práticas mafiosas de Moro, Dallagnol e procuradores da Lava Jato [aqui], o conglomerado da família Marinho assumiu a defesa incondicional dos mafiosos e atacou o que classifica serem “provas ilegais” obtidas pelo site The Intercept junto a hackers para “atacar” sua santidade, a Lava Jato [aqui].
 
A Globo repete o antigo e ineficaz critério de matar o mensageiro na vã ilusão de que, assim, conseguirá esconder a mensagem e a verdade nela contida.
 
O noticiário de todos os veículos da emissora sobre o esquema mafioso da Lava Jato envergonha menos pelo absoluto monolitismo e ausência de vozes dissonantes, do que pela defesa desavergonhada do vale-tudo da conspiração que quebrou o Estado de Direito.
 
A posição da Globo destoa até de O Estado de SP, o mais “lavajateiro” jornal da oligarquia. No editorial desta terça-feira, 11/6, o Estadão chegou a propor a renúncia do Moro, que apesar de seriamente implicado em crimes que devem ser investigados, continua mandando na PF.
 
A opção da Globo é compreensível. Afinal, a empresa está implicada até a medula com este quadro lamentável do país: foi o motor da engrenagem conspirativa conduzida por Cunha, Aécio e Temer para derrubar Dilma e que depois evoluiu para o regime de exceção que prendeu Lula para deixar livre o caminho para a eleição do Bolsonaro.
 
O comprometimento da Globo com a sujeira da Lava Jato e com o caos instalado no país é de tal magnitude que é difícil imaginar outra saída que não a adotada pela empresa. Sua implicação orgânica com o plano traçado em Washington e Wall Street é total.
 
De acordo com o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, a relação simbiótica da Globo com a Lava Jato ficará ainda mais clara nas revelações que virão a seguir. Ele afiança que “a Globo foi para a Força Tarefa da Lava Jato aliada, amiga, parceira, sócia. Assim como a Força Tarefa da Lava Jato foi o mesmo para a Globo” [aqui].
 
Ao alegar ilegalidades na divulgação jornalística dos crimes dos operadores da Lava Jato, o que é uma atitude paradoxal para um órgão de imprensa, a Globo busca se vacinar acerca de novas revelações do Intercept mostrando o envolvimento dela própria na conspiração.
 
A simbiose da Globo com a Lava Jato surgiu já no desencadeamento da conspiração. A Globo investiu forte na montagem da sucursal de Curitiba, para onde foi transferido o jornalista Vladimir de Almeida Leitão Netto, filho de Miriam Leitão, antiga funcionária do grupo.
 
Apenas 2 anos depois do início da Lava Jato, Vladimir Netto lançou a toque de caixa o livro “Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, que ostenta na capa o rosto de Moro em pose de Mussolini.

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Na wikipédia Vladimir Netto está apresentado como “um jornalista brasileiro que ganhou notoriedade ao escrever e publicar em 21 de junho de 2016 um livro sobre o juiz federal Sérgio Moro e pela cobertura à Operação Lava Jato. A obra de Netto tornou-se a mais popular dentre as que foram lançadas a respeito do juiz e em agosto de 2016 foi o livro mais vendido na categoria não ficção […]. No mesmo mês, o cineasta José Padilha comprou os direitos da obra de Vladimir, sendo que o conteúdo foi usado no roteiro da série ‘O Mecanismo’ da Netflix. Tal seriado apresenta o escândalo de corrupção na Petrobrás, estreando em 2018”.
 
O livro de Vladimir e o filme de Padilha foram instrumentalizados no propagandismo pró-Lava Jato e anti-PT nos anos eleitorais de 2016 e 2018, respectivamente.
 
Vladimir Netto também ficou eternizado pelo twitter do colega de jornalismo engajado Germano Oliveira, editor de política da revista IstoÉ. Ao final da farsa jurídica do TRF4 de Porto Alegre, em 24 de janeiro de 2018, Germano publicou uma fotografia na qual um sorridente Vladimir figura ao lado de outros 4 “jornalistas”, e escreveu o seguinte texto:
 

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Os cinco jornalistas que fizeram a diferença na cobertura da Lava Jato, que acabará levando Lula para trás das grades. Da esquerda para a direita: Vladimir Neto, da TV Globo; Ricardo Brandt, do Estadão; André Guilherme, do Valor; este que vos fala Germano Oliveira, da ISTOE; e Flávio Ferreira, da Folha de S.Paulo. Faltaram outros grandes repórteres como Fausto Macedo, do Estadão, Cleide Carvalho, do Globo. Essa turma eh da pesada e se reuniu hoje na sede do TRF4, em Porto Alegre, quando os desembargadores condenaram Lula por 3 a 0 a 12 anos e 1 mês de cadeia. Ainda da para confiar na Justiça” [aqui] [os erros ortográficos são originais].
 
É isso mesmo: os “jornalistas” se auto-elogiavam pela cobertura da Lava Jato e celebravam que “ainda dá para confiar na Justiça”! [sic]
 
A relação de proximidade – ou de promiscuidade – de Vladimir Netto com Sérgio Moro ficou escancarada em 14/1/2019 por meio do ato de nomeação da sua esposa Giselly Siqueira para o cargo de Chefe da assessoria de comunicação do Ministério da Justiça.
 
No cartão de visita na mídia social linked in, Giselly se apresenta como “Consultora na Vnetto Comunicação”, sendo que Vnetto é a abreviatura de Vladimir Netto.
 

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Em reportagem de janeiro passado, a Revista Fórum [aqui] informou que 
A nora de Miriam Leitão já foi assessora-chefe do Supremo Tribunal Federal (STF) na gestão do ministro Gilmar Mendes e trabalhou como assessora da Procuradoria-Geral da República (PGR) quando se casou com Vladimir.
 
Um conceituado jornalista de Brasília afirmou à Fórum que, quando Giselly trabalhava no órgão, a TV Globo, emissora de seu marido e de sua nora, enviava um motoqueiro para buscar informações vazadas do órgão em primeira mão”.
 
A Globo sempre teve acesso privilegiado à Lava Jato e tem primazia no abastecimento de vazamentos seletivos e informações privilegiadas sobre operações cinematográficas.
 
Evidência emblemática da relação promíscua Globo-Lava Jato foi a divulgação, em primeira mão pela Globo, da conversa telefônica entre a Presidente Dilma e o ex-presidente Lula na tarde de 16 de março de 2016. Naquela ação criminosa, Moro contou com a cumplicidade do Deltan Dallagnol, conforme deixou claro o Intercept.
 
A interferência Globo-Lava Jato resultou no impedimento da posse do Lula na Casa Civil em decisão inconstitucional do STF, e foi fundamental para o avanço do golpe e para a derrubada da Dilma.
 
A reportagem do Intercept tem o valor histórico de trazer à superfície da realidade atual as provas documentais da conspiração que, desde sempre se sabia, era operada no subterrâneo por facções empresariais, políticas, policiais, judiciais e midiáticas da oligarquia para avassalar o Estado de Direito, prender Lula e erguer um projeto de poder da extrema direita.

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A Globo, que está no epicentro desta escabrosa conspiração midiático-jurídico-policial, é a pior metástase do Brasil. Seu destino, que está atado ao destino dos conspiradores de toga e traidores que tanto defende, já está reservado no esgoto da história.
 

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