Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

19
Jun22

Justiça obrigou Arthur Lira a reconhecer paternidade de filha com doença rara

Talis Andrade

Amarildo Charges e Caricaturas — Arthur Lira, Líder do centrão, é eleito  presidente...

 

Presidente da Câmara questionou paternidade confirmada em exame de DNA. Mãe recorreu ao Estado para bancar remédio essencial para tratamento de epilepsia e autismo

 

por Alice Maciel /Agência Pública

 

  • Lira não queria reconhecer a filha, diz ex-mulher
  • Jovem tem 19 anos, aos 4, foi diagnosticada com um tipo raro de epilepsia
  • Procurado, Lira diz que "a vida privada de um homem público não interessa quando não há nenhuma relação de irregularidade ou ilegalidade"

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), não tornou pública a existência de uma filha, fruto do relacionamento extraconjugal que teve em 2002 com *Letícia, à época com 20 anos, que trabalhava distribuindo panfletos da campanha de reeleição do político à Assembleia Legislativa de Alagoas. A Agência Pública teve acesso à decisão judicial de primeira instância, publicada em dezembro de 2010, que o obrigou a assumir a paternidade da menina, após teste de DNA, já com 7 anos de idade — não foram localizados recursos e decisões judiciais posteriores relativos ao processo de investigação de paternidade. Hoje, Gabriela* tem 19 anos, e aos 4, foi diagnosticada com um tipo raro de epilepsia que causa atraso no desenvolvimento psicomotor, chamada de síndrome de West. 

A jovem precisa de cuidados especiais e apoio nas necessidades básicas como comer, se trocar e andar, leva uma vida humilde e mora numa casa simples numa cidade próxima a Maceió. A Pública apurou que, em 2016, sua mãe precisou recorrer à Justiça para conseguir junto ao governo do estado um remédio de alto custo para tratar as frequentes convulsões da filha. Gabriela fica sob os cuidados da avó quando a mãe sai para trabalhar como atendente de bilheteria.

O presidente da Câmara foi procurado para dar sua versão da história. A reportagem enviou dez questões relacionadas ao tema. A resposta, encaminhada por nota, segue na íntegra: “O povo brasileiro quer saber o que estamos fazendo para combater a inflação, reduzir o preço dos combustíveis, da energia, do gás de cozinha, dos alimentos. O povo brasileiro espera medidas que gerem mais empregos, renda e traga desenvolvimento. É isso que estamos fazendo dia-a-dia: buscando soluções que melhorem a vida de cada cidadão e cidadã. Esse é o nosso foco permanente. A vida privada de um homem público não interessa quando não há nenhuma relação de irregularidade ou ilegalidade”.

Também procuramos Letícia pessoalmente, em 25 e 26 de maio, mas ela não quis falar sobre sua relação com o deputado federal que tem patrimônio declarado de R$ 1,7 milhão. “Eu não tenho nada para falar, sou uma pessoa normal, que segue a minha vida, trabalhando e fazendo as minhas coisas. Sem falar que minha vida pessoal não diz respeito a ninguém”, afirmou. Os nomes de mãe e filha foram alterados na reportagem para preservar suas identidades, assim como o local exato onde residem. 

Em 2008, a bilheteira entrou com uma “Ação de Investigação de Paternidade Cumulada com Alimentos” contra o então deputado estadual. O processo, que já está arquivado, tramitou sob sigilo, mas a sentença foi divulgada em órgão oficial da imprensa. Optamos por não divulgá-la e não citar trechos na íntegra também com o intuito de preservar a identidade de Letícia e Gabriela. Nela, há um resumo do caso. 

Segundo o documento, Letícia teria relatado nos autos que não conseguiu nem mesmo ter acesso a Arthur Lira para contar da gestação. De acordo com ela, ao saber da filha por meio de seu assessor, o político teria se recusado a reconhecer a paternidade da criança. À época, Lira era casado com Jullyene Lins e já tinha um herdeiro de 3 anos, Arthur Lira Filho, nascido em janeiro de 2000. Seu caçula também é fruto do matrimônio com a ex-mulher. Álvaro Lins de Lira nasceu em março de 2006.Não há qualquer versão de queda de braço nem disputa entre uma Casa e  outra', disse Arthur Lira | Repórter 70 | O Liberal

Lira não queria reconhecer a filha, de acordo com ex-esposa do parlamentar

 

O teste de DNA realizado pelo laboratório da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) apontou o então deputado estadual como o pai biológico de Gabriela com mais de 99% de probabilidade. Mesmo assim, o parlamentar, por meio de seu advogado, contestou o exame. A defesa argumentou que o teste não seria próprio para confirmar a paternidade, e sim para caracterizar sua exclusão. 

Como ele não apresentou nenhum estudo científico para o argumento, o juiz intimou o perito responsável pelo DNA — um professor renomado da universidade federal —, que, segundo o magistrado, se posicionou contra a realização de novo exame, diante da ausência de justificativa plausível. Após as explicações do pesquisador, o juiz reforçou em sua sentença que o resultado do teste de DNA tem total credibilidade. 

Com a confirmação do parentesco, a sentença proferida em dezembro de 2010 determinou a Arthur Lira pagar à filha a pensão de 20% referente ao seu subsídio líquido — o salário bruto do parlamentar era de R$ 20 mil — e ainda a inclusão do nome do deputado e dos avós paternos de Gabriela na certidão de nascimento. 

 

Sem recursos para tratamento de doença 

 

Apesar de carregar o nome do político no documento de identidade, Gabriela não foi assumida publicamente. Em 2016, Letícia precisou recorrer à Justiça para que o Estado fornecesse mensalmente um medicamento anticonvulsivo para a filha, orçado à época em R$ 1.184,20. 

“Diante do custo do medicamento, a beneficiada desta ação, humilde, não tem condições financeiras para custeá-lo, restando apenas a proteção do judiciário para salvar sua vida”, informa a defesa, acrescentando ainda que Gabriela tem epilepsia e transtorno do espectro autista (TEA). Letícia e Gabriela foram representadas nos autos pela Defensoria Pública. O pedido foi acatado pela Justiça e, diante da demora do fornecimento do remédio, a defensora alertou: “O que está em ‘jogo’ é a saúde de uma criança doente e carente de recursos”. 

Naquele ano, Arthur Lira já estava em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, recebendo salário líquido de R$ 23,6 mil — o que representaria R$ 4,7 mil de pensão, considerando-se a determinação da sentença de 2010. Na campanha de 2014, ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,16 milhão, incluindo duas fazendas. Além de atuar na política, Lira é agropecuarista, criador da raça de gado nelore.

