Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

12
Jan22

Ratinho é grampeado em meio a investigação de corrupção contra aliado Pozzobom

Talis Andrade

celso pozzobom.jpeg

O governador do Paraná foi pego em operação de escuta telefônica oferecendo ajuda a aliado investigado por corrupção, o ex-prefeito de Umuarama Celso Pozzobom

 

A família Pozzobom ficou conhecida no Brasil inteiro pelas sabedorias na Lava Jato. Agora parece um entendido em negócios de prefeitura. Lá em Umuarama.

Publica o portal 247: O governador Ratinho, do Paraná, foi pego em uma operação de escuta telefônica oferecendo ajuda a um político investigado por corrupção, o ex-prefeito de Umuarama Celso Pozzobom, informou a jornalista Amanda Audi no The Brazilian Report.www.brasil247.com -

Pozzobom é do PSC, antigo partido de Ratinho Jr. — que o deixou em 2016, mas que continua aliado ao seu governo no Paraná.

O ex-prefeito foi afastado da prefeitura em setembro do ano passado após decisão da Subprocuradoria Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público do Paraná. Ele disse a Ratinho Jr. que sabia que o governador estava “agitando as coisas” para ajudar em seu caso.

Segundo a jornalista, duas pessoas identificadas como secretários de Infraestrutura e Desenvolvimento do estado também são mencionadas na conversa, que ocorreu em 25 de outubro do ano passado.

O ex-prefeito é suspeito de desviar R$ 19 milhões em fundos municipais, supostamente usados ​​para construir uma casa de veraneio no interior do estado do Paraná. Por isso é investigado pelo Ministério Público.

“O processo de impeachment contra Pozzobom está paralisado devido à inação dos legisladores e várias decisões judiciais — que os investigadores suspeitam que possam estar ligadas ao governador Ratinho Jr. ‘agitando as coisas’ para ajudar seu aliado”, destaca a jornalista Amanda Audi.

O governo do estado do Paraná comentou esta história na manhã desta quarta-feira, dizendo que as conversas em questão constituíram “um telefonema habitual de um governador do estado para um prefeito suspenso”.

“Como republicano, cabe a [Ratinho Jr.] lidar com todos os prefeitos e ex-prefeitos do município paranaense. Além disso, é de conhecimento público o bom relacionamento entre o governador e o prefeito Celso Pozzobom, da mesma forma que o governador mantém relações cordiais com vários políticos do estado.”
 
[Bote cordial nisso!]
 
 
16
Out21

Religiosos protestam: Bolsonaro em Aparecida foi profanação

Talis Andrade

bolsonaro nossa snhora.jpeg

bolsonaro-aparecida..jpg

 

 

 

“Profanação do Santuário de Aparecida“

 

por Marcelo Auler, em seu Blog 

“Jair Bolsonaro, que gosta tanto de ostentar seu segundo nome, não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora!”

Documento assinado por mais de 400 padres e alguns bispos de diversas partes do país aponta como profanação ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP), o palco oferecido ao presidente Jair Messias Bolsonaro  no último dia 12, quando a igreja celebrou a Padroeira do Brasil.

 

São religiosos que participam dos grupos, formados através do Whatsapp, Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo. Juntos eles têm 470 membros, mas como alguns estão em ambos, calcula-se que totalizem 417 adesões ao documento “Profanação do Santuário de Aparecida“.

Na realidade o documento divulgado reflete o pensamento de um grupo bem maior de religiosos. Muitos, porém, por motivos diversos, continuam silenciosos. Alguns simplesmente por falta de oportunidade para se posicionarem publicamente, pois souberam deste texto após ele circular nas redes sociais. Outros não se manifestam por receio.

Há um debate entre os coordenadores do documento se devem ou não abri-lo a novas adesões. Receiam, porém, que leigos engajados na militância dos movimentos da igreja católica incluam seus nomes. Algo que preferem evitar para caracterizar a manifestação como típica de religiosos. Como não foram colhidas assinaturas, mas adesões, os coordenadores do movimento preferem não dar divulgação dos nomes dos religiosos que aderiram ao manifesto: “não temos autorização deles”, explicaram.

“Jair Bolsonaro não é de Deus!”

Os religiosos que aderiram ao texto reconhecem e elogiam a homilia feita por dom Orlando Brandes na missa da manhã. Na missa da tarde, na presença do presidente, a homilia foi feita por um padre que até se referiu ao sermão matinal do bispo, Dom Brandes, no seu serão, de forma dura e direta alertou em um recado claro ao presidente que ainda não tinha chegado a Aparecida:

A Partir desta fala do arcebispo, os religiosos destacam no documento que começou a circular na quinta-feira (14/10):

“Sua reflexão enche de esperança quem a ouve, sobretudo em um Brasil que ainda chora a morte de mais de seiscentos mil filhas e filhos por causa da má gestão de uma cruel pandemia; em um Brasil que sente a dor da fome, sobretudo das crianças cujo dia deveríamos estar comemorando; em um Brasil que sofre por ver milhões de famílias novamente empurradas para abaixo da linha da pobreza e obrigadas a sobreviver com uma sopa rala de ossos ou de carcaça de peixe; em um Brasil que vê suas matas arderem e seus povos originários serem encurralados em pequenos espaços de terra”.

Os religiosos, porém, não poupam críticas à abertura de espaço a Bolsonaro para participar da celebração religiosa no altar-mor da Basílica de Aparecida. Segundo eles, o presidente “usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião”. Eles afirmam:

Não, Jair Bolsonaro não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro não é de Deus!”

O documento coloca em dúvida o próprio catolicismo do presidente. Os religiosos lembram, por exemplo, que mesmo se dizendo católico, Bolsonaro aceitou ser batizado “nas águas do Rio Jordão por um pastor evangélico – líder de um partido político e que foi preso em uma operação anticorrupção”.

“Sua reflexão enche de esperança quem a ouve, sobretudo em um Brasil que ainda chora a morte de mais de seiscentos mil filhas e filhos por causa da má gestão de uma cruel pandemia; em um Brasil que sente a dor da fome, sobretudo das crianças cujo dia deveríamos estar comemorando; em um Brasil que sofre por ver milhões de famílias novamente empurradas para abaixo da linha da pobreza e obrigadas a sobreviver com uma sopa rala de ossos ou de carcaça de peixe; em um Brasil que vê suas matas arderem e seus povos originários serem encurralados em pequenos espaços de terra”.

