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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Fev21

Saiba quem está por trás do "informe publicitário" negacionista e pró-cloroquina em jornais

Talis Andrade

nero bolsonaro cloroquina.jpg

 

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação Médicos Pela Vida, que assina a publicação de um anúncio pró-cloroquina, de teor negacionista e anticientífico sobre a Covid-19 , estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho

 
 

O CNPJ apresentado no pé do anúncio conduz à Associação Dignidade Médica de Pernambuco (ADM/PE), inaugurada em dezembro de 2013. O presidente é Antonio Jordão de Oliveira Neto, conhecido por liderar a publicação, em maio, de um tratamento “pré-hospitalar” contra a covid-19, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O protocolo tem 39 páginas, e as palavras cloroquina e hidroxicloroquina aparecem 46 vezes no documento. Medicamentos à base dessas substâncias não têm eficácia comprovada contra o novo coronavírus e não devem ser usados em nenhuma etapa do tratamento devido aos possíveis efeitos colaterais.

O grupo, que geralmente aparece ao público sob o nome Médicos Pela Vida, reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em setembro de 2020, sem a presença de Eduardo Pazuello, ministro da Saúde. O ex-deputado federal e ex-ministro Osmar Terra (MDB-RS) intermediou o encontro e falou como membro da associação em defesa da hidroxicloroquina.

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, a anestesiologista Luciana Cruz afirmou à epoca que o “movimento” teria “próximo de 10 mil médicos”.

O site da associação não informa o número total de filiados, mas apresenta uma lista de 70 membros que ofereceriam “tratamento precoce” contra a covid – expressão incorreta e de uso inadequado.

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação, estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho, como o médico Carlos Eduardo Nazareth Nigro, de Taubaté (SP). Durante a pandemia, ele se tornou conhecido no Facebook e em grupos conservadores no Whatsapp por fazer postagens contra o isolamento social e a vacinação.

veja olavo de carvalho.jpg

 

Nigro é citado como referência em uma das notícias falsas mais difundidas sobre a covid, publicada pelo site Estudos Nacionais. O texto afirma que o uso de máscaras é prejudicial à saúde, não reduz o risco de contágio e tem como único objetivo instaurar o pânico. A informação não procede.

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O negacionismo sobre as medidas de biossegurança na pandemia e o uso frequente das redes sociais são características comuns a quase todos os nomes da lista. Wilse Segamarchi, outra integrante da associação, assina textos com informações já desmentidas pelas principais revistas científicas do mundo e se refere ao Sars-CoV-2 como “vírus chinês”. A OMS não tem comprovação de que a pandemia começou em Wuhan, na China.

DerrotadosUm dia depois de se recuperar de covid-19, Osmar Terra volta a criticar OMS  | Poder360

Osmar Terra não é a única pessoa próxima ao governo Bolsonaro que integra o grupo. O médico defensor da cloroquina Luciano Dias Azevedo, que consta na lista da associação, foi nomeado por Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, para o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em junho do ano passado.

Annelise Meneguesso, que também faz parte do Médicos pela Vida, foi candidata a vice-prefeita de Campina Grande (PB) pelo PSL em 2020. A chapa em que ela concorreu ficou em quarto lugar no pleito.

A associação reúne outros candidatos derrotados nas eleições 2020, como o médico Gustavo Rosas (PROS), que concorria como vice de Jorge Federal (PSL) em Olinda (PE) e também ficou em quarto.

Jandir de Oliveira Loureiro Junior (PROS), um dos membros da associação mais ativos nas redes sociais, recebeu apenas 27 votos e não foi eleito vereador em 2020 no município de Rio Bonito (RJ). Suas últimas postagens no Facebook são em defesa do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL), preso este mês por atentar contra a democracia.

A lista também inclui médicos que levaram “puxões de orelha” de autoridades locais por propagarem informações falsas durante a pandemia. É o caso de Blancard Torres. Em 9 de setembro de 2020, o Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco (CES/PE) fez uma nota de repúdio à participação do profissional em evento com Bolsonaro e disse ver “com muita preocupação a defesa do médico sobre a profilaxia em pacientes contaminados pelo novo coronavírus, pois não há até agora, nenhuma evidência científica atestando a eficiência desta droga na cura desta doença.”

Repúdio à veiculação

Artistas publicaram na manhã desta quarta-feira (24) uma carta em repúdio à publicação do anúncio com informações falsas sobre a pandemia que já matou mais de 248 mil brasileiros.

Confira:

O coletivo 342Artes  repudia os “informes publicitários” de conteúdo negacionista, recentemente publicados nos jornais  @folha (SP), @JornalOGlobo (RJ), @jc_pe (PE), @em_com (MG), @correio (DF), @correio24horas (BA), @opovoonline (CE), @gzhdigital (RS). A sociedade civil brasileira sofre com um governo sem qualquer planejamento para a pandemia e suas  consequências sanitárias, sociais e econômicas são catastróficas. O anúncio, que prega o negacionismo, foi pago pela Associação Médicos pela Vida e enaltece o uso antecipado de medicamentos como a cloroquina para curar pacientes infectados pela Covid-19.

Esta indicação contraria a orientação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI ) que está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).

É um descalabro que veículos de imprensa em um período tão grave como passa o Brasil, vejam o lucro acima de tudo. Como disse Maria Bethânia precisamos de: vacina, respeito, verdade e misericórdia.

Assinam a carta:

Mari Stockler
Paula Lavigne
Bel Coelho
Carla Nieto Vidal
Sandro Vinícius Couto
Marco Aurélio De Carvalho
Daniela Thomas
Luciana Costa
Marina Dias
Paula Amaral
Ian Black
Douglas Belchior
Magda Gomes
Tainá Marajoara
Deborah Osborn
Caetano Scannavino
Carla Guagliardi
Paulo Machline

Joana Mariani
Beth Ritto
Celso Curi
Pedro Coutinho
Ná Ozzetti
Larissa Bombardi
Carlos Rittl
Marco Mattoli
Fabiano Silva dos Santos
Kakay
Karla Ricco
Afonso Borges
Márcio Toledo
Juca Kfouri
Maria Edina O Carvalho Portinari
João Candido Portinari
Hugo Leonardo
Suely Rolnik
Maneco Muller

Carlos Gradim
Mara Fainziliber
Carlito Carvalhosa
Astrid Fontenelle
Paulo Sergio Duarte
Maureen Santos
Daisy Perelmutter
Caze Pecini
Noemi Jaffe
Edson Leite
Susana Jeha
Marcus Vinicius Ribeiro
Muriel Matalon
Domingos Pascali
Caetano Veloso
Helena Bagnoli
Juliana Souza
Toni Vanzolini
Claudelice Santos
Rico Lins
Lia Rodrigues
Sara Grosseman Venosa
Zilda Moschkovich

Lia Rodrigues
Guilherme Aranha Coelho
Fernanda Barbara
Marcia Fortes
Eduardo Ortega
Augusto de Arruda Botelho
Paula Signorelli
Caio Mariano
Lisette Lagnado
Márcio Rolo
Rosângela Rennó

Natalia Pasternak, PhD 
@TaschnerNatalia
Reconhecimento de um bom trabalho! e o melhor foi receber a notícia do próprio juiz ! Parabéns Eugenio pelo trabalho e pela coragem. que outros sigam seu exemplo.
Justiça determina a suspensão do "kit covid" em Porto Alegre | Brasil de Fato
Conforme destaca a decisão, até o momento o tratamento precoce não tem suporte em evidências científicas robustas e assentadas em pesquisas clínicas conclusivas sobre a sua eficácia
brasildefators.com.br
18
Jan21

“Me dá uma cloroquina aí, bagual… “

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, é um campeão.

Devia ganhar o Troféu Osmar Terra de negacionismo , acumulado com o Prêmio Eduardo Pazuello de puxassaquismo santário.

A esta altura, quando o charlatanismo presidencial não consegue nenhum adepto capaz de passar por um hospício e por lá ficar, o prefeito pediu ao Governo Federal 25 mil doses de hidroxicloroquina, 60 mil de azitromicina e outras 25 mil unidades do vermífugo Ivermectina.

Todos, claro, descartados pela comunidade científica e, agora, até pela Anvisa, como o tal “tratamento precoce” para a Covid-19.

Desconhece-se se, por razões regionais, o prefeito deixou de pedir também cilindros de ozônio para aplicação retal, como preconizado pelo seu colega prefeito (de Itajaí) e de MDB, Volnei Morastoni.

O caso foi parar na Justiça e ainda assim Melo insiste em fazer o “agrado” ao presidente, de olho em que este “amor sincero” renda recursos federais para a sua administração.

À custa, é claro, da saúde e do dinheiro da população.

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28
Nov20

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49%

Talis Andrade

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Por G1 RS e RBS TV

A pesquisa Ibope encomendada pela RBS TV, divulgada neste sábado (28), aponta os seguintes percentuais de votos válidos para segundo turno das Eleições 2020 para a Prefeitura de Porto Alegre:

O percentual de votos válidos de cada candidato corresponde à proporção de votos do candidato sobre o total de votos, excluídos os votos brancos, nulos e indecisos.

