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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Out21

Bolsonaro segue com seu projeto de morte

Talis Andrade

 

por jornal Vermelho

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disseminou nova fake news sobre os efeitos das vacinas anticovid-19. Na quinta-feira (21/10), o chefe do governo federal se baseou em inexistentes ‘relatórios oficiais’ do Reino Unido para dizer que pessoas totalmente imunizadas são mais vulneráveis à síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). 

A narrativa inverídica, citada pelo presidente enquanto dizia ler uma ‘notícia’, despertou a indignação de outras lideranças políticas brasileiras, segundo o Estado de Minas. Manuela D’Ávila, candidata a vice-presidente do Brasil em 2018, pelo PCdoB, classificou a postura de Bolsonaro como ‘nojenta’.

“Nojento! Acusado de cometer crimes contra humanidade, Bolsonaro segue com seu projeto de morte, espalhando a absurda fake news de que quem está tomando as 2 doses da vacina está adquirindo HIV/AIDS”, disse, no Twitter, neste sábado (23/10).

O boato compartilhado por Bolsonaro foi desmentido pelo governo britânico. Na quinta, durante a sua live semanal, quando mencionou a ‘matéria’ a respeito do tema, o presidente disse que não iria ler na íntegra o conteúdo do texto por medo de sofrer punições das redes sociais.

“Não vou ler para vocês aqui, porque posso ter problemas com a minha live. Não quero que ‘caia’ a live. Quero dar informações concretas”, apontou.

O estudo que credita ao Reino Unido a associação entre os imunizantes e o HIV é composto por dados fraudados. 

 

 

 

 


* Fonte: Estado de Minas/Correio Braziliense/Brasil 247/Blog de Miro

16
Out21

Arquiteto da tragédia

Talis Andrade

 

Capa da revista ISTOÉ 15/10/2021

Arquiteto da tragédia

A entrega do relatório final da CPI da Covid faz o País ajustar contas com sua história. Bolsonaro e 40 seguidores, incluindo ministros e auxiliares próximos, serão indiciados por delitos analisados e compilados por juristas. Para a efetiva punição, é necessário superar a blindagem institucional que ele conseguiu construir. Leia a reportagem Marcos Strecker e Ricardo Chapola

12
Mai21

Justiça proíbe governo de fazer propaganda sobre tratamento precoce

Talis Andrade

Tratamento precoce - Charge - Estado de Minas

 

A juíza ordenou, ainda, que quatro influenciadores publiquem mensagens de esclarecimento em suas redes sociais

por Migalhas

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Em decisão liminar, a juíza Federal Ana Lúcia Petri Betto, de SP, proibiu a Secom - Secretaria de Comunicação do governo Federal de patrocinar ações publicitárias, por qualquer meio que seja, que contenham referências, diretas ou indiretas, a medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, especialmente com expressões como "tratamento precoce" ou "kit covid".

Além disso, a magistrada determinou que influenciadores digitais que fizeram campanha para divulgar o "atendimento precoce" publiquem mensagens de esclarecimento em seus perfis oficiais, indicando que não endossam a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada.Charge do Zé Dassilva: o garoto-propaganda da cloroquina | NSC Total

Entenda

Trata-se de ação popular proposta em face da União e dos influenciadores Flavia Viana, João Zoli, Jessika Tayara e Pam Puertas, que publicaram em seus stories do Instagram uma campanha afirmando ser "importante que você procure imediatamente um médico e solicite um atendimento precoce" caso sinta sintomas de covid-19.

Os influenciadores receberam o equivalente a R$ 23 mil pela divulgação do material, o que configuraria, segundo a impetrante, mal uso do dinheiro público.

Segundo a autora da ação, a campanha faz parte de um amplo esforço para promover o negacionismo do vírus, oferecendo à população uma falsa segurança de retorno às atividades, com o abandono das medidas de isolamento social.