Os religiosos, porém, não poupam críticas à abertura de espaço a Bolsonaro para participar da celebração religiosa no altar-mor da Basílica de Aparecida. Segundo eles, o presidente “usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião”. Eles afirmam:

Não, Jair Bolsonaro não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro não é de Deus!”

O documento coloca em dúvida o próprio catolicismo do presidente. Os religiosos lembram, por exemplo, que mesmo se dizendo católico, Bolsonaro aceitou ser batizado “nas águas do Rio Jordão por um pastor evangélico – líder de um partido político e que foi preso em uma operação anticorrupção”.

“Jair Bolsonaro profana a fé e vilipendia o Evangelho”

Trata-se de uma referência ao batismo que o então deputado federal se submeteu, em 2016, no Rio Jordão. Cerimônia realizada pelo pastor Everaldo Dias, da Assembléia de Deus, então presidente do PSC, na época mesmo partido de Bolsonaro, que hoje não está filiado a nenhuma legenda.Preso pela PF, Pastor Everaldo batizou Bolsonaro no Rio Jordão

Quatro anos depois, em agosto de 2020, o pastor foi preso pela Polícia Federal acusado de envolvimento no escândalo do desvio de verbas da saúde ocorrido no governo fluminense do então governador, o ex-juiz Wilson Witzel, que chegou ao poder com o apoio do mesmo partido.

O documento assinado pelos religiosos lembra ainda que o discurso do atual presidente choca-se com o que prega o Evangelho:

Jair Bolsonaro profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Concluindo, o texto diz: “Indignamo-nos com o apoio que autoridades eclesiásticas católicas ainda expressam a esse homem maldoso que não possui o menor respeito pela fé e por aquelas e aqueles que a professam.”

Em  Aparecida foi recebido com vaia de um grupo e aplausos de outro. Em entrevista à TV Aparecida, ele se disse católico e a mulher evangélica. Falou ainda que rezou para que o socialismo e o comunismo não cheguem no Brasil.As críticas dos religiosos ao espaço dado a Bolsonaro encontra eco também em parte da população que vaiou e se manifestou contrária ao presidente em Aparecida (Foto: redes sociais)

 

Abaixo a íntegra do texto divulgado dia 14 pelos Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo

“Profanação do Santuário de Aparecida”

“O que é de César a César, e o que é de Deus a Deus” (Mt 22,21)

Somamos nossa indignação à de muitas e muitos que professam a fé católica. A causa dessa indignação é a leitura e a oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida feitas pelo Sr. Jair Messias Bolsonaro, em uma missa vespertina no Santuário Nacional.

Horas antes ouvimos as palavras de Dom Orlando Brandes, Arcebispo Metropolitano de Aparecida: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada (…). Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção e pátria amada com fraternidade.” Sua reflexão enche de esperança quem a ouve, sobretudo em um Brasil que ainda chora a morte de mais de seiscentos mil filhas e filhos por causa da má gestão de uma cruel pandemia; em um Brasil que sente a dor da fome, sobretudo das crianças cujo dia deveríamos estar comemorando; em um Brasil que sofre por ver milhões de famílias novamente empurradas para abaixo da linha da pobreza e obrigadas a sobreviver com uma sopa rala de ossos ou de carcaça de peixe; em um Brasil que vê suas matas arderem e seus povos originários serem encurralados em pequenos espaços de terra.

Sim, as palavras de Dom Orlando Brandes reacendem a esperança! Contudo, o que aconteceu no Santuário Nacional momentos depois acende a indignação!

O Sr. Jair Bolsonaro, ainda Presidente da República, fez uma visita ao Santuário Nacional, participou da missa, leu a leitura do livro de Ester – um escândalo, porque o que menos ele demonstra querer é o bem de seu povo (Est 7,3) – e rezou em nome desse povo a consagração a Nossa Senhora Aparecida. Dizíamos um escândalo, mas, por tudo o que aconteceu, é melhor usar a palavra “profanação”.

Sim, o Sr. Jair Bolsonaro profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). E não pela primeira vez, basta relembrar sua ida a uma missa em Brasília durante a qual recebeu a Eucaristia.

Como alguém que se deixa batizar nas águas do Rio Jordão por um pastor evangélico – líder de um partido político e que foi preso em uma operação anticorrupção – ainda se diz “católico”? Ou bem assume um credo ou outro e não fique usando-os para seus mesquinhos fins. Como alguém pode bradar pelos princípios cristãos da “família tradicional”, uma vez que em sua vida pessoal não dá provas de que acredita verdadeiramente neles, como quando ainda era parlamentar e mantinha uma residência oficial na capital federal “para comer gente”? Como alguém consagra o povo brasileiro à Mãe Aparecida tendo manifestado inúmeras vezes descaso por esse mesmo povo, especialmente pelos povos originários, pelos afrodescendentes, pelas mulheres, pelas e pelos LGBTQIA+? Como alguém reza a consagração a Nossa Senhora Aparecida dizendo que poucos morreram durante a ditadura militar, elogiando o torturador Coronel Brilhante Ustra e pregando o uso de armas pela população? Como alguém recorre à proteção da Padroeira do Brasil quando desprotegeu a população toda negando a gravidade da violenta pandemia?

Jair Bolsonaro, que gosta tanto de ostentar seu segundo nome, não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora! Ele usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião. Não, Jair Bolsonaro não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro não é de Deus!

Indignamo-nos com sua participação na missa em Aparecida, com sua profanação do sagrado no templo e fora dele, porque quem despreza a vida profana o sagrado. Indignamo-nos com o apoio que autoridades eclesiásticas católicas ainda expressam a esse homem maldoso que não possui o menor respeito pela fé e por aquelas e aqueles que a professam. Indignamo-nos com seu profano gesto de dar a César o que é de Deus.

Padres da Caminhada & Padres Contra o Fascismo. (grifo do original)

 

 

 

 

02
Out21

Candidato a vereador arrasta e atropela advogada que participava do Fora Bolsonaro

Talis Andrade
Image
por Thiago Brasil
 
 
URGENTE!! Luciano Matias Soares (foto), o bolsominion que ATROPELOU e tentou matar uma pessoa na manifestação contra Bolsonaro em Recife tem sua prisão requerida pelo delegado! Ele foi candidato a vereador pelo PSC!! ELE ESTÁ FORAGIDO!! Ajude a encontrá-lo!

