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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Set21

Bolsonaro não sustenta “moderação” e faz insinuação sexual com Barroso

Talis Andrade

 

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"Barroso, as urnas são penetráveis. Entendeu, Barroso? Penetráveis", disse o presidente

 
 
 

O presidente Jair Bolsonaro até tentou, mas não sustentou por muito tempo a “moderação” que a nota elaborada por Michel Temer tentou lhe imporApesar de rebater apoiadores irritados, o presidente “escorregou” ao falar sobre Luís Roberto Barroso, presidente do TSE.

O chefe do Executivo voltou com a narrativa da fraude eleitoral e pregou o voto impresso durante live presidencial. Nesse momento, Bolsonaro decidiu comentar sobre discurso de Barroso e se desviou do rumo de Temer.

“Se o Barroso anuncia que tem novas medidas protetivas por ocasião das urnas, é porque elas tem brecha. É porque, Barroso, elas são penetráveis. Entendeu, Barroso? Penetráveis. Ministro Barroso, entendeu? As urnas são penetráveis, o pessoal pode penetrar nelas”, disse, provocando risos entre assessores.

Assim, Bolsonaro reforça os ataques de cunho sexual que ele e apoiadores já fazem contra Barroso. Os comentários que mais dominaram a transmissão de Bolsonaro foram “arregou”, “amarelou” e “perdeu meu voto”. Ainda que alguns mais fiéis tentassem ponderar, a maioria das mensagens eram críticas ao presidente.

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Nota deste correspondente: Sobre o pênis inflável na Paulista: Nas creches petistas as criancinhas mamavam em madeiras em forma de piroca denunciou Bolsonaro, que agora espalha que Doria usa "calças apertadas" e Barroso é das "urnas penetráveis". Vem Rodrigo Maia, sem meias-palavras, revela que Bolsonaro é gay enrustido.
 
Toda essa gente esquece a vida severina de milhões de brasileiros sem emprego, sem teto, sem dinheiro para pagar a conta de luz, o gás, o aluguel do mocambo, a água de beber e o "pão nosso de cada dia". 

 

08
Set21

O misterioso pênis gigante verde e amarelo na manifestação golpista da avenida Paulista

Talis Andrade

O objeto inflado durante as manifestações do 7 de Setembro.

O objeto inflado durante as manifestações do 7 de Setembro

 

Mais do que o pênis gigante, símbolo de uma masculinidade violenta e vulgar, me fez pensar o fato de estar apoiado sobre um carrinho vazio de supermercado

 

Na manifestação golpista da emblemática avenida Paulista, onde se concentra boa parte do PIB do Brasil, havia muito mais homens do que mulheres. Homens brancos e mais velhos, cheios de raiva. Poucos jovens. É que, segundo uma sondagem do Atlas Político, 73% dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam Bolsonaro, o que constitui uma esperança nestas horas sombrias que o Brasil vive vendo sua democracia ser bombardeada a cada hora por quem deveria defendê-la.

Ontem, na avenida Paulista, um dos muitos detalhes simbólicos foi o surgimento na cena de um pênis gigante com as cores verde e amarelo da bandeira do Brasil, que foi apropriada pelas forças mais golpistas do país. O pênis inflado estava colocado sobre um carrinho vazio de supermercado. Estava rodeado por homens de idade. Quem deu destaque nas redes àquele curioso objeto no lugar em que se perpetrava a liturgia de um golpe de Estado por parte de um presidente que gritava como se estivesse possuído pelos demônios do ódio, do rancor e da violência, foi a ex-deputada federal Manuela d’Ávila, que compartilhou o vídeo e indagou sobre o estranho objeto. “Gostaria, escreveu ela na rede, que me ajudassem a traduzir o simbolismo de um objeto fálico gigante inflado na Paulista”.

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O vídeo do pênis gigante acabou viralizando com respostas criativas à pergunta da ex-deputada, algumas bem humoradas e outras ferozes e até não reproduzíveis. A verdade é que todas as manifestações convocadas pelo genocida tiveram um aspecto masculino, com poucas mulheres, muita raiva e nenhuma alegria. Sem crianças. O clima estava mais para guerra e ameaças. E isso no aniversário de uma data que deveria ser uma festa para todos em comemoração aos 199 anos da Independência do Brasil. Era o aniversário da maior idade da nação já livre de sua colonização. Uma festa que acabou prostituída pelo presidente, não apenas incapaz de governar e de enfrentar os graves problemas que abalam o país em um dos momentos mais dramáticos de sua história, mas que insiste em arrastar o país não só a uma ditadura como também a uma guerra civil, com sua obsessão pela violência e pelas armas.

Não saberia responder àqueles que ontem se perguntavam na avenida Paulista sobre o simbolismo daquele pênis gigante verde e amarelo, mas o que me impressionou foi o fato de que estava apoiado em um carrinho vazio de supermercado. Isso me fez lembrar a fotografia, semanas atrás, de uma senhora idosa que, em um supermercado, enquanto esperava na fila para pagar suas compras, começou a chorar. Ao jornalista que a surpreendeu, ela explicou o motivo de suas lágrimas: “É que está tudo muito caro”. Seu carrinho estava meio vazio.

Mais do que o pênis gigante, símbolo de uma masculinidade violenta e vulgar, me fez pensar o fato de estar apoiado sobre um carrinho vazio de supermercado, pois hoje o drama de milhões de brasileiros, dos mais pobres, dos desempregados, é não conseguir encher esse carrinho com comida suficiente para alimentar a família.

E esse foi o maior drama das manifestações golpistas da extrema direita machista e bolsonarista: o presidente da nação, em seus discursos inflamados, não soube ter nem uma palavra de esperança e consolo sobre o verdadeiro drama que aflige o país não apenas por sua incapacidade de governar, mas também pela ausência em sua alma de um único sentimento de empatia pela dor alheia.

Foi certamente essa falta de compaixão pelos que sofrem seus abusos o que fez com que nas manifestações não abordasse nem uma vez os graves problemas que afligem o país, como a fome que voltou a açoitar milhões de famílias, a inflação galopante, as ameaças de falta de energia elétrica, a crise hídrica, a desvalorização da moeda, a total ausência de sinais de esperança e o perigo de que os investidores acabem buscando países mais seguros para investir, sem ameaças de golpes de Estado.

Dizem que o presidente não sabe chorar, e muito menos pela dor alheia. Sua melhor identidade é a raiva; seu lema, a destruição; sua vocação, a terrorista; sua sexualidade, misteriosa; seu sonho de poder absoluto depois de ter ameaçado todas as instituições, com o agravante de que essas instituições parecem amedrontadas e acovardadas pelas ameaças fanfarronas do aprendiz de ditador e terrorista.

Melhor, mais simbólico e mais real do que o pênis gigante e grotesco verde e amarelo da avenida Paulista teria sido uma fila de carrinhos vazios de supermercado para simbolizar o drama que aflige e faz chorar em silêncio tantas famílias vítimas da incapacidade de governar de quem há muito deveria estar fora do poder para permitir que o país recupere a esperança que lhe foi tragicamente roubada. E como ensina a psicologia, nada é mais difícil para uma pessoa e para uma nação do que a desesperança que seca a alma e arrasta para a depressão.

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08
Jun19

Le Monde fala do “caos alimentado pelo presidente”, que “tem uma obsessão por temas fálicos, em detrimento do avanço nas reformas cruciais”

Talis Andrade

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Brasil de Bolsonaro corre risco de se tornar uma “idiocracia”, uma sociedade movida pelo anti-intelectualismo, o mercantilismo e a degradação do meio ambiente

por RFI O jornal francês Le Monde publicou em seu site nesta sexta-feira (7) uma reportagem realizada pela correspondente no Brasil, que destaca o debate recente sobre a inteligência de Jair Bolsonaro. O vespertino fala do “caos alimentado pelo presidente”, que “tem uma obsessão por temas fálicos, em detrimento do avanço nas reformas cruciais”.  

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A correspondente parte da polêmica lançada pelo artigo publicado em 31 de maio no jornal Folha de S.Paulo, de Hélio Schwartsman, intitulado “Bolsonaro é inteligente?”. Segundo Le Monde, essa questão, “colocada de maneira brutal e sem precaução semântica”, é uma pergunta que “atormenta a intelligentsia brasileira há meses”.

A jornalista relata que, desde que tomou posse em 1° de janeiro, Bolsonaro “alimenta polêmicas fúteis e vulgares nas redes sociais” e relembra episódios como o vídeo do Golden Shower no twitter, ou ainda a preocupação do chefe de Estado com o suposto risco de amputação do pênis por falta de higiene. “Diante de uma oposição inexistente, Bolsonaro faz sua oposição sozinho, dando a impressão de explodir seu próprio mandato”, afirma a correspondente.

39% dos brasileiros duvidam da inteligência do presidente

Le Monde tenta analisar a situação e se questiona: “será que trata-se de uma estratégia pensada ou o chefe de Estado se deixa guiar pelos temas aos quais é confrontado conforme eles surgem ?” Sem ter uma resposta concreta, o vespertino lembra que as pesquisas de opinião já começam a levar em conta a capacidade intelectual de Bolsonaro. A reportagem reproduz os números de um estudo da Datafolha segundo a qual 39% dos brasileiros duvidam da inteligência do presidente.

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A correspondente continua relatando a declaração de Olavo de Carvalho – apresentado como o guru intelectual de Bolsonaro – que lançou no Twitter a hipótese de que a Terra seria plana. Esse tipo de declaração, continua a jornalista, certamente “reforçou as interrogações sobre a bagagem intelectual do chefe de Estado”, e o risco de que o Brasil esteja “ao ponto de cair em uma idiocracia”. A expressão, explica Le Monde, faz referência ao texto de ficção científica homônimo, “que deriva de uma sociedade movida pelo anti-intelectualismo, o mercantilismo e a degradação do meio ambiente”.

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Bolsonaro bem abaixo da média

“Bolsonaro é inculto, mas é esperto”, afirma o filósofo José Arthur Giannotti nas páginas do Le Monde. Mas “é delicado medir a noção de inteligência”, pondera o psicanalista Christian Dunker, também citado pela correspondente.

Dunker explica que vários critérios podem ser levados em conta quando se fala de inteligência. No entanto, continua o psicanalista, “se nos concentrarmos nas qualidades esperadas de chefe de Estado, como a capacidade de se integrar em um contexto institucional, distinguir a esfera pública da esfera privada ou a inteligência verbal, mostrando o domínio de um linguajar tácito ou explicito, Bolsonaro é, de forma evidente, bem baixo da média”, avalia Dunker. E para aqueles que falam de algo arquitetado para se substituir à oposição, o psicanalista defende: “se há alguma estratégia dentro do governo, ela vem certamente de seus próximos e não dele mesmo”.

Independentemente de ser uma postura estratégica ou fruto de uma suposta incapacidade intelectual real, Le Monde avalia que por enquanto nada está funcionando. “A economia patina, os escândalos de corrupção continuam alimentando a imprensa, a esperada reforma da aposentadoria, que deveria aliviar as contar públicas, não avança, e a popularidade do chefe de Estado despenca”, conclui a correspondente do principal jornal francês.

 

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