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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Mar21

“Pessoas vão morrer nas ruas em Porto Alegre”, alerta Nicolelis

Talis Andrade

Miguel Nicolelis e cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus

Miguel Nicolelis e cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus (Foto Brasil 247 | REUTERS/Bruno Kelly)

 

por Jeferson Miola

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Em entrevista ao Tutameia [22/3], o cientista Miguel Nicolelis traçou um quadro tenebroso sobre a catástrofe em curso na capital gaúcha Porto Alegre.

Nicolelis destacou a repercussão internacional da imagem das chaminés do crematório da cidade expelindo fumaça escura provavelmente devido à sobrecarga de queima de corpos com a consequente saturação de resíduos gerados.

Não por acaso, neste sábado [27/3] o jornal The New York Times disse que Porto Alegre é o coração de um colapso monumental do sistema de saúde.

Em menos de 5 minutos de diagnóstico, Nicolelis caracteriza com terrível dramaticidade a dimensão da tragédia. Ele começa dizendo que “Porto alegre parece um foguete decolando … a curva era inclinada e agora ela é vertical”.

Não tem saída fora do lockdown, porque já explodimos”, afirmou Nicolelis. Em referência ao governador e também ao prefeito Sebastião Melo/MDB, ele questiona: “E o governador do RS quer abrir o comércio. Aí eu me pergunto: em que galáxia este senhor vive? Em que mundo paralelo ele vive?

Ele faz um alerta: “as pessoas vão morrer nas ruas em Porto Alegre”, e associa a causa disso: “faz anos que o RS está nas mãos de administrações que só fizeram aumentar a miséria, moradores de rua, a falta de acesso à saúde […] Porto Alegre está sofrendo um processo de decadência

Nicolelis entende que a pluma de fumaça do crematório sinaliza uma realidade similar a “Los Ângeles [EUA], que o crematório teve de parar devido aos resíduos que estavam sendo espalhados pela cidade”, devido ao trabalho excessivo de cremação de mortos.

Na visão dele, “está havendo colapso funerário. Começa a ter atraso nos enterros, atraso no manejo dos corpos, começa a se empilhar os corpos”.

Nicolelis também alerta que em consequência ao descontrole, “começa a ter este tipo de efeito colateral”.

E de repente explode, e aí você corre o risco de epidemias bacterianas, tifo, contaminação do solo, do lençol freático, dos alimentos”, disse ele, arrematando: “Aí você pode esquecer, aí eu estou falando de anos, para reverter um troço desses, entendeu?”.

Não se trata de acidente, fatalidade ou de algum fenômeno inevitável, como Nicolelis mostra na entrevista [vídeo aqui]. Esta catástrofe sanitária, econômica e humanitária deriva da condução irresponsável dos governos no enfrentamento à pandemia.

Diante da previsão de que, a se manter esta condução irresponsável, pessoas poderão “morrer nas ruas em Porto Alegre”, o que faz o prefeito Sebastião Melo/MDB? Exorta as pessoas a morrerem para salvar a economia!

 

27
Fev21

Prefeito Melo/MDB, de Porto Alegre, conclama população a morrer pelos empresários

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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Porto Alegre está a um passo de se transformar na Manaus do sul do Brasil. Qualquer porto-alegrense que for contaminado e tiver o infortúnio de agravamento da doença, recebe uma sentença de morte.

A cidade se aproxima cada vez mais do cenário lúgubre de óbitos domiciliares e de sepultamentos em valas comuns. O sistema municipal de saúde está colapsado e o sistema funerário poderá entrar em pane.

Em consequência da gestão irresponsável e incompetente do governo, sobram pacientes desesperados nas filas pela sobrevivência enquanto faltam leitos de UTI, respiradores mecânicos, oxigênio, EPI’s etc.

Uma verdadeira hecatombe! Uma hecatombe anunciada e alertada há semanas por especialistas, epidemiologistas e sanitaristas sérios, aqueles não carreiristas, que apelaram, em vão, pela adoção dos protocolos técnicos mundialmente recomendados.