A reportagem questionou ao parlamentar se paga a pensão alimentícia à filha, mas ele não respondeu às perguntas enviadas, encaminhando apenas a nota citada. O desconto relativo à pensão alimentícia também não é divulgado no portal da transparência da Câmara dos Deputados por serem considerados de “natureza pessoal”.

Sua filha, conforme dados do processo, era usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), e a médica da jovem relatou no laudo anexado ao processo que ela fez uso de todas as alternativas terapêuticas disponíveis e fornecidas pelo SUS. “Menor é portadora de grave atraso neuropsicomotor com espectro autista secundário à epilepsia de difícil controle. Aos 4 anos de vida desenvolveu epilepsia de West. Evoluiu posteriormente para epilepsia multifocal”, diz o documento.

A médica observa que Gabriela chegou a tomar vários anticonvulsivantes nacionais “e mesmo assim apresentava crises tônicas diariamente”. Ela relata que prescreveu um remédio importado que é utilizado “quando os anticonvulsivantes nacionais não conseguiram controlar epilepsias farmacorresistentes”. Depois que a menina começou a experimentar a medicação, segundo o laudo, houve melhora significativa das convulsões, assim como do desempenho motor. A médica ressaltou ainda que o uso do remédio possibilitou que Gabriela conseguisse sair da cadeira de rodas — o que não acontecia antes devido ao grande número de convulsões diárias. “Diante do exposto, solicitamos o fornecimento dessa medicação”, concluiu ela.

 

Laudo afirma que filha de Lira necessita de remédio para o tratamento da epilepsia, orçado à época em R$ 1.184,20

 

Lira não queria reconhecer a filha, diz ex-mulher

 

Mulher de Arthur Lira à época em que Letícia engravidou, Jullyene Lins disse à Pública que o deputado escondeu por muito tempo dela a existência da menina. Segundo a ex-esposa, o parlamentar só lhe contou a história após três anos do nascimento de Gabriela, em 2006, quando temeu que o caso viesse à tona devido à disputa política. Naquele ano, ele se candidatou para o segundo mandato na Assembleia.  

De acordo com Jullyene, Lira teria lhe dito: “Olha, não vou reconhecer, não sei se é minha filha, mesmo se fizer DNA, o advogado vai dar um jeito”. Ela afirmou que ficou indignada com a postura do companheiro e diz ter sugerido que ele “pelo menos” ajudasse a menina financeiramente. No entanto, segundo Jullyene, Lira teria respondido: “Não quero saber, pra mim nem existe, não quero saber e você vai ficar calada”. 

Jullyene contou que essa história foi o estopim da separação do casal. “Uma pessoa, que é pai dos seus filhos, tem uma conduta dessa, aí foi por água abaixo”, observou. Ela relata que o relacionamento com Arthur Lira já não andava bem porque o deputado, ainda casado, havia assumido publicamente o relacionamento que mantinha com outra mulher. 

“Ele sempre foi muito namorador. A mulher já é tida para aguentar as traições do marido, e no Nordeste isso é pior ainda. Porque o machismo é assim aqui no Nordeste: se a mulher trair o homem, é rapariga, prostituta, mas, se o homem trair, ele é o gostosão, o fodástico. Então, ele sempre teve muitas namoradas e ao mesmo tempo ciúmes de mim. Eu não podia sair de casa, só saía com motorista”, relatou Jullyene. 

Os dois se conheceram em uma festa em Maceió, quando Lira era vereador no município. Com três meses de namoro, resolveram morar juntos e ficaram casados por dez anos. Jullyene lamenta que quando o conheceu teve que parar de trabalhar e de estudar. À época, ela, com pouco mais de 20 anos, fazia letras na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Ele era possessivo”, disse Jullyene. “Eu não podia usar um biquíni, eu não podia ficar em casa de short. Porque a casa de político realmente é muito cheia, só podia andar de calça jeans.”

 

Jullyene Lins foi casada com Arthur Lira e afirma que sofreu violência verbal e psicológica

 

Ex-mulher relata que Arthur Lira a teria agredido fisicamente

 

De acordo com Jullyene Lins, Arthur Lira exigia que a esposa fosse “uma dona de casa perfeita”. Ela conta que o deputado chegava em casa passando os dedos nos móveis para conferir se estava tudo limpo e, quando encontrava alguma poeira, gritava: “Você é uma inútil, não presta pra nada. Só presta mesmo pra cuidar dos meninos, pra dar educação, pelo menos não faz eu passar vergonha em um restaurante”. 

“Eu era a dondoquinha, tinha que andar bem-vestida, arrumada, eu era no pedestal para política, para caminhar, para fazer a reunião com as mulheres junto com a mãe dele, pra cuidar dos meninos e para cuidar da roupa dele. Pra isso eu prestava. Porque, se tinha uma blusa amassada, ele pegava, amassava mais, jogava no chão e gritava comigo perguntando o que eu estava fazendo dentro de casa, que não estava vendo que a blusa dele estava mal passada”, lembrou emocionada. 

Jullyene diz que por causa do abandono — o companheiro sairia na maioria das vezes sozinho —, das traições e da violência, teve depressão. Ela relata que começou a beber, fumar e tomar muito remédio devido à tristeza, às crises de ansiedade e de pânico. O quadro teria se agravado após a suposta agressão física contra ela. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu Arthur Lira da denúncia de agressão. Os ministros consideraram que a punição prescreveu e que não haviam provas.  

Jullyene ainda briga na Justiça para que o parlamentar quite um ano de pensão aos filhos (de 2012 a 2013) que ele teria ficado sem pagar, segundo ela. 

A ex-esposa do presidente da Câmara dos Deputados depôs contra o político na Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal (PF). Arthur Lira, segundo o Ministério Público Federal (MPF), teria liderado um esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa de Alagoas, quando ele ainda era deputado estadual (2001-2007). Jullyene teria sido uma das funcionárias fantasmas empregadas no gabinete do parlamentar.  

Image

17
Jun22

Do TikTok às igrejas, TSE cria cerco para proteger e garantir as eleições de 2022

Talis Andrade

As charges censuradas de Bolsonaro - ISTOÉ Independente

BLINDAGEM INSTITUCIONAL, PAZ E SEGURANÇA

 

Por Danilo Vital

 

O Tribunal Superior Eleitoral vai encerrar a gestão do ministro Luiz Edson Fachin em 16 de agosto, a meros dois meses das eleições nacionais, com um cerco completo e profundo criado para proteger a legitimidade da urna e, ao fim e ao cabo, a própria democracia brasileira.

Dentro dos breves seis meses reservados à presidência antes do término de seu biênio como membro do TSE, Fachin não só buscou frear crises causadas pelos disparates antidemocráticos do bolsonarismo, como ampliar a área de contato da Justiça Eleitoral com a sociedade e o mundo.

