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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

07
Mar21

Psicanalistas: "Nossa moção é contra a ilusão do tratamento precoce"

Talis Andrade

Governo Bolsonaro: Deu a louca no governo | VEJA

 

"A vacinação em massa, até o momento, é o melhor instrumento para frear as mortes e combater de maneira eficaz a Covid-19"

 

Carta aos Brasileiros

Nós, psicanalistas da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro – SBPRJ, unimo-nos aos médicos do Rio de Janeiro e a todas as instituições científicas em repúdio ao descaso das autoridades diante da situação aterradora em que nos encontramos, com a perda diária de mais de 1000 vidas e histórias, provocando um trauma coletivo sem precedentes e um luto de difícil elaboração.

O desapreço que esta administração demonstra por seu povo, sua saúde e pela comunidade científica pode ser avaliado pelos milhares de mortos que contabilizamos e pelo lugar que ocupamos na estatística internacional na luta contra a pandemia.

Não estamos diante apenas de uma questão política. Estão em jogo o caráter e a ética de um governante que evidentemente não tem as condições mínimas para exercer o cargo. Precisamos lutar contra a “banalização do mal” que tomou conta de parte do Congresso, das instituições públicas e da sociedade brasileira.

Assistimos atônitos à militarização das instituições de Estado, aos frequentes discursos por parte do governo federal e de seus apoiadores/seguidores pautados na lógica da necropolítica e que propõem a ruptura da ordem democrática, assim como fazem ataques e ameaças às instituições e aos grupos sociais. São ataques à alteridade, à diferença, ao desejo e à cultura, conceitos imprescindíveis à humanidade e à Psicanálise.

A frase do ministro da Saúde, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, é assustadora porque nos remete à cegueira provocada pelas identificações claramente expostas por Freud em “Psicologia das Massas e Análise do Eu”.

Como psicanalistas, não podemos nos calar, desconsiderar ou negar que estamos diante de um contexto em que uma lâmina afiada paira sobre nossas cabeças, provocando angústia pior, ou equivalente, àquela proveniente da ameaça de morte pela pandemia, pois é insidiosa, silenciosa e caudatária de Tanatos, sufocando Eros.

Alguns setores da sociedade minimizam as consequências da pandemia nos campos social, da saúde, da política e da ética e nos perguntamos: a que preço, qual o preço do silêncio?

A vacinação em massa, até o momento, é o melhor instrumento para frear as mortes e combater de maneira eficaz a Covid-19.

Nossa moção é contra a ilusão do tratamento precoce. Pró-vacina já, uso de máscaras, distanciamento social, assistência à população em estado de vulnerabilidade, pela defesa da Democracia e da Constituição Federal.

Rio de Janeiro, 2 de março de 2021.

Conselho Diretor da SBPRJ – Biênio 2021-2022

1- Coletivo Psicanalistas Unidos pela Democracia – PUD
2- Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos – EBEP/Rio
3- Laço Analítico/Escola de Psicanálise
4- Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro – SPCRJ
5- Formação Freudiana
6- Instituto Cultural Freud
7 – Grupo Brasileiro de Pesquisas Sandor Ferenczi – GBPSF
8- Sociedade Portuguesa de Psicanálise – SPP
9-Escola de Psicanalise dos Fóruns do Campo Lacaniano- Brasil – EPFCL-BRASIL
10- Intersecção Psicanalítica do Brasil (IPB)
11- Associação Brasileira de Estudos e Pesquisa da Infância – SOBEPI
12- Sociedade Psicanalítica de Portugal – SPP
13- Corpo Freudiano – Escola de Psicanálise
14- Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro- CPRJ
15- Grupo Vincular de São Paulo

24
Abr20

Identifica-se muitas vezes com deuses, jesuses e napoleões

Talis Andrade

 

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III - Pandemia, presidência, psicanálise

Por Cezar Tridapalli

- - -

 

Em situações-limite, de tensão, restrição, de confronto com a castração, o neurótico pode sublimar, pode simbolizar, falar a respeito, lamentar, enlutar-se. O psicótico, por sua vez, pode apagar esse capítulo da vida e substituí-lo por outro, inventado. Entramos no território do delírio. Se o psicótico não consegue simbolizar uma realidade que se lhe apresenta, pode inventar outra para si. Se o não do pai não se inscreveu, ele pode inventar um Pai que lhe dê ordens, que fale em seus ouvidos – por isso identifica-se muitas vezes com figuras fálicas, potentes, como deuses, jesuses e napoleões.

Chegamos então à última das estruturas psíquicas descritas pela psicanálise: as perversões.