A despeito disso, contudo, o prefeito Sebastião Melo/MDB, ao invés de adotar medidas para deter o sofrimento humano e a ocorrência de mortes evitáveis na cidade, conclama a população a morrer pelos empresários e pelas empresas.

Dê a sua contribuição, contribui com a sua família, com a sua cidade, com a sua vida …. [pausa teatral] pra que a gente salve a economia do município de Porto Alegre”, declarou o bolsonarista Melo/MDB [escandalize-se aqui com esta declaração].

É alarmante o silêncio das instituições – do judiciário, defensoria e ministério público – diante deste ataque frontal à vida humana desferido por governantes que assumem, consciente ou inconscientemente, suas condutas de homicidas.

Numa democracia, Melo/MDB seria imputado criminalmente, e jamais teria a permissão de permanecer à frente de qualquer boteco, menos ainda da administração de qualquer cidade.

A política genocida de Bolsonaro está sendo executada na sua plenitude em Porto Alegre!

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26
Fev21

Abaixo a máscara, vejam o rosto da morte!

Talis Andrade

por Fernando Brito

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É tão assustador que muitos preferem fechar os olhos e não ver.

Racionalmente, porém, já não há como negar que há uma intenção deliberada de Jair Bolsonaro – e não só dele, infelizmente – que o vírus Sars Cov 2 faça o papel de “aliviar” aquilo que consideram uma carga inútil para o país: os velhos, os doentes, os “maricas”, sobretudo os mais pobres, menos capazes de obter cuidados.

Duvidar como, se o presidente da República do país que é o segundo em mortes no mundo, apela para que não se use máscaras, alegando que elas prejudicam as crianças. Se o prefeito de Porto Alegre pede que as pessoas “contribuam com a sua vida” para salvar a economia do município.

Tudo isso no dia em que o país amanheceu sob a marca de 250 mil mortes pela pandemia e chegaria à noite com o maior número de mortos, em 24 horas, desde o início deste pesadelo.

Isto tudo acontece em um país moralmente vencido, onde a classe dirigente, como o energúmeno alcaide de Porto Alegre, só enxerga oportunidades de ganhar dinheiro, poder, privilégio e retirar mais direitos da população, como a que anuncia hoje o Estadão, ao dizer que o governo prepara “decreto para ‘simplificar’ regras trabalhistas“.

Em O Globo, o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, ainda se espanta:

(…)qual é o valor da vida no Brasil? Que valor os políticos dão para a vida do cidadão se não fecham as atividades num lugar com 100% de ocupação dos leitos? Ter que preservar a economia é não só uma falsidade econômica como demonstra completa falta de empatia com a vida das pessoas. O que mais me assusta é o pouco valor à vida. Os políticos são o primeiro componente, mas a sociedade também. (…) Nossa sociedade em algum momento perdeu a conexão com o quão irreparável é a vida.

As autoridades da Saúde – diria eu os militares da Saúde – portam-se como imbecis, como nesta “solução” encontrada por Eduardo Pazuello para a superlotação que está levando ao colapso os hospitais em diversos estados, é criar um “Coronatur”, transferindo pacientes entre unidades da federação, uma estratégia estúpida, ainda mais considerando a possibilidade de espalhar as variantes do vírus por toda parte.

Corrijo-me, porém, de minha própria incredulidade: não é estupidez ou, se for, é nossa, que não percebemos ou não queremos acreditar que é uma premeditação.

Mas é.

 

 

26
Fev21

“Dê a sua contribuição, contribui com a sua vida pra que a gente salve a economia de Porto Alegre”. Sebastião Melo prefeito

Talis Andrade

Comitê Suprapartidário se forma em apoio à candidatura de | Política

Num vídeo de apenas 10 segundos, o prefeito de Porto Alegre, o bolsonarista Sebastião Melo (MDB) conclamou as pessoas nesta quinta-feira (25) a morrerem para salvar a economia na pandemia. A retórica de Melo é a condensação de toda a lógica bolsonarista na pandemia de Covid-19:

Dê a sua contribuição, contribui com a sua família, com a sua cidade, com a sua vida …. [pausa teatral] pra que a gente salve a economia do município de Porto Alegre”.

