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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Ago21

O STF e os crimes de ódio: ABJD, o tempo das coisas e as coisas fora do tempo

Talis Andrade

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por Tânia Maria Saraiva de Oliveira /Brasil de Fato /Combate

A liberdade de expressão é um direito humano fundamental, historicamente associada à própria noção de democracia, que está presente em todos os documentos internacionais e nas constituições de países democráticos. Deve, por evidente, conviver com outros valores éticos fundamentais, como corolário do princípio de que no direito nada é absoluto.

O direito geral de liberdade funciona como uma regra de interpretação e integração das liberdades em espécie e de identificação de liberdades implícitas na ordem constitucional.

O período mais contemporâneo no Brasil tem acirrado a discussão sobre o uso da liberdade de expressão para ferir direitos constitucionalmente consagrados de outrem, o que atrairia limitação para atender aos demais valores que com a liberdade se chocam.

Definir que critérios devem ser seguidos para decidir pela demarcação, ou não, do direito à liberdade, é tarefa sensível sob diversos pontos de vista, inclusive o jurídico.

O discurso de ódio ocorre quando um indivíduo se utiliza de seu direito à liberdade de expressão para inferiorizar e discriminar outrem baseado em suas características, como sexo, etnia, orientação sexual, política, religiosa.

Ou quando é adotado em ações para invocar regimes autoritários e antidemocráticos. A exteriorização de pensamentos contra o próprio regime democrático assume uma das formas do discurso de ódio.

Quando, em junho de 2020, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) ajuizou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecesse os parâmetros de diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão, não havia, ainda, a prisão de militantes bolsonaristas, deputados, nem blogueiros.

A entidade apontava o crescimento, desde 2018, das milícias digitais que espalham mensagens de ódio e proferem ameaças às instituições, tendo como vítima central o próprio STF, com foco em alguns de seus ministros, por cumprirem com seu dever institucional de investigar crimes cometidos pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e alguns de seus seguidores.

A ADPF fundamentava que o discurso de ódio, que vinha aumentando nas manifestações de rua e nas redes, extrapolava a liberdade de expressão. Os abusos cometidos por indivíduos ou coletivos representavam um perigo para a democracia e precisavam ser enfrentados pela Corte.

O caso da prisão do ex-deputado Roberto Jefferson na sexta-feira (13) após inúmeras entrevistas, postagens, vídeos – alguns deles com armas na mão – instigando a violência, desacreditando o sistema eleitoral e conclamando o povo a se “defender”, indicam que as emoções, sentimentos de ira, raiva, desprezo, que constituem parte essencial do discurso de ódio, não podem ser tratados de forma casuística ou natural quando já identificado que seu potencial de ação representa um perigo para o Estado Democrático de Direito, com ameaças explícitas contra a integridade de pessoas, instituições da democracia e seus membros.

Os ataques públicos de Jefferson a ministros do STF, profundamente agressivos, com criação de apelidos e “piadas” homofóbicas, evidenciam a forma mais primitiva de expressar seu ódio. Um feitio usado por pessoas embrutecidas para subtrair a humanidade dos adversários, em um quadro delirante e paranoico que, no espelho do fascismo, inverte a lógica se dizendo vítima de censura à sua liberdade.

 

Ao deixar de agir em várias situações, inclusive não tendo enfrentado o necessário debate jurídico de fundo, as instituições falharam

 

O pedido da ABJD para que o Supremo estabelecesse os parâmetros entre discurso de ódio e liberdade de expressão, com o objetivo de criar uma jurisprudência que esteja de acordo com os pilares do Estado Democrático de Direito e da democracia, fazendo uma interpretação conforme a Constituição de 1988, soa agora, mais de um ano depois, como uma profecia. Era perfeitamente possível vislumbrar a ameaça que se avizinhava.

Sem dar andamento ao pedido, o STF se obriga agora a agir diante do agravamento da situação, como se supunha, inclusive se fazendo de surdo em relação a outros atores, como é o caso do cantor e ex-deputado federal Sérgio Reis, cujo vídeo vazou na internet organizando reuniões com membros do agronegócio, fazendo chamamento intimidatório para parar o país, “quebrar tudo” e retirar os ministros do STF “na marra”.Charge do Amarildo

O nível de enfrentamento alcançou um teto alto de tal modo que um homem público profere uma fala golpista sem se preocupar com a repercussão que terá, e depois se diz “deprimido”, como se a palavra que trata de valores fundantes pudesse ser um gesto avulso ou artificial.

Somente em um país que vem perdendo suas referências de convivência com a divergência, negociação política, respeito às instituições, igualdade entre homens e mulheres, direitos das minorias, laicidade, e onde a democracia é tratada como um problema pelo governo federal, isso se torna possível.

Somente uma sociedade adoecida pode confundir liberdade de expressão com crimes de ódio.