Motorista arrasta e atropela manifestante no centro do Recife

por Raíssa Ebrahim /MarcoZero

- - -

Um motorista dirigindo um Jeep Renegade preto (placas QYJ2E95), arrastou e depois atropelou uma manifestante do evento Fora Bolsonaro, no Centro do Recife, neste sábado (2). Após a finalização do ato, dezenas de manifestantes seguiram para o Armazém do Campo, espaço do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, próximo ao local de dispersão da manifestação. Nas proximidades, haveria, às 14h, o lançamento da Frente Popular de Luta por Moradia no Centro, na Ocupação Leonardo Cisneiros, no prédio do INSS.

Reunido, um grupo se organizou para bloquear o trânsito na avenida Martins de Barros, na altura da ponte Maurício de Nassau, para atravessar a via com segurança e continuar em direção ao local de lançamento da Frente. Nesse momento, o motorista estava com o carro em cima da faixa de pedestres e, segundo as testemunhas, revoltou-se porque queria passar. Uma discussão foi iniciada e ele empunhou uma arma contra o grupo, segundo relatos da Comissão de Advocacia Popular da OAB-PE. Algumas pessoas cercaram o veículo na tentativa de conter os ânimos. A confusão escalou e ele, então, avançou com o veículo para cima da vítima, que não teve tempo de sair.

Para se proteger, ela se agarrou ao capô do carro e conseguiu levantar as pernas para cima. O condutor arrastou a mulher por cerca de 100 metros e freou bruscamente. Foi quando ela caiu no chão e ele passou por cima com o Jeep, atropelando as pernas e machucando a cabeça dela, que bateu no chão. A ativista foi socorrida e levada a um hospital particular no Recife. O quadro dela é estável, ela está consciente e teve múltiplas fraturas, além da pancada forte na cabeça. O nome da vítima não será informado nesta reportagem para preservá-la.

Pouco depois, o grupo de advogados da comissão de Advocacia Popular da OAB, que presta assistência jurídica às manifestações Fora Bolsonaro, informou que o nome do motorista é Luciano Matias Soares, também proprietário de veículo. Ele consta no site oficial do TRE como candidato a vereador pelo Partido Social Cristão (PSC) em 2012, quando obteve apenas 419 votos. No registro de sua candidatura, porém, informou a data de nascimento de 10 de fevereiro de 1973, exatos dez anos a menos do que consta na documentação dos órgãos de trânsito. Após o atropelamento, ele se evadiu do local. O carro não tinha qualquer identificação política ou partidária.

Uma consulta da placa no site do Detran revela que carro está com o IPVA de 2021 atrasado e acumula quase R$ 3 mil em multas de ao menos oito infrações de trânsito. As multas são por transitar pela contramão, excesso de velocidade, avançar sinal vermelho, estacionar em local proibido, dirigir usando celular e transitar na faixa de ônibus.

Até às 16h15min, a equipe da Marco Zero fez ligações telefônicas e por whatsapp para 11 números de telefones disponibilizados pelas equipes de assessoria de imprensa tanto da Secretaria de Defesa Social quanto da Polícia Civil de Pernambuco. Nenhuma ligação foi atendida. Assim, foram enviados e-mails com o seguinte conteúdo:

“Estamos acompanhando o caso do atropelamento intencional na rua Martins de Barros, ocorrido pouco depois de meio deste sábado, ao final da manifestação Fora Bolsonaro. Gostaríamos de confirmar se o proprietário do veículos de placas QYJ2E9, Luciano Matias Soares, se apresentou à central de plantões e registrou boletim de ocorrência informando que a vítima se jogou no capô do seu carro? Por fim, gostaríamos de saber qual unidade da Polícia Civil ficará a cargo das investigações?”

31
Ago21

VICE-LÍDER DE BOLSONARO USA ESTRUTURA DA CÂMARA PARA APOIAR ACAMPAMENTO DO 7 DE SETEMBRO GOLPISTA EM BRASÍLIA

Talis Andrade

 

Ação de deputado federal de Rondônia indica apoio institucional do governo a manifestações que prometem ataques ao Supremo Tribunal Federal

 
 
 



A ASSESSORIA de um dos vice-líderes de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados deixou vazar num grupo de WhatsApp planos para a montagem de um acampamento de ruralistas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante os protestos marcados pela extrema direita para 7 de setembro. A mensagem confirma a intenção dos bolsonaristas de coagir ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF, e parlamentares em prol das pautas antidemocráticas do presidente.

Sigmar Rodrigues Nunes, assessor do deputado Lúcio Mosquini, do MDB de Rondônia, enviou na segunda-feira, 23 de agosto, uma mensagem a um grupo de servidores da Câmara explicando que o deputado pretendia instalar uma “tenda no canteiro central da Esplanada no dia 07 de setembro”. Nunes pedia, então, ajuda aos colegas para conseguir uma autorização para montar a estrutura. Ele foi orientado a procurar o Governo do Distrito Federal, o GDF.

16
Ago21

Presença nazista no Brasil cria raiz histórica para adesão à extrema direita, diz historiadora

Talis Andrade

nazismo partido bolsonaro_thiagolucas.jpg

 

por Fernanda Mena /Folha de S.Paulo /Grupo Prerrogativas 

 
 

Para Heloísa Starling, fato de o país ter sediado a maior filial do Partido Nazista fora da Alemanha gera apelo ideológico que reverbera até hoje

Ecos de um passado distante e pouco conhecido podem ajudar a explicar como o Brasil se tornou um dos expoentes de uma onda conservadora global que retoma ideologias totalitárias de extrema direita: o país foi sede da maior filial do Partido Nazista fora da Alemanha.

Presente em 83 países, sob o comando centralizado na Organização do Partido Nazista no Exterior, com sede em Berlim, a legenda se internacionalizou a partir do final dos anos 1930 e teve 29 mil membros fora da Alemanha de Adolf Hitler (1889-1945).

No Brasil, o partido se expandiu entre 1928 e 1938, sob a tolerância e até mesmo simpatia do presidente e depois ditador Getúlio Vargas (1882-1954).

O Partido Nazista teve presença em 17 estados brasileiros e chegou a manter 57 núcleos organizados que somavam quase 3.000 membros, como apontou pesquisa da historiadora Ana Maria Dietrich, professora associada da Universidade Federal do ABC.

 

Há registros de celebrações nazistas em espaços públicos, como estádios, praças e avenidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e no Recife. Na capital paulista, até o estádio do Canindé foi palco de eventos do partido de Hitler.