Repetindo para retomar a partir daí: o neurótico inscreveu o não e dá um jeito de contorná-lo. Não se pode matar, mas pode xingar, boicotar, dizer que tem vontade de esganar. Não se pode ter relações incestuosas com a mãe, mas há tantas outras mulheres no mundo. É proibido fazer muitas coisas que o neurótico não fará porque sabe que é proibido. Ele pode testar um ou outro limite – às vezes sob duros golpes de culpa –, mas se conterá em algum momento, desviará, fará outras coisas da vida, sublimará.

E o que faz o perverso? Em relação ao não, a psicanálise afirma que ele foi inscrito no sujeito, o não proibidor foi implantado e compreendido, como na neurose. Mas será renegado, desafiado, muitas vezes cinicamente provocado. É como se o perverso dissesse, em tom de deboche: “ah, não se pode matar? Quem disse? Posso sim”, e vai lá e mata. “Oh, eu não posso fazer sexo com animais? Será que não mesmo?” E vai lá e faz. “Puxa, então quer dizer que estuprar é proibido? Não parece, porque eu estupro”. “Que feia que é a pedofilia, não? Um horror. Impossível? Pois para mim não é”. “Não se pode torturar, é proibido, é? Então veja isso”. “Quer dizer que não podemos sair de casa…?”. Enquanto o neurótico é sujeito do desejo, pois tem inscrito e respeita (às vezes como prisioneiro ou refém) o não, o perverso é sujeito do gozo, do tudo posso naquilo que me faz gozar. Serial Killers com estruturas perversas conseguem geralmente ser pegos por serviços de inteligência, pois são previsíveis em sua demanda por gozo mortal e irrefreável, inadiável, não dosado pela castração, que foi renegada.

Estou traduzindo um romance belíssimo, da escritora italiana Rossana Campo, chamado Onde Você Vai Encontrar um Outro Pai Como o Meu, e que deve sair esse ano pela editora Âyiné. Veja só esse trechinho inédito:

Várias vezes me vejo em cenas como essa, várias vezes tentei sentir de novo aquilo que eu sentia quando era menina. Ele promete que vamos fazer alguma coisa juntos, é domingo ou feriado de Páscoa ou Natal, eu estou contente, faço planos, imagino tudo que eu gostaria de fazer ou ver com ele. Na maior parte das vezes, porém, vamos parar num bar, dentro de uma espelunca mal iluminada, um dos tantos lugares que ele conhece, botequins espalhados pelo interior da Ligúria, com velhinhos dos vilarejos jogando baralho ou sinuca, com a bituca do cigarro entre os dentes, e aquele cheiro de boteco decadente, inconfundível, mistura de vinho, cerveja, mijo, suor e cigarro. Quando entramos, pelos olhares que recebo, entendo na hora o que pensam de nós: chegou o biruta com aquela pobre coitada que, quis o destino, teve um pai assim.

Porém, quando ele me leva pra passear pelos seus lugares, eu fico também curiosa, e o fato de estarmos em locais nos quais não deveríamos estar, de estarmos fazendo algo que todos dizem ser errado, que não se deve fazer, injeta em mim um senso de desafio, de alegria e de rebelião diante do mundo. Mas fico também inquieta quando as coisas começam a demorar muito, quando penso que mamãe está nos esperando em casa ou imagina que estamos em outro lugar, em algum jardinzinho respirando ar puro, brincando com outras crianças.

Ou seja, a personagem narradora experimenta fascínio diante da exploração do limite, força-o um pouco, mas tem algo que o pai não tem: o não inscrito e operante, que faz com que ela se preocupe e queira dar um basta no exagero do gozo, dosificando-o, querendo voltar para casa e acalmar a mãe.

Portanto, pensar apenas no gozo próprio, desconhecendo/foracluindo ou desdenhando/renegando a castração são posições ligadas às estruturas psicóticas e perversas, respectivamente.

***

Comecei falando de pandemia e de formas de nos suportarmos nesse evento extraordinário de nossas vidas: olhando para dentro, para os outros ao nosso lado, e para cima – para o Outro exteriorizado, seja ele um deus ou outra variação de governança e tutela. Cheguei ao presidente, cuja estrutura mental já foi diversas vezes questionada, não sem razão. Não condeno quem o chame de louco, psicopata, perverso, mas todos esses rótulos ganharam sua versão popular, de sentido mais amplo e difuso. Aproveitei a ocasião para tentar sistematizar – para mim mesmo, inclusive – termos psicanalíticos que tratam das nossas estruturas psíquicas.

