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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

05
Abr22

Situação da Petrobras é "cada vez mais confusa e caótica" no governo Bolsonaro, diz jornal francês

Talis Andrade

presidente petrobras.jpegGeneral Silva e Luna e assessores militares receberam boladas em apenas  dois anos de trabalho em Itaipu -

O jornal econômico Les Echos analisa nesta terça-feira (5) a crise na direção da Petrobras e afirma que a companhia enfrenta uma situação "cada vez mais confusa e caótica". O diário conta que Jair Bolsonaro já demitiu dois presidentes da petrolífera desde que tomou posse e enfrenta dificuldades para encontrar um terceiro executivo a seis meses das eleições.

Les Echos explica que foi o aumento de mais de 20% nos preços dos combustíveis que provocou a demissão do general Joaquim Silva e Luna da presidência da estatal no final de março. Na sequência, Rodolfo Landim e Adriano Pires, que tinham sido indicados, respectivamente, para os cargos de presidente do conselho de administração e presidente da estatal declinaram o convite.ImageLula sobre Adriano Pires, novo presidente da Petrobrás: "é lobista" -  Brasil 247

 

Analistas atribuem o recuo a pressões sofridas pelos pretendentes devido a atividades que mantêm no setor privado, que poderiam levantar suspeitas de conflito de interesse. Com uma longa carreira no ramo do petróleo, Pires já vinha sendo ouvido pelo governo brasileiro nos últimos tempos como conselheiro para remediar a crise de preços de combustíveis. Na avaliação do jornal francês, com mais esse episódio confuso, "a Petrobras entra em uma nova fase de turbulência". 

O analista de investimentos Pedro Galdi, da empresa de gestão de ativos Mirae, diz na reportagem que a impossibilidade de Adriano Pires assumir a direção da Petrobras complica os cálculos do governo.

A situação da estatal volta à estaca zero, e Bolsonaro tem agora apenas oito dias para nomear novos executivos. Se a crise de governança se prolongar, ela poderá prejudicar a reputação da Petrobras, que já sofreu dano a sua imagem durante os anos de operação Lava Jato.

Além disso, assinala Les Echos, permanece a incerteza se Jair Bolsonaro irá interferir nos assuntos da petrolífera para tentar controlar a inflação antes das eleições de outubro, ou irá respeitar a política de preços da empresa pública, alinhada com o mercado internacional.

 
12
Mar22

O preço da gasolina e a corrida eleitoral

Talis Andrade

bolsonaro capitao alegria da petros.jpeg

 

"A verdade é que as privatizações, a diminuição de carga de processamento e a redução dos investimentos em refino levadas a cabo pela Petrobrás tornaram o Brasil dependente da importação de cerca de 30% da gasolina, do diesel e do gás. Da mesma forma, o cancelamento de projetos, o arrendamento de unidades e a redução de investimentos fazem com que  importemos mais de 80% dos fertilizantes que utilizamos", escreveu Aloizio Mercadante, que acrescentou:

- Como, desde o golpe contra a presidente Dilma, e como consequência da Lava Jato, a Petrobrás passa por um processo de completo esquartejamento, a empresa não tem mais capacidade de cumprir o papel estratégico de contenção do impacto da variação do preço internacional do petróleo no mercado interno. A Lava Jato e o projeto Temer-Bolsonaro subordinaram a Petrobras aos interesses das 392 empresas importadoras de petróleo e dos acionistas minoritários. 

Além de receberem dividendos bilionários da Petrobrás, os acionistas privados da empresa, boa parte estrangeiros, votarão para premiar com R$ 13,1 milhões a cúpula da estatal. Nesta semana, a Petrobrás anunciou novo reajuste no preço dos combustíveis. Enquanto os brasileiros gastam valores exorbitantes para abastecerem o carro, a elite da Petrobrás recebe cada vez mais dinheiro

O presidente da empresa, general Silva e Luna, e a diretoria receberão pelo menos R$ 1,45 milhão.

A denúncia foi feita pela presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), no Twitter. "Depois de receberem dividendos bilionários, acionistas vão votar distribuição de R$ 13,1 milhões para a cúpula da Petrobrás em prêmio por performance. Chocante! Presidente da empresa, general Silva e Luna, e diretoria vão receber no mínimo R$1,45 milhão! Se isso não é crime, é o quê?", questionou.

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Antonio Cappellari ACIONISTAS DA BR AGRADECEM
@cappellarianton
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Humberto Costa
@senadorhumberto
Quando a gente compara, a gente entende porque o Brasil rejeita Bolsonaro e quer
de novo
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Janio Ribeiro #BrotardaSemente Youtube - Esquerda
@JanioRibeiro
O lucro da Petrbrás dividido aos acionistas foi de 101 bilhões - Lucro de mais de 1000% ao acionista - A bolsa ganha e seu bolso perde.ImageImage
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ImageCharge Animada: Refinaria anuncia aumento na gasolina e no gás
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26
Fev22

Abrasileirar os combustíveis: A missão da Petrobrás não é enriquecer acionistas

Talis Andrade

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R$ 101 bilhões de dividendos

“É inconcebível que a Petrobrás continue praticando preços de importação para enriquecer os acionistas. Se já pagamos mais de R$ 7 o litro da gasolina e mais de R$ 130 o botijão de gás, imagine com uma guerra envolvendo um dos principais produtores de petróleo do mundo, como é o caso da Rússia?”, alerta o coordenador da FUP

 

[Da imprensa da FUP]

Às custas da fome e do desemprego que empurram milhões de famílias brasileiras para a miséria, a gestão da Petrobrás transferiu para os acionistas R$ 101,4 bilhões. É a maior apropriação de dividendos da história da companhia, derivada do lucro recorde de R$ 106,7 bilhões em 2021. Um resultado diretamente associado à política extorsiva de reajuste dos combustíveis, que fez explodir os preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel, que nunca custaram tão caro.

O lucro recorde da Petrobrás que encheu os bolsos dos acionistas também foi construído com a intensificação do desmonte da empresa. As receitas resultantes da venda de ativos subiram 149,6% em relação a 2020, gerando um caixa de R$ 25,5 bilhões.

“Não é à toa que o maior lucro da história da Petrobrás foi obtido no ano em que a população brasileira pagou preços recordes dos combustíveis e quando sofremos um dos maiores assaltos ao patrimônio da empresa, com a privatização de diversos ativos, entre eles a BR Distribuidora e a Rlam. Estamos falando da transferência de riqueza dos 210 milhões de brasileiros para grupos privados de investidores, a maioria deles estrangeiros. É indecente”, afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

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“É inconcebível que a Petrobrás continue praticando preços de importação para enriquecer os acionistas. Se já pagamos mais de R$ 7 o litro da gasolina e mais de R$ 130 o botijão de gás, imagine com uma guerra envolvendo um dos principais produtores de petróleo do mundo, como é o caso da Rússia?”, alerta o petroleiro.

No primeiro dia do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares. Os especialistas já falam em uma grave crise geopolítica de longa duração, com impactos gigantescos nos mercados produtores de petróleo. “Nunca foi tão urgente mudar os rumos da Petrobrás e acabar com a política de Preço de Paridade de Importação. Abrasileirar os preços dos combustíveis, como afirmou o presidente Lula, é a missão número um que temos pela frente”, afirma o coordenador da FUP.

 

40,6% dos acionistas são estrangeiros

Nos três anos de governo Bolsonaro, os combustíveis já subiram cinco vezes acima da inflação, fazendo disparar o custo de vida dos brasileiros. A política de reajuste da Petrobrás, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), sacrifica o povo para enriquecer os acionistas, que já embolsaram R$ 72 bilhões dos dividendos de 2021 e receberão mais R$ 29 bilhões em abril. O Estado brasileiro, que ainda é o controlador da Petrobrás, recebe um terço desse montante. O restante foi para os bolsos dos acionistas privados, sendo que 40,6% deles estão fora do Brasil.

 

Petrobrás investiu menos da metade do que pagou em dividendos

Os gestores da Petrobrás no governo Bolsonaro sempre afirmaram que o lucro dos acionistas é a principal missão da empresa, não importa o impacto que o PPI gere na população. Em 2021, a estatal investiu cerca de R$ 47,3 bilhões, menos da metade dos R$ 101 bilhões pagos aos acionistas. “É preciso inverter essa lógica. A Petrobrás tem que voltar a gerar riqueza para o povo brasileiro. O lucro dos acionistas não pode vir em primeiro lugar”, afirma Deyvid Bacelar.

“A Petrobrás, que entre 2003 e 2015, investia em média US$ 26,8 bilhões por ano no Brasil, gerando emprego e renda no país, abastecendo a população com preços justos, precisa ser resgatada e reconstruída”, ressalta o coordenador da FUP, lembrando que em 2013 os investimentos feitos pela Petrobrás chegaram a US$ 48 bilhões. No ano passado, esse valor despencou para US$ 8,7 bilhões.

 

Leia também: “Nós não vamos manter o preço dolarizado dos combustíveis”, diz Lula sobre PPI e Petrobrás

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