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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

23
Jul22

Caso Bruno e Dom: 10 perguntas que a denúncia deixa no ar

Talis Andrade

Caso Bruno e Dom: 10 perguntas que a denúncia deixa no ar

Já aceita pelo juiz Adriano Verli, da Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga (AM), a peça acusatória dos procuradores afirma que os réus já presos agiram por motivo fútil.(Fotos: José Medeiros/Agência Pública; Reprodução TV Globo e Avener Prado/Agência Pública)

 

Por Cicero Pedrosa Neto /Amazônia Real

Belém (PA) – Finalizada com a data de 21 de julho e aceita já nesta sexta-feira (22) pela Justiça Federal de Tabatinga, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) deixa pelo menos dez perguntas no ar em relação aos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. Pela denúncia, os réus Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, Oseney da Costa de Oliveira, seu irmão, e Jefferson da Silva Lima cometeram o duplo homicídio por “motivo fútil, mediante emboscada”. O motivo, segundo o MPF, seria o pedido do indigenista para que o jornalista britânico tirasse uma foto de “Pelado”, um dia antes, ou mesmo uma imagem tirada pelo indigenista no dia do crime.

Pela narrativa construída pelos procuradores da República Nathália Geraldo de Santo, Samir Cabus Nachef Júnior, Edmilson da Costa Barreiros Júnior, Bruno Silva Domingos e Ricardo Pael Ardenghi, “Pelado” e Jefferson teriam decidido matar o indigenista Bruno e o jornalista Dom Phillips acabou sendo morto “para assegurar a ocultação e a impunidade” pelo primeiro crime.

O juiz Adriano Verli, da Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga (AM), aceitou a denúncia do MPF e tornou réus Amarildo, o “Pelado”, Oseney e Jefferson. Eles já estão presos e vão responder pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. 

Na confissão, os réus informaram que Bruno foi atingido por pelo menos dois tiros, enquanto estava de costas, e um derradeiro, no rosto,  enquanto Dom, por apenas um disparo.  Segundo a perícia, os corpos dos dois foram esquartejados, queimados e enterrados em solo argiloso da região, com a participação de parentes e outras pessoas identificadas na denúncia, mas que não foram acusadas ainda. De acordo com o MPF, outras investigações serão conduzidas “a fim de esclarecer a autoria e participação dos demais agentes na prática da ocultação dos cadáveres e do próprio homicídio”. 

A denúncia do MPF cita os nomes de “Sirinha”, Edvaldo, “Guerão” e “Patuti”, que seriam os “demais agentes” envolvidos no caso. Sirinha é Elicley Oliveira da Costa e irmão de “Pelado”; enquanto Papa é cunhado dele, casado com a sua irmã Bete.

 

Dúvidas em aberto

Comunidade de São Rafael em Atalaia do Norte (Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

A reportagem da Amazônia Real, que acompanha o caso desde o princípio, esmiuçou a denúncia do MPF, ancorada nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e Polícia Civil do Amazonas, e a confrontou com base nas entrevistas feitas com suas fontes ao longo da cobertura jornalística. A peça acusatória aceita pela Justiça Federal é baseada quase que exclusivamente na confissão de um criminoso. A agência considera que ainda existem lacunas em aberto não resolvidas. São elas:

  1. A denúncia cita a perseguição da fiscalização da EVU a “Pelado”, numa lancha motor 60 HP, no rio Itacoaí, por volta das 5h40 do sábado, 4 de junho. O réu estava acompanhado de mais dois homens: Franciney Lopes Andrade e Elicley, respectivamente padrasto e irmão de “Pelado”. Os três apontaram espingardas para Bruno e Dom, segundo relato de uma testemunha à Amazônia Real.  A denúncia afirma que Bruno filmou essas ameaças e que Jefferson confirmou o caso. Bruno levaria a denúncia no dia 6 à Polícia Federal (PF), com sede em Tabatinga (AM). Em depoimento, “Pelado” conta outra versão sobre esses fatos. Isso não indicaria que o crime foi premeditado?  
  1. No domingo, 5 de junho, Bruno e Dom visitaram a comunidade São Rafael para uma reunião previamente marcada com Manuel Vitor Sabino da Costa, o “Churrasco”, que é tio do “Pelado”, mas ele não foi encontrado na comunidade. A preparação da emboscada aconteceu após a visita a São Rafael? A denúncia do MPF cita a palavra “emboscada”, mas não a descreve em detalhes.
  1. Segundo Jânio Freitas de Souza, o indigenista e o jornalista estiveram na comunidade por volta das 7h20 (9h20 no horário de Brasília) de domingo (5). Conforme Jânio, Bruno estava “avexado” (apressado) porque tinha uma reunião em Tabatinga com a PF [onde entregaria as provas, filmagens de Dom, de crimes ambientais de “Pelado”. Logo após essa visita, Bruno e Dom foram assassinados. Eles deveriam chegar em Atalaia do Norte às 8 horas. Que horas ocorreram as mortes?
  1. Onde estão o celular, o notebook e a câmera fotográfica do jornalista britânico Dom Phillips? Uma testemunha disse à reportagem que Dom registrou a rotina e as imagens dos indígenas da EVU para seu livro no período em que esteve acompanhando o trabalho da equipe. Onde foram parar esses registros? A morte do Dom foi pelo chamado “dano colateral”?
  1. Por que o MPF denunciou apenas três pessoas, ignorando as que ajudaram a ocultar os corpos queimados e esquartejados de Bruno e Dom? As pessoas que estão em liberdade por determinação da Justiça Federal passaram quatro horas cuidando da ocultação. São: Edivaldo, Elicley Oliveira da Costa, o “Sirinha”, Otávio, o “Guerão”, e “Patuti”. Segundo o delegado da PF Eduardo Fontes, todos são do “clã da família do Pelado”.  
  1. Por que o peruano Rubem Dario da Silva Villar, o “Colômbia”, comerciante da pesca e suspeito de ser o mandante dos crimes, preso por documento falso no dia 7 de julho, sequer foi citado na denúncia do MPF, embora ele seja um nome diversas vezes citado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja)?
  1. Afinal de contas, a PF conseguiu esclarecer quem é o “Colômbia”, o seu nome real, e qual é a sua nacionalidade? 
  1. Por que só na data de 22 de julho a PF fez buscas e apreensão de documentos na casa de “Colômbia”? Segundo testemunhas, o comerciante tem uma residência na cidade de Benjamin Constant, no Amazonas, vizinha de Atalaia do Norte, e seus parentes fugiram para o Peru após sua prisão 15 dias atrás.  
  1. Por que as relações entre pescadores ilegais, traficantes e invasores da Terra Indígena Vale do Javari e políticos da região nunca foram levadas a sério nas investigações? E também por que as investigações ignoraram inúmeras denúncias e mais relatos testemunhais dos indígenas, que acompanharam Bruno Pereira e Dom Phillips o tempo todo?
  1. Por que procuradores das cidades de Atalaia do Norte e de Benjamin Constant chegaram a participar da defesa dos agora réus no caso dos assassinatos?

 

“Tira a foto dele”

Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari (Foto Gary Carlton/The Observer)

Para acusar Amarildo e Jefferson, o MPF se baseou na confissão deles como executores do crime na manhã do dia 5 de junho. Já a participação de Oseney, o “Dos Santos”, irmão de “Pelado”, é sustentada por menções feitas a ele no depoimento de testemunhas, cujos nomes foram preservados tanto pela investigação quanto pela denúncia do MPF.

O que chama a atenção na denúncia é que os procuradores dão crédito ao inquérito da PF, apontando que o motivo para o crime foi simplesmente porque o indigenista Bruno teria dito a Dom Phillips: “Tira a foto dele”, referindo-se a “Pelado” na manhã do sábado, 4 de junho, e “esse é o bote do invasor”, no dia 5, quando o indigenista passou na frente da comunidade do acusado, e tirado uma foto do barco.

A primeira frase, segundo “Pelado”, conforme consta na denúncia do MPF, teria sido dito por Bruno na varanda da casa de Raimundo Bento da Costa, o Raimundinho (tio de “Pelado”), onde o indigenista e Dom pernoitaram. No entanto, no início da manha do dia 4, “Pelado” e outras duas pessoas cruzaram com Dom e Bruno e com indígenas da EVU no rio, e fizeram ameaças exibindo armas em tom ameaçador. Neste momento, Dom fotografou “Pelado” e seus acompanhantes. Segundo a fonte da Amazônia Real, “Pelado” não falou com Bruno na varanda da casa de Raimundinho.

