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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

20
Jul23

O professor doutrinador no imaginário bolsonarista

Talis Andrade

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por Wilson Gomes

Cult

 

Recentemente, discursando em um ato político pró-armas, em Brasília, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deu aos presentes os seguintes conselhos pedagógicos:

Prestem atenção na educação dos filhos. Tirem um tempo para ver o que eles estão aprendendo nas escolas e não vai ter espaço para professor doutrinador tentar sequestrar as nossas crianças. Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante de drogas que tenta sequestrar e levar os nossos filhos pro mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior porque ele vai causar discórdia dentro da sua casa, enxergando opressão em todo o tipo de relação.

O pensamento todo é muito bizarro, em forma e conteúdo. Imaginar que uma audiência composta por lobistas e militantes pela facilitação da posse e porte de armas precise de conselhos de alguém como Eduardo Bolsonaro para proteger os próprios filhos de algum modo que não seja a tiros, já é estranho. Para protegê-los de gente tão perigosa como professores desarmados e vulneráveis, parece-me um supremo exemplo de nonsense. Dessas coisas kafkianas que parecem ter escapado de uma trama literária absurda.

É difícil imaginar que um público de machões e fêmeas alfas casca-duras, que acha que portar armas resolve praticamente todos os problemas sociais, precise de algum outro conselho para proteger suas famílias além daquele consignado no provérbio latino “si vis pacem, para bellum” – se queres a paz, inclusive a familiar, prepara-te para a guerra, inclusive com um revólver na mão. Eduardo Bolsonaro, contudo, pondera haver outras ameaças insidiosas rondando os lares brasileiros, que nem tiro resolve, como a perigosíssima professora dos nossos filhos, figura ainda mais perigosa do que os traficantes de drogas.

Depois, somos apresentados à extravagante alegoria segundo a qual professores são como sequestradores, em primeiro lugar, mas querendo significar aliciadores, em segundo lugar. O importante é que tanto o nome “sequestradores” quanto a expressão “levar os nossos filhos pro mundo do crime” indicam delitos terríveis, de modo que a audiência presente ao ato deve ter levado instintivamente a mão ao cabo de suas armas automáticas ante cenário tão aterrador. A professora dos nossos filhos foi retoricamente transformada no professor doutrinador, esse híbrido de sequestrador e aliciador de crianças, a encarnação de todos os nossos medos.

No passo seguinte, o professor doutrinador é classificado na escala de ameaça social: possivelmente, diz o deputado, seja pior que o traficante de drogas. Imagino que a este ponto, no público presente, o dedo de apertar o gatilho tenha chegado a coçar. Traficantes de drogas são marginais desumanos e sem escrúpulos que enriquecem por meio da destruição dos outros; os professores que doutrinam os nossos filhos são marginais desumanos e sem escrúpulos de natureza ainda pior. O ensino nas escolas brasileiras chega, enfim, ao topo do ranking, mas do ranking dos crimes hediondos. Vejam só!

Para rematar, o deputado tem o cuidado de exemplificar um dos crimes praticados pelo professor doutrinador: a divisão dentro do lar, levando as crianças a enxergarem opressão nas relações que nele se estabelece. A sentença é meio rocambolesca e a lógica cai das alturas, uma vez que é o único exemplo dado para demonstrar por que razão o professor seria ainda pior que o traficante de drogas. De toda sorte, parece que o filho nº 2 de Bolsonaro quis dizer que é por causa do professor doutrinador que crianças e adolescentes irão constatar relações opressoras no interior da família. O que, evidentemente, segundo a lógica do deputado, é pior do que sequestrar crianças e aliciá-las para o tráfico de drogas, sabe-se lá por quê.

Eis, em síntese, a estranhíssima representação das relações pedagógicas nas escolas brasileiras, segundo o sombrio universo mental bolsonarista. Ah, dirão os defensores dessa esquisita doutrina, mas ele não falou de todos os professores, apenas do professor doutrinador. Está certo, mas como a profissão de professor doutrinador não consta nas listas de ocupações do Ministério do Trabalho, resta o fato de que o docente será classificado como doutrinador ou não em exclusiva conformidade com o gosto dos bolsonaristas. Que, como se sabe, são exímios em construir fantasiosamente bichos-papões para incutir na sociedade o medo e o pânico moral dos seus adversários, inimigos ou de qualquer grupo social que lhes pareça um obstáculo aos seus projetos de poder.

O professor doutrinador é um bicho-papão das fábulas da extrema direita bolsonarista e serve basicamente para sustentar a tese sorrateira de que os mestres que cuidam diariamente dos nossos filhos ensinam valores e princípios que não permite que os petizes facilmente aceitem o terraplanismo, o negacionismo histórico, a intolerância, o dogmatismo e o fundamentalismo de que precisam os ultraconservadores para que possam prosperar politicamente. Mas se examinarmos de perto em que consistiria a doutrina que a extrema direita considera malsã e perigosa, vamos encontrar basicamente os valores do humanismo, do iluminismo, do pensamento liberal e da democracia.

Claro, há também as distorções e a forçada de mão do pensamento de esquerda mais elementar e, ultimamente, do identitarismo; um comportamento comum em escolas e que infelizmente dá plausibilidade a muitos dos ataques da direita conservadora. Não se iludam, porém, que o problema é simplesmente este. O programa reacionário, decadentista, tradicionalista, autoritário dos ultraconservadores é fundamentalmente pré-democrático, pré-liberal e pré-iluminista. Atacam os professores, desqualificando o árduo, penoso, imprescindível e mal remunerado trabalho que prestam à sociedade, mas o problema da direita conservadora não é com eles, é com o Iluminismo. O professor – como, de resto, também intelectuais e cientistas – não passa do bode expiatório de que os ultraconservadores precisam para concentrar sua frustração secular com as Luzes. Querem uma revanche no século 21 para a revolução que perderam lá pelos séculos 17 e 18.