Ocorre que o tempo das coisas para sanar o problema está atrasado. Ao deixar de agir em várias situações, inclusive não tendo enfrentado o necessário debate jurídico de fundo, as instituições falharam. Agora precisam ajustar os ponteiros do relógio, porque a democracia que temos padece de política. Será preciso reinventá-la e impor as regras do jogo democrático, enquanto ainda estamos nele.

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23
Mai21

A CPI da Poesia: os poetas mortos

Talis Andrade

 

por José Ribamar Bessa Freirea /Taqui Pra Ti

“Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia”
 (Mário Quintana)

Quem está tentando matar a poesia no Brasil? Para identificar os autores de tais ações foi criada na Câmara de Deputados a CPI da Poesia, que tem o poder de convocar até os mortos. No entanto, como seu foco abrange narrativas literárias e outras formas de expressão artística, indo além do ato poético em si, talvez devesse se chamar a CPI da Poética. De qualquer forma, sua presidente, a deputada federal Joênia Wapixana (Rede/RR), intimou várias testemunhas, advertindo que os mentirosos podiam sair dali presos.

O primeiro depoente vivo foi o cartunista e poeta Ziraldo, 88 anos, criador na época da ditadura militar de uma cor denominada Flicts, que servia de vacina contra a tristeza e a depressão e era o encanto das crianças. Ele fez um histórico da quadrilha poeticida cujo comandante, nascido em 1955 em Glicério (SP), odiava versos, uivava e latia cada vez que via um poeta vivo. O seu lema era “Ódio a Ode”. Perseguia ferozmente o Flicts, ameaçando-o com uma “arminha”, quando então exibia cor e esgar estranhos. Por isso, foi apelidado de Grrrr-au-au.    

Convocado do céu, onde reside há quase dois anos, o cantor João Gilberto, inventor da bossa nova e celebrado no mundo inteiro, confirmou à CPI que Grrrr-au-au abominava aquilo que ignorava. O comandante da quadrilha nunca havia ouvido uma música sua, não decretou luto oficial por sua morte, limitando-se a comentar: “Parece que era uma pessoa conhecida”. Citou Caetano Veloso que na ocasião se manifestou chocado com o tom de desprezo e a ignorância de Grrrr-au-au. No final, o depoente indagou à presidente se podia cantar “Chega de Saudade”.

–  Não. Quem tem que cantar aqui é o MC Reaça – interrompeu aos berros o Pit Bull Rachadinha, que nem era membro da CPI, mas sugeriu que fosse convocado do inferno, onde reside, o autor do Proibidão do Grrrr-au-au para quem “as feministas merecem ração na tigela e minas de esquerda tem mais pelo que cadela”. Instaurou-se uma balbúrdia e a sessão foi suspensa. 

O idiota e os bocós

Os trabalhos foram retomados com o depoimento de um vizinho de João Gilberto no céu. Era o poeta e cronista Aldir Blanc, vascaíno doente, coautor de A Cruz do Bacalhau, morto em decorrência do Covid-19, sem que houvesse qualquer manifestação da então fugaz secretária de cultura Regina Duarte, emudecida também diante das mortes do escritor Rubem Fonseca, do cantor Moraes Moreira, do ator Flavio Migliaccio e do teatrólogo Jesus Chediak.

Aldir, autor de Mestre Sala dos Mares e O Bêbado e a Equilibrista, chutou o pau-da-barraca ao traçar o perfil do chefe da quadrilha com aquele estilo que desenvolveu em sua coluna nos semanários O Pasquim Bundas:

– Grrrr-au-au nunca leu um único soneto em sua vida e queixou-se dos livros “que têm excesso de palavras”. Taxou as publicações com impostos altos, mas eliminou a tributação para a compra de armas. Quando se apropriou da cor verde-amarela foi para enganar os incautos e trouxas e, dessa forma, disfarçar a sua baba gosmenta, o seu olhar alucinado de cachorro doido, como no poema de Zeca Baleiro. Declarou guerra à literatura, alegando que o Brasil tem que deixar de ser um país de maricas. Destilou preconceitos homofóbicos ao afirmar que quem gosta de poesia é gayzinho. Chamou de idiotas as pessoas que em razão da pandemia até hoje ficam em casa escutando música e lendo poemas.

Em seguida, a CPI quis ouvir o poeta Manoel de Barros, vindo do Pantanal do Olimpo, a toca de Zeus. O relator Mário Juruna indagou se a poesia merecia ser exterminada como pregava o Imbrochável Grrrr-au-au e se era mesmo diversão de “idiotas”.

– Bocó é um que gosta de conversar bobagens profundas com as águas.  Bocó é aquele homem que fala com as árvores e com as águas como se namorasse com elas – respondeu o poeta. 

– Mas afinal, o que é poesia? – perguntou o relator.

– Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas, é de poesia que estão falando. Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira. A linguagem da poesia força a realidade a se manifestar, escava suas profundezas e traz à tona as situações fundamentais da condição humana, como queria Alfred Doblin. Por isso ela é odiada pelo Grrrr-au-au.