A União se defendeu afirmando que os influenciadores citaram "atendimento precoce" e que jamais patrocinou qualquer campanha publicitária que incentivasse o "tratamento precoce".Charge do Zé Dassilva: um santo remédio? | NSC Total

Análise do pedido

Ao avaliar o pedido de urgência, a juíza considerou que constou expressamente do briefing da campanha a menção a "cuidado precoce" como referência a "um informe que reúne tratamentos em estudo no mundo".

"A União argumenta que a campanha com os influenciadores visa, apenas, estimular as pessoas a buscarem atendimento médico, assim que desenvolverem os primeiros sintomas da Covid-19. Não resta claro, contudo, o intuito de, após ter procurado o médico, o paciente 'solicitar um atendimento precoce'."

Conforme afirmou a magistrada, não há clareza do motivo ensejador do emprego da aludida expressão na campanha.

"Mesmo que o intuito da campanha com os influenciadores não tenha sido a propagação do referido tratamento, como argumenta a União, a comunicação deve ser pautada pelas diretrizes da clareza e da transparência, a fim de transmitir, adequadamente, a mensagem aos destinatários, sobretudo no cenário devastador de agravamento da pandemia da Covid-19 e de disseminação das chamadas 'fake news'."

Para a juíza, levando em consideração o contexto em que a campanha foi veiculada, além da indiscutível similaridade entre as expressões "tratamento precoce" e "atendimento precoce", é forçoso concluir que, no mínimo, a ação publicitária com os influenciadores digitais tem o potencial de induzir em erro os destinatários da mensagem.

Leia a decisão.

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro e Pazuello tentam desmentir afirmações  sobre a cloroquina que já são públicas e notórias

22
Mar21

As Forças Armadas e o genocídio no Brasil

Talis Andrade

 

Por Jeferson Miola
O general-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva publicou artigo no Estadão [20/3] para tentar livrar a responsabilidade das Forças Armadas pela hecatombe que até o momento já causou o morticínio de quase 300 mil brasileiros/as e segue em descontrolada espiral.

Com informações fantasiosas e um relato ufanista e laudatório, o artigo já inicia com uma mentira no título: “Forças Armadas na Operação COVID-19, um ano salvando vidas”.

A realidade apresentada é um disparate absoluto. A começar pela omissão de que foi o general-ministro da morte Eduardo Pazuello quem comandou a irresponsável, desastrosa e criminosa gestão da pandemia.

E Pazuello é um general da ativa! Por isso, inevitavelmente vincula o Exército Brasileiro [EB] à responsabilidade pela terrível catástrofe que tornou o Brasil uma ameaça planetária. O general-paspalhão aboletou no ministério da saúde um destacamento militar que usurpou a memória técnica, a inteligência científica e a capacidade estratégica e operacional do SUS.

Azevedo e Silva enaltece a ação por terra, mar e ar das Forças Armadas [FFAA] – aviões da FAB transportando oxigênio, navios da Marinha levando vacina às comunidades ribeirinhas, soldados do EB apoiando vacinação de indígenas – como “pequenos exemplos do trabalho diário, constante e silencioso das Forças Armadas na Operação Covid-19” e do “engajamento decisivo dos nossos militares”.

Ele diz que “O planejamento foi de uma operação militar de guerra” [sic]. “Os números da Operação Covid-19 mostram o tamanho do esforço [sic]. São empregados, diariamente, cerca de 34 mil militares, efetivo maior que o da participação brasileira na 2ª Guerra Mundial”, afirma.

Capa da revista ISTOÉ 19/03/2021Conhecendo-se os resultados desastrosos deste “planejamento”, é de se supor que o despreparo e a incompetência para a defesa do Brasil em eventual guerra são de tal ordem que as FFAA brasileiras seriam derrotadas até para uma inexistente Marinha da vizinha Bolívia.

Como se o Brasil inteiro não estivesse enfrentando um colapso das dimensões de Manaus, o general-ministro relata que “os aviões da FAB já voaram o equivalente a 55 voltas ao mundo transportando oxigênio, respiradores, medicamentos, vacinas, equipes de saúde e pacientes”.