Foi um passeio errante, peripatético. Numa redação escolar minha nota cairia muito nos critérios de sequência lógica e coesão. Espalhei-me, saí dos limites neuróticos, mas eis-me aqui, justificando-me, punindo-me, sofrendo de culpa e supondo olhares inquisidores.

Abraços feitos de palavras, obrigado a quem me seguiu à deriva nesse desraciocínio.

22
Abr20

Vamos falar de neuroses, psicoses e perversões?

Talis Andrade

Crédito da imagem: Sensacionalista.

II - Pandemia, presidência, psicanálise

Por Cezar Tridapalli

- - -

 

Não são poucas as matérias de jornal e entrevistas que ligam o presidente à loucura, à psicose, ao narcisismo, à paranoia, ao delírio, à perversão.

Não serei eu a diagnosticá-lo, ninguém estaria em condições de fazê-lo, à exceção do analista ou do psiquiatra dele. Como duvido que o presidente faça análise ou tenha um psiquiatra, posso continuar dizendo que ninguém estaria em condições de dizer qual é seu quadro psíquico. E ainda: mesmo que ele estivesse em análise, o analista não viria a público alardear diagnósticos. Então, quanto a isso, paramos por aqui.

Mas podemos aproveitar a ocasião para esclarecer nomenclaturas.

A psicanálise, de onde saem termos como loucura, psicose, paranoia, delírio, perversão, aproxima-se da ciência por sua capacidade de produzir saber, de produzir um saber novo a respeito do sujeito, de perscrutar o senso-comum das historinhas contadas pela própria consciência, das versões que contamos de nossa vida e que nos parecem verdadeiras. A psicanálise revolve o discurso oficial que o indivíduo tem de si, o mito individual que construímos para contar a nossa história. Afinal, sem investigação, a Terra até parece mesmo plana. Sem explicação melhor, não parece má ideia achar que trovão é berro divino.

Porém, embora se aproxime da ciência, a psicanálise não é capaz de produzir experimentos que possam ser repetidos e validados para todos os sujeitos de modo uniforme. Aproxima-se da arte ao produzir questão no um a um, de sujeito a sujeito, dando substância à ideia de que nenhuma análise é igual a outra, e cada sujeito tem uma história que é só sua, irrepetível.

A psicanálise trabalha, no entanto, com três estruturas psíquicas: as neuroses, as psicoses, as perversões. Elas costumam ser usadas no plural justamente porque cada sujeito tem a sua neurose, ou a sua psicose, ou a sua perversão. E sobre elas já foram escritas milhões de páginas. É prepotência minha tentar explicá-las aqui. Mas vou tentar. Aos mais entendidos, peço que perdoem as generalizações, mas não os erros conceituais que porventura apareçam. Façam-me saber, corrijam-me.

Vamos então falar de neuroses, psicoses e perversões?

Nasceu um bebê! Esse bebê chora. Esse bebê apenas chora. Esse bebê só sabe chorar. O que ele quer? Perguntamos a ele e que resposta obtemos? Buá, bué. Não podemos deixá-lo chorando, está com frio, está com fome, está assustado, chora pelo estupor de ter sido desabituado, desabitado. Só não podemos ficar discutindo muito e deixá-lo lá, no abandono. Se ficar desamparado, ao contrário de muitos animais, ele morre. Nasceu um organismo ali, mas ainda não nasceu um sujeito, há apenas o infans lacaniano, pedacinho de carne sem bordas, cria do humano, vida nua. Fure-lhe a boca com um mamilo suculento, amamente-o, supra suas necessidades, lave-o, tire-lhe as viscosidades de nariz e olhos, limpe dobras e os orifícios todos, molde-o. Vista-o com os tiptops da tia, mas também com as palavras, para que se comece o banho de linguagem, das lalações às nomeações e às descrições e pareceres do mundo. O bebê vai gostar. Vai gostar tanto que não vai querer trocar isso por nada, afinal basta eu gritar que imediatamente encontro socorro e conforto, colo, leite, água morna, carinho e calor. Quem é esse Outro que cuida de mim, que não pode me ver gritar que já vem me satisfazer as necessidades que nem ao certo sei quais são? Se me dizem que é fome, acabo acreditando na fome, se me dizem que é sono, quem sabe seja mesmo, se me dizem que estou doente, quem sou eu para duvidar, se me chamam de manhoso, como rebater se ainda nem sei que sentido dar a esse significante?

Esse Outro que cuida de mim é minha mãe. Ou: é alguém a ocupar uma função materna. Mas eu não sei que ela é mãe, ela e eu somos a mesma massa indissociada, ela sou eu, eu sou ela, eula. Completamo-nos e meu único interesse é manter essa estabilidade. Choro, sou atendido com um gesto e um nome para o meu choro. Somos um, enfim. Identificamo-nos, preciso dessa identificação para saber – se não ainda quem sou – ao menos para saber que sou.

