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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Out18

PASTORAIS SOCIAIS DA CNBB: BOLSONARO USA DEMOCRACIA PARA DESTRUÍ-LA

Talis Andrade

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Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição de Jair Bolsonaro (PSL); "A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social"

 

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Pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia

 

 

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Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius  (Jo 19, 1)
 
 
 

 

Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública nesta segunda-feira (15) a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

 

"A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos", diz o texto.

 

De acordo com a nota, "nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio". "Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil".

 

 Os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres

 

Há trinta anos a Constituição Federal entrou em vigor. Os constituintes objetivaram instituir "um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias".

 

No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes.

 

A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos.

 

O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.

 

O Brasil é um país de desigualdades sociais profundas em que os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres. Estes candidatos antidemocráticos atendem às imposições do sistema financeiro e da política neoliberal que atacam direitos sociais, ambientais e o patrimônio do país. As possíveis consequências deste programa são: o fim do décimo terceiro salário, a diminuição do Bolsa Família, a extinção das cotas nas universidades e a privatização sumária das estatais. Na verdade, tais medidas constituem a intensificação do Governo Temer, que está produzindo desemprego, sofrimento e abandono da população.

 

Tais políticas, já receberam veemente condenação do reconhecido líder mundial, o papa Francisco: "Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata." (Evangelii Gaudium, 53).

 

Este movimento apoia um candidato que pretende ser um político novo, salvador da pátria, que está no Congresso há quase trinta anos, trocou de partido oito vezes e não aprovou um projeto sequer para melhorar as condições de vida do nosso povo, votando contra todas as políticas sociais que beneficiariam os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente, os mais pobres.

 

Por tudo isso, nós, integrantes de organizações da sociedade civil, portadores da convicção da inafastável dignidade da pessoa humana, fundamento dos direitos humanos, não podemos nos omitir. Respeitamos todos aqueles que, por motivos variados, tenham votado no 1º turno sem atentar para estes valores, mas queremos dialogar francamente com todos. A possibilidade de se instalar um governo como esse movimento deseja, retoma o passado de ditadura já superado.

 

Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil.

Brasília, 15 de Outubro de 2018

Cáritas Brasileira
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CCB - Centro Cultural de Brasília
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília
CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil
CPT - Comissão Pastoral da Terra
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
OLMA - Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral Operária
SPM - Serviço Pastoral do Migrante

02
Out18

CHOMSKY: ‘EU RECÉM VISITEI LULA, O MAIS PROEMINENTE PRESO POLÍTICO DA ATUALIDADE’

Talis Andrade

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Linguista americano e ativista político, Noam Chomsky (à esquerda) fala com militantes do PT depois de visitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão no dia 20 setembro. Foto: Heuler Andrey/AFP/Getty Images

 

 

por Noam Chomsky

___

PRISÕES LEMBRAM A famosa observação de Tolstói sobre famílias infelizes: cada uma “é infeliz à sua maneira” ainda que haja algumas características comuns – para prisões, o reconhecimento sombrio e sufocante de que outra pessoa tem poder sobre a sua própria vida.

 

Minha esposa, Valeria, e eu recentemente estivemos em uma prisão para visitar aquele que é, provavelmente, o prisioneiro político mais proeminente da atualidade, uma pessoa de notável significância na política global contemporânea.

 

Considerando os padrões das prisões americanas que já vi, a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Brasil, não é formidável ou opressiva – ainda que isso seja uma baixa expectativa. Não é nada como algumas das que visitei em outros países – nem remotamente parecida com Khiyam, a câmara de tortura de Israel no sul do Líbano, mais tarde bombardeada e destruída para ocultar o crime, e muito distante ainda dos indescritíveis horrores da Villa Grimaldi de Pinochet, onde os poucos que sobreviveram às requintadas sessões de torturas eram jogados em uma torre para apodrecerem – uma das maneiras encontradas para assegurar que o primeiro experimento neoliberal, sob a supervisão dos principais economistas de Chicago, poderia ir adiante sem vozes disruptivas.

 

 

Apesar disso, é uma prisão.

 

O prisioneiro que visitamos, Luiz Inácio Lula da Silva – “Lula”, como ele é universalmente conhecido – foi sentenciado ao aprisionamento, em uma solitária, com nenhum acesso à imprensa ou aos jornais e com visitas limitadas uma vez por semana.