Mesmo o noticiário recente retratando a falta de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra de máscaras inadequadas e a preços superfaturados, o delirante texto cita uma suposta reconversão produtiva como outra dimensão do heroísmo militar: “Empresas responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos adaptaram suas linhas de produção. Equipamentos bélicos deram lugar a equipamentos de proteção individual e outros itens essenciais”.

Azevedo e Silva ainda destaca que as FFAA desenvolvem outras ações “enquanto transcorre a Operação Covid-19”. Como exemplo disso, e talvez tomado por algum surto delirante, ele cita a “operação de garantia da lei e da ordem ambiental na Amazônia […] com resultados expressivos na redução do desmatamento”.

Num esforço ineficaz de desvincular as FFAA da devastação do país e da hecatombe que o próprio governo militar está promovendo, o general-ministro da Defesa declara que “Há um ano, Marinha, Exército e Força Aérea correm contra o tempo e lutam, no limite das suas capacidades, para salvar e preservar vidas. E assim será enquanto se fizer necessário”.

Por mais que tentem, estes militares que conspiraram para voltar ao poder por meio de uma eleição ilegítima em que o principal concorrente foi alijado numa farsa burlesca, eles não conseguirão se livrar das responsabilidades que objetivamente ou subjetivamente assumem pelos crimes perpetrados contra o país e o povo brasileiro.

O artigo do general-ministro Fernando Azevedo e Silva parece uma tentativa desesperada dos militares que estão baratinados diante do esboroamento da situação e da aproximação do prazo de validade do regime.

É hora de baterem em retirada e voltarem aos quartéis – de onde, aliás, jamais deveriam ter saído para atuarem na política. Ao invés disso, contudo, eles esperneiam e ameaçam com a escalada ditatorial e medidas autoritárias típicas de Estado Policial.

Capa da revista Veja 19/03/2021

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12
Mar21

Notas sobre um julgamento: Lava Jato era pensada para influenciar na conjuntura

Talis Andrade

“Lula não foi submetido a um julgamento, mas a um simulacro de ação penal”

Ricardo Lewandowski – 09/03/2021

 

Por Tânia Maria Saraiva de Oliveira /Brasil de Fato.

No clássico Os Miseráveis, que tem belíssimas adaptações para o cinema, Victor Hugo conta uma história sobre a injustiça, a perseguição implacável de um agente do sistema, um policial determinado, contra um homem que furtou um pão.

Separado de nosso tempo por mais de um século e meio, o livro exibe características tão ou mais absurdas de injustiça vigentes até hoje dentro de vários sistemas de persecução penal, como aqui no Brasil.

Conquanto fosse completamente indiferente à ideia de justiça, o inspetor Javert, de Victor Hugo, personificava a lei e o Estado. Leis injustas e Estado opressor, postas ao sabor do poder estabelecido.

Mesmo assim, não adotava práticas desviantes. Todo o questionamento se dá em torno do autoritarismo da lei. O sistema judiciário francês do Século XIX reproduz a mesma discrepância de tratamento encontrada aqui e agora, onde a aplicação da norma varia de acordo com quem é o indivíduo na pirâmide social.

Os ícones da miséria parisiense também se encontram em nossa sociedade, com o acréscimo da seletividade no campo da criminalização da política.

A fatídica madrugada de 04 de março de 2016, em que, por ordem do então juiz Sérgio Moro, agentes da Polícia Federal entraram no apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo (SP), e o levaram coercitivamente para depor no aeroporto de Congonhas, sem nunca o ter intimado antes, deu início ao grande espetáculo midiático e à série quase infindável de práticas ilegais e arbitrárias da operação Lava Jato em relação a Lula.

Foram seis horas de depoimento para as mesmas perguntas que já lhe haviam sido feitas em três oportunidades anteriores.

No plano jurídico, como elementos centrais, o processo passou pela gravação e divulgação de um grampo ilegal envolvendo a então presidenta da República, Dilma Rousseff, no dia 16 daquele mesmo mês e ano; pela bizarra coletiva de imprensa dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, no dia 14 de setembro de 2016, para apresentação da denúncia em um Power Point cheio de convicções, mas nenhuma prova; e, por fim, pela confirmação da sentença que condenou Lula na 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e sua prisão, no dia 7 de abril de 2018, que durou 580 dias, até o dia 8 de novembro de 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a prisão de condenados após a segunda instância.

