Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Nov20

'Ele disse: vote por mim', diz Luiza Erundina sobre Boulos

Talis Andrade

Image

A candidata a vice-prefeita de São Paulo pelo PSOL, Luiza Erundina, votou neste domingo (29), na Zona Sul de São Paulo, e disse ter ligado para o candidato Guilherme Boulos (PSOL) nesta manhã. O líder do MTST foi diagnosticado com coronavírus na sexta-feira (27) e está em isolamento domiciliar

"Hoje eu liguei para ele e falei: olha, estou indo votar. Ele disse: fica tranquila, nós vamos ganhar, vote por mim. Ele está feliz, está alegre", comentou Erundina, que votou na Escola Estadual Rui Bloem, no bairro Mirandópolis.

Pesquisa Ibope divulgada nesse sábado (28) apontou Boulos com 43% dos votos, e o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), com 57%.

Pesquisa do Ibope sempre favorece candidaturas da extrema direita, que votaram com Bolsonaro e Doria nas eleições de 2018. Muito estranho que o TSE tenha proibido as pesquisas de boca de urna (No primeiro turno foram permitidas).

Quando os resultados são definitivos e consagradores para a esquerda, o Ipobe revela a verdade, para evitar uma desmoralização, a perda total da confiança. 

(Com informações do portal 247)

Guilherme Boulos 50
@GuilhermeBoulos
O aumento do número de internações por Covid em São Paulo é gritante. Mesmo assim Doria, o padrinho de Bruno Covas, marcou pronunciamento para anunciar medidas só 1 dia após as eleições. As conveniências eleitorais valem mais?
Luiza Erundina 50
@luizaerundina
Importante pronunciamento da campanha, daqui a pouco, às 19h.
Quote Tweet
Image
Image
Image
 
29
Nov20

Eleição em Porto Alegre lembra vitória épica do Olívio no RS em 1998

Talis Andrade

Manuela D’Ávila

 

por Jeferson Miola

- - -

A eleição à Prefeitura de Porto Alegre deste ano lembra, em muitos aspectos, a duríssima disputa ao governo do Rio Grande do Sul em 1998, quando a chapa petista Olívio Dutra/Miguel Rossetto derrotou o candidato à reeleição Antonio Britto, do PMDB.

Bitto terminou o 1º turno com 46,39% contra 45,92% de Olívio, que no 2º turno venceu por uma margem de 83 mil votos num universo de quase 6 milhões de eleitores. Olívio fez 50,78% dos votos, contra 49,22% do candidato do então presidente FHC.

O equilíbrio nos números não traduz, entretanto, o brutal desequilíbrio de poder econômico, poder empresarial e poder midiático da máquina poderosa montada pelo conservadorismo gaúcho para impedir aquela que foi a 1ª vitória do PT ao governo do Estado.

Durante seu 1º mandato de governador, de 1995 a 1998, Britto executou a mais selvagem agenda neoliberal em escala subnacional. Fez a privatização das empresas de telefonia e energia elétrica, sucateou as políticas sociais, transferiu mais de meio bilhão de dólares do orçamento público a empresas multinacionais [GM e FORD], fechou órgãos públicos e fechou o lesivo acordo da dívida com o governo FHC que compromete até hoje a capacidade de financiamento do Estado.

Britto era, por isso, o candidato do FHC, do capital financeiro, do patronato, do latifúndio, da direita regional e internacional e do grupo RBS/Globo, que se beneficiou da privatização da CRT [companhia telefônica] durante o governo dele.

O poder abundante e hipertrofiado da candidatura da direita gaúcha se refletiu, também, na mobilização ampla de recursos materiais, financeiros e militantes pagos, e na abundância de práticas vis, criminosas, e de terrorismo político durante toda campanha, em especial entre o 1º e o 2º turnos [de 4 a 25 de outubro de 1998].

A RBS/Globo publicava regularmente, até 2 dias antes da eleição, pesquisas enganosas dando vitória folgada do Britto por pelo menos 10 pontos percentuais.

Na 6ª feira antevéspera da eleição [23/10/98], para ilustrar o clima de terror reinante, patrões e empreiteiros anteciparam a entrega de contracheques nos canteiros de obras e nas empresas e ameaçaram demissões em massa na 2ª feira caso Olívio fosse eleito no domingo [25/10], porque ele “quebraria os contratos com as empresas”, que então se veriam obrigadas a demitir todos funcionários.

A eleição deste ano em Porto Alegre lembra muito o contexto daquela eleição, que acabou tendo como resultado a vitória épica do Olívio Dutra.