“O Partido Nazista teve expressão no Brasil, o que não quer dizer que o Brasil foi nazista, mas que existe uma raiz histórica, um passado sobre o qual é possível construir uma linguagem e um apelo ideológico”, avalia a historiadora Heloísa Starling, professora titular da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Ela relaciona a história do nazismo no Brasil a um imaginário reacionário brasileiro cada vez mais evidente nos dias atuais. “É impressionante que nós não conheçamos essa história.” Para Starling, é preciso entender os movimentos extremistas de hoje a partir do repertório que eles estão mobilizando.

“Quando você volta para os anos 1930, encontra a raiz de uma mitificação, de uma utopia muito reacionária”, afirma ela, autora de livros como “República e Democracia: Impasses do Brasil contemporâneo” (Editora UFMG) e “Brasil, Uma Biografia” (Companhia das Letras), este último em parceria com a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz.

Starling prepara um livro sobre o imaginário reacionário no Brasil, que hoje encontra sua expressão mais radical na retórica inflamada e sectária do presidente Jair Bolsonaro, cuja trajetória e governo já flertaram com elementos e referências nazistas.

“Por que uma fatia relevante da sociedade brasileira continua a apoiar esse presidente?”, questiona Starling. “Uma parte da resposta pode vir desse passado, cujos ingredientes totalitários fluem debaixo da sociedade democrática e parecem ter sido destampados nos anos recentes.”

Starling aponta que o Brasil foi constituído a partir do colonialismo e da escravidão, sendo, portanto, de base “violenta, racista e autoritária”, e cita o rompimento daquilo que o político e abolicionista Joaquim Nabuco chamou de “epiderme civilizatória” da sociedade brasileira.

Segundo a historiadora, “o imaginário reacionário evoca um lugar seguro e serve de liga ideológica para coisas como o anticomunismo delirante e o nacionalismo xenófobo, além de ser capaz de nazificar novos grupos sociais, como o antinordestino, o racista e o homofóbico”.

“Conhecer essa história nos ajuda a entender e a enfrentar o problema da degradação da ordem política do Brasil de hoje a partir de uma mobilização efetiva em defesa da democracia e da liberdade.”

Foi Ana Maria Dietrich quem revelou o sucesso do partido de Hitler por aqui e sua adaptação ao país na tese “Nazismo tropical”, que aponta que o Partido Nazista no Brasil era restrito aos nacionais da Alemanha que haviam imigrado para cá. Os teuto-brasileiros, ou seja, filhos de alemães nascidos aqui, não eram aceitos por serem considerados de segunda categoria, menos puros.

Com isso, mesmo a contragosto do Terceiro Reich, esse contingente de centenas de milhares de descendentes de alemães, concentrados no Sul do Brasil, foram atraídos para a Ação Integralista Brasileira (AIB), influenciada tanto pelo fascismo italiano como pelo nazismo alemão.

aroeira intregalismo nazimos bolsonaro moro gudes.

 

Criada em 1932, a AIB se tornou o primeiro partido político de massa do país. Há registros fotográficos que mostram as sedes dos nazistas e dos integralistas lado a lado.

Para Dietrich, a presença de partidários do nazismo na sociedade brasileira “tem repercussão porque seus integrantes na zona urbana trabalhavam em bancos e em firmas e, portanto, estavam em diálogo com a comunidade local”. Esse diálogo pode ter ajudado a naturalizar discursos e simbologias próprias dessa ideologia extremista.

Neta de um alemão que esteve nas fileiras nazistas nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, dos quais retornou quando todos pensavam que havia morrido e então se mudou com a família para o Brasil, Dietrich se debruçou os arquivos do Deops, no Brasil, e do Ministério das Relações Exteriores na Alemanha.

“Sinto imensa responsabilidade social por esse passado e, por isso, dediquei 20 anos da minha vida aos estudos desses arquivos”, explica.

Neles, descobriu que, mais do que a tolerância do governo brasileiro, o partido de Hitler contou com a simpatia interessada de Vargas, que estreitou laços comerciais com a Alemanha durante a vigência da legenda nazista no Brasil.

Vargas partilhava com Hitler da caça aos comunistas e criou sua polícia política à moda da Gestapo, a polícia secreta nazista, que chegou a treinar policiais aqui. Além disso, o governo brasileiro entregou presos políticos, como Olga Benário, ao Terceiro Reich, que a matou na câmara de gás de um campo de concentração.

“Essa aproximação entre Vargas e Hitler também fez com que a população brasileira da época visse com bons olhos um tipo de movimento totalitário”, afirma Dietrich.

Com a liberdade que tinham no Brasil, proliferaram aqui estruturas partidárias como a Juventude Hitlerista, a Associação das Mulheres Nazistas, a Frente de Trabalho Alemão e a Associação de Professores Nazistas. Quando o partido foi proibido pela ditadura varguista do Estado Novo, a instituição e suas estruturas caíram na clandestinidade.

Um dos aspectos da tropicalização do nazismo de que Dietrich trata é a mudança de alvo dos nazistas no Brasil, do antissemitismo para o racismo contra a comunidade negra e mestiça brasileira. “Brasileiros eram chamados de macacos, e o casamento mestiço era proibido. A miscigenação, para os nazistas, era sinal de degradação.”

Dietrich chama a atenção para o fato de a memória do nazismo estar muito viva na Alemanha, onde ela está presente na grade curricular e nas explicações dos monumentos históricos “para que, ao ser sempre lembrado, nunca mais aconteça”.

“Aqui no Brasil não houve uma transição democrática nem há uma memória desse passado. E as comunidades que entraram em contato com o nazismo ainda têm um olhar de exaltação que você não encontra na Alemanha, onde quem exalta nazistas é execrado”, avalia.