Embora o indigenista e “Pelado” tenham tido conflitos antigos – e frisado na denúncia do MPF -, era comum que a base da EVU ficasse ancorada no trapiche (porto) por questões logísticas, em frente à casa de “Raimundinho”. A distância entre a embarcação da EVU e a casa de Raimundinho era de centímetros porque o nível do rio Itacoaí estava cheio naquele período (início de junho).

Segundo a testemunha – que estava com Bruno e Dom nos dias que antecederam o assassinato – ouvida pela Amazônia Real sob a condição de não revelar seu nome, temendo mais ameaças, todos os dias em que a base da EVU esteve neste local “Pelado” foi avistado pela equipe, ora sozinho, ora acompanhado por outros pescadores ilegais de pirarucu e tracajá, prática vigiada e frequentemente denunciada pela EVU e por Bruno Pereira.

“Quando o rio está alagado, a gente costuma deixar o canoão da EVU na frente da casa do Raimundinho. Foi de lá que a equipe [de vigilância da Univaja] avistou “Pelado” na quinta e na sexta”, afirmou a testemunha.

Segundo pessoas ouvidas pela reportagem em Atalaia do Norte, Bruno mantinha boa relação já há alguns anos com Raimundinho. E era justamente o irmão de Raimundinho, Manuel Vitor Sabino da Costa, conhecido como “Churrasco”, que Bruno deveria encontrar na comunidade São Rafael – último lugar onde a dupla foi vista antes da emboscada, como narrado na reportagem “Os minutos finais de Bruno e Dom em São Rafael”, publicada pela Amazônia Real.

Conforme essa testemunha, no sábado seguinte (um dia antes do assassinato), por volta das 5h30, Bruno, Dom e membros da EVU partiram em direção à base da Funai para pedir ao técnico responsável do órgão que avisasse a Força Nacional sobre a presença de “Pelado” naquelas imediações, considerando se tratar da TI do Vale do Javari. No caminho, encontraram “Pelado”, que estava acompanhado de mais dois homens: Franciney Lopes Andrade e Elicley, respectivamente seu irmão e padrasto. Eles estavam em duas embarcações: “Pelado” e o irmão em uma balieira, embarcacão típica da região, equipada com um motor 60 HP, e Franciney em um barco de pesca de pequeno porte. Ao cruzar com a equipe no rio, “Pelado” e Elicley teriam levantado armas em direção ao grupo em tom de ameaça.

“Era como se eles estivessem ameaçando a gente porque ele [o “Pelado”] sabia que a gente estava indo na base da Funai”, afirma a testemunha ouvida pela reportagem.

A testemunha não sabe informar se Vitor (como se chamaria o técnico da Funai com quem Bruno esteve em contato na base) tomou alguma providência. 

No dia do crime, por volta das 7 horas, “Pelado” e Bruno se cruzaram mais uma vez, antes da emboscada. Na ocasião, o indigenista chegou a tirar uma foto da embarcação de “Pelado” e ainda descreveu a imagem como “esse é o bote do invasor”. E, segundo o MPF, esse foi o estopim para que “Pelado” dissesse a Jefferson: “Lá vai o cara, bora matar ele?”. 

A Amazônia Real tentou contato com o advogado Edilson Tananta, que representa Amarildo dos Santos (o “Pelado”), mas até o fechamento desta reportagem não houve resposta.

 

Veja o que diz a Univaja

Eliésio Marubo, advogado da Univaja, divulgou vídeo criticando o desfecho do inquérito e o teor da denúncia do MPF. Ele disse que o inquérito deixou de considerar informações de suma relevância.

“A autoridade não indicou quem é de fato o mandante. Nós entendemos que há mandante. Há informações que indicam participação de outras pessoas, como uma quadrilha e como mando. É necessário que a autoridade dê as respostas não só para as famílias das vítimas, mas para sociedade e paro mundo que tem acompanhado esse caso horrendo na nossa região”, disse ele (veja vídeo acima).

 

Motivo fútil?