Além de ter como seu vice Miguel Rossetto, como Olívio o teve, Manuela também enfrenta toda sorte de violência e vilania política, como Olívio enfrentou. Uma violência até mais ignominiosa pelo fato dela ser uma mulher e, ainda por cima, feminista, antirracista e de esquerda.

sordidez da campanha de Sebastião Melo/MDB, que tem como vice o fundador do golpista MBL [Ricardo Gomes/DEM], não tem limites. É uma campanha suja, que irriga as redes sociais com imundícies e ataques pessoais à Manuela. Neste período, mais de 530 mil publicações deste gênero contra ela foram removidas do facebook por decisão judicial.

Em áudio de reunião de empresários do sindicato patronal da construção civil [SINDUSCON] com o vice Ricardo Gomes/MBL-DEM, tratam Manuela como “essa vadia” que, se eleita, “vai ser um problema muito sério para a cidade”.

Nos últimos dias do 2º turno, carros de som da campanha do Melo circulam pelos bairros da cidade e vocalizam a ameaça de que se Manuela for eleita, os portoalegrenses passarão a comer carne de cachorro e as igrejas serão destruídas!

Na noite de sábado, 28/11/, a menos de 12 horas da eleição, a campanha do Melo, em conluio com o grupo BAND de comunicação divulgou criminosamente pesquisa falsa para esconder levantamento do IBOPE que mostra a virada da Manuela.

Nesta eleição, como na de Olívio/Rossetto em 1998, além da superioridade programática, política e moral e do preparo robusto da Manuela, uma extraordinária força militante tomou conta de Porto Alegre.

Desta vez, também como na eleição ao governo estadual em 1998, outra vez a mudança poderá vencer a vilania, a pistolagem política e o terrorismo da direita representado na candidatura apoiada por Mourão e Bolsonaro e o que há de mais baixo e podre na política.

29
Nov20

Fraude em pesquisa no RS já devia ter gente presa

Talis Andrade

 

crime.png

Extrema direita mela campanha com

pesquisa falsa na véspera da votação

por Fernando Brito

- - -

O Brasil já teve regras que proibiam pesquisas eleitorais a menos de 15 dias das eleições, sob o fundamento de que terminavam por influenciar o eleitor indeciso a “apostar no cavalo vencedor”.

Naquela época, os colunistas de jornal, com informações privilegiadas, gostavam de dizer que “o elevador do candidato tal subiu dois andares” e “o do candidato qual desceu três”.

Liberaram-se as pesquisas sob o argumento de que os institutos de pesquisa eram sérios e os meios de comunicação mais ainda.

Mas o Tribunal Superior Eleitoral e os regionais passaram a ser fiadores das responsabilidades dos que faziam e divulgavam as pesquisas, a partir da obrigatoriedade de que fossem registradas lá.

Portanto, a divulgação de uma pesquisa falsa pela rede Bandeirantes – atribuindo-a ao Datafolha – dando a vitória ao candidato Sebastião Melo em Porto Alegre não é só um crime de fraude à opinião pública como, também, uma ofensa à Justiça Eleitoral.

E, até agora, não se viu uma ação do Ministério Público Eleitoral para descobrir a autoria deste crime.

Só o que há é uma “correção” da Band: “Diferente do que foi publicado anteriormente pelo Band.com.br, não houve pesquisa de intenção de voto para o segundo turno de Porto Alegre (RS) do instituto Datafolha divulgada neste sábado”.

Não houve e a Band publicou?

Não há sigilo de fonte, neste caso. A emissora precisa explicar quem lhe trouxe a informação e exlipar porque a suposta confiabilidade da fonte a dispensou da checagem.

É preciso saber quem levou números falsos, indicando a vitória de Melo, e a mando de quem o fez.

 
29
Nov20

Manuela vota pela manhã: ‘A gente encerra uma campanha marcada por muita violência política’

Talis Andrade

manu filha vota.jpeg

Manuela votou acompanhada da filha, Laura

 

Após café da manhã com apoiadores no hotel Embaixador, no Centro, Manuela D’Ávila (PCdoB) foi a primeira candidata à Prefeitura de Porto Alegre a votar neste domingo (29). Por volta das 10h15, Manuela chegou ao colégio Santa Inês, no bairro Petrópolis, acompanhada do marido, Duca Leindecker, da filha Laura e de apoiadores.

Em breve fala aos jornalistas depois de votar, Manuela comentou a disputa deste ano em Porto Alegre: “Hoje, a gente encerra uma campanha que foi marcada por muita violência política, por muita mentira. Mentira distribuída, primeiro, no submundo da internet e, depois, no mundo oficial, como vocês viram nos caminhões de som e, mesmo ontem, com a distribuição de uma pesquisa falsa, até por parte da própria imprensa”.

Publicou o portal Vermelho: 

datafolha-fake melo.jpg

Na noite de sábado (28), véspera do segundo turno, Manuela e sua campanha voltaram a ser vítimas de nova fake news, desta vez envolvendo falsa pesquisa Datafolha que indicaria vantagem de seu oponente, Sebastião Melo (MDB). A falsa pesquisa foi usada pela campanha do adversário e chegou a ser publicada no site da Band.

“O Datafolha não fez pesquisas eleitorais em Porto Alegre em 2020”, explicou o Alessandro Janoni, diretor de Pesquisas do instituto ao jornal Folha de S.Paulo.

A última pesquisa do segundo turno, feita pelo Ibope, mostra Manuela na frente com 51% dos votos válidos contra 49% de Melo.

Sul 21informou:

Logo após, às 10h40, a candidata acompanhou o voto do vice, Miguel Rossetto (PT), na Escola Professora Dinah Néri Pereira, na Avenida José Bonifácio. Em seguida foi para casa, onde permanecerá a tarde toda e acompanhará a apuração dos votos.

 

28
Nov20

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49%

Talis Andrade

Image

 

Por G1 RS e RBS TV

A pesquisa Ibope encomendada pela RBS TV, divulgada neste sábado (28), aponta os seguintes percentuais de votos válidos para segundo turno das Eleições 2020 para a Prefeitura de Porto Alegre:

O percentual de votos válidos de cada candidato corresponde à proporção de votos do candidato sobre o total de votos, excluídos os votos brancos, nulos e indecisos.

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49% — Foto: RBS TV

Pesquisa Ibope para 2º turno em Porto Alegre, votos válidos: Manuela, 51%; Melo, 49% — Foto: RBS TV

 

 
16
Abr20

Ditadura Militar: Pesquisadores responderam a três inquéritos

Talis Andrade

 

III - Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

por André Bernardo

BBC News

- - -

Muito antes de serem cassados, em abril de 1970, os dez cientistas já eram alvos do regime militar.

Entre 1964 e 1966, responderam a três inquéritos: civil, militar e administrativo. Quando eram chamados para depor, sob acusação de serem "corruptos", "subversivos" e "conspiradores", tinham de responder a perguntas do tipo: "Você é comunista?", "Faz parte de algum partido político?" ou "Exerce alguma atividade política no IOC?".

Em geral, quem respondia "não" a todas as perguntas era liberado em poucos minutos.

Em 1968, o bioquímico gaúcho Fernando Ubatuba, de 51 anos, chegou a passar 14 dias incomunicável no paiol de pólvora do Exército, em Paracambi, a 75 km do Rio, na Baixada Fluminense.

Nenhum dos inquéritos conseguiu provar nada contra qualquer um dos pesquisadores.

"Os relatórios produzidos pelos órgãos de repressão revelaram muitos aspectos nublados do período, como o fato de não existirem provas, suficientes, concretas e reais, sobre a suposta subversão ou inaptidão profissional dos cientistas cassados", afirma o historiador Daniel Elian, autor da dissertação de mestrado Ciência, Política e Segurança Nacional: O 'Massacre de Maguinhos' (1964-1970) e do livro Massacre de Manguinhos: Ciência Brasileira e o Regime Militar (1964-1970), que será lançado em breve pela Editora Hicitec.

Em depoimento ao documentário O Massacre de Manguinhos, de Lauro Escorel Filho, o médico paulista Tito Arcoverde confirma: "Respondemos a vários processos e ninguém foi indiciado".

Por essa razão, quando foi publicada a cassação no Diário Oficial do dia 2 de abril de 1970, a notícia surpreendeu a todos. Logo entenderam que a decisão fora tomada por motivações pessoais.

Para a maioria deles, o médico Francisco de Paula da Rocha Lagoa, ex-diretor do instituto, teria usado o novo cargo, de Ministro da Saúde, para concluir um projeto de vingança.

"Como nós tínhamos denunciado desvio de verba da malária, da peste bubônica e da meningite, estávamos muito visados", afirma Domingos Machado, em entrevista ao mesmo documentário.

jornais informam aposentadoria de cientistas

Aposentadoria compulsória dos cientistas foi destacada em jornais da época

 

Os cientistas foram perseguidos, também, por divergir sobre o papel social do IOC.

Enquanto aqueles que detinham o poder, como Rocha Lagoa, nomeado diretor em 1965, queriam que a instituição se limitasse a produzir soros e vacinas, os cientistas acreditavam que a produção científica era um importante instrumento para o desenvolvimento nacional.

Mais que isso, defendiam a criação de um Ministério da Ciência e da Tecnologia, um sonho que só se tornaria realidade em 1985, com a redemocratização do país.

"Víamos a ciência como algo fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do país. Eu podia me aposentar. Já tinha mais de 35 anos de serviços. Mas, eu disse: 'Eu não. Eu não me aposento. Vou cair. Mas, vou cair em pé'. E fiquei aqui até que me cassaram", relatou Haity Moussatché ao Acervo de História Oral da Casa de Oswaldo Cruz.

