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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

26
Set22

A carniça do governo Jair Bolsonaro

Talis Andrade

 

É preciso perseverar e esperançar por dias melhores

 

por André Márcio Neves Soares /A Terra É Redonda

 

As últimas pesquisas do Ipec e do DataFolha anunciam o fim de quatro anos de escuridão para a maioria da sociedade brasileira. De fato, desde a eleição de Bolsonaro, chegamos a ter lampejos de barbárie com a negação da vacina COVID-19 por parte desse governo, a passagem da boiada por parte do agronegócio ilegal, capitaneada pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, além do recente escândalo da compra de 25 imóveis pela família do presidente em dinheiro vivo, totalizando mais de 50 milhões de reais. Isso tudo apenas para ficar em alguns poucos exemplos.

O show de horrores desse final de semana passado, em Londres, no funeral da rainha Elisabeth II, com discursos para uma módica tropa de apoiadores no local; figurino da primeira-dama que mais parecia um desfile de moda fúnebre; e gafes medonhas praticadas pelo presidente, parece sepultar de vez os ânimos dos últimos acólitos do “centrão” já dividido. A última cartada do governo Bolsonaro parece ter sido o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. Todavia, este se revelou mais do mesmo, pelo forte apelo eleitoral combinado com fakes news. Por exemplo, ter dito que no seu governo foi extirpado a corrupção; ter se gabado de uma suposta queda de 7,7% no número de feminicídios; além de ter assumido a conclusão do projeto de transposição do rio São Francisco.

A sinalização contrária ao golpe vinda dos Estados Unidos, por mais de uma vez, se for a valer como parece, é a pá de cal nas intenções golpistas dos desesperados da vez. Infelizmente, quer queiramos ou não, o adágio que diz que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o resto das Américas” ainda é verdadeiro. Daí a torcida fanática deste escriba pela vitória de Joe Biden contra Donald Trump. Menos por afinidades políticas do que por praticidade. De fato, o soft power dos democratas é, nesse momento, menos danoso para nossas eleições do que o “trumpismo” desvairado. Sem a chancela de Washington, são poucas as chances dos militares “lesas-pátrias” avançarem contra a ordem democrática nacional.

Por conseguinte, à medida que as pesquisas eleitorais se avolumam, próximo das eleições, já é possível verificar movimentos disfarçados de desembarque do navio bolsonarista. Por exemplo, a maior igreja evangélica do país, a saber, a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como seu líder máximo o bispo Edir Macedo, já prepara seu abandono das hostes da extrema direita (pelo menos no discurso).[1] Também alguns integrantes do “centrão” já estão recalculando suas rotas políticas para se aproximar da candidatura de Lula.[2]. O próximo passo deve ser a grande mídia que ainda continua vociferando contra Lula amenizar seus ataques. Com efeito, se a própria Rede Globo fez uma espécie de “mea culpa” a Lula, na entrevista de 25 de agosto, é provável que outros meios de comunicação de grande porte, como o SBT de Silvio Santos, e seu ministro-genro, pensem em breve mais no próprio bolso do que em ideologias.

Isto posto, fato é que desde que Lula anunciou sua candidatura, na verdade até mesmo antes disso, o cenário só fez piorar para as hordas do governo atual. De fato, até o presente momento, Lula sempre esteve à frente nas inúmeras pesquisas eleitorais, dos mais diversos vieses ideológicos (sim, as pesquisas possuem ideologias, ainda que mitigadas pela narrativa da técnica).

É verdade que houve apreensão na campanha “lulista” com o início do pagamento da esmola de R$ 600,00 reais, dado pelo governo Bolsonaro a uma parcela dos mais miseráveis, na vã tentativa de reverter sua queda. Entretanto, parece claro, há duas semanas do pleito eleitoral, que a esmola chegou tarde demais e para poucos, apesar do grande alarde oficial.

Nesse sentido, é igualmente verdade que a redução dos combustíveis, e da inflação por tabela nesses últimos dois meses, também serviu para que os congressistas aliados do presidente tentassem enaltecer a capacidade interventora do mesmo na economia, a despeito do claro predomínio do paradigma neoliberal do seu governo, no intuito de criar uma imagem de protetor dos mais desfavorecidos. Tarde demais. Após quase quatro anos de uma política econômica de completo desmantelamento da economia nacional, apenas os que Brecht chama de “criminosos” ainda são capazes de defender o, de longe, pior governo civil da história desse país.[3]

Contudo, é preciso ter em mente que a vitória ainda não está ganha. Se as pesquisas eleitorais indicam a possibilidade de uma vitória no primeiro turno, esta não pode ser dada como favas contadas. A meu ver, um cenário de segundo turno, com a disputa entre uma minoria de extrema direita desesperada e bárbara, contra a maioria da população brasileira que só quer voltar a viver em paz, com o mínimo necessário para sobreviver dignamente, como foi nos dois governos de Lula, e no primeiro governo de Dilma Rousseff, parece mais plausível. Infelizmente. Daí não vermos o desembarque em massa da tropa de choque do “centrão”. Como abutres, eles ainda farejam a carniça do governo Bolsonaro.