O bebê, depois de alguns meses, é colocado em frente a um espelho e, eureca de fraldas, age de um jeito diferente: sorri, estranha, olha para a imagem de si e do outro, descobre-se descolado, seu corpo desenha silhueta no espaço, a mãe abre sorriso ainda maior, o pai, satélite meio bobo, gira em torno. E o bebê descobre a mãe, ama a mãe, deseja ainda ser tudo para a mãe, pois ela se satisfaz com ele e ele com a ela, então fará o que puder para que a mãe jamais deixe de amá-lo, vai se perguntar o que essa aí quer de mim, vai se submeter às vontades dela para não perder amor.

Até que algo sai errado, bastou crescer um pouco. Agora chora e recebe em troca um “já vai”, “agora a mãe não pode”, “a mãe vai trabalhar”, e um olhar que não se volta exclusivamente para ele, mas olha através, mira outros olhos e horizontes, e – o horror, o horror! – deseja coisas além dele, ex-majestade!

Uma vida feita de sim ganha gesto e som novos: não. Um não a que Jacques Lacan chamou de “Não-do-pai”, “Nome-do-Pai” (o non e o nom du père). Dá-se esse nome a qualquer elemento que exerce a função de cindir mãe e bebê, que abre a bocarra da mãe – pronta para engolir o filho – e diz chega, há mais vida fora disso, você deseja outras coisas, você trabalha, você ama outro, você tem múltiplos horizontes de desejo.

Ao bebê, antes estável e satisfeito, resta a falta e o aprender a lidar com ela, resta sair andando, resta sair falando, resta sair em busca de alguma coisa que todos nós, hoje adultos, continuamos buscando, posto que somos sujeitos de desejo. Haverá sempre um não que nos interdita, que nos diz que não podemos tudo, que não sabemos tudo, que não podemos querer tudo, que precisamos adiar o gozo, que precisamos dosar o gozo, que gozamos apenas parcialmente em troca de convivência, em troca de contratos sociais, em troca de não repetirmos a experiência do pai da horda primitiva, do pai tirano que se valia da autoridade da força para gozar sem freios e que precisou ser morto pelos filhos, no mito efabulado por Freud. Tudo em troca de alguma segurança, de inserção no processo civilizatório, em que pese o mal-estar de precisarmos o tempo todo negociar o escoamento das pulsões, refrear libidos, recalcar afetos.

Segundo a psicanálise, esse não inscrito de modo indelével no sujeito cria nele uma estrutura neurótica. Neurótico é quem tem o não inscrito em si, é alguém que aceita a castração para poder, a partir dela, desejar, é alguém que sabe que para jogar o jogo do desejo é preciso demarcar o campinho, é quem construiu em torno de si bordeamentos e bordados capazes de, como paredes de uma casa, cercar o vazio, esse espaço que, sem paredes, se torna ilimitado, indissociável, indistinguível, território do vale-tudo.

Acabo de descrever o que a psicanálise costuma chamar de os Três tempos do Édipo: no primeiro, o bebê quer ser o falo da mãe, satisfazê-la integralmente, ser ele o objeto de sua satisfação, os dois são um, o mundo está fechado, não há vagas; no segundo tempo, surge a figura paterna com o não, você não terá tudo, não poderá tudo, sua mãe deseja além; no terceiro tempo, depois do choque do não, o pai ensina ao sujeito que ele não pode tudo, mas pode muita coisa. Que seja desejo.

(Parênteses necessários: a estrutura neurótica passa por esses três tempos. Não há, no entanto, estrutura considerada “melhor” ou mais “normal”, como muitas vezes o senso-comem costuma repetir. A neurose também desencadeia patologias, sofrimentos, como as histerias, as obsessões e as fobias).

Em muitos casos, devido a uma série de contingências, encontros e desencontros, esse não que marcará a estrutura neurótica deixa de se inscrever e o sujeito permanece como falo imaginário da mãe, não inscreve limites em torno do corpo, não tem em si a castração responsável pelo adiamento ou dosagem do gozo (vou traduzir aqui o gozo como um “faço tudo que eu quiser, não me importa a censura dos outros e do Outro”, que é algo, portanto, muito diverso do desejo). Essa ausência do não, psicanaliticamente chamada de “foraclusão do Nome-do-Pai”, retira a barreira entre o “até onde posso” e o “até onde não posso ir”. A foraclusão – termo que Lacan emprestou do Direito – do Nome-do-Pai caracteriza a estrutura psicótica. (Continua)

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