Essa estrutura é necessária porque a democracia no Brasil, claramente, está sob risco. Para além das ameaças constantes do presidente da República, a Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação em relação ao ambiente de medo e intimidação que impede o envolvimento de eleitores e ameaça candidatos.

Para não ser pega de surpresa como em 2018, a Justiça Eleitoral desde então vem agindo de modo preventivo e cada vez mais incisivo. O TSE tem parceria com todas as principais redes sociais, o grande meio de difusão de campanhas antidemocráticas e desinformação — ainda que algumas brechas persistam, como mostrou a ConJur.

 

A sociedade está engajada

 

A maior vitória foi a parceria firmada em maio com o Telegram, aplicativo de mensagens instantâneas que é terreno fértil para o repasse ilimitado de 

notícias fraudulentas. Sem sede no Brasil, a empresa demorou, mas cedeu ao TSE com ajuda de decisões do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal e a contragosto do presidente Jair Bolsonaro.

Além dela, o TSE tem acordo com WhatsApp, Facebook, Twitter, Spotify, Kwai e TikTok, com o objetivo de denunciar, excluir ou reduzir o alcance de conteúdos que violem a legislação eleitoral  ou ameacem o processo democrático. O Google é outro grande parceiro da Justiça Eleitoral.

A iniciativa faz parte do programa de enfrentamento à desinformação criado pelo TSE em 2019 e transformado em permanente em 2021. Foi a partir dele que o ministro Luiz Edson Fachin acelerou o convite a instituições públicas e privadas para agirem em defesa da democracia brasileira. Hoje, há uma Frente Nacional de Enfrentamento à Desinformação.

O mais recente acordo foi firmado 11 entidades religiosas, em 6 de junho. Fachin explicou que o compromisso tem o objetivo de "debelar a perspectiva de conflitos durante e após a revelação da vontade popular".

O TSE tem também acordo com os conselhos estaduais de Direitos Humanos, com o apoio do do Conselho Nacional de Direitos Humanos, para luta contra a desinformação. Essa postura do tribunal foi elogiada em manifestação de solidariedade enviada à corte em maio por 14 entidades da sociedade civil.

A OAB e a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) são entidades que também aderiram à luta da Justiça Eleitoral contra as fake news em 2022. Há acordos, ainda, com o Supremo Tribunal Federal, com Tribunais de Justiça brasileiros e com a Procuradoria-Geral Eleitoral, além de associações da magistratura e do Ministério Público.

A Câmara dos Deputados também tem parceria com o TSE para enfrentamento da desinformação. Para desmentir todos os boatos, o tribunal conta com o apoio de uma rede de agências de checagem.

Nesse processo, o TSE não abriu mão de engajar a comunidade internacional para expor ao mundo a confiabilidade do sistema democrático brasileiro. O ministro Fachin mobilizou os principais organismos internacionais de observação eleitoral do mundo para acompanhar as eleições de 2022.

Em maio, destacou que o compromisso do TSE com a transparência extrapola as fronteiras do país e abrange todas as nações interessadas. "A integridade e fidedignidade das eleições brasileiras tem de ser demonstrada não por frases desconexas ou declarações vazias, mas por relatórios fundamentados de especialistas na matéria", afirmou.

 

O mundo político está avisado

 

Para além de ações externas, o TSE agiu também dentro do sistema político. Após a derrota da PEC que previa a impressão de cada voto digitado nas urnas eletrônicas, a corte ampliou os mecanismos de transparência e auditoria pública do sistema eleitoral, fez seu mais amplo teste de segurança do sistema de votação e decidiu que os partidos políticos poderão escolher quais equipamentos serão auditados.

As legendas também receberam atenção especial. O ministro Luiz Edson Fachin, acompanhado de membros do TSE, recebeu individualmente diversas delas para tratar de temas eleitorais e firmar acordos de colaboração. Esses encontros foram feitos com: Cidadania, PT, MDB, PSC, PP, Avante, PL, Podemos, União Brasil e Rede.

Partidos políticos e candidatos não podem se considerar desavisados para 2022. O TSE tem normatização e jurisprudência prontos para combater as novas formas de manipulação. Por exemplo, em dezembro, oficialmente vetou o uso de disparos em massa em aplicativos de mensagem instantânea, como o Telegram.

Jurisprudencialmente, tem precedente sobre a possibilidade de cassar um candidato pelo abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social no ato de espalhar fake news nas redes sociais. Trata-se da condenação do ex-deputado federal Fernando Francichini, que chegou a ser suspensa pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, mas acabou mantida por decisão da 2ª Turma.

Para minimizar o risco de boataria sobre o resultado das urnas, até o horário de votação foi alterado para 2022: todos os brasileiros poderão exercer o direito ao voto simultaneamente, independentemente do fuso horário em que se encontram. A decisão sacrificou principalmente o estado do Acre, onde a votação será das 6h às 15h.

Além das medidas que habilitam o TSE a proteger o pleito de 2022, há ainda a promessa de que quem agiu contra a democracia até agora será investigado. Há no Supremo Tribunal Federal um inquérito unificado que apura a atuação de milícias digitais antidemocráticas e ataques ao sistema eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral também tem uma investigação para chamar de sua, sobre o vazamento de informações sigilosas pelo presidente Jair Bolsonaro em uma de suas lives, ato que forçou a corte reforçar a própria cybersegurança. Foi através desse inquérito que a Corregedoria-Geral Eleitoral suspendeu a monetização de perfis nas redes sociais que divulgam fake news eleitorais.

 

"Paz e segurança"

 

É por isso que, em cada compromisso que comparece na função de presidente do TSE, o ministro Luiz Edson Fachin repete quase que um mantra, definido por ele como lema da gestão: paz a segurança nas eleições.

"Este é o lema de nossa gestão, que vem pregando a tolerância, o respeito à diferença. Estamos combatendo o bom combate e preservando a fé. Almejamos que a única arma a servir de instrumento para o bem do Brasil seja, portanto, o voto e o respeito pacífico à voz das urnas", disse, em encontro com representantes dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais, em junho.

Por mais de uma vez, Fachin também alertou sobre os riscos e ataques à democracia. Em abril, por exemplo, pediu aos membros da Comissão de Transparência "a defesa de paz e segurança nas eleições e do respeito às eleições como condição de possibilidade do Estado Democrático de Direito e de uma sociedade livre, justa e solidária, nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil".

Em 16 de agosto, Fachin encerra seu biênio no TSE e dá lugar ao ministro Alexandre de Moraes, que há muito já vem avisando: se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro será cassado e as pessoas que assim fizerem irão para cadeia.

