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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Jun20

O risco de acentuar as tendências autoritárias e populistas

Talis Andrade

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II - Omissão de dados da pandemia subestima inteligência da população, diz presidente da Transparência Internacional

Marcia Carmo entrevista Delia Ferreira Rubio
 

 

BBC News Brasil - A senhora disse em uma entrevista que a situação de emergência pode intensificar o viés autoritário. Na Argentina, o Poder Judiciário e o Congresso praticamente não funcionaram em grande parte da quarentena. No Brasil, vemos problemas frequentes do presidente com o Congresso ou com o Supremo Tribunal Federal. No Chile e no Peru, no âmbito da quarentena, foram implementados toques de recolher. Qual a sua visão sobre o que ocorre no Brasil e na região?

Rubio - Não sou especialista no Brasil e, além disso, estou longe. Mas globalmente o que estamos vendo, como resultado da emergência, é a concentração de poder, de decisões, e isso é generalizado. Em alguns países, isso vai acompanhado de tendências mais autoritárias. Ou seja, ‘não só concentro o poder porque preciso, mas começo a tomar medidas que vão além das necessárias na emergência’. E quando isso ocorre com congressos, tribunais e organismos de controle que não funcionam, às vezes com o argumento de que como são empregados públicos as repartições estão fechadas.

Mas existem áreas do Estado que são essenciais. Se os supermercados puderam se organizar para abrir, por que os tribunais de um país não podem se organizar para funcionar também? Existem hoje direitos que estão limitados. Como o direito à mobilidade. Você não pode sair da sua casa, se não for por perto, ou se for para correr (no parque da cidade de Buenos Aires entre 20h e 8h). A emergência justifica algumas restrições, mas não uma limitação absoluta e sem limites. Os parâmetros internacionais em casos de emergência dizem que as limitações aos direitos devem ter um período de tempo.

Quando o presidente da Hungria (Viktor Orbán) definiu algo (poderes extraordinários na quarentena) sem limite de tempo, houve reação na Europa. O risco é transformar algo que é excepcional em regra. E as medidas não podem ser discriminatórias e têm que ser informadas de maneira clara e sujeitas a serem controladas. Na América Latina, ocorreram situações que não respeitaram essas regras.

 

BBC News Brasil - Por exemplo?

Rubio - Por exemplo, na Argentina chegaram a proibir a entrada de argentinos (que vinham do exterior). Isso gerou reações e foi corrigido. E, então, foram organizados voos para levá-los de volta ao país. As férias do Judiciário, ratificadas há poucos dias pela Suprema Corte, também colocam os direitos da cidadania em risco. O que observamos é que nos países onde as tendências autoritárias e populistas já estavam presentes, foram acentuadas. E nos países onde há mais democracia e sem essas tendências, começaram a ser acesas luzes de alerta de excesso ou de abuso de poder.

 

BBC News Brasil - Onde, por exemplo?

Rubio - No mundo, isso ocorreu em vários lados, em muitas declarações, como na Europa. Outro exemplo é o que ocorre na área dos aplicativos tecnológicos. Aqui na Alemanha foi discutido até que ponto o Estado poderia impor a uma pessoa o uso disso (rastreadores) e a decisão foi contrária a obrigatoriedade. A obrigatoriedade passava dos limites da pandemia, que é o objetivo central.

 

BBC News Brasil - Você usa a palavra ‘apidemia’.

Rubio - Sim, porque existe uma epidemia de aplicativos. Em muitos casos, seguindo o modelo do que a China ou a Coreia do Sul fizeram. Os aplicativos foram apresentados como se fossem a chave do sucesso, se é que podemos chamar de sucesso, nas respostas à pandemia. De todos os países democráticos, a Índia foi o único que implementou esses aplicativos. No restante dos países democráticos, os governos disseram ‘aqui está, podem usá-lo, se quiserem’, e com diferentes níveis de consentimento.