 

No dia após nossa visita, um juiz, citando a liberdade de imprensa, concedeu ao maior jornal do país, a Folha de São Paulo, o direito de entrevistar Lula, mas outro juiz rapidamente interviu e revogou aquela decisão, apesar do fato de que os criminosos mais violentos do país – líderes de milícias e traficantes de drogas – são rotineiramente entrevistados na prisão.

 

Para a estrutura de poder do Brasil, aprisionar Lula não é suficiente: eles querem garantir que a população, enquanto se prepara para votar, não possa ouvi-lo de nenhuma forma, e estão, aparentemente, dispostos a fazer uso de qualquer medida para alcançar este objetivo.

 

O juiz que revogou a permissão não estava fazendo nada de novo. Um predecessor dele foi o promotor de acusação na condenação de Antonio Gramsci em 1926 pelo governo fascista de Mussolini, que declarou que “nós temos que impedir o cérebro dele de trabalhar por 20 anos.”

 

“A história não se repete, mas frequentemente rima”, disse Mark Twain.

 

Nós ficamos motivados, mas não surpresos, ao descobrir que apesar das onerosas condições e o chocante erro judiciário, Lula permanece em seu estado enérgico, otimista sobre o futuro e cheio de ideias sobre como retirar o Brasil de seu atual caminho desastroso.

 

Sempre há pretextos para a prisão – talvez válidos, talvez não – mas geralmente faz sentido buscar quais são as razões reais. Isso se aplica nesta situação. A primeira acusação contra Lula, baseada em delações premiadas de empresários sentenciados por corrupção, é a de que a ele foi oferecido um apartamento no qual ele nunca morou. Nada de extraordinário.

 

O crime alegado é quase imperceptível para os padrões brasileiros – e há mais a dizer sobre esse conceito, mas retornarei a ele posteriormente. Fora isso, a sentença é tão totalmente desproporcional ao crime alegado que é importante buscar as razões. Não é difícil desenterrar coisas sobre candidatos. Lula é, de longe, o candidato mais popular e facilmente ganharia uma eleição justa, não sendo este o resultado preferido da plutocracia. Embora suas políticas enquanto estava no cargo fossem pensadas para ajustar as questões financeiras domésticas e internacionais, ele é desprezado pelas elites, em parte, sem dúvida, por conta de suas políticas de inclusão social e benefícios aos menos afortunados, porém outros fatores parecem intervir: primeiramente, o simples ódio de classe. Como pode um trabalhador pobre sem educação superior que nem sequer fala português corretamente ser o líder de nosso país? [Transcrevi trechos]

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As mulheres acenam com lenços brancos ao exigir a renúncia do presidente Salvador Allende em Santiago, Chile, em 5 de setembro de 1973. Foto: AP

 

 

 

22
Set18

Fantasma de Lula assombra a direita

Talis Andrade

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por Emir Sader

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Um fantasma tira o sono da direita: o fantasma do Lula. Tiraram ele da disputa, ele indicou seu representante, que segue apavorando o sono da direita

 

A direita não tem candidato. Ela usa, alternadamente, os candidatos que lhe interessem em cada momento.

 

A direita brasileira está pagando o preço do processo de suicídio em que ela se meteu. Como seu único objetivo era tirar o PT do governo, pela via que fosse possível, instalou o governo mais corrupto e inepto da história do Brasil, que colocou em prática o ajuste fiscal, que já tinha fracassado.

 

O resultado não poderia ser mais desastroso: direita dividida, candidato tucano sem chances de chegar ao segundo turno por ter apoiado o golpe e o governo Temer, ministro da economia do governo com 1% de apoio.

 

Resta Bolsonazi, para repetir o suicídio do golpe: qualquer via é boa para tentar impedir o PT de governar ou de voltar ao governo. Tirou-se Lula da disputa, Haddad o representa e já é favorito para ganhar no segundo turno.

 

A direita se concentra em transferir votos para o Bolsonazi e em tratar de dificultar a transferência de votos do Lula para o Haddad. Se vale da manipulação das pesquisas, da promoção do Ciro, de semear a confusão nas informações. Seu único objetivo é tentar impedir o PT de voltar ao governo.

 

O grande empresariado prefere o Bolsonazi ao Haddad, porque tem claro que seu grande inimigo no Brasil, aquele que o desalojou do governo, é o PT. E que o governo do Haddad vai substituir o modelo econômico neoliberal, que promove os interesses do capital financeiro, pelo modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Que a reforma bancária que Haddad propõe vai golpear duramente os lucros especulativos.

 

Bolsonazi abraçou os princípios neoliberais e a continuidade da política econômica do governo Temer. Completando a combinação que outros lideres direitistas, como o próprio Pinochet, fizeram: liberal na economia, totalitário na política.