Manuela
@ManuelaDavila
Cheguei a pensar q o negacionismo de Melo era eleitoreiro. Imaginava que ele tinha vestido essa roupa de bolsonarismo/ medo do comunismo/ abre tudo/ vai liberar carne de cachorro só pra nos derrotar. Dois meses depois ele diz para as pessoas darem a vida para salvar a economia
Manuela
Se alguém tem dúvidas sobre o que significa essa política de morte: contribua com sua vida para que a gente salve a economia
Pedro Abramovay
@pedroabramovay
“Dê a sua vida para que a gente salve a economia de Porto Alegre.” Eles querem nossas vidas. E nem disfarçam.
Observatório Internacional
Para vocês terem uma noção da figura execrável que é o prefeito de Porto Alegre: ele literalmente diz "contribua com a sua vida para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre." O sentimento da grande maioria dos governantes do Brasil é esse
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Veloz e Furiosa
@_laurabarreras
Gente, vamo chegar num consenso aqui, Porto Alegre está na bandeira preta pq o recém eleito prefeito Sebastião Melo >retirou TODAS as restrições do comércio no início de janeiro< seja de lotação ou horário de fechamento etc
Manuela
O prefeito de Porto Alegre é tão negacionista com relação à covid-19 que quer aplicar as medidas de bandeira vermelha em uma cidade que acaba de entrar em bandeira preta e está com superlotações de até 375% nas unidades de saúde. Quantas vidas ainda iremos perder para o vírus?
Fernanda Melchionna
É alarmante a situação da pandemia no RS: 11 regiões em bandeira preta, incluindo Porto Alegre. O projeto genocida e negacionista de Bolsonaro e Melo, com atraso das vacinas e sem auxílio emergencial para pessoas poderem comer e ficar em casa, não pode seguir matando nosso povo!
Fernando Oliveira
@fernao_berthold
Rua Sete de Setembro Bandeira Preta
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Fernando Oliveira
Porto Alegre:
24°C. Bandeira Preta Retorno das aulas na Educação Infantil.
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Leandro Demori
“Contribua com a sua vida para que a gente salve a economia de Porto Alegre”, disse o prefeito sobre a crise gerada pela covid. Não vou comentar o que eu gostaria.
Natalia Pasternak, PhD 
@TaschnerNatalia
Reconhecimento de um bom trabalho! e o melhor foi receber a notícia do próprio juiz ! Parabéns Eugenio pelo trabalho e pela coragem. que outros sigam seu exemplo.
Justiça determina a suspensão do "kit covid" em Porto Alegre | Brasil de Fato
Conforme destaca a decisão, até o momento o tratamento precoce não tem suporte em evidências científicas robustas e assentadas em pesquisas clínicas conclusivas sobre a sua eficácia
brasildefators.com.br
Leonardo Attuch
E pensar que Porto Alegre poderia ter tido
Bolsonarista, prefeito de Porto Alegre conclama pessoas a morrerem pela economia.
Sebastião Melo lançou um vídeo chocante dizendo que as pessoas devem contribuir “com a sua vida” para “que a gente salve a economia”
brasil247.com
 
26
Fev21

Contra o negacionismo, o genocídio, iniciativa política e solidariedade

Talis Andrade

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por Manuela d’Ávila /SUL 21

Momentos como os que estamos vivendo na pandemia deveriam ensejar grande senso de unidade entre governos, sociedade civil e partidos políticos. Falamos de quase 250 mil brasileiras e brasileiros que não voltarão para casa, não abraçarão suas famílias vitimados por esse vírus que, ao que tudo indica, está cada vez mais veloz. Ocorre que, no Brasil de Bolsonaro, defender a vacinação e o protocolo sanitário celebrado globalmente, bem como a renda emergencial para famílias em situação de vulnerabilidade financeira passou a ser uma agenda de enfrentamento político e não de unidade.