Por tudo o que foi exposto acima, é preciso perseverar e esperançar por dias melhores. É bom ver que a campanha de Lula não está parada em “berço esplêndido”, só esperando o resultado das urnas. De resto, que Padre Júlio Lancelotti nos abençoe. E tomara que eu não volte a escrever sobre isso, em um possível segundo turno.

Notas

[1] https://theintercept.com/2022/09/15/edir-macedo-se-prepara-para-o-desembarque-da-candidatura-bolsonaro-dizem-religiosos/

[2] https://www.canalmeio.com.br/edicoes/2022/09/19/centrao-comeca-a-se-reaproximar-de-lula/

[3] Para Bertold Brecht, “aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”

20
Set22

Quando a moda pode ser grotesca e caricata, quando usada no momento errado

Talis Andrade

www.brasil247.com -

Por Hildegard Angel

Os saudosistas da moda e dos mitos se arrepiam no Instagram com o arremedo de Jacqueline Kennedy incorporado por Michelle Bolsonaro, que para ir ao velório da Rainha da Inglaterra, copiou o "look" do luto da primeira-dama americana, com seu famoso chapéu "pill box", o que superou o grotesco e o caricato.

Há muitas ocasiões para se copiar Jacques O, um ícone da moda que muitas querem repetir. A princesa Diana fez isso. A duquesa de Sussex, Meghan Markle faz isso. Mas jamais de modo tão óbvio, querendo pontificar como ícone debutante da moda num velório. É falta de compostura.

Michelle é magra, tem bons porte e altura, além de ser bonita. Mas isso não é tudo. Não mais.

Quem vê casca não vê coração. Dá até pena ver esse arremedo caipira de uma época que já passou, inspirando o assassinato de John Kennedy, um dos mais trágicos episódios do século XX. 

Neste Brasil da fome, precisamos é de compaixão não de caras e roupas. O tempo das Imeldas e Evitas e até das Jackies e Dianas já passou. A moda no século XXI é instrumento de transformação, expressão, identidade e até resistência. Não é mais um exercício de manipulação dos pequenos pelos grandes.

Esperamos que a Rainha Elizabeth II tenha encerrado o ciclo da instrumentalização da moda para o fascínio dos súditos e vassalos. O que ela fez com grande sabedoria e autoridade. 

Estamos em novo milênio, novo século, novo contexto, em que o belo foi democratizado através das mídias sociais, dos aplicativos que multiplicam influências da moda. Não há mais os inocentes seguidores e admiradores para serem conduzidos e/ou manipulados pelo mero fascínio da aparência. Os comuns mortais evoluíram, cresceram e não basta a eles a aparência. Querem e necessitam de conteúdo e resultados.velorio-elizabeth

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O chapéu "pill box" de Jacqueline foi copiado por Diana é copiado por Meghan, mas jamais em ocasiões fúnebres. 

Até a Barbie sabe disso, pois no guarda-roupa da boneca o pill box preto é usado apenas na reprodução do luto (abaixo)

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No momento do assassinato do marido, Jacqueline usava esse modelo de chapéu em azul-marinho.velorio-elizabeth

Para ir velar Kennedy, Jacqueline usou o modelo pill box da tragédia.

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20
Set22

A Rainha republicana

Talis Andrade

Multidões se reúnem no Horse Guards Parade antes da procissão cerimonial do caixão da rainha Elizabeth II do Palácio de Buckingham ao Westminster Hall

 

por Gustavo Krause

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A Rainha Elisabeth II recebeu justas homenagens ao assumir a imortalidade conquistada por longo e virtuoso reinado composto pelos países da Commonwealth, quinze dos quais como chefe de Estado.

Adjetivar a Monarca como republicana soa como uma contradição em termos. Porém, breve incursão na Teoria das Formas de Governo demonstra que o atributo se aplica perfeitamente à Majestade britânica.

