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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Fev21

O gatinho de Mainard

Talis Andrade

 

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"Tascado uns 18 beijos

no doutor Deltan Dallagnol,

teria dado umas lambidas"

 

Em um programa de propaganda marrom, com cenas de completa sabujices, bajulações, zumbaias, concupiscencias, libertinagem e homossexualidade, Diogo Mainardi chegou a dizer ao procurador Deltan Dallagnol que gostaria de lhe ‘tascar uns 18 beijos’ e também ‘umas lambidas’. “A minha babação de ovo se justifica”, declarou numa edição do programa Manhattan Connection, exibido em 11 de outubro de 2015, quando Deltan foi convidado do programa.

O vídeo foi resgatado e publicado pelo deputado Alencar Santana Braga (PT-SP) no Twitter, um dia depois de Mainardi ter tomado uma invertida de Fernando Haddad no mesmo programa, na noite desta quarta-feira (10). O petista, que ouviu de Mainardi, que ele era um “poste de ladrão”, em referência a Lula, disse que o jornalista tem ‘problemas psicológicos’ , e alertou que seu herói, Sergio Moro, será “desmascarado”. Idem os procuradores que chefiava na autointitulada liga da justiça da autointitulada república de Curitiba.

No programa de 2015, Mainardi disse, de Veneza, onde mora: “Se eu estivesse no lugar do Ricardo [Amorim], eu já teria tascado uns 18 beijos no doutor Deltan Dallagnol, teria dado umas lambidas. A minha babação de ovo se justifica porque é uma turma extraordinária, o Ministério Público, a PF, o juiz Sergio Moro”.

O deputado Alencar comentou: Mainardi "é o maior lambe-botas da #LavaJato, promoveu os bandidos @SF_Moro @deltanmd e ajudou a eleger Bolsonaro contra @Haddad_Fernando , #Haddad2022 "

Almirante Negro
Mainardo é aquele fugitivo da justiça brasileira, Manhattan conection é aquele programa sustentado pela tv estatal onde os participantes foram chutados da iniciativa privada após passarem 30 anos defendendo estado mínimo
Deputado Alencar
“Eu vou chegar em casa amanhã, vou almoçar com oito netos e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?”. Luiz Inácio Lula da Silva, 13 de setembro de 2017.
10
Fev21

A face podre da Justiça no Brasil

Talis Andrade

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Por Léa Maria Aarão Reis /Carta Maior


Lançado segunda-feira (8/1), o 'doc' 'Sergio Moro: A Construção de um juiz acima da lei' discute a construção artificial da Lava Jato em conluio com tribunais e a mídia corporativa, e os prejuízos que ela trouxe ao Brasil

Sergio Moro: A Construção de um juiz acima da lei é um documentário resultante do projeto dos jornalistas Luis Nassif, Marcelo Auler, Cintia Alves e Nacho Lemus. 

Trata-se de um registro histórico que o espectador não deve deixar de assistir no canal do site GGN e no Youtube a partir de amanhã. 

Tem a duração de pouco mais de uma hora e provoca impacto por duas razões. 

Uma delas, ao apresentar como um todo a trajetória do ex-juiz Sergio Moro desde suas origens familiares e a medíocre formação jurídica na cidade de Maringá até sua destituição como titular da pasta de Ministro da Justiça pelo (des)governo de extrema direita do Brasil.

O encadeamento é bem engendrado, com imagens de época e entrevistas realizadas on line entre novembro de 2020 e janeiro último, - exceto as entrevistas comoventes de dois agricultores vítimas de uma operação instruída por Moro e realizadas em 2018 - e a sua linguagem, simples e direta, permite o acesso de grandes platéias aos detalhes do jogo processual.

O doc deve ser visto também, embora não mostre fatos novos determinantes sobre esse jogo de ações da operação Lava Jato comandada por Moro, porque ressalta e sublinha a cumplicidade, ou a explícita ou pela conivência habilmente disfarçada de membros de tribunais superiores do país, e a cooptação da mídia corporativa.

Logo no início, indaga Luiz Nassif: ''Quem foi Sergio Moro? Quem é Sergio Moro? Destruiu a engenharia brasileira e a política partidária no país, colocou em cheque a democracia na América Latina e abriu caminho para a ascensão de Bolsonaro.''

O Supremo Tribunal Federal, ''foi parte do problema,'' diz no filme o advogado australiano de Direitos Humanos Geoffrey Robertson, representante do ex-presidente Lula no Conselho de Direitos Humanos da ONU. 

''A corte suprema brasileira não removeu-o do caso como deveria ter feito embora ele tenha divulgado as transcrições do grampo (NR.: conversas telefônicas grampeadas ilegalmente entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula). 

A propósito, lembra-se no filme, o ex-magistrado de Curitiba já era conhecido, no STF, antes do início da Lava Jato, como um ''juiz truculento'', como ''juiz investigador.''

Jornalista e escritor, Mario Magalhães, outro entrevistado, recorda: ''As transcrições foram vazadas com o objetivo de intimidar e manipular informações. A mídia corporativa foi cooptada. Não houve cobertura jornalística dos fatos; não houve jornalismo. E quando a propaganda sufoca o jornalismo é a desgraça''.
 
E o procurador Celso Tres: ''A metodologia usada pela Lava jato não pode achar que os fins justificam os meios.''

Ao longo de 74 minutos, o doc expõe alguns dos métodos heterodoxos usados pelo ex-juiz a partir do depoimento de dezenas personagens que acompanharam os casos escabrosos de perto. 

O fio condutor fica a cargo de Luiz Nassif em suas intervenções. Além de Robertson e de Magalhães, são entrevistados Alberto Toron, advogado criminalista, Celso Tres, procurador da República, Cezar Roberto Bitencourt, doutor em Direito Penal, Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Lula, Fernando Augusto Fernandes, criminalista e autor do livro Geopolítica da Intervenção – A verdadeira história da Lava Jato, Geoffrey Robertson, advogado de Direitos Humanos, Gerson Machado, delegado aposentado da Polícia Federal, Mário Magalhães, escritor e ex-ombudsman da Folha de S. Paulo e Michel Saliba, advogado criminalista.

As entrevistas foram feitas por Cintia Alves, Luis Nassif, Marcelo Auler e Patricia Faermann.

Os questionamentos em torno da construção artificial da competência de Moro para julgar a Lava Jato, o papel de setores da imprensa que inflaram o movimento lavajatismo para derrubar um governo progressista, a postura vacilante da Suprema Corte e o alinhamento em outros tribunais são pontos abordados, como anuncia a divulgação do documentário.

''A competência da Lava Jato'', resume o advogado Cristiano Zanin Martins'', também ele expondo uma face podre da Justiça brasileira, ''foi uma construção artificial de tribunais regionais, tribunais superiores e médios, da oposição política, de delegados e procuradores que visavam a desestabilização do país."

"Criaram um ambiente artificial de culpa como uma sensação de que todo juiz que revisasse decisões da Lava Jato poderia ser conivente com a corrupção.''

 

 
27
Fev20

Bolsonaro se diz perseguido pela imprensa. Mas Band, SBT, Record e Rede TV estão ao seu lado.

Talis Andrade

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por João Filho
The Intercep

JAIR BOLSONARO GOSTA de se colocar como perseguido pela imprensa brasileira. Todos os dias ele está na frente do Planalto atacando jornalistas sob os aplausos de fanáticos sempre dispostos a puxar seu saco. Mas o fato é que o governo e uma parte importante da imprensa estão de mãos dadas.

Pelo menos quatro emissoras de TV têm abdicado de fiscalizar o poder para se prestar ao papel de assessoria de comunicação do governo. No desfile de Sete de Setembro, Bolsonaro convidou para o camarote de autoridades os donos do SBT, Record e Rede TV — três empresas que estão bastante satisfeitas com o desempenho da extrema direita no poder. A tática governista é acusar a Globo de perseguição, enquanto paparica outras emissoras.

Motivos para isso não faltam. O governo mudou a lógica da distribuição de verbas publicitárias para as TVs abertas. Antes, o critério era distribuir mais verbas para as maiores audiências. Agora, simplesmente não há mais nenhum critério objetivo. O governo decide a seu bel prazer como se dará a distribuição.

A Globo, que tem a maior audiência, passou a receber menos que Record e SBT, emissoras que estão afinadas com o bolsonarismo desde a campanha eleitoral. A emissora recebeu 48,5% das verbas publicitárias em 2017. Em 2019, 16,3%. No mesmo período, a Record passou de 26,6% para 42,6%, enquanto o SBT passou de 24,8% para 41%. As verbas destinadas à campanha pela reforma da previdência, da qual a Globo ficou de fora, se concentraram em 91% para Record, Band e SBT. Os apresentadores prediletos de Jair Bolsonaro, como Ratinho e Datena, foram escolhidos para divulgar a campanha.

A promiscuidade da relação entre redes de TV e o bolsonarismo já começa na figura do empresário que comanda a Secom, Fábio Wajngarten. Ele, que é o responsável pela distribuição de verbas de publicidade, é sócio de uma empresa que recebe mensalmente dinheiro das mesmas emissoras de TV e agências que são clientes do governo. Wajgarten disse que consultou a CGU sobre o possível conflito de interesses antes de assumir a pasta, o que é mentira. A própria CGU afirmou que não foi consultada. São os critérios subjetivos desse sujeito que norteiam a distribuição das verbas publicitárias do governo.

As quatro emissoras queridinhas do governo têm se revezado em estender o tapete vermelho para o bolsonarismo desfilar. Além de entrevistas exclusivas — todas, sem exceção, desviando das perguntas mais espinhosas —, Bolsonaro e seus parentes vira-e-mexe aparecem nos programas de auditório dessas emissoras, sempre muito felizes e descontraídos, muito diferente dos cães raivosos nos quais se transformam quando são confrontados pelo jornalismo.

No SBT, a adulação ao governo de extrema direita é explícita. Na semana passada, Sílvio Santos determinou a volta do programa Semana do Presidente, criado nos anos 70 para bajular os presidentes da ditadura militar. Ratinho, que tem um filho governador aliado de Bolsonaro, nunca perde uma oportunidade para levantar a bola do governo federal em seu programa de entretenimento. O apresentador, que sempre tratou de política em seus programas com viés anti-esquerdista, jamais perde a chance de puxar o saco do presidente. Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, Ratinho dedicou um bom tempo do seu programa para atacar jornalistas que criticaram a escolha dos ministros. Coincidência ou não, durante o mandato o apresentador do SBT recebeu, sozinho, quase R$ 1 milhão do governo federal em troca de elogios à reforma da previdência.

A fidelidade canina da Record ao projeto da extrema direita já é mais do que conhecida. O bilionário Edir Macedo colocou até a Igreja Universal na campanha eleitoral de Bolsonaro e hoje coloca o jornalismo da emissora para engraxar as botinas do ex-capitão. A Record é hoje a emissora que mais recebe verbas do governo. O crescimento do faturamento publicitário da Record junto à Secom no primeiro trimestre do ano passado foi de 659%, valor já considerando a variação da inflação no período. O fato da emissora do bispo ter se tornado praticamente a casa oficial da extrema direita brasileira na TV não chega a surpreender.

Na Band, os apresentadores Datena, cotado para ser prefeito de São Paulo com apoio de Bolsonaro, e Milton Neves, amigo particular da família de Fábio Wajngarten, também engordaram seus cofres com dinheiro de propaganda do governo federal. Esses apresentadores populares realmente não têm do que reclamar da extrema direita no poder.

Milton Neves@Miltonneves

Fábio Wajngarten, de amarelo, foi fundamental para Bolsonaro!

Ver imagem no Twitter

Os donos da Rede TV, que recebeu um aumento exponencial de verbas do governo federal, têm se mostrado bolsonaristas fiéis e atuantes. Marcelo de Carvalho, que é sócio, vice-presidente e apresentador de programas da emissora, tem atuado como um aguerrido militante. Deve ser apenas uma coincidência o fato desse apoio ter vindo depois do governo aumentar exponencialmente as verbas da emissora.

Como se já não bastasse a visibilidade que o então deputado Jair Bolsonaro ganhou durante anos no Superpop, agora o próprio dono da emissora sai em defesa do seu governo. No desfile de Sete de Setembro, que assistiu ao lado do presidente, o dono da Rede TV praticamente confessou indiretamente a sua vassalagem ao falar sobre as costumeiras quebras de protocolo do presidente durante o desfile: “acho muito bonito. É um resgate da aproximação entre o governante e a população”.

Mas Carvalho foi bem mais longe que isso. Ele tem seguido à risca um mandamento sagrado da cartilha bolsonarista: atacar jornalistas que ousam criticar o governo. O empresário foi ao Twitter chamar de “ataque” uma reportagem sobre o escancarado conflito de interesses de Wjangarten na Secom. Ou seja, temos aqui um barão da mídia endossando a narrativa bolsonarista que coloca o presidente como um perseguido pela mídia. Fez isso para defender a permanência no cargo de um empresário que tem sido muito generoso com a sua emissora.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

O Ataque da Folha a Fábio Wajngarten é um exemplo do porque gente de bem em sua grande maioria não ingressa no governo. Então ficamos por tantos anos com lixo, gente sem moral, desqualificados e incompetentes. Obviamente com algumas louváveis exceções.