Porto Alegre atravessa o momento mais difícil e triste da pandemia. As unidades de pronto-atendimento funcionam, em geral, mais de 250% acima da capacidade; profissionais da saúde estão exaustos, vivendo há mais de um ano a rotina imposta pelo coronavírus; o trabalho infantil toma conta de nossas ruas e a fome volta a ser uma realidade de milhares de famílias com o fim da renda emergencial que atendeu diretamente a mais de 320 mil porto-alegrenses que receberam pelo menos uma das parcelas. Sabemos que o bolsonarismo venceu as eleições municipais com o discurso de negação da pandemia e está impondo sua agenda em nossa querida cidade. Não podemos ignorar que, dentre outras razões, o ex-prefeito Nelson Marchezan não foi nosso adversário no segundo turno justamente por ter sido abandonado por setores econômicos em função das medidas que adotou para conter a pandemia. Nós fomos derrotados, apesar da lindíssima mobilização popular, pelo sistema de distribuição de notícias falsas que também passava pela mentira sobre como enfrentaríamos a pandemia. Digo isso para que não percamos de vista que esse foi o tema central da eleição e o estamos vendo tomar forma diante dos olhos com o caos no sistema de saúde e cinismo de um prefeito que diz não conhecer elementos que comprovem que o isolamento ajuda a enfrentar a pandemia. Diante desse quadro, é comum pensarmos que não há caminhos. Mas isso não é verdade. Caminhos existem e temos que percorrê-los! Penso que, enquanto oposição, precisamos enfrentar denunciando e organizando unitariamente medidas ao lado de nosso povo.

A primeira dessas medidas, em minha interpretação, é a construção de um comitê popular de enfrentamento à pandemia, que nos aponte rumos e nos ajude a monitorar a realidade, como deveria proceder o comitê gestor de crise da Prefeitura municipal: ouvindo especialistas em diversas áreas, como infectologistas, hospitais, educadoras, famílias, empresários. Não é possível que apenas o poder econômico tenha direito a falar e ser ouvido nessa cidade! Também é fundamental que pressionemos e mobilizemos pela articulação própria da vacina, bandeira defendida por nossa candidatura no processo eleitoral e ridicularizada por nossos opositores, que se mostra a única saída para enfrentarmos o negacionismo do governo federal. Precisamos vacinar prioritariamente quem esta se expondo em nosso nome! Se somos aqueles que defendem a classe trabalhadora, educadoras e trabalhadores essenciais devem ser vacinados com prioridade! Profissionais de limpeza urbana, caixas de supermercado, atendentes de farmácia não pararam nenhum único dia, assim como os profissionais de saúde da linha de frente.

O esforço do governo local para distribuir o fantasioso tratamento precoce, impedido judicialmente pela oposição, é mais um indício de sua associação com práticas que ignoram a ciência e causam mortes. Evidente que defendemos a imunização de toda a sociedade brasileira a partir do sistema único de saúde. Mas já tivemos tempo para entender que nacionalmente isso não ocorrerá na velocidade necessária para que salvemos tantas vidas quanto precisamos salvar. Precisamos que os governos estadual e municipal façam a sua parte. A oposição lutou na Assembléia para que isso acontecesse desde o debate da reforma tributaria. Precisamos fazer o mesmo em nível local. Reincorporar as trabalhadoras do IMESF, concursados e competentes, às unidades básicas de saúde, constituir com eles brigadas para esclarecer e conscientizar a população, testar e fazer a busca ativa de casos, todas são questões cruciais para diminuirmos o numero de casos inspirados no que revê resultados em outras cidades brasileiras e ao redor do mundo.