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49% — Foto: RBS TV

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49% — Foto: RBS TV

 

 
28
Nov20

Inauguração do Memorial Prestes: A generosidade comunista e a resistência poética

Talis Andrade

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A resposta certeira de Manuela: “Sabe, Melo, eu estou feliz que finalmente tu trouxeste o bicho-papão do comunismo para o debate. Eu quero que os senhores e senhoras comparem as nossas experiências porque o meu partido governa o Maranhão, pegou o Maranhão destruído, Melo, pelo teu partido, pelo MDB de [José] Sarney”. Flávio Dino, do PCdoB, governa o Maranhão desde o dia 1 de janeiro de 2015. A resposta de Manuela me fez lembrar a fala de André Pereira. Aqui lembro o romancista Urariano Mota, admirador de Manuela lá do seu exílio em Olinda, dos quatro cantos doados para o povo no Carnaval.

Inauguração do Memorial Prestes: A generosidade comunista e resistência poética

Memorial Luis Carlos Prestes (Palmas) - TripadvisorMemorial Coluna Prestes tem uma programação especial - Notícias -  Secretaria da Comunicação

Como eleger, entre tão belos e incandescentes discursos que iluminaram a inauguração da obra única de Oscar Niemeyer na terra natal de Luiz Carlos Prestes, no sábado (28), a mais densa e emocionada manifestação em louvor da trajetória solidária do homenageado com este monumental Memorial que enriquece o patrimônio cultural e arquitetônico de Porto Alegre para sempre?

Atrevo-me a este resumo do título, que amalgama três ideias que escolho como substanciais. E ainda cito um texto do próprio Niemeyer, sobre a motivação do projeto.

A generosidade comunista, socialista e prestista reuniu no lotado espaço da edificação de 700 metros quadrados, todos os que, de alguma forma, contribuíram para que um processo de 27 anos (iniciado em 1990, ano da morte de Prestes) pudesse, enfim, virar realidade agora. 

Assim, reconheceram todos, vivos e mortos que pavimentaram a construção, de Dulphe Pinheiro Machado e Paulo Ricardo Petri in memoriam, ao vereador Vieira da Cunha autor do projeto de lei que deu legitimidade legislativa ao empreendimento, ao prefeito Olívio Dutra, que doou o terreno da municipalidade e até mesmo o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveleto, que partilha o local e canalizou recursos financeiros para erguer o prédio onde predomina a cor vermelha, em tons que se alternam conforme os percalços e as glórias da vida do Cavaleiro da Esperança, como o chamou Jorge Amado. O compositor e cantor Taiguara, autor da musica, cujo titulo é exatamente a consigna de autoria do escritor baiano, foi destacado e representado pelo filho também músico Lenine Guarani, que realizou uma apresentação musical no palco armado na área externa do Memorial. Neste local protegido da garoa do entardecer, representantes de entidades e partidos políticos se pronunciaram, salientando a necessidade de inspirarem-se nas lições de Prestes. Entre muitos, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.  

A professora Gorete Grossi, que fez o papel de mestre de cerimônia do ato da inauguração oficial, ainda citou o secretário estadual de Segurança e o secretário municipal de Cultura que igualmente colaboraram para o sucesso do evento.  Atentos soldados da BM e sigilosos policiais civis não permitiram que os sempre belicosos provocadores do MBL praticassem a intolerância e o ódio que infestam as redes sociais e algumas pregações nas tribunas da colendas municipal e estadual.  E as poucas vaias esboçadas dirigidas ao secretário do prefeito tucano da capital foram amortecidas pelo soar do brado mais forte e convicto do “Fora, Temer!” que ecoou, em vários momentos, na sonoridade acústica entre os vãos e as curvas da engenhosa obra.

Poética foi a intervenção da atriz Débora Finocchiaro citando textos de Júlio Cortazar e Caio Fernando de Abreu, que valorizam a arma vigorosa da poesia, e a imagem que a deputada federal Maria do Rosário elaborou sobre o inverno gelado e o verão de sol avermelhado que se descortinarão incorporados ao visual do prédio situado a pouca distância do rio Guaíba.

A resistência foram pregações de todos os que falaram, de Olívio Dutra, Adão Villaverde, Ciro Gomes e outros.

Olívio garantiu que não há democracia sem socialismo. 

O deputado estadual Villaverde disse que são três os eixos essenciais do pensamento e da ação de Prestes que nortearam sua geração: a luta popular, a democracia e a soberania brasileira.

Ciro, o visitante cearense, elogiou os gaúchos pela grande dimensão do gesto de tributar a memória de um lutador como Prestes. “Vocês nem imaginam o quanto é importante o que está se fazendo aqui hoje”, discorreu. E com a costumeira língua sem papas, exortou a unidade das esquerdas para derrubar o “impostor vagabundo” que usurpa o poder surrupiado da presidenta legítima.

O professor Geraldo Barbosa, presidente da Associação do Memorial, dividiu com seu vice Edson Santos e o diretor de Patrimônio Ronald Moreira as congratulações pelo árduo trabalho de quase três décadas em que a própria lei autorizando a obra foi modificada, com o apoio do prefeito José Fogaça, afirmando a relevância da obra, como fez, na semana passada, a maioria dos vereadores da Câmara da capital.

Barbosa ainda leu uma carta enviada do Rio de Janeiro pela filha do laureado, Anita Benário Prestes, e a parte derradeira de uma reflexão de Oscar Niemeyer a respeito do projeto que produziu para agraciar o amigo comunista.

Datado de 2008 e detalhando a intenção de eternizar a caminhada de Prestes a partir dos 26 anos, quando liderou a coluna famosa pelo país, o texto “Não basta louvar” surpreende também pela surpreendente atualidade, já passada quase uma década.

Niemeyer cita “O Poder Global”, coletânea de José Luiz Fiori, sobre as contradições do mundo globalizado e “a onda neoconservadora que cresce por toda parte, com forte apoio do governo norte-americano”. Isso há 10 anos…

E no parágrafo final, Niemeyer refere-se ao império norte-americano Bush, tão dominador em sua devastação capitalista quanto é hoje o de Trump.

Bastaria mudar o nome do presidente na escrita do arquiteto aqui:

“Reli este texto e sinto que não basta louvar o passado. O importante é continuar essa luta por um mundo melhor que o império de Bush procura em vão obstruir”.

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27
Nov20

Sebastião Melo sonegador pego na mentira: Para não pagar dívida, diz à Justiça ser pobre, tendo salário de R$ 25 mil e patrimônio de R$458 mil

Talis Andrade

Tribuna do Norte - Aumento da extrema pobreza é tema da charge de Brum

Vio Mundo - A revista Veja traz hoje uma revelação bombástica sobre o deputado estadual Sebastião Melo (MDB-RS), candidato a prefeito de Porto Alegre.

Para não pagar uma dívida R$ 122 mil, Melo mentiu à Justiça Eleitoral, alegando que é pobre. Só que ele ganha mensalmente como deputado estadual R$ 25 mil.

Em 2013, Melo foi autuado pela Receita Federal por declarar de forma irregular no Imposto de Renda o pagamento de uma indenização.

Em consequência, no mesmo ano, foi condenado a pagar  R$122 mil.

Melo disse que se enganou no preenchimento de sua declaração e se nega a pagar a dívida.

Inscrito na dívida ativa da União, Melo, em julho de 2019, recorreu à Justiça, pedindo que lhe fosse concedido o Benefício da Gratuidade.

Justificou que tem situação econômica precária, ou seja, está pobre e não tem condições de arcar com as despesas do processo.

O Tribunal Regional Federal em Porto Alegre indeferiu o pedido.

Afinal, o Benefício da Gratuidade é para quem não tem realmente condições financeiras.

Comprovadamente não é o caso de Melo.

Ao processo, foi anexado o holerite dele como deputado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde constam vencimentos que somam R$ 25,3 mil mensais.

Tanto que na sentença, o juiz observou: ”Pobre, ele não é”.

Segundo um especialista ouvido por Veja, esse tipo de recurso é uma das maneiras de protelar o pagamento e tentar a prescrição da cobrança.

Procurado por Veja, Sebastião disse que não reconhece a dívida fiscal e  colocou a culpa no seu advogado, embora ele seja advogado.

“Eu nunca pedi gratuidade. Se meu advogado pediu, ele que responda por isso”, disse o candidato.

O advogado do deputado, Dario Silva Junior, explicou que pediu o benefício porque, na época, parte das contas bancárias do candidato estavam bloqueadas.