Por essas e outras, os dez cientistas foram taxados de subversivos e acusados de conspirar contra a administração pública. Em uma das visitas que fez ao laboratório de Lent, logo que assumiu a direção, Rocha Lagoa chegou a comentar, ao discorrer sobre seus planos para a instituição, que se baseava na orientação do Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos EUA. "Não pude deixar de emitir uma sonora gargalhada", relata Lent, no livro O Massacre de Manguinhos.

Nem o filho do fundador da instituição, Walter Oswaldo Cruz, escapou ileso. Por recomendação de Raymundo de Britto (1909-1988), ministro da Saúde do governo Castelo Branco, Rocha Lagoa ordenou que todo e qualquer recurso destinado ao IOC passasse pelo seu crivo.

Acusado de propaganda subversiva e proselitismo político, Oswaldo Cruz deixou de receber os repasses vindos de instituições americanas, como as fundações Ford e Rockefeller.

Seu laboratório chegou a ser fechado pela direção. Em 1967, teve um infarto fulminante e morreu aos 57 anos.

"Desde 1964, o filho de Oswaldo Cruz foi vítima de perseguição política. Há quem atribua seu adoecimento ao estrangulamento de suas pesquisas", observa Hochman.

Hugo Souza Lopes em Manguinhos

Pesquisador Hugo Souza Lopes em Manguinhos

 

Em 1969, Rocha Lagoa foi nomeado ministro da Saúde do governo Médici e a situação no instituto se tornou insustentável. Seis meses depois de sua nomeação, os dez cientistas que ele perseguira implacavelmente durante sua gestão foram defenestrados da instituição. Em 1978, em depoimento à revista IstoÉ, Rocha Lagoa se isentou de qualquer responsabilidade.

Ao assumir o ministério, explicou ao repórter Maurício Dias, já havia duas comissões de inquérito, ambas instauradas na gestão de seu antecessor, Raymundo de Britto, investigando os pesquisadores.

Em O Massacre de Manguinhos, Lent rebate essa versão. "Como diretor do instituto, o Lagoa pleiteou nossa saída junto a dois ministros, mas não conseguiu. Quando ele se tornou ministro, fez o que quis."

Cientistas reintegrados 16 anos depois

Em 1986, cinco anos depois da sanção da Lei de Anistia, os dez cientistas foram reintegrados à Fiocruz. Apenas Lent optou por não regressar à instituição. Preferiu continuar dando aulas na Universidade Santa Úrsula, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, que o acolhera em 1976.

"Ao voltar para o Brasil, meu pai foi acolhido pela Santa Úrsula e convidado a montar um laboratório de pesquisa. Ele achou que não seria correto abandoná-la para voltar à Fiocruz", relata seu filho, Roberto.

Os demais pesquisadores sugeriram nomes que consideravam importantes para o desenvolvimento de suas pesquisas. O então presidente da Fiocruz, o médico sanitarista Sérgio Arouca (1941-2003), autorizou todas as contratações.Hermen Lent no laboratório

Hermen Lent no laboratório

 

A cerimônia de reintegração aconteceu no dia 15 de agosto e contou com a presença, entre outros, do ator Mário Lago (1911-2002), presidente da Comissão Nacional de Anistia; do deputado federal Ulysses Guimarães (1916-1992), presidente da Câmara; e do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), então vice-governador do Rio.

"A dor que me dói, a lágrima que eu choro, é pelas pesquisas que foram interrompidas e nunca mais se farão. É pelos jovens cientistas que teríamos formado e que não se formarão nunca. A Ciência é a última profissão que não se aprende nos livros. É um cientista que cria outro. E vocês, os mais preparados para frutificar novas gerações, foram proibidos de se multiplicar", discursou Darcy Ribeiro.

Os dez cientistas concederam uma série de entrevistas às pesquisadoras da Casa de Oswaldo Cruz, Wanda Hamilton e Nara Azevedo. Por vezes, caíram na risada ao recordar o absurdo das investigações. Certa vez, foram acusados de promover "feijoadas e vatapás subversivos" nas dependências da instituição.

Emocionados, lembraram, ainda, da solidariedade prestada por seus funcionários. Um deles disse a Sebastião de Oliveira que, caso ele precisasse, poderia pegar o que quisesse em uma conta que mantinha em um armazém das redondezas.

"Homenagear a memória dos cientistas cassados e de todos aqueles que sofreram perseguições políticas é uma advertência: não haverá desenvolvimento científico e tecnológico sem memória, liberdade e justiça. Defender a Ciência é defender a democracia", afirma Hochman.