Ao ser eleito para o cargo, na última terça-feira (14/6), reforçou: "a Justiça Eleitoral não tolerará que milícias pessoais ou digitais desrespeitem a vontade soberana do povo e atentem contra democracia no Brasil".TRIBUNA DA INTERNET

JOSÉ PEDRIALI: Bolsonaro ameaça o STF de golpe, exorta desobediência à  Justiça e diz que só sai da Presidência morto

charge - bolsonaro e os caixoes vazios - Blog do Gilmar - UOL

TRIBUNA DA INTERNET

Com tantos absurdos, fazer charge ficou mais fácil e | Política

Bolsonaro tem força para um golpe em 2022? - Vermelho

Mariliz e Benett me encheram de orgulho, diz leitor - 19/03/2021 - Painel  do Leitor - Folha

 

Há risco de uma ditadura Bolsonaro? - O Cafezinho

Bolsonaro quer eleição apurada em 'computador militar' - TIJOLAÇO

12
Jun22

Generais defendem abertamente status de partido político para as Forças Armadas

Talis Andrade

www.brasil247.com - { imgCaption }}

 

"Com a partidarização promovida por suas cúpulas partidarizadas e golpistas, as Forças Armadas foram transformadas em facções partidárias", diz Jeferson Miola

 

por Jeferson Miola /Brasil 247

- - -

No ofício ao presidente do TSE Edson Fachin, no qual coloca em risco a própria realização da eleição, o general-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira equiparou as Forças Armadas a um partido político com o intuito de reforçar a indevida interferência militar no processo eleitoral.

Terá sido um ato falho, ou é uma sinalização deliberada de atrevimento político e institucional deste bando fardado que atua de modo camuflado, indireto, e ameaça cada vez mais gravemente a democracia, sem reação das instituições políticas e do poder civil?

No documento, o ministro bolsonarista da Defesa argumentou “que alguns conceitos jurídicos corroboram o direito de fiscalização de todas as fases do processo eleitoral”.

E, para justificar a tentativa absurda de controlar o processo eleitoral, o general delirantemente reivindicou para as Forças Armadas “o previsto na Lei nº 9.504/1997, em seu art. 66, onde é estabelecido que os partidos e coligações poderão fiscalizar todas as fases do processo de votação e apuração das eleições e o processamento eletrônico da totalização dos resultados”.

Ora, como o próprio general conspirador escreveu, a citada lei estabelece a atribuição de partidos e coligações na fiscalização de todo processo eleitoral, não das Forças Armadas!

Aliás, em nenhum dos 105 artigos desta Lei que “estabelece normas para as eleições”, promulgada no ano de 1997, há 25 anos atrás, portanto, não se encontra nenhuma menção à atuação das Forças Armadas em qualquer aspecto substantivo da eleição.

No máximo, nos dias de votação os militares são chamados pelo poder civil a exercerem funções acessórias e rotineiras, meramente logísticas, de transporte de urnas e de segurança complementar.

Coerente com o espírito de um regime civil, e não militar, a Lei 9.504/1997 assegura aos partidos e coligações, como organismos constituintes do poder político e do poder civil, amplo direito a “fiscalizar todas as fases do processo de votação e apuração das eleições e o processamento eletrônico da totalização dos resultados”.

A Lei ainda especifica com clareza as condições de participação dos partidos e coligações mas nunca dos militares – na preparação das urnas eletrônicas [§ 5º do art. 66], na auditoria de funcionamento das urnas [§ 6º] e na criação de sistema próprio de fiscalização, apuração e totalização dos resultados [§ 7º].

Assim como distorce cinicamente o artigo 142 da Constituição para justificar a inaceitável interferência política e a tutela da democracia, o partido militar também alimenta uma interpretação mistificadora e canalha das Forças Armadas “como entidades fiscalizadoras, ao lado de outras instituições”, do processo eleitoral.

Com a partidarização promovida por suas cúpulas partidarizadas e golpistas, as Forças Armadas foram transformadas em facções partidárias.

E, sendo um bando armado, atuam na política como verdadeiras milícias fardadas ilegais e conspirativas, que atentam contra a democracia e o Estado de Direito e colocam em risco a própria realização da eleição de outubro próximo.

Image

Image

ImageImage

ImageImage

ImageImage

11
Jun22

Colunista do Globo diz que Bolsonaro tentará golpe violento em 7 de setembro

Talis Andrade

jeanine.jpg

Bolsonaro a Jeanine Añez de farda

"Vai incentivar a invasão do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral", afirmou o colunista Ascânio Seleme em referência a Jair Bolsonaro

 

 

247 - Em sua coluna publicada neste sábado (11) no jornal O Globo, Ascânio Seleme afirma que, "se as pesquisas continuarem mostrando que o crescimento de Lula se consolida, aumentando a possibilidade de vitória já no primeiro turno eleitoral, Jair Bolsonaro vai antecipar sua tentativa de golpe para o dia 7 de setembro". 

"Será uma nova setembrada, como a do ano passado, mas desta vez com mais violência e sem freios. Não tenha dúvida de que o presidente do Brasil vai incentivar a invasão do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. De maneira mais clara e direta do que em 2021. Mas, desde já é bom que ele saiba que não vai dar certo. Pior. Além de errado, vai significar o fim de sua carreira política e muito provavelmente o seu encarceramento", afirmou Seleme. 

O colunista lembrou que, "em 7 de setembro do ano passado, Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de canalha, disse que não atenderia mais a suas ordens e insuflou contra o Supremo as massas ensandecidas para as quais discursou em Brasília e em São Paulo". "Agora, o presidente convoca mais uma vez seus apoiadores para irem às ruas na próxima data cívica para socorrê-lo, pobrezinho, acuado que está pelo STF que não o deixa governar".ImageFormer Bolivian president sentenced to 10 years in prison | AM 870 The  ANSWER - Los Angeles, CACharge – Miguel PaivaImage

Sleeping Giants Brasil
@slpng_giants_pt
Inacreditável: O blogueiro foragido da justiça, Allan dos Santos participa, agora, de uma 'motociata' em Orlando com o Bolsonaro O extremista ri da Justiça brasileiraImagem do blogueiro foragido, Allan dos Santos em uma garupa de uma moto sorrindo
[Bolsonaro ri do STF.
Seu ministro da Defesa, general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, ri da justiça eleitoral. E o povo não sorri.
33 milhões de brasileiros civis estão com fome.
116 milhões de civis sofrem com a danada da insuficiência alimentar, isto é, não sabem se tem o que comer hoje, o que comer amanhã.
Quando as filhas solteiras de marechais, de generais recebem ricas pensões perpétuas, para uma vida de princesas, de rainhas na monarquia militar brasileira.
As castas das forças armadas temem perder as eleições para um ex-operário, nordestino pau-de-arara, que foi preso em 2018 porque ia vencer as eleições para o capitão "bunda suja" das rachadinhas, dos laranjais.
As forças armadas arriscam um golpe para manter as mamatas.
Ameaçam uma guerra civil, o prende e arrebenta de 1964, com tortura de presos políticos, com chacinas de lideranças do povo marcadas para morrer.
A ditadura de 1964 também matou militares, também prendeu militares, também torturou militares. Militares que amavam a Democracia, a Liberdade, a Fraternidade, a Igualdade, o Povo Feliz, a Pátria Livre]Image
 