O outro capitão 

O último a depor nesta primeira etapa da CPI foi o ator estadunidense Robin Williams, que reside hoje no andar de cima, mas viveu na tela o papel do professor de literatura no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Ele declarou que rompeu com o autoritarismo do colégio tradicional, uma espécie de “escola sem partido”, combatendo seu caráter castrador e repressivo. Seu depoimento forneceu elementos para a CPI dimensionar a poesia:

– Nós não lemos e escrevemos poesia porque é algo bonitinho, mas porque somos membros da raça humana, existe um poeta dentro de cada um de nós – ele disse.

Confessou ainda que orientou seus alunos a escreverem poemas, lidos em um clube secreto que funcionava numa caverna perto da escola. Lá, escondidos da repressão, promoviam saraus de poesia. O diretor, que estudou na mesma cartilha de Donald Trump, demitiu o professor e mandou-o recolher seus pertences na sala de aula. Ali, ele recebe uma homenagem dos estudantes, que sobem nas carteiras da sala seguindo a lição de rebeldia contra a autoridade burra, saudando-o e reconhecendo sua liderança: “Captain, my captain”. Esse era o “outro capitão”, o capitão inteligente.

– É simples assim – disse o professor aos membros da CPI. Um manda e os outros desobedecem. Ordens que atentam contra a espécie humana não devem ser cumpridas.

A CPI da Poesia vai ouvir ainda inúmeros poetas e músicos: Drummond, Manuel Bandeira, João Cabral, Castro Alves, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Clementina de Jesus, Patativa do Assaré, Cecília Meirelles, Adélia Prado. Cora Coralina, os poemas eróticos de Hilda Hilst e tantos outros.  Drummond vai dizer por que perguntou em A Flor e a Náusea: “Crimes da terra, como perdoá-los?” e explicar se existe ódio sadio expresso nos versos: “Meu ódio é o melhor de mim, com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima”. Qual a diferença deste para o ódio do Grrrr-au-au?

Serão convocados poetas amazonenses, entre eles Thiago de Mello para saber se continua cantando no escuro, além de Luiz Bacellar, Elson Farias, Aldizio Filgueiras, Dori Carvalho, Luiz Pucu, que devem se pronunciar sobre as ameaças à Zona Franca feita por Grrrr-au-au com o objetivo de impedir que a CPI da Poesia identifique os autores do poeticidio.

Por último, a CPI ouvirá poetas indígenas, entre eles Eliane Potiguara, Graça Graúna, Zélia Puri, Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Dauá Puri, Ademário Payayá, Cristino Wapixana, Tapixi Guajajara e Daniel Munduruku que acaba de se apresentar para uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). Eles dirão se o poema abaixo de Miguel Panemaxeron Surui está mesmo anunciando o fim dos latidos de Grrrr-au-au e do pesadelo vivido pelo Brasil.

Passam os anos, passa a vida
Passa o tempo, passam as coisas,
Passam perto de mim as pessoas,
Passa dentro de mim o amor.
Por que isso comigo se passa,
Se já nem sei mais quem sou?

P.S. 1 – O ódio de Grrrr-au-au aumentaria se soubesse que no sábado (22) foram lançados dois novos livros. De manhã Pequenas conquistas perdidas com 45 crônicas do poeta Dori Carvalho. E logo onde? Nada menos que no Amazonas, que ele sonha deixar sem uma árvore em pé. E à tardinha, no Rio, o romance Morte Certa de Dau Bastos, professor de literatura na UFRJ.

P.S. 2 – Este texto se inspirou numa conversa telefônica com meu amigo Guillermo David, diretor nacional de Coordenação Cultural da Biblioteca Nacional da Argentina. Ele está relendo Guimarães Rosa e eu revisitando Julio Cortazar. “Os que amam a literatura estão salvos porque têm onde se refugiar nesses tempos sombrios” – ele disse. Daí a ideia de que a poesia é uma vacina de esperança. 

04
Abr21

O Testamento de Judas na pandemia. Por José Ribamar Bessa Freire

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire /TaquiPraTi

- - -

“Eu sei que alguém descobre / Falhas no meu testamento”.
Joaquim Apolinário. Testamento do Judas.  1886. (*)

Neste sábado de aleluia, Judas Iscariotes, ministro das Finanças do Inferno, visitou países de cinco continentes, entre eles a America First e o Brasil abaixo de tudo. Aqui viu bonecos de pano com a cara do genocida pendurados em postes das cidades. Fugiu ao se deparar com 330 mil mortos pelo coronavirus. Passou antes por Manaus. No bairro de Aparecida, sofreu a tradicional malhação e se vingou deixando seu testamento em versos psicografado pelo irreverente e desabusado Edilson, o Gaguinho, gênio da poesia popular. Tirem as crianças da sala. Ei-lo aqui. 