FLERTES DO BOLSONARISMO COM O NAZISMO E GRUPOS NEONAZISTAS

jefferson nazismo.jpg

 

Bolsonaro defende alunos que elogiaram Hitler
Em janeiro de 1998, o então deputado Jair Bolsonaro defendeu alunos do Colégio Militar de Porto Alegre que escolheram Hitler como o personagem histórico que mais admiravam. Em seu discurso, Bolsonaro disse que os estudantes escolheram o líder nazista porque ele soube “de uma forma ou de outra” impor ordem e disciplina. Ao final, disse não concordar com as atrocidades cometidas por Hitler

Sites neonazistas exibem banner de Bolsonaro
Em 2004, três sites neonazistas fizeram propaganda de Bolsonaro com banners que levavam diretamente para a página do político na internet. O registro estava nos arquivos da antropóloga Adriana Dias, que pesquisa células neonazistas no Brasil, e foi revelado no mês passado, quando a doutora pela Unicamp encontrou uma carta de Bolsonaro publicada em site neonazistaCharges | Brasil 247

Foto ao lado de “sósia” de Hitler
Em 2015, Bolsonaro foi fotografado ao lado de Marco Antônio Santos, que estava vestido como Hitler, após audiência pública na Câmara Municipal do Rio de Janeiro na qual o “sósia” do ditador nazista foi impedido de falar. Santos depois se candidatou a vereador pelo PSC, que era então o mesmo partido de Bolsonaro

Slogan da campanha presidencial imita brado nazista
A campanha de Bolsonaro à Presidência em 2018 elegeu como slogan o lema de um grupo de militares paraquedistas identificado como Centelha Nativista, de cunho nacionalista e anticomunista. “Brasil acima de tudo”, que remete ao brado nazista “Deutschland über alles”, ou “Alemanha acima de tudo”

Secretário de Cultura imita ministro da Propaganda nazista
Em um vídeo de janeiro de 2020 ao som de ópera de Richard Wagner, compositor favorito de Hitler, o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, parafraseou trecho de um discurso de 1933 do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels. Sob pressão, inclusive da embaixada de Israel no Brasil, o secretário foi exonerado

Secom usa termo que remete a lema nazista
Em maio de 2020, para divulgar ações do governo na pandemia, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência usou numa postagem no Twitter frase que remete a um lema associado ao nazismo: “o trabalho liberta” (“Arbeit macht frei”, em alemão). A frase estava escrita nas fachadas de diversos campos de concentração

Em julho de 2021, Bolsonaro recebeu a deputada ultradireitista alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido populista AfD (Alternativa para a Alemanha), fora da agenda, no Palácio do Planalto. Beatrix é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças na Alemanha nazista. Investigada por disseminar ódio contra muçulmanos, a congressista alemã também se encontrou com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF)​

kleber bolsonaro nazismo esquerda.jpg

 

06
Jun21

Os crimes de guerra e a Lei Wilson Lima

Talis Andrade

 

por José Ribamar Bessa Freire /Taqui Pra Ti

- - -

Ao presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira

Saudações!

Escrevo essa carta, mas não repare os senões, como canta Waldick Soriano. Essa abertura vai também em ‘latinorum’ para ser entendida pelos assessores jurídicos do Congresso Nacional: Salutationes, ad te epistulam scribo, sed maculam non observat, aequare Waldickus Sorianus cantat.

O objetivo dessa missiva é sugerir medidas para pôr fim à indústria do pixulé e acabar com um determinado tipo de corrupção no Brasil. Assim como temos a Lei Maria da Penha, a Lei Aldir Blanc, a Lei Rouanet, proponho que seja colocado em votação um projeto de lei (PL) que, se aprovado, ficará conhecido como Lei Wilson Lima (LWL), em homenagem ao ainda governador do Amazonas. Antes, porém, apresento a justificativa com base numa analogia com as atividades bélicas. 

Toda guerra é sempre uma manifestação de barbárie, de bestialidade humana, de incapacidade para resolver conflitos de forma civilizada. É a negação da civilização, “a coisa mais desprezível que existe”, segundo Einstein. Trata-se de uma “matança legal” cometida por estados nacionais com seus exércitos. Mas até mesmo qualquer guerra, que permite o que em tempo de paz é considerado um crime, prevê punição para atrocidades classificadas pelo direito internacional como “crimes de guerra”. Eles constam na lista aprovada em 1949 pela Convenção de Genebra: estuprar mulheres, torturar prisioneiros, usar gás venenoso, entre outros.

Crime consentido

 

Ocorre o mesmo com a corrupção que, junto com a política negacionista da vacina, é responsável por grande parte de quase meio milhão de mortos, e deve ser encarada como a guerra. Por isso, a Lei Wilson Lima (LWL) diferencia a “corrupção consentida” da “corrupção hedionda”.  A primeira equivale a matar soldados inimigos no campo de batalha. A segunda equivale ao “crime hediondo” de estupro ou de tortura.

Tal distinção se faz necessária, considerando a incapacidade do Poder Judiciário de coibir certos delitos previstos pela atual legislação, para os quais faz vista grossa, arquiva processos e deixa impunes os seus autores, o que desmoraliza os nossos tribunais. Trata-se, portanto, de descriminalizar certo tipo de corrupção, classificando-a como uma prática legítima e legal, que deve obedecer algumas normas estabelecidas pela Lei Wilson Lima.

Da mesma forma que em tempo de guerra é permitido matar, em tempo de corrupção, como o que vivemos, devem ser permitidos certos roubos, como a Rachadinha, que deixa de ser tipificada como crime e passa a ser consentida. Seus autores, que tanto lutaram pela impunidade, podem agora limpar a ficha.

O senador Flávio Rachadinha Bolsonaro, a Wal do Açai, candidata derrotada a vereadora em Angra dos Reis, e Fabricio Queiroz, já lançado candidato a deputado federal nas eleições do próximo ano, se dedicarão a atividades políticas sem necessidade de explicar a mixaria do depósito de R$ 89.000,00 na conta de Michelle Bolsonaro. Dessa forma, eles podem até nos dar lições de moral e bons costumes, com alto grau de conhecimento.

Senhor presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira, se aprovada a Lei Wilson Lima, muitos integrantes da base do governo não se mexerão ao ouvirem o general Heleno dizer: “Se gritar pega ladrão, não fica um do Centrão”. Embora o Centrão, liderado pelo senhor, tenha se especializado em assaltar os cofres públicos, não se trata de “crime de guerra” porque o dinheiro desviado não estava destinado à merenda escolar ou aos hospitais, o que configuraria um “crime hediondo” que, esse sim, deve ser punido, ainda mais em plena pandemia.

E aqui entra o ponto central da Lei Wilson Lima sacramentada pela Convenção de Itaituba. A Operação Sangria da Polícia Federal que investiga desvios de verbas da saúde do Amazonas, detectou compra superfaturada de respiradores em loja de vinhos com dispensa de licitação, além de mutretagem na construção do hospital de Campanha Nilton Lins, em Manaus, que devia ser usado para o combate à Covid-19. Isso quando amazonenses morriam sufocados por falta de oxigênio.

 

Crime hediondo

O ministro Francisco Falcão do Superior Tribunal de Justiça, na Cautelar Inominada Criminal nº 60 – seja lá o que isso signifique – decidiu decretar a prisão temporária, a expedição de mandados de busca e apreensão, bem como o deferimento de medida de afastamento de sigilo bancário, fiscal e telemático dos investigados. Ele diz que “são gravíssimos os delitos apurados neste inquérito, dentre eles, fraude e direcionamento de certames licitatórios, desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro em contexto de associação criminosa, perpetrados de forma sistêmica no âmbito do governo do Estado do Amazonas”.