 

Mas é o único candidato competitivo para a direita tentar ainda impedir a vitória do PT. Então, de novo: "Às favas todos os escrúpulos de consciência", como disse o ministro da ditadura militar, Jarbas Passarinho, para assinar o AI-5. E apoiam quem pretende liberar o uso de armas, quem prega as soluções violentas para os conflitos, quem promove todo tipo de discriminação, contra mulheres, negros, índios quilombolas, pobres.

 

Vale tudo para tentar impedir a vitória de Haddad. Qual o candidato da direita? Qualquer um, menos o Haddad. Qualquer um que tenha possibilidade de derrotar o Haddad, de impedir que o PT possa voltar a governar o Brasil.

 

Em outras eleições, tendo o seu candidato, a direita se valeu da Heloisa Helena, da Luciana Genro, do Plinio de Arruda Sampaio, da Marina, contra o candidato do PT. Desta vez ameaçam usar o Ciro.

 

Tudo isso só confirma que a direita não se equivoca nisso: seu adversário é o PT. Então vale tudo contra o Lula, contra o Haddad, contra o PT.

 

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14
Set18

Ministros do STF consideram viável libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando terminar o processo eleitoral

Talis Andrade

STF: R$ 54 mil para juízes e Lula, um “preso eleitoral”

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por Fernando Brito

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Dois assuntos se misturam na longa reportagem de Carolina Brígido, em O Globo, sobre as expectativas no Supremo Tribunal Federal com a posse de Dias Toffoli.

 

Há o escândalo, na chamada, de que suas excelências, agora, para abrir mão do auxílio-moradia, de que incida, fora do teto, a gratificação por tempo de serviço, objeto de uma proposta de Emenda Constitucional barrada por Dilma Rousseff em 2013, que pagaria adicionais de até 35% aos magistrados, levando, considerando o aumento de quase 17% já acordado, para até cerca de R$ 54 mil mensais os seus vencimentos, afora outras gratificações indenizatórias.

 

Como a gula judicial já não é novidade, o maior escândalo, porém, está num pequeno parágrafo, quando se trata da “genial” estratégia de Dias Toffoli de resolver os conflitos do tribunal pelo método de não julgar, tão cedo, causas de repercussão. Vejam a desfaçatez do que se relata:

 

Agora, para colocar panos quentes nas brigas, Toffoli não quer incluir na pauta temas polêmicos. Além de tentar abrandar o “mau sentimento” na Corte, para citar outra expressão de Barroso, o novo presidente quer tirar o foco de atenções do tribunal em ano eleitoral. Portanto, não haverá neste ano novo julgamento sobre prisões em segunda instância. Toffoli poderá pautar o assunto a partir de 2019.


Mesmo sem discutir as prisões em segunda instância, ministros do STF ouvidos pelo GLOBO consideram viável libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando terminar o processo eleitoral.

 

Entenderam? Claro assim: o direito de Lula à liberdade está condicionado ao impedimento de que ele possa participar das eleições e até mesmo da mera campanha eleitoral.

 

Será possível que isso não escandalize quem tem algum vestígio de consciência jurídica?

 

Será possível que não se veja que se está cassando não apenas os direitos do ex-presidente, mas o meu, o seu e o de milhões de brasileiros que, eventualmente, queiram lhe dar o voto?

 

A categoria de preso político é tão velha no mundo quanto a tirania, mas os ministros do Supremo acabam de criar uma nova, vergonhosa pelo casuísmo: Lula, o preso eleitoral.

 

 

13
Set18

Massimo D'Alena diz que juristas europeus veem prisão de Lula como ‘monstruosidade’

Talis Andrade

 

Afirmação foi feita pelo ex-primeiro-ministro da Itália depois de visita na sede da PF em Curitiba. Já para representante do México, ex-presidente mantém espírito combativo ‘de sempre’
 

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D´Alema e Cárdenas: Lula mantém o espírito, a coragem, a visão e a mesma vontade de servir ao povo brasileiro

 
 

Em visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal, em Curitiba, na tarde desta quinta-feira (13), o ex-primeiro-ministro da Itália Massimo D’Alema afirmou que os juristas europeus consideram sua prisão uma monstruosidade jurídica. “A repercussão da prisão na Europa não chegou a atingir a imagem de Lula. Os juristas europeus constataram que a condenação veio em um processo em que não foram garantidos os direitos dele e não existem provas que o incriminam. Condenar Lula a 12 anos é uma monstruosidade, esse é o pensamento dos juristas europeus”, afirmou à imprensa ao deixar a Superintendência da PF.

 

“Encontrei Lula muitas vezes na minha vida e nunca imaginei encontrá-lo como prisioneiro. Em todos os encontros, aqui e no Planalto, ele mantém o mesmo espírito, a mesma coragem, a mesma visão, e a mesma vontade de servir ao povo brasileiro. E apesar da injustiça que sofreu, ele é um homem sereno que continuará a ser muito precioso para este país, depois de ter sido o melhor presidente que o Brasil já teve”, afirmou ainda o representante da Itália.

 

“Eu acho que também é isso que explica a solidariedade que o povo tem para com Lula e que há em todo o mundo, mesmo em ambientes que não são de esquerda, pelo que ele soube merecer. Então, surge como revolta a crueldade a que ele está sendo submetido”, destacou D’Alema.

 

Já o ex-governador do Distrito Federal do México Cuauhtémoc Cárdenas Solórzano, que também participou da visita, disse que encontrou Lula com “o mesmo espírito combativo de sempre”. Segundo ele, a situação do ex-presidente é de plena injustiça. “Temos confiança que a luta dele é também uma luta do povo brasileiro contra as injustiças que estão cometendo”, declarou.

 

 

13
Set18

NA ONU 'Nós provamos a inocência de Lula'

Talis Andrade

Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, advogados do ex-presidente, estão em Genebra para dialogar com o Comitê de Direitos Humanos 

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 “O Brasil tem de fazer uma reflexão se quer participar da comunidade internacional ou usar mais uma vez o escudo da soberania para deixar de cumprir essa obrigação”, afirmou hoje (13) o advogado de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin, em coletiva de imprensa na sede da Organização das Nações unidas (ONU), em Genebra. Ele falou sobre a decisão do país de não cumprir a liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU, concedida em 17 de agosto, que preserva o direito do ex-presidente participar das eleições.

 

Antes de Zanin, a também advogada de defesa Valeska Teixeira explicou como todo o processo que levou Lula a ser preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, em 7 de abril, tem sido marcado por ilegalidades, incluindo uma escuta telefônica de conversa entre o ex-presidente e a então presidenta Dilma Rousseff vazada para a imprensa no início de 2016. “Nós denunciamos que Lula não teve seus direitos políticos respeitados; ele não pode votar e nem ser votado”, disse Valeska.

 

“A suposta corrupção não pode ser um motivo para promover a perseguição política”, afirmou ainda a advogada de defesa. A coletiva contou com a participação diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Estado de Direitos Humanos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e atual presidente da Comissão de Investigação sobre a Síria na ONU.

 

Valeska caracterizou o processo que levou Lula à prisão como um abuso dentro do processo judicial, com objetivos políticos. “Não foi um julgamento, não tem nada a ver com corrupção. Nós provamos a inocência dele. Lula está arbitrariamente na prisão, não foi encontrada sua culpa”, afirmou.

 

A defesa do ex-presidente ainda acrescentou que amanhã, em Genebra, o Comitê de Direitos Humanos da ONU realizará um debate, às 16h, sobre o processo que levou Lula à prisão.

 

 

13
Set18

Escritores defendem liberdade e legado de Lula em lançamento de livro

Talis Andrade

Autores de "Luiz Inácio Luta da Silva: Nós vimos uma prisão impossível" defendem fortalecimento da democracia, solidariedade ao ex-presidente e que Haddad e Manuela D'Ávila carreguem seu legado

 

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A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7 de abril, desencadeou uma onda de solidariedade daqueles que acreditam que seu cárcere tem motivações políticas. Ontem (111), a livraria Tapera Taperá, no centro de São Paulo, foi palco do lançamento de mais um livro resultado desse movimento: “Luiz Inácio Luta da Silva: Nós vimos uma prisão impossível” é uma obra de diversos autores de diferentes segmentos, lançada pela editora Contracorrente.

 

A ideia da obra partiu da socióloga Esther Solano, e conta com a participação de nomes como a candidata a vice de Fernando Haddad, Manuela D’Ávila (PCdoB), o ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa Celso Amorim, e do psicanalista Aldo Zaiden, um dos organizadores do livro. “O livro surge do afeto, da dor de vermos um processo que rasga nossa democracia e, mais do que isso, rasga nossos corações”, definiu Zaiden.