1 
Sou Judas Iscariotes / Neguei máscara, vacina.
Dei cloroquina pra Cristo / Olhem só a minha sina.

2
Por isso sou malhado / com porrada na cacunda
No sábado de Aleluia vou / moer vidro com a bunda.

3
Mas antes de me ferrarem / e de me enforcar outra vez
Eis aqui o inventário /  do que eu lego pra vocês.

4
Ao Trump bundão eu deixo  / o túmulo do faraó
E a espada do centurião / pra enfiar no fiofó.

5
Pra atormentar sua vida / deixo o discurso do Lula.
Ao mentiroso Jair Messias / Burro como uma mula 

6
Deixo o exemplo do Temer / ao vice Mourão Mourão
Catuca por baixo que ELE cai / com impeachment e lockdown.

7
Deixo ao Dudu, o 03 / a embaixada em Mianmar
Pra ele fritar hamburger / no Burger King de lá

8
A Carlucho, o 02 da fake news / que escorrega no quiabo
Deixo a máscara que não usa / para enfiar no seu rabo.

9
As trintas moedas repasso / ao 01 da Rachadinha
Mansão, chocolate, iate / Queiroz deu sua lavadinha

10
Ao ministério do Zero Zero / escolhido no capricho
As ratazanas do Centrão / jogo na lata do lixo.

11
Lego armas, vacina não/ à familícia e ao gado
Tudo pau de amarrar égua / com o orifício corrugado

12
O Posto Ipiranga vazio / que nem pastel do Beiçola
Paulo Guedes nega tudo / e põe no PIB meia sola.

13
Ernesto Araújo, seu pária / Que merda de chanceler!
Te deixo spray de Israel / Ninguém te ama nem te quer.

14
Ao obediente Pazzuelo / Lego o mapa do Amapá
O Zé Gotinha com fuzil / no dia D na hora H.

15
Para o Marcelo Quidroga / que não sabe o que quer!
Deixo a vachina da China / pra ele virar jacaré.

16
A corda que me enforquei / e a tripa cagaiteira
Lego ambas pra Damares / se pendurar na goiabeira.

17
Ao “imprecionante” Weintraub / de Kafta um grande fã
Deixo cannabis no campus / e as balbúrdias do Satã.

18
Ao ministro Milton Ribeiro, / da palmatória defensor.
De pedagogo oprimido  / a “paudagogo” opressor.

19
Nem tudo que reluz é Moro / mas cai tudo que balança
Ao “conje” suspeito eu deixo / a Edith Piá de herança

20
Ao incendiário da Amazônia / ao Salles abridor de porteira
Deixo o fogo do inferno / Pra ele arder na caldeira

21
Ao general Heleno de Troia / Que gosta de um tititi
Deixo toda a lambança / Cometida no Haiti.

22
À senadora Kátia Abreu / Que ficou no ora veja
A mão que te  afaga / É a mema que te apedreja.

23
Tou certo ou tou errado? / Para a Regina Porcina,
Que foi sem nunca ter sido / Deixo um trono na latrina.

24
Lego a Amargo dos Palmares / Pra aprender a ser gente,
Um pixaim de pentelho / Na careca reluzente.

25
Ao garantista Kássio Nunes / Que pensa que a lei destrincha
Deixo-lhe o Gilmar Mendes / Pra chamar ele na chincha.

26
Ao Procurador Augusto Aras / Deixo-lhe muitas gavetas
Que nunca serão abertas / Pra esconder do Bozo as tretas

27
Palloci minh’alma gêmea / Teu destino é como o meu
Pra tirar o loló da seringa, / Traíste mais do que eu.

28
Ao bode libidinoso / Metido num trumbico
Defendo a Isa Penna / Até o Cury fazer bico

29
Para  Wilson Lima governador / Lego a operação sangria,
Com dinheiro da saúde,/ Não se faz patifaria.

30
De mãos dadas com o povo? / Ventiladores de hospital
Comprados em adega de vinho / É coveiro em funeral.

31
Lá onde perdi as botas / Ao mulato inzoneiro
Lego o nojo desses pulhas / E a crença no brasileiro.

32
Agora eu volto pro inferno / lá tá melhor do que aqui
Neste fim de Quaresma / Deixo-vos o Taquiprati.

P.S. – Agradeço sugestões da Teca, Fabico, Celeste e Elisa Souto e a inspiração do Edilson, filho da Pequenina e Marcolino.

(*) O potiguar Joaquim Apolinário de Medeiros (1852-1919) fez um testamento do Judas em 1886, preservado na memória da mãe do Câmara Cascudo, que transmitiu oralmente os versos para seu filho. Trechos foram publicados por ele em “Vaqueiros e Cantadores”. Rio. Ediouro. 200 (pgs 65-66).

(**) Malhação de Judas

27
Jul20

Militares fazem o que sabem de melhor: esconder os mortos

Talis Andrade

 

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Na década de 1970 a ditadura também manipulou e escondeu por anos os números de uma epidemia. Milhares morreram e centenas de crianças pobres foram enterradas em valas comuns sem identificação

por Jornalistas Livres

Imagine uma epidemia que se alastra rapidamente e mata entre 10% e 20% dos infectados. Imagine que essa epidemia mata principalmente crianças e em especial as da periferia, com menor acesso ao saneamento básico e à saúde. Agora, imagine que por três anos os meios de comunicação sejam censurados nas reportagens sobre a epidemia, que os médicos sejam proibidos de dar entrevistas e que o Ministério da Saúde, controlado por militares, não divulgue os números corretos sobre a doença e as mortes. Isso já aconteceu no Brasil, e não faz tanto tempo assim.