As provas apontam o governador Wilson Lima como comandante do esquema de dispensa de licitação montado com data retroativa. Nascido em Santarém, locutor de rádio em Itaituba, repórter da TV Tapajós e jornalista em Manaus, antes de ser governador pelo Partido Social Cristão (PSC vixe vixe), esse aliado negacionista e cloroquinista de Jair Bolsonaro, foi entregue pelo Centrão às feras com o objetivo de desviar o foco da CPI do Palácio do Planalto para a periferia.Bolsonaro terá o apoio dos dois candidatos a governador no Amazonas,  isolando Haddad | Blog do Hiel Levy

Partido do Wilson Lima oficializou o... - No Amazonas é assim | Facebook

Agora, só resta a Wilson Lima, acusado de crime hediondo, usar os argumentos da mãe de Geddel Vieira Lima, quando a polícia encontrou malas e malas de dinheiro em seu apartamento:

– Meu filho não é bandido, ele é doente.

Assim, os corruptos que cometerem crime hediondo talvez escapem da Unidade Prisional de Puraquequara, alegando terem contraído a cleptomania epidêmica que se alastra pelo país.

A Lei Wilson Lima pode livrar os genocidas da cadeia, da mesma forma que a política anticiência, convencida da importância da liberdade, deu plena autonomia para o covid-19 circular pelo país. É simples assim: um manda e outros obedecem.

 

 
13
Mai21

O aumento das milícias expõe a ausência do Estado

Talis Andrade

terra mais garrida.jpg

 

 

Violência policial é histórica no Brasil

por José Dirceu

- - -

Em 6 de maio, ao ver as cenas da chacina de 28 jovens da comunidade de Jacarezinho pela Polícia Civil do Rio de Janeiro às ordens do governador Cláudio Castro (PSC), me veio à memória nossa longa e tenebrosa história de chacinas e suas origens num Brasil remoto e bem próximo a nós. No passado tínhamos os jagunços e os pistoleiros de aluguel, que sobrevivem até hoje alugando suas mãos e armas para assassinar líderes rurais e ambientalistas, sindicalistas e políticos.

Lembro aqui 3 líderes, vítimas de pistoleiros de aluguel em pleno vigor da vida e da militância: Margarida Alves, líder dos camponeses e trabalhadores rurais da Paraíba; Chico Mendes, destacado ambientalista e defensor da Amazônia; e Marielle Franco, vereadora do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), assassinada pelas milícias.

clovis milicia porteiro marielle Franco.jpg

Nosso Brasil escravocrata, quando ainda colônia, conviveu com as bandeiras e com os capitães do mato. Na República Velha e mesmo durante os anos da Constituição de 1946, o latifúndio impunha no campo sua lei e vontade pelas mãos de jagunços e pistoleiros de aluguel sob as vistas de uma Justiça cúmplice. Nada muito diferente dos dias de hoje, em que assassinatos de representantes dos trabalhadores rurais continuam impunes.

ESQUADRÕES DA MORTE

Também é preciso lembrar da prática da tortura como política de Estado e do assassinato de opositores no Estado Novo (1937-1945) e durante a longa Ditadura Militar (1964-1985). Nos porões da Operação Bandeirantes —financiada por empresários e organizada por policiais civis e militares das Forças Armadas, com pleno conhecimento de seus estados-maiores e dos presidentes militares de plantão—, surgiram facções criminosas que passaram a controlar o jogo do bicho e o tráfico de drogas. Essas facções muitas vezes usavam dinheiro e propriedade dos presos torturados ou assassinados para financiar suas atividades. Um exemplo dos expoentes dessa prática odiosa foi o capitão Guimarães, famoso no Rio de Janeiro e nos carnavais da Unidos de Viradouro.

Quando cheguei em São Paulo, em 1961, ainda bem jovem, era comum se ouvir sobre as práticas violentas e criminosas da polícia mineira e também sobre esquadrões da morte, grupos de extermínio que atuavam à sombra dos governos e da Justiça. O mais famoso era o comandado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, de São Paulo.

Esses esquadrões, além de assassinar “suspeitos” e desovar “presuntos”, vendiam proteção para comerciantes e ficavam com os despojos e bens dos assassinados ou extorquidos. Como é sabido, esses mesmos policiais civis e militares serviram depois à ditadura e se associaram aos Doi- Codi na repressão criminosa às oposições em geral, e não só aos guerrilheiros, como provam os covardes assassinatos do deputado Rubens Paiva e do jornalista Vladimir Herzog, entre tantos outros.

HERANÇA DOS PORÕES

As práticas criminosas que pareciam ter sido enterradas no processo de redemocratização do país começaram a ressurgir pela conivência de governantes com o crime organizado e a violência policial e pela falência das políticas públicas —não só a de segurança— nas grandes cidades brasileiras. O nome no século 21 dos que foram os esquadrões da morte que extorquiam e matavam é milícia. As milícias, que se espalham pelo país, de Belém a Porto Alegre, já controlam 27,7% dos bairros do Rio de Janeiro, onde vivem 2,178 milhões de pessoas, ou seja, 33,8% da população da cidade, segundo o relatório “Expansão das Milícias no Rio de Janeiro” (íntegra – 1 MB), de janeiro deste ano, produzido pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF) e Observatório das Metrópoles (Ippur/UFRJ).

Apresentadas por alguns governantes e muito especialmente pela família Bolsonaro como solução para combater o controle de territórios pelo tráfico organizado e trazer segurança à população, as milícias não passam de bandos de criminosos. A pretexto de vender proteção às famílias e empresas, essas organizações, compostas geralmente por ex-policiais militares, controlam a economia das comunidades onde atuam e a vida de seus moradores. Vendem, ilegalmente, serviços como os de energia, gás, TV.

desabamento muzema milicia_bira.jpg

Também atuam no mercado imobiliário, no de transporte, vendem produtos roubados e até controlam alguns órgãos públicos. E se impõem pelo terror, por ameaças e pela chantagem, quando não pelo assassinato de “inimigos” na disputa de territórios com o tráfico de drogas.