 

Carvalho também fez questão de se posicionar sobre o ataque de Hans River à jornalista Patrícia de Campos Mello. Claro que ele seguiu o que manda o bolsonarismo e chamou de “ïmpecável” uma narrativa que já era comprovadamente mentirosa.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

Impecável impecável narrativa do @filipebarrost sobre a tentativa da Folha de melar a eleição quase certa de @jairbolsonaro e esconder que a fábricação de mensagens era na verdade do PT. LEIAM O THREAD TODO vale a pena. https://twitter.com/filipebarrost/status/1227699790185746434 

Filipe Barros@filipebarrost
 

Segue minha análise da matéria da @camposmello na @folha:

1. A narrativa que a Folha de S. Paulo tenta emplacar agora, de modo a parecer que não mentiu, é dizer que a matéria à qual Hans River se referiu era a de 2 dezembro de 2018, quando, na verdade, a primeira matéria 👇🏻

 

Mas o melhor presente que a Rede TV deu para Bolsonaro foi colocar o pernambucano Sikêra Júnior em rede nacional. Ele é um apresentador que cobre o mundo cão e que foi forjado na escola Datena de jornalismo — aquela que ajudou ao longo dos anos a disseminar a ideologia reacionária que hoje embala a extrema direita no poder. Sikêra usa a surrada fórmula televisiva que mistura jornalismo sensacionalista com humor vulgar. Esse modelo de programa infesta as tardes na programação televisiva do país. Além de reforçar diariamente a ideologia do “bandido bom é bandido morto”, o humor e o jornalismo do apresentador só trabalham com viés anti-esquerdista.

Assim como seu patrão, Sikêra não se furta em defender Bolsonaro das críticas da imprensa. A defesa do governo não é discreta, mas ostensiva. Em programa de outubro do ano passado, dedicou boa parte do programa repercutindo a narrativa bolsonarista e detonando a Globo.

Assim que o apresentador foi alçado à condição de nova estrela nacional da programação da Rede TV, a família Bolsonaro passou a compartilhar seus vídeos nas redes sociais. No começo deste mês, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo em que o apresentador comemora a morte de criminosos que trocaram tiros com a polícia.

Eduardo Bolsonaro🇧🇷@BolsonaroSP
 

Sikera 1.000 vezes! https://twitter.com/Ivanavanab/status/1224855672803811329 

Ivana 🇧🇷🇮🇱🧂🐸👉🏻@Ivanavanab
 

Noticiando a morte de um bandido em rede nacional:

GLOBO vs. SIKERA JÚNIOR

Entendeu porque o @sikerajr é um sucesso?!
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣#AlertaNacional

Vídeo incorporado

Depois foi a vez do presidente da República compartilhar outra vulgaridade de Sikêra. Cumprindo o script bolsonarista de ataque às minorias, o apresentador acusa duas mulheres lésbicas, que ainda eram apenas suspeitas, de terem matado uma criança. Ele ainda usou o fato para debochar das esquerdas e da luta contra a homofobia, usando termos conhecidos do glossário bolsonarista.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro

- Para onde estávamos indo...
- @sikerajr

Vídeo incorporado
 

Passado mais de um ano de mandato, a relação do governo de extrema direita com as emissoras de TV não poderia estar melhor. Tirando a Globo, que parece ser o único canal que pode dizer que está fiscalizando o governo Bolsonaro, mas que não chega perto daquela volúpia vista contra outros governos. Apesar de ter virado a grande algoz do governo na boca dos bolsonaristas, a agenda ultraliberal de Paulo Guedes acalma os ânimos da Família Marinho.

A relação promíscua entre o governo e as emissoras de TV não é uma questão de opinião, mas um fato confirmado pelo caso Wajgarten. Os empresários de TV estão com tanta moral com o presidente, que nessa semana se juntaram para pressioná-lo a dar mais verba. Wjangarten organizou uma reunião para que os empresários pudessem convencer Bolsonaro a voltar com os lucrativos sorteios de prêmios na TV. E convenceram. O presidente já está articulando uma medida provisória para atender o pedido dos seus aliados.

Os barões da mídia estão contribuindo para a naturalização e a consolidação do projeto bolsonarista de destruição da democracia. É importante lembrar que as TV operam sob uma concessão pública, mas desenham sua programação para atender interesses privados e difundir uma ideologia reacionária. Quando Bolsonaro disser que é perseguido pela mídia, lembre-se que quase todas as grandes emissoras da TV aberta estão ao seu lado. E lucrando muito com isso.

moro olavo tv globo pato fiesp bolsonaro TUTUBARAO

 

30
Jan20

Bolsonaro da dinero a medios amigos

Talis Andrade
 Un estudio en Brasil revela la distribución discrecional de publicidad estatal
 

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El gobierno del presidente ultraderechista brasileño, Jair Bolsonaro, está privilegiando alevosamente con los fondos públicos de la publicidad a tres empresas de televisión que funcionan como su sostén, en una reproducción de un modelo totalmente discrecional, como el de Argentina y otros países, según un estudio publicado en medios no convencionales.
 
El trabajo, difundido en el espacio Tijolaço, un medio que agrupa a comunicadores progresistas, muestra que las cadenas Bandeirantes, STB y Record se vieron beneficiadas con un incremento de los fondos públicos, que administra la Secretaría de Comunicación Social, durante 2019, el año en que empezó la gestión de Bolsonaro. Las tres tuvieron subas en comparación con 2018.
 
La nota, firmada por Fernando Brito, deja en evidencia una paradoja muy singular para la realidad brasileña: el grupo Globo, el más grande del país, y que fue decisivo para la gran operación política y judicial que causó el derrocamiento de la presidenta Dilma Rousseff y el encarcelamiento y proscripción de Luiz Lula da Silva, es el más perjudicado.
 
El texto dice que se verifica un “inexplicable favoritismo” del gobierno por las cadenas Record y Bandeirantes en la publicidad estatal. “Gústese o no de Globo”, escribe Brito, las cifras muestran que ese grupo, si bien está en un período de retroceso, “todavía retiene poco más de la mitad de la audiencia” en el total nacional.
 
Agrega que las decisiones para publicitar en una u otra estación se adoptan básicamente según el número de personas que verán el mensaje, un criterio que sin embargo es discutido en Brasil y otras partes del mundo, donde esa ecuación es puesta en discusión con la necesidad de que los Estados se comprometan en la existencia y desarrollo de una amplia gama de medios, no solo los convencionales y comerciales, como lo establecen los estándares internacionales reivindicados por la Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO).
 
Brito expresa de hecho que puede haber “variaciones” en el parámetro por él enunciado, por ejemplo cuando se hacen “recortes de públicos” a los que se desea alcanzar específicamente.
 
El texto, que cita una publicación previa de Folha de São Paulo, destaca los beneficios recibidos por el grupo del obispo Edir Macedo, fundador de la Iglesia Universal del Reino de Dios, convertida en una corporación para la intervención política, económica y comunicacional, aliada del presidente ultraderechista, racista y misógino, y propietaria del grupo mediático Record.
 
Esta empresa tiene una porción publicitaria estatal que multiplica al menos por cuatro lo que le correspondería recibir en términos de volumen de audiencia en comparación con la que Globo reúne.
 
Globo, con su red nacional de televisión, sus periódicos, radios, revistas y espacios en internet, fue crucial para el desplazamiento del poder del Partido de los Trabajadores, al que combatió en todas sus gestiones. Sin su accionar, la denominada operación Lava Jato no habría llegado a los resultados que obtuvo, en especial las causas, sentencias y proscripción de Lula da Silva, favorito indiscutible para ganar las elecciones de 2018, que depositaron al neofascista Bolsonaro en el poder.
 
Es que, como ocurrió también en Argentina, en ocasiones Globo lanzaba versiones y acusaciones de corrupción contra dirigentes del PT con las cuales los jueces, muy especialmente Sergio Moro -hoy ministro de Justicia de Bolsonaro-, lanzaban pesquisas, investigaciones y requisitorias a la vez ampliamente difundidas por el sistema mediático. A veces era al revés: Moro hacía llegar sospechas y acusaciones a Globo, para que las amplificara a escala nacional.
 

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09
Jan20

Em 2020, cada um saberá quem é diante de uma realidade que exige coragem para enfrentar e coragem para perder

Talis Andrade

OS CÚMPLICES (primeira parte)Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia.

Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia. CARL DE SOUZA (AFP)

El País
 
Nenhum autoritarismo se instala ou se mantém sem a cumplicidade da maioria. É o que a história nos ensina. Não haveria nazismo sem a conivência da maioria dos alemães, os ditos “cidadãos comuns”, nem a ditadura militar no Brasil teria durado tanto sem a conivência da maioria dos brasileiros, os ditos “cidadãos de bem”. O mesmo vale para cada grande tragédia em diferentes realidades. Os déspotas não são alimentados apenas pelo silêncio estrondoso de muitos, mas também pela pequena colaboração dos tantos que encontram maneiras de tirar vantagem da situação. Em tempos de autoritarismo, nenhum silêncio é inocente —e toda omissão é ação. Esta é a escolha posta para os brasileiros em 2020. Diante do avanço autoritário liderado pelo antidemocrata de ultradireita Jair Bolsonaro, que está corroendo a justiça, destruindo a Amazônia, estimulando o assassinato de ativistas e roubando o futuro das novas gerações, cada um terá que se haver consigo mesmo e escolher seu caminho. 2020 é o ano em que saberemos quem somos —e quem é cada um.
 

Há várias ações em curso. E várias mistificações. Quem viveu a ditadura militar (1964-1985) conhece bem, guardadas as diferenças, como o roteiro vai se desenhando. No final de 2019, parte da imprensa, da academia e do que se chama de mercado começou a exaltar os sinais de “melhora econômica”. A alta da bolsa, a “queda gradual” do desemprego, a indicação de aumento do PIB em 2020 são elencados entre os sinais. Ainda que se esperasse mais, afirmam, “os inegáveis avanços do ponto de vista econômico”, entre eles a reforma da Previdência, “a inflação comportada” e os juros fechando 2019 “em patamar inimaginável” permitem —e aí vem uma das expressões favoritas deste seleto grupo de players— um “otimismo moderado”. Até a pesquisa de uma associação de lojistas divulgou uma incrível alta de 9,5% nas vendas de Natal, imediatamente contestada por outra associação de lojistas. É como se a “economia” fosse uma entidade separada da carne do país, é como se houvesse uma parte que pudesse ser isolada e sobre a qual se pudesse discorrer usando palavras enfiadas em luvas de cirurgião. É como se bastasse enluvar jargões técnicos para salvar os donos das mãos de todo o sangue.

Enquanto esse diálogo empolado e bem-educado do pessoal da sala de jantar, dos que sempre estão na sala de jantar, independentemente do governo, é estabelecido, bombas explodiram no prédio da produtora do programa de humor Porta dos Fundos, policiais matam como nunca nas periferias de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando o genocídio da juventude negra, o antipresidente legaliza o roubo de terras públicas na Amazônia, ambientalistas são acusados de crimes que não cometeram, ONGs são invadidas sem nenhuma justificativa remotamente legítima, adolescentes pobres morrem pisoteados porque decidiram se divertir num baile funk numa noite de sábado, indígenas guardiões da floresta e agricultores familiares são executados, as polícias vão se convertendo em milícias como se isso fosse parte da normalidade, e são também os policiais e “agentes de segurança” condenados por crimes os únicos que são libertados no indulto de Natal. Os sinais estão por toda parte, mas membros respeitados de instituições da República que deveriam ser os primeiros a percebê-los —e combatê-los— seguem inflando a boca para assegurar que “a democracia no Brasil não está ameaçada”.

A qual Brasil se referem estes senhores bem-educados? De qual país estes luminares do presente falam? Certamente não do meu nem do de muitos, não o das favelas onde as pessoas se trancam sabendo que não há porta capaz de barrar a violência da polícia, não este em que os policiais já exterminam os pretos sem responderem por isso há muito, mas esperam mais já que o extermínio vai sendo legalizado pelas beiradas. Não este em que os templos de religiões afro-brasileiras são invadidos e destruídos apesar de o Estado ser formalmente laico. Não este em que as lideranças da floresta enxergam o Natal e o Ano-Novo como os piores momentos do ano porque é o tempo de deixar a família e fugir, pelo menos até que as capengas instituições voltem do recesso.

Neste país, pessoas da sala de jantar, há muita gente escondida neste exato momento para poder virar o ano vivo. Não esperam brindar, desejam apenas não ter o corpo atravessado por uma bala —ou por quatro na cabeça, como ocorreu com Marielle Franco, num crime não decifrado quase dois anos depois. Democracia onde? Os escondidos, os ameaçados, os parentes dos mortos querem saber. Todos nós queremos muito viver neste país em que vocês enxergaram “inegáveis avanços na economia em 2019” e “instituições que funcionam”. Não fiquem com o endereço só para vocês.

As pessoas da sala de jantar, porém, só podem seguir na sala de jantar ditando o que é a realidade porque a maioria assim permite, omitindo-se ou aproveitando-se das sobras. São as pessoas, no dizer da historiadora franco-alemã Géraldine Schwarz, “que seguem a corrente”. A questão é se você, que lê este texto, vai engrossar o rebanho dos que seguem a corrente.

Não o rebanho de ovelhas. Esta imagem evoca passividade, engano, uma obediência absolvida pela inocência. Não. Este rebanho, o dos que agem se omitindo, ou o dos que agem tirando pequenos proveitos, “porque afinal é assim mesmo e quem sou eu para mudar a realidade”, é um rebanho de lobos. Porque o ativismo de sua omissão é cúmplice do sangue das vítimas, estas que tombam, estas que vivem uma vida de terror. É cúmplice também das ruínas de um país. No caso da Amazônia, é cúmplice das ruínas da vida da nossa e de muitas espécies no único planeta disponível. [Continua]

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27
Mai19

Fraude no Lattes: Witzel confundiu Harvard com Havan

Talis Andrade

fraude-no-lattes.jpg“Não sabia que o véio da Havan agora vendia diploma também”, afirmou Ciro Gomes ao saber do caso

 

por Piauí Herald

Ilustração Paula Cardoso

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GRÁVIDA DE TAUBATÉ – Um gabinete de crise foi montado no Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio de Janeiro, para explicar por que o governador Wilson Witzel teria inventado que estudou em Harvard. “Se ele mentisse dizendo que foi do Bope, da Brigada Paraquedista ou dublê do Vin Diesel, a gente até entenderia”, explicou um assessor. “Mas Harvard? Que que um cara que quer ser presidente do Brasil ganha inventando que estudou em Harvard?”

 

Horas depois, o mistério foi desfeito: Witzel teria confundido a universidade de Harvard com uma ida às lojas Havan, onde participou de um institucional em homenagem ao decreto das armas. “Foi culpa da Estátua da Liberdade que tem na frente da loja, e daquele careca, dono da loja, que parece um reitor”, explicou o próprio Witzel, após ter seu curriculum lattes abatido por um sniper. “E eu estava meio desorientado, descendo do helicóptero depois de metralhar uma comunidade.”

 

Witzel afirmou ter feito os cursos de Bolsonarismo 1, 2 e 3 durante seu período de estudos na loja: “Isso me deu uma formação sólida para o uso do Twitter, além de um network com todos os influenciadores das milícias do Rio.” Em seguida virou-se para uma câmera e disse: “E a Havan entende tanto quanto a Harvard quando o assunto é economia!” O MP do Rio de Janeiro instaurou um inquérito para investigar o merchan feito pelo governador.

 

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gervasio diploma witzel.jpg

 

08
Out18

Tem dedo da CIA nas eleições do Brasil

Talis Andrade

inimigo guerra paz propaganda Payam Boromand.jpg

 

por Marcelo Zero

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O crescimento do fascismo bolsonarista na reta final, turbinado por uma avalanche de fake news disseminadas pela internet, não chega a surpreender.

 

Trata-se de tática já antiga desenvolvida pelas agências americanas e britânicas de inteligência, com o intuito de manipular opinião pública e influir em processos políticos e eleições. Foi usada na Ucrânia, na "primavera árabe" e no Brasil de 2013.

 

Há ciência por trás dessa manipulação.

 

Alguns acham que as eleições são vencidas ou perdidas apenas em debates rigorosamente racionais, em torno de programas e propostas.

 

Não é bem assim.

 

Na realidade, como bem argumenta Drew Westen, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Emory, no seu livro "O Cérebro Político: O Papel da Emoção na Decisão do Destino de uma Nação", os sentimentos frequentemente são mais decisivos na definição do voto.

 

Westen argumenta, com base nos recentes estudos da neurociência sobre o tema, que, ao contrário do que dá a entender essa concepção, o cérebro humano toma decisões fundamentado principalmente em emoções. O cérebro político em particular, afirma Westen, é um cérebro emocional. Os eleitores fazem escolhas fortemente baseados em suas percepções emocionais sobre partidos e candidatos. Análises racionais e dados empíricos jogam, em geral, papel secundário nesse processo.

 

Aí é que entra o grande poder de manipulação pela produção de informações de forte conteúdo emocional e as fake news.

 

Os documentos revelados por Edward Snowden comprovaram que os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido possuem unidades especializadas e sofisticadas que se dedicam a manipular as informações que circulam na internet e mudar os rumos da opinião pública.

 

Por exemplo, a unidade do Joint Threat Research Intelligence Group do Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), a agência de inteligência britânica, tem como missão e escopo incluir o uso de "truques sujos" para "destruir, negar, degradar e atrapalhar" os inimigos.

 

As táticas básicas incluem injetar material falso na Internet para destruir a reputação de alvos e manipular o discurso e o ativismo on-line. Assim, os métodos incluem postar material na Internet e atribuí-lo falsamente a outra pessoa, fingindo-se ser vítima do indivíduo cuja reputação está destinada a ser destruída, e postar "informações negativas" em vários fóruns que podem ser usados.

 

Em suma:

 

(1) injetar todo tipo de material falso na internet para destruir a reputação de seus alvos; e (2) usar as ciências sociais e outras técnicas psicossociais para manipular o discurso on-line e o ativismo, com o intuito de gerar resultados que considerados desejáveis.

 

Mas não se trata de qualquer informação. Não. As informações são escolhidas para causar grande impacto emocional; não para promover debates ou rebater informações concretas.

 

Uma das técnicas mais usadas tange à "manipulação de fotos e vídeos", que tem efeito emocional forte e imediato e tendem a ser rapidamente "viralizadas". A vice Manuela, por exemplo, tem sido alvo constante dessas manipulações. Também Haddad tem sido vítima usual de declarações absolutamente falsas e de manipulações de imagens e discursos.

 

A abjeta manipulação de imagens de "mamadeiras eróticas", que estariam sendo distribuídas pelo PT, é uma amostra de quão baixa pode ser a campanha de "truques sujos" recomendada pelas agências de inteligência norte-americanas e britânicas.

 

Muito embora tais manipulações sejam muito baixas e, aos olhos de uma pessoal racional, inverossímeis, elas têm grande e forte penetração no cérebro político emocional de vastas camadas da população.

 

Nada é feito ao acaso. Antes de serem produzidas e disseminadas, tais manipulações grosseiras são estudadas de forma provocar o maior estrago possível. Elas são especificamente dirigidas a grupos da internet que, por terem baixo grau de discernimento e forte conservadorismo, tendem a se chocar e a acreditar nessas manipulações grotescas.

 

Na realidade, o que vem acontecendo hoje no Brasil revela um alto grau de sofisticação manipulativa, o que exige treinamento e vultosas somas de dinheiro. De onde vem tudo isso? Do capital nacional? Ou será que há recursos financeiros, técnicos e logísticos vindos também do exterior?

 

É óbvio que isso demandaria uma investigação séria, a qual, aparentemente, não acontecerá. Só haverá investigação se alguém da esquerda postar alguma informação duvidosa.O capital financeiro internacional e nacional, bem como setores do empresariado produtivo, já fecharam com Bolsonaro, no segundo turno. Boa parte da mídia oligárquica também. O mal denominado "centro", na verdade uma direita raivosa e golpista, ante a ameaça de desaparecimento político, começa, da mesma maneira, a aderir, em parte, ao fascismo tupiniquim, tentando sobreviver das migalhas políticas que poderiam obter, caso o Coiso e Mourão, o Ariano, ganhem.

 

Trata-se, evidentemente, do suicídio definitivo da democracia brasileira e de uma aposta no conflito, no confronto, no autoritarismo e no fascismo, o que levaria a economia e a política brasileiras ao profundo agravamento de suas crises.

 

Contudo, esse agravamento da crise político-institucional e econômica, que inevitavelmente seria acarretado pela vitória do protofascista Bolsonaro, poderá ser útil aos interesses daqueles que querem se apossar de recursos estratégicos do país e de empresas brasileiras.

 

O caos e a insegurança podem ser úteis, principalmente para quem está de fora. Vimos isso muitas vezes no Oriente Médio. No limite, o golpe poderá ser aprofundado por uma "solução de força", bancada pelo Judiciário e pelos militares. Desse modo, seria aberta a porteira para retrocessos bem mais amplos que os conseguidos por Temer. Retrocessos principalmente do ponto de vista da soberania nacional.

 

Do ponto de vista geoestratégico, o prometido alinhamento automático de Bolsonaro a Trump, seria de grande interesse para os EUA na região. Como se sabe, a prioridade estratégica atual dos EUA é o "grande jogo de poder contra China e Rússia", entre outros. Bolsonaro, que já prometeu doar Alcântara ao americanos e privatizar tudo, poderia ser a ponta de lança dos interesses dos EUA na região, intervindo na Venezuela e se contrapondo aos objetivos russos e chineses na América do Sul.

 

Por isso, parece-nos óbvio que há um dedo, ou mãos inteiras, de agências de inteligência estrangeiras, principalmente norte-americanas, na disputa eleitoral do Brasil. O modus operandi exibido nessa reta final é idêntico ao utilizado em outros países e demanda recursos técnicos e financeiros e um grau de sofisticação manipulativa que a campanha de Bolsonaro não parece dispor.

 

A CIA e outras agência estão aqui, atuando de forma extensa.

 

Cabe às forças progressistas se contrapor, de forma coordenada, a esse processo manipulativo. E a resposta não pode ser apenas contrapor racionalidade ao ódio manipulativo. A resposta, para a disputa do cérebro político, tem de ser também emocional.

 

O ódio anti-PT, anti-esquerda, antidemocracia, antidireitos, anti-igualdade etc., que anima Bolsonaro e que foi criado pelo golpismo e sua mídia fake, tem desse ser combatido pela projeção de sentimentos antagônicos, como esperança, amor, solidariedade, alegria e felicidade.

 

Eles projetam um passado de exclusão, violência e sofrimentos. Nós temos de projetar um futuro de segurança e realizações.

 

Quanto à campanha sórdida de difamação e manipulação, orientada de fora, o nosso lema deve ser o mesmo de Adlai Stevenson, o grande político democrata dos EUA, que propôs ao republicanos: "Vocês parem de falar mentiras sobre os Democratas e eu pararei de falar a verdade sobre vocês".

 

O Coiso, Mourão, o Ariano, e a "famiglia" Bolsonaro só falam aberrações chocantes, devidamente comprovadas. Não são fake news. Assim, basta expô-los a sua própria verdade. Derreterão como vampiros na luz do sol.

03
Jul18

A justiça como propaganda

Talis Andrade

O golpe continua: Moro e sua “justiça eleitoral”

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 Quem paga a caríssima propaganda de Sergio Moro? Inclusive existem peças publicitárias pagas pela Apae, que tem como dirigente a esposa do juiz Rosangela Moro

 

por Fernando Brito

===

Da “jurisdição suprema” que tem Sérgio Moro, hoje, não falta, é claro, o seu papel de “juiz supremo” das eleições.

 

E a nota da coluna de Monica Bergamo, na Folha, dizendo que Moro sentenciará o ex-presidente Lula dias antes das eleições de outubro, mostra que o julgamento é, essencialmente, voltado para produzir efeitos eleitorais no campo da propaganda.

 

Simples assim.

 

O roteiro será o mesmo do “triplex do Guarujá”.

 

O sítio não é de Lula, mas “é de Lula”.

 

Ninguém acusará Lula de ter pedido vantagens e muito menos de que elas tenham ligação – senão genérica – com os desvios havidos na Petrobras. Mas, será ligado, mesmo que não se possa, como no caso do apartamento, dizer como.

 

Até porque, não sendo ligado aos eventos da Petrobras não haveria razão para serem analisados no “matadouro do Moro”. Mas isto, claro, não vem ao caso, e é de Moro o “direito divino” de julgar o ex-presidente.

 

E pouco importa que, mesmo que fossem verdadeiros todos os recebimentos de “vantagens” por parte de Lula, ninguém liga para o fato de que, ainda assim, não dariam um mísero mês de salário de diretor do Itaú ou, para ficar nas ex-estatais, da Vale.

 

Ou um milésimo dos R$ 2 bilhões que a indicação de Pedro Parente deu aos acionistas da BRF, segundo o Valor Econômico.

 

Convenhamos, ridículo para quem seria “o chefe do maior esquema de corrupção da história”, nas palavras dos seus perseguidores.

 

Moro, como faz desde o início, regula atos e prazos dos processos de Lula de acordo com os seus objetivos políticos.

 

Seu poder vale mais que o de governos, empresas, mídia, partidos.

 

E, como toda ditadura, poderá tudo, até que caia.

 

23
Mai18

Dissecando um cadáver: a matéria falaciosa de Veja sobre o cárcere de Lula

Talis Andrade

IMPRENSA EM QUESTÃO > FATO FABRICADO

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por Jeana Laura da Cunha Santos 

Texto publicado originalmente pelo objETHOS

 

Costuma-se atribuir aos autores do Novo Jornalismo, a despeito de toda a excelência que obtêm no texto, certa inclinação a exagerar ou mesmo inventar fatos em prol de uma narrativa com viés literário. Usa-se e abusa-se de descrições pormenorizadas, personagens são trazidos à luz sem que tenham sido de fato entrevistados, como se fossem heróis ou anti-heróis criados a partir da mente criativa do autor ou a partir da fala subjetiva de terceiros. Detalhes aparentemente insignificantes — a cor da roupa e os trejeitos do protagonista, a ambientação dos cenários, a atmosfera reinante — são descritos em seus pormenores para construir uma verossimilhança que muitas vezes transcende à realidade.

 

A matéria de capa do jornalista Thiago Bronzatto para a revista Veja do último dia 4 de maio parece querer beber dessa tradição. Tal qual o monólogo interior de um detetive de filme noir, o jornalista abre o texto como se fizesse parte de um plano-sequência de cinema, prefigurando no leitor o suspense necessário sobre algo recôndito que estaria por se desvelar. Algo que só o narrador, imbuído de audácia investigativa, poderia descortinar. “O elevador para no 3º andar do prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Quando se sai dele, à esquerda, um agente fardado, com uma espingarda calibre 12 em punho, impede o acesso à escada de incêndio”. Fazendo uso da primeira pessoa e lançando mão de medidas exatas (espingarda calibre 12, 3º andar do prédio, cela de 15 metros quadrados, 22 presos, 7 horas) para denotar precisão, o jornalista quer nos convencer de que, de fato, esteve lá, a despeito de o acesso ser permitido “somente a pessoas autorizadas”, alerta ele. Sua missão: contar como está sendo a vida no cárcere do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há um mês no prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

 

Para tanto, dá detalhes de uma “rotina especial” a qual só Veja teria obtido acesso com exclusividade: a cela, as roupas, a comida, os banhos de sol, os exercícios físicos, as leituras etc. A matéria reproduz até as conversas de Lula com os advogados e os chistes dirigidos aos policiais que o vigiam.

 

A partir da edição seletiva de tais falas — se elas de fato ocorreram! — vemos a construção de um perfil cujas tintas preconceituosas e reducionistas estão em todas as facetas do ex-presidente que Veja quer destacar. Alguns exemplos eloquentes dessa conduta subliminar: sobre a rotina de exercícios e seu pedido por uma bola usada em sessões de pilates para combater o estresse, o texto faz alusão a uma hipotética brincadeira de Lula dizendo que dentro da bola poderia vir uma mulher. Sobre o fato de Lula ter solicitado à Justiça um frigobar para tomar água gelada, a revista comentou novamente o “bom-humor” do ex-presidente, destacando o que ele teria dito: “fala para a juíza liberar o frigobar com uma cervejinha”. No tocante à limpeza da cela de 15 metros quadrados, diz que “diferentemente do que fazem seus colegas presidiários, Lula não limpa o banheiro, não varre o chão nem recolhe o lixo da cela”. Quando o assunto são os livros que o ex-presidente estaria lendo, comenta jocosamente: “A leitura nunca esteve entre os hábitos prediletos do ex-presidente”.

lula cárcere .jpg

 

O perfil traçado por Veja sobre Lula revela um ex-presidente: no primeiro caso, mulherengo; no segundo, alcoólatra; no terceiro, indolente; no quarto, iletrado. Soma-se a essas facetas, a de ingrato com relação aos seus correligionários, uma vez que, segundo Veja, Lula teria dito que a ex-presidente Dilma Rousseff não soube governar direito e que a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, teria sido incompetente.

 

O curioso é que Veja, ao reconstituir o cotidiano do primeiro mês de Lula na prisão, tenha ventilado apenas as observações do ex-presidente (se de fato ocorreram!) que bem poderiam estar em um editorial da própria revista. Falas descontextualizadas, tendenciosas, oportunistas, parecendo às vezes forjadas, ouvidas sabem-se lá por quem e com que interesse, obtidas através da infiltração pouco esclarecida de um repórter que nem sequer cita uma fonte fidedigna com nome e sobrenome. Oculta-se na ideia de um jornalismo investigativo que, quando bem aplicado, recorre sim a fontes oficiosas (aquelas que pertencem a uma instituição oficial, mas não falam por ela, recorrendo ao off). Não é o caso aqui! O texto que ora se analisa parece mais um simulacro de Novo Jornalismo, com um teor palatável e pseudo-fidedigno, mas que não passa de propaganda ideológica para atender interesses político-partidários ou empresariais. Algo que Veja sempre fez e sempre fará se não for devidamente brecada.

 

A verdade encarcerada

 

Tudo que se disse acima a respeito da prática nefasta de Veja sobre as seleções e angulagens já seria absolutamente condenável não fosse por algo ainda mais significativo. Nem tudo que diz a revista parece ser verdade. Na última sexta-feira, dia 4, a Polícia Federal veio a público para esclarecer aquilo que já se suspeitava: a referida reportagem de capa está repleta de “informações equivocadas e imprecisas”. Sobre outro atributo imputado ao perfil do ex-presidente (de que, além de mulherengo, alcoólatra, indolente, iletrado, seria doente), a PF esclarece: “É absolutamente falso, por exemplo, que seja administrada insulina ao custodiado”. De fato, em matéria publicada na edição desta semana (16 de maio), Veja teve que admitir que Lula não recebera tal dose de insulina e que, em vez disso, “foi submetido a uma medição da taxa de glicose, por causa do diabetes”.

 

A nota de esclarecimento da PF destaca também que “minucioso exame das imagens de circuito interno de segurança permite verificar que o autor da matéria não teve acesso à área restrita ao Ex-Presidente”, embora o jornalista da matéria tenha estado no edifício da Superintendência Regional onde teria participado de uma reunião com um servidor que não possui relação com quaisquer procedimentos relacionados à custódia.