Entre 1971 e 1974, pelo menos 60 mil pessoas de sete estados brasileiros (40 mil só em São Paulo, o epicentro da epidemia) foram infectadas pela bactéria causadora da meningite. Até hoje é impossível precisar quantos morreram. Mas para impedir o que achavam ser uma histeria dos médicos, os militares decidiram esconder esses fatos, e os mortos, da população. Centenas, talvez milhares de crianças, aliás, foram enterradas na mesma vala comum clandestina do cemitério de Perus, na capital paulista, onde eram jogados os corpos de dissidentes políticos torturados e mortos pelo Doi Codi.

Um ótimo vídeo curto sobre a epidemia de meningite e a maquiagem de dados da ditadura militar está disponível no canal Meteoro.doc. Ontem, o canal publicou um novo vídeo, tratando especificamente da atual maquiagem de dados e da disputa de narrativas entre o novo governo militar, que teoricamente ainda não é uma ditadura, e os meios de comunicação para se informar ou desinformar a população.

O tratamento governamental da epidemia de meningite dos anos 1970 só vai mudar em 1974, com um novo general no poder e a aquisição pelo governo de 80 milhões de doses da vacina. Sim, já havia vacina para a meningite e o governo sabia que se tivesse feito uma campanha de vacinação anos antes, teria poupado milhares de vidas. Mas pra que admitir um genocídio se podia dizer que havia um “milagre econômico”? É como disse a ex-secretária da Cultura, Regina SemArte: é muito peso carregar essa fileira de mortos.

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Telegrama da Polícia Federal ordenando a censura nos dados sobre a epidemia de meningite. Fonte: Twitter do historiador Lucas Pedretti @lpedret. Como os telegramas não tinham pontuação, usavam a sigla VG para vírgula e PT para ponto final

 

Assim, em julho de 1974, com a admissão oficial de que havia uma epidemia, o jornalista Clovis Rossi, então trabalhando no jornal O Estado de São Paulo, preparou uma grande reportagem de capa, intitulada Epidemia de Silêncio, na qual dizia: “Desde que, há dois anos aproximadamente, começaram a aumentar em ritmo alarmante os casos de meningite em São Paulo, as autoridades cuidaram de ocultar fatos, negar informações, reduzir os números referentes à doença a proporções incompatíveis com a realidade — ou seja, levando, deliberadamente, a desinformação à população e abrindo caminho para que boatos ocupassem rapidamente o lugar que deveria ser preenchido per fatos. Fatos que as autoridades tinham a obrigação, por todos os títulos de esclarecer ampla e totalmente”. Leia a matéria completa aqui.

Mas, claro, militares não gostam que digam quais são suas obrigações e publiquem que estão desinformando a população. Assim, a matéria de Rossi foi censurada e em seu lugar o Estadão publicou um trecho do poema Os Lusíadas, de Luís de Camões.

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Por causa da Lei da Anistia, de 1979, os militares jamais foram responsabilizados criminalmente pelas mortes na pandemia e nem pelas torturas, mortes, desaparecimentos e ocultação de cadáveres de dissidentes políticos. Mas talvez a história não se repita com a pandemia de coronavírus. Ontem, o Supremo Tribunal Federal, atendendo a uma ação dos partidos Psol, PCdoB e Rede Sustentabilidade, determinou a divulgação diária das informações sobre os dados de Covid-19 até às 19h30, pelo Ministério da Saúde. E também ontem, o Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, decidiu analisar a denúncia do PDT de genocídio promovido pelo Governo Bolsonaro. Esse é um caso raro, já que normalmente o TPI só julga ex-governantes acusados de crimes contra a humanidade.

22
Jun20

Com foto de Frias nu, Folha chama secretário de "novo homem do presidente"

Talis Andrade

Novo secretário de cultura nu foi capa da Folha de S. Paulo no dia do beijo do apresentador Márcio Garcia

 

homem sorrindo

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o ator Mário Frias para a Secretaria Especial da Cultura. O ex-galã da novela Malhação substituirá a atriz Regina Duarte, que deixou o cargo há cerca de um mês. A nomeação foi publicada nesta sexta-feira (19) em edição extra do "Diário Oficial da União".

Este correspondente considera que o título é usual no jornalismo: o novo homem do presidente. No caso Bolsonaro, até que suaviza sua imagem homofóbica. Talvez essa a intenção do serviço de propaganda do palácio liberar o beijo de Márcio Garcia. Veja vídeo abaixo

Vera Magalhães
@veramagalhaes

A @folha que me desculpe, mas há milhares de formas e razões para criticar a indicação de Mário Frias para a Cultura, mas essa não é uma delas. Faz insinuação homofóbica, sexualiza o que não deve. E se fosse uma atriz nua? Sairia esse título? Não é assim que se ilumina o debate

BBC News revela quem é Mário Frias: O ator ficou conhecido nos anos 1990 no seriado adolescente 'Malhação', da Rede Globo.