O Regime de Chumbo e o Massacre de Manguinhos leia aqui

15
Abr20

O “golpe” de Braga Neto que quase ninguém viu

Talis Andrade

Morte gripe mensageiro .jpg

 

II - Um necropresidente e o holocausto brasileiro à vista

 
por Carlos Tautz
 
- - -
 

É lógico supor que Braga Neto tenha aprofundado conhecimento sobre dois assuntos que atormentam Bolsonaro: as milícias e o caso Marielle. Por esta circunstância, chama a atenção o informe do site defesa.net, a voz semiformal dos quartéis, segundo o qual Braga Neto, hoje ministro da Casa Civil, seria desde 30 de abril um “presidente operativo” após ter dado um golpe de Estado que quase ninguém percebeu. Conforme figura no referido site, 

“A nova “missão  informal” foi produto de um “acordo por cima”, envolvendo ministros e comandantes militares e o próprio presidente da República. Sua (de Braga Neto)“missão” busca reduzir a exposição do presidente, deixando-o “democraticamente” (Apud Paulo Guedes) se comportar como se não pertencesse ao seu próprio governo. O general passa a enfeixar as ações do Executivo na crise. Pode, inclusive, contrariar as declarações de Bolsonaro”.

Somente o cotejamento das próximas ações do general-Ministro, do governo e de Bolsonaro confirmarão ou não o golpe. 

golpe braga.jpg

 

Cadáveres a la  Equador?

Na lista de privilégios a militares, Bolsonaro atendeu sistematicamente os interesses pecuniários da elite da tropa, reforçou o status social das Forças Armadas e lhes ungiu com uma aura de honestidade e suposta capacidade administrativa que destoaram no primeiro inepto ano do mandato de nosso necropresidente. 

Essa estratégia deu um ganho estrutural para as Forças Armadas. Ao reforçarem sua imagem – que deve aumentar ainda mais quando as tropas forem mobilizadas para operar hospitais de campanha contra a COVID-19 -, os militares garantem que, no futuro, dificilmente se revertará o status social acumulado. Esta condição os vacinaria contra eventuais futuras Comissões da Verdade em que poderiam vir a ser enquadrados  – lembrando aqui que a CNV, durante o governo Dilma, com todas suas limitações, foi o verdadeiro e pragmático motivo do ódio que colocou este setor entre os principais golpistas (ativa ou passivamente) em 2016.

Apesar disso tudo, a aliança entre militares e o necropresidente já será firmemente confrontada nas próximas semanas, quando aumentar o número de mortos pela COVID-19. Basta uma só foto de corpos no meio da rua a la Equador “viralizar” nas “mídias sociais” e ser explorada pelo hegemônico Grupo Globo – opositor a Bolsonaro, mas não a Guedes, Moro  ou Mandetta – para as Forças Armadas serem obrigadas a decidir se continuam aliadas a um necropresidente que nega a gravidade do coronavírus porque necessita de um holocausto para se justificar.

Com um crescimento rápido e exponencial do número de mortos pela COVID-19 e o impacto da exaustão do sistema de saúde, os militares finalmente terão de responder à pergunta feita há algumas semanas pelo (quase demitido) Ministro da Saúde: “Alguém está preparado para ver os caminhões do Exército transportando corpos?”. Afinal, basta viralizar apenas uma foto de corpos e caixões sendo empilhados para que a população pobre, já duramente atingida pelo desemprego, exploda em reivindicações para muito além de saúde e comida, e passe a cobrar desorganizadamente direitos negados em 520 anos. 

Neste caso, dificilmente Bolsonaro conseguirá se livrar, diante da opinião pública, da responsabilidade maior pela resposta inadequada à COVID-19 e pelas mortes que já começaram a chegar.

O caldo de cultura em que pode se dar uma tal explosão social representaria um importante processo de desgaste político de Bolsonaro. Afinal, já se aproximam dos 30 dias consecutivos os panelaços contra ele nos bairros de classe média da maioria das capitais e maiores cidades do interior do País. Uma espiral de adesões a esses protestos nas favelas – que serão fortemente impactadas pelo coronavírus – produzirá uma situação explosiva no País inteiro.

Hitler operou o holocausto sobre seis milhões de judeus, ciganos, comunistas. A ver se as Forças Armadas brasileiras apoiarão um necropresidente e sua irresponsável política negacionista, que pode levar a morte de até 1,4 milhão de brasileiros – em particular os mais vulneráveis de sempre: pobres, negros e todos aqueles para quem um tal de Estado democrático de direito nunca passou de quimera. 

Se o necropresidente, militares e bancos (sócios ocultos do governo Bolsonaro-Guedes) dobrarem a aposta, como Bolsonaro tem feito reiteradamente, não existirão outras palavras para definir a situação que se instalará a não ser “golpe”, “ditadura” e “holocausto”. (Continua)

previdencia _pelicano bolsonaro morte.jpg

 

15
Abr20

Ditadura militar inimiga do conhecimento

Talis Andrade

sebastiao jossé de oliveira cientista .jpg

Impedido de trabalhar em outras instituições de ensino e pesquisa com verbas públicas, Sebastião José de Oliveira prestou serviços à iniciativa privada.

