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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Nov21

O prazer do mal em Bolsonaro, por Jorge Coli

Talis Andrade

 

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por Fernando Brito

Na Ilustríssima da Folha de hoje, o professor de história da arte Jorge Coli, da Unicamp, publica um artigo – cujo final transcrevo – de rara (in)felicidade ao descrever a sociopatia de Jari Bolsonaro,

Como muitos, ele percebe o traço essencial do comportamento de Jair Bolsonaro que vai além das suas próprias ambições de poder absoluto e eterno e dos interesses econômicos que protege: há nele a pulsão do ódio, não raro presente nos incapazes ou medíocres que, à incapacidade de agregar e construir, suprem-na no impulso de dividir e destruir.

Vem daí, talvez, a sua compulsão em tratar-se como enviado de Deus e agente da Providência. Que capuz melhor para o mal, invocar-se o arcanjo da justiça e poder, em nome dela, manejar seu alfange?

Bolsonaro tem prazer com morte e destruição (trecho)

Jorge Coli, na Folha

A grande realização bolsonarista é a arma de fogo. Há um evidente orgulho e volúpia nessa afirmação da realidade armada. Prazer com aquilo que mata e destrói. A natureza de Bolsonaro é feita de fúrias assoladoras, que goza com a terra arrasada. Literalmente: veja-se a destruição da Amazônia.

Bolsonaro foi eleito por uma pulsão destruidora: o ódio. Energizou seus abomináveis instintos com as piores vibrações coletivas. Foge da racionalidade, da reflexão serena. Tem a mesma natureza, embora numa escala maior, das multidões atingidas pela febre do linchamento.

Para além dos interesses próprios ao agronegócio, ele vibra com o processo de extermínio das florestas e das populações indígenas. A guerra deve trazer vertigens lascivas assim: disfarça o prazer do combate, a fúria da destruição, em heroísmo e glória.

A morte de 600 mil brasileiros por Covid-19 seriam baixas de uma guerra. Essa visão não passa de um álibi, como perdas inevitáveis, o que permite a Bolsonaro excluir toda a culpa. E continuar com seus: Abaixo as máscaras! Aglomerem-se! Viva a cloroquina! E morram, cada vez mais.

Bolsonaro nega a ciência e tem ódio ao conhecimento. O mal se compraz nas suas certezas. Saber mais significa duvidar, interrogar, coisas nada agradáveis, antes de afirmar. Retirar cerca de 90% das verbas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, acabar com a ciência no Brasil, ao contrário, que intensa volúpia!

O mal é mesquinho e, mesmo, muito mesquinho. Bolsonaro não tem escrúpulos diante da catástrofe humanitária de grandes proporções ou diante do sofrimento individual. Adora as indignidades, maiores ou menores, como negar a distribuição de absorvente feminino a quem não tem recursos.

“Eu sou o espírito que sempre nega.” Assim se apresenta Mefistófeles, o demônio, a encarnação do mal absoluto, no “Fausto”, de Goethe. Execra o sim, o positivo, o que constrói.

Bolsonaro deixará terra arrasada no fim de seu governo. Pobre de quem o suceder. Pobre Brasil. Pobres de nós.

O artigo, na íntegra, está aqui.

24
Out21

A cada 20 minutos, uma menina estuprada

Talis Andrade

 

 

Criança-de-comuniddae-não-gosta-de-helicopetro

Manuela D'Ávila na mídia

 
Manuela
@ManuelaDavila
Mais um triste dado levantado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Unicef: jovens negros representam 80% das vítimas de mortes violentas de crianças e adolescentes no Brasil nos últimos 5 anos. Até quando?

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É preciso proteger nossas meninas. Em estudo inédito divulgado pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 20 minutos, uma menina foi estuprada no Brasil no período entre 2017 e 2020. De todos os casos analisados, 86% foram praticados por conhecidos das vítimas, como pais, padrastos, vizinhos e tios. O estudo traz ainda orientações para frear o índice de violência contra as crianças. Entre elas, a capacitação de profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, além da educação, de acordo com cada idade, sobre o que é violência sexual e como identificar casos de abuso. Somente com acesso a informação nossas crianças poderão compreender os diversos tipos de violência e assim pedir ajuda.Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER POUPARIA R$ 214 BILHÕES EM 10 ANOS, DIZ FIEMG Fonte: Universa UOL FEMI NISMO"

Segundo a pesquisa Impactos Econômicos da Violência contra a mulher, feita pela Fiemg, seriam poupados em 10 anos mais de R$ 214 bilhões do PIB brasileiro se houvesse o combate a este problema. Os cálculos levam em conta o fechamento dos postos de trabalho resultantes da violência contra a mulher, que impacta na queda da renda, na redução do consumo, no faturamento das empresas e também na arrecadação de impostos. Violência é sempre ruim para todos.Ato em embaixada do Brasil em Paris usa absorventes para atacar Bolsonaro - Coletivo Alerta França Brasil/MD18 Ubuntu AudiovisualRelatores da ONU cobraram Bolsonaro sobre veto na distribuição gratuita de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Nosso país precisa garantir dignidade menstrual para quem menstrua. Seguiremos na luta para derrubar esse veto!

Nojento! Acusado de cometer crimes contra humanidade, Bolsonaro segue com seu projeto de morte, espalhando a absurda fake news de que quem está tomando as 2 doses da vacina está adquirindo HIV/AIDS.

zumbi suástica.gifSabem o cartaz com suástica que levaram na Câmara dos Vereadores no dia dos ataques racistas e fascistas? Conforme a delegada da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, a mulher que levou alegou que recebeu um "chamado divino" para confeccioná-lo. Como pode isso, gente??!Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé e interioresEu quero voltar a esse episódio para falar sobre como funcionam as redes de ódio da extrema direita. Hoje cedo, li no jornal que dois dos homens envolvidos na violenta manifestação da extrema direita são militantes do movimento cristão conservador do PTB. Não acho uma casualidade que esse seja o Partido de Roberto Jefferson, que numa manifestação recente sugeriu que invadissem plenários e atirassem em parlamentares de oposição. Aliás, essa manifestação foi o que me fez procurar o MP e denunciá-lo e que agora faz com que o supremo o investigue novamente. Muitas vezes ouvimos que esses discursos não causam nada. Sabemos que isso não é verdade. Não causam nada apenas para quem não os enfrenta. Inflamados por esses discursos e por Fake News, “lobos solitários” se movimentam e agem. O discurso falso gera um ódio verdadeiro. Foi isso que vimos na Câmara de vereadores dessa semana. Por isso, a importância de identificar e punir quem produz e distribui os conteúdos falsos e de ódio. Eles são a raiz. Mais um abraço cheio de carinho pras minhas camaradas Daiana e Bruna.

📷 Lucas Leffa

 

 
23
Out21

As muitas faces do perverso

Talis Andrade

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Imagem: Thgusstavo Santana
 

 

A indiferença com as mulheres pobres supera a maldade crua

 

por Sandra Bitencourt

Violências, descasos, explorações e descarte de corpos subalternos, especialmente de mulheres, não costumam render manchetes. É longa a história de como a brutalidade, a miséria, o comércio e a necessidade de acumulação vão habitar e controlar o corpo feminino. Também é persistente a ausência de cobertura jornalística e combate a essa cultura de exploração, controle e consumo sobre a existência das mulheres. Não por acaso, os meios midiáticos contribuem para essa prática na medida em que criam e disseminam padrões, naturalizam objetificações e abdicam do aprofundamento de questões vitais. Jornalismo e publicidade colaboram na submissão do corpo da mulher à lógica do consumo, da medicina e da correção social.

Tal postura faz parte do controle da vida psicossocial das mulheres, para que se conformem à identidade desejável e, nesse sentido, são acionados certos procedimentos que determinam o que pode e o que não pode ser dito. Mas às vezes a perversidade supera o indizível. Foi o caso do aparecimento do tema pobreza menstrual e da maldade crua de um governo perverso. A pobreza menstrual ganhou o debate público. A perversidade colocou a menstruação nas manchetesSerá que é uma pauta que veio para ficar ao lado de outras problemáticas que desafiam papeis e utilidades?

Nos reinos bárbaros da Europa e na alta Idade média, os senhores podiam emprestar esposa ou filhas. A prostituição ocasional em períodos de guerra e fome e como destino das aprendizes de artesãos e comerciantes era regra. Na Alta Idade, tavernas e albergues se confundiam com prostíbulos. Mulheres da Grécia e Oriente Médio eram traficadas como escravas pelos mercados de Arles e Avignon e vendidas em bordeis, inclusive bordeis públicos, bordeis associados à Igreja, bordeis municipais que mantinham rotinas degradantes, persistindo esse comércio por toda a Idade Média (Flores, 2019).

O livro Calibã e a bruxa, de Sílvia Federici  faz uma minuciosa análise histórica mostrando que a discriminação contra as mulheres na sociedade capitalista não é o legado de um mundo pré-moderno, mas sim uma formação do capitalismo, construída sobre diferenças sexuais existentes e reconstruídas para novas funções sociais. Nesse percurso, a autora visita a caça às bruxas dos séculos XVI e XVII, a ascensão da família nuclear, a apropriação estatal da capacidade reprodutiva das mulheres e o processo pelo qual o corpo proletário foi transformado em uma máquina de trabalho. A autora chega ao século XXI, passados 500 anos de exploração capitalista, observando que a globalização ainda é movida pelo estado de guerra permanente, pela destruição de nossa riqueza comum e pelo alto preço que cabe às mulheres pagar, com aumento de violência de gênero e o peso do empobrecimento e de várias formas de despossessão.

Federeci defende que o corpo é para as mulheres o que a fábrica é para os trabalhadores assalariados: o principal terreno de sua exploração e resistência, “na mesma medida em que o corpo feminino foi apropriado pelo Estado e pelos Homens, forçado a funcionar como um meio de reprodução e acumulação de trabalho”. Isso explica a importância que o corpo feminino adquiriu em todos os seus aspectos- maternidade, parto, sexualidade-tornando mais complexa a ideia de um corpo apenas na esfera do privado, mas reconhecendo que existe uma política do corpo. Conforme as crises econômicas e demográficas haverá um disciplinamento das mulheres, a partir de elementos da sua própria feminilidade, com criação de preconceitos, tabus e proibições. Nessa lógica se inscreve todo o tabu que cerca o período menstrual e o reconhecimento da indigência de tantas mulheres para conquistar o mínimo de dignidade diante dos seus ciclos naturais.

Garantir políticas de amparo e saúde, de acesso à higiene e de autonomia não se trata meramente de dar condições para que trabalhem ou estudem, mas sim de dignidade, respeito e reconhecimento. Essas complexidades não serão encontradas em matérias jornalísticas como regra. Ainda assim, ter esse tema candente no debate público e ter repulsa à negação de uma política pública essencial à equidade e dignidade das mulheres mais vulneráveis é um avanço.

Em agosto deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4968/2019, da deputada Marília Arraes (PT-PE), que prevê a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda, mulheres em situação de vulnerabilidade e detidas. O projeto em si não ganhou tanta repercussão, mas o veto da Presidência da República gerou revolta e estarrecimento.

A decisão ganhou espaço e cobertura incluindo o aprendizado do conceito “pobreza menstrual” que segundo a Unicef  é a situação vivenciada por meninas e mulheres devido à falta de acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento para que tenham plena capacidade de cuidar da sua menstruação e que  pelos dados da ONU , no Brasil, atinge 25% das meninas entre 12 e 19 anos. A atitude do Presidente incendiou as redes sociais e ganhou os noticiários. Uma busca no Google, na categoria Notícias, cruzando as palavras menstruação, Bolsonaro e absorventes, encontrou 3350 resultados. Como mero exercício de observação, foi pesquisado um dos veículos de referência no país, o jornal Folha de São Paulo. O termo menstruação encontrou 1436 resultados de 1994 para cá, sendo que em setembro e uma parte de outubro foram nove matérias (ou colunas de opinião). Já o termo pobreza menstrual encontrou 16 menções. A primeira matéria sobre acesso a absorventes é de 17 de março deste ano, mostrando que o assunto começava a ganhar interesse. Uma das reportagens no Painel do Leitor desafia as leitoras a contar sua história de pobreza menstrual: “você já sofreu com a falta de absorventes? O que fez? Conte a sua história”.

Nos comentários, um homem escreveu algo um tanto óbvio: “quem sofre com esse problema não tem acesso ao jornal”. Uma das ênfases do jornal foi retratar a reação de celebridades ao veto, reproduzindo postagens de famosas em suas redes sociais. As matérias apresentaram dados, mostraram iniciativas de organizações e ativistas que distribuem absorventes, mas não ouviram mulheres e meninas privadas do recurso básico. Muito menos outras vozes populares que padecem de várias carências e que têm as próprias percepções das dificuldades em lidar com ciclos do corpo feminino. Mas o jornalismo enfrentou o tema. Bem diferente dos meios de comunicação institucionais do Governo Federal.

No site do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos não há nenhuma notícia contendo o termo pobreza menstrual. Há 73 resultados da busca, mas todos são documentos e recomendações em formato PDF. Desses documentos, o mais recente é de 12 de janeiro de 2021, uma recomendação do Conselho Nacional de Direitos Humanos que  se dirige ao presidente e ao Congresso sugerindo a criação de política nacional de superação da pobreza menstrual. O plenário do CNDH aprovou a recomendação justificando que a pobreza menstrual afeta milhares de meninas e mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade social no Brasil, como presidiárias e mulheres em situação de rua, por exemplo, e se caracteriza pela falta de acesso a produtos higiênicos adequados durante o período menstrual. O documento refere que em 2014, no Dia Internacional de Luta das Mulheres, a Organização das Nações Unidas – ONU reconheceu que o direito das mulheres à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos.

Naqeule ato aprovado, o CNDH recomenda aos chefes dos poderes Executivo e Legislativo a criação de uma política nacional de superação da pobreza menstrual, para garantir que itens como absorventes femininos, tampões íntimos e coletores estejam disponíveis para todas as mulheres e meninas, privilegiando itens que tenham menor impacto ambiental. A Recomendação nº 21, de 11 de dezembro de 2020, apreciada pelo colegiado durante a 14º Reunião Extraordinária, recomendou, ainda, a aprovação do Projeto de Lei n.º 4.968/19, que propõe fornecimento de absorventes higiênicos nas escolas públicas e do Projeto de Lei 3.085/19, que prevê isenção de imposto para os absorventes femininos.

No site da EBC a busca pelos termo pobreza menstrual não encontrou nenhuma referência. Já no site da Agência Brasil, foram seis resultados, sendo que nenhum refere ao veto do Presidente, um menciona a aprovação na Câmara da oferta gratuita de absorventes e os demais registram iniciativas regionais de distribuição de absorventes para estudantes.

 Como destaca a Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadoras com Visão de Gênero e Raça, filiada à Red Internacional de Periodistas conVisión de Género, no Brasil, não existe legislação ou política voltada para a comunicação da perspectiva de gênero na mídia. O surgimento de uma imprensa feminista no país ocorreu no final da década de 1970 – o Jornal Brasil Mulher.O surgimento da imprensa feminista abriu espaço para o despertar das ideias feministas durante o fim da ditadura militar abordando a luta pela anistia, demandas por creches, por liberdades democráticas e questões relacionadas à violência doméstica, condições de trabalho das mulheres, direitos reprodutivos, aborto e sexualidade.

De lá para cá, a diretriz de gênero e perspectiva feminista vêm avançando, sobretudo em iniciativas alternativas (como por exemplo o Instituto AzMina, que atua na área de jornalismo, tecnologia e informação contra o machismo), fora da mídia corporativa, com iniciativas de  advocacia junto ao governo federal para a formulação de políticas públicas voltadas à comunicação e gênero. Não é dispensável sublinhar que as tentativas de avanço ocorrem em um ambiente absolutamente hostil no país para o jornalismo e especialmente para as mulheres jornalistas. Segundo dados da  Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), em 2019, explodiram os ataques à imprensa, devido à atuação frequente e sistemática do presidente do país. Foram registrados 208 casos de violência, sendo 114 de descrédito da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais – um aumento de 54,07% em relação a 2018, quando ocorreram 135 casos.Nesse contexto, o presidente do Brasil acumula, sozinho, 121 casos, o que corresponde a 58,17% do total, sendo responsável por 114 descrédito da imprensa, por meio de agressões a veículos e profissionais, além de sete casos de agressões verbais e diretas ameaças a jornalistas.No que se refere à violência de gênero, segundo o relatório, 26% das vítimas de violência no exercício profissional são mulheres.

Esse é o mesmo Presidente que patrocina a indiferença ao drama da pobreza menstrual. Simbolicamente, ciclos passam, sangramentos desparecem e a vida se reproduz fora da barbárie, mas o primeiro mandatário da nação continua na sua guerra contra tudo e todos que estão fora do seu controle, resistentes assediados em nome da civilização, da democracia e dos direitos da Constituição que ele faz sangrar todos os dias.

Referências


FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução: coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.

FLORES, Moacyr. História social da Idade Média. Editora Pradense. Porto Alegre, 2019.

13
Out21

Bolsonaro "aborrecido" com perguntas sobre mortes por covid

Talis Andrade

 

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O Brasil na imprensa alemã 

Die Tageszeitung (taz) – Queixa climática contra Bolsonaro (13/10)

O que a humanidade está fazendo com o planeta é uma "guerra suicida contra a natureza", disse Inger Andersen, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente na cúpula de biodiversidade realizada nesta semana em Kunming, na China.

Mas a nova ONG Allrise, da Áustria, não quer se contentar com a referência à humanidade como um todo. Ela quer responsabilizar aqueles que, em sua visão, têm pessoalmente responsabilidade. Num primeiro passo nesse sentido, os ambientalistas denunciaram o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao Tribunal Penal Internacional. A grave acusação: crimes contra a humanidade. Assim, a destruição do meio ambiente estaria no mesmo patamar de crimes de guerra e genocídios.

Concretamente, trata-se da destruição da Floresta Amazônica, pois as taxas de desmatamento dispararam desde a posse de Bolsonaro.

"A destruição da Amazônia afeta todos nós – a população e especialmente os grupos indígenas que vivem lá, mas também as pessoas em todo o mundo por meio das mudanças climáticas", disse Johannes Wesemann, fundador da Allrise. [...] "Nossa expectativa é que as emissões por CO2 provocadas pelo desmatamento continuem a subir enquanto Bolsonaro for presidente."

"Querermos estabelecer um precedente", diz Weseman. "Há mais Bolsonaros, há mais Amazônias. Temos muito o que fazer."

Süddeutsche Zeitung – Problema de meninas (13/10)Pobreza menstrual, um problema de política pública | Veja Saúde

O presidente de direita Jair Bolsonaro vetou um projeto de lei que previa, entre outras coisas, a distribuição de absorventes gratuitos em escolas públicas. A iniciativa deveria ajudar a combater a chamada pobreza menstrual: somente no Brasil, há mais de 4 milhões de meninas que não têm dinheiro para produtos de higiene ou acesso a banheiros ou água corrente, de acordo com a ONU.

Segundo Bolsonaro, absorventes não estão na lista de produtos essenciais e não estaria claro de onde o dinheiro para os produtos de higiene deveria vir. A ministra evangélica da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, foi além e disse que, por causa da pandemia de covid-19, os cofres estavam tão vazios que seria preciso decidir: "A prioridade é a vacina ou é o absorvente?"

Agora o Congresso tem 30 dias para reconhecer ou derrubar o veto do presidente. Bolsonaro acredita que, com os absorventes gratuitos, a oposição queira sobretudo conquistar votos. Ele já anunciou o que vai fazer, se a lei ainda passar: "Vou tirar dinheiro da saúde e da educação. Tem que tirar de algum lugar." Especialistas, ativistas, políticos e famosos consideram isso uma besteira. O dinheiro está disponível, o que falta é vontade.

Spiegel Online – Bolsonaro "aborrecido" com perguntas sobre mortes por covid (12/10)

Ele não quer se aborrecer com perguntas sobre mortes ligadas à covid-19 no país: foi o que disse o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, numa aparição pública no Guarujá, no estado de São Paulo, na segunda-feira (11/10). Há poucos dias foi oficializado que mais de 600 mil pessoas morreram em consequência do coronavírus no Brasil.

"Em qual país não morreu gente? Responda", disse Bolsonaro em resposta à pergunta de um repórter sobre as mortes por covid-19. "Não vim aqui para me aborrecer."

O populista de direita minimizou o coronavírus desde o início e rejeita medidas de proteção e restrições. Ele também coloca em dúvida o sentido das vacinas e ressaltou mais de uma vez que ele mesmo ainda não foi vacinado. Em julho do ano passado, ele se infectou com o vírus.

Está em andamento uma comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da pandemia por seu governo. No início de outubro, houve manifestações contra o presidente em várias cidades brasileiras. Os participantes exigiam o impeachment dele, mais vacinas e empregos.

Welt am Sonntag – Luta pela floresta (10/10)

No momento, está em jogo o julgamento do Supremo Tribunal Federal para decidir: a quem pertence de fato a Floresta Amazônica? Aos povos indígenas que viveram e, em alguns casos, ainda vivem lá, ou às gerações sucessoras dos senhores coloniais europeus e, portanto, praticamente à indústria brasileira?

Trata-se da regra do marco temporal, segundo a qual somente teriam direito às suas terras os povos que estavam em posse delas ou em batalha judicial ou conflito direto com invasores em 5 de outubro de 1988, quando a Constituição foi proclamada. Comprovar isso, no entanto, é praticamente impossível, pois, desde a colonização pelos europeus, os povos indígenas, não somente no Brasil, mas em toda a América Latina, estão em fuga ou ameaçados de serem expulsos de suas terras.

"O futuro da Amazônia está em jogo", diz a ativista indígena Samela Sateré Mawé, do Fridays for Future Brasil.

Uma decisão judicial que obrigue os povos indígenas a provarem algo que, devido à falta de documentos, é difícil que eles consigam pode acabar liberando as áreas para a exploração de petróleo e gás, mineração de ouro, comércio de madeira ou agronegócio.

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10
Out21

Manifestantes pregam absorventes na embaixada do Brasil em Paris em protesto a veto de Bolsonaro

Talis Andrade

Brasileiras pregaram absorventes nas grades da fachada da embaixada brasileira em Paris para protestar contra veto do presidente Jair Bolsonaro a artigos que determinam a distribuição gratuita do produto para população precária

Brasileiras pregaram absorventes nas grades da fachada da embaixada brasileira em Paris para protestar contra veto do presidente Jair Bolsonaro a artigos que determinam a distribuição gratuita do produto para população precária 

O ato, ocorrido na manhã deste domingo (10), teve como objetivo chamar a atenção da comunidade internacional para a decisão do presidente brasileiro de vetar a criação do Programa de Fornecimento de Absorventes Higiênicos para mulheres em situação precária, anunciada na quinta-feira (7).

Em uma intervenção simbólica em frente à Embaixada do Brasil em Paris, no 8º distrito da capital francesa, um grupo de brasileiras organizou um flash mob em protesto à decisão do governo brasileiro.

“A embaixada é um lugar simbólico e é uma referência para os brasileiros. Sempre que possível, organizamos atos no local. Foi uma ideia que tivemos anteontem, em torno do veto da distribuição gratuita dos absorventes higiênicos para a população feminina vulnerável”, explicou a jornalista e escritora Marcia Camargos, representante do grupo militante Alerta França/Brasil, à RFI. “Por isso escolhemos a embaixada. Isso será divulgado e a comunidade internacional agora talvez se dará conta de que ele [Jair Bolsonaro] foi capaz de chegar a esse ponto”, declarou.Brasileiras criaram instalação com absorventes em frente à fachada da embaixada brasileira em Paris neste domingo (10).

Brasileiras criaram instalação com absorventes em frente à fachada da embaixada brasileira em Paris neste domingo (10). 

 

Durante o ato, as brasileiras amarraram absorventes higiênicos com frases de protesto escritas em vermelho, em alusão ao fluxo menstrual, nas grades do prédio da embaixada brasileira na capital francesa, situada perto da Avenue Montaigne, uma das mais sofisticadas de Paris. “Amarramos com cordinhas, não usamos cola, tinta ou outros materiais que pudessem deteriorar o patrimônio. Sempre temos esse cuidado. Levamos os varais prontos ”, diz Marcia, explicando que atos como o de hoje são "clandestinos" e não têm como objetivo reunir centenas de pessoas. "Chegamos sem avisar", diz.

A ação, explicou Camargos, foi inspirada na instalação do artista brasileiro radicado na França Julio Villani, de maio de 2020. Na época, ele instalou vários painéis na fachada da Embaixada do Brasil em Paris, em protesto ao governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro

 

Supressão de artigos

Neste sábado (9), a secretaria de Comunicação do governo federal afirmou que pretende “viabilizar a aplicação da medida” para atender as necessidades da população, sem fazer referência clara à extinção do veto aos artigos da lei da deputada Marília Arraes (PT/PE), que prevê a distribuição gratuita dos absorventes higiênicos. O texto previa que o dinheiro viria dos recursos destinados pela União ao Sistema Único de Saúde (SUS) – e, no caso das presidiárias, do Fundo Penitenciário Nacional.

A estimativa é de que o programa beneficiaria cerca de 5,6 milhões de brasileiras, incluindo presidiárias, mulheres que vivem nas ruas, ou menores infratoras. O congresso brasileiro terá 30 dias para analisar a manutenção dos vetos do governo. Os artigos extintos pelo presidente também beneficiavam alunas das escolas públicas do ensino fundamental e médio, propondo, além da distribuição dos absorventes, a oferta de cuidados básicos para a saúde menstrual.As brasileiras escreveram mensagens com canetas vermelhas nos absorventes higiênicos.

As brasileiras escreveram mensagens com canetas vermelhas nos absorventes higiênicos. 

 

Pobreza menstrual

O veto de Bolsonaro reabre a discussão sobre o conceito de pobreza menstrual no país. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em todo o mundo, uma em cada dez meninas deixa de ir à escola quando está menstruada, por falta de acesso aos produtos de higiene.

De acordo com o relatório apresentando pelo fundo, "Pobreza Menstrual no Brasil, Desigualdades e Violações de Direitos", mais de 700 mil meninas brasileiras não têm banheiro ou chuveiro dentro de casa e cerca de 4 milhões não têm acesso, por exemplo, a absorventes ou banheiros com sabonetes nas escolas, o que acaba gerando uma alta taxa de absenteísmo e prejudicando a educação das garotas.

 

Crueldade

 

09
Out21

"Nada está tão ruim que não possa piorar", Bolsonaro

Talis Andrade

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Juliana Dal Piva no Twitter
 
 
Hoje foi um grande dia para 2 ministros brasileiros. Damares ( "DH"): "A gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente?" Queiroga (Saúde): “Eu vou fazer uma lei obrigando as pessoas a usar preservativo? Imagina.”Image
O senador Marcos Rogério faz longa defesa de que foi o gov federal que comprou as vacinas. Só esqueceu, por ex, que o governo pediu SÓ 10% das doses ao consórcio Covax. Eles pretendiam vacinar apenas a pop do grupo de risco. Nem vou falar da Pfizer...
Sobrinho de Bolsonaro falou que ia matar, diz homem que evitou feminicídio. Em entrevista para a coluna, ele falou das agressões. Nos processos, as mulheres relatam intimidação com armas, tiro, agressões, afogamento e vítimas arrastadas pelos cabelos.
O empresário Orestes Bolsonaro Campos, 39 anos, responde a dois processos na Justiça de São Paulo por episódios violentos contra mulheres com quem ele se relacionou e um companheiro de uma delas. Sobrinho do presidente Jair Bolsonaro, ele é conhecido como "Orestinho" e se tornou réu em um caso de lesão corporal e em outro por "homicídio qualificado tentado - feminicídio".Image
"Nada está tão ruim que não possa piorar". Bolsonaro, Jair.
Preciso concordar.
Este ano, depois de muito falar das investigações dela, decidi fazer um perfil da Ana Cristina. Vida e obra. 
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro - Marcel Lisboa/UOL
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro
 
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Gravações inéditas apontam o envolvimento direto de Jair Bolsonaro
em esquema ilegal de entrega de salários de assessores quando era deputado federal. É a 1ª vez que um ex-funcionário aponta a relação direta dele.

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08
Out21

Veto a absorventes mostra a monstruosidade de Bolsonaro

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

O problema de Jair Bolsonaro não é ser de direita, é ser um sujeito de natureza perversa e desumana.

Vetar a distribuição de absorventes femininos no Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que visava atender estudantes de baixa renda, mulheres em situação de rua, presidiárias e adolescentes detidas em cumprimento de medidas socioeducativas é algo que ultrapassa todos os limites de respeito humano.

Submeter mulheres, especialmente adolescentes, ao constrangimento de exporem-se sem proteção no período menstrual, tendo de apelar para panos, papéis ou outros improvisos para conter o sangramento natural é de uma baixeza inacreditável.

Este é o presidente que manda o povo comprar fuzil, facilitando e subsidiando a importação de armas e artigos “essenciais” como videogames e diz que não há verba para algo que custaria cerca de R$ 1,20 por mês por beneficiária (5,6 milhões de pessoas a R$ 84,5 milhões por ano).

As justificativas para o veto, cínicas, são a de que não há previsão de receitas para estas compras no orçamento do SUS e de que, por dirigir-se ao que chamou de “público específico” não corresponderia ao critério de “universalidade” do sistema.

Havia recursos providos no SUS para a compra de toneladas de comprimidos de cloroquina? É óbvio que não existe a obrigação orçamentária de descer a este detalhamento e remanejar verbas, dentro do próprio orçamento, seria absolutamente viável. O “argumento” de que não é universal é de chorar, porque, fosse assim, nem mamografia se faria, porque mulheres de mais de 40 anos são muitas, mas não são o universo da população.

A razão é outra, é ódio às mulheres, e mais ainda às mulheres pobres e às que estão de vulnerabilidade.

Aliás, um ódio, sejamos justos, correspondido, tanto que, entre elas, o apoio a Bolsonaro é cerca da metade do que se registra entre os homens.

As mulheres parlamentares brasileiras deveriam organizar um grande movimento para a derrubada – inevitável, aliás – do veto presidencial. Produzir uma cena que percorresse o Brasil e o mundo para mostrar que tem-se, aqui, mais que um misógino na Presidência, tem-se um monstro no poder.

08
Out21

Pobreza menstrual do governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

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Ana Júlia no Twitter
 
A média de idade da primeira menstruação das brasileiras é de 13 anos, sendo que quase 90% delas têm essa primeira experiência entre 11 e 15 anos de idade. Assim, a maioria absoluta das meninas passará boa parte de sua vida escolar menstruando.
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@najuliaribeiro
No Brasil, estima-se que 23% das pessoas que menstruam entre 15 a 17 anos não tem condições financeiras para adquirir produtos para usar durante a menstruação.
"Crianças e adolescentes que menstruam têm seus direitos à escola de qualidade, moradia digna, saúde, incluindo sexual e reprodutiva violados", afirma a no recente relatório "Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos". #LivreParaMenstruar
Leia Pobreza Menstrual, por Melina Bassoli
 
Falta de acesso a absorventes por questões econômicas ou circunstanciais provoca grandes riscos para a saúde de quem precisa buscar alternativas para lidar com essa situação (Nota Pública CUT)
 

Jair Bolsonaro (ex-PSL), mais uma vez, ataca os direitos das mulheres ao vetar artigos do Projeto de Lei 4968/2019, de autoria da deputada federal Marília Arraes (PT-PE).  Aprovado pelo Congresso em setembro, esse projeto previa que absorventes higiênicos seriam distribuídos, entre outros públicos, a estudantes de baixa renda de escolas públicas, mulheres privadas de liberdade, em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.

Sabemos que a falta de acesso a absorventes por questões econômicas ou circunstanciais – como no caso da população carcerária e mulheres em situação de rua – provoca grandes riscos para a saúde de quem precisa buscar alternativas para lidar com essa situação. Isso porque métodos como uso de tecidos não apropriados, jornais e até miolos de pão são utilizados durante o período menstrual para suprir a falta dos itens de higiene. Além disso, diversos estudos indicam que uma em cada quatro jovens já faltou à aula por não poder comprar absorvente.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é tido como um direito e deve ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. É importante destacar que hoje, no Brasil, os absorventes não são considerados pela lei como produtos de higiene básica, o que impede que eles façam parte do conjunto de itens essenciais em cestas básicas e sejam isentos de impostos.

Esse debate ganhou visibilidade através das lutas das mulheres organizadas, que seguem construindo em seus movimentos de resistência, entre eles o movimento sindical, para atacar a falta de acesso à informação, a produtos menstruais e ausência de políticas públicas para transformar essa realidade.

Portanto, a Secretaria da Mulher trabalhadora da CUT-SP, junto ao seu Coletivo de Mulheres, se junta à campanha pela derrubada do veto de Bolsonaro, já!

Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP

Coletivo Estadual de Mulheres da CUT-SP

 
 

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