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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

30
Dez21

Orçamento da fome

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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O orçamento de 2022, recentemente aprovado, mostra como o Brasil está do avesso. O fundo eleitoral é uma obscenidade de R$ 4,9 bilhões e o aumento salarial de apenas três categorias de servidores (PF, PRF e Departamento Penitenciário), de interesse pessoal de Bolsonaro, mordeu R$ 1,7 bilhão do “meu, do seu, do nosso” dinheiro.

Duas reportagens publicadas na Folha também ilustram o desatino da inversão de prioridades com o dinheiro do contribuinte. Ana Luiza Albuquer que revelou que 13 motociatas do genocida, para apregoar o golpismo, levaram R$ 5 milhões dos cofres públicos. E Constança Rezende mostrou que o ministério da Defesa usou dinheiro de combate à Covid para comprar filé mignon, picanha, bacalhau, camarão, salmão e bebidas. O cardápio de luxo para os fardados custou R$ 535 mil.

Somados, esses gastos chegam a R$ 6,6 bilhões e uns quebrados. Numa conta simples, para dar uma ordem de grandeza, seria suficiente para comprar mais de treze milhões de cestas básicas (considerando um preço médio de 500,00 por cesta). Isso daria de comer a muita gente.

Mais de dezenove milhões de pessoas passam fome no Brasil e mais da metade da população ( 117 milhões) convive com algum grau de insegurança alimentar, ou seja, não consegue comer o que precisa. Às vésperas do Natal, brasileiros estavam na fila do osso num açougue em Cuiabá, a capital do agronegócio. No Rio Grande do Norte, sertanejos que voltaram a caçar lagarto para enganar a fome só tiveram o que comer na ceia graças a doações.

No caso do fundo eleitoral, é preciso assinalar que algum recurso público, de fato, tem que ser reservado para as campanhas. O fim do financiamento de candidaturas por empresas foi uma decisão acertada. Mas as campanhas não podem ser tão caras. Democracia tem um custo? Sem dúvida. Mas não pode ser esse o preço. Não existe democracia se o cidadão não tem o direito humano mais básico de todos assegurado: o direito à alimentação e à vida.

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30
Dez21

Defesa gasta verbas de combate à Covid-19 comprando filé mignon, caviar e e bebidas, aponta TCU

Talis Andrade

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Por Lara Tôrres /Diário de Permabuco

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Um relatório de auditoria elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo revelou que o Ministério da Defesa gastou verbas destinadas ao combate à Covid-19 para comprar ítens não emergenciais e de preço alto, como filé mignon, picanha, caviar, salmão e bebidas alcoólicas. 
 
Os produtos de luxo são avaliados pelo Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas (Selog) em R$ 535 mil. A auditoria foi aberta pelo tribunal para investigar supostas irregularidades na aquisição de alimentos desde 2017 até o presente. 
 
No processo, os gastos do Ministério da Defesa durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, especialmente no ano de 2020, chamaram a atenção. Num período em que os auditores esperavam por uma diminuição de gastos, as despesas da pasta seguiram o sentido oposto. 
 
A justificativa do ministério foi a manutenção de atividades presenciais no período, gerando gastos com a alimentação das tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica. Os recursos, contudo, partiram da ação orçamentária "21C0 – Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional decorrente do Coronavírus", reservado para custear políticas públicas de saúde de combate à Covid.
 
"Ressalte-se que, dos recursos destinados ao combate à pandemia Covid-19 utilizados indevidamente para aquisição de itens não essenciais (aproximadamente R$ 557 mil), 96% foram despendidos pelo Ministério da Defesa", diz o documento do TCU.
 
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O tribunal ressaltou ainda que o Estatuto dos Militares prevê que a alimentação das tropas por meio do fornecimento de refeições, é direito dos militares em atividade, mas reforça que “não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia", reforçando que a compra de comida por órgãos públicos deve ter como finalidade “o fornecimento de alimentação saudável, balanceada e adequada para suprir as necessidades nutricionais básicas de seu público-alvo".
 
Já os itens "não essenciais, supérfluos ou de luxo", como os encontrados pela auditoria, não fazem parte de uma alimentação básica, segundo a auditoria. A avaliação do órgão é preliminar, mas trata como injustificada a aquisição dos itens de luxo já citados. 
 
Ainda em março deste ano, deputados federais chegaram a pedir a convocação do ministro Walter Braga Netto (Defesa) para prestar explicações sobre a compra de picanha, mas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), acatou um recurso do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), anulando a convocação. 
 

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29
Dez21

Senador Alessandro Vieira: Bolsonaro "curtindo férias em meio a uma tragédia nacional"

Talis Andrade

 

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ITENS NÃO ESSENCIAIS | Defesa gasta verba da Covid para comprar filé mignon e picanha, diz TCU. Pasta usa R$ 535 mil do combate à pandemia com itens de luxo; ministério diz que atua contra a doença e auditoria é preliminar. Leia maisImage

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Carolina Botelho | @RedePolitologas | VACINA JÁ!
@sobotelha
Essa foto tem que rodar bastante até as eleições. Ela foi tirada no momento em que as crianças brasileiras estavam sem perspectiva de vacinas p/ um vírus mortal, quando as chuvas imundavam a Bahia, quando 19 milhões passavam fome e qdo 13 milhões estavam desempregados.
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Yang Wanming
@WanmingYang
China government official
Expresso com profundo pesar as sentidas condolências às vítimas provocadas pelas fortes chuvas e enchentes que tem atingido o Estado da Bahia, tmb a minha sincera solidariedade às famílias das vítimas. Espero que Bahia ultrapassará esse desafio. Uma rápida recuperação. terão uma rápida recuperação.Image
CORONEL SIQUEIRA
@direitasiqueira
NOITE DURA, TIVE MAIS UM PESADELO COM PETISTAS... SONHEI QUE HAVIA ENCHENTES NO BRASIL, COM GENTE MORRENDO, E O LULA ERA O PRESIDENTE E FICAVA PASSEANDO DE JET SKI, DANÇANDO FUNK E FALANDO QUE TAVA DE FÉRIAS! QUE ÓDIO! MALDITOS ESQUERDISTAS, TIRAM MINHA PAZ ATÉ NO MEU SONO!!!Image
Arthur Prado
@arthurprado_bot
Essa foto (na home da @folha) me dá vontade de chorar.
JaIrme’s Elections Race
@jairmearrependi
Meus parabéns a todos que de uma forma ou outra colaboraram pra manter esse homem no poder.Image
Senador Alessandro Vieira
@Sen_Alessandro
Na CNN afirmei que o problema do Brasil não é ideologia, mas sim honestidade e competência. O Bolsonaro me obriga a incluir outro problema: a absoluta falta de respeito e empatia. Só nas ditaduras mais escrotas se viu um governante curtindo férias em meio a uma tragédia nacional.Image
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29
Dez21

“Deixo de comer para dar aos meus filhos”

Talis Andrade

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Mães que sustentam sozinhas suas famílias foram atingidas em cheio pela perda de emprego e renda; mulheres são sempre as últimas a comer

 

por José Cícero e Mariama Correia /Agência Pública

 

Era por volta das 11 horas quando Letícia dos Santos, 32 anos, moradora da ocupação Nova Esperança, no Jardim São Luís, Zona Sul de São Paulo, começou a preparar o café da manhã para os quatro filhos que cria sozinha. Enquanto a panela com óleo aquecia, ela misturou farinha de trigo, água e açúcar. O cheiro de fritura que se alastrou pelo barraco lembrava um bolinho de chuva, mas faltavam ingredientes: “não tenho ovo, fermento, leite e canela”.

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Letícia com seus filhos pequenos e outros parentes que moram em outros barracos na mesma ocupação

 

Naquele dia, as refeições da família vieram de doações. Desde que perdeu o emprego como cuidadora de idosos, em plena pandemia, Letícia depende dos donativos para alimentar os filhos. Ela também faz bicos com biscuit, doces e trabalhando em eventos para conseguir alguma renda. 

No ano passado, quando Letícia ficou desempregada, mais de 96% dos postos de trabalho fechados eram ocupados por mulheres, muitas delas mães solteiras. Segundo o IBGE, 11,5 milhões de mães cuidam dos filhos sozinha no Brasil. A insegurança alimentar é mais grave nesses lares, justamente porque as mulheres foram as mais prejudicadas pela falta de emprego e perda de renda na pandemia, como mostrou o inquérito nacional sobre insegurança alimentar no contexto da pandemia de Covid-19 no Brasil. 

Em 2020, segundo o Inquérito, a fome atinge mais as famílias sustentadas por alguém do sexo feminino, ou de raça/cor da pele autodeclarada preta/parda ou com menor escolaridade. No ano passado, 43,4 milhões de brasileiros – 20,5% da população – não tiveram acesso a alimentos em quantidades suficientes. Os percentuais de insegurança alimentar são mais altos em domicílios sustentados por uma única pessoa (66,3%), sobretudo se a responsável for mulher (73,8%). Ainda de acordo com o levantamento, mais da metade da população brasileira (55,2%) conviveu com algum grau de insegurança alimentar em 2020. Ou seja, 116,8 milhões de pessoas não tinham acesso absoluto e permanente a alimentos.

 

Nutrição das mães em segundo plano 

Letícia ainda amamenta o filho caçula, um bebê de três meses. Como tem anemia profunda, deveria tomar um suplemento de ferro e ter uma alimentação balanceada, mas a nutrição dela fica sempre em segundo plano. “Por causa da minha alimentação ruim, o leite do peito fica fraco”, diz.  A ajuda que a família recebe do governo encolheu de R$ 375 para R$ 217 por mês, com o fim do auxílio emergencial. O dinheiro serve basicamente para comprar as fraldas e o complemento alimentar do bebê, que custa R$ 52 por lata. 

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“Por causa da minha alimentação ruim, o leite do peito fica fraco”, diz Letícia

 

A maioria das 260 famílias que moram na ocupação Nova Esperança são chefiadas por mães solo. Lá, recebem cestas básicas que “garantem ao menos o arroz e o feijão”, diz Letícia. Também não pagam aluguel, que já foi uma fonte de dívidas para ela no passado. “Tive que sair do apartamento apenas com as roupas. Não deixaram nem trazer os meus móveis porque eu estava devendo”, relembra.

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“Se não fossem as cestas básicas, tinha passado fome”, diz Zenaide Severina, 40 anos, vizinha de Letícia. Com dois filhos para criar sozinha – um adolescente de 17 e uma menina de três anos -, ela foi morar na ocupação depois de ter a casa interditada pela defesa civil em 2020. Não recebeu auxílio moradia. No mesmo ano, foi afastada do emprego por problemas respiratórios, mas ainda espera as perícias para conseguir o auxílio doença. 

Na escola pública, a filha mais nova de Zenaide consegue ter todas as refeições. Quando as crianças estão em casa, muitas vezes a mãe come apenas uma vez por dia. “Não tenho coragem de fazer uma mistura para mim e não dar a eles”, diz. A pequena nem sempre aceita comer feijão com arroz várias vezes ao dia. Então, quando não há nada além disso para oferecer, Zenaide faz uma mamadeira de leite.  “Quando você é só, para quem vai pedir ajuda? Muitas vezes pedi ajuda ao pai da minha filha, mas ele ameaça tirar ela de mim”. 

O pesquisador José Raimundo estuda a fome no município de São Paulo desde os anos 2000. Ele afirma categoricamente que: “uma pessoa que está fazendo uma refeição por dia, está passando fome.

Quando não há alimentos necessários para toda a família, mesmo nos lares chefiados por homens, “as mulheres são as últimas a comer”, diz o pesquisador. “Em um domicílio que está em situação de fome ou risco de fome, as mulheres são as primeiras a sofrer porque elas tendem a priorizar a alimentação dos filhos e em seguida a dos maridos. A chance da mulher estar com fome é maior que a do homem e das crianças”, explica.

Em uma sociedade machista, argumenta Raimundo, “o cuidado com os filhos recai sobre as mulheres, que muitas vezes ficam presas até para arrumar um emprego, porque dependem de alguém para cuidar dos seus filhos”. 

 

Doações escassas, auxílios insuficientes 

“Tudo é mais difícil para uma mulher”, desabafa Ednalva do Nascimento, 43 anos, moradora do Piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro. Ela sustenta cinco filhos com bicos de faxinas e lavagem de roupas. O caçula tem nove anos e o mais velho, que está desempregado, 25.  

“Perdi o emprego um pouco antes da pandemia. Quando a covid começou, nem faxina eu conseguia”, conta. A família não passou fome graças às doações de cestas básicas, mas até isso está se tornando mais escasso, com a desaceleração da pandemia, conta Ednalva.  “Muitas vezes deixo de comer para dar aos meus filhos. Verdura, fruta, carne só compro quando dá”, diz. 

Para ela, que só de aluguel paga R$ 500 por mês, a  promessa de aumento do auxílio brasil, criado após a extinção do Bolsa Família, para R$ 400 anima, mas não resolve os problemas. “Ajuda, mas não sei como vai ser até o fim do ano porque as doações estão diminuindo e ainda não tem emprego. Acho que ainda vai demorar muito para melhorar mesmo nossa situação”.

Vazio nos pratos e também nas políticas públicas

O cotidiano de insegurança alimentar repercute na saúde mental das mães solo de várias formas. Diante da incerteza sobre a condição de sustentar a própria família, Zenaide sofreu de depressão. Ela faz acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Zona Sul, mas até o acesso ao serviço de saúde é complicado porque o atendimento fica distante da casa dela. “Se eu tirar esse dinheiro do transporte faz diferença nas contas, então nem sempre vou”. 

Para controlar crises de ansiedade, ela cuida do pequeno quintal onde cultiva plantas medicinais. Conta que não recebeu o auxílio emergencial na pandemia, por estar afastada do trabalho, embora o benefício do INSS ainda não tenha sido liberado. “Também não tenho direito ao auxílio para comprar gás de cozinha porque recebo o auxílio brasil. Como não tenho direito se estou sem emprego e com filho pequeno?”, questiona.

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Zenaide organizou um pequeno jardim no barraco. Para ela, cuidar das plantas ajuda a reduzir a ansiedade

 

“O pobre é esquecido”, lamenta Letícia. Desde que foi morar na ocupação, há um ano, ela tenta, sem sucesso, arrumar vagas para os filhos na escola pública mais próxima. “Parece que quanto mais a gente é humilde, mais difícil é para conseguir as coisas. Criam programas para ajudar os pobres, mas os pobres não são socorridos.” 

A percepção de Letícia se aproxima do Informe Dhana (Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequada) 2021, que analisa os impactos da Covid-19, ações e omissões do poder público diante da crise sanitária, econômica e social. O documento alerta para “cortes orçamentários e o enfraquecimento de programas voltados à promoção de segurança alimentar no Brasil”, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa de construção de Cisternas, de grande relevância para a segurança hídrica no semiárido brasileiro, entre outros. 

É o que também pensa a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Para ela, os impactos da pandemia poderiam ter sido mais amenos, caso o Governo Federal tivesse adotado medidas que fortalecessem políticas públicas e de proteção social. “Alguns países tiveram um aumento da pobreza, de problemas, mas não passaram enfrentar uma situação de fome. No Brasil, a gente viveu um acirramento gigantesco da fome e da insegurança alimentar nos seus vários níveis, porque todo colchão de proteção social que existia foi desmontando.” 

Tereza lembra que, no primeiro mês do governo Bolsonaro, a Medida Provisória 870 encerrou as atividades do Conselho Nacional de Segurança  Alimentar e Nutricional (Consea). Instituído em 1993, o Consea fazia parte do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), como um espaço crucial para garantir a participação da sociedade civil nas discussões sobre acesso a alimentos. 

“Ao desmontar o Consea, ele (Bolsonaro) desmontou o controle social, que é fundamental, porque o Consea era muito ativo, não só fiscalizando e cobrando o Governo Federal pelo bom funcionamento das políticas públicas, como ajudando na construção de uma política social sólida. Quando se extingue o Consea, se desorganiza toda essa agenda da transparência e do controle social”, explica Tereza. “Esse governo não liga para a alimentação saudável e não só, também não liga para a fome”, diz.

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Publicação de Rosângela Moro gera polêmica nas redes sociais - Eu, Rio!

Em shopping de alto padrão, Rosângela Moro defende fim de assistencialismo

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Em shopping de alto padrão, Rosângela Moro defende fim de assistencialismo  - 22/07/2019 - UOL Notícias

Folha de S.Paulo on Twitter: "ITENS NÃO ESSENCIAIS | Defesa gasta verba da  Covid para comprar filé mignon e picanha, diz TCU. Pasta usa R$ 535 mil do  combate à pandemia com

28
Dez21

Austeridade, volver!

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Lembram quando Chico Buarque sugeriu a criação do “Ministério do Vai dar Merda”, para prevenir, na administração pública, atos que, sem apelação possível, fossem ter consequências negativas diante da opinião pública?

Conviria que as Forças Armadas criassem um balcão assim, para evitar o desgaste que lhes traz a manchete da Folha de hoje: “Defesa gasta verba da Covid para comprar filé mignon e picanha, diz TCU“.

 

Certamente não foi numa reunião do Alto Comando do Exército que um dos 16 generais da cúpula falou alegremente: em comprar filé mignon e vinho com o dinheiro da Covid” e os outros 15 concordaram.

Isso acontece simplesmente porque faz alguns anos que espraiou-se a ideia de que a oficialidade brasileira merece privilégios em seus apetites e nem sempre só os alimentares.

Austeridade, quase sempre, foi uma marca da caserna. Mas quando a farda começa a ser vista como um trampolim para o exercício do poder, é inevitável que isso aconteça, porque o poder, sem causas, é apenas o exercício do fruir.

Não fosse assim, não teriam de ler o relatório do Tribunal de Contas dizer que “”não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia”.

A reação natural seria a de verificar quem autorizou isso e “premiá-lo” com, no mínimo, um afastamento do cargo.

Mas quando as instituições militares se entregam ao um corporativismo que deixa de lado as obrigações hierárquicas e disciplinares e desconsidera o impacto social de seus atos, correm o risco de de verem assim, vexadas, por um esparramo de poder que atinge toda a oficialidade que conserva hábitos e posturas diferentes.

Notas dizendo que a tropa militar agiu no enfrentamento da pandemia é até uma ofensa aos militares que se expuseram no enfrentamento ao coronavirus. A eles, ninguém deu camarão, picanha, filé ou vinhos caros.

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Ao som de funk misógino, Bolsonaro transforma preconceito em hino de guerra  - 27/12/2021 - UOL Universa

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27
Dez21

"A mamata veste farda", diz Xico Sá sobre compra de picanha por militares

Talis Andrade

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Jornalista ironiza gasto de recursos do Ministério da Defesa com filé mignon e picanha

 

247 - O jornalista Xico Sá repercutiu, nesta segunda-feira (27), a informação de que o Ministério da Defesa desviou recursos destinados ao combate à Covid-19 e utilizou verba para a compra de  filé mignon e picanha. "A mamata veste farda", ironizou em post no Twitter. 

A constatação sobre o gasto dos recursos é de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União). Segundo informações do levantamento sigiloso feito pela Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas) obtido, foram usados R$ 535 mil em itens considerados de luxo.

 
xico sá
@xicosa
A mamata veste farda
Blog do Noblat
Dinheiro do combate à Covid pagou comida boa e farta de militares - por Ricardo Noblat Enquanto isso, 116 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar e ao menos 19 milhões passam fome

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27
Dez21

Dinheiro do combate à Covid pagou comida boa e farta de militares

Talis Andrade

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Enquanto isso, 116 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança alimentar e ao menos 19 milhões passam fome

 
 
Filé mignon, picanha, bacalhau, camarão, salmão e bebidas alcóolicas não frequentam a boia servida a soldados e militares de baixa patente. É comida para generais e oficiais graduados.
 

Da rubrica do Orçamento “Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional decorrente da Covid”, só deveria sair dinheiro para compra de itens essenciais.

E daí? Daí que não foi assim no Ministério da Defesa em 2020, informa levantamento sigiloso feito pela Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas do Tribunal de Contas da União.

Segundo a repórter Constança Rezende, da Folha de São Paulo, a Secretaria constatou que, dentre os órgãos superiores dos três Poderes, a Defesa foi o que mais gastou com itens não essenciais.

 

Capa do jornal Folha de S.Paulo 27/12/2021

 

Resposta do Ministério da Defesa por meio de sua assessoria de imprensa: as atividades militares foram mantidas na pandemia e faz parte delas a alimentação das tropas. Resposta capenga.

Os auditores esperavam que, em consequência do regime telepresencial de trabalho, houvesse redução de gastos com alimentação, como houve nos ministérios da Educação e da Saúde.

Trechos do relatório dos auditores:

“Não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia”.

“Ressalte-se que, dos recursos destinados ao combate à pandemia Covid-19 utilizados indevidamente para aquisição de itens não essenciais (aproximadamente R$ 557 mil), 96% foram despendidos pelo Ministério da Defesa”.

“Além de não servir à finalidade a que se destina, a contratação desse tipo de insumo fere o princípio da moralidade previsto no art. 37 da Constituição Federal de 1988, o qual está diretamente relacionado à integridade nas compras públicas”.

Diz ainda o relatório que a aquisição de comida por órgãos públicos “deve ter por finalidade o fornecimento de alimentação saudável, balanceada e adequada para suprir as necessidades nutricionais básicas de seu público-alvo”.

Mais da metade da população brasileira — 116 milhões de pessoas — vive com algum grau de insegurança alimentar. Ao menos 19 milhões passam fome, situação agravada pela pandemia e pela crise econômica do país.

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02
Nov21

Mercado Bolsocaro

Talis Andrade

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O Plural comparou o preço médio dos produtos em Curitiba entre março de 2018 e outubro de 2021. Confira nossas "ofertas", adicione produtos ao carrinho para ver sua nota e saber quanto está gastando a mais desde as últimas eleições. Não esqueça de compartilhar nas redes sociais.

A idéia devia ser imitada pelos jornais doutras capitais, para orientar o povo nestes tempos de inflação. Veja os preços de Curitiba aqui e compare com a carestia na sua cidade. 

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19
Jul21

Picanha, bacalhau, uísque 12 anos e cerveja: a festa dos militares no governo Bolsonaro

Talis Andrade
 
 
As Forças Armadas não se limitaram a consumir milhares de quilos de picanha e garrafas de cerveja ao longo de 2020. Agora aparecem mais de 140 mil quilos de bacalhau com preços que chegam até a R$ 150 o quilo e garrafas de uísque 12 anos e de conhaque – todas compradas a preços muito acima do mercado.
 
A denúncia é do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), que  divulgou as compras identificadas no Painel de Preços do Ministério da Economia. Só de bacalhau foram 9.748 quilos de filé e 139.468 quilos de lombo para os militares. “O lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros”, diz o parlamentar.
 

Em uma das compras registradas pelos militares, consta um pedido homologado pelo Comando da Aeronáutica, para aquisição de 500 quilos de lombo de bacalhau, em que o preço de referência usado pelo órgão público foi de nada menos que R$ 150 o quilo. Uma busca na internet indica que o quilo do lombo de bacalhau, comprado no varejo (não no atacado, como as Forças Armadas o fazem), no Extra, custa bem menos da metade do preço, R$ 69,90.  No site atacadista Cota Best, o preço equivale a    do valor comprado pelo Comando da Aeronáutica: R$ 37,70.

Os preços também chamam a atenção em outros casos. O valor informado por quilo de picanha foi de R$ 84,14 (num processo para compra de 13.670 quilos), obtido por meio do Pregão Eletrônico n° 37/2019, concluído em 29 de janeiro de 2020 e conduzido pela Diretoria de Abastecimento da Marinha – no supermercado Extra, a picanha comprada no varejo tem preço de R$ 53,89 o quilo. Já em outro processo, de 62.370 quilos de miolo de alcatra, o quilo custa R$82,37 –no Extra, o preço é R$ 38,99 o quilo, no varejo.

O valor da Bohemia Puro Malte que consta no processo já homologado é R$4,33 e o preço para o consumidor comum, em uma busca rápida por supermercados, é R$2,59, diferença de 67%. A lata de Skol Puro Malte tem valor no processo de R$4 e no varejo a R$2,49, indicando superfaturamento de 48,6%. O governo também está comprando Stella Artois de 550 ml por R$9,05, mais caro que os R$6,99 do supermercado.

“É um poço sem fundo. Quanto mais investigamos, mais absurdos e irregularidades encontramos. Se não bastasse o governo comprar picanha e cerveja, ainda tem o corte mais caro do bacalhau, uísque e conhaque e com indícios de superfaturamento”, diz o deputado, que assina, com a bancada do PSB a representação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que investigue os gastos militares.

“Além da PGR, eu e mais nove deputados do PSB vamos levar essas informações ao Tribunal de Contas da União. Também estamos discutindo propor a instalação da CPI das compras do governo na Câmara Federal.” (Do 247)

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Ilustração Jose Cruz

Charge Genildo

21
Mai21

O ‘tiozão do churrasco’ tirou a carne dos brasileiros

Talis Andrade

Carne por ovo | Humor Político – Rir pra não chorar

por Fernando Brito

A Folha, em matéria da agência Reuters, e a BBC noticiam esta semana o que já é conhecido por qualquer pessoa que faça compras para a casa: o brasileiro come cada vez menos carne bovina e, para muitos, a dieta de reduziu – e olhe lá – a ovos.

Do consumo recorde dos tempos do Governo Lula (42,8 quilos por habitante, em 2006), o consumo per capita veio caindo e chegou em 2020 a 29,3 quilos por brasileiro, quase um terço a menos.

E, como sabemos todos, vai cair mais ainda em 2021, porque os preços seguem subindo, acumulando alta de 29,5% em 12 meses, quase seis vezes mais que a inflação oficial. E, como a exportação é o que determina o preço interno, a manutenção do dólar alto mantém o preço lá em cima.

Nossos vizinhos argentinos, que têm o mesmo perfil exportador (três quartos da carne que produz é vendida para a China), esta metida numa crise com os ruralistas por ter imposto limites às vendas externas para segurar o preço interno. Aqui, como se viu, os produtores estão em festa com Bolsonaro, o “tiozão do churrasco”, o da picanha de R$ 1.800 o quilo.

O que as reportagens mostram é que o ovo quem, em geral, substitui a carne como proteína na mesa dos brasileiros.

Por enquanto.

Charge do Dia: Charge do Dia: Ovo vira substituto da carne | Tribuna Online

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