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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Dez20

MORO Mentiras, farsas e trapaças - 7

Talis Andrade

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Carta da ABJD explica por que Moro mente

 

CARTA PÚBLICA DA CAMPANHA #MOROMENTE feita pela ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia)

O Brasil vive uma crise institucional sem precedentes.

Um governo eleito no pleito mais controverso da história, com perfil explicitamente autoritário, neoconservador e fundamentalista religioso, impondo retrocessos vertiginosos a direitos e conquistas democráticas, atuando por meio de decretos e medidas provisórias como forma de consolidar um projeto antipopular e antinacional.

Um governo liderado por um Presidente que constrange o seu povo diariamente, das mais diversas formas, envergonhando a todos com preconceitos incontidos, palavras chulas e desconcertantes, violentando o acúmulo de civilidade conquistado com muita luta social.

Bolsonaro planeja destruir os espaços de participação social, projeta interferir na autonomia escolar e universitária, decide dilapidar o patrimônio ambiental e multicultural, aposta em arruinar as relações com outras nações. Mais que isso, orgulha-se em servir aos interesses de outra nação e projeta raiva, ódio e discórdia entre o povo brasileiro.
 

https://youtu.be/41HzptEKSI8

No centro deste deprimente retrato, está o sistema de justiça, setores do Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal emparedados diante das evidencias espantosas que demonstram o cometimento de crimes contra a democracia e a soberania nacional.

O Brasil tornou-se famoso pela utilização do sistema de justiça com fins alheios ao devido processo legal. Algo que já era percebido e denunciado por juristas , mas que agora revela-se nas minúcias.

 

https://www.youtube.com/watch?v=pLI2DQicFkU

Documentos obtidos pelo jornalista Glenn Greenwald e sua equipe confirmam a desconfiança de todos nós, juristas, de que a força-tarefa anticorrupção serviu para maquiar a interferência política e a desestabilização democrática por intermédio de procedimentos judiciais supostamente legítimos, uma espécie de “lawfare à brasileira”. Sob o pretexto de combater a corrupção a qualquer preço, procuradores e juízes violaram leis processuais e garantias constitucionais, como a presunção de inocência.

Mas as revelações são muito mais graves. Os procuradores da Lava Jato, hipervalorizados pela mídia hegemônica, com o tempo conquistaram poderes e competências excepcionais para criar uma força-tarefa especial, atraindo para uma só repartição judicial,  na cidade de Curitiba, processos judiciais que não deveriam originalmente ser julgados ali. Desta forma esses processos, forçosamente conexos, foram submetidos a um mesmo juiz.

Foi assim que Sergio Moro se consagrou herói nacional, legitimando-se como saneador da corrupção sistêmica, centralizando todos os processos e desfrutando de popularidade jamais vista na magistratura.

O estilo do juiz de primeiro grau sempre foi singular, destoando da discrição recomendada pela lei da magistratura. A extravagância de comparecer a eventos sociais e premiações, além de sua forte presença nos meios de comunicação, produziu grande poder midiático e o constrangimento das demais instâncias do judiciário, em parte inebriadas pela comoção popular midiaticamente forjada, em parte convencida das mentiras comunicadas por aquele que, subterraneamente, atuava na chefia de um conluio entre colegas do Judiciário e membros do MP e da PF.

 

https://www.youtube.com/watch?v=VeFkpj4nnyo

Moro Mentiu. Moro Mente!

Esse alinhamento entre a instância judicial de Curitiba, a mídia empresarial e a opinião pública criou condições para que a lei penal fosse aplicada de forma cada vez mais arbitrária. Exemplo são as chamadas “conduções coercitivas”, transformadas em espetáculos midiáticos, e as longuíssimas prisões preventivas a fim obter delações premiadas que, espelhada no modelo estadunidense, foram negociadas com ampla margem de liberdade e abuso pelos acusadores. Acrescenta-se ainda que a mídia empresarial obtinha semanalmente informações privilegiadas de inquéritos e processos sigilosos, vazados criminosamente por agentes públicos que estavam obrigados a protegê-las, o que era utilizado para a construção de um clima manipulado de indignação pública.

Os processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como exemplo, foram os mais violentos e midiáticos, sendo em tudo excepcionais: nos prazos, na prisão antecipada, no uso de provas e testemunhas, e nas negativas aos direitos políticos e civis, desrespeitando até mesmo decisão obrigatória das Nações Unidas.

Os diálogos divulgados sugerem que o juiz Moro orientava clandestinamente os trabalhos da acusação, chefiando e subordinando os procuradores, o que  contraria a Constituição brasileira, que obriga a imparcialidade dos magistrados. Aquele que acusa não pode ser o mesmo que prolata a sentença, e o juiz/acusador Moro atuou ao mesmo tempo em um dos lados do processo, o que é uma violação primária do Direito.