15
Jul23

Professores, uni-vos!

Talis Andrade

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Um voto de protesto contra o discurso nefasto sobre o duro, incompreendido e desvalorizado ofício de professor

 

por Jean Pierre Chauvin

- - -

Uma das notícias mais tristes, nos últimos anos, foi constatar a existência de colegas que não só votaram no mitômano especializado em matar,[i] mas continuam a defendê-lo em 2023, apesar de tudo o que ele negou, distorceu, corrompeu e desfez; a despeito de todas as ignomínias que cometeu; apesar do absoluto deboche com que desgovernou as pessoas, as coisas, as culturas, as leis e as contas do país, em favor de si mesmo e de seus asseclas, todos situados muito abaixo da mediocridade.

Ora, se nem mesmo a hecatombe sanitária por negligência federal foi capaz de sensibilizar alguns professores durante a pandemia, o que o discurso leviano do seu filho poderia despertar? É nisso que tenho refletido desde que o deputado comparou “professores doutrinadores” a “traficantes” – em prejuízo moral dos educadores –, durante o final de semana, em ato que “coincidiu” com os seis meses do atentado aos três Poderes da República, no dia 8 de janeiro de 2023.

Alguém objetará que resulta inútil propor qualquer forma de diálogo com essa turma nefasta; mas, persisto.

Comecemos pela suspeita de que pouca gente lembra ou sabe que entre os antigos romanos, o verbo “doutrinar” subjazia o ato de lecionar, ou seja, era prática inerente à relação entre Mestre e Discípulo (veja-se o que ensinou Antônio Geraldo Cunha em seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa).

Entretanto, o correr dos séculos, a mudança dos regimes, as novas formas de conceber o mundo, emprestaram caráter pejorativo ao termo doutrinação. Se até o final do Oitocentos, doutrina traduzia um conjunto de preceitos e, por extensão, a ideia de sistema, o fato é que a palavra assumiu caráter negativo ao longo do século XX, especialmente quando ela passou a ser empregada como sinônimo de perversão, desvio ético e/ou intelectual dos “puros” alunos, por obra do professor “doutrinador”.

Se resgatar a etimologia de doutrina pode resultar em argumento inconsistente (já que foram atribuídas muitas camadas de sentido a essa palavra, ao longo dos séculos), consideremos o uso que Paulo Freire fez dela em Pedagogia do Oprimido – publicado em 1968. Contrariando o que disparam seus detratores sem tê-lo lido, repare-se que em nenhum momento ele defendeu o papel doutrinário do professor, mas o seu propósito libertário, no trabalho com os alunos.

Uma explicação possível. A concepção freiriana de ensino-aprendizagem pressupunha solidariedade contra antagonismo; educação crítica em lugar de escolarização ingênua. Em suma, superar a contradição oprimido-opressor envolveria a relação horizontal entre educador-educando e educando-educador.

A lição pode soar óbvia aos colegas familiarizados com a extensa obra de Paulo Freire; mas, provavelmente será condenada como peça de pedagogia “doutrinária” pela extrema direita e seus adeptos – especialistas em ressentimento que fingem acreditar nos absurdos que eles mesmos criam e disseminam, em nome de quimeras como “Pátria” (quintal dos EUA), “Deus” (da prosperidade), “Família” (das aparências) e “Propriedade” (do latifúndio improdutivo) etc.

O que seres dessa estirpe simulam esquecer é que não há professor neutro, tampouco ensino isento de parcialidade. O que eles teriam a dizer sobre coachs apologetas do neoliberalismo, que transferem toda a cota do insucesso para o indivíduo “fracassado”? Sobre instrutores que “ensinam” o empreendedorismo como se fosse um valor absoluto, alheio aos limites do indivíduo e infenso às assimetrias sociais? Sobre líderes “religiosos” que espoliam os fiéis mais carentes, em benefício próprio? Sobre sujeitos na política que se divertem enquanto alvejam os profissionais da educação?

Professores, uni-vos!

Eis o link para registrar seu voto de protesto contra o discurso nefasto sobre nosso duro, incompreendido e desvalorizado ofício: https://lucienecavalcante.com.br/foraeduardobolsonaro/#form

Nota


[i] Depoimento feito em 2017. Cf. https://www.nytimes.com/pt/2022/03/31/opinion/bolsonaro-brazil-amazon.html

Programa de doutrinação bolsonarista e boquinha para militares

13
Mai23

Secretaria de Educação em cidade catarinense exibe símbolos nazistas

Talis Andrade
 
Fotografia com simpatizantes do nazismo que integra acervo da secretaria de Educação de Dona Emma, município com pouco mais de quatro mil habitantes em Santa Catarina -

 

Município de Dona Emma abrigou células nazistas no passado e está em região com histórico de extremismo


por Matheus Santino /Agência Pública


* Imagens mostram bandeiras com a suástica e simpatizantes de Hitler
* Lei brasileira criminaliza veiculação de símbolos nazistas

 

Quem visita o prédio da secretaria de Educação de Dona Emma, município com pouco mais de quatro mil habitantes em Santa Catarina, se depara com uma parede repleta de quadros com fotos históricas de famílias da cidade, logo no hall de entrada. Entre elas há imagens de bandeiras com a suástica nazista.

