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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Jun21

Intolerável e atentatória à Constituição da República a reação violenta desencadeada pela Polícia Militar do estado de Pernambuco contra manifestantes

Talis Andrade

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Nota em apoio às manifestações populares de 29 de maio

 

Grupo Prerrogativas, que reúne juristas comprometidos com as lutas democráticas, expressa o seu inconformismo com os episódios de abusiva repressão às manifestações populares realizadas em 29 de maio de 2021 e com os atos de estigmatização e intimidação pessoal praticados pelo presidente da República contra os seus participantes.

Nesse sentido, consideramos intolerável e atentatória à Constituição da República a reação violenta desencadeada pela Polícia Militar do estado de Pernambuco contra manifestantes, na cidade do Recife. Não se pode admitir o uso truculento do aparato policial para coibir o engajamento pacífico em protestos legítimos contra a situação perversa e macabra de desgoverno, que a permanência de Jair Bolsonaro na presidência da República impõe ao país.

Diversos integrantes do nosso grupo tomaram parte das manifestações, na condição de cidadãos e de membros de organismos de defesa de direitos humanos, com o propósito de garantir a integridade física e a incolumidade dos participantes dos protestos.

Nesse sentido, revela-se também inaceitável que o próprio presidente da República, ao comentar as manifestações populares, invista contra um dos nossos integrantes, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), nele personalizando declarações depreciativas e ameaçadoras, em um estilo sombrio de inspiração miliciana. Da mesma forma, é repugnante a tentativa do chefe de governo de estigmatizar os manifestantes, tentando a eles imputar condutas antissociais, em seu deturpado juízo.

O Grupo Prerrogativas alerta para o imperativo de pleno respeito às liberdades democráticas, asseguradas as condições para que as manifestações populares ocorram sem que delas resultem abusos repressivos. Também são inadmissíveis as reações impertinentes de cunho pessoal protagonizadas pelo presidente da República, a submeter manifestantes a ataques pessoais mobilizadores da perseguição por sua rede de apoiadores, contaminada pela pior espécie de fanatismo.

Grupo Prerrogativas, 1 de junho de 2021

 
 
 
 
 
30
Mai21

Posicionamento do MPF sobre a conduta das forças policiais nas manifestações de rua ocorridas no Recife (PE)

Talis Andrade

POLÍCIA NAZISTA. Daniel Campelo da Silva, 51 anos, foi alvejado no olho esquerdo por uma bala de borracha disparada por um policial do Batalhão de Choque. Ele sequer participava do protesto, mas perdeu o globo ocular e a visão. 

Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão defende ampla e rigorosa apuração sobre os fatos

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em Pernambuco (PRDC/PE), órgão do Ministério Público Federal (MPF) ao qual incumbe o monitoramento e apuração de violações de direitos humanos, vem, por meio desta nota, externar preocupação frente a conduta das forças policiais durante as manifestações populares ocorridas no Recife (PE), neste sábado (29). A PRDC receberá as denúncias sobre o ocorrido e as encaminhará às autoridades competentes para atuação. 

As imagens divulgadas ao longo do dia indicam uso desproporcional da força por agentes do Estado, inclusive com gás lacrimogênio, spray de pimenta e balas de borracha.

A PRDC/PE ressalta que restrições não fundamentadas ao pleno exercício das manifestações e protestos sociais constituem medidas violadoras de direitos humanos e, como já apontou o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, os Estados têm a responsabilidade, no contexto das manifestações pacíficas, de promover e proteger os direitos humanos e impedir que se vulnerem estes direitos (A promoção e proteção dos Direitos Humanos no contexto das manifestações pacíficas, Resolução 25/38 do Conselho de Direitos Humanos, A/HRC/25/L.20, par. 2, 11 de abril de 2014).

É necessária, portanto, ampla e rigorosa apuração sobre os fatos noticiados no dia de hoje. 

Denúncias à PRDC podem ser feitas por meio do MPF Serviços (portal ou aplicativo de smartphone): 

Carolina de Gusmão Furtado
Procuradora da República
Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão em PE – Titular

Natália Soares
Procuradora da República
Procuradoras Regional dos Direitos do Cidadão – Substituta

Mona Lisa Aziz
Procuradora da República

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Pernambuco

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30
Mai21

PERNAMBUCO. Manifestantes presos em ataque da PM nazista ao ato contra Bolsonaro vão responder a inquérito policial

Talis Andrade

Por Maria Carolina Santos, no Marco Zero

O clima ficou tenso na Central de Flagrantes da Polícia Civil para onde foram levadas quatro pessoas detidas na manifestação contra o governo Bolsonaro que aconteceu hoje no Recife. O local ficou lotado por policiais militares que dificultaram o acesso dos detidos às advogadas e advogados populares que foram até lá para defendê-los. Todos os que foram detidos são jovens e negros.

Dos quatro detidos, apenas um foi liberado ainda pela manhã. Com uma bicicleta com carro de som, o jovem foi dispensado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). O termo é usado para crimes de menor potencial ofensivo, com pena de até dois anos, e não geram inquérito policial ou processo jurídico.

O mesmo não aconteceu com dois amigos que foram detidos na ponte Princesa Isabel. Eles vão responder a um inquérito policial e seguirão com os trâmites no judiciário. À advogada popular Yelena Galindo, eles disseram que foram comprar cigarros e tiveram que passar pelos policiais. “Os PMs então começaram a puxá-los e eles tentaram se desvencilhar”, diz a advogada.

Os dois terão que responder a um processo. Isso porque o delegado Gilmar Rodrigues, que está de plantão na Central, os enquadrou nos artigos de descumprimento a medidas sanitárias e de desobediência e desacato de ordem de autoridade. Somadas, as penas passam dos três anos. “Os policiais afirmam que eles desobedeceram as ordens de levantar as mãos e resistiram à prisão. Também que xingaram os policiais, que disseram “polícia pau no cu“. O que difere muito do depoimento dos manifestantes. O rapaz é gay é disse que essa expressão não faz parte do vocabulário dele, por considerá-la lgbtfóbica”, conta Yelena, que acompanhou os depoimentos da dupla.

Os dois vão passar por uma audiência de custódia neste domingo, que não tem o poder de extinguir o inquérito. A audiência servirá apenas para definir se a prisão é mantida ou não, além de determinar se sofreram alguma violência na detenção. O delegado Gilmar Rodrigues estabeleceu a fiança no valor mínimo, de R$ 350 para cada.

A dupla foi liberada após pagar fiança. Por indicação da advogada, seguiram para exame de corpo delito no Instituto de Medicina Legal (IML) .

O outro homem detido só prestou depoimento por volta das 17h30. O delegado queria estipular uma fiança de R$ 5 mil, contestada pelas advogadas. Se trata de um entregador de 23 anos, pai de duas crianças, que foi buscar um videogame no centro do Recife e levou um tiro de bala de borracha. Ele não estava na manifestação. Num ato reflexo, após o tiro, teria jogado um objeto e foi detido pelos militares. Ele ficou algemado de meio-dia até a hora de prestar depoimento, sem poder beber água ou ir ao banheiro. Ele foi liberado após o pagamento de uma fiança de R$ 1 mil, cotizada entre movimentos e políticos que estavam na delegacia.

Delegado negacionistaDelegado de Pernambuco é afastado após zombar da pandemia de Covid-19 - SBT

Delegado bolsonarista Gilmar Rodrigues

 

Apesar dos apelos dos sete advogados e advogadas presentes na delegacia, da vereadora Dani Portela (Psol), das codeputadas das Juntas e de integrantes do mandato da vereadora Liane Cirne Lins (PT), o delegado Gilmar Rodrigues foi irredutível no caso da dupla de amigos detida. “Ele disse que ia aceitar integralmente a palavra dos policiais militares que fizeram a abordagem, porque os policiais têm fé pública. Não levou em conta o depoimento dos manifestantes”, diz a advogada Yelena Galindo.Image

Delegado bolsonarista Edinaldo Araújo

 

O delegado Gilmar Rodrigues recentemente foi afastado da Polícia Civil após um vídeo em que ele desprezava a pandemia do novo coronavírus circulou pela internet. No vídeo, ele estava com uma camisa com o símbolo da Polícia Civil e afirmava que “Covid é um caralho. Aqui é (apontando para uma lata de cachaça). Entendeu? Porra de Covid, véi. Curtir a vida, véi. Deixar ninguém fazer sua cabeça não”. Na época, ele era delegado em Vitória de Santo Antão”, na Zona da Mata. “(Vem) pra cá pra Vitória. Tomar cachaça, raparigar”, dizia o delegado na gravação, feita em um bar, com pessoas na mesa sem máscaras.

 

Após a divulgação do vídeo, em meados de março, o delegado foi afastado. Ele voltou às atividades no começo deste mês. Mas enquanto aguardava a conclusão do processo administrativo instaurado pela corregedoria, ele foi promovido pelo secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua: desde o dia 5 de maio, ele é o chefe da 14ª Equipe da Central de Plantões da Capital (Ceplanc), no Recife.

Cerceamento ao trabalho das advogadas

O quarto detido, o entregador, passou horas sem ter contato com a advogada que o representa, Fernanda Borges, da Comissão de Advogados Populares da Ordem de Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE). Apesar de estar na delegacia, o manifestante demorou várias horas para ser entregue pela Polícia Militar à Polícia Civil e ficou esse tempo todo algemado em um corredor. A polícia não mudou nada. É a mesma polícia do Estado Novo de 37 e da ditadura de 64. 

Ele foi detido por desacato, desobediência e dano ao patrimônio público. Os policiais militares o acusam de atirar pedras contra uma viatura. “Está tudo muito confuso. Ainda nem tivemos acesso a ele, não conseguimos ainda conversar a sós”, disse a advogada Fernanda Borges, depois de mais de 2h na delegacia. O manifestante foi ouvido pelo delegado Edinaldo Araújo. “O delegado autuou ele por dano ao patrimônio. E aí numa jogada para criminalizar mesmo foi colocado dano ao patrimônio com a qualificadora de dano ao patrimônio público. Que faz com que não possa ser TCO. Foi um boletim de ocorrência mesmo e ele vai fica em liberdade, porque pagou fiança, mas vai responder a um processo criminal mais à frente”, detalhou a advogada Fernanda Borges.

A vereadora Dani Portela (Psol) foi uma das primeiras a chegar à Central de Flagrantes. Ela reforça que nenhum dos detidos faz parte de nenhum movimento. “Foram pessoas escolhidas aleatoriamente”, diz.

Dani Portela conta que a ação truculenta da Polícia Militar pegou a todos de surpresa. “É bem surpreendente a desproporcionalidade do que está acontecendo. Os vídeos e as imagens aéreas comprovam que foi uma manifestação distanciada, em fila, respeitando as medidas de prevenção à covid. Uma manifestação que tinha dois motes. Houve uma emboscada. A manifestação seguia tranquila quando chegou na ponte e os policiais já esperavam com balas de borracha. De quem partiu a ordem para os policias agirem dessa forma? A Polícia Militar agiu sozinha? Fomos tentar diálogo e não fomos ouvidas”, conta Dani Portela.

Ministérios Públicos

Em nota, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que, por meio das Promotorias de Justiça da capital, “adotará as providências cabíveis para apurar os fatos ocorridos e adotará as devidas medidas na esfera de suas atribuições, contando com todo apoio da Procuradoria Geral de Justiça”.

O Ministério Público ressaltou, na nota, que repugna “qualquer ato de violência contra manifestações democráticas e não admite qualquer atitude arbitrária dos agentes públicos responsáveis pela garantia da segurança do povo pernambucano”. Também deixou os canais da ouvidoria abertos para que quiser denunciar quaisquer abusos ou excessos. As denúncias podem ser feitas aqui.

O Ministério Público Federal também emitiu nota sobre a truculência da PM. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em Pernambuco (PRDC/PE), órgão do Ministério Público Federal (MPF) ao qual incumbe o monitoramento e apuração de violações de direitos humanos, afirmou que as imagens divulgadas ao longo do dia indicam “uso desproporcional da força por agentes do Estado, inclusive com cacetetes, gás lacrimogênio, spray de pimenta e balas de borracha”.

Também disponibilizou na nota o canal para denúncias, que pode ser acessado aqui.

29
Mai21

Manifestantes fazem ato contra Bolsonaro, e PM atira balas de borracha e gás lacrimogênio nos participantes; veja vídeo

Talis Andrade

Manifestantes se organizaram em filas durante protesto contra Bolsonaro, no Recife — Foto: Suzana Souza/G1

por G1

Manifestantes realizaram, neste sábado (29), no Recife, um ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pedindo a aceleração de medidas de prevenção à Covid-19, como a campanha de vacinação e auxílio emergencial de, ao menos, R$ 600.

Durante o ato, a Polícia Militar atirou balas de borracha e gás lacrimogênio contra os participantes. A manifestação terminou por volta das 13h.

O protesto é parte de uma ação nacional, realizada em diversas cidades do Brasil. Com faixas e cartazes contrários ao presidente, eles cantaram e gritaram palavras de ordem.

O grupo de pessoas se reuniu na Praça do Derby, no centro do Recife. Eles seguiram em caminhada para a Avenida Conde da Boa Vista, na mesma região. A via foi interditada nos dois sentidos.

Por volta das 11h30, a manifestação chegou à Ponte Duarte Coelho. No local, a Polícia Militar começou a dispersar os manifestantes.Bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha foram atiradas contra os participantes do ato. Vídeos mostram as pessoas correndo após a chegada dos PMs e as bombas de gás sendo jogadas. A confusão ocorreu, também, na Rua da Aurora.Manifestante monta estrutura de ferro para manter distanciamento social em protesto contra Bolsonaro no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Manifestantes levaram cartazes contra Bolsonaro a protesto no Centro do Recife — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press
Manifestantes se concentraram na Praça do Derby, no Recife, para manifestação contra Bolsonaro — Foto: Marlon Costa/Pernambuco PressManifestante ferido em Recife – 29 de maio

Repúdio à ação da PM

 

A Câmara Municipal do Recife divulgou uma nota de repúdio à ação da Polícia Militar durante o protesto. "Uma das vítimas destes atos foi a vereadora Liana Cirne (PT), covardemente atingida nos olhos com spray de pimenta, quando tentava dialogar com policiais militares na Ponte Santa Isabel", afirma a nota.

O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), afirmou que espera do governo do estado "uma apuração rígida sobre os responsáveis por estas ações" e que "a democracia é um patrimônio do povo brasileiro, que precisa ser respeitado e resguardado por todos nós".

A Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB) também divulgou uma nota de repúdio à ação da polícia, e disse que “vem a público exigir uma apuração rigorosa por parte do governo do estado de Pernambuco e punição dos responsáveis pela atuação da Polícia Militar durante toda a manifestação ocorrida neste sábado”.

“Imagens reportam uma repressão absolutamente desproporcional por parte da PMPE, com uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta, contra grupos que realizavam o ato na área central da cidade”, afirmou.

A OAB de Pernambuco também disse que “condena e repudia a covarde agressão sofrida pela advogada e vereadora do Recife Liane Cirne por parte de um policial militar até o momento ainda não identificado”.

A agressão foi filmada e, segundo a OAB, “as imagens demonstram que a atitude do policial não guarda amparo em qualquer regra ou protocolo sobre o uso legítimo da força. Muito pelo contrário. Tais imagens ressaltam uma agressão gratuita e covarde a uma mulher pública no exercício de um ato de cidadania, que não praticava qualquer atitude ao ponto de colocar em risco a integridade do militar”.

Por fim, a OAB de Pernambuco, por meio da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Defesa e Assistência às Prerrogativas Profissionais, “irá levar o caso aos órgãos competentes e estará à disposição para prestar assistência no caso”.Manifestantes protestaram contra Bolsonaro no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Mídia NINJA
Cenas fortes da reação violenta da policia pernambucana em Recife contra um ato pacífico. Genocidas não passarão! Fotos: Hugo Muniz #29MForaBolsonaro
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29
Mai21

Vereadora Liana Cirne Lins é agredida por policiais no Recife durante atos contra Bolsonaro (vídeos)

Talis Andrade

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A vereadora do Recife Liana Cirne Lins (PT) foi covarde e cruel e humilhantemente agredida por policiais. Foi atirada ao chão. Jogaram spray de pimenta no rosto da parlamentar. 

A polícia atirou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra vários manifestantes na capital pernambucana. Pelo menos uma pessoa ficou gravemente ferida.

Diversas cidades espalhadas pelo País têm protestos contra o governo Jair Bolsonaro neste sábado (29). As manifestações acontecem em mais de 200 locais de todas as regiões brasileiras e também em algumas cidades do exterior

A polícia militar de Pernambuco não obedece ao governo de Pernambuco, é sim, senhor, pau-mandado de Bolsonaro. Foi comandada pela nazista Polícia Federal. É tudo uma polícia só. Contra o povo. E contra os verdadeiros representantes do povo. 

Várias lideranças políticas foram às redes sociais convocar a população para atos contra o genocídio, a estratégia de propagação da Covid-19, a falta de vacinas. A polícia aproveitou para dizer quem realmente manda. Governa. Desgoverna. O pau cantou

Liana Cirne Lins
Não me arrependo por um segundo do que fiz. Estou sendo criticada por ser impetuosa. Mas se tenho uma carteira de couro com um brasão da Câmara Municipal, é para isso que ele foi feito! O único carteiraço que vale a pena dar na vida! Fiz e faria de novo!
Vereadora do Recife Liana Cirne Lins
Mídia NINJA
A vereadora Liana Cirne Linsfoi atingida com spray de pimenta pela Polícia Federal quando tentava dialogar para parar a repressão aos manifestantes em Recife

NUMA MULHER NÃO SE BATE

NEM COM UMA FLOR

por Capiba

Sempre ouvi dizer que numa mulher
Não se bate nem com uma flor
Loira ou morena, não importa a cor
Não se bate nem com uma flor.

Já se acabou o tempo
Que a mulher só dizia então:
- Chô galinha, cala a boca menino
- Ai, ai, não me dê mais não

 

 

 

 

 

30
Jan20

Que rufem os tambores

Talis Andrade

É raríssimo encontrar alguém dentro da corporação militar com coragem suficiente para verbalizar o óbvio

 

03
Dez19

AS VÍTIMAS DO MASSACRE EM PARAISÓPOLIS

Talis Andrade

por Arthur Stabile

Amigos e familiares contam como eram os nove jovens que morreram pisoteados após ação da PM em baile funk

Os nove jovens mortos após ação da PM em baile funk 

 

Nove jovens de 14 a 23 anos, moradores de variados bairros da cidade de São Paulo e de cidades da região metropolitana da capital paulista. Um trabalhava com vendas, outro estava desempregado e mantinha vivo o sonho de ser jogador de futebol, outros vários ainda estudavam. Amigos e, sobretudo, familiares contam como eram os nove mortos do massacre ocorrido em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, decorrente de uma ação da Polícia Militar do estado, comandada pelo governador João Doria (PSDB).

Parentes de alguns dos mortos estiveram no IML (Instituto Médico Legal) Sul para reconhecer e liberar os corpos para os respectivos enterros. Outros estiveram no IML Central. Eles relembraram com carinho de seus entes queridos e cobraram respostas do poder público, seja pela violência da PM com os integrantes do baile funk feito em Paraisópolis, seja pelo fato de não verem os corpos e ferimentos das vítimas, apenas seus rostos.

Bruno estava desempregado e sonhava ser jogador 

Esta segunda questão é levantada por Vanini Cristiane Siqueira, irmã de Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos. Desempregado, o jovem trabalhava com telemarketing até ser demitido há alguns meses. Ainda nutria o sonho de virar jogador de futebol, apesar da idade avançada para o início de carreira. Para os pais, tempo que não foi suficiente para o amadurecimento do jovem torcedor do São Paulo. Nem sequer carta de motorista o deixaram tirar, mesmo após quatro anos da liberação legal, por considerá-lo imaturo para ter um carro sob seu controle.

No IML, Vanini reconheceu o rosto do irmão. Quando tomou a atitude de abrir o saco que cobria o corpo, foi impedida por um funcionário do IML. Segundo ele, ela não poderia fazer aquilo pois o corpo estava muito machucado. “Eu saio daqui inconformada. Por que não pude ver o corpo do meu irmão? Não estão deixando ninguém ver o corpo, só o rosto”, afirmou a irmã. “Tem que saber o que aconteceu realmente, porque esses jovens foram impedidos de sair. Tem que ser averiguado. Infelizmente o meu irmão se foi. É pedir justiça e que Deus receba ele”, lamentou.

Gustavo era o mais jovem dos mortos e estudava no 9º ano 

 

Bruno era um rapaz apegado à família, segundo Vanini. Colocava os sobrinhos e os pais em primeiro lugar. Ele era adotado, vivia com a família de acolhimento desde os 10 anos em Mogi das Cruzes (Grande SP). “Inclusive, ele abraçou minha mãe esses dias e falou: ‘mãe, eu não quero que você vá antes de mim, eu quero ir antes de você’. Ele sempre deixava bilhetes para minha mãe”, conta Vanini. No IML, a mãe biológica de Bruno não resistiu e desmaiou ao ver o filho deitado na maca.

Inconformismo é um sentimento comum entre os familiares. Roberto Oliveira é padrinho de Gustavo Cruz Xavier, 14 anos, estudante que morava no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, a vítima mais nova do massacre. Eles descobriram que o jovem estava morto ao receberem por WhatsApp vídeos do massacre ocorrido no baile funk. Nas imagens, a mãe reconheceu Gustavo e, com sua demora de voltar para a casa, os familiares ligaram os pontos.

Um jovem “tranquilo e amoroso”, diz parente sobre Marcos Paulo 

 

O adolescente mentiu e foi com dois amigos de 16 anos para o baile, considerado perigoso pela família, tanto pelas ações policiais quanto pela presença de “gente ruim”. “Os adolescentes que moram na periferia não têm condição de ir em um shopping curtir, em ir curtir nesses bailes no Anhembi, com um monte de artista. É muito caro. E os bailes funks são baratos”, comenta Roberto.

O padrinho conta que Gustavo “só tinha tamanho”, um menino doce que não tinha malícia nem “pensava rápido” quando acontecia uma confusão, como a ação da PM. Estudante do nono ano do ensino fundamental, o principal sonho dele era o de muitos jovens da periferia: ter um carro. “O Gustavo era um menino, não pensava muito no futuro”, lembra.

Baiano, Mateus se sustentava vendendo produtos de limpeza 

 

A família recebeu do IML apenas uma corrente usada por Gustavo no baile funk, nenhum outro pertence sob alegação de que as roupas foram cortadas e “jogadas fora”. “[Marca] de pisoteamento a gente não viu. Quando você cai no chão jogando bola você se rala. Nele não, tinha uma pancada na cabeça, na testa, e o pescoço estava meio roxo. Não deram nem a roupa dele para nós”, conta Roberto.

Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos, disse para a família que ia comer uma pizza e foi para Paraisópolis. O estudante se preparava para fazer vestibular e aproveitou um momento para juntar um grupo de amigos e ir pela primeira vez em um baile funk, de acordo com um familiar. Era um intervalo para divertimento. Um dos integrantes do grupo disse aos parentes de Marcos que a PM os agrediu deliberadamente.

“Bateram muito com cassetete, o outro rapaz está cheio de hematomas. Ele tropeçou, caiu e vários policiais o agrediram. Está com os punhos machucados”, conta a parente de Marcos, que pediu anonimato com medo de sofrer represálias. Marcos Paulo era um jovem tranquilo e amoroso que ainda estudava no 2º ano do ensino médio. Segundo essa familiar, o bairro em que moram dá poucas opções de lazer, o que faz os adolescentes buscarem os bailes.

Segundo amigo, PM disse que “cuidaria” de Dennys durante a operação 

 

Silvia Ferreira, cunhada de Mateus dos Santos Costa, 23 anos, criticou a falta de informações no IML. “Vamos na delegacia, alguém tem falar alguma coisa para a gente. O médico da perícia não sabe dar uma justificativa. Falam para voltarmos daqui a 60 dias e pegar o laudo”, denuncia. “É uma pessoa que está ali, um humano. Não é um cachorro. Ao menos vem e fala: ‘ele está muito machucado, não sabemos dizer se foi um espancamento, se foi pisoteamento’. Dá uma declaração justa. Que governo é esse?Que putaria é essa?”, esbravejou.

O jovem ganhava a vida vendendo produtos de limpeza. Natural da Bahia, vivia em Carapicuíba, cidade da região metropolitana de São Paulo, e viveu seus últimos dias cercado de alegrias. Afinal de contas, Mateus era torcedor do Flamengo, time que no fim de semana do dia 23 de novembro conquistou os títulos da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro de futebol masculino.

Luara tinha 18 anos 

 

“O vídeo mostra muito bem claro. Os amigos disseram que foi tudo muito rápido, que os policiais já chegaram fechando a rua. Fecharam todos os becos e um escadão”, conta Silvia. “Ele era um menino tranquilo. Se fosse errado, eu falava que não valia nada. Ele só foi para lá porque Carapicuíba não tem opção para a gente sair, nem para nós que somos casal”, afirma, se referindo ao companheiro, Marcos Costa, irmão de Mateus, que estava no IML.

Uma parente de Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos, morador da Vila Matilde, zona leste paulistana, conta que ouviu de um amigo que estava com o jovem o que teria ocorrido no baile. O grupo correu quando a polícia chegou, Dennys ficou para trás e um dos amigos tentou ajudar. Ali, um policial teria dito: “pode deixar que a gente cuida dele”.

Eduardo da Silva, morto aos 21 anos 

 

“Não foi nada disso que eles estão divulgando. Ele tem um machucado na cabeça, os pés intactos e o costuraram de qualquer jeito. Pedi para tocar nele e não deixaram nem por a mão”, disse a familiar, abalada, pedindo para não ser identificada. Dennys estudava no segundo ano do ensino médio.

Um amigo de Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos, descreve o rapaz como “um moleque bom, que nunca fez mal para ninguém”. “Era trabalhador, que estudava e sempre tirava um sorriso de todo mundo, muito brincalhão”, comenta o rapaz.

Segundo amigos, Denys era brincalhão e “tirava sorriso” de todos 

 

Moradora do Jardim Primavera, região do Grajaú, também na zona sul de São Paulo, Luara Victória de Oliveira, 18, era frequentadora assídua de baile funk. Segundo o R7, um parente da vítima, que pediu para não ser identificado, contou que Luara foi criada pelo pai na casa da avó e precisou muito do apoio de familiares nos últimos 5 anos, quando ficou órfã. Também relatou que amava ir aos “pancadões” e que já tinha ido outras vezes ao baile de Paraisópolis. Ela estudava na rede pública, em uma escola ao lado do bairro onde vivia, e estava procurando um emprego.

Pai de um filho de 2 anos, Eduardo Silva, 21, é a oitava vítima. Ao R7, uma cunhada do jovem, que preferiu não se identificar, afirma que a família ficou desesperada quando Eduardo não voltou do baile. “Como vai ser agora? Na hora que recebei a notícia fiquei pensando no que dizer quando ele perguntar do pai. Como vou explicar o que aconteceu”, disse. Ele morava no bairro Cidade Ariston, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, com a mãe, o pai, uma irmã e o filho, e trabalhava numa oficina mecânica. “Agora fica a lembrança e a saudade. Ele era um bom menino”, lamentou.

Gabriel Rogério de Moares, 20, a nona vítima, foi velado e enterrado nesta segunda-feira (2/12) em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde vivia. Ao G1, o pai dele, Reinaldo Cabral de Moraes, disse que uma ação contra criminosos não justifica agredir jovens que estavam se divertindo. “Não existe justificativa para tirar uma vida. Vão ter investigações, mas o que indica é que houve um excesso policial, força excessiva contra jovens que estavam lá e não tinham nada a ver com o assunto. O que se leva a crer, como alguns falaram lá, é que foi uma emboscada, foi um cerco”, criticou.  Ainda segundo o portal, Gabriel trabalhava como leiturista de uma empresa que prestam serviços para uma concessionária de energia.

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03
Dez19

Por que usamos ‘suposto confronto’ em ações policiais com morte?

Talis Andrade

Massacre de Paraisópolis nos faz lembrar inúmeros casos de versões fantasiosas e justificativa de confronto usadas por PMs para justificar mortes

Protesto contra o massacre de Paraisópolis, neste domingo, na zona sul de SP | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

 

por Josmar Jozino

Ponte Jornalismo

 

Por que jornalistas que cobrem a área policial costumam usar a palavra “supostamente” quando iniciam a apuração de ocorrência envolvendo policiais militares com evento morte?

A resposta é simples. Porque são inúmeros os casos de versões fantasiosas e mentirosas apresentadas por PMs para justificar mortes de pessoas em casos que jamais houve confronto, mas sim execução sumária.

Posso aqui citar várias ocorrências, pois não são poucas. Geralmente, esses casos não têm testemunhas, apenas a versão de um dos lados: o policial. 

Uma das versões mais fantasiosas e mentirosas foi narrada por policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa mais letal da PM paulista, em 6 de agosto de 2015 no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil.

Os PMs alegaram que estavam a caminho da Escola Superior de Soldados, em Pirituba, zona oeste de SP, quando avistaram um Fiat azul ocupado por três homens em atitude suspeita e pediram apoio via rádio.

Na versão dos militares da Rota, houve perseguição e os ocupantes do Fiat desceram, sendo que o passageiro do banco de trás saltou com arma em punho, atirou contra a guarnição, foi baleado e morreu no confronto.

Uma outra viatura da Rota chegou para o apoio e deu continuidade à perseguição. Segundo os PMs, o motorista correu para o matagal e fugiu e o outro ocupante do carro também morreu após troca de tiros.

Na realidade tudo não passou de uma grande farsa armada pelos policiais militares da Rota. Uma das vítimas, Herbert Lúcio Pessoa Rodrigues, foi abordado pelos rotarianos em Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 11h, e colocado no compartimento de presos da viatura.

Ele apareceu morto três horas depois em Pirituba, a 29,4 km do local onde havia sido abordado no Fiat azul. Testemunhas presenciais e câmeras de segurança desmentiram a versão dos PMs.

O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil provaram por A mais B a farsa dos milicianos. Imagens de câmeras de trânsito mostraram, detalhadamente e com horários, minuto a minuto, uma viatura da Rota saindo do local onde Herbert foi abordado, em Guarulhos, até a região onde ele foi morto, em Pirituba.

Além disso, testemunhas contaram que presenciaram a abordagem e também viram um PM fardado entrar no Fiat azul em Guarulhos e sair dirigindo o veículo, que na versão dos PMs foi perseguido em Pirituba.

No mesmo local e no mesmo horário onde Herbert foi executado, os policiais da Rota também mataram Weberson dos Santos Oliveira. O DHPP apurou que ele e Herbert não se conheciam e não tinham nenhum tipo de relação.

Para o Ministério Público Estadual, os milicianos da Rota forjaram a perseguição policial e a troca de tiros para justificar os assassinatos e “plantaram” juntos aos mortos explosivos usados em roubos a caixas eletrônicos e armas roubadas em delegacias da Polícia Civil.

Os milicianos da Rota conseguiram até enganar um experiente jornalista e famoso apresentador de TV, que chegou a anunciar em seu programa policial, de enorme audiência, que dois bandidos haviam morrido após trocar tiros com a Rota.

Não é  por causa de casos como esse citado acima que se deve colocar em xeque a atuação diária de policiais militares.

Ao contrário. Muitos policiais militares salvam vidas todos os dias. Enfrentam o perigo cotidianamente e chegam até a ser mortos em serviço. Outros morrem durante a folga, covardemente, nas mãos de criminosos, só porque são policiais.

Mas também não são poucos os casos de PMs que matam indivíduos já dominados e algemados e alegam “confronto”, “troca de tiros”, “revide à injusta agressão” ou “resistência seguida de morte”.

As versões mentirosas desses PMs nos obrigam a ter cautela nas ocorrências policiais com evento morte e, por isso, devemos sempre usar os termos “suposto confronto”, “suposta troca de tiros”, etc.. até o desfecho das investigações.

O caso recente da Favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, é mais um exemplo dessa cautela. PMs do 16º Batalhão alegam que o episódio que deixou nove mortos na madrugada de domingo, durante um baile funk, foi motivado por dois ocupantes de uma moto que atiraram contra os policiais e fugiram.

Enquanto essa versão não for devidamente comprovada, se possível com imagens de câmeras de segurança e com a identificação e localização desses dois suspeitos, é necessário usar o termo “dois ocupantes de uma moto que supostamente atiraram contra os policiais e fugiram”.

 

 

24
Set19

"Morte de Ágatha é evidência da política de uso da força letal no Rio"

Talis Andrade

O Ministério Público, encarregado pela Constituição

do controle da atividade policial, nada faz. 

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A morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, atingida por um tiro de fuzil no sábado (21/09), no Rio de Janeiro, quando estava dentro de uma kombi, provocou comoção pelo país, não só pela interrupção precoce e violenta da vida de uma criança, mas porque se tornou uma evidência dos erros e excessos de uma política que favorece do uso da força letal pela polícia fluminense, segundo Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança Pública, na Universidade Cândido Mendes.

Moradores relataram que o tiro que atingiu Ágatha partiu de um policial, que teria mirado em dois homens em uma moto. O caso ainda está sob investigação, e a Polícia Civil realizou uma perícia no veículo e tentará identificar se a bala que matou Ágatha saiu da arma do policial.

Em entrevista à DW Brasil, Ramos afirmou que a morte de Ágatha se insere em um contexto de aumento de homicídios provocados pela polícia do Rio, que soma 1.246 mortes de janeiro a agosto deste ano, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. O particular deste caso, segundo a pesquisadora, é que, como o tiro vitimou uma criança, a polícia não pode alegar que estava reagindo a um ataque.

"Quando são crianças pequenas, a polícia não pode dizer que aquela pessoa estava com uma arma e atirando. É uma evidência de que houve erro e excesso do uso da força", ressaltou a pesquisadora.

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DW Brasil: O que a reação à morte de Ágatha revela?

Silvia Ramos: A morte da Ágatha não foi um caso isolado. Ela reitera acontecimentos insuportáveis e inaceitáveis para a vida de uma cidade, que estão se repetindo com frequência absolutamente anormal, até mesmo para lugares com uma polícia e uma política de segurança muito violentas, como o Rio de Janeiro. De janeiro a agosto deste ano, houve 1.246 mortes decorrentes de intervenção policial no Estado do Rio. No ano passado inteiro, foram cerca de 1.500. Há uma escalada.

Neste ano, houve a morte de cinco crianças em situações em que a polícia alega que houve confronto com criminosos, que também atingiram idosos, adultos e outras pessoas que eles chamam de traficantes. Mas quando são crianças pequenas, a polícia não pode dizer que aquela pessoa estava com uma arma e atirando. É uma evidência de que houve erro e excesso do uso da força. Muitas dessas 1.246 mortes são de pessoas que não enfrentavam a polícia. São execuções, imperícia, erros, que ficam encobertas pela existência de uma política de favorecimento do uso da força letal.

 

O que provoca a alta no número de mortes causadas pela polícia no Rio?

Esse é um problema no Brasil, tivemos mais de 6 mil assassinatos cometidos por policiais no país no ano passado, mas é particularmente agravado por políticas de segurança de alguns Estados. Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e Pará têm altos números de homicídios causados pela polícia, mas os Estados vizinhos não têm. É uma política deliberada, que cria uma cultura que favorece o excesso do uso da força, numa inútil guerra contra as drogas.

No caso do Rio, cresce o número de tiroteios, de balas perdidas, de pessoas não envolvidas com a criminalidade mortas, de pessoas envolvidas com a criminalidade mortas, de policiais feridos e mortos. E o que acontece com as facções do crime e as milícias? Continuam tão fortes quanto antes.

Essa política do uso da força letal se intensificou no governo Jair Bolsonaro e em particular no Rio sob o governo Wilson Witzel, que desde que assumiu fala em uma política deliberada de abate. Esse discurso está favorecendo uma cultura que já existia de descontrole dos policiais no momento de suas incursões.

 

Qual é o impacto dessas operações policiais na percepção da população sobre o aparato de segurança do estado?

O Rio de Janeiro é muito apartado, você tem o que acontece nas favelas e o que acontece nos bairros abastados. Há duas políticas de segurança. Nas favelas, você acorda de manhã e tem um helicóptero sobrevoando, muitas vezes atirando, operações com o blindado no chão da favela, policiais incursionando como se estivessem numa guerra, todo mundo se abaixando. As crianças não podem sair para a escola, e se já estiverem na escola têm esquemas para se agachar ou ir para o corredor e salas mais protegidas. Esse clima contrasta com uma tranquilidade que existe nos bairros abastados, onde a polícia jamais faz operações desse tipo e não chega atirando como nas abordagens em favelas.

Moradores das favelas odeiam os traficantes e milicianos, mas odeiam mais a polícia, que, quando entra, além de letal é desrespeitosa, considera que todos os moradores fazem parte do mundo do crime, e tem utilizado técnicas de terror, como um helicóptero blindado que dá voos rasantes em cima das casas e o usa como plataforma de tiro.

 

O endurecimento das políticas de segurança pode levar a um aumento das mortes de inocentes?

Nós da Rede de Observatórios de Segurança monitoramos diariamente, no Rio de Janeiro, operações policiais. De janeiro a agosto deste ano, monitoramos 1.697 operações, alta de 41% comparado ao ano passado, que já foi um ano de intervenção federal, com presença do Exército. Houve aumento de 46% na letalidade dessas ações.

 

O pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, estabelece, no artigo sobre excludente de ilicitude, que um juiz poderá isentar de pena aqueles que tiverem cometido um crime em caso de "escusável medo, surpresa ou violenta emoção", e poderia ser aplicado a mortes provocadas por policiais. Qual a sua opinião sobre esse item?

O item de excludente de ilicitude flexibiliza ainda mais o que o Brasil já tem, o uso excessivo da força por parte de policiais sem que eles temam que a Justiça os julgue. Somos contra, porque tem um caráter muito simbólico. Mas, na prática, já é assim. Dos mais de 1.500 homicídios no ano passado causados pela polícia no Rio, não tem nem dez sendo examinados pelo Ministério Público. Nada aconteceu, não temos notícia de que algum policial esteja pagando pena por excesso de uso da força.

Esse chamado pacote anticrime altera o Código Penal e o Código de Processo Penal, mas o que o Brasil precisa é de prevenção e inteligência. Não tenho a menor esperança de que esses pacotes ajudem. Precisamos de programas reais, no chão das periferias e das favelas, privilegiando o desarmamento e os programas de prevenção.

Outro problema é a falta investimento em inteligência, perícia e investigação. O Monitor da Violência está fazendo uma avaliação, iniciada há dois anos, sobre mais de mil homicídios, e o Estado que apresenta os piores indicadores de elucidação de homicídios é o Rio, com menos de 10% esclarecidos.

O Rio, campeão de operações policiais, que envolvem muita gente, carros, gasolina, equipamentos, investe muito na truculência, mas não na investigação. O orçamento da Segurança, 12 bilhões de reais, é maior que o da Educação e o da Saúde. Mas vai tudo para a política de confronto, com poucos resultados em inteligência, perícia e investigação. No caso dos homicídios, o Rio não consegue produzir resultados nem parecidos com os do Piauí ou do Maranhão, que têm muito menos recursos.

 

O Ministério Público é encarregado, pela Constituição, de fazer o controle da atividade policial. Ele tem feito isso corretamente?

O que a gente verifica na prática é que, por parte do Ministério Público, há um fracasso total, uma omissão e indiferença em relação a esse problema da violência policial. O Ministério Público pode estar sendo importante na área de corrupção de políticos, na Lava Jato, mas na área de controle externo da polícia, um assunto que afeta diretamente os pobres e as populações vulneráveis nas favelas e periferias do Brasil inteiro, é como se o Ministério Público dissesse "esse assunto não é nosso".

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03
Mar19

Havia mais aparato policial que pessoas em apoio à família e ao Presidente Lula

Talis Andrade

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por Mônica Godun

___

Queridos amigos, e ao Léo Attuch em especial, pelo nó na garganta que me representou...

Cheguei ao cemitério na hora em que Léo Attuch, impedido pela emoção que a todos tomou, interrompeu sua live. Nó na garganta. Por isso lhe dedico, pois sentia a mesma coisa...

Fui, pois, sozinha em casa, não contive a dor lancinante, que me tomou. Não sou avó, mas pouquíssimas coisas me amedrontam tanto como a dor de perder um filho. Quis estender meu abraço ao avô e família, e sentir o abraço de todos que lá se encontravam. Muita gente. Muita gente chorando...como eu.

Sou cinquentona, filha de metalúrgico, profissional liberal formada em universidade pública concorrida, sem nunca pisar em escola particular...afinal seria símbolo dessa tal de "meritocracia" cantada aos quatro ventos por esse pessoal que sequer tem ideia do que é esforço, passar necessidade...Tomei consciência política no final dos anos 70, início dos 80 e de lá pra cá, sofrendo, comemorando, chorando...Quantas vezes quis ir embora. Em 2002, minhas esperanças renovaram. Agora a guarda ficou baixa de novo, mas a consciência de tudo que me rodeia é bem maior. Se pessoas como nós vamos embora, quem cuidará de quem fica, cada vez mais alijado do aprendizado de ver o mundo de forma crítica?

É bom estar perto de gente...hoje em dia, me sinto impelida a classificar como gente normal...mas me incomoda a pergunta "o que seria normal?" nesses nossos tempos, que reluto classificar como sombrios. Vocês do 247 são um sopro acalentador. Gera um sentimento de pertencimento muito grande, muito importante atualmente. Eu, esquerda, simpatizante do PT, "apaixonada" pelo Lula, vivo quieta no meu canto, com medo de discriminação, que sim, tem ocorrido no meu meio profissional. Vocês me aliviam.

Fui a SBC preparada psicológica e fisicamente para deixar o carro longe, andar quarteirões. Fiquei surpresa quando pude entrar com o carro no cemitério e sem ter que estacionar muito longe. Imaginei que encontraria muito trânsito, muita gente nas ruas, muitas faixas de apoio, proibição à entrada do cemitério. Esperava ainda mais gente.

Saudade dos comícios de outrora. Saudade da oposição de outrora...lembro rindo...na campanha de 89, moleca rebelde, invadi uma carreata do Collor com meu carro todo empapelado daquele Lula barbudo: meu carro velho quebrou, atrapalhou toda a carreata, ..., a coisa mais ofensiva que ouvi foi petista fdp, mas me ajudaram com o carro...não tinha ódio, acabávamos rindo juntos. Trabalhava em instituições privadas, durante o governo FHC com a estrelinha vermelha na lapela. Ouvia uns comentários, mas nunca com ódio, nunca fui discriminada social ou profissionalmente. Hoje meus filhos não tem esse direito, têm medo! Mas aquele mundo recente foi possível! E pode ser de novo!

Lá em SBC, muita polícia...arriscaria dizer que pela ostensividade, número de viaturas, fardas, armas, havia mais aparato policial que pessoas em apoio à família e ao Presidente.

Lula é um gigante, mete medo. Tantas armas, fuzis, fisionomias "de horizonte" (ou de espanto, de surpresa ou incompreensão, pois muitos jovens) ou encarando-nos com cara feia mesma, ostentando seus poderosos trabucos...que dó.

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Lula desceu, abatido mas altivo, bom estado físico, ergueu o braço ao povo, conseguiu furar a escolta e dar a mão ao público. Saiu, 2 hs depois, altivo, abatido e com uma expressão de indignação indisfarçável. No meio de toda desgraça, ele esteve duas horas com a família, ele pode ver o povo que o apoia. Isso nos reconfortou, não sei se foi suficiente para dirimir o seu sofrimento...provavelmente não.

Lula transcendeu seu corpo físico, é um ícone, talvez tenha optado por seu destino histórico e não simplesmente pessoal. Quem guarda essa imagem, quem tem a noção dessa grandiosidade, tem a obrigação de manter isso vivo, manter isso grandioso até que a historiografia sacramente. E a gente vai criar nosso filhos da forma correta, com bondade, com maior consciência crítica, com a habilidade de praticar a alteridade. E a gente vai passar por tudo isso. E tudo isso vai passar. E a gente vai se sentir grandioso de ter feito parte disso, no pequeno momento histórico do qual somos responsáveis.

Lula Livre seria A Grande Batalha. Sinceramente, neste momento, eu não acredito na vitória dessa batalha. Essa situação levou anos. Vai levar anos pra revertermos isso. Espero estar errada e/ou espero que algo permita a reversão dessa situação de forma ainda tenhamos tempo para que o carregarmos vivo nos braços.

Mas não nos iludamos. A maioria das pessoas estão sendo cegadas, de várias forma, nós sabemos uma por uma delas. E a gente tem que que lutar em todas essas frentes. Mas sem enxergar monstros na maioria dessas pessoas, isso não é verdade, são iludidos, revoltados. Dessa forma, perderíamos nosso poder que é a racionalidade que nos define como humanos. Que a utilizemos da melhor forma. Para além de qualquer coisa, pensar isso faz mal para nós mesmos.

Lula, independente de seu destino, sempre será nossa inspiração.

Vocês do 247 são o caminho para empoderar muitas dessas frentes de luta. Das nossas lutas diárias.

Contem comigo.

 

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