Tomando-se como ponto de partida a célebre discussão entre os persas Otanes, Megabises e Dario, imaginada pelo historiador Heródoto (século V a.C), passando pela A República (Politeia) de Platão (427-347 a.C,), pela teoria clássica das seis formas de governo de Aristóteles (384-322 a.C) em Política, chega-se à classificação de Maquiavel (1469-1527).

O gênio criador do filósofo florentino introduziu a palavra “Estado” para indicar que os gregos chamavam de polis e os romanos, res publica, ao afirmar categoricamente: “Todos os Estados que existem e já existiram são e foram sempre repúblicas ou monarquias (principados)”.

O romano Cícero (106-43 a.C), em obra clássica, adotou como equivalente à Politeia, a Res Publica, conceito que separava a “coisa pública” da “coisa privada”. Ao longo da história, o conceito de República incorporou como fundamentos o método democrático de escolha dos governantes em oposição à forma monárquica em que o poder, exercido de forma absoluta, era bem de família ou “direito divino” dos reis.

Lord Acton (1834-1902) imortalizou a frase: “O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”. A realidade ratifica a sábia reflexão.

O desafio histórico é democratizar o acesso e assegurar a alternância pacífica do poder, garantir a liberdade e a igualdade de todos perante a lei.

Para tanto, a virtude cívica, em falta no Brasil, é o fundamento da República que, segundo Montesquieu, (1689-1755) “é o amor que, exigindo a preferência contínua do interesse público, em oposição ao privado, produz todas as virtudes particulares, as quais não são mais do que essa preferência”.

Na renúncia a si mesma a Monarca se fundiu com o ideal republicano. Não foi maior nem menor do que as instituições porque compreendeu a síntese entre tradição e modernidade e o equilíbrio do poder simbólico frente ao poder real do sistema parlamentarista.

Elisabeth II herdou o trono, mas reinou com o consentimento da população. A tarefa do Rei Charles III é construir o consenso, para assegurar longevidade à Monarquia.

 
20
Set22

Britânico pede 'respeito' em dia de funeral da rainha e é hostilizado por bolsonaristas em Londres

Talis Andrade
 
 
Harvey discute com apoiador de Bolsonaro em Mayfair, Londres
 Chris Harvey pediu a bolsonaristas que respeitassem dia de funeral da rainha. GIOVANNI BELLO /BBC NEWS 
 

 

 

por Ricardo Senra e Giovanni Bello /BBC News Londres

 - - -

 

Um britânico aposentado de 61 anos que passava em frente à residência do embaixador brasileiro em Londres, nesta segunda-feira (19), foi hostilizado por bolsonaristas ao pedir que o público agisse com "respeito" no dia do funeral da rainha Elizabeth 2ª.

O aposentado, que se identificou depois para a equipe da BBC News Brasil como Chris Harvey, deparou com um grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) discutindo com um homem que começou a criticar o presidente.

"Vocês estão na Inglaterra, demonstrem algum respeito, é o dia do funeral da rainha", gritou o britânico após bolsonaristas questionarem o que ele fazia ali e mandá-lo calar a boca.

Bolsonaro está no Reino Unido para participar do funeral e ficou hospedado na residência oficial do embaixador, onde apoiadores se aglomeraram para tentar falar com ele no domingo e nesta segunda-feira.

A confusão começou quando um homem segurando uma bandeira brasileira se aproximou de apoiadores de Bolsonaro dizendo que era cristão, mas que a "religião hoje no Brasil é parcial".

Silas Malafaia, que integra a comitiva de Bolsonaro e estava conversando com apoiadores do presidente naquele momento, puxou um coro de "mito, mito, mito".

O homem com a bandeira brasileira então começou a perguntar, também gritando, por que o público ali presente "não estava preocupado" com as queimadas na Amazônia, "em saber quem assassinou a ex-vereadora Marielle Franco" e com a "origem do dinheiro usado para comprar imóveis da família Bolsonaro".

Os apoiadores do presidente cercaram o homem, chamando-o de petista. Nesse momento, Harvey disse ter visto o que lhe pareceu ser uma situação de intimidação e decidiu intervir: "Esse homem tem o direito de protestar. Essa é a Inglaterra."

Os apoiadores de Bolsonaro, então, também se aproximaram do britânico gritando "Bolsonaro 2022, Bolsonaro presidente". Um dos bolsonaristas disse: "Você não sabe nada do seu próprio país".