Uma das fotos mostra crianças e um homem em frente a uma escola. Ao fundo, estão hasteadas uma bandeira do Brasil e uma da Alemanha nazista. A imagem está acompanhada da legenda “A escola particular Alemã era mantida pelos pais dos alunos com recursos vindos da Alemanha”.

Em outra foto, sete homens aparecem posando enquanto um deles segura uma bandeira nazista. Na legenda, eles são descritos como “simpatizantes de Hitler em Nova Esperança”, um bairro de Dona Emma. As fotos que ostentam símbolos nazistas se misturam com imagens das famílias que fundaram a região, mas, nas que a suástica aparece não há indicação dos nomes das pessoas.

Segundo a Lei 7716/1989 é crime “veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, tendo pena de dois a cinco anos de reclusão e multa”.

 

Imagens expostas na Secretaria de Educação de Dona Emma mostram bandeiras com a suástica e simpatizantes de Hitler
Imagens expostas na Secretaria de Educação de Dona Emma mostram bandeiras com a suástica e simpatizantes de Hitler (foto: Giuliano Bianco)

 

Carlos Bartel é professor de História do Instituto Federal Catarinense (IFC), no campus de Ibirama, município vizinho à Dona Emma. Ele também é autor de um artigo sobre nazismo em Ibirama, chamado "O nazismo está nas ruas: nazismo e Estado Novo no município de Hamônia/Ibirama (1933-1945)", que conta um pouco sobre o passado de alguns municípios da região do Alto Vale do Itajaí. Ele explica que a região tem um forte histórico da presença de núcleos nazistas. 

Segundo o professor, Dona Emma fazia parte do município de Hamônia, que tinha esse nome em homenagem à cidade de Hamburgo. A região foi ocupada por uma colonização privada liderada pela Sociedade Colonizadora Hanseática, do norte da Alemanha, que tinha sede na cidade de Hamburgo.

"No município de Hamônia haviam várias células do partido nazista. O personagem mais importante da região era o médico Friedrich Kröner, que eu cito no meu artigo. Ele era um médico que foi trazido para cá pela Sociedade Colonizadora Hanseática e era membro do partido nazista – tinha carteirinha e tudo. Ele conseguiu financiamento com o partido nazista para construir o hospital da Colônia Hamônia e depois da cidade de Hamônia, da qual Dona Emma fazia parte", conta.

Bartel explica que muitos grupos nazistas foram desmanchados durante Estado Novo, na década de 30, e algumas pessoas foram presas, incluindo o médico Friedrich. 

Santa Catarina é o segundo estado com o maior número de células nazistas do país, atrás de São Paulo, segundo pesquisa feita pela historiadora Adriana Dias, que foi uma das maiores referências em pesquisa sobre neonazismo no Brasil. Considerando a população dos dois estados, SC ficaria em primeiro lugar em termos proporcionais.

Mesmo que sejam um registro histórico de famílias do local, as fotos não poderiam estar expostas em um prédio público, na avaliação do professor Carlos Bartel. Para ele, as fotos deveriam, pelo menos, estar acompanhadas de um contexto ou explicação. "Poderiam colocar alguma legenda crítica, falando que infelizmente no passado do município isso existiu. Até um tempo atrás, tentava-se apagar essa história aqui da região e agora se faz questão de exibi-la de modo orgulhoso", diz o professor.

A Agência Pública entrou em contato com a prefeitura de Dona Emma pedindo explicações sobre as fotos, mas não obteve retorno até o momento da publicação.

Discursos extremistas ganharam força na região

O professor Carlos Bartel conta que os discursos extremistas estão ganhando cada vez mais força na região de Dona Emma, e que casos de racismo e neonazismo são frequentes, mas muitas vezes relativizados ou minimizados pelos gestores, o que pode ser considerado como racismo recreativo.

"Em Ibirama, houve um caso emblemático em que um aluno desenhou uma suástica no quadro e escreveu que o nazismo tinha que ter matado muito mais. Levei  à direção do campus e a direção disse que era ‘coisa de adolescente’, que a gente estava exagerando", conta. A reportagem procurou o campus Ibirama, que respondeu: "Em nossos registros não consta denúncia formalizada. Ressaltamos que IFC Campus Ibirama tem como princípio a formação humanística e cidadã, prezamos pelo respeito e pela responsabilização dos atos de ilegalidade e crime. Além de promover ações de sensibilização e conscientização no âmbito do Ensino com o amparo dos Núcleos de Diversidade e Inclusão (NEABI, NEGES e NAPNE)".

O extremismo fez com que a sala de aula se tornasse um lugar de tensão, de acordo com o professor, com docentes sofrendo perseguições e pedindo afastamento de suas funções.

 

Município de Dona Emma abrigou células nazistas no passado e está em região com histórico de extremismo
Município de Dona Emma abrigou células nazistas no passado e está em região com histórico de extremismo(foto: Giuliano Bianco)

 

No ano passado, a Pública mostrou como uma rede de políticos da região articulou ataques virtuais contra professores. Na época, um funcionário da prefeitura de Dona Emma, o advogado Pablo Ideker, que ainda ocupa a função de assessor jurídico, participou da campanha de difamação e perseguição contra os docentes, entre eles Carlos Bartel, ajudando a impulsionar mensagens de ódio nas redes sociais. 