Regina deixou o cargo na quarta (20/05), menos de três meses após ser nomeada. Ela saiu sob pressão da chamada "ala ideológica" do governo e após desgastes envolvendo nomes que escolheu para a pasta. Oficialmente, disse que pediu exoneração por sentir falta da família, que mora em São Paulo.

Sem experiência política prévia, Frias entrou no radar bolsonarista quando foi um dos poucos ex-globais a defender Regina Duarte na época de sua nomeação - ele, inclusive, esteve na posse da atriz.

Depois, em 6 de maio, em uma entrevista à CNN Brasil, o ator voltou a defender a atriz, mas se disse disponível para o cargo. "Olha só, para ser bem direto para o Jair: para o que ele precisar, estou aqui", afirmou.

Na mesma entrevista o ator disse que quem assumisse teria que seguir a linha adotada pelo governo. "Se eu entrar numa novela e achar que tenho que fazer personagem engraçado, mas ele é dramático, alguém vai me corrigir. (Bolsonaro) quer ver a pasta numa direção e até agora não conseguiu."

A entrevista rendeu um convite para um encontro com o presidente. Os dois se encontraram em um almoço em que também estavam presentes empresários do ramo esportivo, um dia antes do anúncio da saída da então secretária. (Transcrevi trechos)

O ator José de Abreu criticou o beijo debochado de Márcio Garcia:
 
José de Abreu
@zehdeabreu
Decepção? Esse meu ex amigo virou isso! Fazer o que!

 

 

21
Jun20

Quem é Mário Frias, novo panaca da Cultura?

Talis Andrade

por Altamiro Borges

- - -

Na pressa para abafar a prisão do amigão Fabrício Queiroz e a demissão do bajulador Abraham Weintraub, o presidente Bolsonaro nomeou nesta sexta-feira (19) o ex-ator global Mário Frias para a Secretaria Especial da Cultura. Ele substituirá a atriz Regina Duarte, que deixou o cargo no laranjal há cerca de um mês. 

A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Prova do total desprezo pela Cultura, o “capetão” extinguiu o ministério, cortou verbas da área e nomeou cinco secretários em 17 meses. Antes do medíocre Mário Frias, já ocuparam o posto Regina Duarte, Roberto Alvim, Ricardo Braga e Henrique Pires.

 

Um oportunista convicto

O site da BBC-Brasil traçou em meados de maio um perfil do novo secretário da Cultura no artigo intitulado "De ‘Malhação’ à militância bolsonarista: quem é Mário Frias, cotado para substituir Regina Duarte no governo". A reportagem evidencia como o sujeito não tem qualquer princípio e é um oportunista convicto. 

A matéria mostra que o ex-ator, que se projetou nos anos 1990 no seriado "Malhação" da Globo, "entrou no radar bolsonarista quando foi um dos poucos ex-globais a defender Regina Duarte na época de sua nomeação – ele, inclusive, esteve na posse da atriz". Pouco depois, porém, ele já trairia sua "amiga". 

Relata o site: "Depois, em 6 de maio, em entrevista à CNN-Brasil, o ator voltou a defender a atriz, mas se disse disponível para o cargo. 'Olha só, para ser bem direto para o Jair: para o que ele precisar, estou aqui'". Ele ainda bajulou Bolsonaro e disse que se assumisse o cargo seguiria a "linha adotada pelo governo". 


Um bolsonarista militante 

Segundo a BBC, "a entrevista rendeu o convite para um encontro com o presidente. Os dois se encontraram em um almoço em que também estavam presentes empresários do ramo esportivo, um dia antes do anúncio da saída de Regina Duarte". Mário Frias já se sentiu como o novo secretário da Cultura! 

A BBC-Brasil lembra que o puxa-saco é um bolsonarista convicto. "Em suas redes sociais, o ator deixa bem claro que tem total afiliação a Bolsonaro. Seu perfil no Instagram, por exemplo, é cheio de postagens falando de política, que tiveram aumento considerável nos últimos tempos". 

"Antes cheia de fotos do ator trabalhando ou com a família, a página foi gradualmente sendo tomada por mensagens com defesa do governo... Frias usa a hashtag ‘fechadocombolsonaro’, compartilha vídeos do presidente e critica nomes que abandonaram o governo", como o ex-ministro Moro, taxado de egocêntrico. 

"Em seu Instagram, Frias fez postagens defendendo o uso da cloroquina – remédio cuja eficácia contra o coronavírus não é comprovada – na epidemia de Covid-19. Ele também criticou a imprensa. Após entrevista à CNN Brasil, criticou o que chamou de 'jornalismo sujo'". É um típico troglodita bolsonarista!

27
Abr20

SURREALISMO

Talis Andrade

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A incrível guerra de egos que acabou com a troca do ministro da Saúde

por Luis Fernando Veríssimo

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Roberto Alvim foi o escolhido por Bolsonaro & Filhos para ser ministro da Cultura. Não teve tempo de mostrar o que faria na pasta porque não sobreviveu à sua primeira apresentação como ministro, quando leu um texto inspirado parcialmente em Goebbels, o homem da Cultura do Reich nazista, com música de fundo de Richard Wagner, o compositor favorito de Hitler. A reação foi grande e Alvim caiu no dia seguinte, para ser substituído dias depois pela Regina Duarte, que, supostamente, nunca leu Goebbels e prefere Wagner Tiso. Como tudo se resolveu rapidamente, não deu para meditar sobre a nomeação de Alvim e sua passagem fulminante pelo ministério, e principalmente seu significado como prenúncio do que viria a ser uma característica do governo que se iniciava, o surrealismo.


O mesmo governo que quase entregou a gerência da cultura brasileira ao filofascismo escolheu para ministro da Educação alguém sem nenhuma intimidade com a ortografia – um exemplo, entre muitos, do surrealismo que nos dominaria. A incrível guerra de egos que acabou com a troca do ministro da Saúde quando a situação mais precisava de união e continuidade ultrapassou o surrealismo e invadiu a área da demência. O presidente discursou numa manifestação que pedia a volta do AI-5 e, portanto, a queda do seu próprio governo, ou sua transformação numa paródia de governo com ele na frente, e discursou a favor do autogolpe. Ele declarou, para outra das aglomerações que o seguem por toda a parte, espalhando coronavírus: “A constituição sou eu”. Louis XIV tinha dito que o Estado era ele, Bolsonaro foi mais modesto. Um dos recursos do surrealismo é o da alteração da natureza das coisas. Relógios se derretendo como picolés, etc. No surrealismo brasileiro, não surpreende que documentos se transformem em gente e gente se transforme em antigos reis da França.


Existe coisa mais surrealista do que o Palácio do Planalto, de onde um ex-capitão cercado por generais de fatiota comanda o País, desdizendo-se cada vez que um pronunciamento “pega mal”? Roberto Alvim assumindo a Cultura ao som de Richard Wagner até que tinha a sua lógica.

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18
Abr20

Regina Duarte virou a fake news da Cultura

Talis Andrade

 

 

por Altamiro Borges 

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Regina Duarte, a patética ministra da Cultura, replicou nas suas redes sociais que Marisa Letícia Lula da Silva deixou R$ 256 milhões em certificados de depósitos bancários (CDBs). A mentira teve como fonte um juizeco de nome Carlos Henrique André Lisboa, da 1ª Comarca de Família de São Bernardo do Campo (SP). 

Como os advogados do ex-presidente Lula comprovaram, Marisa Letícia tinha apenas R$ 26 mil em CDBs – e não R$ 256 milhões como "confundiu" o juizeco. Regina Duarte, os filhotes 02 e 03 de Bolsonaro – Carluxo e Dudu Bananinha – e a rádio Jovem Pan serão agora processados pela difusão da fake news. 

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Em seu perfil oficial, o ex-presidente Lula deu o nome dos criminosos que espalharam mentiras na internet. "Fake news sobre Dona Marisa com valor mil vezes maior do que o real foi divulgada por dois filhos de Bolsonaro, por Regina Duarte e pela Jovem Pan". 

Pelo Twitter, Lula postou que foi ao banco analisar o inventário de Marisa Letícia. "Como não temos nada a esconder, fomos até o Bradesco buscar informações. O próprio banco deveria ter desmentido. Vale tudo contra o Lula. O que eles não sabem é a minha capacidade de resistência". 

Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que "Eduardo Bolsonaro será denunciado na Comissão de Ética da Câmara Federal e Regina Duarte na Comissão de Ética da Presidência da República. Basta de mentira e fake news. A impunidade tem sido a arma desta famiglia e seus cúmplices". A conferir se serão punidos! 

Abandono de 4,9 milhões de trabalhadores 


Enquanto a bolsonarista Regina Duarte espalha fake news, o seu ministério está totalmente paralisado e a área de cultura sofre ainda mais com a pandemia. Segundo a Folha, "coronavírus pode impactar 4,9 milhões de pessoas empregadas no setor cultural". 

A Folha se baseia no Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, que reúne informações sobre instituições culturais existentes em 2019. Dos 4,9 milhões de trabalhadores do setor, São Paulo empregava 1,4 milhão, seguido por Minas Gerais (510 mil) e Rio de Janeiro (428 mil). 

O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural analisou ainda o número de empresas da economia criativa no país. Em 2017, segundo os últimos dados reunidos, o Brasil contava com 147,3 mil organizações atuando no segmento – da indústria da moda até o cinema e a televisão.

A Folha realça: "Em 2016, segundo o último dado disponível, o conjunto de empresas dedicadas à economia criativa gerou receita bruta da ordem de R$ 335,7 bilhões e lucro bruto próximo a R$ 200 bilhões". Agora, com o coronavírus e com a incompetente Regina Duarte, quase tudo está parado e sem recursos. Só resta mesmo à namoradinha do fascista espalhar fake news. 

Ainda sobre a sinistra da Cultura, vale o comentário postado no Instagram pelo craque José Trajano: “Morre Moraes Moreira, nem uma palavra. Aldir adoece, nenhum gesto de solidariedade. Morre Rubem Fonseca, silêncio. Essa Regina Duarte é gente ruim! Segue os passos de um jumento. Uma lástima... Ela é secretária da Cultura ou limpa botas do capitão?

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10
Mar20

A visita da velha senhora

Talis Andrade

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Regina Duarte teve uma posse concorrida. Estavam lá todos os generais de Bolsonaro, e as mulheres combinaram ir com vestidos de bolinhas coloridas. 

Discursou a nova secretária especial da Cultura: 

"Presidente Jair Messias Bolsonaro, meu amigo, nosso amigo. Vice-presidente general Hamilton Mourão, Michelle Bolsonaro, nossa primeira-dama, linda, suave, doce, iluminada.

Então, o convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada, carta branca. Não vou esquecer, não, hein, presidente?

E que cultura seria essa geradora de tanta felicidade, dona Regina? Para começar, e sem mais tecnicidades que a festa não comporta, acho que seria alguma coisa que não passasse nem perto do conceito de domínio. Eu falo de cultura como libertação, falo dessa argamassa de hábitos, de comportamentos, rituais, costumes que se autogeram, se autofertilizam no seio do povo. Falo desse caldo de cantos, danças, brincadeiras de roda, papagaio, pipa no céu, palavrão,  tatuagem, arroz com feijão, farofa de mandioca, pastel de feira, pão de queijo, caipirinha de maracujá, chimarrão, culto, missa das dez, desafio repentista, forró, e aquele pum produzido com talco espirrando do traseiro do palhaço e fazendo a risadaria feliz da criançada. Cultura é assim, é feita de palhaçada, de música. Os musicais, aqueles espetáculos que a gente sai com vontade de seguir vida fora cantando, dançando, e aquele teatro mais sério, aquele teatro que bota a gente pra pensar com cenas e emoções tipo soco no estômago".

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Jair Bolsonaro enganou Regina Duarte. Quem comanda a Cultura oficial, lá dos Estados Unidos, é o grã filósofo da república de bananas Olavo de Carvalho, que já mandou a atriz tomar naquele lugar que o presidente chama de "furo".

Danou-se Regina a indicar os amigos. A nomeação de Maria do Carmo Brant de Carvalho, para a Secretaria da Diversidade Cultural, foi anulada pelo ministro-chefe da Casal Civil, general Walter Souza Braga Netto.

A nomeação de Maria do Carmo foi publicada pela manhã no Diário Oficial da União. No fim da tarde, porém, em edição extra, consta que a portaria foi suspensa.

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A óbvia inversão psicótica da realidade mostra que a véia [sic] não está boa da cabeça e não deve ocupar cargo nenhum”, reclamou Olavo

 

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Lauro Jardim: O Planalto já vetou oito nomes indicados por Regina Duarte. 

 
 
Ivan Valente:
 
"Regina Duarte e Paulo Guedes disputam o posto de quem vai cair primeiro. Ela por ser menos fascista do que deseja o chefe e ele por entregar uma economia em frangalhos. Já Bolsonaro mente descaradamente ao dizer que venceu no 1° turno e convoca manifestação golpista. Que saga!"
05
Mar20

Bolsonaro deixa dúvida sobre 'carta branca' a Regina Duarte

Talis Andrade

 
Julia Lindner e Eduardo Rodrigues escrevem: O discurso do presidente Jair Bolsonaro e da Secretária da Cultura, Regina Duarte, durante a cerimônia de posse da atriz, nesta quarta-feira (4) foi marcado por declarações veladas sobre a autoridade que ela efetivamente terá para fazer nomeações na área.
 
Nesta terça, ao assumir formalmente o cargo, Regina afirmou que aceitou o convite porque recebeu a sinalização de que teria "carta branca" para escolher a equipe e que a Secretaria teria "porteira fechada" para nomeações políticas. "Não vou esquecer, não, hein, presidente"?", brincou a atriz.
 
Bolsonaro declarou que Regina "merece mais" do que a secretaria, mas que a atriz vai passar por um "momento probatório", em uma sinalização que poderia eventualmente recriar o Ministério da Cultura.
 

"Já falei, prezada Regina Duarte, você merece mais do que isso. Você vai passar por um momento probatório e tenho certeza que a senhora passará. Você não está vendo um brucutu na sua frente, está vendo um amigo. E a grande ponte para chegar até ele está ao seu lado", afirmou o presidente a Regina, que estava sentada ao lado da primeira-dama, Michelle.

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Jair Renan, filho do presidente Bolsonaro. Veja galeria de fotos de Orlando Brito aqui
 

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