O avanço das milícias é proporcional à ausência do Estado nesses territórios, onde fracassou mais do que a política de segurança. Nesses locais também faltam educação, saúde, atividades culturais, saneamento, transporte público e emprego para os jovens. Carências crônicas, fruto da desigualdade social e da concentração de renda, o problema mais agudo do país que emerge em toda sua dimensão nas periferias das grandes cidades brasileiras e nas comunidades.

A pretexto de combater o tráfico, as milícias vão expulsando, no caso do Rio de Janeiro, os grupos de traficantes do Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, Terceiro Comando Puro para assumir seu lugar. Hoje, já respondem por 58,6% dos territórios sob controle do crime organizado, de acordo com o relatório já citado. Da Barra da Tijuca a Jacarepaguá temos um arco dominado pelas milícias, inclusive em bairro de classe média, revelando uma coincidência entre a votação de Bolsonaro e seus candidatos e esse território. Essa falência do Estado foi, em parte, camuflada pela atuação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que fracassaram, em grande medida, pela corrupção, cooptação e colaboração de amplos setores da Polícia Militar com o crime organizado.

Do controle de territórios as milícias passaram ao controle político de eleitorados, com a eleição de vereadores e deputados ligados a elas, o que também se verifica em menor grau com o tráfico. Foi um salto rápido. Hoje temos representantes das milícias não só nos legislativos, mas em governos e nas máquinas públicas, como decorrência da corrupção e da cooptação de funcionários públicos. Políticas de segurança, nomeações e promoções, legislação urbana, de transporte, são hoje, em muitas câmaras municipais e assembleias legislativas, determinadas pelas milícias.

A bárbara e covarde chacina de Jacarezinho é mais um capítulo da falência da segurança pública, que infelizmente não conseguiu ser detida nem pelas UPPs, nem pelas operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). A pura e simples eliminação, assassinato, execução, como nos tempos dos esquadrões da morte de triste histórico no Rio de Janeiro —as tragédias de Vigário Geral, Alemão e Calendária não nos deixam esquecer— é a opção pela guerra como solução.

Como revelam fotos e vídeos da chacina e depoimentos de moradores, 28 jovens, 13 dos quais sequer eram investigados, foram assassinados a sangue frio, executados, quando se entregavam ou quando encontrados em casas onde se esconderam. Tudo isso na frente de famílias e crianças. E levanta-se suspeita sobre a morte do policial civil André Frias, pois foi baleado quando descia de um veículo policial e não em confronto.

Estamos falando de um ato de barbárie pela mão do Estado por meio de sua Polícia Civil. E não se trata de um caso isolado. Infelizmente, trata-se de um padrão, de uma política planejada que substitui a prevenção, a inteligência, a presença do Estado com políticas públicas para as favelas e bairros, e para os jovens pela guerra e extermínio de grupos e organizações criminosas. Uma guerra sem nenhum efeito prático na diminuição do tráfico ou do aliciamento de menores, razão apresentada para a operação.

DEBATE NACIONAL

A opção do povo não pode ser escolher entre o tráfico e as milícias. E o país não pode aceitar a pena de morte para suspeitos. Suspeitos que o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, chamou de “bandidos” e o delegado Felipe Curi, do Departamento Geral de Polícia Especializada do Rio de Janeiro, considera criminosos como se condenados fossem, sem o devido processo legal, substituindo a Justiça e instituindo, na prática, a pena de morte, proibida pela Constituição Federal.

mor miliciano .jpg

 

Gravíssimo é o fato de a operação da Polícia Civil em Jacarezinho ter sido feita à revelia da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), de junho de 2020, que proibiu operações em favelas do Rio durante a pandemia. E mais grave ainda o que disse o presidente Jair Bolsonaro ao dar parabéns, no Twitter, à Polícia do Rio de Janeiro pela operação: “Ao tratar como vítimas traficantes que roubam, matam e destroem famílias, a mídia e a esquerda os igualam ao cidadão comum, honesto, que respeita a lei e o próximo. É uma grave ofensa ao povo que há muito é refém da criminalidade”.

nani bolsonaro milicia.jpg

 

A letalidade trágica da política de segurança no Rio de Janeiro e em todo país, expressa no altíssimo número de mortos (944, incluindo policiais, desde a decisão do STF) exige uma imediata e radical mudança em toda a estrutura policial e na política de segurança pública. As medidas precisam passar, também, pela reforma do sistema penitenciário, pela mudança na legislação sobre drogas que trata o usuário como traficante e pela revogação de toda legislação, via decretos de Bolsonaro, de liberalização de armas promovida à revelia do Estatuto do Desarmamento e das decisões judiciais.

duke carne negra genocidio witzel doria milicia.jp

 

A repercussão da chacina de Jacarezinho, em nível nacional e internacional, e o repúdio a ela exigem uma resposta do Congresso Nacional: propor e debater uma nova política de segurança pública sob pena de regredirmos à época dos esquadrões da morte e grupos de extermínio agora diretamente pelas mãos do Estado e de suas polícias. Exigem também uma resposta do STF, que teve sua decisão desrespeitada. Não se pode permitir a impunidade dos policiais e superiores responsáveis pela criminosa operação.

É uma urgência nacional que a questão das milícias, do crime organizado, do tráfico e das drogas seja prioridade nos debates da próxima campanha presidencial.

Artigo publicado originalmente no Poder 360 / Grupo Prerrogativas

Humor Político – Rir pra não chorar | Página: 6

03
Fev21

Deputado bolsonarista vai para o esgoto?

Talis Andrade

Vídeo: Deputado diz que Witzel forjou conversa de milicianos para ligar  Bolsonaro ao assassinato de Marielle | Revista Fórum


O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), um bolsonarista truculento e histérico, não gostou da decisão da 44ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo que o condenou a indenizar em R$ 70 mil o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de suas baixarias e ataques nas redes sociais. 

O cínico fascistoide considerou a sentença "um exagero". Só por que o parlamentar sem qualquer decoro e civilidade chamou o magistrado de "cabeça de ovo" e "cabeça de piroca"? Ou por que vomitou na internet agressões do tipo: "Alexandre de Morais você é um lixo" e "você é um esgoto"? A indenização até que foi pequena, uma merreca! 

Alegando que seu piriri verborrágico se insere na imunidade parlamentar, ele já anunciou que recorrerá da decisão. Em nota enviada ao Estadão, o deputado sustenta que “não houve comprovação do dano causado ao ministro” por suas palavras e que ele “não apresentou laudo sobre problemas emocionais provocados” por seus ataques. 

Pastor Otoni De Paula recebe oração da Assembléia de Deus Ministério  Madureira de Nova Iguaçu – rioniteroinoticiasonline

Deputado pastor Otoni de Paula recebe oração da Assembléia de Deus

 

O expediente da imunidade parlamentar

Como lembra o jornal Estadão, "bolsonarista de primeira hora, Otoni de Paula integra o Partido Social Cristão (PSC) e apoiou a candidatura à reeleição de Marcelo Crivella (Republicanos) a prefeito do Rio de Janeiro. Em agosto passado, o Tribunal de Justiça já havia determinado que retirasse de suas redes sociais vídeos ofensivos a Moraes". 

A conferir se o repulsivo deputado vai agora para o esgoto. Sobre a alegação de imunidade parlamentar, ela já havia sido rechaçada pelo juiz Guilherme Madeira Dezem na decisão que o condenou. O magistrado considerou que os ataques foram feitos nas redes sociais, fora do âmbito do Congresso Nacional. 

"Deve se acautelar para que a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar não sejam utilizadas como escudo para práticas inadequadas. Neste caso foi ultrapassada a linha e cabe ao Poder Judiciário promover a correção do erro", afirmou o juiz ao fixar o valor da indenização. O bolsonarista metido a valentão vai pedir desculpas, vai recuar?

11
Nov20

Cadê o 'pastor' que batizou Bolsonaro?

Talis Andrade

Eleitor evangélico impulsiona ascensão de Bolsonaro | Política | Valor  Econômico

 

Por Altamiro Borges

Cadê o Pastor Everaldo Dias, aquele que batizou Jair Bolsonaro nas águas do Rio Jordão, em Israel? Sabe-se que ele segue preso no Rio de Janeiro, mas a mídia nada mais fala sobre o poderoso presidente nacional do Partido Social "Cristão" (PSC). Nos últimos dias, só saiu uma notinha sobre a exoneração do seu filho.

Segundo o site UOL, “o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, exonerou o assessor Filipe Pereira, filho do Pastor Everaldo e que foi preso junto com o pai no final de agosto por suspeita de integrarem esquema de pagamento e distribuição de propinas na administração estadual".

O pimpolho tinha o cargo de assessor especial de Wilson Witzel (PSC), o governador carioca que levou um "tiro na cabecinha" e foi afastado do cargo por denúncias de corrupção. "A exoneração de Filipe aconteceu exatamente dois meses após a sua prisão", lembra o site.

"Neste período, o assessor, que já foi deputado federal e secretário-geral do PSC, continuou recebendo normalmente seu salário de quase R$ 15 mil. Segundo a TV Globo, ele tirou férias ao ser solto, dias após ser preso, e recebeu seus vencimentos mensais, no valor de R$ 14.921,81", detalha o UOL.

Corrupção na saúde em plena pandemia

Diferente do pai, o assessor de Wilson Witzel permaneceu na cadeia apenas pelo período de um mandado de prisão temporária, assim como seu irmão Laércio Pereira. Já o Pastor Everaldo teve a prisão convertida para temporária e segue detido. Os três foram presos em 28 de agosto pela Operação Tris in Idem.

Segundo a reportagem da TV Globo, Filipe Pereira era figura sempre presente nas reuniões que Wilson Witzel fazia para discutir questões da Secretária de Saúde, órgão investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo esquema de propina que deflagrou a crise política que resultou no afastamento do governador.

“O esquema de superfaturamento de contratos e pagamento de propina foi detalhado pelo ex-secretário da Saúde Edmar Santos em acordo de delação premiada. Ele deixou o cargo ainda em maio, nos primeiros meses da pandemia do novo coronavírus, e foi preso em julho, sendo solto cerca de um mês depois”, conclui o UOL.

Bolsonaro: “Missão de Deus”, e chance de mudar o Brasil

batismo cunha.jpeg

 

07
Nov20

Mortes em ações policiais no Rio de Janeiro sobem 425% em outubro

Talis Andrade

christ_in_rio__paolo_lombardi favela.jpg

 

 

Supremo proibiu operações policiais em favelas do estado durante a pandemia; estudo aponta desrespeito a essa norma

Jaqueline Deister, Brasil de Fato 

As mortes em ações policiais no último mês de outubro aumentaram 425% em relação a setembro no Rio de Janeiro. O levantamento, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, aponta que a polícia matou 63 pessoas durante operações e patrulhamentos em outubro.

O alto índice de letalidade das forças de segurança do estado culmina com o aumento gradativo de operações policiais nas favelas desrespeitando a norma do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no inicio de junho, proibiu incursões policiais em comunidades do Rio por conta da pandemia de covid-19. 

Para Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios de Segurança do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC), o aumento no índice revela que no mês de outubro houve uma reorientação da política de segurança do estado do Rio que passou a descumprir a determinação do Supremo. Segundo ela, as ações das policias deveriam priorizar a desarticulação do crime a partir da inteligência e não o confronto armado.

“A política de segurança de operações violentas com mortes de opositores favorece os grupos criminais armados no Rio de Janeiro sejam eles facções do tráfico ou milícias, depois de confrontos com mortes, esses grupos não se enfraquecem, se fortalecem com mais armas e mais hostilidade com relação à polícia, o caminho seria a inteligência, a desarticulação desses grupos por meio da interceptação de armas, drogas e a destruição dos comércios no caso dos milicianos e não o confronto armado dentro das favelas”, afirma Ramos.

Troca-troca

O estudo destaca ainda a recente mudança nas chefias das polícias militar e civil em setembro e o aumento na letalidade dos agentes de segurança do estado.

No mês de setembro, o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC), confirmou o coronel Rogério Figueiredo para a secretaria de Polícia Militar e nomeou o delegado Allan Turnowski para a secretaria de Polícia Civil. Logo depois, no inicio de outubro, ambos declararam que as operações policiais continuariam no Rio de Janeiro.

De acordo com Silvia Ramos, Castro precisa ser cobrado com relação ao aumento de 425% das mortes em ações policiais e ao desrespeito à norma do STF. 

“O que está acontecendo no Rio de Janeiro? O novo governador assumiu a determinação de desrespeitar a regra do STF? Porque não é possível um aumento de 425%. Não foi um tiroteio ou outro, está havendo uma determinação sistemática de desrespeitar a regra do STF que é de evitar ao máximo operações, principalmente operações com mortes”, argumenta.

“Acho que o governador precisa responder a esse novo quadro, ele entra e tem uma guinada numa prática que estava sendo mantida desde o dia 5 de junho de respeitar as normas do Supremo”, conclui.

rio favela intervenção militar witzel.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub