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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

31
Jan22

Sitiada há dez dias, comunidade denuncia agressões de policiais de Doria em retaliação a morte de PM

Talis Andrade

Policial militar foi morto com um tiro pelas costas  — Foto: Reprodução/Instagram

 Operações militares para vingar a morte do cabo Jeferson Chapani Szklarski, de 38 anos. Um militar morto vale dez civis, prática usada pelos alemães nos países invadidos na Segunda Grande Guerra Mundial contra o nazismo de Hitler

 

“Ser pobre e preto não é crime”

Residentes do bairro Aviação, em Praia Grande (SP), relatam invasões, agressões e ameaças de PMs: "Queremos paz"

 
por Gabriela Moncau /Brasil de Fato
- - -
 

Casas invadidas, agressões e ameaças, inclusive contra crianças, idosos e mulheres grávidas. Esse é o balanço dos dez dias da ocupação territorial promovida pela Polícia Militar (PM) no bairro Aviação, no município de Praia Grande, no litoral sul do estado de São Paulo. 

Definida como "Operação Saturação", a ação truculenta da PM no local acontece desde que o cabo da polícia militar Jeferson Szalarski foi assassinado no local, na madrugada de 19 para 20 de janeiro.

“Dizem que estão procurando os responsáveis, mas é uma retaliação e toda a comunidade é alvo. As pessoas saem de dia para trabalhar e chegam de noite para apanhar. Ninguém merece viver oprimido assim”, afirma Solange*, uma moradora. 

“Não estamos aguentando mais isso, precisamos de uma solução. Queremos paz”, salienta Regina*, outra moradora do bairro. Sua casa foi invadida por policiais na hora do jantar. Querendo informações sobre envolvidos na morte do colega, os agentes de segurança agrediram o marido de Regina — que nada tinha para lhes dizer — na frente das crianças.  

Viviane*, vizinha de Regina, tomou um enquadro da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite da PM de São Paulo) junto com o marido quando estava chegando do serviço. Ao chegar em casa, seu sobrinho contou que a Polícia Civil havia entrado durante o dia. “Quer entrar, entra. Não temos nada a esconder. Mas eles ficam pressionando as crianças, fazendo perguntas, dizendo que a criança sabe quem foi. O que é isso?”, detalha. 

:: Operação policial inaugura “Cidade integrada”: “palanque político-midiático”, diz pesquisador ::

Desde que a Polícia iniciou a operação, o cotidiano na comunidade está alterado. “Não podemos mais ficar conversando na frente de casa quando voltamos do trabalho. As crianças não podem ficar brincando na rua, porque está perigoso”, relata Viviane.  

“Eles estão estacionando as viaturas em cima das calçadas e ficam na frente dos portões das pessoas. E vão revistando quem chega, de forma violenta. Crianças com medo”, descreve Sabrina, outra residente. “É terror”, resume.  

“Ser pobre e preto não é crime” 

Com letras de batom escritas em lençóis brancos, moradores se manifestaram pela comunidade no último dia 21. Nas faixas improvisadas, lia-se “Ser pobre não é crime” e “Ser preto não é crime”.  

“Enquanto caminhávamos, alguns policiais gritaram: ‘Mataram um inocente’. Mas seguimos, e o ato foi crescendo”, conta Sabrina, que participou do protesto. “Que país é esse? Parece que a gente está vivendo uma ditadura. Tem algo muito errado”, indigna-se. 

Respostas institucionais 

Com base nas denúncias de moradores, a Defensoria Pública de São Paulo oficiou o Ministério Público, a Polícia Civil e o Comando da Polícia Militar para apuração dos fatos.  

As Comissões de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) de São Vicente (SP) e Praia Grande (SP) se reuniram no último domingo (23) com representantes parlamentares e de organizações como o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e a Rede de Proteção contra o Genocídio.  

A partir da reunião, os membros da OAB encaminharam uma carta para Emerson Sobral, comandante interino do 45º Batalhão de PM do Interior do Estado de São Paulo; Marco Antonio de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Praia Grande; e para o promotor de Justiça plantonista do Ministério Público de Praia Grande. 

:: Moradores denunciam polícia por chacina que matou quatro pessoas na Chapada dos Veadeiros ::

O documento afirma que chegou ao conhecimento das Subseções da OAB relatos de que a Polícia Militar estaria agindo “com extrema violência física e psicológica” contra “os moradores locais, a maioria negros, mulheres e crianças". A entidade pede que "sejam adotadas as medidas pertinentes”.  

Até o momento do fechamento dessa reportagem, no entanto, a situação seguia inalterada. 

O Brasil de Fato entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, mas não obteve resposta. A matéria será atualizada caso o posicionamento do órgão seja enviado.  

A morte do policial 

O cabo Jeferson Szkalarski do 45º Batalhão da Polícia Militar, de 38 anos, foi encontrado morto em 20 de janeiro com um tiro nas costas em uma rua de São Vicente (SP). Com base no lugar onde foi localizada sua moto, a polícia afirma que ele teria sido assassinado na rua Thiago Ferreira, no bairro Aviação, em Praia Grande (SP). 

De acordo com uma nota da SSP, um suspeito de dirigir o veículo no qual o corpo do policial teria sido transportado foi preso no último dia 21. 

*Os nomes foram alterados para preservar as fontes. Veja imagens gravadas por moradores

 

28
Jan22

Cantor negro em carro de luxo é abordado aos gritos e com arma apontada na cara pela PM em travessia de balsas de SP

Talis Andrade

Cantor lírico foi alvo de abordagem brusca da Polícia Militar na travessia de balsas entre Santos e Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Jean William

 

 

Por Juliana Steil, g1 Santos  

Um cantor lírico negro, de 36 anos, foi surpreendido durante a travessia de balsas entre as cidades de Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, com uma abordagem considerada por ele brusca, por parte da Polícia Militar. Ele foi questionado se o carro de luxo que dirigia era dele, e se estaria levando drogas dentro do veículo. Em desabafo, o cantor aponta as consequências do racismo estrutural no cotidiano de pessoas negras.

Jean Willian é tenor e trabalha com o maestro João Carlos Martins, um dos maiores do país. Na quinta-feira (27), ele e um amigo combinaram de passar o dia na praia, em Guarujá, mas, no caminho, foram surpreendidos com a abordagem policial.

O veículo dirigido pelo cantor estava estacionado já dentro da balsa que realiza a travessia. Os dois amigos estavam conversando, quando Jean olhou para a frente e se deparou com um policial militar apontando um revólver em sua direção.

O mesmo policial, que estava com pelo menos outros três PMs, gritava para Jean, questionando se o carro era dele e "se havia drogas dentro do veículo". "Levantei as mãos e tentei não fazer nenhum movimento que excedesse o mínimo", relatou o músico ao g1 por telefone.

Os amigos foram obrigados a descer do carro, que foi rapidamente revistado pela equipe policial. "Olharam mais ou menos. Abriram o porta-malas e viram que tinha duas cadeiras de praia", lembra. Jean diz que foi questionado sobre drogas, se o carro que dirigia era dele, se ele já foi preso alguma vez, e teve seus documentos verificados.

Quando ambos responderam sobre suas profissões – cantor lírico, e o amigo, farmacêutico –, os policiais cessaram a abordagem agressiva, segundo Jean conta. "Percebi, na minha leitura, que eles ficaram com uma cara de que não era ali que estava o que buscavam", diz.

Antes de a equipe ir embora, um dos policiais chegou a perguntar se o cantor não tinha feito nada suspeito, que tivesse dado motivo à denúncia que os levou até ali. Ele respondeu que, pouco antes de entrar na balsa, tinha feito um desvio de um caminhão, pois errara o caminho para a embarcação. "Foi um desvio de trânsito corriqueiro, não foi em alta velocidade", explica.

"O que a gente ficou muito indignado é que, depois que as coisas ficaram esclarecidas, o cara entregou as coisas na minha mão, e ninguém explicou nada", aponta.

 

Eu me senti como se fosse um bandido. Todo mundo dentro da balsa assistindo, foi um constrangimento assustador. E tinha o medo, medo de fazer um movimento brusco para pegar meu documento e levar um tiro", desabafa.

 

 

Racismo estrutural

O dia dos amigos na praia não saiu como planejado. Após a abordagem, Jean passou o dia remoendo a situação, pensando sobre quais razões poderiam ter sido a motivação de ele ter sido o alvo dos policiais. "Não estou acusando a polícia, mas deveria haver uma averiguação antes. Eu não era a pessoa que merecia passar por isso", explica.

Por conta disso, ele entrou em contato com Elizeu Soares Lopes, ouvidor da Polícia Militar, para que o caso seja averiguado. Ao g1, o ouvidor disse que, assim que a denúncia for formalizada, irá requisitar à Corregedoria da PM a apuração da ação por parte dos policiais.

Jean questiona o motivo de ele ter sido abordado com tamanha agressividade, pontuando que não questiona a ação dos policiais em si, mas todo o sistema que leva a crer que um homem como ele, negro, não poderia estar dirigindo um carro de alto padrão, sem que fosse roubado.

"Minha questão não é acusar, mas deixar claro o quanto essa abordagem nos agride. É [alto] o número de pessoas negras que são abordadas constantemente pela polícia sem motivo. É claro que existe essa cultura no nosso país", aponta.

"É um tipo de padrão cultural que precisa ser questionado, um racismo estrutural. O que percebo, conversando com meus amigos, é que existe uma diferença no trato. Esse tratamento a gente não pode negar que tem a ver com a cor da pele", explica.

 

Não é a corporação, é a sociedade. Quando vê um indivíduo dirigindo um carro que comumente só é dirigido por pessoas brancas, causa agressividade e revolta", desabafa.

 

Questionada pelo g1 sobre o motivo da abordagem, a Polícia Militar esclareceu, por nota, que seus procedimentos operacionais de abordagem e fiscalização são baseadas em princípios legais e técnicos.

No entanto, a corporação diz que, "em atenção ao relato publicado nas redes sociais, acusando os policiais do cometimento de um crime, convidamos o artista a formalizar denúncia, para que possa trazer mais detalhes em relação ao caso".

Esta e qualquer outra denúncia sobre abordagens policiais podem ser formalizadas na sede do Comando de Policiamento do Interior-6 (responsável pelo policiamento ostensivo e preventivo na região), localizado na Avenida Coronel Joaquim Montenegro, 282, no bairro Aparecida, em Santos ou na Corregedoria da instituição, localizada na Rua Alfredo Maia, 58, no bairro Luz, em São Paulo, Capital.

 
28
Jan22

A polícia que mata depende do governador

Talis Andrade

www.brasil247.com - Polícia Militar de São PauloLuz, Câmera e pouca ação: O curioso caso dos criminosos tímidos

247 - O uso de câmeras acopladas aos uniformes de policiais militares de diversos batalhões de São Paulo reduziu em 85% o número de pessoas mortas em supostos confrontos com a polícia ao longo do ano passado. Ao todo, as medidas adotadas pelo governo paulista para reduzir a letalidade policial resultaram em uma queda de 36% no número de óbitos relacionados com este tipo de ocorrência. 

De acordo com a Folha de S. Paulo, de 1º de junho a 31 de dezembro de 2020, houve 110 mortes decorrentes de intervenção policial nos batalhões que adotaram o uso de câmeras , contra  igual período de 2021. Na Rota, batalhão de elite e com um dos maiores índices de mortes da corporação, esta redução chegou a 89%. 

“Em números absolutos, os PMs da Rota mataram nos últimos sete meses de 2020 um total de 35 pessoas. Já no mesmo período do ano passado, com as câmeras acopladas ao uniforme, foram quatro mortes decorrentes de intervenção policial registradas no batalhão”,  ressalta a reportagem. 

Segundo o major Rodrigo Cabral, porta-voz da PM, que da no indicador também se estende a unidades. "Nas demais unidades, que ainda não utilizam as COPs [câmeras corporais], também verificamos uma redução acentuada da letalidade", disse. Atualmente, a PM paulista tem cerca de 3 mil câmeras em funcionamento nos 18 batalhões integrantes do programa, batizado de Olho Vivo. 

[O fim do genocídio de jovens negros agora depende dos governadores. Isto é, da compra e uso de câmaras em uniformes da PM]

pena de morte vaccari.jpeg

 
01
Dez21

Vídeo mostra homem correndo algemado a moto de PM: 'Igual a escravo'

Talis Andrade

o brasil é feito por nós.jpeg

 

 

Um vídeo feito na tarde da terça-feira (30) mostra um homem correndo atrás de uma moto da Polícia Militar de São Paulo - algemado ao veículo. A cena viralizou nas redes sociais e causou indignação.

O episódio aconteceu na Avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello. O piloto chega a acelerar enquanto o rapaz algemado tenta ficar no ritmo da moto. 

Pessoas que presenciaram a cena estão rindo, como é possível notar na gravação. "Olha, algemou e está andando igual a um escravo. Vai roubar mais agora?", debocha uma das testemunhas.

Guilherme Boulos (Psol), que foi candidato ao governo de São Paulo, classificou a cena como "tortura a sangue frio". "Brasil, mais de 300 anos de escravidão... Tortura a sangue frio praticada por um PM de SP. Inaceitável!", escreveu em uma rede social.

Heranças da escravidão que persistem no Estado brasileiro!! É assim que a PM paulista trata suspeitos pobres e negros? Não podemos normalizar cenas como essa!

Vídeo mostra homem correndo algemado a moto de PM: 'Igual a escravo'

 

 

01
Dez21

O soldado escravocrata e o fim da PM

Talis Andrade

desfile militar por gilmar.jpeg

 

Por José Pessoa de Araújo

Um soldado de polícia
Em plena atividade
Prendeu um homem suspeito
Sem dó, sem piedade
Amarrou à sua moto
E desfilou pela cidade

Foi uma cena macabra
Que aqui nunca se viu
Situação parecida
Aconteceu no Brasil
Na época da escravidão
Por senhor de escravo vil

Na cidade de São Paulo
A mais rica da Nação
O crime foi cometido
Sem nenhuma explicação
Era um negro torturado
Arrastado pelo chão

Esse cidadão fardado
Que se acha importante
Merece um grande castigo
Por crime repugnante
Por ser agente da lei
Não merece atenuante

Na época da ditadura
Isso sempre acontecia
Só que era no porão                                                                                                                        de uma delegacia
Hoje se faz em via pública
Na claridade do dia

Esse soldado racista
De ninguém tem o respeito
Foi um crime hediondo
Ele não tem o direito
De fazer essa barbárie
Foi um puro preconceito

Esse soldado merece uma pena exemplar
Ser expulso da polícia
E o seu crime pagar
É  um ser tão desprezível
Temos que o isolar

Com certeza esse soldado
É um desequilibrado
Segue um tal capitão
Que vive encastelado
Na capital federal
Que pelo povo é detestado

Uma polícia fascista
Que já não tem serventia
Trata o pobre no cacete
Protege a burguesia
Por mim seria extinta
Pra acabar com a tirania 

A Polícia Militar
Precisa ser extinguida
Com tanta atrocidade
Não vejo outra saída
Concordo com o PCO
Ela tem que ser banida

24
Ago21

O impossível cada vez mais possível?

Talis Andrade

ditadura hilal özcan.jpg

 

 

por Eric Nepomuceno

O coronel Aleksander Lacerda era, até esta segunda-feira, comandante de Policiamento do Interior 7 da Polícia Militar de São Paulo. Com isso, comandava uma tropa de uns cinco mil policiais militares espalhados por 78 municípios da região de Sorocaba, no interior, mas próxima da capital.

Foi sumariamente catapultado pelo governador João Dória. A razão para tirar o tal coronel do anonimato: Lacerda convocou pelas redes sociais “amigos” para apoiar os atos programados para o dia 7 de setembro a favor de Jair Messias e seu governo genocida, ineficaz, destruidor do país. Para sua gestão patética e seus seguidores abjetos. Saiu do anonimato e como consequência saiu também do posto de comando que ocupava.

O coronel aproveitou o embalo para criticar Dória, que como governador é seu chefe máximo, e também Rodrigo Maia, que acaba de assumir uma secretaria estadual no governo paulista. O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e os integrantes do Supremo Tribunal Federal também foram alvo de Aleksander Lacerda.

Será que o coronel achava que, ao se manifestar politicamente de maneira tão clara e agressiva, atropelando todos os códigos e regras disciplinares, passaria impune? Ou será que quis pôr à prova a lealdade de outros policiais militares diante da punição mais que previsível?

Outro coronel da PM, este já na reserva, Ricardo de Mello Araújo, pediu a todos os “veteranos” que se juntem às manifestações da extrema-direita na avenida Paulista no dia 7 de setembro para apoiar Jair Messias e impedir a volta do “comunismo”. 

Com isso, dois policiais militares de alta graduação, um ainda na ativa, outro na reserva, uniram suas vozes convocando convulsões de rua, e isso no mais rico e habitado e supostamente desenvolvido estado brasileiro.    

Qual será o clima nas PMs de rincões mais longínquos?

A esta altura do atual governo, já está mais do que claro o que claro sempre foi: desde seus tempos obscuros de deputado Jair Messias conta com apoio de amplos setores das Polícias Militares ao longo e ao largo de todo o país. Esta é justamente uma das bases com as quais pretende levar a cabo o golpe tão sonhado.

E assim ganha ares mais visíveis que o que parecia impossível começa a parecer mais possível. Temos pela frente, então, um quadro tão alucinado como assustador: confrontos de rua, violência desenfreada, motins de policiais militares, presença de milicianos armados nas manifestações do próximo dia 7 e, para conter o caos e a devastação, governadores requisitando a ação das Forças Armadas.

Até aí, os governadores estariam fazendo o previsto pela lei: ao não conseguir controlar suas próprias forças de segurança, não restaria a eles outra saída que pedir ajuda às forças nacionais. 

Só que, para seguir de acordo com a lei, é preciso que o comandante máximo das Forças Armadas autorize sua entrada em cena.

E Jair Messias já disse e reiterou à exaustão que jamais mandará o “seu Exército” a agir contra “o povo”. A cada dia que passa fica mais e mais palpável o risco de total descontrole que provocaria um caos de dimensões incalculáveis no Brasil. Em seus delírios demenciais Jair Messias continua na mesma: persevera na crítica ao voto impresso, nas mentiras, nas manipulações – e nas insistentes ameaças.

Não pensa em outra coisa no golpe que, entre outras vantagens, afastaria dele e de seus pimpolhos igualmente demenciais o risco de irem parar na cadeia.

O que se espera é que os que podem pôr um freio nessa sequência formidável de absurdos saiam da toca e tomem medidas concretas para que o impossível continue no campo da impossibilidade. A menos, claro, que estejam, com sua omissão, dispostos à cumplicidade com quem não esconde em nenhum momento o que pretende: um banho de sangue sobre os escombros de um país desmoronado.

09
Ago21

Janaina Paschoal diz que doação de comida na Cracolândia ajuda crime; padre Júlio Lancelotti rebate

Talis Andrade

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O padre Julio Lancellotti - Fernando Moraes/UOL
JULIO LANCELLOTTI
@pejulio
PMs intimidando agentes da pastoral de rua na Luz .
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Nossa arma sempre será a partilha e o amor . Fotos Daniel Kfouri
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Intimidação policial contra a pastoral de rua .
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Pm intimidando a pastoral de rua para não alimentar irmãos em situação de rua na Luz .
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Crise humanitária em São Paulo
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11
Jan21

PMs armados de Doria intimidam padre Julio Lancellotti junto a moradores de rua

Talis Andrade

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O Padre Julio Lancellotti denunciou neste domingo (10), nas suas redes sociais, que foi intimidado pela Polícia Militar de São Paulo em meio à uma ação de acolhimento dos moradores de rua. 

“Olhem o detalhe do armamento da Pm no momento de intimidação dos agentes da pastoral de rua , hoje na Luz’, expôs o padre, que é reconhecido pelo seu trabalho de solidariedade com moradores de rua na cidade de São Paulo

O Padre Julio Lancellotti denunciou neste domingo (10) nas suas redes sociais que foi intimidado por policiais militares

Na página paroquial, várias mensagens de solidariedade:

@CrismoreloDeixem Padre Julio Lancellotti em paz. #DeixemPadreJulioEmPaz

GldPanambi LULA
@GldPanambi
Replying to
Não são policiais; são MARGINAIS!!!
Arthur do Val é condenado pela Justiça Eleitoral após atacar padre Júlio Lancellotti | Brasil de...
Procurado pelo Brasil de Fato, Arthur do Val confirmou que se referiu ao padre como "cafetão da miséria"
Martinha 
@DfMartinha
Será que, com toda vergonha que o Brasil passa, ainda vamos ver a morte do Padre Júlio Lancellotti pelas mãos do estado? Nos calaremos de novo? #DeixemPadreJulioEmPaz
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Sardinha express 
@sardinhaexpress
fada da ilha
@FadaIlha
#DeixemPadreJulioEmPaz. O querem essa raça?
FINCØ
@FINC0
SUA SOLIDARIEDADE AO @pejulio A vida de profeta não é fácil! Agora nos chega a notícia de que, como se fosse pouco enfrentar toda sorte do mal para defender os descartados, Júlio Lancellotti⁩ é ameaçado e perseguido literalmente por agentes da PM de SP. #DeixemPadreJulioEmPaz
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08
Dez20

A hora de discutir o fim da militarização da polícia

Talis Andrade

Image

 

Sobre a reforma da polícia, o jornalista Luis Nassif afirma que, no caso do Brasil, é a desmilitarização da Polícia Militar. “Perderam o controle. O que você tem, hoje, são gangues armadas que matam sem pestanejar. E uma justiça militar que preserva essas pessoas. E um Ministro da Justiça (Sergio Moro) com excludente de licitude. Dois governadores que, quando assumiram, promoveram a violência”.

glen witzel.jpg

bolsonaro witizel doria agressor chacinas.jpeg

 

“O que está acontecendo: essa social democracia que surge, eles vão de acordo com as ondas do momento. Quando a onda era a violência de todo nível, a violência bolsonariana, todos caíam de cabeça (…) Uma lei penal que é um escárnio, que pega a rapaziada que trafica por falta de emprego e joga em presídios onde caem direto na dependência das organizações criminosas, os maiores alimentadores de organizações criminosas”.

“Toda uma indústria que se criou em torno disso, a indústria da privatização dos presídios (…) O usuário de drogas da zona sul do Rio é consumidor, e da periferia é traficante”

“Essas mortes reiteradas. Oito crianças mortas em um ano, gente. Não dá.Image

A Polícia Militar falhou, é uma instituição que fracassou”, diz Nassif. “Um dos pontos que vai separar civilização e barbárie é a postura de candidatos de partidos em torno dessa questão da polícia e desse código, dessa lei de drogas terrível que foi criada”, finaliza.Image

 

16
Jul20

A máquina de surrar e matar pobre

Talis Andrade

E porque pobres, em maioria negros e pardos

O melhor diagnóstico do que levou ao monstruoso caso da mulher que teve o pescoço demoradamente pisado por um policial militar em São Paulo foi feita pelo ex-ouvidor geral da polícia paulista, Benedito Mariano.

Ele lembrou que a “ocorrência” para a qual os PMs foram chamados era um simples caso de “perturbação do sossego” que nem crime é, mas simples contravenção penal (art. 42 da LCP) e que, nas áreas ricas, não gera outra atitude senão a abordagem e o pedido para que, como acontecia ali, de baixar o volume da música.

Tudo o que as imagens mostram, ali, porém, são armas sacadas e apontadas, pessoas jogadas ao chão e manietadas, submetida a toda a sorte de agressões.

Aliás, o “poderoso armamento” com que um dos presentes à cena filmada por câmaras de segurança era um rodo de chão, algo que não pode ser ameaçador para quem tem uma pistola na cintura.

João Doria reagiu dizendo que agressões policiais “não serão toleradas”. Reação que deveria ser gravada num disco arranhado de tantas vezes que é repetido, sem nenhuma consequência, exceto o fato de que a polícia, cada vez mais, tornou-se uma máquina de bater e e matar pobre. E porque pobres, em maioria negros e pardos.

No Fantástico, o PM disse que usou os “meios necessários”. Pisar o pescoço – e ficando num pé só, colocando todo o peso do corpo – de uma mulher de 51 anos é um meio necessário apenas para matar, como ficou evidente no caso do norte-americano George Floyd, cujo assassinato abalou os EUA e do mundo.

A polícia brasileira, sob os aplausos de uma elite que acham mesmo que “com pobre é na porrada”, tornou-se um escândalo de proporções mundiais.

Em tempo de pandemia, com as pessoas retidas em casa e impedidas de oferecer resistência, saltamos de patamar. Um levantamento de O Globo registra 1.198 mortes em decorrência de intervenções policiais em março e abril, 26% mais que as ocorridas nestes meses em 2019.

Essa é uma chaga de décadas no Brasil, que se desenvolveu com a demagogia ou a intimidação do governo e dos políticos, que ou prometiam mais polícia e mais brutalidade (mirar na cabecinha, não é?) ou se intimidavam ante o seu dever de puni-la.

Um único enfrentou – e pagou caro por fazer isso – esta vergonha. Faltam muitos, muitos Brizola para dizer que polícia não pode ser isso, mas há muitos dos que hoje se horrorizam com estas cenas que durante muito tempo se enganaram com o discurso de uma mídia que construiu, com sua cumplicidade, algo tão monstruoso.

 

 

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