 

II - Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

'Impacto terrível'

por André Bernardo
BBC News

O episódio entrou para a história da Ciência brasileira como "O Massacre de Manguinhos".

O termo foi cunhado pelo entomologista Herman Lent numa alusão ao bairro da Zona Norte do Rio onde fica o Pavilhão Mourisco, prédio-símbolo da Fiocruz, e eternizado como título de seu livro, lançado em 1978 e relançado em 2019.

A capa da primeira edição, desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), exibe a ilustração do Castelo Mourisco, com uma de suas torres desmoronando.

Com a cassação dos dez cientistas, seus laboratórios foram fechados, suas pesquisas, interrompidas e suas equipes, desfeitas.

"A ditadura militar teve um impacto terrível sobre o desenvolvimento científico brasileiro", avalia a socióloga Wanda Hamilton, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC).

"Não só sobre os dez cientistas cassados, mas sobre todo o Instituto Oswaldo Cruz. Tanto que, em 1974, o ministro da Saúde, Paulo de Almeida Machado, declarou que a Fiocruz era um 'cadáver insepulto' na Avenida Brasil."

Se cada um dos dez cientistas tivesse preparado um profissional por ano, teriam formado, de 1970 a 1986, 160 novos cientistas. Um número grande, mas abaixo do real.

Só na Divisão de Fisiologia e Farmacodinâmica, onde atuava o médico turco Haity Moussatché, havia, em 1970, 20 estudantes.

O biólogo Renato Cordeiro, pesquisador do IOC, era um deles. "Eu e outros estudantes fomos expulsos dos laboratórios e impedidos de entrar na instituição", recorda o autor do posfácio Momentos sombrios para não serem esquecidos pelas novas gerações, do livro de Lent. "Pesquisas foram interrompidas e sonhos, destruídos."

_massacredemanguinhos.jpg

Grupo poderia ter formado, em estimativa conservadora, 160 outros cientistas

 

Buscando sobrevivência

Impedidos de trabalhar em outras instituições de ensino e pesquisa com verbas públicas, os 10 cientistas trilharam os mais diferentes caminhos.

Domingos Machado permaneceu como professor da Faculdade de Medicina de Valença, e Hugo de Souza Lopes continuou suas pesquisas no Museu Nacional, mas, sem poder ser contratado.

Sebastião Oliveira prestou serviços à iniciativa privada e Masao Goto dedicou-se em tempo integral a sua clínica particular. Até assumir a chefia de controle de qualidade de produtos farmacêuticos e alimentícios de uma empresa, Moacyr Vaz de Andrade ficou dois anos e meio desempregado.

"A maior preocupação do meu pai era: como sobreviver sem o salário perdido com a cassação? E sem poder trabalhar em qualquer entidade pública?", recorda o neurocientista Roberto Lent, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e filho de Herman Lent.

"Felizmente, foi acolhido pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Aristides Leão, que o convidou para ser editor das publicações da casa."

Outros quatro cientistas seguiram para o exterior: Augusto Perissé passou a fazer pesquisa científica na França e na Alemanha, Fernando Ubatuba deu aulas na Inglaterra e na Escócia, e Haity Moussatché e Herman Lent foram contratados por universidades da Venezuela.

"As cartas trocadas entre os que partiram para o exílio e os que ficaram no Brasil revelam angústias, problemas e saudades", atesta o cientista político Gilberto Hochman, pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz e professor do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde. ( Continua )

manguinhos- niemeyer.jpg

Ilustração de Niemeyer: ruínas
14
Abr20

Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

Talis Andrade

osvaldo cruz fachada.jpg

castelo osvaldo cruz_parte_de_tras.jpg

Ditadura militar de 1964, o ódio dos gorilas à ciência, representado hoje no terraplanismo defendido pelos ministros do capitão Bolsonaro

 

 

por André Bernardo
BBC News

Quando soube de sua cassação, o entomologista (estudioso de insetos) carioca Sebastião de Oliveira, de 52 anos, custou a acreditar. "Você esquece que hoje é 1º de abril?", rebateu ele à técnica de laboratório do parasitologista Herman Lent que lhe dera a notícia.

Dali a pouco, o telefone tocou. Do outro lado da linha, alguém confirmava a cassação: "Está dando na Rádio Globo". Só depois de ouvir o noticiário é que ele se convenceu. Não foi o único.

Naquele mesmo dia, o químico Moacyr de Andrade, também cassado, procurou o amigo Lent, referência mundial no estudo do barbeiro, o inseto transmissor da Doença de Chagas, para lhe dar a triste notícia: "Não precisei falar nada: o Herman tinha os olhos marejados", contou Moacyr, em 1986.

No dia 1º de abril de 1970, pouco mais de um ano depois do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Sebastião de Oliveira e Moacyr de Andrade foram dois dos dez cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), embrião da atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tiveram seus direitos políticos cassados. Foram aposentados compulsoriamente e impedidos de trabalhar em qualquer instituição pública do país.

brasil_massacredemanguinhos_acervocasadeoswaldocru

Cassação de cientistas freou desenvolvimento de pesquisas por anos no Instituto Oswaldo Cruz

 

Acesso bloqueado
Ao todo, faziam parte da "lista negra" publicada no Diário Oficial, além dos já citados Sebastião José de Oliveira (1918-2005), Herman Lent (1911-2004) e Moacyr Vaz de Andrade (1920-2001), os pesquisadores Augusto Perissé (1917-2008), Domingos Arthur Machado Filho (1914-1990), Fernando Braga Ubatuba (1917-2003), Haity Moussatché (1910-1998), Hugo de Souza Lopes (1909-1991), Masao Goto (1919-1986) e Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1905-1990).

Todos tinham mais de 30 anos de carreira, eram reconhecidos internacionalmente por sua produção científica e coordenavam equipes de jovens pesquisadores em seus laboratórios.

Apesar de seus currículos invejáveis, tiveram que retirar seus pertences às pressas e, a partir do dia seguinte, foram proibidos de colocar os pés na instituição. Até o acesso à biblioteca foi vedado. (Continua)

_hayti nolaboratorio__acervocasadeoswaldocruz.jpg

Haity Moussatché no laboratório; pesquisadores foram impedidos de trabalhar em qualquer instituição pública do país

09
Abr20

Dupla tragédia: entre a pandemia e o neoliberalismo genocida de Bolsonaro

Talis Andrade

ataque corona.jpg

 

 

Por Sônia Coelho

Brasil de Fato

- - - 

Nesta conjuntura tão emblemática, muita gente se pergunta: qual a tragédia maior? A pandemia do novo coronavírus ou o neoliberalismo que, no Brasil, é materializado pelo governo genocida de Jair Bolsonaro?

A resposta é simples: esses dois elementos sintetizam, juntos, o que é o capitalismo hoje. Por causa do modelo neoliberal, que desmonta o Estado e prioriza o lucro das grandes empresas, a tragédia do coronavírus é ainda maior e mais grave para a população pobre no Brasil e no mundo, especialmente para as mulheres pobres e negras, no campo e na cidade.

Desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, temos visto uma verdadeira política de desmonte do Estado brasileiro nas áreas de saúde, educação, assistência social. Sofremos com as privatizações, a reforma da Previdência de Bolsonaro, a reforma trabalhista de Michel Temer, políticas que afetam, de forma ainda mais aguda, a vida das mulheres e da população negra. Estivemos nas ruas permanentemente para enterrar tais propostas, com grandes manifestações e também greves de muito impacto, como foram as paralisações nacionais e a greve das e dos petroleiros, neste ano.

A implementação de todas essas políticas está piorando, concretamente, a vida das pessoas: suas perspectivas, sua rotina, sua estabilidade, seus medos. Está trazendo de volta milhares de pessoas para a pobreza extrema, além da fome e do estrondoso desemprego.

Acirra-se, no Brasil, o racismo, visível não apenas na desigualdade econômica, mas também no genocídio da população negra ainda mais cruel, marcado por uma ideia de que “a polícia tem licença para matar”.


A violência contra as mulheres também cresceu nos últimos anos, inclusive chegando ao feminicídio, que aumentou especialmente entre as mulheres negras.

Os cortes nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres não estão restritos ao âmbito federal. Estão em consonância com o governo muitos estados da Federação que, hoje, são governados pela direita (seja a de Bolsonaro, seja de outros setores). É o caso de São Paulo, que passa pelos desmontes encabeçados pelo governador João Doria (PSDB). Durante a campanha eleitoral de 2018, o governador paulista chegou a se definir como “BolsoDoria”. Mas agora, que está no governo e pretende ser candidato à Presidência, afasta-se de Bolsonaro, fingindo ser uma figura diferente em relação ao presidente. Na cidade de São Paulo, tal política a nível estadual se alinha também à política municipal do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Assim tem sido o mundo em que vivemos. Essa pandemia revelou o que os movimentos sociais e feministas sempre afirmaram: que a tarefa fundamental de manter a sustentabilidade da vida humana somente é possível com um Estado forte, democrático e participativo, com políticas públicas universais e articuladas em todos os âmbitos da vida, com o compartilhamento dos cuidados.