 

Ele argumenta que, entre os autores, nem todos votariam em Lula caso ele fosse candidato à presidência. “Tem quem ache que Lula não deveria voltar ao poder, mas todos escrevem sobre a decadência de um projeto de democracia, de Estado social. Esse é o valor compartilhado pelos autores.” Com o impedimento de Lula de ser candidato, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferir sua candidatura, o PT designou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para ser cabeça de chapa no partido, como um representante do projeto de Lula.

 

A psicanalista Maria Rita Kehl lembra do discurso de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, no dia em que se entregou à Polícia Federal. “O sujeito, mesmo aprisionado, triunfa nas palavras. Daqui a 50 anos, as pessoas vão falar do cara que foi preso para não concorrer às eleições e ele disse: ‘Se me prenderem, viro herói, se me matarem, viro mártir e se me soltarem, viro presidente’”.


Agora, Haddad carrega a missão de levar à diante o legado deixado pelo ex-presidente, como define a cineasta Tata Amaral. “Temos que seguir em frente e evidenciar o processo absolutamente espúrio que nos levou a retirar uma candidatura vitoriosa do ex-presidente Lula e que vai nos levar à vitória na expressão da candidatura de Haddad e Manuela. Por um país democrático e inclusivo.”

 

Tata Amaral diz que lembrou do nascimento de sua filha, e do que esperava do futuro do país: “Relato, de maneira pessoal, que eu era uma jovem militante em 1979, quando conheci meu companheiro. Fiquei grávida e nossa filha nasceu pouco antes de ser decretada a anistia. Éramos jovens e sonhadores. Desejamos que essa criança, que hoje tem 39 anos, vivesse em um país democrático. Percebemos que no Brasil, não havia ninguém com 50 ou 60 anos que tivesse vivido exclusivamente em uma democracia. Pois bem, ela não tem 40 anos e sentimos que nossa democracia está ameaçada”.

 

O lançamento do livro aconteceu no dia do anúncio de Haddad como candidato do PT, o que despertou emoções antagônicas em Celso Amorim. “Este é um dia difícil, de emoções misturadas. Temos a decisão definitiva de que Lula não poderá ser candidato e, ao mesmo tempo, temos uma bela chapa que fará inveja a muitos países desenvolvidos”, disse o diplomata. “Não só porque são bonitos, porque são, os dois, mas porque eles encarnam a energia, a mudança, tudo que países desenvolvidos pregam mas custam a fazer.”

 

O 11 de setembro é também um marco triste para as democracias latino-americanas: dia o golpe de Estado no Chile que levou Salvador Allende à morte, em 1973, e deixou no poder o ditador Augusto Pinochet. Leon Garcia, que então completava 1 ano, morava naquele país com o pai Marco Aurélio Garcia, um dos grandes pensadores da união dos povos do continente, exilado por conta da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985). No livro, Leon faz paralelos com os momentos de crises históricas nas democracias latino-americanas.

 

“A experiência de São Bernardo do Campo me remeteu muito à minha infância, 45 anos atrás, no Chile. Nasci lá, filho de pais brasileiros exilados. Nós fugimos em condições precárias por conta do golpe militar. Em São Bernardo (durante a vigília no Sindicato dos Metalúrgicos que antecedeu a prisão, em 7 de abril), lembrei de muitas coisas, inclusive, do golpe no Chile, do fim de Allende, que se suicidou. Já Lula não se suicidou, o que aconteceu foi muito diferente”, ressaltou.

 

“Lula aprendeu a ser um pouco de todos os que o acompanharam. Não vamos nos entregar, não vamos romper. Não vamos nos dividir com companheiros como o Ciro Gomes (PDT) ou Guilherme Boulos (Psol). Lula é diferente. E que esse livro seja um convite a pensarmos na militância com Lula, que incorpora um pouco de cada um de nós e, em troca, nós incorporamos um pouco de Lula”, completou Leon.

 

11
Set18

Os generais de Temer não admitem volta da esquerda ao poder

Talis Andrade

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Os generais de Michel Temer decidiram que a esquerda não voltará ao poder. Usarão os meios necessários para consolidar a farsa do impeachment, o golpe que derrubou Dilma Rousseff. Os únicos meios que os gorilas conhecem: a força bruta, a repressão, a censura, o pega para capar do coronel Brilhante Ustra, do delegado Sérgio Fleury, que os "heróis matam" depois de torturar. 

 

Se esta a decisão da lei das selvas, por que a farsa das eleições, da legalização dos partidos de esquerda, o teatro de que o Brasil continua um país democrático, e de que teremos eleições livres? 