Este ano, na relação de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral neste ano, Sebastião declarou os seguintes bens:

— Saldo de R$ 8 mil em uma conta bancária no exterior

— R$ 55 mil em dois fundos de investimentos

— R$ 72,9 em saldo de previdência privada

— R$ 59,8 mil em saldo de um Fundo Previdência privada

— R$ 12,6 mil em aplicação financeira

— de 12,6 mil em dinheiro aplicado aldo de 59,8 mil reais, um título de capitalização com 11,3 mil reais, e outros investimentos que somam 7 mil reais

— R$ 11,3 mil em título de capitalização

— R$ 7 mil em outros investimentos

— Uma casa

— Um carro

O patrimônio dele, mesmo declarado em valores históricos, não atualizados, soma um total de 458 mil reais

27
Nov20

Comitê Suprapartidário lança manifesto em apoio à candidatura de Manuela D'Ávila

Talis Andrade

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Lideranças populares e políticas, intelectuais e artistas declaram apoio à candidata no segundo turno em Porto Alegre

 

Redação Brasil de Fato

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Comitê Suprapartidário Manuela Prefeita se formou, reunindo lideranças da cidade de Porto Alegre, pessoas ligadas a diversas comunidade e setores da economia. Na quarta feira (25), o grupo lançou um manifesto de apoio e um conjunto de charges realizadas em apoio à candidata.

No Facebook do Comitê, é possível conferir todas as pessoas que assinam o manifesto, que é reproduzido abaixo na íntegra. Após o manifesto, está publicado também algumas charges divulgadas pelo Comitê. Confira:

Manifesto Suprapartidário de Apoio à Manuela PrefeitaDemhab: da causa da ocupação ao desenrolar na justiça | by Index POA |  Medium

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O “Comitê Suprapartidário MANUELA PREFEITA”, constituído por pessoas das mais variadas áreas e linhas de pensamento político e ideológico, progressistas e com atuação na sociedade porto-alegrense, sem discriminação de qualquer natureza, nasce como um comitê plural que retrata parcela da sociedade de nossa cidade em defesa da democracia.

Composto por cidadão e cidadãs que se uniram com o objetivo de valorizar a diversidade, a pluralidade e os compromissos da candidatura de Manuela D’Ávila com nosso povo, especialmente neste momento, em defesa do emprego e da saúde da população frente à pandemia que ainda nos afeta gravemente – questões centrais e imediatas a nortearem o processo de construção de uma nova cidade para todos e todas.

A chegada de Manuela à Prefeitura de Porto Alegre trará a força da mulher, apoiada pela energia da juventude unida à experiência de Miguel Rossetto. Tudo vem sendo construído com uma ampla apresentação e discussão de suas propostas para uma mudança profunda na maneira como nossa cidade vem sendo administrada.

Essa construção tem como centro trazer a nossa Porto Alegre de volta ao eixo da participação popular com desenvolvimento social, já presente nos debates com todos os nossos cidadãos e cidadãs, em todos cantos e recantos da cidade.

Com o início da caminhada para o segundo turno, os cidadãos, os partidos políticos e as entidades da nossa sociedade estão se unindo ao projeto de uma nova Porto Alegre. Uma cidade que é plural e que com esse espírito deve ser administrada.

A necessidade de expormos com clareza essas proposições de uma nova cidade nos levou à constituição deste Comitê Suprapartidário, que se solidifica justamente nos debates dos mais variados pontos do programa proposto, assim como nos demonstra por que tantas adesões estão acontecendo em torno desse projeto que nos faz apoiar Manuela Prefeita 65 para Porto Alegre.

Vote Manuela e Rosseto para uma Porto Alegre de todos e todas.
Vote Manuela e Rosseto para uma Porto Alegre justa e participativa.
Vote @Manuela 65

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Veja que a extrema direita mela a campanha eleitoral, comandada pelo Gabinete do Ódio nazi-fascista, misógino, racista, e que tem nojo de pobre, como confessou o reeleito prefeito de Curitiba, Rafael Greca, do DEM. É bom lembrar que, nestas eleições de 2020, Curitiba elegeu sua primeira vereadora negra, que já foi, pelo feito. ameaçada de morte, por uma "juventude hitlerista". 

Não permita que Melo mele a campanha.

Por que os Melo mela a campanha de Manuela ? Por que tanto ódio? Tanta baixaria, mentiras, boatos, injúrias, difamações?

Por que essa onda de notícias falsas? Essa fúria machista, misógina, que chega a defender o feminicídio no caso de 'crime de honra'?

27
Nov20

A terra de Mourão acreditava em escravidão cordial

Talis Andrade

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A campanha contra Manuela D'Ávila esconde outra: Recordem que ela foi denunciada por liderar os movimentos contra o Carrefour, no bom combate contra a violência que assassina negros. Veja que a extrema direita mela a campanha eleitoral, comandada pelo Gabinete do Ódio nazi-fascista, misógino, racista, e que tem nojo de pobre, como confessou o reeleito prefeito de Curitiba, Rafael Greca, do DEM. É bom lembrar que, nestas eleições de 2020, Curitiba elegeu sua primeira vereadora negra, que já foi, pelo feito. ameaçada de morte, por uma "juventude hitlerista". 

Escreve Helena Martins: "Uma hashtag #ManuzuelaNão sintetiza essa vertente de ataques. Após o assassinato de João Alberto Freitas, morto por asfixia por seguranças do Carrefour, e os protestos em repúdio à execução na última sexta-feira, 20, Manuela também passou a ser responsabilizada. É o caso do conteúdo apresentado como notícia no portal Terra Brasil Notícias, que tem como lema 'Deus acima de tudo e de todos'. Link que destaca o título 'Irresponsável: Comunista Manuela D'Ávila usou redes sociais para convocar protestos que terminaram em violência' tem sido compartilhado, assim como post adulterado de Manuela sobre o caso, no qual ela convocaria os protestos.1 - Captura do portal Terra Brasil Notícias - Captura do portal Terra Brasil Notícias

Captura de tela da divulgação de uma notícia do portal Terra Brasil Notícias sobre Manuela Imagem: Captura do portal Terra Brasil Notícias.

Acrescenta Helena Martins: "Merece destaque o uso de adjetivo não só pejorativo, como contrário ao que o patriarcalismo diz ser esperado de uma mulher (responsabilidade, cuidado). Não é o mesmo tipo de ataque que vemos, por exemplo, no caso de Guilherme Boulos (PSOL), na disputa para a prefeitura de São Paulo".

Por que os racistas melam a campanha de Manuela D'Ávila? Por que tanto ódio? Tanta baixaria, mentiras, boatos, injúrias, difamações?

Por que essa onda de notícias falsas? Essa fúria machista, misógina, que chega a defender o feminicídio no caso de 'crime de honra'?

A terra de Mourão acreditava em escravidão cordial

por Moisés Mendes

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Anunciam que o vice-presidente Hamilton Mourão quer ser governador do Rio Grande do Sul. Bolsonaro já teria decidido que não deseja mais contar com seu vice na chapa para 2022. Mourão tem muitas afinidades com os gaúchos, por ser um deles e em especial por uma declaração recente.

Mourão disse que não há racismo no Brasil, ao comentar o assassinato do trabalhador negro João Alberto Silveira Freitas por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre. Tem gente que assegura até hoje: não houve escravidão no Rio Grande do Sul.

A tese é prima da teoria do general. Mourão diz que o racismo americano é explicitamente segregacionista. Mas que no Brasil há apenas desigualdades sociais. E os negros, pelo que se conclui, talvez por casualidade, seriam os mais desiguais.

Mourão nasceu em Porto Alegre e tem a obrigação de conhecer a tese sobre o escravismo cordial. Diziam que no Rio Grande do Sul não houve exploração intensiva e violenta da força de trabalho do negro, como no Nordeste e no Sudeste. E que os escravos tomavam mate com seus patrões nos galpões. Os escravos e seus donos eram amigos.

Não foi bem assim. Os gaúchos são bons na construção de histórias imaginárias, como a bravura e a “vitória” no que teria sido a Revolução Farroupilha e outras bravatas.

Os gaúchos exploraram escravos intensa e cruelmente em mais de 20 charqueadas na região de Pelotas. Em 1858, a chamada zona do charque tinha 1.343 escravos.

Eles eram metade de toda a população da região. Como força de trabalho, resistiam em média a 10 anos de trabalho. Os grilhões e outros ferros de tortura desse tempo ainda existem em Pelotas.

O jornalista Nilson Mariano, estudioso do assunto, já escreveu a respeito com detalhes esclarecedores de uma realidade muitas vezes negada também pela elite branca do século 20.

Os negros morriam jovens nas charqueadas do português Antonio José Gonçalves Chaves, o mais famoso produtor de charques do Estado. Foi na charqueada de Chaves que o viajante naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire constatou: havia o escravo das fazendas, onde não existia exploração intensiva do trabalho, e o escravo do charque.

Esses últimos eram tratados do mesmo jeito que os escravos da cana e do café. É o que aparece nos relatos de Saint-Hilaire e de Arsène Isabelle, Nicolau Dreys e John Luccock, que também passaram pelo Estado.

O escravagista cordial gaúcho foi uma invenção que se consagrou por décadas, pela versão de historiadores conservadores, porque os causos sobre a sua existência eram tão repetidos quanto a frase de Mourão de que não temos racismo.

O governador gaúcho, o tucano Eduardo Leite, é de família da região de Pelotas. Quando comentou o assassinato do trabalhador no Carrefour, definiu o crime como resultado de “excessos” cometidos pelos seguranças.

Um líder de Leite no partido a que ele pertence, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, poderia inspirar o governador a procurar uma palavra mais adequada.

Fernando Henrique define a escravidão no Estado, sem muita originalidade e sem concessões aos fazendeiros bonzinhos, como a coisificação do negro, para que perdesse a condição humana e a possibilidade de ter desejos, aspirações e sonhos.

Leite sabe que há em um livro escrito por Fernando Henrique muitas palavras que poderiam substituir o que definiu como excessos. FH foi pioneiro no desmonte da tese do escravismo cordial dos gaúchos, quando publicou, em 1962, Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional.

FH veio ao Estado para pesquisar em Pelotas os impasses da escravidão da periferia, pouco percebida no centro do país. Era uma escravidão um pouco diferente, mas era escravidão. Assim como o que sempre aconteceu no Brasil é racismo.

A escravidão é a origem do racismo nesse Estado branqueado pela colonização europeia. E as falsas cordialidades são a origem de afirmações que negam o racismo. Mourão poderia conversar a respeito com o historiador Mario Maestri.

A negação do racismo expressa desinformação misturada à intenção de distorcer a realidade e a História, como os escravagistas e seus historiadores tentaram fazer.

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27
Nov20

Desinformação e violência na política: as armas contra Manuela D'Ávila

Talis Andrade

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Revolução Laura: Reflexões sobre maternidade e resistência | Amazon.com.br

 

Helena Martins

Manuela D'Ávila (PCdoB), que despontou nestas eleições como favorita na disputa pela prefeitura de Porto Alegre, enfrenta mais um momento desafiante em sua trajetória política. De acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 24, Sebastião Melo (MDB) tem 49% e Manuela, 42%. Quando considerados os votos válidos, são 54% e 46%, respectivamente. A margem de erro, os sempre imponderáveis últimos dias de campanha e o resultado concreto das urnas podem levar a mudanças, claro. Mas contra Manuela, que terminou o primeiro turno apenas 2% atrás do adversário, pesam as campanhas de desinformação com teor explicitamente misógino.

Nas redes, crescem ataques pessoais combinados a conteúdos que buscam gerar medo na sociedade, a partir da mobilização de temas como o comunismo. O machismo fica nítido ao se observar o que circula em plataformas como o WhatsApp contra Manuela, imagens que opto por não expor aqui para reduzir a circulação da desinformação, ainda que sejam facilmente encontradas na internet. Muitas expõem e manipulam fotos da candidata, com ênfase em seu corpo e rosto. A aparência é o foco dos ataques. Tenta-se imputar a ideia de irresponsável. Em uma montagem são acrescidas tatuagens com rostos de líderes como Che Guevara e Lênin e uma frase que questiona o que seria a prefeitura liderada por ela. É feito também contraponto com o que seria a mulher ideal. Manuela tem tido sua imagem frequentemente comparada à de Michele Bolsonaro. Esta, sim, é apresentada como "recatada e do lar".

Uma postagem afirma que Manuela trocou 'o crucifixo no ânus por um escapulário católico' e agora, apenas por ser campanha eleitoral, vale-se de 'roupas recatadas'. Há ainda uso de uma fotografia de Manuela aos 15 anos, acompanhada do seu pai, insinuando que se tratava de seu namorado. Em outra, aparece a adolescente sozinha. A exposição vem acompanhada de uma legenda dizendo que Manuela odeia a foto, e convidando os outros a divulgá-la com o intuito de atacar a sua aparência "Só de marra vamos compartilhá-los ao máximo", diz o texto.

No Twitter, circula áudio atribuído à coordenação da campanha de Sebastião Melo (MDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto no segundo turno da disputa à prefeitura de Porto Alegre, em que Manuela é chamada de "vadia". Divulgado pelo ativista Luiz Muller e por veículos como a Fórum, no áudio diz-se que: "Se entrar essa vadia ai vai ser um problema muito sério para a cidade". A autoria não foi confirmada.

Ataques envolvendo corrupção, suposta ditadura venezuelana e atrocidades atribuídas a regimes comunistas são lançados contra a candidata. Exemplo disso, circula boato de que ela teria sido presa por conta da delação da Odebrecht, processo já arquivado pelo Ministério Público. Com mais de 130 mil visualizações em apenas sete horas de disponibilização na segunda, 23, vídeo do canal Giro de Notícias intitulado "A PRISÃO DE MANUELA D'AVILA, O MAIOR ATAQUE DA MÍDIA NO BRASIL, POLÍCIA FAZ LIMPEZA". O conteúdo também está sendo compartilhado no WastApp, de acordo com o Radar da agência de verificação Aos Fatos.

Uma hashtag #ManuzuelaNão sintetiza essa vertente de ataques. Após o assassinato de João Alberto Freitas, morto por asfixia por seguranças do Carrefour, e os protestos em repúdio à execução na última sexta-feira, 20, Manuela também passou a ser responsabilizada. É o caso do conteúdo apresentado como notícia no portal Terra Brasil Notícias, que tem como lema "Deus acima de tudo e de todos". Link que destaca o título "Irresponsável: Comunista Manuela D'Ávila usou redes sociais para convocar protestos que terminaram em violência" tem sido compartilhado, assim como post adulterado de Manuela sobre o caso, no qual ela convocaria os protestos.1 - Captura do portal Terra Brasil Notícias - Captura do portal Terra Brasil Notícias

Captura de tela da divulgação de uma notícia do portal Terra Brasil Notícias sobre Manuela Imagem: Captura do portal Terra Brasil Notícias

 

Merece destaque o uso de adjetivo não só pejorativo, como contrário ao que o patriarcalismo diz ser esperado de uma mulher (responsabilidade, cuidado). Não é o mesmo tipo de ataque que vemos, por exemplo, no caso de Guilherme Boulos (PSOL), na disputa para a prefeitura de São Paulo.

A violência de gênero é explícita - ataques a candidatos homens são diferentes

O mesmo site Terra Brasil Notícias publicou: "Boulos" vira motivo de piadas nas redes após dizer que problema da previdência é número baixo de funcionários públicos". No Twitter, ganhou repercussão tweet em que Boulos teria escrito defender abrigar moradores de rua na casa de quem tem quartos vagos, o qual foi postado por uma conta falsa. Ainda no primeiro turno, como abordado aqui, acusação falsa de que teria contratado empresas fantasmas ganhou lastro. São, pois, temas relacionados ao conteúdo político, não aos atributos pessoais, muito menos ao corpo do candidato.

Embora se tratem ambos de políticos que abraçam visões de mundo de esquerda, há uma abordagem diferente, que leva a crítica para a dimensão pessoal no caso das campanhas arquitetadas contra Manuela. É o que vemos no texto também identificado pela Aos Fatos em grupos do WhatsApp: "A comunista patricinha, no primeiro turno vinha 'pagar de boa moça', acusava os adversários de fazer campanha suja contra ela, a mesma inclusive em seus lixos de propagandas na teve, disse que ela era contra isso, pois tinha projeto. Como todo mundo sabe, ELA TRAÍ, e agora ELA vem fazer no horário eleitoral a mesma coisa que ela julgava errado antes. Assim é o PT, PSOL, PCdoB e PDT, usam mulheres, usam vidas negras, usam todo mundo para chegar no poder. E você vai cai nisso, ou vai dar um "tapa de luva" nestes lixos e votando 15 em Melo".

O compartilhamento do link e a referência à "traição" mostram ainda a retroalimentação que se dá entre as mídias e também expressa como as violências contra as mulheres na política são recorrentes e perpetuadas, inclusive pela ausência de responsabilização. Como costuma ocorrer nas campanhas de desinformação, as agressões na rede são alimentadas por amplificadores, como o candidato Rodrigo Maroni (Pros), que no último debate do primeiro turno disse que Manuela "mentia e dissimulava". "Tu é patricinha mimada, poderia estar comprando bolsa no shopping. Se eu fosse abrir a boca, eu não acabaria com a carreira, mas com tua vida, Manuela", afirmou. No primeiro debate entre candidatos, Maroni, ex-noivo da pcdobista, também havia desferido ataques machistas contra ela, acusando-a de traição, o que foi amplamente repercutido na mídia.Por Que Lutamos - Um livro sobre amor e liberdade Em Portugues do Brasil:  Amazon.es: Manuela DAvila: Libros

O impacto eleitoral das campanhas de desinformação

Dadas a opacidade das plataformas digitais e a diversidade de canais de comunicação, é difícil precisar o volume dos ataques e seus impactos. Entretanto, a resposta judicial, sempre menor do que o que realmente ocorre, pois as investigações dependem dos conteúdos serem encontrados e denunciados, permite-nos traçar contornos do quadro. Ainda no primeiro turno, quando Manuela aparecia na liderança das pesquisas de intenção de votos, a Justiça Eleitoral determinou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube retirassem do ar meio milhão de compartilhamentos de conteúdo falso contra ela. O somatório refere-se a apenas dez postagens denunciadas. Não é inexpressivo.

Some-se a isso ainda o fato de campanhas de desinformação contra Manuela serem antigas e permanentes. Após dividir chapa com Fernando Haddad (PT) à presidência da República nas eleições de 2018, marcadas pelo fenômeno da desinformação e intolerância nas redes sociais, Manuela chegou a criar o instituto E Se Fosse Você?, uma organização não-governamental, e lançou o livro "E Se Fosse Você? Sobrevivendo às redes de ódio e fake news".

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Estas campanhas desinformativas podem ajudar a explicar a alta rejeição de Manuela - 38%, de acordo com a pesquisa Ibope de 14 de novembro, um dia antes do primeiro turno. Em uma curta campanha eleitoral, mitigar efeitos ou mesmo mudar entendimentos acerca da candidata não é tarefa fácil, ainda mais quando a artilharia inimiga não dá trégua. Essa perseguição já era apontada como empecilho para a corrida eleitoral de 2020. Em artigo publicado neste Observatório em 31 de outubro, Céli Pinto sentenciava que o segundo turno em Porto Alegre contaria com a participação de Manuela e que não seria fácil. Entre os motivos, o fato de a candidata ser vítima desse tipo de violência política.

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Não é difícil concluir, e este Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher (25/11) vem para nos alertar mais sobre isso: campanhas de desinformação permeadas por misoginia são as principais armas utilizadas contra Manuela D'Ávila. Elas representam um grande entrave para que a parlamentar, que já acumula mandatos e experiência política, consiga alcançar a prefeitura de Porto Alegre. Uma situação que evidencia a violência que atravessa as vidas das mulheres que ocupam a política. Muitas têm seus corpos enfatizados, seus atos ignorados, suas opiniões diminuídas, seus espaços cortados. Com menos de uma semana para o pleito, parece difícil que haja tempo e condições para reverter a situação, até porque ela tem raízes na cultura e nas instituições.Bahia Notícias / Cultura / Notícia / Manuela d'Ávila lança novo livro em  Salvador na próxima segunda-feira - 05/11/2019

Livros

Manuela D'Ávila tem três livros publicados. O primeiro, Revolução Laura, foi lançado em março de 2019, e consiste num relato de suas experiências pessoais e políticas, vividas desde o nascimento de sua filha. Após o lançamento, percorreu o Brasil proferindo palestras.

O segundo livro, Por que lutamos?, foi lançado pela editora Planeta em outubro de 2019. Voltado para meninas e jovens. A publicação aborda didaticamente o feminismo.

Em agosto de 2020, Manuela lançou seu terceiro livro, E se fosse você?, sobre redes de ódio e notícias falsas, contando com o prefácio de Felipe NetoNa publicação, ela aborda casos de figuras públicas alvo das redes de produção de notícias falsas e conta como lida com esse tipo de conteúdo difamatório elaborado a seu respeito.

26
Nov20

Manuela: ‘Há um sentimento no povo de que é preciso interromper o ciclo político de abandono em Porto Alegre’

Talis Andrade

Manuela D’Ávila: “Porto Alegre é uma cidade que foi abandonada”  

 

por Marco Weissheimer /Sul 21

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Para Manuela D’Ávila (PCdoB), “abandono” é a palavra que melhor define a situação da cidade de Porto Alegre hoje. Ela define seu desafio como candidata à Prefeitura da capital gaúcha como dar expressão a um sentimento que vê presente junto à população da cidade: é preciso interromper o ciclo político de abandono marcado por gestões pertencentes a um mesmo bloco que nesta eleição se apresenta dividido, ao menos no primeiro turno. Manuela já foi candidata a prefeita de Porto Alegre duas vezes, em 2008 e 2012. Desta vez, porém, ela conta com um aliado de peso, que não esteve com ela nestas duas tentativas: o PT, que é vice na chapa majoritária com o nome de Miguel Rossetto, ex-vice-governador e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário.

Em entrevista ao Sul21, Manuela apresenta sua visão sobre os principais problemas de Porto Alegre, hoje, e suas propostas para enfrentá-los. Ela também fala sobre os desafios de enfrentamento da pandemia de covid-19 que devem adentrar 2021 e exigir da Prefeitura respostas rápidas em um cenário de crescente crise social. Líder nas primeiras pesquisas divulgadas desde o início da campanha eleitoral, Manuela lembra que pesquisa não ganha eleição. Prefere extrair delas o significado político da eleição em Porto Alegre:

“Creio que as pesquisas representam a conjugação de dois fatores: o projeto que nós representamos e o sentimento de que é preciso interromper esse ciclo de abandono. Do outro lado, a gente tem a turma que nos governou até agora neste último período. Estão divididos, fracionados, batendo boca, envolvidos numa guerra fratricida, mas representam um bloco. É o atual prefeito e o vice dele, e o ex-prefeito e o ex-vice dele, que representam os governos da última década inteira e que nos trouxeram para a situação que vivemos hoje.

 

 Sul21: Qual o teu diagnóstico sobre a situação, hoje, de Porto Alegre e dos principais problemas que afetam a população da cidade?

 Manuela D’Ávila: Porto Alegre é uma cidade que foi abandonada no último período. Na nossa visão do que é uma cidade, ela é uma infraestrutura urbana, mas, sobretudo, ela é constituída por pessoas. Porto Alegre é uma cidade que foi sendo abandonada, cada vez com uma intensidade maior. A pandemia encontrou Porto Alegre com esse cenário, como se tivesse encontrado um solo fértil para se desenvolver. A destruição do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), a ausência da gestão democrática nas escolas, a ação de desmonte do IMESF (Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família) e de privatização da saúde, tudo isso propiciou um terreno fértil para a pandemia.

A pandemia encontrou uma cidade abandonada, com suas comunidades absolutamente esquecidas. O prefeito teve a sinceridade de chamar essas pessoas de “os invisíveis”, que, são, na verdade, aqueles que foram invisibilizados por ele. Dos empresários da Cidade Baixa, ao padre Sérgio, da Paróquia de São Jorge, ou à turma do movimento em defesa da Saúde Pública, todos falam que a Prefeitura não escuta ninguém, não dialoga. Temos, então, uma cidade abandonada, com um prefeito encastelado, que não dialoga para construir soluções, para ouvir as expectativas da população.

 

Sul21: Diante desse cenário, qual a estratégia central que sua campanha e seu programa de governo propõem para enfrentar esses problemas?

Manuela D’Ávila: Nós temos quatro proposta que consideramos prioritárias para recuperar a cidade e cuidar das pessoas. A primeira delas é uma política bastante ampla de geração de trabalho e renda para as pessoas. A situação econômica da cidade é um tanto assustadora e enseja preocupação. Temos 224 mil porto-alegrenses que vivem, hoje, da renda emergencial e, a partir do dia 1o de janeiro não terão mais essa renda. Além disso, 18% de nossos desempregados buscam trabalho e renda, de forma contínua, há mais de dois anos. Esse programa de geração de trabalho e renda é focado, em primeiro lugar, em uma política de microcrédito. Vemos hoje, na periferia sobretudo, um conjunto de mulheres e homens que passam a empreender, seja em função do desemprego, seja em função do trabalho muito precarizado após a Reforma Trabalhista. Acreditamos que, com o fundo garantidor da Prefeitura, podemos alcançar a soma de R$ 200 milhões em um programa de microcrédito. Para termos um exemplo, Santa Catarina, com R$ 220 milhões gerou 20 mil empregos diretos.

A segunda proposta está associada aquilo que, teoricamente, é chamado de economia do uso comum, que é a construção de circuitos econômicos mais curtos. Nós acreditamos que as compras públicas governamentais têm um papel estratégico para garantir trabalho, renda e desenvolvimento econômico para a nossa cidade. A Prefeitura gasta hoje cerca de R$ 1,7 bilhões em compras governamentais e só 8% desses recursos beneficiam micro e pequenas empresas, e muitas delas não são daqui. Nós queremos passar a gastar 20%, o que significa R$ 340 milhões para a economia da cidade. Estamos falando, por exemplo, do pão que vai para a escola ou para a creche conveniada ser produzido na padaria do bairro, ou das frutas e hortaliças produzidas por nossos agricultores abastecerem as nossas escolas. Isso significa ainda, para citar outro exemplo, o EPI dos nossos profissionais de saúde ser produzido por cooperativas da economia solidária formadas por mulheres de nossas comunidades. Acreditamos que é possível, por meio das compras públicas governamentais, garantir um volume significativo de trabalho para a nossa população.