As medidas de isolamento precisam ser ampliadas, isso significa a busca pelo imediato achatamento da curva. Quanto mais rápido o remédio for aplicado, mais rápido estaremos em melhores condições. Um dos grandes temas relacionados a isso é a circulação de pessoas no sistema de transporte público da cidade: em plena pandemia, temos menos ônibus, com menos horários e, portanto, com mais gente. As pessoas que necessitam de transporte público para trabalhar são intensamente expostas ao vírus! Soluções imediatas – e, inclusive, judiciais – devem ser buscadas para garantir que em período de crise o dinheiro repassado pelos governos aos empresários do transporte coletivo seja usado para salvar vidas e não para proliferar o vírus.

Isso pode significar novas restrições de atividades nas cidades e em Porto Alegre. Todos queremos a cidade aberta e só não admite isso quem faz proselitismo eleitoral sobre corpos de pessoas queridas. Mas é preciso garantir condições para tanto! Temos que pressionar por uma agenda federal e local que proteja trabalhadores, rearticulando a renda emergencial e os empréstimos a pequenos e médios empresários. Mas há também uma agenda local relacionada à economia e ela não consiste em abrir tudo, custo o que custar desde o ponto de vista humano. Ela poderia significar articulação do microcrédito e da política de compras públicas governamentais pela administração local. Essas são políticas sérias que poderiam ajudar nossa economia a atravessar a tempestade que já é duradoura. Da mesma maneira, a prefeitura precisa imediatamente debater questões tributárias com o setor econômico da cidade, como bem sabemos um intenso debate na eleição girou em torno do IPTU. E agora?

O debate sobre escolas e seu funcionamento, em minha opinião, tem sido feito de forma atravessada já que não temos governos comprometidos com a educação, sobretudo das crianças mais pobres, maiores prejudicadas nesse contexto. Com a cidade funcionando completamente, a partir das medidas adotadas de maneira irresponsável pelo Prefeito, a verdade é que as crianças filhas das mulheres trabalhadoras cada vez mais tem menos para onde ir. Durante a pandemia milhares de trabalhadores nunca pararam (não apenas profissionais de saúde, me refiro a caixas de supermercado, trabalhadores de farmácias, profissionais de limpeza urbana) e as mulheres mais vulneráveis seguiram expondo suas crianças à doença. É verdade que escolas não são depósitos de crianças mas ambientes educacionais e também é verdade que nossa sociedade preferiu festas à proteger crianças e garantir suas escolas abertas. Mas imaginar que todas as crianças estão protegidas com as escolas fechadas é uma fantasia. Devemos correr atras do tempo! É preciso proteger as crianças vulneráveis, e para isso, em nosso programa de governo propúnhamos a renda emergencial de suporte a essas crianças.

Também é necessário exigir a rearticulação de medidas relacionadas à assistência social e ao combate a fome. Restaurantes e cozinhas comunitárias, por exemplo, faziam parte de nosso programa e precisam ser articulados com urgência pois, como dizia Betinho, quem tem fome tem pressa!

Enquanto lutamos no parlamento para que isso se concretize, a partir dos microfones da potente bancada oposicionista, precisamos ter consciência que nosso lugar não é o da desesperança, mas a luta social ao lado do nosso povo. É hora de nos somarmos às iniciativas de mobilização e organização popular, fazendo a nossa parte, rearticulando espaços de distribuição de alimentos e itens de higiene em nossas comunidades articulando com campanhas de conscientização sobre a permanência da pandemia. Diante de governos negacionistas e assassinos, lutar para que nosso povo siga vivo e sem fome, me parece tarefa de primeira hora.

"Contribua com a sua vida para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre" (Sebastião Melo, genocida)

 
 
Manuela
@ManuelaDavila
Se alguém tem dúvidas sobre o que significa essa política de morte: contribua com sua vida para que a gente salve a economia
Manuela
Porto Alegre está entregue a quem nega a realidade do caos do sistema de saúde!

 

 

 
18
Jan21

“Me dá uma cloroquina aí, bagual… “

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, é um campeão.

Devia ganhar o Troféu Osmar Terra de negacionismo , acumulado com o Prêmio Eduardo Pazuello de puxassaquismo santário.