No plano político, cada etapa da operação Lava Jato era cuidadosamente pensada para influenciar na conjuntura. Toda a estratégia culminou com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e, certamente, não teria funcionado sem a cumplicidade dos grandes grupos empresariais da imprensa.

Moro e os procuradores da Lava Jato em Curitiba, sobretudo o coordenador Deltan Dallagnol, foram elevados à condição de heróis nacionais combatentes da corrupção.

continuidade do julgamento do Habeas Corpus 164.493, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), com os votos dos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski pelo reconhecimento da suspeição na condução da ação penal referente ao apartamento tríplex, apontando que Moro teve interesse político na condenação de Lula e atuou com o objetivo de inviabilizar sua participação na vida política nacional, aconteceu 27 meses após sua impetração, e foi precedida pela surpreendente e inusitada decisão do ministro Edson Fachin que, na véspera, havia reconhecido a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula, e anulado todos os processos julgados por Moro contra o ex-presidente.

Entre dezembro de 2018 e a última terça-feira, 9 de março de 2021, aconteceram coisas dignas de figurar em vários filmes policiais norte-americanos, não necessariamente de qualidade.

As divulgações de textos e vídeos de diálogos entre os membros da força-tarefa da Lava Jato e deles com Sérgio Moro, revelados pela ação de um hacker, mostraram que a coisa toda era substancialmente mais grave do que antes se supunha, e que todas as denúncias feitas pela defesa de Lula nos autos dos processos, incluindo a ação clandestina de agentes do FBI em território brasileiro, tratadas como “teoria da conspiração”, eram espantosamente reais.

A Lava Jato funcionou, em larga medida, como um roteiro para cinema comercial, que exige produção, distribuição e exibição, em uma proposta reducionista de apresentar servidores públicos, no suposto exercício de suas funções, dentro do maniqueísmo do bem contra o mal.

Personagens estereotipados em busca de justiçamento que lhes conferissem um lugar à frente dos holofotes. Vendiam uma versão da realidade incompleta e adulterada para provocar uma formação de opinião sensacionalista, em busca de promoção pessoal.

Quando ocorreu a revelação de que tudo se tratava de uma farsa, que os “mocinhos” da trama eram, na verdade, os “bandidos”, a primeira dificuldade foi separar a realidade da ficção.

As informações que eram divulgadas pela força-tarefa e pelo juiz Moro, e rapidamente aceitas como fatos, se mostraram parte do jogo para incriminar o ex-presidente Lula, assim como aquelas que foram insistentemente denunciadas, mas rejeitadas, estavam lá, em conversas e negociatas.

Tudo isso esteve em julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal na última terça-feira (9). O que os votos dos dois ministros demarcaram foi que práticas ilícitas podem se tornar disruptivas quando adotadas pelos representantes do poder público.

O enredo da Lava Jato nos permite refletir, também, sobre a realidade do sistema de justiça como um todo, tornando inexorável pensar que será preciso investir em um processo de reforma de nosso modelo, com controle social, com mudança na legislação e na estrutura, como forma de conter a reprodução de pseudo-heróis sem caráter, praticantes de uma justiça digna de um Estado totalitário.

Crítica: O Mecanismo, série Netflix, transforma Lava Jato em thriller |  Filme tropa de elite, Capas de filmes, Filmes e series online

25
Fev21

Temos que proteger a Erika, disse Deltan ao saber que delegada forjou depoimento

Talis Andrade

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Filme mentiroso sobre a Polícia Federal e Lava Jato de propaganga enganosa contra o ex-presidente Lula

 

MARMELADA DE BANANA

Por Tiago Angelo /ConJur

- - -

A defesa do ex-presidente Lula enviou nesta quarta-feira (24/2) novos diálogos entre procuradores do consórcio lavajatista em Curitiba ao Supremo Tribunal Federal. As conversas mostram que os integrantes do Ministério Público Federal no Paraná tentaram proteger uma delegada da Polícia Federal chamada Erika — provavelmente Erika Marena, que era a responsável pelos casos da "lava jato" — após ficarem sabendo que ela teria forjado e assinado um depoimento que nunca aconteceu. 