A covid-19 enfatizou ainda mais a importância da tecnologia. Não poderíamos estar falando agora (por Skype) se não fosse por ela. Muita gente e muitos setores da economia continuaram funcionando durante a quarentena. Mas do ponto de vista da liberdade de expressão, da vigilância sobre redes sociais, o suposto controle das fake news, alguns governos disseram ‘nós vamos definir o que é fake news’. É um risco. Um risco para a liberdade de expressão, para a liberdade de imprensa e para as redes sociais. A Argentina acaba de aprovar um protocolo de vigilância nas redes sociais que é inaceitável.

 

BBC News Brasil - O argumento oficial é a pandemia.

Rubio - Claro.

 

BBC News Brasil - O argumento é se as pessoas estão respeitando ou não as regras da quarentena.

Rubio - Na verdade é algo que já existia no governo anterior, de Macri (2015-19), apesar de agora esse setor se mostrar surpreso, mas fazia a mesma coisa. E agora uniram (o argumento) à emergência da covid-19. Uma das discussões hoje é se o setor de tecnologia deve ter regulações por parte do Estado, se é algo global ou se a própria sociedade a regulará. As regras são necessárias sim, mas as leis devem ser implementadas. (Continua)

 

20
Abr19

A carta que Alan García deixou antes de cometer suicídio

Talis Andrade

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Não havia contas, nem subornos, nem riqueza. Por isso que eu repeti: outros vendem, eu não.

 

“Cumpri a missão de conduzir o Aprista ao poder em duas ocasiões e impulsionamos outra vez sua força social. Eu acho que essa foi a missão da minha existência, tendo raízes no sangue desse movimento.

Por essa razão e por causa dos reveses do poder, nossos oponentes optaram pela estratégia de me criminalizar por mais de trinta anos. Mas eles nunca encontraram nada e eu os derrotei novamente, porque eles nunca encontrarão mais do que suas especulações e frustrações.

Nestes tempos de rumores e ódios repetidos que as maiorias creem serem verdadeiros, eu vi como se utilizam de procedimentos para humilhar, causar vexame e não para encontrar verdades.

Por muitos anos me coloquei acima dos insultos, me defendi e a homenagem dos meus inimigos foi argumentar que Alan García era esperto o suficiente para que eles não pudessem provar sua calúnia.

Não havia contas, nem subornos, nem riqueza. A história tem mais valor do que qualquer riqueza material. Nunca existirá preço suficiente para quebrar meu orgulho como membro aprista e peruano. Por isso que eu repeti: outros vendem, eu não.

Cumpri meu dever em minha política e nas obras feitas em favor do povo, tendo alcançado as metas que outros países ou governos não conseguiram, não tenho que aceitar humilhações. Já vi outros desfilarem algemados guardando sua existência miserável, mas Alan García não precisa sofrer essas injustiças e circos.

Por essa razão, deixo aos meus filhos a dignidade das minhas decisões; aos meus colegas, um sinal de orgulho. E meu cadáver como sinal de desprezo para os meus adversários porque já cumpri a missão que impus a mim mesmo.

Que Deus, a quem eu vou com dignidade, proteja os de bom coração e os mais humildes”.

 

No tengo por qué aceptar vejámenes. He visto a otros desfilar esposados. Por eso dejo mi cadáver como una muestra de mi desprecio hacia mis adversarios porque ya cumplí la misión que me impuse

 

O texto no original, em espanhol:

“Cumplí la misión de conducir el aprismo al poder en dos ocasiones e impulsamos otra vez su fuerza social. creo que esa fue la misión de mi existencia, teniendo raíces en la sangre de ese movimiento.

Por eso y por los contratiempos del poder, nuestros adversarios optaron por la estrategia de criminalizarme durante más de treinta años. Pero jamás encontraron nada y los derroté nuevamente, porque nunca encontrarán más que sus especulaciones y frustraciones.

En estos tiempos de rumores y odios repetidos que las mayorías creen verdad, he visto cómo se utilizan los procedimientos para humillar, vejar y no para encontrar verdades.

Por muchos años me situé por sobre los insultos, me defendí y el homenaje mis enemigos era argumentar que Alan García era suficientemente inteligente como para que ellos no pudieran probar sus calumnias.