A esta altura, quando o charlatanismo presidencial não consegue nenhum adepto capaz de passar por um hospício e por lá ficar, o prefeito pediu ao Governo Federal 25 mil doses de hidroxicloroquina, 60 mil de azitromicina e outras 25 mil unidades do vermífugo Ivermectina.

Todos, claro, descartados pela comunidade científica e, agora, até pela Anvisa, como o tal “tratamento precoce” para a Covid-19.

Desconhece-se se, por razões regionais, o prefeito deixou de pedir também cilindros de ozônio para aplicação retal, como preconizado pelo seu colega prefeito (de Itajaí) e de MDB, Volnei Morastoni.

O caso foi parar na Justiça e ainda assim Melo insiste em fazer o “agrado” ao presidente, de olho em que este “amor sincero” renda recursos federais para a sua administração.

À custa, é claro, da saúde e do dinheiro da população.

homemaranha x nazista porto alegre.jpg

 

05
Jan21

RECEITA DA MORTE Sebastião Melo vai oferecer cloroquina e azitromicina para tratamento da Covid-19

Talis Andrade

Sebastião Melo e a cloroquina

REMÉDIOS PODEM MATAR 

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), formado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, deu uma de PhD em Medicina.

Anunciou em coletiva de imprensa nessa segunda-feira (4), que pretende disponibilizar o "tratamento precoce" da Covid 19, na rede pública municipal, oferecendo hidroxicloroquina e azitromicina.

Apesar de pretender distribuir os medicamentos em massa, o charlatão não quis entrar no mérito da eficácia.

Defendidos publicamente por Jair Bolsonaro, os medicamentos podem matar. Depois o logro de culpar a peste, a pandemia. 

O trapaceiro disse que o seu papel, como gestor, é disponibilizar a medicação, e o seu uso é uma relação exclusiva entre médico e paciente. "O tratamento precoce é feito em milhares de cidades do Brasil. Não me perguntem se sou a favor ou contra. Compete ao médico receitar, é entre médico e paciente", afirmou. 

Essa relação prefeitura e distribuição dos remédios, ou médico e paciente não foi bem explicada.

Também falta esclarecer se recebeu cloroquina como doação ou comprou. Idem azitromicina.

No final, a Prefeitura repassa a vigarice para algum médico, que deve ser denunciado.

Quem toma cloroquina para covid 19, e morre, a família deve processar os responsáveis: prefeitura, posto de saúde, hospital, médico etc. 

De acordo com um estudo publicado em abril na revista especializada Nature Medicine, pacientes tratados com hidroxicloroquina e azitromicina apresentaram "anormalidades no eletrocardiograma" que indicam risco de "morte cardíaca súbita".

"Ambos os medicamentos demonstraram aumentar de forma independente o risco de vários tipos de anormalidades do ritmo cardíaco", aponta o estudo.

QUAIS OS MALES QUE A HIDROXICLOROQUINA PODE CAUSAR

Escreve a farmacêutica Mafalda Abreu sobre a hidroxicloroquina:

Depois da realização de diversos estudos científicos, concluiu-se que a hidroxicloroquina não é recomendada para o tratamento da infecção pelo novo coronavírus. Foi demonstrado recentemente, em ensaios clínicos realizados em doentes com COVID-19, que este medicamento parece não apresentar benefícios, além de aumentar a frequência de efeitos colaterais graves e a mortalidade, o que levou à suspensão temporária dos ensaios clínicos que estavam a decorrer em alguns países, com o medicamento.

Porém, os resultados destes ensaios estão a ser analisados, de forma a perceber a metodologia e a integridade dos dados, e até que a segurança do medicamento seja reavaliada. Saiba mais sobre os resultados dos estudos feitos com a hidroxicloroquina e outros remédios contra o novo coronavírus.

QUAIS OS MALES QUE A AZITROMICINA PODE CAUSAR

Azitromicina di-hidratada comprimido revestido é bem tolerado, apresentando baixa incidência de efeitos colaterais. Episódios passageiros de leve redução na contagem de neutrófilos (células de defesa do sangue), trombocitopenia (diminuição das células de coagulação do sangue: plaquetas), monilíase (infecção causada pelo fungo do gênero Candida), vaginite (inflamação na vagina), anafilaxia (reação alérgica grave), anorexia (falta de apetite), reação agressiva, nervosismo, agitação, ansiedade, tontura, convulsões, cefaleia (dor de cabeça), hiperatividade, hipoestesia (diminuição da sensibilidade geral), parestesia (sensação anormal como ardor, formigamento e coceira, percebidos na pele e sem motivo aparente), sonolência, desmaio, casos raros de distúrbio de paladar/olfato e/ou perda, vertigem, disfunções auditivas (funcionamento anormal da audição), incluindo perda de audição, surdez e/ou tinido (zumbido no ouvido), palpitações e arritmias (alterações do ritmo do coração), incluindo taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos) ventricular, raros relatos de prolongamento QT e Torsades de Pointes (alterações do ritmo cardíaco), hipotensão (pressão baixa), vômito/diarreia (raramente resultando em desidratação), dispepsia (dor e queimação na região do estômago e esôfago), constipação (prisão de ventre), colite pseudomembranosa (infecção do intestino por bactéria da espécie C. difficile), pancreatite (inflamação no pâncreas), fezes amolecidas, desconforto abdominal (dor/cólica), flatulência, raros relatos de descoloração da língua, disfunção do fígado, hepatite (inflamação do fígado), icterícia colestática (coloração amarelada da pele e mucosas por acúmulo de pigmentos biliares, devido a obstrução), casos raros de necrose hepática (morte de células do fígado) e insuficiência hepática a qual raramente resultou em morte, reações alérgicas incluindo prurido (coceira), rash (vermelhidão da pele), fotossensibilidade (sensibilidade exagerada da pele à luz), edema (inchaço), urticária (alergia da pele), angioedema, casos raros de reações dermatológicas graves, incluindo eritema multiforme (manchas vermelhas, bolhas e ulcerações em todo o corpo), Pustulose Exantemática Generalizada Aguda (PEGA) (reação alérgica grave extensa com formação de vesículas contendo pus em seu interior), síndrome de Stevens-Johnson (reação alérgica grave com bolhas na pele e mucosas), necrólise epidérmica tóxica (descamação grave da camada superior da pele), reações adversas a medicamentos com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS - Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) - (Reações adversas a medicamentos com resposta generalizada), artralgia (dor nas articulações), nefrite intersticial (tipo de inflamação nos rins), disfunção renal aguda, astenia (fraqueza), cansaço, mal-estar

10
Dez20

COVARDIA E CRUELDADE. Ativista negra sexagenária morre durante operação policial em Porto Alegre

Talis Andrade

Brigada Militar do Rio Grande do Sul (imagem referencial)

Sputnik - Nesta terça-feira (8), uma ativista negra morreu durante uma operação da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

De acordo com a Folha de São Paulo, Jane Beatriz Silva Nunes teria morrido após cair da escada de sua casa em Porto Alegre, após policiais tentarem entrar em sua residência, segundo a advogada Marcia Soares, da ONG Themis, da qual Jane fazia parte.

De acordo com a ISTOÉ, Jane havia retornado do mercado quando notou que os policiais tentavam entrar em sua casa. Ela por sua vez, teria resistido e pedido para ver o mandado que permitisse a entrada na residência. A morte da ativista gerou protesto de moradores na região.

A ONG Themis, que trata de discriminações contra mulheres no sistema de Justiça, foi uma das responsáveis por convocar a manifestação, exigindo que as circunstâncias da morte de Jane sejam rigorosamente apuradas pelas autoridades competentes, segundo a Folha de São Paulo.

NOTA - JUSTIÇA POR JANE
 
Jane Beatriz Machado da Silva, mulher negra, mãe, avó, bisavó, servidora pública municipal, Promotora Legal Popular formada pela Themis, ativista reconhecida por sua comunidade e moradora da Grande Cruzeiro foi morta na porta de sua casa durante ação ilegal da Brigada Militar nesta terça-feira, 8 de dezembro de 2020.
 
Sem que haja notícia de mandado judicial, a Brigada Militar invadiu a casa de Jane, que tentou impedir a violação ilegal de seu domicílio.
 
Jane era mulher consciente de seu direito à dignidade e à privacidade e não cedeu à truculência policial.
 
Segundo relatos, o 1º Batalhão da Brigada Militar já vinha realizando ações similares de intimidação e invasão do domicílio de Jane e de diversos outros moradores da Grande Cruzeiro.
 
A morte de Jane não é um caso isolado, é mais um exemplo de como a estrutura genocida do Estado extermina pessoas negras, defensoras e defensores dos direitos humanos. Em 2019, no Brasil, quase 8 em cada 10 pessoas vítimas de intervenção policial com morte eram negras; no Rio Grande do Sul, apenas no primeiro semestre de 2020, foram 90 mortes decorrentes de intervenção policial. [Fonte: 14º Anuário Brasileiro da Segurança Pública; Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2020)].
 
É imprescindível e urgente que as circunstâncias da morte de Jane sejam rigorosamente apuradas pelas autoridades competentes; que a família e a comunidade recebam o adequado apoio e respeito do Estado e que ações concretas sejam tomadas pelo Poder Público para que os direitos e as vidas das pessoas negras e periféricas não sejam mais sistematicamente violados.
 
O nome e a história de vida de Jane não serão esquecidos.
 
Por sua memória, exigimos justiça e reparação.
 
JUSTIÇA POR JANE! #VidasNegrasImportam
 
Assinam:
Themis - Gênero, Justiça e Direitos Humanos
Promotoras Legais Populares do Rio Grande do Sul

 

Free Vector | Woman supporting the black lives matter movement

09
Dez20

Brigada Militar entrou na casa da trabalhadora Jane Silva Nunes, 60 anos, e a matou em Porto Alegre

Talis Andrade

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Ativista negra e promotora legal popular da ong Themis morre em operação policial na Vila Cruzeiro

No começo da tarde de hoje (08/12), a Brigada Militar realizou uma operação na Vila Cruzeiro, na Zona Sul de Porto Alegre, que resultou na morte de Jane Beatriz Silva Nunes, mulher negra, mãe de família e funcionária pública da Secretaria de Segurança Pública do município.

Jane, que também era ativista pela igualdade de gênero, Movimento Negro e Direitos Humanos, com formação como Promotora Legal Popular (PLP) pela ONG Themis, tinha 60 anos de idade e chegava em casa quando se deparou com policiais armados.

Ao se aproximar dos policiais, Jane teria pedido o mandado, e segundo testemunhas, teria sido empurrada escada abaixo. Com a queda, bateu com a cabeça, e morreu no caminho para o posto de saúde da Vila Cruzeiro.

A versão mentirosa que corre na mídia hegemônica conta que Jane teria sofrido um “mal súbito”, tendo sido socorrida pelos 'bondosos' policiais.

Moradores da Vila testemunharam o crime, e protestaram contra a violência assassina da polícia racista. 

A sobrinha da vítima, Tayssa Rodrigues da Silva afirmou que a ocorrência foi na casa da tia e que a polícia estava no interior da residência quando Jane Beatriz chegou e foi impedida de entrar:

“Eles barraram ela no portão, deram um empurrão e ela caiu de uma escada”, relatou.

Tayssa disse que a tia não tinha problemas de saúde e que moravam com ela cerca de dez pessoas, entre filhos, netos e bisnetos, e que respondia a um processo para proteger um filho. “Ela assumiu para proteger o filho, que é usuário de drogas.” 

A sobrinha ainda contou que a polícia não deixou uma vizinha, que é técnica de enfermagem, prestar auxílio à tia, o que teria contribuído para o falecimento. (Veja vídeo dos protestos aqui)

 

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