Policiais federais com os restos mortais de Dom Phillips e Bruno Pereira (Foto: Avener Prado/Agência Pública)

A tese de um crime por motivo fútil é mais um capítulo de açodamento com que esse caso vem sendo conduzido pelas autoridades, a despeito de todas as evidências de que houve um crime premeditado, conforme narrado pela Amazônia Real ainda na terça-feira, dia 7 de junho, e nos dias seguintes. 

O desaparecimento de Dom e Bruno foi informado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI) ainda em 6 de junho.  Pressionado, o governo federal enviou equipes da PF, da Marinha e do Exército, que só foram a campo a partir do dia seguinte. O Ministério Público Federal também dizia estar monitorando o caso.

“Pelado” foi preso no dia 8 de junho. Mas os corpos de Bruno e Dom só foram encontrados uma semana depois, quando decidiu confessar o crime. No dia 17 de junho, a Superintendência da PF, em Manaus, emitiu uma nota afirmando que “as investigações também apontam que os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”.

A nota da PF foi duramente criticada, já que as investigações, que àquela altura ainda estavam no início, descartavam outras hipóteses para o crime. A tese de não haver indícios da existência de um mandante para o assassinato foi reforçada pelo superintendente da PF, Eduardo Fontes, em audiência pública ocorrida no dia 12 de julho, na Câmara Federal, no âmbito da Comissão Temporária Externa que acompanha as investigações do duplo assassinato. 

Nesta sábado (23), a Polícia Federal informou que transferiu os réus Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos” e Jefferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, do sistema prisional de Tabatinga para Manaus. Na capital amazonense, já estavam na cadeia da PF desde o dia 9 de julho, “Pelado” e “Colômbia”, que cumpre preventiva por falsificação de documentos. Após serem apresentados no Instituto Médico Legal (IML) para o exame de corpo de delito, “Colômbia” e “Pelado da Dinha” serão transferidos para o sistema prisional de Manaus. Os irmãos “Pelado” e “Dos Santos” continuaram presos na cadeia de PF.(Colaboraram Elaíze Farias, Kátia Brasil e Eduardo Nunomura)

 

08
Jul22

Justiça para Bruno e Dom

Talis Andrade

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por Eliane Brum

Esta é uma guerra. Bruno Pereira e Dom Phillips são vítimas de guerra. Precisamos lutar pela vida: 1) só existirá justiça para Dom e Bruno quando o crime for elucidado e os mandantes identificados, julgados e punidos; 2) é obrigatório virar cada voto nesta eleição. Se quisermos seguir vivos, Bolsonaro NÃO pode ser reeleito nem podemos permitir que dê um golpe; 3) é urgente fazer pressão massiva contra o pacote de maldades que tramita em Brasília para abrir ainda mais a floresta para a destruição; 4) é imperativo apoiar os povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia e dos outros biomas em todas as suas lutas. Eles não podem ficar sozinhos. 5) Cada pessoa ameaçada na floresta tem que ser tratada como se fosse da família. Nem um a menos. Cada dia é dia de luta. Chega de sangue!www.brasil247.com - { imgCaption }}

Bruno e Dom são vítimas do projeto de Bolsonaro para a Amazônia, que temos denunciado sem parar. O que restou deles só foi encontrado porque os indígenas os procuraram desde o primeiro minuto. Todos os não indígenas têm uma dívida profunda com os indígenas. Sempre tivemos, porque se ainda existe natureza sobre esse chão que chamamos Brasil é pela resistência deles. Agora, essa dívida se tornou ainda maior. Fizeram por dois homens brancos o que o Estado e suas forças de segurança sustentadas por dinheiro público não fizeram. Profunda gratidão à Univaja e a todos os que se envolveram nesta busca.

Escreva Lola Escreva: QUEREMOS JUSTIÇA PARA DOM PHILLIPS E BRUNO PEREIRA

Se a execução de Dom e Bruno ficar impune, todos nós que estamos na Amazônia lutando pela floresta estaremos com um alvo na cabeça. Os suspeitos são só a ponta mais fácil de prender e condenar. São peões num jogo muito maior e que costuma ser decidido bem longe da Amazônia. É preciso encontrar, julgar e punir os mandantes. A mobilização por Dom e Bruno precisa seguir. Pela vida. A nossa e a da floresta.

#JustiçaParaBrunoEDom #ForaBolsonaro

27
Jun22

Bolsonaro e o desgoverno perverso e incompetente dos generais

Talis Andrade

Charge do Zé Dassilva: "Generais indignados" | NSC Total

 

O País não suportará a continuidade da tragédia que é o desgoverno de Bolsonaro e de seus generais totalmente divorciados dos interesses do Brasil

 

por Davis Sena Filho 

O desgoverno do capitão ‘expulso’ do Exército por indisciplina, sublevação e conspiração será lembrado e considerado como um desgoverno militarista e ultraliberal que sistematicamente combateu todos os grupos sociais que compunham a sociedade civil organizada em todos os setores e segmentos, além de ser francamente favorável aos interesses do grande capital nacional e internacional, a desmontar criminosamente o estado brasileiro com a entrega do pré-sal, a extinção de ministérios importantes, como o do Trabalho e o enfraquecimento de órgãos importantes, como o Ibama, o Incra e a Funai.JOSÉ PEDRIALI: O perigoso esporte de humilhar generais

No decorrer do desgoverno protofascista de Jair Bolsonaro, o  desmonte criminoso das estruturas do País não é aleatório, porque tem intenção e método, pois que ocorre o esvaziamento de secretarias e órgãos que protegem e defendem a cidadania, as minorias sociais, além de arrasar com a estrutura oficial de proteção ao Meio Ambiente, assim como deliberadamente tal desgoverno inimigo do povo brasileiro ‘passou a boiada”, a fim de esquartejar  as estatais estratégicas para a independência e a soberania do País, a exemplo de Petrobrás, Eletrobrás e dos Correios, como também foram fechados, perversamente, inúmeras agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica em todo o País, a deixar a população dos rincões brasileiros se ter acesso a serviços tão importantes.

Trata-se, ipsis litteris, de um desgoverno essencialmente fascista e, evidentemente, de sabotagem contra a própria nação, porque de natureza colonial, ou seja, colonizador de seu próprio povo, e disposto a apenas se associar aos interesses da plutocracia useira e vezeira, no Brasil e no mundo, em explorar o trabalho dos trabalhadores, a cassar seus direitos fundamentais, conquistados há muitas décadas, em lutas e mobilizações perpetuadas por inúmeras gerações de brasileiros. 

A verdade é que o Brasil sucumbe a um desgoverno de estamento ideológico extremado à direita e dedicado a enriquecer ainda mais os grupos econômicos bilionários, porque vocacionado à rapinagem e à pirataria, bem como compromissado em considerar como seu inimigo todos aqueles que se contrapõem à dissolução da civilização, que se edifica no estabelecimento de marcos civilizatórios, como as leis e códigos trabalhistas, ambientais e educacionais, a terem ainda como seus pilares as grandes estatais, que são ferramentas inalienáveis do Estado, que é o principal indutor do desenvolvimento econômico e social, pois o receptor do dinheiro público, que tem de ser devolvido à população brasileira, em forma de créditos bancários, empregos, infraestrutura, saúde, educação, moradia e urbanização, a respeitar o sempre o meio ambiente.

E todas essas valências necessárias ao bem-estar social foram impiedosamente sabotadas e, com efeito, destruídas pelo desgoverno de Bolsonaro, que tem como meta principal desconstruir o conjunto de marcos civilizatórios propostos e colocados em prática pelo Estado Democrático de Direito, por intermédio da Constituição de 1988, cujas palavras ordenadas por suas linhas representam o que a sociedade brasileira estabeleceu para si depois de passar por agruras inomináveis e ter seus direitos de cidadania cassados por uma ditadura empresarial/militar, que durou longos 21 anos.

A partir desse processo dantesco, em meio ao ódio latente de uma "elite" branca, reacionária e de essência escravocrata, após 30 anos de estabilidade democrática, o Brasil mais uma vez sucumbe ao seu pendor de republiqueta bananeira e, mesmo sendo a sexta economia do mundo em 2016, cai vergonhosamente de joelhos para, como serviçal, dobrar-se para mais um lamentável golpe de estado terceiro-mundista em sua história, fato que causou surpresa à parte da comunidade internacional.

A consequência dessa irresponsabilidade e molecagem do establishment público e privado é que os países hegemônicos e até mesmo os emergentes passaram a novamente tratar o Brasil como um País de segunda classe, pois governado por Michel Temer, um presidente usurpador e golpista, tratado como pária mundial, que depois foi substituído por um mandatário protofascista, que está a terminar sua obra demoníaca e de destruição sistemática do Brasil, a causar transtornos diuturnos à nação, além de ter como único plano de governo sabotar as eleições presidenciais de outubro e, obviamente, efetivar um golpe de estado, na verdade um autogolpe.

Um autogolpe é o sonho do fascista de terceiro mundo acostumado a violar a Constituição sem que ninguém, principalmente do Ministério Público Federal (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) denuncie e julgue seus incontáveis crimes de responsabilidade, a incluir nesse cardápio de horrores os crimes contra o meio ambiente, índios, mulheres, LGBTQIAPN+, moradores de favelas, quilombolas, empresas públicas, além do criminoso teto dos gastos, que impede perversamente que o Estado invista no País e, com efeito, gere renda e emprego a milhões de Brasileiros, sendo que cerca de 60 milhões de pessoas estão desempregadas, subempregadas e vivem de bico, sendo que 33 milhões de pessoas estão sem segurança alimentar, a enfrentar a humilhação da fome, realidades essas que deixam qualquer sociedade de joelhos e, por conseguinte, refém da violência que ceifa dezenas de milhares de brasileiros e brasileira todos os anos.

Por sua vez, o pior governo da história da República liderado por um presidente cuja alcunha é Bozo, ocupado também pela pior geração de generais de todos os tempos, acompanhada por economistas ultraliberais e irresponsáveis, como o ministro chicago boy Paulo Guedes e sua equipe de insanos e perversos, que atuam em coordenação com o presidente lesa-pátria do Banco Central chamado de Roberto Campos Neto, que além de ter o nome do avô neoliberal e copartícipe da ditadura militar, coopera, e muito, para que o rentismo e o neoliberismo no Brasil enriqueça ainda mais os ricos e mantenha a economia do País no cabresto da iniquidade levada a cabo pela brutal concentração de renda e riqueza que ora impera em Terra Brasilis.

Para concluir, o presidente de extrema direita, associado aos interesses dos ricos e muitos ricos não fez nada para melhorar as condições de vida do povo brasileiro. Projeto social nenhum, programa de governo nenhum e nenhuma vergonha na cara. Jamais pisou no chão de um hospital para ao menos saber das mais de 670 mil vítimas mortas pela Covid-19. Nunca visitou as comunidades pobres, jamais pisou no chão de grupos sociais vítimas de toda sorte de violência e de tragédias perpetradas pela natureza, como as cheias nas cidades, porque se trata de um homem anti-solidário, desprovido de empatia, que odeia profundamente os pobres e as minorias em todas suas diversidades.

Armamentista, verborrágico, violento e agressivo, homofóbico, machista, racista e xenófobo, o fascista Bolsonaro gosta mesmo de ricos, de preferência homem e brancos. Somente fez política para os servidores da área de segurança e das Forças Armadas, além de somente participar de reuniões de empresários de grande porte, os que são os “donos” do PIB privado e que desde o desgoverno do usurpador e traidor Michel Temer passaram a ser também os “donos” do Estado brasileiro, que os serve com diligência e empenho.

Este é o Brasil do pior presidente da história do País e que continua a apostar no seu único projeto: o autogolpe, uma forma de golpe de Estado, como define o dicionário, que ocorre quando o líder de um país, que chegou ao poder por meio de meios legais, dissolve ou torna impotente o poder Legislativo nacional e assume poderes extraordinários não concedidos em circunstâncias normais e pelo voto livre da população.

O Brasil está em uma encruzilhada e considero que os brasileiros tem de colocar as barbas de molho, com um olho nas urnas e outro no mandatário golpista, que incompetente, inconsequente e perverso, prefere que o Brasil se exploda do que trabalhar em prol do desenvolvimento e da independência do povo brasileiro. O País não suportará a continuidade da tragédia que é o desgoverno de Bolsonaro e de seus generais totalmente alienados e divorciados dos interesses de soberania do Brasil. Bolsonaro nunca mais! É isso aí.Generais, golpismo e pandemia - O CORRESPONDENTE

 

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