As mensagens sobre o episódio, apreendidas a partir de ação da Polícia Federal comandada pelo então ministro Sergio Moro, começaram a ser trocadas em 22 de janeiro de 2016. Na ocasião, o lobista Fernando Moura, responsável por delatar o ex-ministro José Dirceu, disse ao então juiz Sergio Moro que não reconhecia parte de seu depoimento. "Assinei isso? Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu tinha falado", afirmou Moura. 

"Caros, temos as gravações dos depoimentos de Fernando Moura na colaboração? Ele está se desdizendo aqui na audiência em pontos importantes", disse o procurador Roberson Pozzobon a colegas de MPF. A ConJur manteve abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens. 

Em seguida, a própria Erika explica o que aconteceu. Segundo ela, foi negociado com Moura e seu advogado que um depoimento seria entregue pronto. A delegada assinaria, embora não tivesse tomado as declarações.

"Ao que me lembre vocês negociaram o acordo com o Moura em um dia e combinaram de no outro o advogado trazer os termos prontos. No dia seguinte os advogados vieram na SR [Superintendência Regional] por parte da LJ ["lava jato"], então eles usaram meu nome no cabeçalho, mas não tomei e não participei de nenhum termo. Se ele está desdizendo, infelizmente não haverá gravações."

A imprensa acabou sabendo que Moura afirmou não se lembrar sobre o que constava no depoimento e a "lava jato" passou a ensaiar uma resposta. A ideia foi dizer que as declarações do lobista não foram gravadas, mas que o depoimento ainda seria analisado "em conjunto com as demais provas que instruem o feito".Delegada retratada em filme e série pode comandar Polícia Federal – Boletim  da Liberdade – Notícias sobre a liberdade atualizadas diariamente

Delegada retratada em filme e série pode comandar polícia militar (leia aqui)

Protegendo Erika


Em 25 de Janeiro, Dallagnol disse que o MPF deveria proteger Erika. "Adv e ele [Moura] têm que explicar, mas devemos proteger Erika. Se ela entendeu errado a orientação e agiu de boa-fé. Mas o advogado é evidentemente responsável. Eu acho que tínhamos que mostrar que a negativa [de que lembrava do depoimento] é irrelevante no contexto da prova. Isso deixaria sem sentido ou sem efeito a ideia de manipulação." 

O procurador José Robalinho Cavalcanti dá uma solução mais drástica. Diz que Moura deve ser preso. "E Fernando Moura voltou atrás da delação. Na frente do Moro desdisse tudo. Agora tem de ser exemplarmente punido — inclusive com prisão — ou o instituto sofrerá um abalo. Nada que os colegas da 'lava jato' não saibam muito melhor do que nós ou que não estivesse nos nossos cálculos. Com tantos delatores, era inevitável que alguém fraquejasse. Mas as defesas vão fazer um escarcéu", afirmou.

Erika Marena foi interpretada pela atriz Flávia Alessandra no filme-exaltação "Polícia Federal - A lei é para todos", que teve pré-estreia com Sergio Moro (veja aqui)

"Depoimentos terceirizados"


Os depoimentos combinados com advogados eram prática comum da "lava jato" e tinham até nomenclatura própria: "terceirização dos depoimentos", conforme dito pelo procurador Orlando Martello em parte dos diálogos. 

"Já dei pra ver q a terceirização dos depoimentos não funciona. Temos que, no mínimo, qdo o Adv já vem com os depoimentos, lê-lo, aprofundar e gravar de modo a ficar registrado o q ele diz. Temos q consertar isso. Os maiores culpados disso fomos nós. Disponho-me no meu retorno a ajudar no caso", disse Martello, ainda em referência ao caso envolvendo a delegada Erika.

