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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Out19

Quem é mais violento, o batedor de carteira que vocês prendem no tronco, ou os vendilhões da Lava Jato?

Talis Andrade

Onde mora a violência?

por João Paulo Rillo

moroaeciomeninono-poste.jpg

 

Uma das imagens que sintetizam a hipocrisia, a cegueira social e a disposição para a violência dos últimos tempos é aquela de um menino negro preso a um poste, nu, exposto ao escárnio público nas ruas da cidade maravilhosa, por supostamente ter furtado uma bolsa ou carteira de alguém.
 

Cenas similares de justiçamento passaram a ser frequentes no novo Brasil de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, os justiceiros.

As aulas dos deuses da moralidade pública eram transmitidas todos os dias durante anos pelas grandes emissoras de rádio e TV do país. Sem o mínimo de reparo crítico de boa parte da patota de jornalistas tropicais.

E o monstro foi crescendo ao embalo de aplausos e panelas histéricas. Não havia sangue, prisões, vazamentos, sofrimentos, delações e condenações suficientes para saciar a gana dessa gente diferenciada que tem a certeza de serem a salvação desse país.

Dessa gente que reza de noite e sonega de dia. Que palestra sobre moralidade, família e bons costumes em suas instituições maçônicas e filantrópicas em um dia e, no outro, trai suas esposas e filhos.

Dessa gente que se vestiu verde e amarelo com panelinhas na mão dizendo que não aguentava mais trabalhar e pagar impostos para o governo, mas, na verdade, não engolia o fim da escravidão das empregadas domésticas proporcionado pelos governos Lula e Dilma.

Dessa gente que hostilizou médicos estrangeiros que vieram com a missão extraordinária de amenizar o sofrimento de mais de 50 milhões de pessoas que não conseguiam ser atendidas a contento, devido ao escandaloso déficit de saúde que temos com nosso povo.

Essa gente diferenciada, infelizmente, fez muita gente trabalhadora votar nesse lixo, nessa síntese de violência, fascismo, estupidez, burrice e ignorância que atende pelo nome de Jair Bolsonaro.

Não se trata aqui de passar o pano em esquemas de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato. Muito menos de defender a anulação completa dos processos em investigação. Não! Trata-se de expor seus erros, contradições, desvirtuamento e nocividade ao devido processo legal.

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Será que ninguém dessa gente diferenciada nunca se permitiu desconfiar de uma operação que deixa milhares de corruptos lacaios soltos e prende, sem provas, justamente o político mais popular do país que venceria as eleições (segundo todos os institutos de pesquisa)?

Nunca pareceram estranhos os vazamentos, a ausência de provas, os sucessivos erros e crimes processuais e a atípica agilidade processual no caso desse político, enquanto qualquer outro processo demoraria décadas para se concluir? Não, né? Eu sei que não.

A ausência de compreensão histórica e a cultura escravagista cegam essa gente diferenciada e a colocam em uma dimensão de superproteção, de achar que as violências e os abusos processuais só acontecem contra os pobres e contra os políticos do campo democrático popular.

Por isso que vocês continuam praticando preconceito, racismo e violência contra os pobres. Vocês são covardes, medíocres e capachos de uma ordem econômica cruel e assassina. Vocês são cúmplices e coautores do desmonte do país.

Vocês são bons para exigir autocrítica dos outros, mas jamais reconhecerão o equívoco gigantesco de terem engrossado o caldo do movimento mais irresponsável da história recente do país: o golpe em uma presidente eleita pela maioria do povo.

Vocês metralharam nossa jovem democracia, atearam fogo em nosso frágil estado de direito. Elegeram um sociopata presidente, que nomeou um vendilhão como super ministro da Justiça, treinado pela CIA para entregar nossas riquezas ao império.

Agora não tem mais como disfarçar. Não são mais teorias conspiratórias e convicções dos ”baderneiros” de esquerda, que gritam desesperadamente os escândalos da Lava Jato.

O conluio criminoso desses canalhas foi desmascarado, está em pratos limpos, está tudo lá, escrito, assinado, com suas inconfundíveis digitais criminosas.

Esses trânsfugas tocaram o terror no Brasil para evitarem a continuidade de um projeto de soberania nacional e nos enfiaram goela abaixo uma agenda ultraliberal, que saqueou o Pré-sal, destruiu nossos marcos legais de respeito aos trabalhadores, disparou o preço do gás, óleo e gasolina, aumentou o desemprego, quer saquear os fundos de pensão e destruir nossa seguridade social, e por fim, liberar todas os crimes e  tragédias ambientais possíveis e imagináveis.

Foi exatamente esse o papel de Moro, Dallagnol e cia.: destruir o que o povo e os trabalhadores construíram.

Pergunto a essa gente diferenciada quem é mais violento: o batedor de carteira que vocês prendem no tronco ou os vendilhões da Lava Jato? Quem causa mais dano ao país?

Só espero que essa gente diferenciada não encontre o jornalista Glenn Greenwald e o prenda pelado em um poste por ter roubado a falsa ilusão que carregavam em suas bolsas de luxo.

Nos encontramos nas ruas!

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24
Set19

Silvio Santos coloca meninas de 10 anos para desfilarem de maiô e exibirem o corpo na disputa das "pernas mais bonitas"

Talis Andrade

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247 - Um concurso promovido no programa do apresentador Silvio Santos, onde crianças de até 10 anos desfilam apenas de maiô e disputa "as pernas mais bonitas", tem gerado revolta dos internautas nas redes sociais. O dono do Baú está sendo acusando de incitação à sexualização das crianças pelos internautas. 

A #SilvioSantos já era um dos assuntos mais comentados na rede social Twitter. 

Veja algumas postagens: 

𝐦𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐥𝐮𝐢𝐳𝐚 🛸@_malump
 

mano vocês têm noção do quão NOJENTO isso é? meu corpo treme de raiva e de desespero, não é possível que há pessoas que deixam isso acontecer.

silvio santos, você me dá asco!

Vídeo incorporado
.@insiraumnick
 

O Programa Silvio Santos colocou crianças para desfilarem de maiô e competirem para ver quem tinha o corpo mais bonito. Além de expor as meninas e as colocar em risco de receberem comentários e ameaças de pedófilos, isso as estimula desde cedo a não aceitarem o seu corpo, +

Cute but will fight@gabibianco
 

Eu não tô acreditando que estamos em 2019 e o Silvio Santos está fazendo concurso de beleza com meninas usando maiô, e dizendo que as pessoas precisam votar em qual delas tem "colo, pernas e conjunto mais bonito".

Meninas de 9, 10 anos. De maiô, tendo seu corpo julgado.

BCharts@bchartsnet
 

Trazendo tudo que há de ruim na TV aberta, Silvio Santos perde qualquer noção ao promover concurso doentio que usa crianças para eleger "as pernas mais bonitas". Internação urgente neste senhor.

Vídeo incorporado

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12
Jul19

Deus, Farda, Família: galeria dos hipócritas

Talis Andrade

 

AUTO_jarbas religião fanatismo chacina Estados Un

 

Por Reginaldo Corrêa de Moraes

Glenn Greenwald ficou muito famoso desde junho deste ano de 2019. Todos sabemos a razão. Pouca gente o conhecia. Talvez ainda mal conheça, já que uma certa malta de psicopatas tenta construir uma “biografia paralela” do jornalista.

Para começar, antes de ser o repórter premiado e autor de numerosos livros de investigação, ele era advogado, com larga experiência em litígios. Não nasceu ontem.

Um de seus livros talvez tenha particular interesse para o leitor brasileiro, por conta das pimentas que fornece para que compreendamos a fauna que nos rodeia e, infelizmente, nos governa.

O livro é este: Great American Hypocrites: Toppling the Big Myths of Republican Politics (Crown Publishers, N. York. 2008)

A narrativa prima pelo foco e pelos detalhes, sobre os quais, evidentemente terei pouco espaço para falar. Localiza um paradoxo de lá deles, dos gringos, com evidentes analogias para nós, os tupiniquins. Afinal, grandes hipócritas existem lá como cá. Não poderia ser diferente numa terra em que militar expulso por baderna e indisciplina enche a boca para falar das virtudes da caserna. Mas o livro de Greenwald pega no pé dos falsários do Partido Republicano do nosso Grande Irmão do Norte. Não porque não os haja entre aqueles do partido democrata, mas, sim, porque o PR, sobretudo nas últimas décadas, vestiu de modo espalhafatoso a fantasia do comportamento exemplar.

A síntese do livro-reportagem poderia ser esta:

"Nas últimas três décadas, a política americana tem sido impulsionada por uma anomalia bizarra. As pesquisas mostram continuamente que em quase todas as questões, os americanos preferem amplamente as políticas do Partido Democrata frente aquelas do Partido Republicano. Ainda assim, durante esse tempo, os republicanos ganharam a maioria das eleições. Este livro examina como e por que isso aconteceu".

A vantagem republicana depende de vários fatores, mas o livro destaca uma como primordial. Os picaretas republicanos forjam e difundem com incomparável habilidade uns mitos e imagens que os fazem parecer sempre seres superiores aos demais: corajosos, fortes, de ilibada moralidade familiar, honestos, empreendedores, gestores ímpares. Além de tudo, parecem gente “simples”, patriotas e heróis de Guerra, promotores da restrição fiscal e da defesa do indivíduo contra a ingerência governamental.

Os democratas, em contraposição, são sempre retratados como tipos afeminados, fracos, displicentes, imorais, esbanjadores. De vez em quando alguém escapava. Hillary Clinton, por exemplo, era pintada como a macha-castradora, gelada e dominadora.

Não importa que juízo façamos de Hillary, é constrangedor que seja assim retratada por republicanos como o radialista Rush Limbaugh: “onde estão os homens de verdade do Partido Democrata? Hillary Clinton é um deles, mas onde estão os outros?”.

O próprio Limbaugh é um impostor rematado, cuja vida não bate com a imagem. Entre outras tantas baixarias, basta lembrar o modo como se livrou do recrutamento militar, nas tantas vezes em que os americanos se envolveram invadindo outros países. Primeiro tentou inventar que era estudante de faculdade. Deu ruim – a junta militar ficou sabendo ele havia abandonado a escola. Daí ele achou um atestado médico maroto, dizendo que ele tinha um quisto... no ânus. A junta abriu mão de verificar a existência do caroço incômodo. Dá para ver...

Essa é prática usual dos cínicos retratados. Pintam os adversários como anormais para fazer pose de durões exemplares. Quando você olha para a vida real... encontra casamentos e divórcios em série, aventuras variadas no quesito camas, enfim, vidas pouco tradicionais e pouco “cristãs”. Isso vale para sacripantas de várias profissões. Radialistas como Limbaugh ou Bill O’Reilly, políticos profissionais como Ralph Giuliani e Newt Gingrich – figuras que mostram em seu currículo inegáveis aptidões para gerenciar prostíbulos, cassinos ou bancas do jogo de bicho.

Mas voltemos ao argumento do livro. Ele começa por um ícone dessa tribo. Nosso também muito conhecido John Wayne, o macho dos machos, reto dos retos.

Wayne do filme é um, na vida é outro, muito diferente. No filme, o cowboy macho, o herói de guerra, o patriota do pedaço.

Na vida real, o cara chegado ao copo de destilados fortes e que fez de tudo para escapar da convocação militar – ele preferia que outros morressem na guerra que ele convocava. Outros atores de sua geração foram para a guerra contra o nazismo – William Holden, James Stewart, Clark Gable, Tyrone Power, Henry Fonda.

James Stewart tinha 33 anos quando aconteceu Pearl Harbor, alistou-se e participou de nada menos que vinte missões de combate. Wayne alegou estar fora da idade (tinha 34). Depois disse que precisava cuidar de seus três filhos. Por fim, disse que prestava outros serviços – ganhava dinheiro fazendo filmes patrióticos. E encontrava tempo, claro, para pregar as virtudes da tradicional família americana e simultaneamente casar três vezes e rodar a baiana com muitas outras mulheres.

Repetindo a comparação. Clark Gable se alistou com 40. Henry Fonda tinha 37, três anos a mais que Wayne – e também tinha três filhos. Wayne, 32, tirou o corpo fora e animou os demais a entrar em combate. Em resumo, Wayne era, de fato, o retrato do herói de Guerra dos republicanos. Mais ou menos o Rambo-Stalone de sua geração.