SUS

sus.jpg

 

A aprovação da Emenda 95, o chamada “Teto de Gastos”, aprovada em 2017, congela recursos da saúde, educação e assistência por 20 anos. Não à toa, foi chamada de “PEC da Morte” pelos movimentos sociais enquanto tramitava. Apesar da resistência dos movimentos, passou tranquilamente na Câmara e no Senado, com amplo apoio e desinformação da mídia brasileira. Essa política está fragilizando e destruindo o Sistema Único de Saúde (SUS), fazendo com que a pandemia encontrasse o SUS em estado quase agonizante. O SUS foi o primeiro a necessitar oxigênio, por meio de recursos, para se manter vivo e operante. A pandemia do coronavírus reforçou a importância do SUS como um sistema fundamental para garantir a vida de todos e todas.

O SUS envolve mais do que os atendimentos médicos: garante também os serviços de vigilância sanitária, pesquisas, prevenção e promoção da saúde.


O subfinanciamento, presente desde sua criação, vem sendo intensificado no ultimo período, com uma forte ofensiva privatizante. Querem desmontar o SUS, torná-lo um serviço precário e restrito aos mais pobres, para, então, avançar na privatização geral da saúde. Os países que estão enfrentando esta pandemia com mais segurança e efetividade são aqueles que contam com um sistema de saúde pública universal. Agora, o SUS está no centro e todos clamam para que funcione. Mas, em meio a esta crise, ele só funcionará se a Emenda Constitucional 95 for revogada, o sistema for ativamente fortalecido e os equipamentos do serviço privado de saúde forem colocados a serviço de todas as pessoas.

As mulheres estão na linha de frente deste furacão, afinal são a maioria entre enfermeiras, atendentes, psicólogas, assistentes sociais, faxineiras — funcionárias públicas chamadas de “parasitas” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, há pouco tempo, na tentativa de emplacar uma reforma administrativa para destruir os serviços públicos que restam e retirar direitos das e dos servidores. Na área de serviços, são elas também: nos caixas dos mercados, nas farmácias, nos asilos como cuidadoras de idosos, sem contar o drama de milhares de empregadas domésticas que estão sendo submetidas ao trabalho e ao contágio ou estão em quarentena e sem receber.

Violência doméstica

Outro problema que se acirra com a quarentena é a violência contra as mulheres, o que era de se esperar. Infelizmente, é nos fins de semana e feriados que ocorrem mais casos de violência, pois é quando o agressor está dentro de casa. A casa é, para uma parte das mulheres, o lugar mais perigoso. Bolsonaro, em seu ato de desrespeito à quarentena, foi passear no comércio da Ceilândia, em Brasília, e comentou com os homens ali presentes que as pessoas teriam que deixar a quarentena para ir trabalhar, pois "tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão". Mais uma vez, Bolsonaro justifica a violência contra as mulheres. Mas não existe justificativa para violência. A violência contra as mulheres é estrutural desse sistema patriarcal, racista e capitalista que, por enquanto, (des)organiza nossas vidas. São inadmissíveis as atitudes de Bolsonaro, que atenta contra as mulheres e contra a saúde coletiva. Fora, Bolsonaro!

Em 2007, quando o governo criou o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, os estados e municípios foram interpelados a desenvolver políticas públicas para as mulheres, que inclusive ultrapassem o atendimento às vítimas de violência, pela compreensão de que o enfrentamento à violência requer também políticas que possibilitem autonomia econômica das mulheres, acesso à saúde, assistência social, profissionalização etc.

Após o golpe e, agora, com o governo Bolsonaro, todas as políticas voltadas para as mulheres e para a população negra foram esvaziadas e tiveram seus recursos cortados. Muitos estados e municípios seguiram a lógica federal atual, acabando com Secretarias e demais organismos de políticas para as mulheres, como é o caso de São Paulo.


O retrocesso impacta muito na vida das mulheres e vai na contramão do real papel do Estado: reconhecer que existe uma desigualdade entre homens e mulheres, bem como entre brancos e negros, e eliminar as relações de poder e desigualdade na sociedade.

Em defesa da vida, precisamos garantir o cuidado e derrotar Bolsonaro. O coronavírus trouxe para a agenda uma discussão que passa pela saúde, mas também a ultrapassa. Precisamos de um Estado forte, que invista nas políticas públicas e sociais, esteja a serviço da vida do povo e assuma a tarefa de alterar as desigualdades sociais, raciais e de gênero. Evidentemente, não é com Bolsonaro no poder que conquistaremos isso. A pandemia do coronavírus explicita a seguinte pergunta, que precisa ser respondida cada vez mais amplamente: o que é necessário para a garantia e a qualidade da vida? O trabalho da maioria sustenta o lucro de poucos. Por isso, precisamos transformar a economia. A lógica da acumulação e a austeridade imposta pelo neoliberalismo demonstram ser incompatíveis com a vida da maioria da população. Trocando em miúdos, o capitalismo é incompatível com a vida humana e do planeta.

enterro mandetta.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub