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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

09
Jan22

Meninas baleadas pela polícia assassina seguem internadas e têm quadro estável; um menino de 6 anos morreu

Talis Andrade

Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos: morto por bala perdida

Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos: morto por 'bala perdida'

 

As duas meninas baleadas na última quinta-feira, dia 6, em Queimados, continuam internadas, vítimas do excludente de ilicitude. Além de Gabriela Aristides, de 13 anos, e Ludmila Teles, de 9 anos, o menino Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos, também foi atingido. Apesar do socorro, ele não resistiu e acabou morrendo.

As balas perdidas atingiram Kevin no tórax. Já Gabriela, foi atingida na perna direita, na região da coxa, e deu entrada no Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde passou por uma cirurgia de emergência. Ludmila, que também foi atingida na perna, foi encaminhada para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, onde foi operada.

Segundo moradores, não havia confronto ou operação policial na região no momento. Um grupo realizou um protesto na manhã da última sexta-feira, dia 7, pedindo justiça. Maria Claudia da Silva Medeiros, considerada avó de criação do menino Kevin, diz que os disparos foram feitos por policiais militares: 

— A gente estava no portão da minha vizinha ajudando porque ela está de mudança. Eu estava com minha filha de 3 anos, e meu filho de 8 anos. Todos estavam ajudando, pegando as coisas para colocar no caminhão. Não tinha bandido nenhum na favela. Tinha uma lona esticada porque teve um baile ontem (quinta). Viram a lona, a nossa movimentação e acharam que tinha bandido, mas eram crianças e moradores fazendo mudança.

'Ele tinha todo o direito de viver', diz avó de menino de 6 anos morto ao ser baleado em QueimadosParentes de Kevin Lucas, de 6 anos, que morreu após ter sido baleado, durante o velório

por Roberto Moreyra e Carolina Callegari /Extra

Foi enterrado na tarde desta sexta-feira o corpo de Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos. O menino morreu na tarde de ontem ao ser atingido no tórax por um tiro no Morro da Torre, no bairro Inconfidência, em Queimados, na Baixada Fluminense. Ele estava em meio a um grupo de moradores, entre adultos e crianças, ajudando na mudança de uma vizinha, quando foram feitos disparos de arma de fogo, o que também deixou feridas Ludmila Teles, de 9 anos, e Gabriela Aristides, de 13 anos. Durante o velório, Vanderleia Aparecida de Oliveira, avó de Kevin Lucas, falou sobre o luto da morte do neto:

— Ele tinha todo o direito de viver.

A mãe do menino, Ana Claudia Santos, teve uma crise na saída do caixão e teve que ser amparada por familiares. Ela gritava que queria ter o filho de volta. Pela manhã, quando esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, Ana Claudia questionava a perda da criança de 6 anos e pedia por justiça.

— Eu pago imposto para ver meu filho morto, meu filho morto. Ninguém sabe a dor que eu estou passando. Eu quero meu filho, quero justiça. Sou trabalhadora como qualquer um. Quero justiça, mais nada — disse Ana Claudia, ao "RJ TV", da TV Globo.

Moradores afirmam que os disparos foram realizados apenas por policiais que estavam na comunidade. Adultos e crianças estavam próximos de uma lona, que segundo contam, foi usada para a realização de um baile funk um dia antes. Policiais militares teriam atirado na direção do grupo.

— Não teve confronto. Não teve. Meu neto era muito querido ali. Ali tem gente trabalhadora. Muita gente pensa que morro só tem bandido. Não é. Trabalhador, inocente, criança inocente. Eles têm que pensar antes de fazer. Eles têm uma pessoa que comanda eles. Cadê o presidente que não faz nada? Agora botar a pessoa para ter arma dentro de casa ele sabe — afirmou Vanderleia.

Os tiros atingiram Kevin Lucas no tórax, Ludmila Teles, de 9 anos, na perna, e Gabriela Aristides, de 13 anos, na barriga. Os três foram levados inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Queimados. Ludmila foi encaminhada para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, onde passou por cirurgia. Já Gabriela foi transferida para o Hospital Geral de Nova Iguaçu e foi operada. Ambas estão em estado estável no início desta tarde.

Em levantamento da plataforma Fogo Cruzado, Kevin Lucas é a primeira criança morta por disparo de arma de fogo este ano.

— A gente aqui está largado, a gente aqui não tem ninguém. A gente não tem uma polícia direita, não tem uma coisa boa para dar para as crianças. Porque as crianças que estão sendo criadas lá, não é criança largada não. Eu trabalho, sou trabalhadeira, saio de casa quatro horas da manhã, chego em casa quatro horas da tarde. Ninguém está lá jogado não. A gente está lá porque não tem para onde ir — afirmou Vanderleia, que completou: — Eu não tenho mais o que chorar.

A avó do menino lembrou que prometeu a ele consertar a bicicleta, um presente ganho no ano passado, para que ele pudesse brincar. O encontro estava marcado para acontecer amanhã.

— Eu peço a Deus para Deus fazer essa justiça. Eu quero que Deus faz essa justiça e quero que os homens daqui façam essa justiça. Porque eu vejo tanta coisa acontecendo, e a gente não tem ajuda de ninguém. A Baixada está largada. Não tem uma pessoa que vem aqui e ajuda. O meu neto era uma pessoa inocente, estava só ajudando trazendo a mudança — disse Vanderleia.

Por meio de nota, a PM disse que "de acordo com policiais militares do 24º BPM (Queimados), eles estavam em patrulhamento na Estrada do Riachão, um dos acessos à comunidade da Torre, no bairro Inconfidência, em Queimados, quando foram atacados por criminosos da região. A equipe relatou que desembarcou da viatura, buscou abrigo e não efetuou disparos. Após cessarem os tiros, os agentes foram procurados por moradores dizendo que uma criança havia sido ferida na Rua Colombo". Já as outras duas vítimas teriam dado entrada na mesma unidade. A corporação ainda afirma que "está acompanhando e colaborando com as investigações da Polícia Civil, inclusive, deixando à disposição, de forma voluntária, as armas dos policiais militares que estiveram envolvidos na ocorrência".

Segundo Maria Claudia da Silva Medeiros, que era babá de Kevin Lucas, as meninas que foram feridas estavam no portão da casa e ele no quintal da casa de onde acontecia a mudança. A comunidade não dispõe de área de lazer, como parque ou quadra, o que faz com que brinquem em casa ou na rua, diz.

O pai de uma das meninas feridas falou, em entrevista ao "RJTV" nesta sexta-feira, o que aconteceu na comunidade:

— Os policiais vieram por cima, e não tinha a visão de quem estava embaixo da tenda, e os marginais ficam sempre ali sempre embaixo da tenda. Eles atiraram achando que eram os marginais. Quando eles viram que atingiram as crianças, eles se preocuparam, se desesperaram, tentaram prestar socorro da maneira deles. Só que depois eles viram que tinham feito o erro deles, vieram até pedir desculpas, mas a gente não vai aceitar a desculpa deles — disse o pai de Ludmila, Wilson.

26
Dez21

A guerra do Brasil e a naturalização da barbárie

Talis Andrade

Chacina no Salgueiro e balsas do garimpo ilegal no Rio Madeira: duas cenas recentes se somam à galeria da barbárie bolsonarista

 

Por Marco Aurélio Weissheimer / Extra Classe

Quando estamos em meio a um turbilhão de acontecimentos, é difícil ter uma percepção clara sobre as suas implicações e sobre a direção na qual ele nos coloca. O Brasil, mesmo antes do início da pandemia, já vivia um cenário dessa natureza, a partir da eleição de um governo de extrema-direita, em uma aliança sinistra entre militares, agronegócio e sistema financeiro, entre outros setores. O discurso de violência, preconceito e discriminação, emulado pelo presidente eleito, já era claro e explícito desde a campanha eleitoral. Logo, não foi surpresa para ninguém. Os aliados e cúmplices de toda a violência e violação de direitos que se seguiriam ao início deste governo jamais poderão dizer que “não sabiam”. Sabiam, sabem e seguem justificando atos diários de barbárie e violência.

Em um artigo publicado em outubro de 2018 (A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário), o antropólogo Luiz Eduardo Soares antecipou, em tom profético, o que estava por vir. Soares chama atenção para o simbolismo do gesto de dois homens brancos, os então candidatos a deputado federal Daniel Silveira e a deputado estadual Rodrigo Amorim; ao lado do candidato ao governo do Rio de Janeiro Wilson Witzel, que rasgaram uma placa de rua com o nome de Marielle Franco, vereadora do PSol assassinada na capital fluminense, morte cujos mandantes até hoje não foram identificados. Fizeram da placa, escreveu Soares, “uma lápide e da lápide partida o símbolo do esquecimento. Isso se chama profanação e promove a segunda morte de Marielle”.

marielle placa .jpg

 

O horror como método

Esse foi apenas um dos tantos sinais que indicavam o que estava por vir. Lembrando que “grande parte de nossas vidas é regida pelo que é invisível – emoções, afetos, expectativas, desejos, memórias, fantasias”, o antropólogo assinalou que, na política, não é diferente: “Por isso, não é preciso incluir no programa de governo referências a um plano de extermínio, não é preciso apresentar publicamente um programa genocida. Não é necessário exaltar a violência e o preconceito, ou incitar o ódio, explicitamente – ainda que isso tenha sido feito. O que põe em circulação a barbárie não está nos argumentos racionais da candidatura ou em suas propostas de políticas públicas. A mensagem já foi passada à sociedade. E a mensagem se resume a uma autorização. Autorização à barbárie. A morte foi convocada. A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário”.

Passados mais de três anos, os atos de barbárie são tantos no Brasil que quase já se incorporaram à nossa rotina. O “quase” não se aplica às populações que são alvo diário desses crimes (homens, jovens e meninos negros, mulheres, jovens e meninas negras em sua maioria, moradores de periferia, povos indígenas, pequenos agricultores, população LGBT, estudantes, trabalhadores…a lista é extensa). A situação é tanto mais dramática, na medida em que esse caráter diário da barbárie provocou uma certa naturalização desse cenário. A “sociedade” brasileira (expressão que vai entre aspas pois precisa ser melhor descrita) está anestesiada pela violência, o que não diminui em nada o crime da cumplicidade para com o que está ocorrendo no Brasil.

No final de novembro deste ano, mais duas imagens se somaram à galeria da barbárie bolsonarista brasileira. A “descoberta” de dez mortos em um mangue dentro do Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, que, segundo a Polícia Militar, foram mortos em um confronto durante uma “operação de estabilização”. Os corpos apresentavam sinais de tortura e de execução. Segundo o programa Fantástico, da Rede Globo, os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) dispararam mais de 1.500 tiros na “operação de estabilização”. Justificando a ação policial, o governador daquele estado, Cláudio Castro, afirmou: “Coisa boa não estavam fazendo”.

A segunda cena foi a da invasão de centenas de balsas de garimpo ilegal Rio Madeira adentro, na Floresta Amazônica. A prática de garimpo ilegal na região, inclusive dentro de terras indígenas, não é uma novidade exatamente, mas ganhou força nos últimos dois anos com o enfraquecimento da fiscalização e com os discursos e as ações de apoio a essa atividade ilegal por parte do governo Bolsonaro.  São cenas da guerra em curso no Brasil, uma guerra contra o povo brasileiro, que está sendo atacado pelo exército bolsonarista e sua aliança macabra, que reúne militares, fazendeiros, pecuaristas, garimpeiros, banqueiros, parlamentares, prefeitos e governadores cúmplices dessa barbárie.

dragas para o garimpo ilegal. quem financia?.jpeg

 

29
Nov21

1.514 tiros no Salgueiro, a morte em rajadas de balas

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

A simples contagem, feita por eles próprios, dos disparos feito pelos policiais militares – 1.514! – , apresentada ontem pelo Fantástico, mostra que não foi um mero confronto o que aconteceu na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Não foram tiros, foram rajadas.

Não foi reação, foi massacre, porque se tiverem sido disparados 10% desta quantidade de projéteis por criminosos entrincheirados no mangue, como se alega, é impossível que nenhum policial tenha sofrido sequer um tiro de raspão.

Nem se fale do festim que teria antecedido a incursão, uma macabra antecipação do que ocorreria a seguir.

E também não de “grupo de policiais”: a quantidades, os postos e a reação oficial da PM mostram que foi a instituição que, por meio de seus integrantes, quem produziu a chacina.

Aos mortos, couberam cota de cinco a nove tiros, muitos na nuca, muitos no braço, ferimento típico de vitimas que instintivamente tentam se proteger de um disparo de execução.

Delta Force, eles se denominam, transformados em cães de guerra de um combate que só alimenta o seu poder.

Se alguém puder apontar um ganho sequer na segurança pública derivado desta estratégia de fuzilaria, que o faça.

Se for para agir com esta “contabilidade”, melhor trocar a polícia por carros blindados com metralhadoras ou helicópteros artilhados, se é simplesmente um extermínio.

E assumamos que queremos ser um país selvagem, sem leis e onde decidir entre a vida e a morte de alguém seja tarefa de um cabo e um soldado, fuzilamento incluído.

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28
Nov21

"O Rio não aguenta mais chacinas"

Talis Andrade

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Governador do Rio debocha de mortos na chacina do Salgueiro: ‘Coisa boa não estavam fazendo’


O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, debochou dos mortos na chacina do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, durante operação da Polícia Militar no último final de semana. Ele comentou:

Gente, aqui ninguém é criança. Ninguém vai camuflado para o mangue trocar tiro com a polícia de airsfoft... Se foi completamente vestido camuflado trocar tiro com a polícia no mangue, certamente coisa boa não estava fazendo”.

 

26
Nov21

Depois de cinco dias de silêncio, governador do Rio fala sobre mortos na chacina do Salgueiro: "coisa boa não estavam fazendo"

Talis Andrade

chacina arminha bolsonaro.jpeg

 

 

247 - O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que os nove mortos em uma chacina durante uma ação da polícia no  Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), no último domingo (21), durante uma ação policial não deveriam estar fazendo "coisa boa".

"Gente, aqui ninguém é criança. Ninguém vai camuflado pro mangue trocar tiro com a polícia de airsoft. Se foi completamente vestido camuflado trocar com tiro com a polícia no mangue, certamente coisa boa não estava fazendo", disse Castro nesta quinta-feira (25), durante uma visita à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de acordo com o UOL

De acordo com a CCN Brasil, os laudos da perícia fluminense  destacam  que seis das nove vítimas utilizavam  roupas camufladas, que seriam usadas como uma espécie de "uniforme" pelas facções do tráfico de drogas no Rio, quando foram mortas em um manguezal. 

Questionado pelos repórteres sobre os altos números de mortes em ações policiais no estado, como no caso do Jacarezinho, que deixou 28 mortos, Castro negou haver uma recorrência de óbitos neste tipo de operação. "Eu não creio que isso seja uma recorrência. A [ação] da Polícia Civil no Jacarezinho foi o cumprimento de mandado judicial e agora foi uma operação da Polícia Militar. Como eu digo, a gente apoia sempre as polícias, mas não apoia, por óbvio, os erros”, disse o governador. 

Ainda segundo ele, a chacina do Complexo do Salgueiro está sendo investigada pela Polícia Civil e que os PMs envolvidos na operação serão punidos caso sejam constatados erros cometidos por eles. "Eu duvido que uma instituição puna tanto os seus quanto as polícias do Rio de Janeiro. A polícia tem punido exemplarmente os seus que fazem o mal, mas o nosso papel aqui é de apoiar a instituição Polícia Civil, a instituição Polícia Militar, a instituição Corpo de Bombeiros", ressaltou.

 
 

 

24
Nov21

Chacina do Salgueiro RJ: "Pegaram eles vivos, mataram na facada. Todos estão sem a parte genital, fora quem está sem olho, sem perna, sem braço”

Talis Andrade

 

 

 

Por Eliane Santos, g1 Rio

Segundo moradores, as mortes que aconteceram dentro da comunidade e os corpos que foram deixados em uma região de mangue seriam uma retaliação da polícia à morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva . Eles contam que policiais pegaram pessoas que estavam na rua - muitos sem envolvimento com o crime -, torturavam e matavam.Leandro Rumbelsperger: ele morreu durante ação no Salgueiro — Foto: Reprodução/ TV Globo

Leandro Rumbelsperger: ele morreu durante ação no Salgueiro — Foto: Reprodução/ TV Globo

 
A situação lá era de cenário de terror. Tem gente que não tem como reconhecer, porque está com o rosto todo desfigurado por faca. Como alguém pode dizer que essa pessoa foi morta em trocando tiro, se está com o rosto todo desfigurado? ”, questionou o parente de um dos mortos, que disse ainda que recebeu orientação no IML de fazer o reconhecimento de seu familiar do tórax para baixo devido às más condições do rosto.
Veja quem são os nove mortos do Salgueiro

1.Kauã Brenner Gonçalves Miranda – 17 anos

Menor de idade e sem passagens pela polícia, Kauã era o mais velho de cinco irmãos e, segundo a família, estava com amigos quando foi pego. A polícia, no entanto, afirma que ele estava com roupa camuflada, o que indicaria que ele fazia parte da facção criminosa que age no local.

 

A mãe de Kauã, Amanda Gonçalves, prestou depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, e afirmou que o filho teve um dedo da mão cortado.

Ele foi sepultado na tarde da terça-feira (23), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

2. Rafael Menezes Alves – 28 anos

Rafael Menezes — Foto: Reprodução

Rafael Menezes 

Rafael não tinha anotação criminal, mas seu nome constava em um registro de ocorrência relacionado aos crimes de tráfico de drogas e associação em concurso com corrupção de menores.

A irmã de Rafael, Milena Menezes, também denunciou sinais de tortura no corpo do irmão. Segundo ela, além de marcas de tiro no tórax e na perna, ele tinha uma perfuração por faca no glúteo.

Já sabiam que iriam matar, então por que fazer isso? Por que torturar? Parece que estão matando bicho, matando rato. Meu irmão não fazia mal para ninguém. Fizeram muita maldade com ele. Tem adolescente aí que tiveram os dedos arrancados. Para que fazer isso?", disse Milena.

Ela contou ainda Rafael trabalhava como ajudante de pedreiro e estava na rua bebendo com os amigos quando teria sido pego pelos policiais.

3. Carlos Eduardo Curado De Almeida – 31 anos

Carlos Eduardo — Foto: ReproduçãoCarlos Eduardo 

Carlos possuía três anotações criminais: tráfico de drogas e condutas afins, receptação, falsa Identidade; além de seis registros de ocorrência como autor de crimes de desobediência, desacato, ameaça, falsa identidade, receptação e tráfico de drogas.

Era casado e deixa três filhos. Carlos foi sepultado na tarde da terça-feira (23), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

4. Jhonata Klando Pacheco Sodré – 28 anos

Jhonata — Foto: Reprodução

Jhonata 

Nascido e criado no Pará, Jhonata aparece em processos naquele estado por roubo majorado, tráfico de drogas e condutas afins. Ao jornal Extra, a esposa de Jhonata disse que o marido, com quem era casada há 9 anos, foi retirado de dentro de casa.

Ela também denunciou sinais de tortura no corpo do companheiro.

"Pegaram eles vivos, mataram na facada. Todos estão sem a parte genital, fora quem está sem olho, sem perna, sem braço”, disse a esposa de Jhonatha, que não quis se identificar.

5. Élio Da Silva Araújo – 52 anos

Elio — Foto: Reprodução

Elio 

Possui uma anotação de 2013, já arquivada, por esbulho possessório, que é quando alguém toma um bem de outrem de forma injusta, seja de forma clandestina ou irregular, mas sem o uso de força. Trabalhava como eletricista e morava no Salgueiro há 10 anos.

A irmã de Élio, Cleonice da Silva Araújo, contou ao jornal “Extra” que o irmão foi degolado.

“Se fosse um tiro, eu até aceitava. Mas eles degolaram o meu irmão. Infelizmente, a justiça funciona assim. Ele morava aqui há 10 anos. Enquanto continuarem assim, muitas vítimas serão mortas desse jeito”, disse.

6. Ítalo George Barbosa de Souza Gouvêa Rossi – 33 anos

Ítalo — Foto: Reprodução

Ítalo 

Ítalo, também conhecido como Sombra, possuía seis anotações criminais: porte ilegal de arma, homicídio qualificado (2), tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção ativa e sete registros de ocorrência.

Ele foi sepultado na tarde da terça-feira (23), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

7.David Wilson Oliveira Antunes – 23 anos

David Wilson — Foto: Reprodução

David Wilson 

 

Sem passagens ou anotações criminais, também estava entre os mortos do Complexo do Salgueiro.Ele foi sepultado na tarde da terça-feira (23), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

8. Douglas Vinícius Medeiros De Souza – 27 anos

Douglas — Foto: Reprodução

Douglas 

Também não possuía anotações criminais ou passagens pela polícia. Foi o primeiro a ser sepultado na terça-feira (23), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo.

9. Igor da Costa Coutinho – 24 anos

Igor — Foto: Reprodução

Igor 

 

Sem anotações criminais ou passagens pela polícia, mas apontado pela Polícia Militar como suspeito de ter matado o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva. Segundo a PM, Igor teria sido ferido em um confronto no domingo (21), socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital. Seu corpo não estava no mangue.

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24
Nov21

Laudos revelam moradores foram mortos por tiros de fuzil na cabeça e no tórax

Talis Andrade

      Rio de Janeiro, zona de guerra, e pobreza de um povo vítima da peste, da pobreza, da fome e morte matada         

 

por Rafael Nascimento de Souza /Extra            

A Polícia Civil informou na manhã desta quarta-feira que a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí (DHNSGI) recebeu os laudos de necrópsia dos nove mortos na operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo do Salgueiro, no último domingo. Segundo a instituição, “os resultados dos laudos apontam que as mortes foram provocadas por projéteis de arma de fogo (PAFs), sem indícios de facadas ou outro tipo de arma com ação cortante ou perfurocortante”, destacou o comunicado.

Crimes anterioresComplexo do Salgueiro foi palco de outras mortes em série durante operações policiais em São Gonçalo

Ainda de acordo com a Civil, projeteis foram encontrados nos corpos de três das vítimas. Os objetos foram arrecadados e passarão por confronto balístico. A Polícia Civil informou ainda que “as armas dos policiais militares que participaram da ação e a lista dos nomes dos agentes devem ser entregues ainda nesta quarta-feira".

 

Moradores do Salgueiro denunciam que PMs invadiram casas e fizeram churrasco

Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, denunciam que durante a operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na localidade das Palmeiras, no último fim de semana, policiais militares invadiram casas, agrediram moradores e até usaram um espaço de festas como bunker – entre sábado e domingo – para fazer churrasco e consumir bebidas alcoólicas. A operação terminou com nove suspeitos mortos e ficou marcada pela cena de moradores retirando corpos de um mangue da comunidade. Após as denúncias das supostas invasões, moradores temem possíveis represálias dos agentes que teriam entrado no local e permanecido lá por quase 24 horas.

Morador denuncia ação no Salgueiro'Resgatamos os corpos e não achamos nenhuma arma. Fizeram uma chacina'

A informação das invasões das casas foi divulgada nesta quarta-feira pela “Folha de São Paulo” e confirmada pelo O GLOBO. A associação de moradores do Complexo do Salgueiro confirmou o suposto fato e afirmou que a “invasão dos PMs foi uma arbitrariedade e um abuso de autoridade". Jaqueline da Silva, presidente da associação de moradores do Salgueiro, disse que o local supostamente arrombado pelos militares é um espaço de festas da comunidade. Ela critica a atuação dos PMs.

Operação no Salgueiro: Polícia Civil quer saber quem são os PMs que estavam na ação que matou ao menos nove pessoas

– Os moradores contaram que eles passaram o dia lá. Ali é um espaço de festas particular. As pessoas alugam para festas. Eles entraram, beberam e comeram o que tinha lá dentro. Inclusive, teriam feito churrasco e consumiram a bebida alcoólica do local – conta a presidente da associação, que destaca:

– Com medo o dono não registrou o boletim de ocorrência. Infelizmente, aquilo foi um abuso de autoridade e não pode ficar assim.

Procurada, a Polícia Civil afirmou que nenhum morador registrou boletim de ocorrência e que “se de o fato aconteceu, caberá a Corregedoria da PM investigá-lo”. A Civil destacou que esse é um crime militar. A Polícia Militar informou que “até o momento não recebeu nenhum registro formal sobre o fato”. É um estado sem lei, zona de guerra, e massacres de um povo miserável. 

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24
Nov21

Chacina do Salgueiro: PMs queimaram roupas e tomaram álcool em clube durante ação

Talis Andrade

Clube vandalizado pela PM miliciana

A denúncia é da OAB-RJ

 

por Adriana Cruz /Metrópoles

 

Comissão de Direito Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, denunciam que policiais militares usaram clube na região para fazer churrasco e tomar cerveja, além de queimar roupas, no domingo (20/11).

Dez moradores foram executados pela PM assassina em uma ação [truculenta, de sequestros e tortura] que durou todo o fim de semana. Laudos apontam mortes por tiros.

O clube com piscina fica a 500 metros do manguezal onde, na segunda-feira (21/11), moradores encontraram oito corpos. “Os populares foram unânimes em dizer que viram homens armados da PM naquele clube no domingo. Observamos latas de cervejas largadas, restos de churrascos e pichações”, afirmou Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos.Nome de miliciano Tandera é pichado em clube no Complexo do SalgueiroPMs teriam consumido cervejas e feito pichações de miliciano

Segundo Rodrigo Mondego, que filmou o local, os agentes ainda queimaram roupas. Nas paredes, foram feitas pichações em alusão à milícia comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em ação policial em junho, e do miliciano Danilo Dias Lima, o Tandera.
 
Para o presidente da Associação de Moradores da Palmeira, Alex Rodrigues, é preciso que sejam tomadas providências. “Não houve perícia no local”, declarou Rodrigues. 
 
A PM usou armamento pesado e dois drones na chacina. 
23
Nov21

Guerra sem regras, sem fim e sem vitória (vídeo)

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

Há mais de meio século glorificam-se as ações policiais de vingança contra bandidos.

A morte do detetive Milton Le Coq que levou a execução do seu suposto assassino, Manoel Moreira, o “Cara de Cavalo”, alvejado por mais de 100 tiros de revolveres, metralhadoras e espingardas, teve, afinal, a mesma mecânica que o fuzilamento de oito anônimos na comunidade de Salgueiro, num mangue às margens da Baía da Guanabara, em São Gonçalo.

De outubro de 1964 até ontem, passaram-se quase 60 anos e a fuzilaria de então à de domingo, manteve-se a brutal inutilidade deste tipo de ação.

Apenas podemos mudar o nome do que se criou então – o “Esquadrão da Morte” – para o se se tem hoje: os “Batalhões da Morte”.

Repete-se, no mais, o que vimos em Vigário Geral, em Manguinhos, e em tantos outros aos quais se acrescenta agora o Salgueiro: mata-se um policial, morrem cinco, oito, 15, 20 outros.

Quem eram, pouco importa, se eram diretamente culpados, muito menos. São pobres, são pardos, são pretos, é o que basta para serem mais que suspeitos, serem condenados à pena de morte.

Não foi ao pelotão de fuzilamento que se condenou o músico Evaldo Rosa, pelo fato de ser negro e ter um carro da mesma cor de outro que teria sido roubado?

As milícias estão por aí, as quadrilhas de traficantes também seguirão, como os milicianos, imperando nas comunidades pobres.

E, alimentados pela mídia “mundo cão”, seguirão sendo aos milhares os que gritam: “é isso mesmo, tem de sentar o dedo”.

A classe média acha bonito o Black Lives Matter, mas não se traduzido em português.

A marcha genocida da PM do Rio de Janeiro

 
 

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