Outra prioridade nossa está relacionada à recuperação do ano letivo. Aqui, há duas preocupações. Uma delas é a recuperação do ano letivo em si. O CNE (Conselho Nacional de Educação) já preconizou que 2021 será um ano de ensino híbrido continuado. Mas há também o tema da evasão escolar para enfrentar. Uma das razões que explicam a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que foi tão amplamente, repercutida, é o fato de termos um grande número de alunos que reprovam. Na verdade, esses alunos que reprovam são alunos que mantém a matrícula, na sua maioria, e vão nas escolas eventualmente para se alimentar. A maior parte deles acaba rodando por faltas. Com a crise na educação e na economia, as crianças voltarão a trabalhar. Já estamos vendo isso nas sinaleiras. Voltamos ao Brasil da década de oitenta. Eu nunca fui adulta com crianças trabalhando nas sinaleiras. Eu era criança na época em que isso acontecia nesse volume que estamos voltando a ver agora. Então, no nosso entendimento, o tema da recuperação do ano letivo passa, em primeiríssimo lugar, pelo programa Nossa Renda Emergencial, uma política vinculada à primeira infância e à infância. É uma renda vinculada à permanência de crianças nas escolas. Isso representa, ao mesmo tempo, combate ao trabalho infantil e a possibilidade de recuperarmos o ano letivo na rede municipal.

Em cima disso, queremos trabalhar com a ampliação de horas aulas, mas como sabemos que o ensino será híbrido, temos um segundo problema: 88% das crianças da rede não tem internet. Nós temos um programa que chamamos de “Mil pontos de wi-fi gratuitos”, a partir dos pontos de internet que já estão conectados em escolas e unidades básicas de saúde e que podem, com um investimento de R$ 18 milhões da Prefeitura, virar transmissores de internet nas suas comunidades. Isso tem a ver com a escola, mas também tem a ver com geração de trabalho e renda. Assim, além da ampliação das horas-aula, que é o centro da recuperação presencial, temos essas ideias para assegurar que esses estudantes permaneçam vinculados à escola e não sejam obrigados a sair para trabalhar, como crianças que são, e que tenham a possibilidade de acessar a internet.

Outra proposta prioritária de nossa programa é o que estamos chamando de Plano Emergencial de Assistência Social. E dentro desse plano há o programa Fome Zero municipal. A nossa leitura da cidade tem relação com o empobrecimento muito veloz do nosso povo. O Fome Zero municipal pretende descentralizar restaurantes populares e estabelecer parcerias com cozinhas comunitárias, garantindo que ninguém passe fome na cidade. Se eu conseguir depois de quatro anos ser a prefeita de uma cidade em que as crianças não estão evadindo da escola e onde as pessoas não passam fome, já será algo muito simbólico e importante para a vida dessas famílias. Não foi por acaso que, quem levou o Nobel da Paz esse ano, foi justamente a ação da ONU de combate à fome. Para mim, esse não é um tema irrelevante.

Por fim, outra prioridade do nosso programa é o tema da gestão própria da vacina. Lamentavelmente, o governo Bolsonaro, além de não fazer uma gestão da vacina, produz crises diplomáticas com países que são muito importantes neste debate, como é o caso da China. Nós, evidentemente, queremos que a vacina seja objeto do SUS (Sistema Único de Saúde) para garantir, assim, a imunização de todo o povo brasileiro. Hoje, temos o Estado de São Paulo fazendo a sua gestão, a Bahia e outros estados do Nordeste fazendo a sua gestão. Precisamos garantir que Porto Alegre entre na fila. A vacina não vai ficar nos esperando. Quando ela for protocolada, o mundo entrará numa nova disputa. Precisamos garantir nossa posição neste processo até porque o SUS vem sendo destruído por um ministro que sequer sabia que ele existia até assumir.

 

Sul21: Os novos prefeitos e prefeitas que forem eleitos esse ano enfrentarão, tudo indica, um cenário de desemprego em alta e insegurança social, para não falar da crise sanitária causada pela pandemia de covid-19, que deve entrar 2021 adentro. Você já mencionou alguns dos programas que pretende implementar, caso eleita, para gerar renda e trabalho na cidade. Qual é a capacidade, na sua avaliação, de as prefeituras darem conta desses problemas, considerando, principalmente, a postura do governo federal até aqui? Como vê essa relação institucional entre municípios, estados e União na atual conjuntura?

Manuela D’Ávila: Acho que não é possível imaginar uma Prefeitura que não dialogue. É preciso ter uma Prefeitura ativa na busca da garantia dos direitos do povo da nossa cidade. Eu e o Miguel Rossetto defendemos um projeto diferente deste que está governando o Brasil e acreditamos que Porto Alegre pode ser uma alternativa concreta a isso, como fomos nos anos 90 uma alternativa concreta ao neoliberalismo. Nós não derrotamos o neoliberalismo em Porto Alegre, mas nós mostrávamos, por exemplo, que era possível ser mais democrático, que era possível ter uma empresa pública de transporte coletivo, que era possível governar em parceria com a comunidade, com o conveniamento das creches, antes ainda da existência do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Eu uso esses exemplos como referência para afirmar que é possível construir alternativas. Isso tem relação com método de governo, com as prioridades do governo e com aquilo que nós projetamos para a cidade e para as pessoas que vivem aqui. Ao mesmo tempo, também precisamos mudar a atitude da Prefeitura em relação aos governos estadual e federal. Hoje, nós temos uma administração que fica parada, esperando que a União e o Estado se lembrem que Porto Alegre existe. Eu vou disputar recursos para a nossa cidade, no Estado, na União e internacionalmente.

Vou dar um exemplo concreto relacionado ao governo do Estado. Na Vila Cruzeiro, nós temos uma das situações de maior vulnerabilidade na cidade. É a esquina do abandono com aquela obra da Tronco aberta desde 2010. O que o prefeito ou a prefeita tem que fazer? Disputar cada jovem. A gente sabe qual é a realidade daquela comunidade, uma realidade de desemprego e de violência. Pois o que foi que aconteceu? O governo do Estado fechou a Escola Alberto Bins, que era a única escola de ensino médio que os jovens da Tronco e daquela região da Cruzeiro podiam ir sem pagar ônibus. Nós temos a tarifa de ônibus mais cara do país entre as capitais. Os jovens que estavam ali estudavam à noite, depois do trabalho. Vocês ouviram algum barulho do prefeito em relação ao fechamento dessa escola? Eu iria conversar com o governador para garantir a manutenção da escola. É preciso dialogar com uma postura ativa. O dinheiro do povo de Porto Alegre, os investimentos que podem ser feitos aqui são um direito das pessoas que vivem na cidade.

 

Sul21: As pesquisas vêm apontando tua candidatura em primeiro lugar na preferência do eleitorado de Porto Alegre. Como avalia esses resultados e o que eles significam do ponto de vista político?

Manuela D’Ávila: Em primeiro lugar, eu sei que pesquisa não ganha eleição. O que ganha eleição é trabalho. É por isso que hoje, às quatro da manhã, eu estava com o Miguel lá na Carris conversando com os trabalhadores, como tenho feito todos os dias por meio de agenda de rua ou agendas pela internet para fazer com que nossas ideias cheguem ao maior número de pessoas. Até porque eu conheço a força financeira, os interesses que movem nossos adversários, e conheço muito bem, lamentavelmente, o jogo sujo que eles são capazes de produzir contra nós e, mais especificamente, contra uma mulher como eu. Fui vítima central do gabinete do ódio de Bolsonaro em 2018 e sei que jogam toda energia aqui em Porto Alegre. Já estamos vendo isso acontecer com as baixarias promovidas pelo Olavo de Carvalho, o astrólogo fake do presidente da República.

Tenho dois sentimentos em relação às pesquisas. Pessoalmente, elas indicam que o povo de Porto Alegre conhece a minha trajetória e não acredita no volume de mentiras que eles dispararam a meu respeito. Todo o processo de tentativa de destruição da minha imagem é baseado na misoginia, no ódio e na mentira. Então, esses resultados das pesquisas me trazem um sentimento de conforto. Foi esta cidade que me fez vereadora lá em 2004, sem que eu tivesse um sobrenome de político tradicional, pertencendo a um partido pequeno, sendo uma mulher jovem num momento em que nem mulheres nem jovens estavam na crista da onda da luta política. Também foi essa cidade que, depois, me fez deputada. Embora eu tenha tido votações muito expressivas em todo o Estado, sempre saí eleita deputada federal (e mais recentemente deputada estadual) com a votação de Porto Alegre.