 

Se os generais ameaçam que a esquerda não voltará ao poder, não existe mais a garantia da posse dos eleitos pelo voto direto, secreto e soberano do povo em geral. Que voltou a valer a matemática nazi-fascista: o voto de um general vale mil votos de uma lavadeira.

 

Pobre Brasil! Não existe golpe sem presos políticos, tortura e morte. Fica justicada a morte de Marielle Franco. 

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O papa Francisco e a mãe de Marielle  

 

 

 

 

Cúpula militar não admite volta da esquerda ao poder

por Valter Pomar

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Há 45 anos, num 11 de setembro, o presidente Salvador Allende foi derrubado por golpistas dirigidos por um general de quem se dizia ser profissional e legalista.
 
Domingo, dia 9 de setembro de 2018, o general Villas Boas, comandante do exército brasileiro, apontado por alguns como profissional e legalista, concedeu mais uma entrevista, desta vez ao jornal O Estado de São Paulo.
 
Nesta entrevista, o general Villas Boas opinou sobre o processo político e eleitoral brasileiro.
 
A entrevista atualizou e aprofundou opiniões manifestadas anteriormente pelo general, como na entrevista concedida ao Valor, em fevereiro de 2017.
 
A esse respeito, ler aqui:
 
A entrevista dada no dia 9 de setembro de 2018 confirmou os alertas feitos no texto disponível no seguinte endereço:
 
Um governo democrático deveria demitir o general, porque suas posições são inaceitáveis.
 
Mas não são posições surpreendentes.
 
Ele é o principal porta-voz da cúpula das forças armadas brasileiras.
 
E na cúpula das forças armadas predomina a decisão de impedir, pelos meios que forem necessários, que a esquerda volte a governar o Brasil.
 
Não é apenas contra Lula.
 
Não é apenas contra o PT.
 
É contra o direito de escolhermos, livremente, quem vai presidir o Brasil.
 
Mais uma comprovação de que “eleição sem Lula é fraude”.
 
O Partido dos Trabalhadores reagiu, de maneira clara e enérgica, às declarações de Villas Boas.
 
A esse respeito, ver esta nota:
 
Qual o objetivo do general, ao dar estas declarações neste exato momento? Há várias hipóteses.
 
Qual o efeito que estas declarações terão sobre a atual conjuntura política e eleitoral? Também há várias hipóteses.
 
Mas uma coisa é certa: a cúpula das forças armadas está operando abertamente. Algo parecido ocorreu em 1989.
 
Outra semelhança entre 2018 e 1989 é a movimentação de setores do empresariado, dos meios de comunicação e dos partidos tradicionais, no sentido de apoiar ou pelo menos estabelecer pontes com a candidatura da extrema direita.
 
A adoção do parlamentarismo e a independência oficial e formal do Banco Central podem ajudar nesta movimentação, impulsionada por diversos fatores: a) o medo diante da resiliência de Lula e do PT; b) a preocupação diante da impopularidade das candidaturas preferidas pela cúpula golpista; c) certo atavismo típico da classe dominante; d) os índices de Bolsonaro nas pesquisas de opinião.
 
O que pode bloquear seu crescimento nas camadas populares é mostrar que ele defende políticas que prejudicam o povo.
 
Em síntese: mostrar que Bolsonaro é Temer, tanto quanto as demais candidaturas golpistas.
 
A repercussão do atentado ajuda a manter em evidência o candidato da extrema-direita, compensando seu pouco tempo no horário eleitoral gratuito.
 
E também parece contribuir para consolidar o núcleo duro do seu eleitorado, suficiente por enquanto para garantir a passagem para o segundo turno.
 
O atentado também contribui para “legitimar” a violência contra a militância da esquerda. Vide os tiros disparados também no dia 9 de setembro contra Renato Freitas, candidato a deputado estadual do PT no Paraná.
 
E por falar nisso, vale a pena voltar às declarações do general Villas Boas na já citada entrevista de 9 de setembro.
 
Segundo o general, Bolsonaro “tem apelo no público militar”, uma vez que “procura se identificar com questões que são caras às Forças”, além de ter “senso de oportunidade aguçada”.
 
Isto foi dito acerca de alguém que há poucos dias prometeu “metralhar a petralhada”.
 
Não podia ser mais claro.
 

 

09
Set18

Villas Boas, o general de Temer, cassa candidatura de Lula. Mourão e Bolsonaro defendem Ustra: "Heróis matam"

Talis Andrade

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"A extrema direita radicaliza o discurso de ódio e assume níveis cada vez maiores de irracionalismo e obscurantismo. Uma foto que está circulando nas redes sociais mostra alguns apoiadores de Bolsonaro (PSL) vestindo uma camisa com a imagem do ex-presidente Lula (PT) decapitado. O fato ocorreu na cidade de Espertina, no Piaui quando um movimento de simpatizantes colocavam banners do deputado da idade média pela cidade. Não apoiamos politicamente Lula e tampouco a estratégia petista. Porém, esse tipo de ataque tem consequências para toda esquerda", escreveu o professor Jones Adriano Gaio. Leia mais

 


O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) criticou a declaração do general Eduardo Villas Bôas, que manifestou a posição de militares direitistas contrária à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto.

 

"As declarações de Vilas Boas são inaceitáveis porque ilegais. Em qualquer país em que vigore uma Constituição, o general [comandante militar do governo de Michel Temer] seria exonerado. Trata-se, na pratica, de uma intervenção militar na política. Querem tutelar as eleições e garantir a vitória do candidato nazifascista", disse o parlamentar no Twitter.

 

Em entrevista à jornalista Tânia Monteiro, Villas Bôas disse que "o pior cenário é termos alguém sub judice, afrontando tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, tirando a legitimidade, dificultando a estabilidade e a governabilidade do futuro governo e dividindo ainda mais a sociedade brasileira". "A Lei da Ficha Limpa se aplica a todos", afirma.

 

Em nota, a Executiva Nacional do PT disse convocar "as forças democráticas do país a repudiar declarações de cunho autoritário e inconstitucional do comandante do Exército divulgadas pela imprensa neste domingo". "Depois de dizer quem pode ou não pode ser candidato, de interpretar arbitrariamente a lei e a Constituição o que mais vão querer? Decidir se o eleito toma posse? Indicar o futuro presidente à revelia do povo?", questiona (veja aqui).

 

Desde o golpe de 2016, o Brasil já teve a presidente Dilma Rousseff afastada sem crime, o ex-presidente Lula preso para ser impedido de disputar e ainda assim o PT, sob o comando de Gleisi Hoffmann, é favorito para vencer as eleições com Fernando Haddad.

 

Mas vale ressaltar que, no mês passado, o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou ao Estado brasileiro a garantia dos direitos políticos do ex-presidente Lula até o esgotamento de todos os recursos judiciais, o que não foi acatado pelo Judiciário.

 

Lula foi condenado no processo do triplex em Guarujá (SP), com uma sentença questionada por vários juristas. Inclusive, ao apresentar a denúncia, o Ministério Público Federal admitiu que não havia "prova cabal" de que o ex-presidente seria o proprietário do apartamento. De acordo com a acusação, ele receberia um imóvel reforma da OAS como propina em contrapartida de contratos na Petrobras.

 

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O que também coloca em xeque a denúncia de que o apartamento seria de Lula foi a decisão da Justiça do Distrito Federal em janeiro deste ano (2018) determinando a penhora dos bens da OAS e, dentre eles, justamento o triplex atribuído ao ex-presidente pela Operação Lava Jato.

 

Antes de Lula ser julgado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal (TRF4-RS), um grupo de 600 juristas divulgou uma carta em cinco idiomas para o mundo, denunciado o estado de exceção judicial no Brasil. Segundo o texto, "com cumplicidade de parte do Poder Judiciário, o Sistema de Justiça, não apenas em relação a Lula, mas especialmente em razão dele, tem sufocado o direito à ampla defesa, tratando-o de forma desigual e discriminatória e criado normas processuais de 'exceção' contra ele e vários investigados e processados, típico 'lawfare', subordinado ao processo eleitoral".

 

Na passagem do general Mourão para a reserva, Vilas Boas desmanchou-se em elogios ao vice de Bolsonaro: "Todos te agradecemos amigo Mourão os exemplos de camaradagem, disciplina intelectual e liderança pelo exemplo", escreveu o numero 1 do Exército. 

 

Os gorilas Mourão e seu líder Bolsonaro, para defender o torturador e assassino coronel Ustra, afirmaram que os "heróis matam". Falta contar quantos brasileiros, notadamente jovens estudantes, foram trucidados nos porões da didadura militar de 1964.

 

 

 

09
Set18

Coronel Ustra, o "herói" dos Bolsonaro e general Mourão

Talis Andrade

Para os Bolsonaro candidatos a presidente, senador e deputado federal, e o general Mourão, o torturador e assassino coronel Ustra é um "herói".

 

 "Os heróis matam", disse o general. Para matar um preso político, amarrado em uma cadeira de dragão, não é preciso coragem. Basta a frieza dos psicopatas. 

 

“Eu fui espancada por ele [Coronel Ustra] ainda no pátio do Doi-Codi. Ele me deu um safanão com as costas da mão, me jogando no chão, e gritando ‘sua terrorista’. E gritou de uma forma a chamar todos os demais agentes, também torturadores, a me agarrarem e me arrastarem para uma sala de tortura.” Assim descreveu Amelinha Teles, ex-militante do PcdoB, seu encontro com Ustra.

 

“Tiraram a minha roupa e me obrigaram a subir em duas latas. Conectaram fios ao meu corpo e me jogaram água com sal. Enquanto me dava choques, Ustra me batia com um cipó e gritava me pedindo informações”, relembrou Gilberto Natalini, hoje médico, na época, com 19 anos.

 

Em 2012, o coronel Ustra foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 100 mil à família do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto sob tortura em 19 de julho de 1971 nas dependências do DOI-Codi.

 

Uma porrada de filmes sobre a ditadura. Pra que nunca se repita

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por Carlos Carvalho

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Recentemente, embora isso seja frequente, passamos por uma situação bastante constrangedora (e revoltante) na nossa política, que foi a votação na Câmara dos Deputados pela aprovação do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Independente das questões envolvendo a legitimidade ou não desse processo, houve um discurso em específico que ganhou notoriedade, o do deputado Jair Bolsonaro que, entre outras bizarrices, homenageou o coronel do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos maiores torturadores do período da ditadura militar que se iniciou após o Golpe de 1964. Como se não bastasse a homenagem a um torturador, Bolsonaro foi explícito no recado direto que enviou ao citar Brilhante Ustra como “o terror de Dilma Rousseff”, já que ele era chefe do DOI-CODI onde Dilma ficou presa e foi barbaramente torturada.



Não foram poucas as pessoas que demonstraram apoio ao deputado e isso reacendeu novamente um pequeno debate sobre a ditadura militar. E como acho que essa é uma questão importante e que jamais deveria ser negligenciada por nós, decidi fazer uma lista com alguns filmes que tratam de temas relacionados à ditadura, ou com personagens que foram importantes durante esse período, para que jamais nos esqueçamos da barbárie que ela foi. Da mancha negra que ela deixou em nossa história e que nunca conseguiremos apagar, embora haja um esforço gigantesco para que ela não seja enxergada. Esforço, inclusive, que já aponta para debates revisionistas dessa história, com o intuito de reescrevê-la para que se faça parecer que a ditadura militar não foi tão ruim quanto parece. O que é um absurdo e uma canalhice atroz.



É fato que não damos a devida atenção a esse período da nossa história e muito disso é herança da tenebrosa lei de anistia, que perdoou não apenas aqueles que lutaram contra a ditadura, esses com toda justiça, mas também os militares que praticaram os mais imperdoáveis crimes contra a humanidade. Gente que sequestrou, torturou e matou civis, artistas, intelectuais, políticos e toda e qualquer pessoa que se opunha contra o regime militar implantado a partir de 1964. Aliás, muitas vezes, até quem sequer se posicionava contra o regime era preso, torturado e morto, como mostra um dos filmes dessa lista.

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Portanto, deixo aqui uma pequena contribuição para que a gente possa aprender um pouco mais sobre esse período terrível. Vale dizer que, para esta lista, abri mão em vários momentos da qualidade cinematográfica em troca da importância do tema. Nem todos os filmes são otimamente bem realizados. Alguns, inclusive, do ponto de vista artístico, são bastante ruins. Mas são registros importantes para que possamos entender a complexidade desse período. Suspeito que alguns deles sequer tenham sido lançados no cinema. E vários dessa lista podem, inclusive, ser encontrados completos no YouTube.

Não há desculpas para não conhecermos nossa história. Inclusive, aproveito a deixa para recomendar duas obras essenciais e públicas para se entender melhor esse período: o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que investigou a fundo o período (embora não tenha tido acesso a muitos dos arquivos que ainda permanecem em segredo de Estado) e o livro “Infância Roubada”, da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, que fala especificamente sobre as crianças que foram torturadas pela ditadura militar. São relatos muitas vezes de revirar o estômago, mas que nem de perto podem ser comparados com o sofrimento que deve ser vivenciar uma ditadura militar.

Pra que nenhum canalha torturador volte a ser homenageado por outros canalhas que apoiam essa prática, é preciso que a gente saiba quem essas pessoas foram, o que elas fizeram e quem foram suas vítimas. Se posso dar alguma contribuição, aqui está.