No ano passado, a Pública mostrou como uma rede de políticos da região articulou ataques virtuais contra professores. Na época, um funcionário da prefeitura de Dona Emma, o advogado Pablo Ideker, que ainda ocupa a função de assessor jurídico, participou da campanha de difamação e perseguição contra os docentes, entre eles Carlos Bartel, ajudando a impulsionar mensagens de ódio nas redes sociais. 

Os ataques aconteceram depois que professores do Instituto Federal Catarinense (IFC), no campus de Ibirama, protestaram contra o bloqueio de 14,5% do orçamento de universidades e institutos federais de ensino, determinado pelo governo Bolsonaro. Ideker moveu um processo contra Bartel alegando infrações ou irregularidades no exercício da função pública. 

Segundo o professor Bartel, a Comissão de Ética da reitoria do campus de Ibirama acatou a denúncia, mesmo com orientação contrária do Ministério Público em Santa Catarina. O processo foi arquivado em dezembro de 2022, após uma pressão de instituições e professores, mas Bartel não foi comunicado e só soube do arquivamento em abril deste ano. Ideker foi procurado, mas disse que só responderia após a publicação da reportagem.

“Ficamos com essa sombra nos ameaçando. É uma situação bastante difícil do ponto de vista psicológico, porque estamos ali pra dar aula e não para se preocupar com questões de ordem criminal. Daqui a pouco temos que ganhar adicional por risco de vida”, desabafa. 

Na época dos protestos, os professores de Ibirama e região também foram atacados pelo Deputado Estadual Jessé Lopes (PL-SC), que fez postagens ofendendo o professor Bartel no dia 10 de abril deste ano. Na publicação, Jessé chama Carlos de “canalha” e “militante esquerdista disfarçado de professor”. As redes sociais do deputado são repletas de ataques a instituições de ensino e professores de Santa Catarina.

 
Deputado Jessé Lopes
10 de abr
 

O professor explica que busca trabalhar a questão de discursos de ódio e violência nas escolas com os estudantes durante as aulas. O ataque do parlamentar teria sido motivado por uma declaração dele em sala de aula, gravada por um aluno e compartilhada em grupos extremistas que compartilham conteúdos armamentistas nas redes. Ele conta que, ao desejar feliz Páscoa, disse que a região do Vale do Itajaí não tinha muito o que comemorar, em função do ataque praticado à creche de Blumenau que deixou quatro crianças mortas em abril. 

Carlos Bartel conta que o caso foi levado até a direção do campus de Ibirama, que fez uma nota dizendo que a estudante compartilhou a gravação de modo impensado. “Esse deputado incita a população a nos violentar e agredir. Nós estamos em um município de origem nazista e integralista, isso aí é como tu botar fogo num barril de pólvora. Isso não é impensado, se ela me grava de manhã e durante à tarde já viralizou nas redes sociais, isso é uma articulação muito bem planejada e muito bem coordenada”, completa.

“Fiz toda uma fala sobre esses grupos extremistas dizendo que o bolsonarismo, a incitação ao ódio e a violência são parte do problema e não parte da solução. Uma estudante gravou a minha fala, que eu não vejo nenhum problema, é uma fala pública. O problema é gravar e entregar para grupos extremistas montarem uma peça de fake news e promoverem mais um linchamento nas redes sociais”, diz.

“Como explodiram esses casos de violência fica muito difícil separar o que é grave do que não é, mas se o aluno está com uma arma e consumindo material extremista, isso tem que ser resolvido em outro departamento”, diz Bartel, confessando receio por sua segurança. No momento que um deputado, que um vereador ou que um presidente te xinga publicamente, estão autorizando discurso de ódio e servindo de exemplo pra outras pessoas fazerem como ele”, completa. O deputado Jessé Lopes foi procurado, mas não respondeu os questionamentos da reportagem.

 
 
Reação de deputado ao atacar obra prova que charge estava certa, diz  cartunista - 20/11/2019 - Poder - Folha
 
 
ARRUMAMOS A CHARGE Agora sim está... - Deputado Jessé Lopes | Facebook
 
Covarde, sim. Republicou a charge apagando o rosto do ministro do STF]
 
ARRUMAMOS A CHARGE Agora sim está... - Deputado Jessé Lopes | Facebook
 
16
Set22

Faça como Ciro em 2018 pregue o voto útil para o Brasil livre das ameaças golpistas

Talis Andrade

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Bernardo Mello Franco
@BernardoMF
Ciro Gomes está nervoso. Na reta final da campanha, o candidato do PDT lançou uma cruzada contra o voto útil. Há quatro anos, ele defendia essa opção em causa própria

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24
Ago22

Viagem do coração de D. Pedro I de Portugal para o Brasil; cientistas protestam

Talis Andrade

O coração de D. Pedro I saiu da cidade do Porto, em Portugal, na noite de domingo (21) e chegou a Brasília na segunda-feira (22). O governo brasileiro pediu a relíquia emprestada para as comemorações dos 200 anos da Independência, mas a autorização para o traslado desagradou muitos cientistas.

A viagem vai ser feita pela Força Aérea Brasileira. A primeira parada é no Palácio do Planalto. "O coração do nosso D. Pedro será recebido com honras de chefe de Estado, com salvas de canhão e escoltado pelos Dragões da Independência, ficará fora cerca de 20 dias, mas vai regressar com mais reconhecimento e admiração por parte do povo brasileiro", afirmou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, que equivale à prefeitura da cidade.

Em seguida, o órgão vai para o Palácio do Itamaraty e fica em exibição até as comemorações do bicentenário. A viagem de volta para a cidade do Porto está marcada para o dia seguinte, 8 de setembro.D.Pedro I retirada crânio

As negociações para o empréstimo do coração levaram cerca de quatro meses e envolveram o governo português, a Câmara do Porto e representantes da Irmandade da Lapa, entidade religiosa que guarda a relíquia.

O parecer positivo para a viagem só ocorreu depois que uma equipe de peritos avaliou as condições do órgão e garantiu que não haveria riscos. Os profissionais exigiram que o transporte seja em um ambiente pressurizado. Rui Moreira vai viajar acompanhando o coração, mas todos os custos e medidas de segurança são responsabilidade do governo brasileiro.

 

Reações contrárias

 

Desde que o  pedido do empréstimo foi divulgado, vários intelectuais, nos dois países, se manifestam contra. Para a arqueóloga e historiadora brasileira Valdirene Ambiel, a viagem é um desrespeito à memória de D. Pedro I e pode ser instrumentalizada como propaganda política.

“Em 1972 foi quando o corpo de D. Pedro foi trasladado para o Brasil, lamentavelmente foi usado de maneira política, durante o regime militar”, diz a historiadora à RFI. “O bicentenário é um evento muito importante, mas, acima de tudo, nós brasileiros temos que nos preocupar com a reflexão sobre a nossa independência. Não que a figura de D. Pedro tenha que ser esquecida, jamais, nem a importância dele para esse país”, completa.

Para as comemorações dos 150 anos da independência, o então presidente militar, general Emílio Garrastazu Médici, coordenou o traslado do corpo de D. Pedro I de Portugal para o mausoléu do Monumento à Independência, em São Paulo, à margem do simbólico rio Ipiranga.

 

O que eu observei 40 anos depois, em 2012, é que não houve respeito pelo ser humano, pelo estado em que encontrei o corpo de D. Pedro”, diz Valdirene Ambiel.

 

A historiadora desenvolve um estudo baseado em análises dos restos mortais do imperador e das imperatrizes Leopoldina e Amélia, que também estão no mausoléu. “A condição dessa edificação é péssima. A última vez em que estive no espaço foi pouco antes da pandemia e a umidade no local era deplorável”.

Para a historiadora, além de um “desrespeito à dignidade” de D. Pedro I, o pedido do coração é um gasto de dinheiro público desnecessário.

“Eu, como cidadã brasileira, no momento complicado do nosso país, inclusive para nós da área científica, que temos cortes muito grandes de pesquisa há muitos anos, não vejo razão para que haja gasto de dinheiro público com esse transporte. Acredito que se nós tivéssemos mais investimento não apenas na ciência, mas principalmente na educação de base, seria fundamental e inclusive uma homenagem a D. Pedro, que foi quem reconheceu a profissão de professor nesse país”.

 

Exposição inédita

 

Mesmo com as controvérsias, a viagem do coração também vai garantir uma oportunidade inédita para que a população da cidade do Porto veja o coração de perto. A relíquia fica armazenada em um vaso de vidro com formol, numa urna trancada por cinco chaves, dentro de um cofre, na Igreja da Lapa. Neste fim de semana que antecede o embarque para o Brasil, o coração vai ficar em exposição ao público pela primeira vez, no salão nobre do prédio.

Para isso, foi construída uma vitrine especial, com proteção para o caso de quedas. A montagem da instalação levou em conta a altura média de brasileiros e portugueses, e o coração vai ficar posicionado como se estivesse no lugar correto dentro de um corpo humano.

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Vai haver ainda um esquema de segurança para evitar aglomerações próximas da vitrine e presença permanente de policiais. Quando o coração chegar de volta ao Porto, no dia 9 de setembro, vai haver mais um final de semana de exposição e uma cerimônia de encerramento para guardar novamente a relíquia no cofre.

30
Jun22

Ana Julia: projeto bolsonarista é tirar dos estudantes a vontade de aprender

Talis Andrade

www.brasil247.com -

Ocupar o poder, contra Bolsonaro, contra Ratinho

 

Silêncio e censura marcam escolas militarizadas, segundo ativista que ficou conhecida nas ocupações secundaristas de 2016

 

OperaMundi - O SUB40 desta quinta-feira (16/06) recebeu a ativista pela educação pública brasileira Ana Julia Ribeiro, de 21 anos, que ficou nacionalmente conhecida ao discursar na Assembleia Legislativa do Paraná, no contexto das ocupações das escolas secundaristas pelos estudantes, em 2016. 

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Ocupar escolas, pela volta do professor

 

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2018, ela é primeira suplente na Câmara de Vereadores de Curitiba e volta agora como pré-candidata à deputada estadual no Paraná.

Para Ribeiro, o projeto político dos governos no poder, seja de Jair Bolsonaro no plano federal ou do governador Ratinho Jr. no paranaense, é sucatear a educação e tirar dos alunos a vontade de participar do processo educativo. A militarização das escolas movida pelo presidente é exemplar: “ele militariza as escolas numa perspectiva de educação em que 'você não tem direito de questionar, e se questionar vou te censurar, vou te calar’. Foi colocado para a população de maneira ainda mais autoritária, do dia para a noite”.

Hoje estudante universitária simultaneamente de direito e filosofia, a ativista classifica como “cruel" a reforma do ensino médio. “Substituir os professores por televisões dentro de sala de aula é uma crueldade, um ataque à concepção democrática de educação. Você não só precisa ter uma educação que prepare para o mercado de trabalho, como não tem o direito de questionar, duvidar, perguntar. Só tem que escutar", disse.

Ribeiro se diz marcada na adolescência pelo comentário do pai sindicalista de que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) abriu possibilidades de entrada na universidade que não existiam na geração dele. 

“Quando chegou minha vez de prestar vestibular, era governo Temer e o Enem já estava sendo desmontado. No meu primeiro ano de faculdade, já não existia mais ProUni. Faço direito numa universidade privada e filosofia na UFPR”, afirma, expondo em poucas palavras a desmobilização das políticas públicas para a educação no pós-golpe de 2016. 

“Com o governo Bolsonaro, o Enem tem sido desmontado da maneira mais suja, dizendo que não tem dinheiro para isso, errando nas correções das provas", declarou Ribeiro.

Perseguido na Câmara Municipal de Curitiba, o vereador petista Renato Freitas sofre processo por suposta quebra de decoro, devido à participação em uma manifestação em frente a uma igreja. A primeira suplente, Ribeiro, assumiria em caso de sua cassação e comenta o caso: “o que Renato enfrenta é um processo escancarado e brutal de racismo estrutural e institucional. É porque ele é um representante das periferias, defende um projeto político divergente da grande maioria dos vereadores, é um militante dos movimentos sociais, é negro e militante do movimento negro e periférico e é a imagem mais forte contra tudo aquilo que eles representam”. 

 

Ocupações secundaristas

 

Sobre as ocupações secundaristas de seis anos atrás, a militante avalia que aquela mobilização significou ao mesmo tempo uma vitória política e uma derrota institucional. No plano político, os estudantes conquistaram protagonismo na mídia e na sociedade e o utilizaram para debater temas como a reforma do ensino médio e o teto de gastos. No institucional, as leis que combatiam foram aprovadas no Congresso Nacional, num processo que se radicaliza até hoje. 

“A gente foi derrotado, mas a geração que ocupou escola hoje está presente na política e em vários espaços. As ocupações geraram frutos”, resume, constatando que o grau de mobilização de 2016 não voltou a se repetir, mesmo com o aprofundamento constante dos retrocessos.

Questionada pelo diretor de redação de Opera Mundi, Haroldo Ceravolo Sereza, sobre ter se declarado apartidária em 2016, a estudante separou o contexto das ocupações da experiência partidária: “era um movimento de fato horizontal, autônomo, sem centralidade. As ocupações eram apartidárias, e, corrigindo, na realidade eram suprapartidárias. Cabiam diversos partidos dentro, mas as ocupações não pertenciam a nenhum partido”. 

A entrada ao PT aconteceu em julho de 2018, por motivos como os que Ana Julia expõe: “é o partido com o qual tenho mais identificação, me emociona mais e me enche de esperança. Mandei minha filiação para Lula, e ele assinou minha filiação de dentro da cadeia”. 

A pré-candidata celebra o avanço da juventude petista no poder legislativo, citando exemplos não só no Paraná, mas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Pará. O engajamento à política partidária, diz Ribeiro, nasceu do desejo de ajudar a mudar a vida das pessoas "agora, imediatamente".

18
Jan22

Reforma no Ensino Médio: itinerários para um lugar nenhum

Talis Andrade

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Os adolescentes precisam de uma educação que faça conviver a tradição com a mudança

29
Out21

Doença mental sob o desgoverno Bolsonaro

Talis Andrade

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por Urariano Mota

No momento em que escrevo, percebo mais uma trágica semelhança entre o golpe militar de 1964 e o fascismo em 2021 da presidência do Brasil. Eu me refiro ao desequilíbrio mental em brasileiros dignos, estudiosos, necessários para o desenvolvimento econômico e cultural em nosso país, De modo mais preciso, há uma relação direta entre Bolsonaro e ditadura militar, entre fascismo e doença mental em pessoas do Brasil. 

Acompanhem, por favor, e vão notar que não exagero.

Em primeiro de abril de 1964, assim encontrei Ivan, amigo de adolescência.

Ele era o meu amigo mais velho, e isso quer dizer: ele está sobre a cama, no 1º de abril de 64, agitado, movendo-se de um lado para outro do seu leito de capim seco. E me diz e geme: 

– Tem umas cobrinhas subindo pelas minhas costas.

 E bate com as mãos, para retirá-las. E mais se agita:

– Eles vêm me pegar. Eles vão me levar.

– Eles quem, Ivan?

– Eles, eles – e eles se confundem às cobrinhas, que lhe sobem pelas costas.

Este Ivan não é mais Ivanovitch Correia da Silva. O Ivan de antes era um jovem de 19 anos, estudante de Química. Passava o dia todo a estudar, todos os dias. Com um método sui generis, como ele gostava de dizer. Entre uma fórmula e outra me recebia na única mesa da sua casa. E se punha a contar anedotas, a contar casos de meninos suburbanos, espertos, anárquicos, galhofeiros.

E sorria, e ria, e gargalhava, porque ao contar ele era público e personagem, e de tanto narrar histórias de meninos moleques deixava na gente a impressão de ser um deles. Como um Chaplin que fosse Carlito. Se na vida da gente houver algo que nos perca, que mergulhe no abismo a natureza que já se acha perdida, ele contava, e contava a rir, a soltar altíssimas gargalhadas o caso que foi a sua perdição:

– Na greve dos estudantes da Faculdade de Direito, eu fui lá para prestar solidariedade aos estudantes. Eu estava só no meio da massa, assistindo à manifestação. Aí chegou o fotógrafo da revista O Cruzeiro. Quando ele apontou o flash, eu me joguei na frente dos estudantes. Olha aqui a foto.

E mostrava uma página em que ele aparecia de braços abertos, destacado, em queda, como um jogador de futebol em um brilhante jogada, em voo sobre as palavras de ordem “viva Cuba, yankees go home, reforma agrária na lei ou na marra”. Sorrindo em queda livre o meu amigo, na página da revista O Cruzeiro.

Por isso ele gargalhava antes do golpe, porque saíra em edição nacional da revista. Por isso no primeiro de abril de 1964, ele se diz, esta é a lógica:

“Umas cobrinhas atrás de mim… Eles vêm me pegar! As cobrinhas estão subindo em mim. Mãe, me tira essas cobrinhas!”

Assim foi. Perdemos desde primeiro de abril de 1964 Ivanovitch. Eu pensava que a loucura em um amigo antes são era coisa do passado. A gente é assim, tem sempre a esperança ingênua de que o trágico é passado. “Já passou, já passou, não dói mais”, não é? Mas eis que recebo em 28 de outubro de 2021 esta mensagem: 

“Conversei ontem, pelo telefone, com nosso amigo X. Ele não está nada bem. Ele ficou insistindo o tempo todo que ia ser preso. Que existem pessoas na porta, de tocaia, esperando para arrastá-lo até a prisão. Que vai ser preso, torturado e morto.  Eu perguntei que crime ele havia cometido para ser preso. Mas ele me respondeu algo confuso, sem sentido algum. Depois, conversei longamente com a sua companheira. Então ela me disse que ele cria essas histórias fora da realidade. É uma situação desesperadora”.  

Notam a semelhança entre os dois casos? Com Ivan, os militares viriam buscá-lo. Com o amigo X. os fascistas agora vêm pegá-lo, porque é um homem de opiniões de esquerda. Ele é um mestre, doutor, professor universitário, portanto apto a perseguições dos fascistas.  

E tais casos de doença mental não são particulares. Especialistas afirmam que a pandemia da covid-19 deu origem a outra pandemia, a dos transtornos e doenças mentais. Mas há uma clara relação entre doença, desgraça e governo fascista, que se espalha até mesmo por territórios antes sagrados dos indígenas brasileiros. Segundo relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário): 

"Em muitas aldeias, a pandemia levou as vidas de anciões e anciãs que eram verdadeiros guardiões da cultura, da história e dos saberes de seus povos, representando uma perda cultural inestimável. A responsabilidade principal está no âmbito federal, com um presidente que faz discursos dizendo que os indígenas têm que melhorar de vida a qualquer custo, que defende liberar garimpo, exploração econômica". 

Pandemias e negacionismo do vírus pela presidência, com seus ataques à ciência e aos direitos humanos, perseguições a mestres e cientistas, muitas vezes acendem o medo, a ansiedade e comportamentos problemáticos. Quando o medo assume o controle, tanto o sistema nervoso quanto a parte emocional do cérebro ficam sobrecarregados, falam especialistas. Se uma pessoa possui doença mental ou histórico de ansiedade e depressão, pode piorar e se intensificar em momentos como este do Brasil de hoje. 

Agora, compreendem o que pude ver. Ivan em 1964, quando a extrema direita tomava o poder, o amigo X hoje, quando os valores do fascismo voltam, perseguem e destroem. A história não se repete, mas seus pesadelos são semelhantes. 

Para Além do Cérebro: Charge de Laerte Coutinho sobre o fascismo  "apresentável"... Ou "os demônios se fazem de belos"

28
Out21

“Grande dia”: sindicato dos professores comemora cassação de Francischini

Talis Andrade

 

A postagem começou com um provocativo “Grande dia” e seguiu em tom crítico

 

por João Frey/ Jornal Plural

A APP-Sindicato, que representa os professores da rede estadual de educação, comemorou em suas redes sociais a cassação do deputado estadual Fernando Francischini. Ele era secretário de Segurança Pública no dia 29 de abril de 2015 e comandava as forças de segurança que atacaram servidores públicos que se manifestavam no Centro Cívico.

A postagem começou com um provocativo “Grande dia” e seguiu em tom crítico.

O Delegado Francischini (PSL) perdeu o mandato na Assembleia Legislativa e ainda levou três colegas de bancada junto, todos inimigos(as) dos(as) trabalhadores(as).

É um presente no Dia dos Servidores(as). Nenhuma solidariedade ao responsável por mais de 200 educadores(as) feridos(as) em 2015; perdeu o cargo que jamais deveria ter ocupado. Jamais esqueceremos!

Imagem publicada no Facebook da APP nesta quinta-feira (28)

 

As críticas seguiram nos comentários do post, onde professores comemoraram a cassação, já que Francischini não foi punido pelos atos de 29 de setembro.

Ana Júlia
@najuliaribeiro
Finalmente! Depois de propagar informações falsas sobre a urna eletrônica e o sistema de votação durante as eleições de 2018, o delegado Francischini (PSL), obviamente apoiador de Bolsonaro, tem o seu mandato cassado! GRANDE DIA! 
08
Out21

Políticos precisam de projeto transformador para o Brasil

Talis Andrade

Image

 

É preciso revolucionar a política, começando pela economia, para não transformar o Brasil rico em recursos naturais em um país de famintos

 
 
por Juan Arias
 
O Brasil atravessa uma das maiores crises políticas desde a democratização. As próximas eleições ainda são uma grande incógnita e poderiam evocar novamente a ameaça de um golpe se Jair Bolsonaro visse que poderia perder a reeleição, principalmente se as pesquisas continuarem apontando Lula como vencedor. Qual poderia ser, nesse caso, a reação do Exército?
 

Enquanto isso, os partidos e políticos do arco democrático, diante do deserto de ideias novas para recriar a imagem desgastada de um país cada vez mais cético e desiludido, ainda não conseguiram surpreender a nação com um projeto realista e esperançoso para reconstruir uma nova sociedade que consiga reconquistar a confiança em si mesma.

Para isso, o novo projeto de nação precisaria revolucionar toda a política, começando pela economia, para não transformar o Brasil rico em recursos naturais em um país de famintos e miseráveis. Precisa também repensar toda a questão da educação, já que continua sendo um dos países onde o ensino é desprezado e onde os professores seguem sendo os mais mal pagos e os menos respeitados do mundo moderno. A educação precisa de uma revolução que leve em conta todas as iniciativas de inovação já em andamento nas democracias.

O Brasil precisa urgentemente de uma revolução copernicana na política ambiental, hoje destroçada pelo Governo bolsonarista, algo que preocupa e deixa em alarme até os outros países do mundo.Image

O Brasil precisa repensar urgentemente uma nova política sanitária após a catástrofe e os escândalos que estão aparecendo no Ministério da Saúde, que ficou em má situação com a política de corrupção engendrada durante a pandemia.

Também é preciso resgatar dos escombros a maltratada e desprezada cultura, reduzida a um deserto que envergonha até os menos cultos.

E a política externa, que já foi louvada como uma das mais dinâmicas do mundo? Com quais países queremos andar de mãos dadas em busca do lugar que o Brasil merece por sua importância planetária? Queremos continuar olhando pelo retrovisor ou queremos caminhar olhando para a frente para não perder o passo dos países que já estão vivendo no futuro?

E a ciência? O Brasil continua sem ter nenhum Nobel e, como temos visto na política negacionista da pandemia, a ciência tem sido desprezada até extremos inconcebíveis.

O Brasil ainda caminha aos tropeções, sem um rumo seguro e original, caindo nos mesmos pecados de sempre. Enquanto isso, os partidos − da esquerda à direita ou ao centro − que pretendem substituir um Governo que empobreceu o país em todos os aspectos ainda não conseguiram apresentar, nem individual nem coletivamente, um projeto de nação inovador e confiável para os eleitores.

A única grande preocupação que mais uma vez aparece é como conquistar votos sem explicar o que fazer com eles. Continuam olhando para o próprio umbigo. O que parece lhes importar não é tanto a nação em si nem como retirá-la das ruínas em que a loucura do bolsonarismo destrutivo a transformou. Em vez de os partidos se preocuparem em ver quem apresenta um projeto mais inovador de país, eles parecem interessados em ver quantos senadores ou deputados ou governadores poderão conseguir nas próximas eleições.

É a velha e desgastada política dos interesses próprios, pessoais ou partidários. O interesse do país como nação lhes interessa pouco. O que mais lhes interessa é continuar tirando proveito da política com “p” minúsculo, que se confirma com a visão estreita de quem só sabe olhar para o próprio umbigo.

Nem mesmo o PT de Lula, apontado pelas pesquisas pré-eleitorais como vitorioso contra qualquer outro candidato, apresentou até agora um programa que surja como uma nova visão do país, algo revolucionário para lançar o navio em alto mar rumo à conquista de novos horizontes.

Ao que parece, o próprio Lula, apesar de contar com milhões de votos e em vez de ele e seu partido já terem, juntamente com os outros partidos progressistas, apresentado um projeto revolucionário e transformador, está dedicando suas forças à política pequena de sempre, procurando garantir possíveis candidatos para aumentar suas fileiras no Congresso e nos Estados. Essa é a velha política, que tanto contribuiu para a chegada do novo fascismo bolsonarista.

O que parece difícil de entender é como o PT, partido com tanta história, não consegue encontrar novos dirigentes jovens, com mentalidade de modernidade, alheios à velha política desgastada, capazes de ver o mundo pelos olhos dos o futuro. Jovens capazes de entender que a política também evoluiu e precisa de sangue novo para saber se adaptar à grande revolução mundial.

Hoje se fala também sobre os possíveis candidatos da chamada terceira via para quebrar a luta entre esquerda e extrema direita. Mas o que estamos vendo é uma guerra de egos para se candidatar à presidência, em vez de eles também proporem esse novo projeto de nação capaz não só de garantir a democracia, como de oferecer projetos concretos e críveis que sirvam para resgatar o país da desconfiança e do descrédito geral da política. Um projeto que acabe com o maldito mantra político de que “eles são todos iguais”. Não são, mas precisam ser capazes de convencer os eleitores do contrário com fatos.Image

Pode haver uma surpresa desagradável se, nas próximas eleições, os partidos não golpistas não conseguirem convencer os eleitores de que é possível sair do inferno e da desesperança para os quais foram arrastados pelo bolsonarismo fascista e golpista ou pelo capitão, que demonstrou que nem sabe nem tem interesse em governar em uma democracia e sonha em ter o poder absoluto dos velhos ditadores. Isso significaria perder, por muitos anos mais, a esperança de que é possível esperar algo diferente e melhor da política.

Muito pessimismo? Talvez, mas é que as misteriosas nuvens de poeira que começam a preocupar várias cidades do Brasil poderiam ser o triste simbolismo de uma involução política destinada a contaminar até mesmo as instituições que deveriam garantir a democracia e a modernização do país.

 

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