"Vocês estão desrespeitando o Brasil. Esse é o funeral da rainha. Mostrem mais respeito! Isso está muito errado, é desrespeitoso com a rainha. O seu presidente não deve estar feliz com o seu comportamento", disse o britânico, em inglês.

Enquanto a confusão acontecia, um grupo de aproximadamente 20 policiais formou um cordão em proteção ao homem que carregava a bandeira do Brasil e que havia iniciado as críticas a Bolsonaro.

Nesse meio tempo, Bolsonaro deixou a residência do embaixador, tirou fotos com apoiadores e entrou num carro sem falar com a imprensa.

 

Participação no funeral

 

Bolsonaro chegou a Londres no sábado (18) para participar do funeral da rainha, que morreu aos 96 anos. Ele e outros chefes de Estado foram convidados pelo governo britânico para prestar as últimas homenagens à monarca.

Bolsonaro está acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, entre outros assessores e apoiadores. Ao chegar à residência oficial do embaixador brasileiro em Mayfair, ele fez um discurso da varanda para um grupo de apoiadores que se aglomeraram em frente ao prédio.

 

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O presidente iniciou a fala dizendo que se trata de um momento de pesar e falando em "profundo respeito pela família da rainha e pelo povo do Reino Unido". Disse que esse era o "objetivo principal", mas falou nos cerca de quatro minutos restantes sobre contexto político no Brasil e sobre sua plataforma de campanha à reeleição.

"Não tem como a gente não ganhar no primeiro turno", disse Bolsonaro.

No mesmo dia, ele visitou o caixão da rainha, na Abadia de Westminster, acompanhado de Michelle Bolsonaro e de Silas Malafaia.

 

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De noite, gravou um vídeo num posto de combustível criticando o preço da gasolina no país que Elizabeth 2ª reinou por 70 anos.

"Estou aqui em Londres, Inglaterra, o preço da gasolina £1,61. Isso dá aproximadamente R$ 9,70 o litro. Ou seja, praticamente o dobro da média de muitos Estados do Brasil. Então, a gasolina é uma das mais baratas do mundo. É o governo brasileiro trabalhando para você", disse Bolsonaro, no vídeo, sem mencionar que o poder de compra médio dos moradores da Inglaterra é muito maior que a dos brasileiros.

Questionado sobre Bolsonaro falar em campanha eleitoral em meio às cerimônias fúnebres da rainha, o ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten, que fez parte da comitiva do presidente na viagem a Londres, argumentou que o presidente iniciou sua fala hoje falando do funeral.

Malafaia, por outro lado, disse que não dá para "fingir que não está tendo um processo eleitoral no Brasil".

 

Repercussão na imprensa britânica

 

A imprensa britânica registrou os acontecimentos durante a passagem do presidente brasileiro por Londres.

Tanto jornais de tendência à esquerda, como o The Guardian, quanto à direita, como o Daily Mail, abordaram o discurso do presidente na residência oficial do embaixador.

"Enquanto líderes globais chegam ao Reino Unidos para manifestar seu respeito pela rainha, o líder da direita radical populista Jair Bolsonaro fez um comício em tom agressivo da janela da embaixada de seu pais incensando uma multidão com bandeiras", publicou o Daily Mail.

Já o Guardian disse que o "Presidente Bolsonaro usa visita a Londres para funeral da rainha como 'palanque eleitoral'".

 

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O jornal The Times escreveu que Bolsonaro "aproveitou sua ida ao funeral da rainha para mostrar ao seu país como o combustível é caro em Londres".

 

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E reportagem do Independent diz que "o polêmico Bolsonaro aproveitou a viagem a Londres para tentar convencer os eleitores indecisos de sua importância internacional, levando sua campanha política para a viagem".

 

20
Set22

Bolsonaro é criticado por fazer campanha em viagem para funeral de rainha

Talis Andrade

Bolsonaro é criticado por fazer campanha em viagem para funeral da rainha - BBC  News BrasilEm Londres, Bolsonaro faz comício e volta a prever vitória em 1º turno

Com bandeira a meio mastro, Bolsonaro discursa a apoiadores na sacada da residência do embaixador em Londres

Bolsonaro na sacada da residência oficial do embaixador brasileiro em Londres. LAÍS ALEGRETTI/BBC NEWS 

 

 

por Laís Alegretti e Giovanni Bello /BBC News Londres

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Em viagem a Londres para o funeral da rainha britânica Elizabeth 2ª, o presidente Jair Bolsonaro fez discurso em tom de campanha e mencionou vitória em primeiro turno, embora apareça atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto.

"Não tem como a gente não ganhar no primeiro turno", disse o (18/09) o presidente, do alro da sacada da residência oficial do embaixador brasileiro em Mayfair, Londres.

O presidente iniciou a fala dizendo que se trata de um momento de pesar e falando em "profundo respeito pela família da rainha e pelo povo do Reino Unido". Disse que esse era o "objetivo principal", mas falou nos cerca de quatro minutos restantes sobre contexto político no Brasil e sobre sua plataforma de campanha (contrária à descriminalização do aborto e do consumo de drogas, por exemplo).

"A nossa bandeira sempre será dessas cores que temos aqui, verde e amarela", afirmou, ao lado de bandeira do Brasil a meio mastro. A frase faz uma referência a uma expressão popular entre seus apoiadores, de que a bandeira brasileira "jamais será vermelha" (cor associada ao comunismo e ao PT).

Bolsonaro chegou acompanhado do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e do padre Paulo Antônio de Araújo. A comitiva presidencial inclui ainda o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e Fabio Wajngarten, ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro e membro da campanha de Bolsonaro à reeleição.

Questionados sobre Bolsonaro falar em campanha eleitoral em meio às cerimônias fúnebres da rainha, Wajngarten argumentou que o presidente iniciou sua fala falando do funeral. Malafaia, por outro lado, disse que não dá para "fingir que não está tendo um processo eleitoral no Brasil".

 

 

O discurso de Bolsonaro foi acompanhado por um grupo de 100 a 200 pessoas, segundo a polícia londrina.

Após a fala dele, parte dos apoiadores do presidente hostilizaram jornalistas brasileiros que estavam no local, entre eles a equipe da BBC News Brasil.

Houve xingamentos, gritos e acusações de parcialidade. Não houve registro de violência física contra os jornalistas.

Em seguida, policiais londrinos passaram a escoltar os jornalistas nas proximidades da casa do embaixador brasileiro em Londres.

Quase duas horas depois, um grupo de manifestantes ligados às organizações Amazon Rebellion (rebelião amazônica, em tradução livre) e Brazil Matters (Brasil importa, em tradução livre) fez um protesto contra Bolsonaro. Os cartazes em inglês traziam dizeres como "Parem Bolsonaro pelo futuro do planeta" e "Bolsonaro é uma ameaça ao planeta e à humanidade".

Os ativistas começaram a ser hostilizados pelos apoiadores do presidente, e por isso a polícia londrina precisou separá-los para evitar uma escalada na violência.

No Twitter, o jornalista britânico e editor de meio ambiente do jornal The Guardian Jonathan Watts disse: "O insensível, superficial e grosseiro Bolsonaro está tentando usar o funeral da rainha como uma parada de campanha eleitoral. Que vergonhoso representante do Brasil." O comentário de Watts foi feito em resposta a uma postagem do correspondente do jornal The Guardian no Brasil, Tom Phillips, que escreveu: "Bolsonaro decidiu marcar o funeral da rainha com discurso sobre gênero, ideologia, abortos e males do comunismo de sua sacada em Mayfair."

Em reação, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que integra a comitiva do presidente, escreveu que o jornalista britânico omitiu que Bolsonaro mencionou a rainha no início do seu discurso. E afirmou que "vocês se enterram sozinhos, sem credibilidade".

 

Agenda de Bolsonaro em Londres

 

Bolsonaro chegou à capital inglesa na manhã deste domingo e deixou a cidade na segunda-feira (19/09), em direção a Nova York, onde participou da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em Londres, Bolsonaro visitou à câmara ardente em Westminster, onde o corpo da rainha foi velado. 

 

19
Set22

Com o voto livre e democrático nas urnas o povo vai calar para todo sempre o discurso golpista de Bolsonaro Ustra o torturador serial killer

Talis Andrade

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Em Londres, para onde levou como turistas os filhos senador e deputado federal e o pastor Silas (Caifás) Malafaia, Bolsonaro no enterro da rainha Elizabeth faz campanha eleitoral pelo voto e, contraditorialmente sobe o tom golpista, ameaçando o povo brasileiro com uma guerra civil. 

No dia 7 de Setembro, nos 200 anos da Independência disse o capitão Bolsonaro: "Queria dizer que o Brasil já passou por momentos difíceis, mas por momentos bons, 22, 35, 64, 16, 18 e agora 22. A história pode se repetir, o bem sempre venceu o mal. Estamos aqui porque acreditamos em nosso povo e nosso povo acredita em Deus".