Os procuradores também afirmaram que a tática de "terceirização" não aconteceu somente em um caso. "O mesmo ocorreu com padilha e outros. Temos q chamar esse pessoal aqui e reinquiri-los", prossegue Martello, em possível referência ao lobista Hamylton Padilha. 

Segundo a defesa de Lula, os procuradores "aludem nesse diálogo à 'terceirização de depoimentos', expressão utilizada para designar que teriam ocorrido perante autoridades, mas que, em realidade, não existiram". 

"Vale dizer, é possível aferir do material que muitos 'depoimentos' de delatores na 'lava jato' que levaram pessoas — inclusive o Reclamante — à prisão ou serviram para subsidiar conduções coercitivas, buscas e apreensões em residências, empresas e escritórios, dentre outros atos de extrema violência, possivelmente sequer existiram. Enquadram-se na categoria de 'depoimentos terceirizados' ou depoimentos que, embora tenham forma oficial, não foram coletados pela autoridade indicada", prosseguem os advogados do petista.

A defesa do ex-presidente Lula é feita por Cristiano ZaninValeska MartinsMaria de Lourdes Lopes e Eliakin Tatsuo.

 

Forjado


Conforme publicou a ConJur no último dia 22, no intuito de colaborar com a atuação da "lava jato", delegados da Polícia Federal forjaram e assinaram depoimentos que jamais ocorreram, tudo com a anuência dos procuradores de Curitiba. 

"Como expõe a Erika: ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada... Dá no mínimo uma falsidade... DPFs são facilmente expostos a problemas administrativos", afirmou Dallagnol. 

Orlando Martello Júnior demonstra preocupação com a possibilidade de esses problemas administrativos levarem ao descrédito da força-tarefa de Curitiba. Diz que "se deixarmos barato, vai banalizar".

Então propõe uma saída: "combinar com ela de ela nos provocar diante das notícias do jornal para reinquiri-lo ou algo parecido". "Podemos conversar com ela e ver qual estratégia ela prefere. Talvez até, diante da notícia, reinquiri-lo de tudo. Se não fizermos algo, cairemos em descrédito."

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13
Fev21

Ludmila, a juíza negacionista, segue impune?

Talis Andrade

Por Altamiro Borges 

No início de janeiro último, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma representação pedindo a abertura de processo administrativo contra a juíza Ludmila Lins Grilo por suas postagens irresponsáveis e negacionistas atacando as medidas de isolamento social em plena pandemia da Covid-19. Como anda o processo? O assunto simplesmente sumiu da mídia. 

A juíza da Vara Criminal e da Infância e Juventude de Unaí (MG) é uma seguidora fanática do filósofo de orifícios Olavo de Carvalho – guru do clã Bolsonaro. A denúncia enviada ao CNJ argumentou que a magistrada cometeu uma infração ético-disciplinar ao se manifestar contra as recomendações das autoridades sanitárias. 

"As pessoas que nela confiam por ser uma autoridade integrante do Poder Judiciário certamente serão influenciadas por sua irresponsável e inconsequente manifestação, que, de tão absurda, pode estar a configurar crime de apologia à infração de medida sanitária preventiva", alertou o pedido. 

Aluna aplicada de Olavo de CarvalhoResultado de imagem para ludmila lins grilo olavo de carvalho


Só para relembrar, a olavete utilizou seu perfil no Twitter para postar vídeo de uma rua repleta de pessoas em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, durante as festa de Ano Novo. No texto, ela elogiou a "cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão", contrapondo-se ao decreto de lockdown, e incluiu a hashtag "Aglomera Brasil". Em outra postagem, a negacionista difusora de fake news afirmou que o coronavírus “não resiste ao sol”. 

A revista Época revelou na ocasião que Ludmila Grilo "é aluna aplicada de Olavo de Carvalho. Além de ostentar livros do polemista em sua estante e ter recebido elogios de Olavo, ela já o visitou em sua casa, nos Estados Unidos, em 2018". A juíza é tão criminosa como as deputadas Bia Kicis e Carla Zambelli, do PSL, que também andaram elogiando a “rebeldia” de Búzios e Manaus – nesse caso, poucos dias antes das mortes por asfixia em decorrência da falta de oxigênio nos hospitais. 