No hubo ni habrá cuentas, ni sobornos, no riqueza. La historia tiene más valor que cualquier riqueza material. nunca podrá haber precio suficiente para quebrar mi orgulho de aprista y de peruano. Por eso repetí: otros se venden, yo no.

Cumpido mi deber en mi política y en las obras hechas en favor de pueblo, alcanzadas las metas que otros países o gobiernos no han logrado, no tengo por qué aceptar vejámenes. He visto a otros desfilar esposados guardando su miserable existencia, pero Alan García no tiene por qué sufrir esas injusticias y circos.

Por eso, le dejo a mis hijos la dignidad de mis decisiones; a mis compañeros, una señal de orgulho. Y mi cadáver como una muestra de mi desprecio hacia mis adversarios porque ya cumplí la misión que me impuse.

Que Dios, al que voy con dignidad, proteja a los de buen corazón y a los más humildes”.

 

20
Abr19

EL DERECHO PERUANO ESTÁ CHUECO

Talis Andrade

Una regla general básica aceptada en la condición de principio universal del derecho procesal por los diversos sistemas jurídicos que existen en el mundo es que en un proceso judicial la comparecencia es una regla y la detención, una excepción.

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Miguel Ángel Rodríguez Mackay

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La decisión de un juez de dictar ayer prisión preventiva por 36 meses en contra del expresidente de la República Pedro Pablo Kuczynski, y por supuesto la anterior, por otro magistrado, de dictar prisión preliminar por 10 días contra el exmandatario Alan García, llevándolo por esta medida a suicidarse, casi como por un imperio, como profesor universitario, escribo esta columna en la idea de exigir poner coto a las enormes falencias que se verifican en la administración de justicia en nuestro país, originando que el derecho peruano sea calificado de grave, donde nada de lo dicho menoscaba ni impacta en la independencia de los poderes del Estado. Lo voy a explicar. Una regla general básica aceptada en la condición de principio universal del derecho procesal por los diversos sistemas jurídicos que existen en el mundo -romano-germánico, anglosajón, islámico, etc.- es que en un proceso judicial la comparecencia es una regla y la detención, una excepción. Uno de los poquísimos países en el mundo -si acaso no es el único- donde el derecho procesal es aplicado al revés es el Perú. Jurídicamente, la única decisión judicial que pone fin al pétreo principio de presunción de inocencia para el encausado es la sentencia condenatoria, pues técnicamente consuma la condición de delincuente al imputado. Guste o no, mientras no se dé este momento procesal -siempre al final del juicio-, el inculpado debe ser considerado potencialmente inocente y en esa calidad privilegiarse para él una carga de preeminente acción protectora del Estado. Aquí es al revés, debiendo el encausado absurdamente demostrar su inocencia. El único criterio imperativo para que un juez dicte orden de detención, sea preliminar o preventiva, es porque existen elementos objetivos de racionalidad jurídica suficientes para sostener que el imputado pudiera rehuir a la justicia, la que no se sostiene en el capricho y mucho menos en la negligencia o la ignorancia. El criterio para privar a una persona de su libertad, aunque sea temporalmente, debe ser jurídico, primando evidencias incontrastables, casi siempre concluidas por la conducta del imputado. Hay que apreciar un juicio únicamente desde el Derecho.

 

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Lavajatismo, um movimento imperialista que derruba e mata líderes populares esquerdistas, para eleger governos da direita ou da extrema-direita na América Latina, quintal do imperialismo. Assim aconteceu na Argentina, no Peru, na Colômbia, no Equador, no Brasil, com o impeachment de Dilma Rousseff, prisão de Lula candidato eleito nas pesquisas de opinião pública, e posse de Jair Bolsonaro presidente, que nomeou Sergio Moro super-ministro da Justiça, da Segurança Pública, da Polícia Federal e da Coaf.    

19
Abr19

Federico Danton impide el ingreso de Ollanta Humala al velorio de su padre: "Es una ofensa que haya venido"

Talis Andrade

Los simpatizantes apristas gritaron "la casa se respeta" cuando se dieron cuenta que el ex presidente Ollanta Humala iba a ingresar a la Casa del Pueblo

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Se le enfrentó. El menor de los hijos del fenecido ex presidente Alan García , Federico Danton, no permitió el ingreso del ex mandatario Ollanta Humala al aula magna de la Casa del Pueblo, donde se velan los restos de García desde el último miércoles tras dispararse en la cabeza.

Danton no solo evitó que ingresara Humala, sino que también declaró a la prensa y explicó que si no lo dejó pasar fue por "todo el daño que le ha hecho a mí, a mi familia y mi padre".

"Es un asesino que se ha dedicado 5 años a difamar a mi padre siendo inocente. Me parece una ofensa que él haya venido a la Casa del Pueblo. Es una ofensa. Él no tiene el derecho a acercarse a mi padre", dijo Federico Danton en medio de la indignación y al partir de la Casa del Pueblo.

"¡FUERA VENDE PATRIA!"

Los simpatizantes apristas lo rechazaron y le gritaron: "¡Fuera, vende patria. La casa se respeta!" en repetidas ocasiones. Pese a que su llegada fue planeada con los congresistas apristas, el ambiente no fue el más propicio.

 

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19
Abr19

Hacer política no es odiar al otro

Talis Andrade

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Luego de la muerte del expresidente Alan García se ha acentuado la polarización política en nuestro país. Por un lado, están los que gritan desaforadamente que el Gobierno, la Fiscalía y hasta la prensa son responsables del suicidio del líder aprista. Por el otro, están los que se solazan con este trágico hecho. Ni lo uno ni lo otro. El Perú pide en estos momentos seriedad y responsabilidad.

Indudablemente, en estos casos, el apasionamiento no suma. Por supuesto, en política hay adversarios y opositores, pero nunca debe haber enemigos irreconciliables, llenos de odio. 

Si las diferencias entre Alan García Pérez y el presidente de la República, Martín Vizcarra Cornejo, parecían irreconciliables, el deceso del líder aprista confirmó esta realidad sin ninguna sombra de duda. Y es que aunque el primero ocupó en dos ocasiones el sillón de Pizarro, durante su funeral no recibirá ningún homenaje de Estado ni de Palacio de Gobierno, una decisión que tomó su propia familia y que la dirigencia del APRA, y su bancada parlamentaria, respaldaron.

Tal determinación se adoptó la noche del último miércoles, cuando el féretro del exjefe de Estado llegó a la Casa del Pueblo, en la avenida Alfonso Ugarte, para su velatorio. Desde entonces, se impidió el ingreso de toda ofrenda y arreglo floral del Gobierno.

Pero ese fue solo el comienzo.La mañana de ayer, congresistas de la Célula Parlamentaria Aprista confirmaron esta postura. La primera en pronunciarse fue Luciana León, quien resaltó que la opinión de los deudos es importante, tal como el rechazo expresado abiertamente por los militantes, traducidos en consignas en contra del actual gobernante.

“¿Qué podemos esperar de una persona que se ha mantenido de espaldas frente a los abusos que viene cometiendo la Fiscalía? Él (Martín Vizcarra) tiene que exigir que no se cometan abusos con el tema de las detenciones preliminares”, remarcó la legisladora.Agregó que el Presidente de la República también ha demostrado indiferencia con su antecesor, Pedro Pablo Kuczynski, y el actual arresto preventivo por el que atraviesa. “Ni siquiera ha tenido un gesto de solidaridad, una palabra o expresión de apoyo a quien le ha dado la oportunidad de estar donde se encuentra”, reprochó.

19
Abr19

Suicidio Alan García: Acabar con el populismo judicial

Talis Andrade

 

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Jaime de Althaus

El suicidio de Alan García afecta al país entero y hiende en cierta medida el ser nacional porque ha sido presidente dos veces, y el presidente de República, como dice nuestra Carta Magna, “personifica a la nación”. Y, aunque muchas veces, sobre todo en los últimos meses, descendiera al terreno de la pequeña política de agravios y estuviera pendiente solo del acoso que sufría, él mismo creía tener un alto sentido de su papel en la historia y en la construcción del país. Por eso, el suicidio no fue el desenlace de un deterioro psicológico, sino un acto político y moral. Fue, en cierta manera, una decisión política. Quizá pensó que el vejamen y la indignidad de la prisión serían una afrenta al país o cuando menos a quien lo encarnó en dos períodos presidenciales. Y prefirió matarse antes de que eso ocurriera. Efectivamente, un acto de dignidad que no puede ser mezquinado.

Y si de algo debe servir este desenlace trágico, es para acabar con el populismo judicial y los abusos manifiestos en las detenciones preliminares y preventivas. Y para terminar de una vez por todas con la criminalización de la política en los casos de donaciones a campañas. Es hora de restablecer el derecho en la lucha contra la corrupción.

 

19
Abr19

Alan García: “Yo no voy a permitir que me exhiban como un trofeo”

Talis Andrade

 

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Las últimas 48 horas. Ante los rumores de una detención preliminar, Alan García resolvió que no dejaría que lo enmarroquen y le coloquen el chaleco de detenido, según la versión de miembros de su entorno que lo acompañaron en las últimas horas.

"Me ha entristecido mucho la noticia del suicidio de Alan García. No me he alegrado y no me contenta saberlo muerto de esa manera", indicó Jaime Bayly con pesar.

"Albert Camus, el gran escritor francés, decía que el único problema filosófico verdaderamente serio de la condición humana era el suicidio y que el suicida debía dilucidar si su vida era digna o no de ser vivida. Yo creo que Alan García comprendió, hoy 17 de abril, que su vida ya no era digna de ser vivida o que su vida vivida malamente en un calabozo peruano era una indignidad que él no quería permitirse a sí mismo y sobre todo permitirle a sus enemigos. Creo que en parte por eso se ha matado", declaró el periodista.

Finalmente, Jaime Bayly manifestó que el líder aprista no soportaba la desgracia de estar confinado diez días en un 'calabozo hediondo'. "Para él, el suicidio era un acto de liberación de la pesadilla en que se había convertido su vida", recalcó.

 

19
Abr19

Suicídio no Peru: quem comanda o mecanismo da Lava Jato que arruinou o continente?

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho

no Balaio do Kotscho 

De que era acusado Alan Garcia, o ex-presidente do Peru, que se matou com um tiro na cabeça ao ser preso pela Lava Jato local?

“O único benefício pessoal, ainda investigado pela procuradoria, seria o pagamento de US$ 100 mil por uma palestra que ele efetivamente deu na brasileira Fiesp. A ação foi delatada por um advogado terceirizado da Odebrecht”, informa a coluna de Mônica Bergamo na Folha.

Ao ler esta notícia me lembrei que o ex-presidente Lula foi condenado e preso sem provas, há mais de um ano, acusado de receber de propina um “triplex” no Guarujá que não é dele.

São os dois casos mais emblemáticos, até agora, do imenso mecanismo lançado há cinco anos, por um juiz de primeira instância, em Curitiba, com o nome de Operação Lava Jato, que abriria filiais nos principais países da América do Sul em nome do combate à corrupção.

Mas será que foi ele mesmo, por sua conta e risco ?

Pelas demonstrações de total falta de competência que deu até agora como ministro da Justiça do governo Bolsonaro, é óbvio que não é o tosco Sergio Moro quem comanda esta operação que destrói tudo o que encontra pela frente: a política, os partidos, as lideranças políticas, as empresas, os empregos e degrada o Judiciário dos países em que atua.

Por onde passa, esse mecanismo de destruição em massa só deixou terra arrasada.

Com que objetivos?

Se foi criado só para combater a corrupção, fracassou, com as novas denúncias e delações diárias, num processo sem fim que quer se eternizar.

Para que serviu, então, depois de fazer tanto estardalhaço com apoio das mídias e das elites locais?

Pela dimensão que ganhou, a Lava Jato mudou as relações de poder e a própria geopolítica do continente, que havia se livrado do secular jugo do Grande Irmão do Norte, e agora volta a ser um quintal dos interesses americanos, com governantes submissos e populações amedrontadas.

Após o ciclo das ditaduras militares aliadas dos EUA nos anos 60 a 80 do século passado, esta pobre região do mundo havia reconquistado a democracia e a dignidade, agora novamente ameaçadas pela ofensiva conservadora que saiu do armário.

O que está em jogo, do Brasil à Venezuela, são os interesses das grandes indústrias petrolíferas e de armamentos, que constituem o verdadeiro poder americano.

Na marcha batida do retrocesso institucional, voltaremos apenas a ser colonias exportadoras de matéria prima barata e importadores de tecnologias e manufaturados do império.

Alan Garcia pode ter sido apenas a primeira vítima fatal desta guerra sem quartel entre quem manda e quem obedece.

Cabe lembrar aqui um áspero diálogo entre o grande empresário José Alencar e o grande banqueiro Olavo Setubal, pouco antes das eleições presidenciais de 2002 que deram a vitória a Lula.

Durante um jantar no apartamento do banqueiro, Lula e Alencar começaram a falar dos seus planos de governo para incrementar o mercado interno com distribuição de renda, quando começaram a ser interrompidos a toda hora por Setubal, com sua voz de trovão:

“Mas isso o império não vai deixar! Não vai dar certo!”

Na décima vez em que ouviu a advertência, Alencar reagiu:

“Que império não vai deixar? Nós não somos um país livre e independente?”

Não tinha jeito. Sem precisar nominar o império a que se referia, o banqueiro insistiu na sua tese, e o empresário perdeu a paciência.

“Pois fique sabendo, doutor Setubal, que se o império não deixar nós vamos pegar em armas!”

Até Lula se assustou com o radicalismo de seu parceiro de chapa e a conversa terminou sem acordo.

Pode agora até parecer engraçado e ingênuo este diálogo, mas ele resume bem a divisão da nossa elite entre quem produz e quem se submete ao deus mercado.

Em 2018, para evitar a volta do PT ao governo, o mercado se uniria a outros setores empresariais para apoiar e bancar financeiramente o capitão reformado, que eles mal conheciam.

O resto, tudo o que estamos vendo agora, é apenas consequência do cumprimento do cronograma estabelecido a partir de março de 2014, certamente não apenas por operadores brasileiros, que aqui levou os militares de volta ao poder e se alastrou por todo o continente.

Nas economias em crise, nos sistemas políticos dizimados, nas instituições em frangalhos, pode-se sempre encontrar as digitais da Lava Jato, o nome de fantasia criado em Curitiba que mudou radicalmente a cara da América do Sul em tão pouco tempo.

Neste cenário, a batalha jurídica de Lula para se livrar da prisão será no futuro apenas uma nota de rodapé na verdadeira história a ser contada daqui a 30 anos, quando o Pentágono liberar seus documentos secretos.

A palestra de Alan Garcia na Fiesp e o “triplex” de Lula ficarão como símbolos folclóricos de um tempo em que as togas se uniram às fardas para impedir que o povo escolha livremente seus governantes _ um tempo de trevas, de terra sem lei, de arbítrio, de idiotas desfilando pelas redes sociais, de destruição da Educação e da Cultura e de todas as conquistas sociais das últimas décadas.

O buraco é mais embaixo. É bom a gente abrir os olhos antes que seja tarde demais.

Brasileiros como José Alencar saíram de moda.

Vida que segue.

 

18
Abr19

Mauricio Mulder tras fallecimiento de Alan García: "Tomó una decisión de dignidad y de honor"

Talis Andrade

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El congresista del Apra Mauricio Mulder se pronunció tras conocerse la muerte del expresidente Alan García. Desde los exteriores del hospital Casimiro Ulloa, el congresista señaló que el fallecido exmandatario tuvo un acto de honor frente a una persecución fascista.

"El presidente García tomó una decisión de dignidad y de honor. Un acto de honor frente a una persecución fascista", señaló en un primer momento.

Horas antes, Alan dijo "aquí queda esperar, ustedes han escuchando el parte médico que se acaba de remitir. El presidente García siempre ha expresado que él es una persona que asume sus responsabilidades frente al Perú, frente al pueblo y frente a la historia", expresó el legislador.

Mulder sostuvo que lo sucedido con Alan García es una "concreción de todo un mecanismo de persecución de búsqueda de popularidad enfermiza por parte de algunas personas induidas de poder".

"El presidente García ha tomado una decisión. Esperemos que esa decisión no lo lleve a situación peor de la que se encuentra en estos momentos. Para nosotros es la concreción de todo un mecanismo de persecución de búsqueda de popularidad enfermiza por parte de algunas personas induidas de poder que quieren pasar a la historia como carceleros. La historia de sus biografías quedarán escritas", manifestó el parlamentario.

La última vez que conversó Mulder con Alan García fue en la noche del último martes a través de WhatsApp. "Estábamos atentos de las circunstancias que podrían venir. No sabíamos que ya se estaba maquinando esta celada de hacer intervenciones abruptas y sin ningún tipo de indicios", indicó.

 

18
Abr19

"Tragam-me a cabeça de Alan García"

Talis Andrade

Salome_with_the_Head_of_Saint_John_the_Baptist_by_Imagem: Salomé com a cabeça de São João Batista, por Artemisia Gentileschi ca. 1610-1615

 

Por Alex Solnik

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Segundo relato da polícia peruana, o ex-presidente Alan Garcia matou-se com um tiro na cabeça hoje de manhã, em sua casa, logo depois de receber voz de prisão preventiva por dez dias. Ele não é o primeiro ex-presidente condenado a cumprir pena de prisão antes do julgamento pela Justiça do Peru.

Alejandro Toledo estava em viagem ao exterior, em fevereiro de 2017, quando um juiz determinou sua prisão preventiva por 18 meses. Acusação: suspeita de ter recebido US$20 milhões da Odebrecht. Toledo não voltou ao país até hoje. Está exilado nos Estados Unidos.

Ollanta Humala e sua mulher ficaram presos durante nove meses, entre julho de 2017 e abril de 2018 por suspeita de lavagem de US$3 milhões da Odebrecht doados à sua campanha de 2011. Saíram graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo peruano.

O ex-presidente Pedro Paulo Kuciznky está em prisão preventiva desde 10 de abril último, acusado de receber propina da Odebrecht na construção da Estrada do Pacífico.

Os policiais que a mando da Lava Jato peruana foram à casa de Alan Garcia contaram que, ao ser informado de que seria preso preventivamente por dez dias ele pediu para ir ao seu quarto, no piso superior.

A seguir, ouviram o disparo. E o encontraram sentado, a cabeça sangrando. Estava ainda com vida. Levaram-no ao hospital, onde, evidentemente, não sobreviveu ao tiro na têmpora. Direita ou esquerda? Ainda não sabemos.

Nas próximas horas e nos próximos dias as investigações e perícias vão esclarecer as circunstâncias.

Levantam-se dúvidas acerca do procedimento policial, dado o ineditismo de permitir que o acusado se ausentasse do recinto em que recebeu voz de prisão. Ele estava, a partir daquele momento, sob custódia do estado.

É o primeiro caso de suicídio de um ex-presidente peruano. Apontam traços de depressão em seu quadro psicológico. Ele já tentara evitar a prisão, mas o Uruguai vetou seu asilo.

O episódio expõe o modelo jurídico-policial punitivista implantado pela Lava Jato no Brasil e exportado para a América Latina. Prender antes de julgar tem sido o padrão ao qual Alan Garcia tentou resistir da maneira e com os meios que tinha à mão.

"Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia" , título de um grande filme do diretor Sam Peckinpah de 1974, parece traduzir o pensamento da Lava Jato peruana em 2019:

"Tragam-me a cabeça de Alan Garcia".

E ele mesmo entregou.

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