Mas teria imitadores no mundo da política. Como George W. Bush e Dick Cheney. Mas uma referência especial cabe ao antigo líder republicano na Câmara de Deputados, o cristão conservador Newt Gingrich. Cristão conservador – esse termo virou escracho e não é apenas aqui, no Brasil. Gingrich é um exemplo acabado de santo do pau oco. Fez todas a que tinha direito. Arrancou assinatura da primeira mulher nos documentos de divorcio quando ela estava saindo de uma cirurgia de câncer. Naquele momento, já estava em outra, já engatara uns três relacionamentos paralelos. E entrou em vários lençóis e bancos traseiros de automóveis. Ou elevadores. Onde fosse possível. O cara era um azougue, insaciável. O dramático é que mesmo assim pretendia se estabelecer como fiscal da braguilha alheia, inclusive a do Clinton, com cujo impeachment sonhava, por conta do affair Monica Levinsky. Deitou, rolou, caiu no ostracismo e... voltou como mordomo de outro paladino da família cristã, Donald Trump. Trump e Gingrich, tudo a ver. Tudo pela moral, pela família e pela civilização cristã-ocidental. Amém, Deus seja louvado.

Assim é a galeria de hipócritas que o talento de Glenn retrata, lá no hemisfério norte. Talvez o repórter não soubesse que encontraria uma fauna similar quando se mudasse para o Brasil. Aqui, também há pastores que juram Deus e a Família na TV e nos púlpitos ao mesmo tempo em que pintam o sete nas quebradas e nos motéis. Que organizam cofres milagrosos e bíblias que expelem dólares. Ah, sim, alguns deles também juram a família no microfone do Congresso. Há políticos que conclamam marchas contra a corrupção enquanto engordam contas na Suíça. E há ex-militares que exaltam o poder educativo da farda e da guerra, mas apenas para os filhos dos outros.

Talvez precisemos da edição de um Great Brazilian Hypocrites. Ou talvez tenhamos uma prévia nas famosas filtragens do Telegram, a nova novela das oito, só que muito mais apimentada.
11
Abr19

"MORO DE SAIAS" TRE de Mato Grosso cassa mandato de senadora ex-juíza linha-dura, do PSL

Talis Andrade

selma arruda senadora casssada.jpg

 

ConJur - O Tribunal Regional de Mato Grosso cassou, por unanimidade, o mandato da senadora Selma Arruda, do PSL. No entendimento dos desembargadores, a senadora cometeu caixa dois e abuso de poder econômico por ter feito gastos eleitorais antes do período permitido, por meio de um contrato simulado de empréstimo. A decisão é desta quarta-feira (10/4).

De acordo com os autos, quase 70% da campanha de Selma ao Senado foram financiados por dinheiro não contabilizado, levantado por meio do contrato simulado. Ainda no fim de 2017, antes do período de pré-campanha, ela fez um contrato de R$ 1,5 milhão com o candidato a suplente em sua chapa, Gilberto Possamai (PSL), mas usou o dinheiro em sua campanha.

O contrato não foi informado à Justiça Eleitoral. Para o relator, desembargador Pedro Sakamoto, autor do voto vencedor, ficou provado que o empréstimo, na verdade, foi doação eleitoral dissimulada, quase a compra na vaga de suplente.

Selma e Possamai foram declarados inelegíveis pelos próximos oito anos. O TRE-MT também enviou os autos ao Ministério Público para apurar indícios de falsidade ideológica no contrato de empréstimo.

O relator do processo apenas ficou vencido ao propor que o terceiro colocado nas eleições assumisse o lugar de Selma enquanto são convocadas novas eleições. Para ele, a cassação de Selma e de seu suplente fará com que Mato Grosso fique sub-representado no Senado até que outro senador seja eleito. Nisso, concordou com o autor da ação, Carlos Fávaro (PSD), o terceiro colocado, representado no caso pelos advogados José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, e Carlos Eduardo Frazão.

A defesa da senadora, feita pelos advogados Danny Fabrício Cabral Gomes e Narciso Fernandes, informa que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. "A jurisprudência é no sentido de que não se caracteriza o abuso de poder econômico o uso de recursos próprios na campanha antes do período eleitoral, como foi o caso", afirma Narciso Fernandes, que fez a sustentação oral nesta quarta.

Em nota divulgada nesta quarta, Selma se disse tranquila com seu mandato cassado. "A tranquilidade que tenho é com a consciência dos meus atos, a retidão que tive em toda a minha vida e que não seria diferente na minha campanha e trajetória política", diz a nota.

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Saias

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A decisão é simbólica. Selma Arruda é ex-juíza e, como magistrada, gostava de se chamar de "Moro de saias". Dura na aplicação da lei penal, se orgulhava de negar os pleitos das defesas e de falar de si como protagonista no combate à corrupção. Entre advogados, era conhecida por não soltar réus presos, nem mesmo depois de ordem do Supremo Tribunal Federal.

Como senadora, ela foi signatária do requerimento de instalação da CPI apelidada de "lava toga" pelos próprios proponentes. A intenção era pressionar o Supremo a se curvar diante das vontades dos justiceiros de primeira instância e de procuradores da República, especialmente os da "lava jato".

Mais recentemente, deu entrevistas para defender o impeachment do ministro Gilmar Mendes, pauta da ala reacionária do Congresso, que conta com o coro dos apoiadores das demandas corporativas do chamado "Partido da Justiça". No entendimento dela, "certas pessoas precisam ser freadas". A birra de Selma com o ministro vem de Habeas Corpus concedidos por ele para mandar soltar investigados que ela pretendia usar em sua campanha ao Senado, já sob o apelido de "Moro de saias".

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Suspeita

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Ela ficou famosa no início dos anos 2000, quando ficou responsável por uma operação deflagrada para investigar corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso. Consta dos autos que ela ordenou à vara negar todos os pedidos da defesa do conselheiro Humberto Bosaipo de acesso aos autos. Ela condenou o conselheiro a 18 anos de prisão por peculato, mas a decisão depois foi anulada.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Marcos Machado, foi a favor de uma arguição de suspeição de Selma. Ele se baseou em declarações de uma ex-assessora da juíza, segundo as quais Selma usou o processo de Bosaipo para "promoção pessoal", pois já pretendia se candidatar.

Ela também ganhou os holofotes por insistir na prisão ilegal do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso José Riva. O ministro Gilmar Mendes concedeu dois Habeas Corpus a Riva, por não ver motivos para prisão preventiva, e ela desobedeceu os dois. Dias depois, se declarou incompetente depois que o Ministério Público apontou que deputados estaduais da ativa, com prerrogativa de foro no TJ, eram investigados.

Clique aqui para ler o relatório do processo
Clique aqui para ler o voto do relator

08
Jan19

Bolsonaro, religião e Estado laico: o que esperar do futuro governo

Talis Andrade

bolsonaro.jpg

 

 

por Débora Melo

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Bolsonaro tem sinalizado que o combate à discussão de gênero e sexualidade nas escolas será uma das prioridades de seu governo e da base aliada no Congresso Nacional. Ao criticar questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2018 sobre linguagem LGBT, o presidente eleito disse, no mesmo pronunciamento, que vai buscar para o Ministério da Educação "alguém que entenda que nós somos um País conservador".

Para Ivone Gebara, Bolsonaro representa uma ameaça ao Estado laico e os sinais desse risco foram emitidos antes mesmo do resultado da eleição. Ela cita como exemplo uma passagem bíblica à qual o então candidato recorria com frequência.

"Durante a campanha ele tomou uma palavra do Evangelho de João: 'Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Mas qual verdade? A verdade dele", diz. "Não há problema no fato de Bolsonaro ser cristão, mas as convicções pessoais não podem ser impostas ao Estado. O governo é uma parte do Estado, e o Estado brasileiro é maior que o governo brasileiro", afirma a teóloga.

Evangelho de João: 'Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Mas qual verdade? A verdade dele.Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga

Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga

 

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A proximidade do presidente eleito com empresários de conglomerados de comunicação ligados às igrejas também é vista com preocupação. Dono da Record e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo declarou apoio a Bolsonaro e ainda no primeiro turno tomou medidas que de certa forma beneficiaram a candidatura do capitão da reserva. Enquanto os demais candidatos se enfrentavam em debate na TV Globo, por exemplo, a Record exibia uma entrevista exclusiva com Bolsonaro.

Na avaliação de Helena Martins, professora do curso de publicidade da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do coletivo Intervozes, o cenário que se desenha é o de crescimento da presença de igrejas na mídia.

"Ele pode fazer isso distribuindo verbas publicitárias, beneficiando esses setores com concessões e autorizações e mesmo com práticas cotidianas de favorecimento, como entrevistas exclusivas", afirma Martins.

"A gente tem observado que, junto ao crescimento desses grupos na comunicação cresce também o discurso conservador, porque são veículos pautados pela agenda conservadora", diz. Ela afirma se preocupar com a possibilidade de que "uma plataforma extremamente importante para a difusão de ideias e informação que é a mídia seja dominada por um segmento conservador que não está aberto à circulação de opiniões diferentes". "Podemos ter um cenário cada vez mais fechado e menos plural de comunicação." Transcrevi trechos. Leia mais

23
Out17

Candidatos a presidente prometem fechar as praias de nudismo

Talis Andrade

Os partidos conservadores e igrejas evangélicas pretendem lançar a campanha "Direito da mulher ser recatada e do lar",  para combater a nudez no Brasil em todas as frentes: nas artes, nos meios de comunicação de massa, nas escolas (o uniforme sexy mini saia das estudantes), nas praias com a proibição do topless, nas igrejas (vestuário das mulheres e o erotismo de alguns santos e santas do catolicismo. De São Sebastião um nudismo feminino apreciado pelos homossexuais. De Santa Madalena os seios de fora), nos hospitais, pela falta de respeito com as parturientes praticamente despidas. Inclusive foi condenada a capa desta semana da revista Time.

 

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O movimento, inspirado na primeira dama Marcela Temer, conta com o apoio dos candidatos a presidente Jair Bolsonaro da bancada da bala na Câmara dos Deputados, prefeito João Dória ("Apaguei das ruas de São Paulo todas as pichações com mulheres nuas"), Edir Macedo dono da Igreja Universal do Reino de Deus, que elegeu o sobrinho Marcelo Crivella prefeito do Rio de Janeiro, governador de São Paulo Geraldo Alckmin do conservadorismo católico da Opus Dei, apresentador e animador de TV Luciano Grostein Huck, ex-frequentador de praias internacionais que praticam o topless.   

 

Uma das primeiras medidas o fechamento das oitos praias oficiais de nudismo existentes no Brasil: na Paraíba, na Bahia, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Veja fotos,  da "pouca vergonha. Até crianças aparecem nuas para o voyeurismo dos pedófllos",  disse o vereador de São Paulo Fernando Silva Bispo, mais conhecido como Fernando Holiday, representando o MBL, Movimento Brasil Livre. Para Holiday, eis o mapa da safadeza:

mapa do nudismo .jpeg

 

 

Existem centenas de praias clandestinas de nudismo, também chamadas de "paraíso", nomeação que o pastor, cantor e senador Magno Malta considera uma blasfêmia. Duas delas fáceis de ser encontradas:

 

 Praia Brava (em Cabo Frio, Rio de Janeiro)

Praia Brava (São Paulo)

 

Praia-Brava. SP.jpg

 

Jurubá (em Paraty, Rio de Janeiro)

 

O nudismo é praticado em pelo menos outras 300 praias, segundo o ex-presidente da Federação Brasileira de Naturismo, André Herdy.

 

Nas áreas oficiais há várias regras de comportamento e a nudez não é apenas permitida por lei, ela é obrigatória! Afinal, os frequentadores conquistaram a autorização do governo para andar pelados e aplicar as regras do naturismo nesses locais, catequiza Herdy.  

 

A FBrN possui 11 associações, 5 clubes, 2 entidades parceiras, totalizando 18 entidades filiadas, ora ameaçadas.

 

Contra o puritanismo que ameaça o Brasil, a FBrN apresenta uma seleta de teses e artigos aqui  .

 

 

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