Ao que tudo indica, nenhuma das três foi ou será punida. Seguirão impunes espalhando fake news contra a vida!

 

12
Fev21

Lava Jato: Uma história que ainda não terminou

Talis Andrade

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por Ricardo Mezavila

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Está no fim o maior espetáculo midiático e político da história, protagonizado pelo juiz Sérgio Moro e os procuradores da operação lava jato. 

Deu no New York Times“A lava jato se vendia como a maior operação anticorrupção do mundo, porém se tornou o maior escândalo judicial da história”. Em ação que defende a devolução dos direitos políticos de Lula.  

Por 4 votos a 1, a 2ª turma do STF assegurou à defesa do ex-presidente acesso a mensagens apuradas pela operação Spoofing que lhe digam respeito, e as que tenham relação com investigações e ações penais contra ele movidas na 13ª Vara Federal de Curitiba, ou em qualquer outra jurisdição, ainda que estrangeira. 

Muita coisa ainda vai rolar, a Lava jato fez parcerias influentes, Sérgio Moro ainda conta com o apoio da mídia corrupta e ainda tem a ação de Atibaia, aquela em que a juíza copiou e colou da ação do tríplex. Talvez o Supremo mantenha essa acusação e Lula não tenha de volta os seus direitos.  

Não vou comentar essas questões de ordem, vou partir para a provocação. 

Desde que a operação lava jato começou, vem recebendo muitas críticas pelo seu modus operandi, o estrelismo de seus agentes e o excesso de holofotes sobre a Petrobrás.

Com a divulgação da orgia jurídica praticada por Moro e os golden boys de Curitiba, todas as críticas contra a operação passam a fazer sentido. 

Como irão reagir aqueles com quem discutimos, os nossos desafetos, que deixaram de nos cumprimentar por conta das nossas ‘injúrias’ contra o herói do Brasil? 

Certa vez ouvi de um colega que “no futuro quando procurarem pela palavra coragem nos dicionários vão encontrar o nome de Sérgio Moro”.

Cadê você, companheiro?Resultado de imagem para revista veja moro salvou o ano

Cadê aquela revista da Veja com a foto de Moro na capa com os dizeres: “Ele salvou o ano”, e as outras milhares de capas com o juiz vestido de super-homem? 

Quando esse juiz começar a trabalhar não vai ter mais corrupção no Brasil” – ouvi muito isso.Resultado de imagem para o mecanismo poster

Como fica a série O Mecanismo, dirigida por José Padilha, que tratava das suspeitas de corrupção nas estatais, que se vendia como baseada em fatos reais. 

E o filme Polícia Federal – A Lei é para todos, que tentou destruir Lula com as imagens da condução coercitiva, em uma interpretação cafajeste e pusilânime do velhaco Ary Fontoura?Resultado de imagem para filme a lei é para todos netflix

Você vão ter que se explicar com a história! 

Aproveito para lembrar e dar um Viva a todos que estiveram no Acampamento Marisa Letícia, a todos que viajaram para dar um simples “Bom dia, presidente Lula”.  

Guardo com carinho um cartão que recebi do Instituto Lula, pelo envio do meu livro de crônicas ao ex-presidente na Superintendência da PF em Curitiba. 

Esse espírito de união deve prevalecer agora que a verdade entrou em cena. 

E quem diria que no tempo das máscaras obrigatórias, a de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol estão com as deles derretendo. 

29
Jan21

Sob direção de jornalista brasileira, Rede de Checadores de fatos é indicada ao Nobel da Paz

Talis Andrade

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A Rede Internacional de Checagem de Fatos, que tem como diretora a jornalista brasileira Cristina Tardáguila, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. A entidade reúne 79 agências de checagem de notícias em 51 países, distribuídos pelos cinco continentes.

Portal Imprensa - A indicação foi feita pela deputada norueguesa Trine Skei Grande, ex-ministra da Educação e da Cultura em seu país, e o resultado com os cinco finalistas será divulgado em março.

Uma das iniciativas que levou a IFCN (sigla em inglês) à importante indicação foi a CoronaVirusFacts Alliance, criada para combater a desinformação sobre a pandemia de covid-19. O trabalho reúne 99 organizações de 77 países e 43 idiomas, e rendeu um banco de dados com mais de 10.300 verificações.

“Com toda essa diversidade, o projeto conseguiu alcançar um consenso para produzir checagens sobre a crise sanitária. Toda a produção dessas equipes foi organizada em uma planilha compartilhada, traduzida e republicada por outros membros”, explica Tardáguila.

A CoronaVirusFacts Alliance foi eleita, entre mais de 180 concorrentes, pelo Paris Peace Forum - maior evento mundial de economia criativa - como um dos dez projetos a serem monitorados ao longo de 2021.

Para Tardáguila, a nomeação, além de uma grata surpresa, representa um suporte aos fact-checkers. “Nosso trabalho está sob forte tensão, coibido por ameaças, bloqueios, difamação, ódio puro e duro mesmo. É um alento que a comunidade internacional apoie os profissionais de países como Filipinas, onde Maria Ressa foi detida de forma arbitrária, México, em que o presidente descredibiliza veículos como o Animal Político, e o próprio Brasil”, disse em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Para a diretora-executiva e cofundadora da agência de checagem Aos Fatos, Tai Nalon, a indicação mostra que há autoridades atentas à importância do trabalho da IFCN, apesar de todos os ataques recebidos por alguns governos: “Há jornalistas checadores em todo o canto do mundo sob ameaça constante de governos e poderes constituídos por simplesmente indicarem o que é fato. Essa indicação demonstra a gravidade da situação”.

Daniel Bramatti, editor do Estadão Verifica, considerou que em uma crise como a pandemia o valor da boa informação fica evidente. “Não tenho dúvidas de que o bom jornalismo e a checagem de fatos ajudaram a salvar vidas e a evitar uma disseminação ainda maior do vírus. O lado triste é que muitas vezes nosso trabalho é menos amplificado do que as mentiras. O jornalismo enfrenta seu maior desafio em décadas com equipes reduzidas e sob ataque de grupos politicamente motivados. Qualquer manifestação de apoio é muito necessária e bem-vinda.”

 

Nobel da Paz

 

A cerimônia de premiação é realizada todos os anos em dezembro. Já foram laureadas figuras históricas como Martin Luther King, Nelson Mandela, Malala Yousafzai, além de entidades como Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

 

Como fazer parte da IFCN

 

Qualquer organização noticiosa que tenha um braço de fact-checking pode pleitear uma filiação à Rede Internacional de Checagem de Fatos. A empresa deve mostrar que existe e tem um site ativo. Em seguida, a IFCN escolhe um especialista em comunicação no país de origem da organização para analisá-la, como assessor independente.

O próximo estágio é cumprir os princípios éticos da rede: transparência de financiamento, metodologia e fontes, política de correção pública efetiva e apartidarismo.

A avaliação final é feita pelo conselho da IFCN, composto por 11 checadores experientes. Todos têm acesso ao relatório e deliberam se a nova organização deve ou não fazer parte da rede.

Os membrostêm acesso a um kit de ferramentas não acessíveis financeiramente a redações menores, via de regra, e têm a oportunidade de aderirem a programas como o Third Party Fact-checking do Facebook, que pode gerar renda. A anuidade custa cerca de US$ 200.

25
Jan21

Publicidade enganosa da CNN: Brasil passa Índia proporcionalmente em doses da vacina da Covid-19 aplicadas

Talis Andrade

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Ana Satie, dando uma de propagandista do governo genocida de Bolsonaro e do ministério militar da Saúde, no final da notícia informa que a Índia, com 1 bilhão e 400 milhões de habitantes, já vacinou 1 milhão, 582 mil e 201 pessoas. O Brasil, apenas 604 mil e 374 sortudos. Confira a notícia com a manchete safada, enganosa. 

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