 

Com base no que considerou uma violação da intimidade do ex-presidente Lula, o deputado Paulo Pimenta (RS), líder do PT na Câmara, ajuizou pedido de convocação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para explicar o ocorrido. Para Pimenta, caso a permissão de entrada de repórter no cárcere seja confirmada, trata-se de “fato de gravidade ímpar”. No requerimento de convocação, que precisa ser aprovado por maioria na CCJ, Pimenta diz também que a revista “expõe publicamente, de maneira sensacionalista, as condições internas da prisão onde se encontra o presidente Lula, violando, indevidamente, sua intimidade”.

 

Tentando desviar o foco sobre seus “métodos” de investigação, Veja, em matéria desta semana intitulada “Agentes sob pressão”, acusa a Polícia Federal de “falhar clamorosamente na segurança de Lula” e afirma que o comunicado da PF “tenta ludibriar a plateia”. Mas quem parece querer ludibriar a audiência e estar sob pressão, por conta da dificuldade em explicar suas próprias falhas, é a revista.

 

Não contente em ser uma das responsáveis pelo golpe ocorrido em 2016, que destituiu uma presidenta legitimamente eleita, e, posteriormente, ter sido uma das vozes a conduzir Lula ao cárcere, Veja pretende agora dissecar o que considera um cadáver. Mas não pode deixar de mencionar, ainda que sob a ressalva de que ninguém está acima da lei, de que (palavras dela!) “jamais encarceraram um ex-presidente que, ao mesmo tempo em que é pilhado em corrupção, é também o preferido dos eleitores”. Entretanto, verdade assim tão contundente — a de que Lula lideraria as pesquisas mesmo estando preso — parece ser apenas um detalhe na revoada inventiva de cenários, falas e situações trazidas pelo jornalista Thiago Bronzatto.

 

Fala-se muito na proliferação nociva de fake news como se ela fosse fruto exclusivo dos ambientes digitais, em particular das redes sociais. Seminários e rodas de conversa são patrocinados pela grande mídia tradicional no intuito de combatê-las. A própria Veja organizou, no último dia 24 de abril, evento intitulado “Amarelas ao vivo” em que 10 entrevistados seriam ouvidos “sobre como as redes sociais e as fake news vão afetar as eleições, o Brasil e você”. Entretanto, a matéria falaciosa aqui analisada revela que Veja, no intuito de, sim, “afetar as eleições, o Brasil e você”, angula a realidade, distorce a verdade e fabrica fatos tão falsos quanto a legitimidade de Temer, que não só não está encarcerado como usufrui livremente do poder.

***

Jeana Laura da Cunha Santos é pós-doutoranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do objETHOS.

 

25
Mar18

O 'mecanismo' do cinema como propaganda eleitoral

Talis Andrade

Padilha pôs expressões canalhas de Jucá na boca de Lula em série da Netflix sobre a Lava Jato

 

Denunciei que a série "O Mecanismo" continua no cinema internacional a antecipada campanha eleitoral do Brasil deste ano. Tudo começou e continua com uma narrativa da Lava Jato, tendo os políciais de Sérgio Moro e Temer, à moda mexicana revista pelos gringos, como heróis bem representados no Rio de Janeiro pelas milícias.

 

Não sei quem paga, via Netflix, essa propaganda cara e nefasta, em que o grande herói do José Padilha é o policial de Temer, o Segovia. 

 

segovia o policial de temer.jpg

 

 

DCM - A crítica de Lucas Salgado no site Adoro Cinema à série “O Mecanismo”, de José Padilha, aponta um problema de “desonestidade”:

 

“No Brasil, a definição de justiça no dicionário não contém as palavras equilíbrio e imparcialidade”, diz a narração de O Mecanismo em importante momento da trama. Não que seja o objetivo da série buscar justiça, mas é certo que um pouco mais de equilíbrio era bem necessário para a produção.

 

Já sobre imparcialidade… Há de se reconhecer o esforço dos criadores José Padilha e Elena Soarez e o time de roteiristas de tentarem vender a ideia de que o tal mecanismo engloba todas as partes, da esquerda e da direita, do Presidente da República ao funcionário da companhia de água, passando pelo jovem da classe média e alta que falsifica carteira de estudante e dá uma “cervejinha” para o policial.


Por alguns momentos, a série consegue bem vender essa imagem. Em outros, no entanto, fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (claramente inspirado em Lula) usando frases como “estancar a sangria” e “construir um grande acordo nacional”. Usar fala do notório diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá como sendo de Lula é algo pra lá de desonesto, e isso é algo que deveria ser claro para pessoas das mais diversas visões ideológicas. (…)

 

===

 

Maria Jose Silveira: É lamentável o que ele faz com Lula e Dilma. Me parece caso de difamação e merece processo. E que quantidade de publicidade paga está tendo a série! Propaganda nas revistas e jornais. Será que está sendo bancada pela Netflix?

Fernando Monteiro: Uma coisa é certa -- ou mais do que certa --, Maria amiga: desde que o cinema brasileiro foi assumindo posturas de "conquista do mercado" (o analfabeto ministro atual da "Cultura" é um adepto fervoroso disso, desde seus nefandos tempos da RioFilmes etc), nós vimos surgir os Padilhas. Padilhas por todo lado, no solo cinematográfico dignificado pela trajetória limpa -- e heroica -- de Glauber, de Nelson Pereira, de Leon, Joaquim Pedro e outros. Surgiu, então, o olhar cúpido daqueles oclinhos dos Meirelles-idem -- ávidos pelos Oscar (que nunca veio) e outros penduricalhos de acesso ao mercado americano acima de tudo. Lembra-se que o ridículo Bruno Barreto chegou a se transferir para Los Angeles, a fim de -- lá -- filmar qualquer merda?


Pois bem: é assim que estamos -- ou parece que estamos --, agora: servidos pelos Padilhas, "reduzidos" a eles e seus Robocops da bilheteria descerebrada. São os "novos" tempos: Padilha é "in", Padilha está na moda do "audiovisual" indiferente ao destino do Brasil, à decifração -- ainda -- da nossa identidade etc. Padilha é isso: um Padilha, lá nos States dos "cucarachos" que pensam que são respeitados em Hollywood e adjacências. Enganam-se. Eles apenas trabalham para a velha indústria que Glauber execrava do fundo do coração baiano, eles apenas cumprem as ordens da Netflix e de quem pague seus "serviços" de "profissionais" sem pátria.

 

===

 

 

Leia a conversa original, gravada pela Polícia Federal:

 

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.[...]

 

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

 

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ’Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

 

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

 

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

 

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

 

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

 

 

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