Comenta Kennedy Alencar: "Essa declaração golpista, criminosa porque atenta contra a Constituição mais uma vez, merece ser analisada em detalhes.

As datas citadas se referiam à Revolta Tenentista, um movimento de oficiais das Forças Armadas de média e baixa patente contra as oligarquias da República Velha (1922), e à Intentona Comunista (1935), rebelião de militares de esquerda contra Getúlio Vargas (líder da Revolução de 1930).

Bolsonaro também mencionou o golpe militar de 1964, que acabou com a democracia durante 21 anos, torturando, matando e aprisionando opositores.

Outras datas foram 2016, o golpe parlamentar que resultou no impeachment de Dilma Rousseff, e 2018, ano da ascensão da extrema-direita ao poder com suporte decisivo da Lava Jato. Por último, citou 2022, eleição presidencial que Bolsonaro está na iminência de perder.

Quando diz que a a história pode se repetir, Bolsonaro ameaça a sobrevivência da democracia brasileira com mais um golpe dos militares, que, em diversos momentos da História, intercederam para romper a normalidade institucional do Brasil. Dizer que o bem sempre venceu o mal é uma mentira, como mostra 1964. Bolsonaro é o mal. Um mal que paira sobre o Brasil desde 1º de janeiro de 2019, piorando a economia, a pandemia, as políticas públicas e as instituições.

O trecho estamos aqui porque acreditamos em nosso povo e nosso povo acredita em Deus é puro suco da hipocrisia religiosa do presidente da República, que tenta assumir ares de messias explorando a fé de grande parte da população do país.

(...) De Bolsonaro, podemos esperar apenas que continue a fazer mal ao país. Que a atual geração de brasileiros não se engane: a tarefa civilizatória do bicentenário da Independência é tirar o fascismo do poder", finalizou Kennedy Alencar

 

Novas ameaças golpistas em Londres e Nova Iorque

 

19
Set22

Bolsonaro leva Caifás Malafaia e filhos senador e deputado a Londres

Talis Andrade

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro na sacada da Embaixada brasileirs em Londres

O presidente Jair Bolsonaro (PL), a primeira-dama Michelle e a comitiva brasileira chegaram a Londres no início da manhã deste domingo (18/9). O governo brasileiro participa do funeral da rainha Elizabeth II, em eventos hoje e nesta segunda-feira (19/9).

Depois de desembarcar em território britânico, o mandatário seguiu até a embaixada brasileira, onde foi recebido por dezenas de apoiadores. Aproveitando o momento, que teve até distribuição de pão de queijo por parte dos brasileiros residentes na capital, Bolsonaro fez discurso de improviso.

Acompanham o presidente, entre outros, os filhos Flávio e Eduardo e o pastor Silas Caifás Malafaia.

 O vexame de Jair Bolsonaro ao usar a viagem para o funeral da rainha da Inglaterra para fazer propaganda eleitoral repercutiu nos tabloides londrinos e foi alvo de críticas por parte da mídia liberal. 

O tabloide Mail afirma que o discurso de Bolsonaro visou "ganhar pontos antes das eleições".O colunista da Folha de S.Paulo Nelson de Sá cita a chamada do liberal The Guardian: "Bolsonaro usa visita para funeral da rainha como ‘palanque eleitoral’".

O jornal chama Bolsonaro de "presidente de extrema-direita" e informa que "amigos e parentes do jornalista britânico Dom Phillips, assassinado na Amazônia, também se reuniram [diante da embaixada] para expressar sua indignação com a presença de Bolsonaro. O pequeno grupo teve que ser protegido pela polícia".

O Guardian anota que Lula criticou a ação de Bolsonaro, dizendo que ele estaria atrás de "boa imagem" no exterior.

Para a agência Reuters, "Bolsonaro atrai atenção por discurso de campanha agressivo antes do funeral da rainha". Por sua vez, a agência Associated Press escreve que "Bolsonaro busca votos antes do funeral da rainha".

15
Set22

Bolsonaro, coveiro da rainha e do povo brasileiro

Talis Andrade

Bolsonaro erra ortografia ao homenagear rainha Elizabeth 2ª: 'Estabelidade'. Michelle quebra jejum 

 

O presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, assinaram livro de condolências pela morte da rainha Elizabeth 2ª - Divulgação: Palácio do Planalto

Leonardo Attuch
@AttuchLeonardo
A bestialidade presidencial atinge também a língua portuguesa. Abaixo, a “estabelidade” no livro de condolências para a rainha.Image

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) assinou, na manhã de segunda-feira (12), o livro de condolências da morte da rainha Elizabeth II, do Reino Unido. Mas errou ao escrever a palavra “estabilidade”, e colocou “estabelidade" no lugar.

Confira o texto de Bolsonaro:

“Em nome do governo e do povo brasileiro, expresso as mais profundas condolências ao povo do Reino Unido bem como à família Real e ao rei Charles III, pelo falecimento da Rainha Elizabeth II. Manifesto minha profunda admiração por uma mulher de grande personalidade cujo senso de dever e devoção deixaram, ao longo de mais de sete décadas de reinado, um legado de liderança e estabelidade [o correto é estabilidade] para o povo britânico e para o mundo."

 
Leninha 
@LeninhaBovary
685 MIL MORTOS PELA COVID EU NUNCA VI ESSA MULHER DE LUTO PELO NOSSO POVO. (Micheque, Michele, Escândalo, JAIR NA CADEIA)Image
Avó de Michelle, que vivia na maior favela da América Latina Sol Poente, jamais foi visitada pela poderosa neta primeira-dama. Foi encontrada desmaiada na rua, e internada como indigente em um hospitall de Brasília.
Maria Aparecida Firmo Ferreira, rainha do Sol Poente (foto Cristiano Mariz)

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A primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou uma campanha de 30 dias de jejum e orações pelo Brasil até 2 de outubro, data em que é realizado o primeiro turno das eleições. Madeleine Lacsko comenta.

Ela teria iniciado o jejum no dia 2 último. Ninguém sabe se desistiu, ou vai quebrar os dias de abstinência na viagem para Londres, dia 19 próximo, enterro da rainha Elizabeth, e Nova Iorque, abertura da 77ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, dia 21 de setembro. 

A mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Rosângela Silva, conhecida como Janja, criticou a propaganda da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) em que a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, fala sobre a transposição do Rio São Francisco. “Vamos para as redes sociais compartilhar verdade. A gente sabe que aquele lado de lá sabe falar mentira. Eles estão compartilhando muita mentira. Eles são tão caras de pau que têm coragem de ir para a televisão e dizer que foram eles que levaram água para as mulheres do sertão nordestino. É muita cara de pau. Então a gente precisa compartilhar verdades. Isso que eu queria pedir para vocês”, falou Janja em ato de campanha do Lula em São Luís (MA), em 2 de setembro, primeiro dia de jejum de Michelle. 

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10
Set22

Morre a mais longeva testemunha do declínio do Ocidente

Talis Andrade

 

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Como ninguém me paga pra dar opinião, vou deixar aqui de graça mesmo. Aproveitem! 🙂
Morre a mais longeva testemunha do declínio do Ocidente
 
Quando Elizabeth II nasceu em 1900, ainda não havia Copa do Mundo e as mulheres não podiam participar de competições esportivas. Não existia McDonald's, celular, internet, nem sequer havia o pão de forma.
 
A Rainha da Inglaterra viu o Titanic ser construído, afundar e virar filme e ser um dos maiores vencedores do Oscar. Ah, inclusive ainda não existia a premiação. Assim como não havia Grammys, Emmys, Tony Awards, Globo de Ouro, MET Gala entre tantos outros.
 
A chefe da igreja anglicana conheceu quatro papas. Visitou Brasília semanas antes do AI-5 e foi recebida pelo então ditador, general Costa e Silva. Inclusive viu seu país massacrar os argentinos na Guerra das Malvinas. No entanto, não verá serem revelados os sigilos de 100 anos que o Reino Unido país determinou sobre os documentos daquela época em relação aos conflitos.
 
A rainha viu a Europa deixar de ser o centro do mundo após a primeira guerra mundial. Os territórios que mandavam e desmandavam no restante do planeta presenciaram surgir potências, como Estados Unidos, Rússia e Japão.
 
Com o fim da guerra e as ruínas deixadas nos territórios europeus, a Rainha Elizabeth assistiu à sua antiga colônia, os EUA -, insolentes de praxe - tomaram a liberdade de redesenhar o mapa do velho mundo.
 
A majestade viu então esses novos países se organizarem e ditarem regras. Assistiu ao nascimento do fascismo, ao surgimento do nazismo e a suas derrocadas. Presenciou a bolsa de valores quebrar e levar o mundo à falência duas vezes.
 
Viu um cientista inglês desenvolver as bases da computação, ajudar no combate às tropas nazistas e ser condenado pela sua orientação sexual. Anos depois viu a revolução sexual e a liberação de casamento gay.
 