Mas as pesquisas também tem uma dimensão política que me parece importante. Elas indicam o reconhecimento de que nós representamos o campo da democracia, da participação e da inclusão social em Porto Alegre. O nosso povo identifica, no gesto do PT em me apoiar, esse sentido de campo de unidade. O gesto do PT é muito relevante nacionalmente. O gesto do PT de Porto Alegre é de muito compromisso com a nossa cidade. Em segundo lugar, acho que existe um sentimento na população da necessidade de nós interrompermos esse ciclo político do abandono. Creio que as pesquisas representam a conjugação desses fatores: o projeto que nós representamos e o sentimento de que é preciso interromper esse ciclo de abandono. Do outro lado, a gente tem a turma que nos governou até agora neste último período. Estão divididos, fracionados, batendo boca, envolvidos numa guerra fratricida, mas representam um bloco. É o atual prefeito e o vice dele, e o ex-prefeito e o ex-vice dele, que representam os governos da última década inteira e que nos trouxeram para a situação que vivemos hoje. São eles que estão lutando contra nós.Image

 

Sul21: Como é que está sendo a experiência de fazer campanha nesta situação de pandemia? E como está percebendo o sentimento das pessoas com as quais tem conversado, em relação ao atual momento que estamos vivendo?

Manuela D’Ávila: Há várias coisas a dizer sobre isso. A primeira é que é muito difícil fazer campanha na pandemia. Mais difícil ainda é o trabalho para garantir os cuidados sanitários de todos os envolvidos neste processo. Como a gente sabe, quando eu mantenho uma distância das pessoas eu estou cuidando dessas pessoas e de mim mesma. É um cuidado coletivo, em cada gesto, em cada momento, que impõe um autocontrole muito grande por parte da nossa campanha. Eu até brinco dizendo que a gente tem um diretor de cena, pois tenho uma pessoa só pra me ajudar a garantir que as pessoas mantenham a distância umas das outras, pois essa não é uma situação natural, menos ainda o meu natural. É algo que exige muita disciplina para ser correto com as pessoas que estão se relacionando com a gente. Estou tentando ser criativa, vendo que lugares posso ir de modo que possa garantir a proteção das pessoas e de todos os que trabalham comigo. Tenho uma vantagem que é o trabalho que realizo nas redes sociais há muitos anos, mas a gente sabe que isso é insuficiente. Esse cuidado todo que estamos tendo a é uma postura responsável em relação à cidade também, pois a pandemia não acabou.

Outra característica desta campanha é que esta situação que estamos vivendo deixa muito visíveis os contrastes e contradições da cidade. Desde antes das eleições eu já visitei quase todos os galpões de reciclagem, por exemplo. A gente vê dentro dos galpões as pessoas trabalhando com máscaras, mas elas estão lidando com resíduos, muitas vezes sem o equipamento adequado. Esse tipo de situação expõe como a desigualdade social é cruel.Image

 

Sul21: Antes de começarmos a entrevista, você comentou que está fazendo testes para covid-19 praticamente todas as semanas…

Manuela D’Ávila: Temos feito o teste de dez em dez dias. Nós circulamos mais, a equipe toda da campanha. Então nós não podemos ser fatores de contágio para a cidade. Se alguém de nós for identificado com covid, isso, evidentemente, representará um prejuízo para a campanha, mas é um prejuízo maior para a cidade alguém ir a um programa de TV, por exemplo, e contaminar outras pessoas. Por isso, eu e todos os que circulam comigo estão fazendo os testes regularmente.

 

Sul21: Como avalia a relação entre os desafios colocados para garantir a segurança sanitária da população em meio à pandemia e a pressão de diversos setores econômicos pela flexibilização ou mesmo pelo fim do distanciamento social? Pelo que estamos vendo acontecer em diversas cidades europeias, a possibilidade de termos aqui também uma segunda onda de contágio está no horizonte de 2021 para quem assumir a Prefeitura.

Manuela D’Ávila: Em primeiro lugar, acho natural que os setores econômicos pressionem a Prefeitura. O que não é natural é que a Prefeitura não tenha um comitê de crise permanente para debater com o conjunto da cidade decisões que são tão impactantes. Lá atrás, no dia 20 de março, eu escrevi para o prefeito e para o governador me colocando à disposição e dizendo que achava que era necessário um comitê de crise amplo para conseguir pactuar as decisões com a cidade. O tema da volta às aulas, por exemplo, está relacionado às escolas, mas também a um público mais amplo, formado por professores, funcionários, pais e mães. Não há um lado só neste debate e ninguém elegeu nenhum prefeito para tomar decisões dessa natureza complexa que enfrentamos agora, pois elas não estavam colocadas no radar.

Então, de um lado, acho que os empresários têm razão quando falam da ausência de estabilidade e de critério nas decisões da Prefeitura. Há um mito segundo o qual o prefeito conduziu a crise sanitária de forma exemplar e que essa é a razão dos problemas econômicos que a cidade enfrenta agora. Na minha avaliação, ele não conduziu a crise de forma exemplar. Não teve política de testagem, que era o que permitira que abríssemos antes ou que mantivéssemos fechado. Nem os profissionais da área da saúde foram testados. Hoje eu estava lá na porta da Carris e vi o pessoal da empresa circulando e sem testagem. Isso é que gera o contágio. O não controle é que expande o contágio e, portanto, o período de isolamento e as decisões que trazem impacto econômico.

Outro problema, na minha avaliação, é que o prefeito Marchezan não teve um gesto de debate na direção dos setores econômicos. E, quando falamos de setores econômicos, no caso de Porto Alegre, estamos falando fundamentalmente de micro e pequenos empresários. Não somos uma cidade de empresários gigantescos. Somos uma cidade de serviços. Estamos falando de quem tem um bar ou restaurante na Cidade Baixa ou da mulher negra que é dona de um salão de beleza no Sarandi ou na Restinga. Não houve nenhuma política de debate com esse setor sobre, por exemplo, o tema do não pagamento ou de uma renegociação das taxas municipais. É importante assinalar que a Prefeitura não sofreu impacto nas suas finanças este ano por conta do aumento do IPTU e do repasse de dinheiro da União relacionado ao enfrentamento da covid. Poderia ter ocorrido uma negociação dessas taxas com esses pequenos empresários, até porque os nossos maiores empresários mantiveram seus negócios abertos. Também não tivemos nenhum debate público sobre a postergação do aumento do IPTU de 2021, que, aliás, é uma bandeira nossa. Quem paga IPTU não é quem especula com imóveis

Então, acho que o prefeito não teve uma postura de enfrentamento sanitário adequada, pela falta de testes, para não falar da falta de diálogo com as escolas e a ausência de políticas de assistência social. Houve uma política do achismo, que gerou instabilidade, e não houve diálogo para tentar minimizar o impacto nos setores econômicos. Nem sequer sobre a renda emergencial a gente viu o prefeito levantar a voz. Nós temos hoje 224 mil pessoas que estão vivendo a renda emergencial na cidade. São pessoas que passaram a viver com 600 reais e que agora tem que viver com 300 reais, em função da redução do auxílio pelo governo Bolsonaro, e que em breve passará a viver sem nada, com o fim do auxílio. A pauta econômica e de trabalho não foi um tema para o atual prefeito.

Nós defendemos o isolamento sabendo do seu impacto econômico. Por que no dia 20 de março, o meu instituto já estava vendendo livros e comprando cestas básicas? A gente sabia que a nossa posição em defesa da Ciência, em um país desigual como o Brasil, traria impactos para os mais pobres. O discurso de que nós defendíamos a Saúde e Bolsonaro e os seus defendiam a economia é um discurso falso. Nós sabíamos do impacto econômico, mas defendemos que as pessoas estejam vivas para poder trabalhar. Não existe como trabalhar depois de morrer. Isso pode parecer uma obviedade, mas para alguns setores parece que não é. O fato de a ONU ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, por sua ação de combate à fome, nos traz essa reflexão. A Prefeitura de Porto Alegre combateu a fome durante a pandemia?

 

Sul21: Qual é, na tua avaliação, o significado das eleições municipais no contexto da atual conjuntura nacional. Em que medida, as eleições podem servir para ampliar os espaços de resistência às políticas do governo Bolsonaro?

 Manuela D’Ávila: Acho que a eleição municipal sempre é o momento mais importante de conexão com as pessoas. Afinal, as pessoas vivem nas cidades. Na minha avaliação, o desafio destas eleições para o nosso campo é conseguir mostrar para o nosso povo o que representa o bolsonarismo em suas rotinas. O discurso ideológico de enfrentamento ao Bolsonaro que nós fazemos precisa ser pautado para as mulheres e homens que vivem nas comunidades. Quando falamos da Emenda Constitucional 95 lá atrás, no governo Temer, estávamos falando do fim do SUAS, que teve impacto agora, durante a pandemia, com a inexistência de redes de proteção social nas cidades. Quando falamos da destruição do SUS, estamos falando de um país que não conseguiu montar brigadas nas cidades para impedir o contágio da pandemia.

Na campanha eleitoral de 2018, o Mano Brown disse que a esquerda precisava se reconectar. A eleição municipal é uma oportunidade de reconexão com as pautas reais do nosso povo. Não que não estejamos conectadas, mas precisamos traduzir as nossas pautas para a vida real das pessoas. Uma esquerda que não coloca, hoje, o combate à fome na centralidade e como nossa prioridade está desconectada da vida real das nossas comunidades. Do mesmo modo, devemos colocar, hoje, no centro das nossas ações a geração de trabalho e renda, bem como a garantia de que nossas crianças não sairão das escolas para irem para as sinaleiras. Talvez nunca tenha sido tão importante, no último período, vencer eleições municipais, como agora. Estamos no ápice de uma política de abandono total das mulheres e dos homens trabalhadores em nosso país.

 

Sul21: Pelas articulações e frentes que se concretizaram até agora, nas principais cidades do país, envolvendo partidos de esquerda, você diria que houve um avanço no debate e na prática da unidade da esquerda, apontada como fundamental para enfrentar as políticas do governo Bolsonaro?

Manuela D’Ávila: Nacionalmente, nós temos uma unidade muito grande. Essa unidade é maior na prática do que no discurso, o que talvez nos interesse bastante, porque, como já disse um famoso revolucionário, a prática é o critério da verdade. No Congresso Nacional, foi a unidade do nosso campo político que garantiu a renda emergencial de R$ 600,00, a Lei Aldir Blanc, o novo Fundeb ou, um pouco mais atrás, a suspensão do Enem. Esses exemplos são muito expressivos. Não é pouca coisa. São vitórias da nossa luta comum. Então, apesar as rusgas, do debate precipitado, na minha avaliação, sobre 2022, nós tivemos unidade em batalhas centrais para o nosso povo e isso para mim é o que é mais importante.

Em relação às eleições municipais deste ano, penso que existiram avanços em algumas cidades e em outras isso, infelizmente, não foi possível. A nossa unidade em Porto Alegre foi a unidade possível. Do mesmo modo, no Rio de Janeiro, a nossa unidade foi a unidade possível. Em São Paulo, cada um de nós tem a sua candidatura. Em outras cidades, como Belém e Florianópolis, o PCdoB e o PT estão apoiando o PSOL, que tem a cabeça de chapa. Evidentemente, gostaríamos de estar todos juntos aqui em Porto Alegre, mas acho que não existe espaço para não estarmos juntos no segundo turno, justamente porque há uma unidade de ação muito grande entre nós. Sou frontalmente contraria à ideia de que existem dois campos na esquerda brasileira hoje enfrentando o governo Bolsonaro. O que temos é uma unidade muito ampla para resistir à toda destruição que significa esse governo. Por isso, eu acredito que onde a esquerda estiver presente no segundo turno teremos uma ampla unidade daqueles que já estão juntos no Congresso Nacional.

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25
Nov20

"Limparam o sangue e voltaram às atividades normais": militante pede responsabilização do Carrefour

Talis Andrade

Limparam o sangue e voltaram às atividades normais": militante pede  responsabilização do Carrefour - RFI Convida

 
 
por Cristiane Capuchinho /RFI
 

Na véspera do dia da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi espancado e morto dentro de um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre. O assassinato, filmado por um celular, causou indignação e protestos em todo o Brasil. Quatro dias depois da morte, a loja voltou a funcionar. "Limparam o sangue e voltaram às atividades normais", conta Matheus Gomes, vereador eleito em Porto Alegre e ativista do movimento negro na cidade. Para ele, essa é mais uma tentativa de apagamento de um caso exemplar da violência racial no Brasil.

Desde a semana passada, um grande número de manifestações ganharam as ruas das principais cidades do país para protestar contra a morte de Beto Freitas. A reação popular teve resposta da direção do Carrefour, que chamou a morte de uma "tragédia incalculável" e promete investir R$ 25 milhões para combater o "racismo estrutural".

Na segunda (23), contudo, as portas da loja em que Beto Freitas foi morto, em Passo D’Areia, na zona norte da capital do Rio Grande do Sul, foram reabertas. "A gente ficou abismado com a reabertura da loja", diz o vereador eleito Matheus Gomes. Para ele, a retomada das atividades no local de um crime brutal, sem qualquer tipo de ação em relação ao que aconteceu, é uma tentativa de apagar a memória do crime e de fugir de um debate sobre violência racial.

"Um crime de tamanha brutalidade, na minha opinião, não faz sentido sequer que ela continue aberta, exposta ao público dessa forma. Deveria virar um memorial da cultura e da luta antirracismo", afirma.

O ativista lembra que esta não é a primeira vez que há relatos de violência contra lojas do Carrefour em Porto Alegre. "Há denúncias macabras que afirmam a existência de uma sala dentro das dependências do Carrefour em que há tortura de pessoas acusadas de furtos", conta.

Ele cita o caso de uma publicitária acusada de furto dentro de uma loja do hipermercado. A mulher, que estava acompanhada de sua família, foi levada a uma sala e teve de ficar nua diante da segurança para provar que não tinha cometido um crime. O caso foi levado à Justiça e, segundo uma reportagem do jornal Matinal News, o Carrefour foi condenado a pagar R$ 35 mil por danos morais. A empresa, no entanto, ainda recorre da decisão.

Há ainda casos de violência de seguranças dentro de lojas do Carrefour no Rio de Janeiro, onde uma mulher foi estuprada com um pedaço de madeira, e em Osasco (SP), onde um homem apanhou por ser acusado de roubar o próprio carro. A lista não exaustiva de violências é a explicação, na opinião de Gomes, para a forte reação  popular que levou milhares de pessoas às ruas com o caso de Beto.

"O que aconteceu com João Alberto é uma expressão de um racismo cotidiano que nós vivenciamos aqui no Brasil. A cada ida a um mercado ou a um estabelecimento comercial, um homem ou uma mulher negra vive uma tensão permanente porque nós somos sempre vistos como um elemento suspeito", testemunha o vereador eleito pelo PSOL. "Toda pessoa negra já vivenciou uma situação em que foi perseguida dentro de um estabelecimento comercial."

A ONU (Organização das Nações Unidas) percebe no caso essa exemplaridade destacada por Matheus. A morte de João Alberto é "uma clara ilustração da persistente discriminação estrutural e do racismo enfrentados pelas pessoas de ascendência africana", disse nesta terça-feira o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani.

Segurança privada do patrimônio, e não da vida

Em todos os casos de violência nas lojas do Carrefour listados acima, a empresa afirmou que afastaria os responsáveis pelos atos de violência e romperia contratos. O vereador, contudo, salienta que o problema vai além da ação pontual.

"Os aparelhos de segurança privada vivem em uma fronteira muito tênue entre o que é legal e o que é ilegal. Se analisarmos a condição de um dos assassinos do Beto, ele era um policial temporário que não poderia estar prestando aquele serviço daquela forma, mas estava lá trabalhando, fazendo um bico. Isso já mostra como se desenvolve este ciclo vicioso. Muitos que trabalham nestas empresas de segurança privada são agentes de segurança pública que vão complementar sua renda. É um problema que precisamos analisar na totalidade", afirma.

Para ele, há brechas na legislação que permitem que as empresas atuem de maneira ilegal sem um controle próximo de suas ações. "Certamente, um dos legados que teremos de tirar do assassinato do Beto é a construção de novas legislações para reger o funcionamento das empresas de segurança privada. Elas não podem continuar atuando dessa forma, isso é inaceitável. Toda a lógica de atuação delas coloca em primeiro lugar a defesa e a proteção do patrimônio, só que isso faz com que a vida das pessoas fique em segundo plano. E essa é a lógica que autoriza, em última instância, que um homem como o Beto seja espancado até a morte dentro de um estabelecimento comercial", explicita Matheus Gomes.

Responsabilização financeira

Em relação à multinacional francesa, Matheus Gomes afirma que o grupo de políticos locais que acompanha o caso e a família está considerando quais serão as propostas apresentadas à sede do Carrefour, mas defende que além de uma ação local, deva haver uma responsabilização civil e financeira proporcional ao tamanho da empresa.

"O Carrefour, uma multinacional francesa, teve um lucro no Brasil de mais de R$ 700 milhões só no segundo trimestre de 2020. No caso da moça que foi injustificadamente acusada de roubo e humilhada nas dependências do Carrefour, o dano material foi de R$ 35 mil e eles ainda recorreram", argumenta.

"Estamos hoje em um momento crucial, estratégico deste debate porque as pessoas estão enxergando da pior maneira possível o tamanho da desigualdade", afirma o vereador eleito pelo PSOL na capital do Rio Grande do Sul.

R$ 25 milhões para combate ao racismo

Após os diversos protestos, o Grupo Carrefour Brasil fez um comunicado oficial na segunda-feira informando o investimento em ações contra o racismo estrutural. No texto, o grupo afirmar estar "fortemente comprometido em lutar pelo combate ao racismo estrutural no país e promover ações afirmativas para a inclusão social e econômica de negros e negras na sociedade". A empresa diz ainda que reverterá todo o resultado das vendas realizadas em todos os hipermercados da rede no país no dia 20 de novembro a doações.

“Sabemos que não podemos reparar a perda da vida do senhor João Alberto. Este movimento é o primeiro passo da empresa para que o combate ao preconceito e racismo estrutural, que é urgente no Brasil, ganhe ainda mais força e apoio da sociedade. Acreditamos que poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária”, afirma na nota Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

 

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