Distopia Brazil
@Douglas86736732
MILICO NÃO DÁ PALPITE
Image
Na próxima chacina, os policiais militares vão revelar que os mortos eram traficantes, garimpeiros, caçadores e madeireiros do Vale do Javari na Amazônia, refugiados nas favelas do Rio de Janeiro
ImageImage
Image
11
Jun22

'Milico não dá palpite' bomba nas redes após comunicado enviado pelo ministro Paulo Sergio Nogueira ao TSE

Talis Andrade

ordem do capeta .jpg

 

"Fardados mamateiros na cadeia", disse um perfil no Twitter. "Lamber botas não é da competência do do TSE", escreveu outra pessoa. Confira mais reações às ameaças golpistas dos gorilas

 

247 - Internautas foram neste sábado (11) ao Twitter repudiar o comunicado enviado pelo ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, cobrando atuação das Forças Armadas na fiscalização das eleições

Um perfil escreveu: "as Forças Armadas da desgraça estão palpitando porque vão perder a mamata". 

"Voltem pro quartel seus milicos de merda", postou outra pessoa. 

De acordo com a postagem de outro usuário, "milico não dá palpite até por atribuições funcional, o concurso público que eles prestam é pra garantir segurança ao país, coisa que nunca fizeram". "Quantos militares estão na Amazônia? Quantos estão no eixo RJ/SP? Eles deveriam estar lá protegendo nossas fronteiras".

"Fardados mamateiros na cadeia", disse um perfil.

"Lamber botas não é da competência do do TSE", afirmou outro perfil. 

 
Imagem
Imagem
@NilsonRicardo13
GOSTOSO DEMAIS MILICO NÃO DÁ PALPITE FARDADOS MAMATEIROS NA CADEIA
Eixo Político
Além de Jeanine, também foram condenados pela Justiça boliviana a dez anos de prisão o ex-comandante-chefe das Forças Armadas do país, Williams Kaliman, e o ex-comandante da Polícia, Yuri Calder
Image
Imagem
Randolfe Rodrigues
@randolfeap
Na Democracia, o processo eleitoral é conduzido pela Justiça eleitoral. Diante da iminente derrota, Bolsonaro move as forças armadas e ameaça a Democracia. Não passarão! Na segunda convocaremos o Ministro da Defesa para prestar explicações ao Senado.

gorila jaula ditator ditadura Enrico Bertuccioli.j

trump gorila.jpg

banana gorila bolsonaro _thiagolucas.jpg

banana bolsonaro _fernandes.jpg

banana cercadinho _zedassilva.jpg

bolsonaro rachadinha marcos vinícius.jpeg

ditador the_dictator___omar_al_abdallat.jpg

ditador the_sting_of_free_speech__cartoon_movement

gilmar ditador galeria bolsonaro.jpg

bolsonaro pequeno ditador _sid.jpg

Arte e Manhas da Língua: Atividade sobre charges - Proclamação da República

Tiras Não: República das bananas

República de bananas

 

Parada militar da República das Bananas. Por Amarildo Lima

Militares fazem do Brasil uma república de banana - O CORRESPONDENTE

golpe jorge omau.jpeg

15
Mai22

Dia sim, dia sim militares ameaçam golpe

Talis Andrade

 

 

golpe .png

 
 
Lenio Luiz Streck no Twitter
 
 
Surpresa: por trás de Daniel Silveira tem uma coisa de nome “rachadinha”. Diz o MPF. Mas, sem problema: será indultado! “Bora” insultar o STF! Chama-se “liberdade de agressão”! E pedir AI-5. Em nome da democracia, é claro.
Image
 
Chinelagem: Zambelli quer anistia geral a condenados por atos antidemocráticos. Silveira na CCJ. O país virou um escracho. E 1-Maio teve novas manifestações golpistas. Até qdo? E pensar que a grande mídia colocou Bolsonaro lá! Mas ninguém é mãe da desgraça. Diz aí Cantanhede!
 
Image
Fui o autor do parecer da OAB (Com. Estud.Constitucionais) sobre o “indulto” de Bolsonaro. Na pesquisa, escapou-me a opinião de Pontes de Miranda (um desconhecido - sarcasmo!). Entre ele e os juristas bolsonarianos, fico com o velho. Gracias, Rui Espíndola. Não é ato de império.Image
 
Por que cobrar da grande mídia? Óbvio. Lembram do propinoduto? Diário? Não existiria toda essa desgraça sem Moro e a mídia (JN, Merval e cia). Corremos risco de golpe. Sim. E a mídia entrevista Moro. Sem nem tocar na decisão da ONU. Não aprendem. Gostam de alimentar crocodilos.
Image
Vou copiar o Thiago Brasil. Abaixo. Antes, digo: A ONU faz uma decisão história e Cantanhede e Merval entrevistam o pipoqueiro! O Brasil é uma fraude mesmo!
 
Image
 
O réu não se ajuda. 13 de maio: Moro cita Luís Gama. Tsk. Tsk. E tasca: “mais do que um presente do império…”. Ah, para com isso. Falso como terra plana. Moro citar Luis Gama é como Bolsonaro citar Rui Barbosa. Qdo não há do que falar, o melhor é calar, já disse Wittgenstein!
Image
Wal do Açaí “trabalhou” 15 anos como asses. parl. sem NUNCA ter estado em BSB. Vendia açaí. Processada junto com seu chefe (Bolsonaro), será defendida pela AGU. É como se o gerente assaltasse o próprio banco e o banco pagasse (e bem) seu causídico. Chama-se Açaismo jurídico!Image
 
Image
 
Espanha e Portugal passaram por longas ditaduras, que acabaram nos anos 70. Por lá ninguém pensa em questionar a democracia. Zero. E no Brasil os militares arrastam as correntes. Ameaçando com golpe. Dia sim, dia sim. Por lá, estariam presos esses insurretos institucionais.
Image
20
Abr22

Augusto Aras vai investigar... professor universitário e escritor

Talis Andrade

 

Image

 
 
 
 
 
Conrado Hubner
Viagra: 35 mil comprimidos Prótese peniana: R$ 3,5 milhões Gel lubrificante íntimo: R$ 37 mil Botox: R$ 546 mil Imbrochabilidade verde oliva: não tem preço
ImageTSE e PGR estão atentos Fiquem tranquilos, a enésima motociata, também conhecida juridicamente como campanha antecipada, será devidamente investigada e julgada antes de a democracia acabarImage
 
Augusto Aras bem acompanhado em Paris. Veja vídeo:
 

  

A Planta Geral da República foi verificar se gozava de algum respeito entre as plantas do Les Jardins Du Luxembourg O elegante Paris Geral da República lembrado de que sua descriminalização da política mata e deixa roubar

augusto aras quo vadis?.jpg

 
Ainda vamos sistematizar as múltiplas formas de corrupção do governo além das rachadinhas passadas (orçamento secreto, bíblia do pastor, superfaturamento de vacina, sigilo para cartão corporativo etc) Novo tipo: milhões para ONGs inativas de boleiros

Bolsonaro ameaça Lula de morte. Idem general Girão Monteiro, coronéis Washington Lee Abe, Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, André Azevedo, Tadeu Anhaia de Lemos, sargento Anderson Alves Simões, cabo Junio Amaral, pastor Otoni de Paula. Ameaça de assassinos deveria ser levada a sério por Aras. Tem serial killers. Gente ruim que já metralhou mais de trinta sem nada, sem terra, sem teto. Gente necrófila ou sádica, que admira o coronel Paulo Manhães, Ustra marechal de Bolsonaro, delegados Fleury e Pedro Seelig. Ameaçar de morte é crime. Áudios do Superior Tribunal Militar provam tortura na ditadura.

A planta jacobina e negacionista "Diante das evidências de corrupção no MEC de Bolsonaro, a omissão da PGR é ainda mais escandalosa. O MP deve defender a lei, sem jacobinismo e sem negacionismo". Onde está o Ministério Público?Image
Image
"TRF-1 aceitou nesta terça-feira (19), por dois votos a um, um recurso apresentado pelo Procurador-Geral de República, Augusto Aras" contra Conrado Hubner MendesImage
A institucionalidade da tortura, esse legado intangível da covardia e delinquência militarImage
 

aras .jpeg

 
 
16
Abr22

Braço forte, mão amiga, 35 mil pílulas azuis, toneladas e toneladas de rabo e lombo in natura

Talis Andrade

www.brasil247.com - { imgCaption }}

 

 

Aman licitou mais de 13 toneladas de rabo e lombo para serem comidos ali onde Bolsonaro, Braga Netto, et caterva foram escarrados para o Brasil. In Natura e naturalmente para manter ereto “o moral da tropa”

 

por Hugo Souza /Come Ananás

Em 2021, após estourar o escândalo, digamos, orçamentário-nutricional dos milhões gastos pelo governo Jair Bolsonaro com gêneros nem tanto alimentícios, o presidente da República e o Ministério da Defesa correram para destacar que sem mascar chicletes, sem consumir um mundão de latas de leite condensado, o Exército Brasileiro não poderia existir.

As gomas de mascar para aliviar a pressão auricular “durante a atividade aérea”; o Leite Moça para dar aos recrutas a energia da onça-pintada. “Selva!”. Na época, Bolsonaro acrescentou que as unidades militares, desculpe, as unidades enlatadas de 395 gramas de leite condensado tinham ainda a utilidade metafórico-funicular de “enfiar no rabo da imprensa”.

Guardem a palavra, o corte: “rabo”.

 

Os brigadeiros e os enfeites de frutas

 

O Leite Moça não é, está longe de ser o único produto altamente calórico na tabela da “alimentação nutricionalmente balanceada” que o Ministério da Defesa afirmou, em nota anti-escândalo do leite condensado, ter a responsabilidade de promover, em nome da “saúde da tropa”; não é, está longe de sê-lo no rol do “mais alto padrão alimentar dentro das possibilidades orçamentárias disponibilizadas”, como diz o edital de pregão eletrônico 20/2020 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), lançado para a compra de “quantitativo de subsistência” pela Organização Militar (OM) que nutriu, susteve e proveu Jair Bolsonaro, bem como todo o generalato que compõe o Governo Federal.

Naquele edital, o Comando do Exército, via Aman, convocou à licitação de 73 artigos de padaria das mais diferentes qualidades e nas mais gigantescas quantidades, entre eles sete toneladas e meia de pão doce com cobertura de creme de confeiteiro e outras três toneladas com recheio de doce de leite; noventa mil unidades de bolinhos de baunilha, laranja ou chocolate; 500 quilos de bolo de aniversário com recheio de baba de moça, brigadeiro, ou doce de leite e enfeites de frutas; 62.500 unidades de docinho brigadeiro, a mesma quantidade de queijadinhas e de tartaletes e um pouco mais, 67.500 unidades, de quindim.

Mais artigos de padaria: 19 mil quilos de esfirra; 1.700 quilos de mini croissants recheados com ameixa com bacon, banana com canela, goiaba, maçã com canela ou queijo e presunto. Três mil e quinhentos quilos de folhados; cinco mil quilos de panetone; sorvete, muito sorvete; e 90 mil bombas – não o artefato bélico, mas o doce de confeitaria, especificado no edital como de “creme patissier, doce de leite ou goiabada com cobertura de chocolate preto ou branco”.

 

Açaí cremoso, não necessariamente da Wal

 

Destrinchando o documento, a certa altura supõe-se que a cereja do bolo seriam as 50 mil unidades de cupcake com recheio de doce de leite e cobertura de chantily com cereja, quitutes com os quais a Aman previa gastar até R$ 155 mil.

Mas nada chegou perto do que foi reservado para comprar 10 mil discos de pizza brotinho e nada menos que 100 mil unidades de mini pizza. Só neste edital, só em pizza, a Aman – só esta OM do Exército – previu gastar cerca de 750 mil reais, naturalmente para garantir “o mais alto padrão alimentar dentro das possibilidades orçamentárias disponibilizadas”, quesito em que brilha ainda a previsão de compra pela academia de algumas toneladas de quibe com catupiry.

Catupiry não é gênero alimentício, mas sim marca registrada de requeijão, no que o edital de pregão eletrônico 20/2020 da Aman está em desconformidade com a Lei de Licitações, que proíbe indicação de marcas, salvo quando for “tecnicamente justificável”. Não fosse isso e as quinhentas caixas de torrada “Wickbold ou similar” para canapés, nada haveria a ser justificado, com que escandalizar-se, neste retrato, neste instantâneo das compras do governo.

Nem as cinco toneladas de panetone. Nem os 50 mil copinhos de 200 ml de açaí cremoso pelos quais o edital previa pagar um total de mais de R$ 300 mil. Afinal, nada no edital induz a favorecimento de alguma Wal de Angra dos Reis.

 

Seu milico merece Baton

 

Por falar em marcas registradas, em um outro edital, anterior, o de número 38/2019, a Aman abriu chamamento para a compra de 20 mil tabletes de chocolate branco “Galak ou equivalente”; outros 20 de mil tabletes de chocolate ao leite crocante “Diamante Negro ou equivalente”; 30 mil tabletes de chocolate com flocos “Chokito ou equivalente”; outras 30 mil unidades de chocolate com leite maltado “Lollo ou equivalente”; mais 30 mil de “Charge ou equivalente”; e nada menos que 150 mil tabletes de 16 gramas de chocolate “Baton ou equivalente”.

Galak, Diamante Negro, Chokito, Lollo, Charge, Baton; R$ 157 mil só em tabletes de 16 gramas de Baton, só para a Aman; compre Baton, compre Baton, seu milico merece Baton.

Das seis marcas de chocolate citadas no edital, só uma da Lacta, só uma da Garoto e quatro cobertas com delicioso chocolate Nestlé. Assim, realmente, não é possível, com as empresas do jeito que estão, passando fome… Mas, pelo menos para a Lacta, a coisa melhora um pouco quando chegamos, no edital 38/2019 da Aman, na parte dos bombons, quando a OM anuncia intenção de compra de 3,2 toneladas de “Sonho de Valsa ou equivalente”.

Neste outro edital, datado de julho de 2019, a Aman anunciou intenção de compra também de onze toneladas e meia de muçarela. Daria mais de um quilo de muçarela para cada disco de pizza brotinho, pelo número de discos de pizza brotinho comprados na licitação de um ano depois, em julho de 2020. Mas não seria honesto fazer este tipo de associação, porque, além de ter que se levar em conta o misto-quente do oficialato, os cadetes da Aman devem consumir muçarela de outros jeitos, ainda que, em matéria de queijos, no mesmo edital tenham sido licitados nove toneladas de queijo minas padrão, quase três de parmesão, 12.700 quilos de queijo prato, 100 quilos de ricota, outros 100 de provolone, mais 100 quilos de gorgonzola, além de oito mil potes de requeijão.

Foi de oito mil também, no edital no número 38/2019 da Aman, o número de latas de leite condensado, que elas não poderiam faltar.

 

Lula, mas em anel

 

Numa laive feita à época do leite condensado, Jair Bolsonaro apareceu com uma lata de Leite Moça para marcar posição de que “aqui não tem lagosta”, numa referência a um famigerado edital pregresso do STF que licitou o crustáceo, além de vinhos internacionalmente estrelados, para a ceia das excelências.

No edital número 38/2019 da Aman, de fato não constava lagosta, mas abriu-se licitação para 300 quilos de lula, sem metáfora desta vez, mas sim em anel; 250 quilos de siri; 600 quilos de camarão branco, variedade grande (VG), a R$ 80 o quilo; mais de 600 quilos de camarão sete barbas; e 250 quilos de polvo.

Duzentos e cinquenta quilos de polvo, alimento que de resto tem poucas calorias, ao contrário do Leite Moça. Pode ser um sinal da “alimentação nutricionalmente balanceada” citada pelo Ministério da defesa na nota anti-escândalo dos chicletes e leites condensados. Ou pode ser que, além das insígnias das patentes, os frutos do mar também informem sobre postos e graduações do Exército Brasileiro.

O efetivo da Aman é de aproximadamente 4.630 militares, dos quais apenas 1.700 são cadetes. Os demais são aqueles que manuseiam, se não tentáculos, os 150 mil alfinetes para mapa licitados em outro edital da Aman do ano retrasado, o de número 30/2019, este para aquisição de “material de expediente”.

Cento e cinquenta mil alfinetes para mapa. Se não estamos em guerra, parece que vamos entrar numa em breve.

 

Cupcakes para “o moral elevada da tropa’

 

Nos outros editais, tanto naquele para compra de artigos de padaria, de 2020, quanto no de 2019, para compra de outros gêneros alimentícios, a Aman justifica as contratações de toneladas de quindins, cupcakes e “Sonho de Valsa ou equivalente” dizendo que “os cadetes realizam mais de 30 atividades de acampamento durante o ano letivo, nos quais (sic) são simuladas operações táticas de combate, sendo o fator alimentação primordial para suprir as necessidades de gastos calóricos, bem como para a manutenção do moral elevada da tropa empregada nessas situações”.

O curioso é que, mesmo com toda esta comilança, a Aman abriu recentemente, em setembro de 2020, edital para “contratação de empresa especializada na exploração e funcionamento de uma cantina (com a comercialização de alimentos e bebidas), mediante cessão onerosa de uso da área com pagamento de taxa de ocupação, para atender as necessidades dos militares e demais usuários desta OM”.

Não é de hoje, não é desde que chegou à presidência que Bolsonaro está sempre na Aman, na qualidade de ex-aluno e de “mito”. No dia 18 de outubro daquele 2020, ele postou em sua conta no Twitter um vídeo com imagens daquele dia, em que saudava a turma de cadetes formandos ao lado do então ministro da Defesa, general de Divisão Fernando Azevedo e Silva, mais um ex-aluno da academia.

As imagens eram intercaladas com outras, da saudação que Bolsonaro fez a outra turma de formandos da Aman, em 2014, ocasião em que disse à tropa: “alguns vão morrer pelo caminho, mas em 2018 nós vamos jogar para a direita esse país”.

Alguns, hein?

 

Agora sim, uma metáfora de respeito

 

No edital 38/2019, a Aman pediu preços ainda para 2.800 quilos de rabo bovino in natura e outros 2.800 de rabo de porco salgado in natura também. Isto para não falar nos lombos: exatos 7.437 quilos de lombo in natura para serem comidos na Aman.

Mais de 13 toneladas de rabo para serem comidos ali onde Bolsonaro, Azevedo e Silva, Mourão, Heleno, Braga Netto, et caterva foram paridos, escarrados para o Brasil. In Natura e naturalmente para manter ereto “o moral da tropa”.

Junte isso aos 35 mil comprimidos de Viagra e, agora sim, senhoras e senhores, agora sim é uma metáfora.

Metáfora?

www.brasil247.com - { imgCaption }}

12
Abr22

Janio: as instituições estão devastadas

Talis Andrade

Image

por Fernando Brito

Como no “tá tudo dominado” do funk, o Brasil já não se escandaliza com nada. Congresso e sistema judiciário, ainda que neste último surjam alguns gemidos do Supremo Tribunal Federal, vivem em completa anomia, onde padrões normativos de conduta e de valores enfraqueceram ao ponto de quase desaparecer.

Assistimos a um período onde se aceita do ( e no) governo, as maiores barbaridades, desde o achaque rastaquera de tomar o dinheiro de servidores de gabinete até o envolvimento com o crime organizado e suspeitas de execução de ex-parceiro marginais.

Até mesmo quando a imprensa publica, há quase um aceitar como “pitoresco” e “natural” que as instituições da República não reajam ao absurdo, como se fosse parte da hegemonia política a associação ao crime, inclusive os de morte.

Cumprida a missão de derrubar um governo eleito, o próprio Ministério Público Federal, que se apresentava – não dá trabalho recordar – como a vestal da Lei, intocável e intolerante, aceitou-se em berço esplêndido, no qual bale feito cordeiro.

Numa única frase, Janio de Freitas condensa a situação de nosso país: Não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro ao [que lhe é] devido.

 

São as entranhas brasileiras

 

Image

 

Janio de Freitas, na Folha

- - -

Nenhum presidente legítimo, desde o fim da ditadura de Getúlio em 1945 —e passando sem respirar sobre a ditadura militar— deu tantos motivos para ser investigado com rigor, exonerado por impeachment e processado, nem contou com tamanha proteção e tolerância a seus indícios criminais, quanto Jair Bolsonaro. Também na história entre o nascer da República e o da era getulista inexiste algo semelhante à atualidade. Não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro ao devido.

As demonstrações não cessam. Dão a medida da degradação que as instituições, o sistema operativo do país e a sociedade em geral, sem jamais terem chegado a padrões aceitáveis, sofrem nos últimos anos. E aceitam, apesar de muitos momentos dessa queda serem vergonhosos para tudo e todos no país.

Nessa devastação, Bolsonaro infiltrou dois guarda-costas no Supremo Tribunal Federal. Um deles, André Mendonça, que se passa por cristão, na pressa de sua tarefa não respeita nem a vida. Ainda ao início do julgamento, no STF, do pacotaço relativo aos indígenas, Mendonça já iniciou seu empenho em salvá-lo da necessária derrubada.

São projetos destinados a trazer a etapa definitiva ao histórico extermínio dos indígenas. O pedido de vista com que Mendonça interrompeu o julgamento inicial, “para estudar melhor” a questão, é a primeira parte da técnica que impede a decisão do tribunal. Como o STF deixou de exigir prazo para os seus alegados estudiosos, daí resultando paralisações de dezenas de anos, isso tem significado especial no caso anti-indígena: o governo argumentará, para as situações de exploração criminosa de terras indígenas, que a questão está subjudice. E milicianos do garimpo, desmatadores, contrabandistas e fazendeiros invasores continuarão a exterminar os povos originários desta terra.

deforestation__vasco_gargalo tráfico de madeira.

 

 

Muito pouco se fala desse julgamento. Tanto faz, no país sem vitalidade e sem moral para defender-se, exangue e comatoso. Em outro exemplo de indecência vergonhosa, nada aconteceu à Advocacia-Geral da União por sua defesa a uma das mais comprometedoras omissões de Bolsonaro. Aquela em que, avisado por um deputado federal e um servidor público de canalhices financeiras com vacinas no Ministério da Saúde, nem ao menos avisou a polícia. “Denunciar atos ilegais à Polícia Federal não faz parte dos deveres do presidente da República”, é a defesa.

A folha corrida da AGU é imprópria para leitura. Mas, com toda certeza, não contém algo mais descarado e idiota do que a defesa da preservação criminosa de Bolsonaro a saqueadores dos cofres públicos. Era provável que a denúncia nada produzisse, sendo o bando integrado pela máfia de pastores, ex-PMs da milícia e outros marginais, todos do bolsonarismo. Nem por isso o descaso geral com esse assunto se justifica. Como também fora esquecido, não à toa, o fuzilamento de Adriano da Nóbrega, o capitão miliciano ligado a Bolsonaro e família, a Fabrício Queiroz, às “rachadinhas” e funcionários fantasmas de Flávio, de Carlos e do próprio Bolsonaro. E ligado a informações, inclusive, sobre a morte de Marielle Franco.

Silêncio até que o repórter Italo Nogueira trouxesse agora, na Folha, duas revelações: a irmã de Adriano disse, em telefonema gravado, que ele soube de uma conversa no Planalto para assassiná-lo. Trecho que a Polícia Civil do Rio escondeu do relatório de suas, vá lá, investigações. O Ministério Público e o Judiciário estaduais e o Superior Tribunal de Justiça não ficam em melhor posição, nesse caso, do que a polícia. São partes, no episódio de implicações gravíssimas, de uma cumplicidade que mereceria, ela mesma, inquérito e processo criminais. O STJ determinou até a anulação das provas no inquérito das “rachadinhas”, que, entre outros indícios, incluía Adriano da Nóbrega.

Desdobrados nas suas entranhas, os casos aí citados revelariam mais sobre o Brasil nestes tempos militares de Bolsonaro do que tudo o mais já dito a respeito. Mas não se vislumbra quem ou que instituição os estriparia.

Image

 

 

 

 

 

09
Abr22

"Nenhum presidente deu tantos motivos para ser investigado e foi tão protegido como Bolsonaro", diz Janio de Freitas

Talis Andrade

www.brasil247.com -

Um dos jornalistas mais experientes do Brasil, Janio de Freitas protesta contra a blindagem oferecida pelas elites a Jair Bolsonaro

 

 

247 – "​Nenhum presidente legítimo, desde o fim da ditadura de Getúlio em 1945 —e passando sem respirar sobre a ditadura militar— deu tantos motivos para ser investigado com rigor, exonerado por impeachment e processado, nem contou com tamanha proteção e tolerância a seus indícios criminais, quanto Jair Bolsonaro. Também na história entre o nascer da República e o da era getulista inexiste algo semelhante à atualidade. Não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro ao devido", protesta o jornalista Janio de Freitas, um dos mais experientes do País, em sua colunana Folha de S. Paulo.

"As demonstrações não cessam. Dão a medida da degradação que as instituições, o sistema operativo do país e a sociedade em geral, sem jamais terem chegado a padrões aceitáveis, sofrem nos últimos anos. E aceitam, apesar de muitos momentos dessa queda serem vergonhosos para tudo e todos no país", acrescenta. O jornalista menciona vários escândalos: "o fuzilamento de Adriano da Nóbrega, o capitão miliciano ligado a Bolsonaro e família, a Fabrício Queiroz, às "rachadinhas" e funcionários fantasmas de Flávio, de Carlos e do próprio Bolsonaro. E ligado a informações, inclusive, sobre a morte de Marielle Franco."

 
 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub