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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

26
Fev22

Como o lucro anual da Petrobrás superou os R$ 100 bi

Talis Andrade

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Enquanto o combustível sobe e trabalhadores enfrentam precarização, empresa planeja distribuir mais R$ 29,3 bi a acionistas em abril

 

[Por Daniel Giovanaz , especial para o Sindipetro-SP]

O lucro líquido da Petrobrás em 2021 cresceu 15 vezes em relação ao ano anterior e chegou a R$ 106,6 bilhões. Os dados do 4º trimestre estão no Relatório de Desempenho Financeiro da petrolífera, publicado na última quarta-feira (23) e celebrado pelos acionistas.

Horas antes de divulgar o balanço anual, a empresa comunicou que distribuirá R$ 101,4 bilhões em lucros e dividendos. Desse montante, R$ 72,1 bilhões já foram pagos, e o restante está previsto para abril.

“A Petrobrás está fazendo aquilo que prometeu no governo Bolsonaro [PL]: se tornar uma máquina de dividendos. Praticamente todo o lucro que a empresa teve ao longo de 2021 vai passar para a mão dos acionistas”, critica Rafael Rodrigues da Costa, coordenador técnico do Centro de Economia Política do Petróleo (Ceppetro).

“Os ganhos da Petrobrás hoje – que na prática puxam a inflação e encarecem a vida dos brasileiros –, poderiam ser empregados em investimentos, inovação ou introjetados na própria companhia, mas só estão servindo aos interesses dos acionistas. É uma obscenidade”, completa.

O Estado brasileiro (governo federal, BNDES, BNDESPar) possui 36,74% das ações da Petrobrás. Acionistas privados estrangeiros detêm 44,42%, e nacionais controlam cerca de 18,84%.

Como o aumento das despesas com transporte impactam no preço final de quase todas as mercadorias, os combustíveis foram considerados os vilões da inflação no Brasil no ano passado. O índice subiu 10,06% em 2021 e atingiu o maior patamar dos últimos 6 anos para o mês de janeiro.

Os reajustes nos postos se devem ao Preço de Paridade de Importação (PPI), adotado desde 2016, que atrela o valor cobrado dos brasileiros às flutuações do dólar e do barril de petróleo no mercado internacional.

 

Por que as receitas dispararam

O aumento no volume de vendas no mercado interno e no preço dos combustíveis ajudam a explicar o lucro da Petrobrás em 2021.

“O volume exportado foi menor do que em 2020, mas, como os preços internacionais estão mais altos, a receita de exportação foi maior”, observa o pesquisador do Ceppetro.

O preço do barril de petróleo, ao final de 2021, estava próximo dos US$ 80. Entre 2012 e 2013, a média anual era de cerca de US$ 110, mas os resultados da Petrobrás não eram tão expressivos. O membro do Observatório Social da Petrobrás e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), Eric Gil Dantas, explica como a taxa de câmbio impacta no cálculo final.

“A média de preço do barril de petróleo vendido em 2021 ficou em US$ 70,73, e em 2012 foi de US$ 111,27. No entanto, a taxa de câmbio saltou de R$ 1,67 por dólar em 2012 para R$ 5,40 reais por dólar no ano passado. Isto é, em moeda nacional o preço do barril vendido pela Petrobrás em 2021 ficou em R$ 382, muito superior a qualquer outro ano”, ressalta.

“Nos postos e revendas, os derivados de petróleo alcançaram suas maiores marcas históricas. Como 60% das receitas líquidas da estatal advêm dos produtos derivados de petróleo, o preço no mercado interno é determinante para os resultados da empresa”, acrescenta Dantas.

 

O desmonte por trás dos lucros

Outro fator que inflou o resultado da Petrobrás foi a privatização de ativos. Em 2021, a empresa concluiu a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde (BA), por US$ 1,8 bilhão – em valores atualizados, cerca de R$ 9,3 bilhões.

Além da RLAM, que representa cerca de 13% da capacidade de refino do Brasil, a Petrobrás vendeu a BR Distribuidora, campos de petróleo na Bahia e fazendas eólicas no Rio Grande do Norte.

“Houve uma entrada significativa de dinheiro a partir das vendas de ativos, e essa política de desinvestimento terá sérias consequências para o futuro da companhia”, alerta Rafael Rodrigues da Costa, do Ceppetro.

Entre os impactos do desinvestimento, denunciados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), estão a precarização das condições de trabalho e o sucateamento de equipamentos – que já produzem vítimas.

Menos de uma semana antes da divulgação dos lucros da Petrobrás, o caldeireiro José Arnaldo de Amorim faleceu durante parada de manutenção de uma das unidades da refinaria de Duque de Caxias (RJ). O trabalhador, terceirizado da empresa C3 Engenharia, desmaiou após a inalação de uma substância tóxica no último sábado (19), foi resgatado 40 minutos depois, mas não resistiu.

26
Fev22

Abrasileirar os combustíveis: A missão da Petrobrás não é enriquecer acionistas

Talis Andrade

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R$ 101 bilhões de dividendos

“É inconcebível que a Petrobrás continue praticando preços de importação para enriquecer os acionistas. Se já pagamos mais de R$ 7 o litro da gasolina e mais de R$ 130 o botijão de gás, imagine com uma guerra envolvendo um dos principais produtores de petróleo do mundo, como é o caso da Rússia?”, alerta o coordenador da FUP

 

[Da imprensa da FUP]

Às custas da fome e do desemprego que empurram milhões de famílias brasileiras para a miséria, a gestão da Petrobrás transferiu para os acionistas R$ 101,4 bilhões. É a maior apropriação de dividendos da história da companhia, derivada do lucro recorde de R$ 106,7 bilhões em 2021. Um resultado diretamente associado à política extorsiva de reajuste dos combustíveis, que fez explodir os preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel, que nunca custaram tão caro.

O lucro recorde da Petrobrás que encheu os bolsos dos acionistas também foi construído com a intensificação do desmonte da empresa. As receitas resultantes da venda de ativos subiram 149,6% em relação a 2020, gerando um caixa de R$ 25,5 bilhões.

“Não é à toa que o maior lucro da história da Petrobrás foi obtido no ano em que a população brasileira pagou preços recordes dos combustíveis e quando sofremos um dos maiores assaltos ao patrimônio da empresa, com a privatização de diversos ativos, entre eles a BR Distribuidora e a Rlam. Estamos falando da transferência de riqueza dos 210 milhões de brasileiros para grupos privados de investidores, a maioria deles estrangeiros. É indecente”, afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

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“É inconcebível que a Petrobrás continue praticando preços de importação para enriquecer os acionistas. Se já pagamos mais de R$ 7 o litro da gasolina e mais de R$ 130 o botijão de gás, imagine com uma guerra envolvendo um dos principais produtores de petróleo do mundo, como é o caso da Rússia?”, alerta o petroleiro.

No primeiro dia do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares. Os especialistas já falam em uma grave crise geopolítica de longa duração, com impactos gigantescos nos mercados produtores de petróleo. “Nunca foi tão urgente mudar os rumos da Petrobrás e acabar com a política de Preço de Paridade de Importação. Abrasileirar os preços dos combustíveis, como afirmou o presidente Lula, é a missão número um que temos pela frente”, afirma o coordenador da FUP.

 

40,6% dos acionistas são estrangeiros

Nos três anos de governo Bolsonaro, os combustíveis já subiram cinco vezes acima da inflação, fazendo disparar o custo de vida dos brasileiros. A política de reajuste da Petrobrás, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), sacrifica o povo para enriquecer os acionistas, que já embolsaram R$ 72 bilhões dos dividendos de 2021 e receberão mais R$ 29 bilhões em abril. O Estado brasileiro, que ainda é o controlador da Petrobrás, recebe um terço desse montante. O restante foi para os bolsos dos acionistas privados, sendo que 40,6% deles estão fora do Brasil.

 

Petrobrás investiu menos da metade do que pagou em dividendos

Os gestores da Petrobrás no governo Bolsonaro sempre afirmaram que o lucro dos acionistas é a principal missão da empresa, não importa o impacto que o PPI gere na população. Em 2021, a estatal investiu cerca de R$ 47,3 bilhões, menos da metade dos R$ 101 bilhões pagos aos acionistas. “É preciso inverter essa lógica. A Petrobrás tem que voltar a gerar riqueza para o povo brasileiro. O lucro dos acionistas não pode vir em primeiro lugar”, afirma Deyvid Bacelar.

“A Petrobrás, que entre 2003 e 2015, investia em média US$ 26,8 bilhões por ano no Brasil, gerando emprego e renda no país, abastecendo a população com preços justos, precisa ser resgatada e reconstruída”, ressalta o coordenador da FUP, lembrando que em 2013 os investimentos feitos pela Petrobrás chegaram a US$ 48 bilhões. No ano passado, esse valor despencou para US$ 8,7 bilhões.

 

Leia também: “Nós não vamos manter o preço dolarizado dos combustíveis”, diz Lula sobre PPI e Petrobrás

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