Assistiu a uma das colônias mais importantes conseguir a independência após manifestações pacíficas - não por parte dos ingleses é claro - lideradas por Gandhi, na Índia. Também nessa época, a África do Sul começava a ganhar a sua autonomia.
 
A monarca viu ainda a China deixar de ser uma colônia britânica para se tornar a segunda maior potência do mundo e abalar toda a hegemonia liberal pós-queda do Muro de Berlim.
 
Rainha Elizabeth presenciou de um lugar privilegiado os maiores acontecimentos do último século. Por isso, sua morte nos é tão impactante, e assim a majestosa cobertura do fato.
 
É o fim da mais longeva testemunha do declínio do Ocidente como o conhecemos.
 
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22
Jan22

Imprensa internacional repercute morte de Elza Soares: "uma das maiores vozes da música brasileira"

Talis Andrade

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Texto por RFI

Os principais jornais americanos e europeus desta sexta-feira (21) homenageiam a cantora e compositora Elza Soares. Ela faleceu em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos, de "causas naturais", informou um comunicado divulgado por sua assessoria na quinta-feira (20).

"Elza Soares ultrapassou as fronteiras da música brasileira", afirma o jornal New York Times em manchete. "Com uma voz rouca comparada a de Louis Armstrong, ela foi uma das poucas mulheres negras no Brasil a aparecer em filmes nos anos 1960 e na televisão nos anos 1970", diz a matéria. 

O New York Times também destaca que, em uma época que era considerado "deselegante" discutir questões raciais e a pobreza, a sambista "permaneceu fiel a suas raízes". O diário lembra que Elza dizia em suas entrevistas nunca ter saído da favela e que costumava agradecer ao público por financiar "as migalhas de pão" para alimentar seus filhos. 

O correspondente do jornal britânico The Guardian no Rio de Janeiro, Tom Philipps, lembra de Elza como "uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos". A matéria resgata a trágica infância da artista, forçada pelo pai a se casar aos 12 anos. Um ano depois, ela deu à luz sua primeira criança e perdeu a segunda para a fome, aos 15 anos. Mas, apesar de todas as dificuldades, Elza "floresceu para se tornar uma das artistas mais amadas do Brasil, gravando mais de 30 álbuns depois de sua carreira deslanchar no final dos anos 1950, no pico do movimento da Bossa Nova". 

 

Entre os fãs, a rainha Elizabeth IIImage

A admiração pela cantora não tinha fronteiras e quebrou protocolos. The Guardian lembra que sua base de fãs incluía até o Palácio de Buckingham. Quando a rainha Elizabeth II visitou o Brasil, em 1968, Elza se apresentou para a monarca que "até acompanhou o ritmo batendo o pé", contava a própria artista. 

O jornal português Público classifica a sambista como "a rainha insubmissa" e "a voz da liberdade". O diário resgata uma entrevista de Elza em 2019. “Nasci pobre, negra, mulher. É difícil, mas a gente vence”, disse ao Público na época. 

o jornal italiano La Reppublica salienta que a cantora foi considerada pela revista Rolling Stone como "uma das 100 maiores vozes do mundo". Apesar de ser lembrada por seu sucesso no samba, o diário ressalta que Elza era "uma artista de múltiplas facetas" e também fez sucesso com outros ritmos, como o jazz, funk, música eletrônica e hip-hop.

 

Homenagem da imprensa francesaImage

Quase toda a mídia francesa homenageia a cantora brasileira. Em uma longa matéria, a Franceinfo lembra que muito mais que uma artista, "Elza Gomes da Conceição Soares se tornou um símbolo de resistência e coragem até o final de sua vida". 

O texto destaca o sucesso que atravessou gerações e elogia "A Mulher do Fim do Mundo", álbum lançado em 2015. "O disco trata de racismo, machismo, da violência contra as mulheres, conhecendo um sucesso imenso e recompensado pelo Grammy latino do melhor álbum de música brasileira", afirma. 

O jornal Le Monde enfatiza a carreira de mais de 60 anos de Elza, "a diva da música brasileira". O diário francês lembra que o engajamento político da artista não diminuiu ao longo dos anos.

Nos últimos tempos, Elza criticava abertamente a ascensão do conservadorismo no Brasil, as igrejas neopentecostais e os graves problemas de racismo do qual o Brasil é palco. A morte da cantora, "símbolo de resistência e coragem", é "um triste dia para o Brasil", conclui a matéria. 

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