O conjunto de informações reveladas até o momento confirma o que os juristas pela democracia já sabiam desde muito: que no Brasil uma trama complexa e perversa sequestrou a autonomia e a independência do Poder Judiciário.

Esse conluio comprometeu o destino político do Brasil desde 2016 e talvez muito antes. Num cenário de crise econômica e desestabilização política, as eleições presidenciais de 2018 foram, em grande medida, também decididas pela Lava-Jato e pelo juiz Moro, abrindo espaço para a eleição de Jair Bolsonaro, que posteriormente premiou o juiz que condenou Lula, fazendo dele seu Ministro da Justiça.

A campanha #MoroMente busca explicar à sociedade brasileira as consequências para a justiça quando um magistrado assume um dos lados do processo, desequilibrando a balança para condenar previamente adversários e desafetos políticos. A campanha também visa conscientizar sobre os riscos que a democracia corre quando o povo é enganado por fake news e pelo uso arbitrário e perverso do direito.

É com este compromisso que a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), entidade jurídica criada para defender o Estado Democrático de Direito, vem a público dizer, em alto e bom som: Moro Mente! Mentiu como juiz, mentiu como Ministro. 

https://www.youtube.com/watch?v=mlbk7YNwoNw

É com a disposição de reestabelecer a verdade dos fatos que a ABJD  cobra dos poderes constituídos respostas à sociedade. Não aceitaremos que se naturalizem os graves fatos revelados como se lícitos fossem.

Esperamos: Que o Parlamento constitua CPIs para averiguar responsabilidades e eventuais crimes cometidos por servidores públicos; que sejam verificadas as condições contratuais dos acordos de leniência de empresas estatais e nacionais no contexto da Lava Jato; que sejam tornadas públicas as investigações e os documentos que protegem autoridades que participaram do conluio entre MP e judiciário; que sejam correicionados os juízes que atuaram contrariamente à lei, violando o princípio basilar da imparcialidade e as garantias do devido processo legal. Que seja devolvido ao povo brasileiro a confiança no poder judiciário contaminado pela corrupção funcional e pela mentira.

Ninguém está acima da Lei e a verdade histórica prevalecerá

Com relação a Moro nós fizemos duas representações no CNJ:

1) Quando ele impediu o cumprimento do HC do Lula em julho de 2018

2) Quando ele aceitou o cargo de Ministro sendo juiz, em dezembro de 2018

Com relação a Dallagnol fizemos 3 representações:

1) sobre as palestras em fevereiro de 2018

2) Sobre a Fundação Lava Jato em maio de 2019 (e fizemos junto com a AJD uma carta à PGR pedindo providências)

3) Sobre as revelações do The intercept em julho de 2019

25
Out20

Araújo confessa: atua para Brasil ser pária; delinquência ataca João Cabral

Talis Andrade

blog PANORAMA: JOÃO CABRAL DE MELO NETO – Espanha e Touradas

por Reinaldo Azevedo

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Ninguém mais tem o direito de desconfiar de que o Brasil está se tornando um pária no mundo, seja pelas escolhas do governo em matéria de política externa, seja por sua atuação em organismos e fóruns multilaterais, seja por sua política ambiental, seja pelo incentivo à barbárie cultural, à estupidez e à ignorância mais rombuda.

Tudo isso se conjugou nesta quinta no discurso do chanceler Ernesto Araújo durante solenidade de formatura no Instituto Rio Branco. Os formandos escolheram como patrono o diplomata e poeta João Cabral de Melo Neto, que morreu em 1999.

É o autor do célebre poema "Morte e Vida Severina", de 1955, que virou peça de teatro em 1966, com música de Chico Buarque. É, sim, uma obra de crítica social, mas já então a artesania do verso se mostrava evidente num texto que trata das mazelas da seca e das "vidas severinas" que a tudo suportam em busca de alguma transcendência — a esperança que seja.

João Cabral nunca foi esquerdista ou escreveu obra de militância. Ao contrário: parte da crítica engajada apontava o seu alheamento das questões políticas e seu suposto apego excessivo ao formalismo. É preciso ser um tarado ideológico, dotado de uma ignorância profunda, para apontar viés esquerdizante na sua poesia.

Ainda que houvesse, pergunta-se: e daí? Isso impede a boa obra? Arte e política não costumam formar uma mistura tranquila, tampouco eficaz. Assim como as revoluções não geram necessariamente boa poesia, é uma tolice supor que poesia possa fazer revolução, embora, por óbvio, a arte se deixe marcar por seu tempo. Mas aquela que permanece transcende as disputas mundanas.

João Cabral foi um poeta gigantesco, seja pelo rigor formal, seja pela dimensão humana, transcendente e, a seu modo, metafísica da obra, que passou longe de vulgatas do pensamento de esquerda ou de direita. Toda arte carrega, é evidente, valores ideológicos intrínsecos, mas estes não são o desiderato do discurso artístico.

Acontece que o olavista — discípulo do astrólogo Olavo de Carvalho — Ernesto Araújo não passa de um prosélito medíocre e de um recém-convertido ao pensamento de extrema direita. Então as brutalidades que o seu mestre consegue sigilar num discurso mais elaborado — quando não está dedicado a proferir palavrões e a fazer digressões sobre o orifício excretor alheio —, ele o faz de modo grosseiro, extravasando a sua ignorância arrogante.

O pêndulo de Bolsonaro vinha se deslocando para o centro, ainda que muito distante dele. Para os acordos com o Centrão, a conversa vale. Mas é evidente que decidiu que é chegada a hora de fazer concessões a seus soldados de extrema-direita. O ataque à vacina do Instituto Butantan é um sinal para juntar a tropa. E o mesmo se diga do discurso de Araújo.

O chanceler resolveu deixar claro como Brasil vê o mundo e como nele se vê, com ataques à ONU e, claro, genuflexão no altar de Donald Trump. Afirmou:

"Nos discursos de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, por exemplo, os presidentes Bolsonaro e Trump foram praticamente os únicos a falar em liberdade. Naquela organização, que foi fundada no princípio da liberdade, mas que a esqueceu. Sim, o Brasil hoje fala em liberdade através do mundo. Se isso faz de nós um pária internacional, então que sejamos esse pária. Talvez seja melhor ser esse pária deixado ao relento, do lado de fora, do que ser um conviva no banquete do cinismo interesseiro dos globalistas, dos corruptos e dos semicorruptos. É bom ser pária. Esse pária aqui, esse Brasil; essa política do povo brasileiro, essa política externa Severina -- digamos assim -- tem conseguido resultados".

É mesmo? Quais resultados?

Que o agronegócio ouça. Que os industriais fiquem atentos. Que os mercados abram os ouvidos. Por alinhamento ideológico, o ministro das Relações Exteriores resolveu transformar o país num pária internacional e se orgulha disso.

O último resultado vistoso de Araújo foi a imposição de sobretaxa, pelos EUA, para o alumínio brasileiro.

Aí ele resolveu falar sobre o que não sabe e não leu, não sem deixar claro que, na sua mentalidade, o papel das Severinas e Severinos é servir a gente como Araújo, mas crendo em Deus e temendo o comunismo.

Contou que uma emprega doméstica que trabalhava em sua casa na década de 80 chamava-se... Severina. E que ela odiava o comunismo porque este é "contra Deus".

E atacou João Cabral, que teria se voltado "para o lado errado, para o lado do marxismo e da esquerda".

E mandou ver:

"Sua utopia, esse comunismo brasileiro de que alguns ainda estão falando até hoje, constituía em substituir esse Brasil sofrido, pobre e problemático por um não-Brasil. Um Brasil sem patriotismo, sujeito, naquela época, aos desígnios de Moscou e, hoje, nesse novo conceito de comunismo brasileiro, sujeito aos desígnios sabe-se lá de quem".

É tanta bobagem reunida que nem errado ele consegue ser.

Chulo, vulgar e ignorante, acusou a esquerda de reduzir tudo a "conceitos como gênero e raça" e de querer promover "a ditadura do politicamente correto e da criação de órgãos de controle da verdade".

Sempre que um extremista de direita ataca o que chama de "ditadura do politicamente correto", fiquem certos: está com vontade de ofender mulheres, negros e gays e acha um absurdo que a lei puna o que ele considera ser "liberdade de expressão".

E emendou frases de efeito:

"Todo isentão é escravo de algum marxista defunto. Tratar os conservadores de ideológicos é o epítome da prática marxista-leninista: chame-os do que você é, acuse-os do que você faz".

"Isentão" é vacabulário de bloqueiro arruaceiro e fascitoide.

Não perguntem a Araújo em que livro Lênin escreveu essa frase, que é carne de vaca do olavismo, porque ele terá de perguntar ao mestre, que responderia: "Sei lá eu, porra! Isso sou eu lendo Lênin".

Ah, sim: a questão ambiental seria só uma orquestração da esquerda, também parte da "estratégia comunista". E, terríveis que são, os esquerdistas aproveitaram o coronavírus para tentar implementar um "gigantesco aparato prescritivo, destinado a reformatar e controlar todas as relações sociais e econômicas do planeta". A isso ele chamou "covidismo".

Não era um discurso no hospício. Era o chanceler brasileiro numa cerimônia de formatura.

Que as pesquisas se cumpram e que Biden vença a eleição nos EUA. Quem sabe as escolhas do povo americano façam com que nos livremos da delinquência intelectual no Itamaraty. 

 

16
Jun20

Pandemia acelera derretimento da imagem do Brasil na Europa

Talis Andrade

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Forma como Bolsonaro enfrenta a crise do coronavírus impulsiona vertiginosamente processo de deterioração da reputação brasileira. Imprensa europeia pinta cenário catastrófico, e parcerias importantes estão sob risco

 

por Astrid Prange/ Deutsche Welle

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É gritante o contraste entre a imagem atual do Brasil e a que tinha há uma década, quando era aclamado mundo afora por sua economia promissora, com a revista britânica The Economistestampando em sua capa uma imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete. O país estava prestes a superar a França e assumir o posto de quinta maior economia do mundo. Nesse meio tempo, caiu para a 12ª posição.

"O Brasil estragou tudo?", questionava a Economist já em 2013, trazendo a crise no maior país latino-americano como manchete. Naquele momento, no entanto, ainda era difícil prever a dimensão do declínio brasileiro que estava por vir.

Apesar da crise econômica, o Brasil se apresentou para o mundo como país-sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, mostrando-se cada vez mais autoconfiante. Durante os governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o país conquistou prestígio no cenário internacional.

O país chamou atenção sobretudo por seu bem-sucedido combate à pobreza por meio de programas sociais como o Bolsa Família, que ajudaram cerca de 30 milhões de brasileiros a ascender à classe média. Há dez anos, o jornalista alemão Alexander Busch, que atua como correspondente no Brasil, resumiu o clima de euforia em seu livro intitulado Brasil, país do presente - O poder econômico do gigante verde.

Agora, a euforia definitivamente chegou ao fim. E não apenas devido à crise econômica e aos escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos. Se desde que tomou posse o presidente Jair Bolsonaro já vinha contribuindo para um derretimento da imagem do Brasil na Europa, sendo criticado por ameaçar a democracia e o meio ambiente, a maneira como vem lidando com a pandemia de covid-19 vem acelerando vertiginosamente esse processo de deterioração da reputação brasileira.

"A imagem positiva acabou", afirma Friedrisch Prot von Kunow, presidente da Sociedade Brasil-Alemanha (DBG, na sigla em alemão) e que foi embaixador no Brasil entre 2004 e 2009. Atualmente, o diplomata não vê progressos sociais no Brasil, mas sim um cenário catastrófico. "Do ponto de vista alemão, uma personalidade como Bolsonaro é inconcebível. Pessoalmente, tenho dificuldade em lidar com isso."

Acordo Mercosul-UE e meio ambiente

Assim como o presidente americano, Donald Trump, Bolsonaro ameaça abandonar o Acordo de Paris para o clima e a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a gestão da atual pandemia vem contribuindo para isolar ainda mais o Brasil no cenário internacional.

"Na crise do coronavírus, Bolsonaro vem se mostrando ainda mais radical que Trump", afirma Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Com isso, a ratificação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) fica cada vez mais improvável", escreveu no Twitter recentemente.

A destruição da Amazônia também vem rendendo duras críticas ao governo brasileiro. Na última quinta-feira, Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil, disse ao portal G1 que o desmatamento na região – que, segundo o Inpe, cresceu 34,4% entre agosto de 2018 e julho de 2019 em relação ao período anterior – torna a ratificação do tratado "cada vez mais difícil".

Para ter validade, o acordo Mercosul-UE, que foi assinado na cúpula do G20 em junho de 2019, tem que ser aprovado pelos parlamentos de todos os países de ambos os blocos. "Precisamos do apoio do Brasil, e o apoio é a redução do desmatamento", afirmou o embaixador alemão.

No início de junho, o jornal britânico The Guardian publicou um editorial manifestando preocupação com o avanço da destruição da Amazônia durante a pandemia. "O mundo não pode permitir que a pandemia de coronavírus distraia da destruição da floresta tropical", diz o texto.

"Enquanto Bolsonaro continua a atacar medidas de saúde pública, a população indígena da região amazônica parece estar cada vez mais ameaçada pela violência e pela doença", diz o jornal.

Devido às políticas do governo Bolsonaro para o meio ambiente e ao aumento do desmatamento na região amazônica, Alemanha e Noruega se distanciaram do Brasil, congelando no ano passado seus repasses para o Fundo Amazônia. O Ministério alemão do Desenvolvimento vem encerrando projetos no país.

Indústria alemã avalia permanência

A indústria alemã no Brasil também vem sofrendo com o derretimento da imagem brasileira. "Não há dúvida de que o Brasil e a América Latina ficaram menos atrativos", disse Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, em entrevista ao jornal econômico alemão Handelsblatt na semana passada.

Ao ser questionado sobre a atuação do governo Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus, Schiemer afirmou que a gestão da crise "deixa a desejar" e que "as constantes disputas políticas são uma fonte adicional de incerteza". "Com isso, a credibilidade do Brasil é prejudicada", disse.

Apesar de elogiar o fato de o governo ter agilizado o auxílio financeiro para os mais pobres e flexibilizado as leis trabalhistas de modo a evitar demissões em massa, Schiemer critica que disputas políticas tenham voltado a ocupar as autoridades e diz que gostaria que o governo dedicasse mais energia a implementação de sua agenda de reformas econômicas.

Em análise para o Handelsblatt, o correspondente Alexander Busch afirma que a crise do coronavírus e Bolsonaro são "uma combinação que acaba com o espírito empreendedor até mesmo dos maiores otimistas" e que médias empresas alemãs, duramente atingidas pelos efeitos da pandemia, se perguntam se vale a pena continuar no Brasil.

Ameaças à democracia e à saúde

Desde o início do governo Bolsonaro, editoriais dos principais jornais europeus vêm denunciando ameaças à democracia no Brasil. No último dia 7 de junho, o britânico Financial Times afirmou que, em meio à crise provocada pelo coronavírus e à queda na popularidade de Bolsonaro, "os brasileiros estão preocupados com a possibilidade de o presidente estar tentando provocar uma crise entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para justificar uma intervenção militar".

Apesar de afirmar ser improvável que as Forças Armadas apoiem um golpe militar, o jornal aponta: "Outros países devem tomar nota: os riscos para a maior democracia da América Latina são reais, e estão aumentando."

Em meados de maio, foi a vez do jornal francês Le Monde, que escreveu que o governo brasileiro adotara uma via "extremamente perigosa" e que a postura do presidente causa "caos na saúde e semeia a morte". Para o diário, "há algo de podre" no país. "O Brasil de Bolsonaro habita um mundo paralelo", dizia o texto.   

No fim de maio, após a divulgação do vídeo com trechos de uma infame reunião ministerial em 22 de abril, o espanhol El País também havia destacado em editorial que "as ameaças à separação de poderes ali lançadas por alguns ministros são inadmissíveis" e que "o rosário de insultos emitidos pelo presidente é uma afronta intolerável às instituições".

A "gestão errática da pandemia e uma grave crise político-institucional com flertes com golpes de Estado", diz o jornal, "além de ser muito grave, desvia a atenção numa altura em que a luta contra o coronavírus deveria ser a prioridade de toda a classe política brasileira".

Num veemente editorial intitulado Covid-19 no Brasil: "E daí?"a revista científica britânica The Lancet escreveu no dia 8 de maio que "talvez a maior ameaça à resposta do país à covid-19 seja seu presidente, Jair Bolsonaro" e que a liderança do Brasil perdeu seu compasso moral – se é que jamais teve algum".

Desde então, o Brasil perdeu seu segundo ministro da Saúde em menos de um mês e viu o número de mortos por covid-19 saltar de 5 mil para mais de 43 mil, sendo atualmente o segundo país com mais óbitos em decorrência da doença.

21
Fev20

Petardo: Ataque misógino repercute no mundo

Talis Andrade

 

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Por Altamiro Borges

O ataque misógino do "capetão" contra a jornalista Patrícia Campos Mello segue repercutindo na mídia internacional. O "chefe de bando", como foi rotulado em duro editorial da Folha, foi alvo de críticas do jornal espanhol El País: “Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher”. 

*** 

Já a Associated Press, que tem seus textos reproduzidos em 2.830 veículos noticiosos no mundo, afirma que Bolsonaro repetiu “acusação desmascarada contra uma das jornalistas mais importantes do país”, gerando “críticas de defensores da liberdade de imprensa e até de aliados”. 

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No duro editorial intitulado “Sob ataque aos 99”, a Folha golpista finalmente descobre que Bolsonaro é um fascista perigoso. “O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando”, acusa o jornal. “Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária". 

*** 

No Estadão, Vera Magalhães – outra celebridade jornalística que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no país – afirma que Bolsonaro quebrou o decoro do cargo ao atacar a repórter da Folha e sugere a possibilidade da abertura de processo de impeachment contra o "capetão". 


*** 

A serviçal do Estadão cobra providências das autoridades e diz que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade “no ataque frontal, vil, pusilânime e abjeto que desferiu contra Patrícia Campos Mello ao repetir insinuações de cunho misógino, sexista e já desmentidas por documentos”. 

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Já em O Globo, Miriam Leitão – musa dos golpistas e porta-voz dos neoliberais no país – afirma que “ao caluniar e difamar uma jornalista com uma afirmação machista e insinuação sexual, ele não atinge só a Patrícia Campos Mello. Num efeito bumerangue, Bolsonaro desrespeita o próprio cargo que ocupa" 

*** 

Manchetes nos jornalões. Folha: "Cid Gomes investe contra PMs amotinados e é baleado no CE"; Estadão: "Cid Gomes investe contra PMs amotinados e é baleado"; O Globo: "Acusado de chantagem por Heleno, Congresso reage". Militares voltam ao centro do debate político. Mais força ou desgaste? 

*** 

O ataque a Cid Gomes pela PM encapuçada repercute no mundo nos despachos da Associated Press, EFE, Deutsche Welle e AFP. "A imagem do país, que vem sendo exposta negativamente desde o Golpe de 2016, ganha agora as cores de um faroeste caboclo", registra o jornalista Olímpio Cruz. 

*** 

O laranjal perdeu qualquer veleidade. A Comissão de Ética da Presidência arquivou apuração contra Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação Social. Sua empresa tem contratos com TVs que recebem publicidade oficial. Só mesmo os otários acreditam na "ética" bolsonarista!
21
Fev20

Bolsonarismo atende Heleno e convoca atos contra o Congresso: "foda-se"

Talis Andrade

247 - Manifestações contra o Congresso Nacional e em apoio ao "foda-se" do general Augusto Heleno estão sendo convocados por líderes bolsonaristas em todo o país para o próximo dia 15 de março.

Há dois dias, o chefe do GSI, general de pijama do Haiti e Tróia, foi flagrado com esta ofensa-ameaça ao Congresso. "Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se", disse Heleno, que participou de uma  cerimônia no Palácio da Alvorada.

Os bolsonaristas correram em seu apoio. A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) saiu a público em apoio ao general, "Deixem o general Heleno trabalhar em paz". E torpedeou a ideia de que ele seja convocado pelo Congresso Nacional.

Um dos líderes bolsonaristas que convocam a manifestação contra o Congresso é, paradoxalmente, um deputado federal, integrante do movimento Direita Paraná. O deputado Filipe Barros (PSL-PR) postou em seu twitter uma foto do general fardado e com senho franzido diante do Congresso Nacional cercado por bolsonaristas para convocar a manifestação.

No tweet, ele diz que a "pauta única" do protesto será o apoio ao governo Jair Bolsonaro em confronto com o Congresso.

heleno fodam-se.jpg

 

 

 

20
Fev20

GOLPE DENTRO DO GOLPE: GENERAL HELENO ABRE GUERRA CONTRA O QUE RESTA DE DEMOCRACIA

Talis Andrade

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Em plena semana do Carnaval, eles rodaram a baiana e rasgaram as suas fantasias de generais de pijama.

Sob o comando do nanogeneral Augusto Heleno (na brilhante definição de Fernando Morais), ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o governo militarizado está em pé de guerra contra o que resta de democracia e agora quer convocar o povo a ir às ruas contra o Congresso.

Principal conselheiro e tutor do capitão presidente, aquele que está sempre de óculos escuros ao lado de Bolsonaro, como um papagaio de pirata, Heleno perdeu a paciência com as pressões do Congresso contra os vetos ao orçamento impositivo:

“Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, proclamou Heleno com todas as letras, durante o hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, às oito horas da manhã de terça-feira, como relata a repórter Naira Trindade, no jornal O Globo.

Com sua cara de sonso, ele não percebeu que a cerimonia estava sendo transmitida ao vivo.

Pouco depois, na reunião de ministros, quase todos militares, no Alvorada. O nano general não se conteve em sua ira nada santa e foi direto ao ponto: pediu ao presidente para “convocar o povo a ir às ruas” em protesto contra o Congresso Nacional.
 

Era só que faltava para um novo golpe dentro do golpe de 2016, como aconteceu com o AI-5, em 1968, quando a ditadura militar fechou o Congresso e acabou com o Estado de Direito, suspendendo todas as garantias constitucionais.

A situação ficou tão surreal, que o capitão teve que pedir calma ao general _ e não o contrario, como era de se esperar.

Foi nesse clima beligerante que Bolsonaro seguiu para o “cercadinho” do Alvorada, onde os jornalistas já o aguardavam para o show diário de grosserias, e passou a ofender, sem mais nem menos, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, em meio a risadas da sua claque.

Como diria Sergio Cabral ao ver a cena, “acho que ele exagerou”.

Dessa vez, não foi só a oposição que reagiu a mais um ataque criminoso à jornalista que denunciou a fábrica de fake news nas eleições de 2018.

Até os isentões da imprensa e aliados do governo se assustaram com o nível de degradação e vilania a que chegou o presidente da República, completamente descontrolado desde a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, amigo da família, investigado no esquema de rachadinhas do gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual.

No mais contundente editorial até agora publicado contra a quebra de decoro do capitão presidente, a Folha desta quarta-feira denuncia que Bolsonaro “age como chefe de bando, reincide na ofensiva contra o jornalismo e alveja o edifício constitucional”. Diz o editorial:
 

“O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores de estado, repórteres e organizações de mídia tornaram-se vítimas constantes de insultos e ameaças”.

Ontem, os presidente da Câmara, do Senado e do STF mantiveram-se em obsequioso silêncio diante dos insultos de Bolsonaro à jornalista da Folha.

E agora? Vão se fingir de mortos com a clara ofensiva do do general Augusto Heleno contra as instituições revelada pela matéria de O Globo?

Até o momento em que comecei a escrever esta coluna, não vi nenhuma reação da parte civilizada da sociedade, diante do avanço golpista do governo militarizado, em todos os escalões, com centenas de generais e coronéis assumindo, paulatinamente e na moita, o comando do país.

Quando for dado o novo golpe fatal na democracia, nem precisarão fazer mudanças no governo.

Resta saber se isso acontecerá com ou sem o capitão aloprado na cadeira de presidente.

Esse Carnaval promete…

Em Brasília, já começou, e não tem hora para acabar.

Agora sem fantasia, caminhamos para o colapso completo das instituições.

Vida que segue.

 

28
Out19

Fantasmas, rachadinhas, milícias: Queirozgate persegue capitão até nas arábias

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho

Balaio do Kotscho 

Por onde passa, em sua vexatória vilegiatura pela Ásia e Oriente Médio, ninguém quer saber de acordos comerciais ou alianças políticas.

Na entrada e saída de suntuosos hotéis, repórteres cercam Bolsonaro nos saguões para falar sobre as últimas do Queiroz, que está dando com a língua nos dentes.

Cada vez mais fora de controle, o capitão não aguenta mais tratar desse assunto, que voltou às manchetes com os áudios do Queirozgate vazados para a Folha e o Globo, desnudando o modus operandi do quarteto presidencial, com contratação de laranjas, rachadinhas, milícias reais ou virtuais, laranjais, o diabo a quatro.

Como não entende o que seus anfitriões falam, e não levou tradutor, carregando a tiracolo apenas Hélio Negão e o pastor Feliciano, Bolsonaro não tem mesmo o que falar à imprensa, além de responder aos esqueletos que deixou no armário ao sair do Brasil.

“Quem falou foi o Queiroz. Não somos casados”, tentou despistar o capitão presidente em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, antes de embarcar para o Catar.

Queiroz mostra nos áudios que está apavorado com o que pode acontecer nos vários crimes em que é _ ou deveria ser _ investigado pelos órgãos de controle.

“O Ministério Público está com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente e não vem ninguém agindo”, desabafou em seu fino linguajar, no mesmo estilo do capitão.

Mas Queiroz está sendo injusto. Uma decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, mandou parar todas as investigações sobre o que Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz fizeram no verão passado.

Ao tentar mudar de assunto, Bolsonaro comentou a eleição do peronista Alberto Fernandéz na Argentina, derrotando Maurício Macri, o aliado dele.

“Argentinos escolheram mal (…) É um afronto (???) à democracia brasileira”, disparou, sobre o apoio do presidente eleito à campanha por Lula Livre.

Seria melhor que ele continuasse falando sobre suas relações com Queiroz, em vez de ofender na mesma frase a língua portuguesa, os eleitores argentinos e o seu presidente, eleito no primeiro turno.

Em outra entrevista a jornalistas, já nem lembro onde, o capitão resolveu fazer uma ameaça à TV Globo, cujo contrato de concessão vence durante o mandato de Bolsonaro:

“Tem empresa que vai renovar contrato brevemente, eu não vou perseguir ninguém. (Mas) para quem estiver devendo, vai ter dificuldade. Então os órgãos de imprensa jogam pesado para ver se me tiram de combate para facilitar sua vida”.

Só queria saber quanto está custando esta viagem de Bolsonaro, passeando pelo mundo com sua alegre comitiva para comer hamburguer e miojo, e quais os resultados práticos para o Brasil.

Na volta, poderia convocar uma entrevista coletiva para prestar contas.

Mas todo mundo só vai querer saber sobre as peripécias do Queiroz…

Quantos dias ainda faltam?

Vida que segue.

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28
Out19

Por que aparecem agora os áudios do Queiroz sumido?

Talis Andrade

 

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por Fernando Brito

O áudio revelado agora de manhã pela Folha, onde o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, o operador das “rachadinhas” e milicianos no gabinete do Filho 01 na Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, um dia depois daquele em que aparece sugerindo nomeações de R$ 20 mil em gabinetes do Congresso, por influência do ex-chefe, pode ter duas finalidades, diametralmente opostas.

A de ser um recado para os seus chefes, que o teriam abandonado, sem defesa e homiziado em algum lugar de São Paulo ou, ao contrário, por isso mesmo, mostrar uma “distância” dele que os proteja das investigações.

Primeiro, ele “valoriza o seu passe”, lamentando não estar em condições de continuar funcionando como “miliciano político” do clã:

Com ele(s) lá em Brasilía eu podia estar que nem você, andando, aí dava para investigar, infiltrar…Botar um calunga (informante) no meio deles, entendeu…levantar tudo? A gente mesmo levantava essa parada aí…”

Depois lamenta o suposto abandono em que se encontraria:

É o que eu falo, o cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí. Ver e tal… É só porrada. O MP [Ministério Público] tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir”

Diz que o uso do Twitter, dirigido por Carlos Bolsonaro é uma tolice e recomenda usar Sergio Moro para partir para cima de Rodrigo Maia:

É f…, cara, aí não dá para entender. (…)Tão fazendo chacota do governo dele, Rodrigo Maia está esculachando. Rodrigo Maia, meu irmão, p… As declarações dele humilham o Jair, Jair tinha de dar uma porrada neste filho da p…Botar o Sergio Moro para ir no [en]calço dele, porque tem pica na bunda dele aí, antiga, cara…

E reclama que a pressão da imprensa fez Bolsonaro afastar funcionários antigos, como a ex-babá Cileide (Barbosa Mendes), empregada no gabinete de Carlos Bolsonaro:

Na época, o Jair falou para mim que ele ia exonerar a Cileide porque a reportagem estava indo direto lá na rua e para não vincular ela ao gabinete. Aí ele falou: ‘Vou ter que exonerar ela assim mesmo’. Ele exonerou e depois não arrumou nada para ela não? Ela continua na casa em Bento Ribeiro?

Manifesta, como se nada tivesse acontecido, o seu desejo de assumir o PSL no Rio, controlado por Flávio – assim que essa ventania tiver passado – para “burilar” o partido e faz questão de dizer que jamais irá trair o clã presidencial.

Seja qual for as intenções de começarem a surgir os áudios do desaparecido, uma coisa é certa: a família presidencial brasileira é um caso de milícia.

Ouça os áudios aqui

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28
Out19

Em áudio, Queiroz diz que quer assumir PSL no Rio e “blindar” Bolsonaro: “Espertalhão não vai se criar com a gente”

Talis Andrade

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Ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz afirma em áudio que quer assumir o PSL no Rio para blindar Jair Bolsonaro. “Politicamente, eu só posso ir para partido", diz. "A gente nunca vai trair o cara. Ele sabe disso. E a gente blinda, a gente blinda legal essa porra aí. Espertalhão não vai se criar com a gente".

247 - Ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz afirma em áudio que quer assumir o PSL no Rio de Janeiro para blindar Jair Bolsonaro. Queiroz está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que ocorria na Assembleia Legislativa do Rio quando o filho do ocupante do Planalto Jair Bolsonaro era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 7 mihões em de 2014 a 2017, de acordo com relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

“Politicamente, eu só posso ir para partido. Trabalha isso aí com o chefe aí. Passando essa ventania aí, ficamos eu e você de frente. A gente nunca vai trair o cara. Ele sabe disso. E a gente blinda, a gente blinda legal essa porra aí. Espertalhão não vai se criar com a gente”, disse no áudio, que não identifica quem é o interlocutor com quem Queiroz está falando. O teor da gravação foi publicado no jornal Folha de S.Paulo.

Queiroz diz ainda estar agoniado com as investigações do Ministério Público sobre as movimentações financeiras atípicas dele e de Flávio Bolsonaro.

“Torcendo para essa pica passar. Vamos ver no que vai dar isso aí para voltar a trabalhar, que já estou agoniado. Estou agoniado de estar com esse problema todo aí, atrasando a minha vida e da minha família, a porra toda.”

Queiroz afirma que quer assumir a sigla no Rio para lapidar “essa porra”. “Resolvendo essa pica que está vindo na minha direção, se Deus quiser vou resolver, vamos ver se a gente assume esse partido aí. Eu e você de frente aí. Lapidar essa porra”, acrescenta. 

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