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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Set21

STJ recebe denúncia contra Wilson Lima por crimes no combate à Covid-19

Talis Andrade

 

 

por Danilo Vital /ConJur

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A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recebeu, nesta segunda-feira (20/9), denúncia contra o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e outras 12 pessoas por supostos crimes cometidos na compra de ventiladores pulmonares para o tratamento de Covid-19.

Por unanimidade, os ministros acompanharam o voto do relator, ministro Francisco Falcão, no sentido de processar o governador e demais acusados pelos crimes de dispensa de licitação sem observância das formalidades legais, fraude em licitação por aumento abusivo de preços e sobrepreço, peculato e organização criminosa.

Wilson Lima e o ex-secretário João Paulo Marques do Santos também responderão por embaraço à investigação de organização criminosa. Por outro lado, a denúncia foi rejeitada contra outros dois investigados.

O ministro Falcão ainda foi acompanhado na decisão de não desmembrar o processo, embora, entre todos os denunciados, apenas o governador tenha prerrogativa de foro no STJ. Entendeu que essa divisão, com envio dos autos para as instâncias ordinárias, colocaria em risco a instrumentalidade na busca conjunta da verdade na instrução processual e o objetivo de não proferir decisões contraditórias.

A denúncia, oferecida pelo Ministério Público Federal e assinada pela subprocuradora Lindôra Araújo, é fruto de uma investigação que começou em 2020 e durante a qual se apurou que 28 respiradores foram comprados sem licitação por meio de esquema fraudulento.

O esquema
Segundo o ministro Falcão, as investigações conduzidas pela Polícia Federal e a concatenação dos fatos feita pela denúncia do MPF levam à conclusão de que existe justa causa para processar o governador Wilson Lima.

Ele teria exercido o comando de uma organização criminosa com o objetivo de fraudar a compra de ventiladores pulmonares por meio de dispensa de licitação e peculato.

Em suma, isso aconteceu quando pediu ao então secretário de saúde, Rodrigo Tobias, para incluir o empresário Gutemberg Alencar no processo de compra dos equipamentos, em 4 de abril. A data era o limite para recebimento de proposta no procedimento de aquisição, da qual saiu vencedora a empresa Sonoar.

Gutemberg é apontado como o operador do esquema que levou o governo amazonense a considerar vencedora outra proposta, feita pela loja de vinhos FJAP em 6 de abril, fora do prazo inicial fixado no procedimento de aquisição. O valor final foi R$ 496 mil acima do que fora proposto pela Sonoar.

No dia seguinte, 9 de abril, a loja de vinhos recebeu R$ 2,9 milhões do governo amazonense. Em suma, a empresa teria servido como intermediária ao simplesmente comprar os aparelhos da Sonoar e repassar ao poder público com valor supostamente ainda mais superfaturado.

O equipamento que, mesmo durante a epidemia, custava R$ 17 mil (cada unidade) foi vendido por mais de R$ 100 mil ao poder público.

Ainda segundo o relator, houve deliberada adulteração do procedimento de compra, sobretudo para regularização de documentação perante o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Amazonas.

Julgamento longo, caso extenso
Para analisar o recebimento da denúncia, a Corte Especial marcou sessão extraordinária, única maneira suficiente de acomodar o caso. No período da manhã, foram feitas 12 sustentações orais. O julgamento foi interrompido para almoço e, no período da tarde, o colegiado deliberou até o início da noite após a leitura do longo voto do relator.

O único ponto de discordância que surgiu no caso diz respeito a preliminares de cerceamento de defesa, levantada pelos advogados de alguns dos réus em referência à juntada de novos autos pela Polícia Federal após o último adiamento do recebimento da denúncia. A alegação é que algumas das defesas não puderams e manifestar por último quanto a esses documentos.

Também por conta da tramitação tumultuada do caso, o advogado do governador Wilson Lima, Nabor Bulhões, apontou que o relator não teria examinado a matéria na perspectiva da defesa, pois teria liberado o voto para os colegas no sistema eletrônico da corte com muita antecedência.

O relator afastou as alegações, apontando que o adiamento foi justamente para oferecer aos defensores a possibilidade de analisar documentos e se pronunciar sobre os mesmos, além da não-comprovação de prejuízo. Apenas o ministro Raul Araújo divergiu quanto a essa preliminar.

APn 933

05
Set21

Novas denúncias de ex-funcionário sobre esquema das ‘rachadinhas’ sacodem a família Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

“Ela ficava com 80% do meu salário”, afirma ex-assessor de Flávio Bolsonaro, sobre a ex-mulher do presidente, Ana Cristina Valle, apontada como a comandante do esquema

 

por Marina Rossi /El País

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A família Bolsonaro voltou ao centro do noticiário brasileiro nesta semana, em um novo escândalo revelado por mais um ex-assessor do clã. Desta vez, Marcelo Luiz Nogueira de Santos, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriotas), e que se diz muito próximo à família, denunciou e detalhou um esquema chefiado pela advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com ele, Ana Cristina era quem comandava, nos gabinetes do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), todo o esquema das rachadinhas, que consiste em contratar funcionários fantasmas pelos gabinetes e reter tudo, ou a maior parte, de seus salários.

“Ela ficava com 80% do meu salário”, denunciou Nogueira ao portal Metrópoles. De acordo com ele, o esquema teria sido realizado ao longo de anos, e Ana Cristina ficava até mesmo com uma parcela do 13º salário, das férias e até da restituição do imposto de renda. “[Ela] tirava o proporcional que a gente recebia. O 13º, férias, essas coisas todas”, disse o ex-funcionário ao UOL. O enredo narrado por Nogueira aos jornalistas envolve detalhes pessoais da família, expõe a intimidade dos Bolsonaro e dá mais informações sobre um caso que já está nas mãos da Justiça.

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Tanto Flávio quanto Carlos Bolsonaro são alvos de inquéritos que apuram, separadamente, a contratação de funcionários fantasmas em seus gabinetes. Nesta semana, tornou-se pública a determinação da Justiça do Rio de Janeiro de quebrar os sigilos bancários e fiscal de Carlos, de Ana Cristina Valle e de outras 25 pessoas e sete empresas. O Ministério Público do Rio de Janeiro, que abriu as investigações em julho de 2019 sobre as contratações de Carlos Bolsonaro, afirma ter indícios de que vários assessores não cumpriam expediente na casa. Assim, Carlos pode se somar ao irmão, Flávio, que, em outubro do ano passado, foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das rachadinhas.

Os filhos do presidente teriam passado a comandar eles mesmos o esquema depois que Bolsonaro pai descobriu que Ana Cristina o traía com um segurança da família. Segundo Nogueira, o presidente pediu o divórcio em 2007 e teria autorizado que Carlos e Flávio comandassem o recolhimento dos pagamentos de seus supostos funcionários.

Nogueira conta que começou a trabalhar para a família quando ingressou no gabinete de Flávio Bolsonaro. Ali, ele diz que prestou serviços de atendimento ao público e correspondências de 2003 a 2007, e depois disso acabou se tornando uma espécie de assessor direto de Ana Cristina. No total, trabalhou por 14 anos com a família, chegando até a cuidar de Jair Renan Bolsonaro, o filho mais novo do presidente. “Era sozinho, ninguém tinha tempo para ele”, disse. Ele diz não ter como provar todas as denúncias que está fazendo. Mas a proximidade com a família é atestada pelas redes sociais. Há cerca de dois meses, Jair Renan publicou uma foto no Instagram ao lado de Nogueira, para fazer uma homenagem de aniversário. Na legenda, o caçula chama Nogueira de “grande amigo” e afirma que ele “ensinou muito, especialmente a como me tornar uma pessoa boa”.

De acordo com as acusações públicas, até mesmo a mansão onde Ana Cristina vive hoje com o filho, Jair Renan, no Lago Sul, em Brasília, teria sido comprada por meio de um esquema. O imóvel estaria registrado em nome de laranjas “para evitar escândalo”, segundo ele.

O ex-funcionário é o segundo ex-assessor de Flávio Bolsonaro que denuncia o esquema de devolução de salários. Em novembro do ano passado Luiza Souza Paes confirmou ao Ministério Público do Rio de Janeiro que repassava mais de 90% do seu salário a Fabrício Queiroz. Luiza apresentou extratos bancários para comprovar que, de 2011 a 2017, repassou 160.000 reais a Queiroz. Apontado como o operador das rachadinhas, Queiroz chegou a ser preso no ano passado, mas está em liberdade desde março deste ano.

“Fiel e apaixonado”

As denúncias que recaem sobre os Bolsonaro e sua ex-mulher surgem às vésperas da manifestação do 7 de setembro, para quando o presidente convocou seus aliados para irem às ruas em seu apoio. Carolina de Paula, cientista política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, avalia que dificilmente as declarações de Luiz Nogueira causarão algum impacto nos atos da próxima terça-feira.

Em maio, ela e outros pesquisadores realizaram um levantamento com os eleitores que votaram no presidente em 2018, para o Data Iesp. “O que vimos é que a questão das rachadinhas para o público mais fiel ao presidente, que é composto de pessoas mais velhas e associadas à religião, não cola”, afirmou. “Eles não veem as rachadinhas como uma prática de corrupção, dizem ser algo ligado à cultura brasileira e não acham que Bolsonaro é responsável pelo ato dos filhos”, explica. E é esse público que estará nas ruas no próximo dia 7, segundo ela. “Por isso, [as denúncias de agora] não vão ter impacto no 7 de setembro”, afirma. “A não ser que ocorra algo muito forte com Bolsonaro. Mas ainda assim, depende do que for, porque é um público muito fiel e apaixonado”.

Por outro lado, existe um público decepcionado com o presidente que pode ser mais impactado por essas novas denúncias. “São pessoas que votaram nele por causa do discurso da Lava Jato e agora estão arrependidas”, explica Carolina. “Dentro desse grupo, que faz críticas a Bolsonaro, embora ainda o apoie, essas novas denúncias vão repercutir, porque elas solidificam as dúvidas que eles já estavam levantando”. Pedro Estevam Serrano, professor de Direito da PUC-SP, concorda com ela. “Bolsonaro tem um discurso moralista em relação à corrupção e isso [a denúncia das rachadinhas] o desgasta diante de uma parte do eleitorado dele, que é muito cioso diante das questões de corrupção”, afirma.

No entanto, Serrano esclarece que, no âmbito jurídico, não há implicações para o presidente até o momento. “Só se houver alguma forma de participação dele no crime”, diz. “O que se pode cogitar é que ele pode ter tido o poder de interromper a conduta, ter tido ciência da conduta, e não a interrompeu, mas para isso é preciso investigar”. Para Leonardo Yarochewsky, advogado criminalista e doutor em ciências penais pela UFMG, não é por que os filhos cometem crime que os pais serão responsabilizados. “Não há uma implicação direta pelo crime praticado pelos filhos”, diz. “Agora, se Bolsonaro cometer outros crimes em decorrência disso, como, por exemplo, obstrução da justiça, ou seja, impedir que a investigação ocorra, aí sim ele pode responder por isso”.

04
Set21

Bolsonaro tirou ex do controle das “rachadinhas” após descobrir que era traído com bombeiro

Talis Andrade

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Revista Fórum - Jair Bolsonaro passou todo comando do esquema de “rachadinhas” dos gabinetes dos filhos para Flávio e Carlos, após descobrir que a sua ex-esposa advogada, a Ana Cristina Siqueira Valle, o traia com o bombeiro que fazia a escolta da família no Rio de Janeiro.

Esta é mais uma revelação é do ex-empregado, Marcelo Luiz Nogueira de Santos, à coluna de Guilherme Amado. O ex-funcionário contou também que ela foi a primeira a controlar todo o recolhimento de parte dos salários de todos os assessores parlamentares dos dois, respectivamente primeiro e segundo filho de Bolsonaro.

 

Segundo Marcelo, Bolsonaro pediu a separação porque descobriu que a ex-mulher o traía com seu segurança, o bombeiro militar Luiz Cláudio Teixeira, que fazia a escolta do clã no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra na Revista Fórum.

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03
Set21

Após denúncias sobre clã Bolsonaro, parlamentares planejam CPMI da Rachadinha

Talis Andrade

Marcelo Nogueira dos Santos com Ana Cristina em Boate do Rio de Janeiro

 

O Metrópoles publicou novas informações sobre supostos crimes envolvendo a família do presidente da República

 
 
 
 
Em meio às denúncias envolvendo o clã Bolsonaro, publicadas com exclusividade pelo colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, diversos parlamentares criticaram o presidente Jair Bolsonaro, e planejam criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Rachadinha para investigar os casos de corrupção envolvendo apropriação de recursos públicos.
 

Rachadinha é prática ilegal de parlamentares ficarem com parte dos salários dos assessores.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que, desde julho, coleta assinaturas para criar a CPI da Rachadinha e usou um salmo muito utilizado por Bolsonaro para justificar. “Sabe aquela história do ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará’?”, disse.

Deputados, todavia, estudam a ideia de modificar o pedido para incluir as novas denúncias envolvendo a família do presidente e transformá-la em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Neste caso, para ser criada, necessitaria do apoio de 171 deputados e 27 senadores.

01
Set21

Justiça quebra sigilo bancário e fiscal de Carlos Bolsonaro

Talis Andrade

 

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) no âmbito das investigações de desvio de recursos públicos no gabinete do parlamentar na Câmara Municipal. O pedido foi feito pelo Ministério Público e, além de Carlos, de 38 anos, segundo filho do presidente da República, abrange outras 26 pessoas, incluindo a advogada Ana Cistina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro. Sete empresas suspeitas de participar do esquema também tiveram quebrados seus sigilos bancário e fiscal.

Carlos Bolsonaro é investigado por suspeita de se apropriar de salários de servidores lotados no gabinete, mas que não trabalhavam na Câmara, no esquema das rachadinhas que envolve o irmão mais velho dele, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). O vereador afirmou em nota que está à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento às autoridades.

A investigação sobre servidores fantasmas pelo MP partiu de dois casos apurados pelo jornal Folha de S. Paulo. Lotada como oficial de gabinete de Carlos Bolsonaro até abril de 2019 na Câmara do Rio, Nadir Barbosa Goes, 70 anos, moradora de Magé, município localizado a 50 quilômetros do suposto local de trabalho, negou que tenha trabalhado um só dia para o vereador. A remuneração para esse cargo é de R$ 4.271,00 mensais.

Nadir é irmã de Edir Barbosa Goes, 71 anos, que é o atual assessor de Carlos Bolsonaro. Goes é casado com Neula de Carvalho Goes, 66, uma dos nove servidores exonerados do gabinete de Carlos depois que Jair Bolsonaro assumiu a presidência do país. Outra suspeita dos procuradores é em relação a Cileide Barbosa, 43 anos, que foi nomeada em janeiro de 2001 no gabinete no primeiro mandato do vereador e exonerada após 18 anos com vencimentos de R$ 7.483,00.

Cileide é apontada como uma espécie de faz-tudo da família e laranja de um tenente-coronel do Exército ligado à família Bolsonaro e foi babá de Ana Cristina Valle, ex-companheira de Jair Bolsonaro e mãe de Renan Bolsonaro, filho mais novo do presidente. Enquanto esteve lotada no gabinete do vereador, ela aparece como responsável pela abertura de três empresas que têm como endereço o escritório que Jair Bolsonaro usava antes de ser eleito.

Dinheiro vivo

Ao solicitar o acesso a informações bancárias e fiscais dos investigados, os promotores mencionam pela primeira vez, desde a abertura do caso em 2019, o termo “rachadinha”. Ao embasar a quebra de sigilos de Carlos, o MP aponta o “modus operandi” do esquema foi detectado também no gabinete do então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro. A prática consiste em saques de dinheiro em espécie das contas dos assessores fantasmas feitos por funcionários de confiança do gabinete encarregados pela arrecadação. O dinheiro em espécie é direcionado ao pagamento de despesas ou aquisição de bens.

Antes da quebra do sigilo, o MPRJ já apurou que Carlos Bolsonaro movimentou muito dinheiro durante seus mandatos como vereador. Em 2003, pagou R$ 150 mil em dinheiro por um apartamento na Tijuca, na Zona Norte da capital; em 2009, usou R$ 15,5 mil em espécie para cobrir uma operação malsucedida na Bolsa de Valores; e na declaração de bens ao TSE em 2020, na campanha pela reeleição, declarou que tinha R$ 20 mil guardados em casa. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta, segundo enfatiza o MP no pedido, operações financeiras suspeitas envolvendo o vereador. Uma delas mostra que ele é sócio da mãe, Rogéria Nantes Bolsonaro, em uma empresa que movimentou R$ 1,7 milhão entre 2007 e 2019.

Mansão no Lago Sul

Ana Cristina Valle e o filho, Jair Renan, foram morar, em junho deste ano, em uma mansão avaliada em R$ 3,2 milhões, em Brasília. O valor médio dos aluguéis no Lago Sul, região onde está instalada a mansão, não baixa de R$ 15 mil, mas a ex-mulher de Jair Bolsonaro pagaria somente R$ 8 mil. Detalhe: ela recebe R$ 6,2 mil de salário como assessora da deputada federal Celina Leão (PP-DF). De acordo com o Coaf, Ana Cristina recebeu “depósito de elevadas quantias de dinheiro em espécie em sua conta bancária”, no período em que estava lotada no gabinete de Carlos. Em março de 2011, foram parar na sua conta mais de R$ 191 mil e, em julho outros R$ 341 mil. No pedido de quebra de sigilo, o MP cita que o Coaf apontou um saldo em conta de R$ 602 mil, incompatível com a renda.

rachadinhas metade fica com os sabidos bolsonaro .

 

27
Ago21

Filho 04 e ex de Bolsonaro mudam para mansão de R$ 3,2 milhões em Brasília (vídeos)

Talis Andrade

por Juliana Dal Piva e Eduardo Militão

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Jair Renan Bolsonaro, o filho '04' de Jair Bolsonaro, e sua mãe, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente, são desde junho deste ano os mais novos moradores de uma casa no Lago Sul de Brasília. O imóvel, avaliado em R$ 3,2 milhões, fica a quatro minutos da ponte JK, uma das áreas mais nobres e valorizadas da capital.

A família do presidente alugou a casa de um homem que comprou o imóvel por R$ 2,9 milhões (cerca de R$ 300 mil abaixo do valor avaliado da residência), em 31 de maio, dias antes da mudança de Jair Renan e Ana Cristina. O corretor Geraldo Antônio Machado, dono da casa, vive em uma outra, uma edificação modesta a 30 quilômetros do local, num condomínio em Vicente Pires, região administrativa de classe média no Distrito Federal.

"Eu ia mudar para lá [casa do Lago Sul], mas infelizmente a pessoa declinou do meu negócio aqui [casa onde vive]. Eu tive que, infelizmente, alugar. É um sonho morar no Lago [Sul] né. É bem localizado", justificou Machado, ao explicar o motivo de alugar a casa.

Por duas vezes, ele disse à coluna que é o proprietário de fato da casa no Lago Sul. A mansão é o único imóvel registrado em nome dele no Distrito Federal. Machado afirmou que possui outros bens, mas sem escritura.

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O dono da casa no Lago Sul vive em uma residência modesta em Vicente Pires, região administrativa do DF Imagem: Eduardo Militão/UOL

 

A casa no Lago Sul estava à venda até dias antes da mudança de Ana Cristina e Jair Renan, que ocorreu em meados de junho. A coluna registrou imagens dos dois já vivendo no local no dia 22 daquele mês. Antes disso, eles moravam em um apartamento de 70 metros quadrados que está no nome do presidente Jair Bolsonaro.

A coluna apurou que casas com tamanho próximo à de Ana Cristina estão sendo alugadas na mesma quadra por cerca de R$ 15 mil. A advogada, que é assessora da deputada federal Celina Leão (PP-DF), possui um salário líquido de R$ 6.200. Nem a ex-mulher de Bolsonaro, nem Machado quiseram revelar o valor do aluguel.

O imóvel possui um terreno de 1.200 metros quadrados e cerca de 800 metros quadrados de área construída em dois pisos. Ainda tem quatro suítes. Como comparação, essas características se enquadram no que a Prefeitura de São Paulo define como "categoria F", as casas de mais alto padrão da cidade. No anúncio de venda, obtido pela coluna, o imóvel é descrito com diversos requintes.jair renan - Reprodução/UOL - Reprodução/UOL

A casa onde mora Jair Renan e Ana Cristina no Lago Sul em Brasília Imagem: Reprodução/UOL

 

"Quatro suítes, com fino acabamento e todas com closet. Escada em mármore. Suíte master ampla com cerca de 100 m², abre para grande terraço com potencial para jardim, espaço fitness, solarium e outros. Closet amplo na suíte master, com excelentes armários planejados. Banheiro da suíte master com acabamento também elegante e de tamanho avantajado proporcionando conforto e espaço luxuoso. Duas suítes amplas localizadas na parte anterior da casa com amplas varandas que possibilitam vista parcial do Lago", dizia um trecho do anúncio.

 

Local é privativo, destaca proprietário

Na nova residência, Jair Renan e Cristina têm vista privilegiada para a ponte JK, um dos cartões postais do Distrito Federal.

As instalações, segundo o anúncio de venda, possuem "salas amplas com quatro ambientes" e ainda "portas em painéis de vidro para varandas amplas, conferindo excelente ventilação, luminosidade e integração com o jardim e área de lazer". O espaço da sala de jantar possui pé direito duplo o que, segundo o anúncio, traz "modernidade e elegância ao ambiente".

A mansão possui uma piscina com 50 metros quadrados e conta com sistema de aquecimento solar. Há também escritório de "26 metros quadrados" e "dependência completa de empregada com armário". A casa tem sistema de gás encanado e um lavabo "elegante, com acabamentos em mármore e granito".

ana cristina - Reprodução/UOL - Reprodução/UOL

Foto externa da nova casa de Jair Renan e Ana Cristina, localizada no Lago Sul em Brasília Imagem: Reprodução /UOL

 

Seguranças e viagem

A coluna esteve no local na quinta-feira (26) de manhã e chegou a ver o momento em que Jair Renan estava saindo do imóvel empurrando uma mala de viagem.

Ana Cristina acompanhava o filho e falou com a coluna no portão. "Não vou dar entrevista. Não quero comentar não", disse. Questionada se a casa lhe pertencia, a advogada disse: "Claro que não".

Na última pergunta, antes de se despedir, a coluna perguntou se ela alugou o imóvel, e Ana Cristina disse que não iria comentar. Na última semana, mãe e filho chegaram a receber uma festa de uma cervejaria dentro da casa.

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A casa de Ana Cristina e Jair Renan fica no Lago Sul em Brasília, um dos endereços mais valorizados da capital Imagem: Eduardo Militão/UOL/26.ago.2021

 

"Probleminha" interrompeu planos do dono

O dono da casa no Lago Sul onde estão morando Ana Cristina Valle e Jair Renan Bolsonaro é o corretor de imóveis Geraldo Antônio Machado. Ele diz que atua no mercado do Distrito Federal há 13 anos.

A coluna localizou-o na casa onde vive a 30 quilômetros na mansão, também na quinta-feira (26) à tarde, horas depois de visitar a residência do filho "04" do presidente e sua ex-mulher.

Na frente da residência de Machado, uma pessoa pediu que a coluna aguardasse. Depois de 20 minutos, Machado veio à porta e contou que ainda não mora no Lago Sul por causa de um "transtorno". Ele afirmou que comprou a casa para viver lá, mas não conseguiu se mudar.

"Comprei a casa exatamente para mudar para a casa. Deu um probleminha na venda da minha casa aqui. Acabei tendo que alugar", disse ele.

Segundo Machado, ele alugou o imóvel há cerca de dois meses com a ajuda de um escritório em Águas Claras, pertencente a um advogado, e só soube que a casa estava alugada por Ana Cristina nesta semana.

"Fiquei sabendo esta semana", afirmou ele. "Eu odeio política."

Segundo os dados da escritura da casa no Lago Sul, ele pagou com "recursos próprios" uma entrada de R$ 580 mil e financiou o restante, R$ 2,32 milhões, no BRB (Banco de Brasília). O mesmo banco financiou a mansão do senador Flávio Bolsonaro (Patriota), ex-enteado de Ana Cristina, este ano no total de R$ 6 milhões.

Pela negociação feita com o BRB, se Geraldo Antônio Machado pagar a prestação do financiamento em dia ela custa um total de R$ 14.844,11.

Geraldo Machado destacou a privacidade do local. "É uma quadra mais fechada, mais exclusiva, por isso me levou a comprar."

lago sul - Reprodução - Reprodução

Ana Cristina e Jair Renan passaram a morar no local em junho deste ano Imagem: Reprodução

 

Dono alugou mais barato "apesar de ter 3 propostas"

Machado disse que teve três propostas de locação. No entanto, o corretor também disse que fechou o negócio rapidamente porque tinha pressa.

"A princípio, eu ia pedir um valor alto, mas eu pedi um valor de mercado mesmo para alugar rápido e eu resolver meu problema."

Machado disse que não queria revelar o valor do aluguel porque é algo "particular".

"A gente não pode abrir os negócios. Prefiro nem comentar", afirmou o dono do imóvel. Ele também não quis falar sobre o modo como estão ocorrendo os pagamentos. 

A coluna pesquisou os bens no nome de Geraldo Machado e não identificou nenhum outro imóvel no nome dele na região onde ele vive em Vicente Pires e em outros sete cartórios do Distrito Federal. Somente a casa no Lago Sul foi localizada no nome do corretor.

O único cartório que não retornou ainda a pesquisa foi o 5º registro de imóveis, que abrange os imóveis das regiões administrativas do Gama e de Santa Maria.

Machado disse que tem outros imóveis, mas não tem como comprovar a propriedade com escrituras em cartório. Em Vicente Pires, uma parte das residências ainda não tem documentos em tabelionatos, mas apenas a chamada "cessão de direitos", pois, antigamente, eram terras de zona rural pertencentes à União.

O corretor afirmou que está vendendo esses imóveis, inclusive sua residência, para quitar as despesas com a compra da casa no Lago.

"Eu comprei a casa [no Lago] e aluguei. Infelizmente, eu passei por esse transtorno de não realizar outro negócio que eu fiz. Estou trabalhando para vender a casa [em Vicente Pires] o mais rápido possível, a minha, os meus imóveis."

Machado diz que espera poder ir morar no local daqui um ano.escritura - Reprodução - Reprodução

A casa é avaliada em R$ 3,2 milhões, mas foi adquirida por R$ 2,9 milhões, de acordo com escritura Imagem: Reprodução

 

Negócios de Ana Cristina

Ana Cristina atualmente é investigada com outros parentes devido ao tempo em que foi chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre 2001 e 2008. O MP-RJ apura as denúncias de existência de rachadinha e funcionários fantasmas no gabinete do filho "02" do presidente.

Em junho, o podcast "UOL Investiga - A vida secreta de Jair" mostrou a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, irmã de Ana Cristina, admitindo que devolvia 90% do salário e que Jair Bolsonaro demitiu um irmão das duas chamado André Valle porque ele não concordou em devolver o que recebia como assessor do gabinete do então deputado federal, hoje presidente da República.

O episódio 2 do podcast mostra como Ana Cristina começou a montar o seu patrimônio no período em que se uniu a Jair Bolsonaro. Juntos, eles compraram, entre 1998 e 2008, um total de 14 imóveis, cinco deles quitados em dinheiro vivo. Em uma década, o casal trocou o apartamento no Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, por uma mansão na Barra da Tijuca, na zona oeste, com direito a piscina e à vizinhança do ex-jogador de futebol Zico. O patrimônio chegou a cerca de R$ 3 milhões em 2008 - atualizado pela inflação, ultrapassa hoje R$ 5 milhões.

Já no período da separação, ela ficou com dois terços desses bens. A advogada ficou com nove imóveis. No acordo, porém, ela abriu mão da guarda de Jair Renan, que cresceu aos cuidados de Bolsonaro e de Michelle, a terceira mulher do presidente e atual primeira-dama. Ouça os detalhes desta história no episódio abaixo do podcast "UOL Investiga - A vida secreta de Jair".

Com a venda de um apartamento e cinco terrenos, Ana Cristina obteve mais de R$ 2 milhões e passou alguns anos vivendo na Noruega, onde se casou novamente. Quando retornou ao Brasil, seguiu fazendo negócios com dinheiro em espécie. Em 11 de outubro de 2013, comprou um terreno de 420 metros quadrados e, conforme a escritura, pagou R$ 135 mil em dinheiro vivo. Nesse local, no bairro da Morada da Colina, em Resende (RJ), ergueu uma casa de dois pisos, quatro quartos e piscina - o mesmo imóvel que ela deixou para voltar a Brasília, em fevereiro deste ano.

Além desse imóvel, avaliado em mais de R$ 1 milhão, o patrimônio de Ana Cristina é composto pela casa dos pais, também em Resende, estimada em mais de R$ 260 mil; duas salas comerciais no centro do Rio, que valem cerca de R$ 1 milhão; e um apartamento na Barra da Tijuca, também avaliado em R$ 1,2 milhão. Um total de, pelo menos, R$ 3,5 milhões.

Veja aqui vídeos "A vida secreta de Jair" de Juliana Dal Piva

 

10
Jul21

Entidades repudiam ameaça do advogado de Bolsonaro à jornalista Juliana Dal Piva

Talis Andrade

Juliana Dal Piva on Twitter: "Há pouco Wassef, adv do presidente Bolsonaro,  enviou uma msg para esta colunista: "Faça lá o que você faz aqui no seu  trabalho, para ver o que

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão Nacional de Mulheres da FENAJ repudiam veementemente a ameaça do advogado Frederick Wassef à jornalista do UOL, Juliana Dal Piva.

A jornalista vem desempenhando importante trabalho de investigação e expondo possíveis crimes cometidos por Jair Bolsonaro, com uma série de reportagens e podcast documental, nos quais expôs supostos crimes cometidos pelo presidente da República enquanto Deputado Federal, como a “rachadinha” – apropriação de parte do salário de assessores.

Não aceitaremos que o presidente e seus apoiadores sigam ameaçando jornalistas e colocando suas vidas em risco. Exigimos dos órgãos responsáveis imediata apuração da ameaça e proteção à jornalista.

Cobramos também da Comissão de Ética da OAB instauração de procedimento disciplinar contra o referido advogado.

Basta de ameaças às jornalistas, à imprensa, ao livre exercício do jornalismo e à liberdade de expressão, pilares de qualquer Estado Democrático.

À jornalista Juliana Dal Piva declaramos nosso irrestrito apoio e solidariedade.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Comissão Nacional de Mulheres da FENAJ

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10
Jul21

Advogado de Bolsonaro ataca jornalista. ‘Coisa de marginal’, diz senador

Talis Andrade

Gilmar Fraga: nova versão | GZH

Por Redação RBA

A jornalista Juliana Dal Piva, do portal Uol, recebeu no fim da tarde desta sexta-feira (9), mensagem com ataque pessoal e ameaça velada do advogado pessoal do presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef. “Faça lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”, disse ele, pelo Whatsapp.

Juliana é autora do podcast UOL Investiga – A vida secreta de Jair, que revelou nesta semana as conexões de Jair Bolsonaro com um esquema de entrega de desvio de salários de assessores de seu gabinete no período em que era deputado federal.

“Queria te entrevistar. Voce e socialista ?? Comunista ???? Soldada da esquerda brava ??? E daquelas comunistas gauchas guerreira ??? Voce acredita mesmo que este sistema politico e bom para a sociedade e as pessoas ????”, questionou em sua mensagem Wassef. A grafia foi mantida conforme reprodução publicada pela jornalista. “Voce esta feliz e realizada por atacar e tentar destruir o Presidente do Brasil, sua familia e seu advogado ?????.”

O contato realizado pelo advogado foi feito uma semana depois da jornalista ter tentado falar com ele, conta Juliana. “Quero ressaltar algo. Quando Frederick Wassef me enviou essa mensagem hj, eu não tinha feito qualquer questionamento para ele. Eu o procurei sexta 3/7 para ter posição do presidente para as reportagens que foram publicadas essa semana. Desde então ele não tinha falado nada comigo”, disse ela, em seu perfil no Twitter.

Também por meio da rede social, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que a entidade vai apurar o caso. “Minha solidariedade à jornalista Juliana Dal Piva. Vou determinar que a corregedoria da OAB apure o fato ocorrido e tome as medidas necessárias.”

“Ameaçar uma jornalista que está fazendo seu trabalho é coisa de marginal. E lugar de marginal é na cadeia. Toda solidariedade para @julianadalpiva, grande profissional responsável por mostrar para o Brasil a verdadeira face do presidente. É urgente instalar a CPI da Rachadinha”, apontou, no Twitter, o senador e integrante da CPI da Covid Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Representante da bancada feminina na CPI, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) prestou solidariedade a Juliana. “Quando um advogado de presidente da República, no caso Frederick Wassef, ameaça uma mulher jornalista de morte é sinal de que o governo não está em boas mãos.”Frederick Wassef | Humor Político – Rir pra não chorar

Wassef reincidente

Não foi a primeira intimidação a jornalista relatada contra Frederick Wassef. A repórter do Valor Econômico Luísa Martins disse já ter sido abordada por ele em razão de uma reportagem.

“Embora assustador, o comportamento de Wassef infelizmente não surpreende: em 1º de outubro de 2019, ele foi até a porta do STF e me coagiu a entrar no carro dele para reclamar de uma matéria. Não é fato isolado”, postou a jornalista.

A Anistia Internacional também publicou postagem em defesa da profissional. “A liberdade de expressão é um direito humano e deve ser garantido! A @anistiabrasil repudia com veemência todo e qualquer tipo de ameaça contra jornalistas. Nossa solidariedade a @julianadalpiva, colunista do @UOL, e a tantos outros profissionais da imprensa, sobretudo mulheres, que têm sido alvo de grosserias, xingamentos e ameaças, apenas pelo exercício de suas funções”, disse a organização em mensagem.

“Continuaremos na luta e em defesa para que todas e todos que investigam, informam, denunciam fatos de interesse público tenham segurança e liberdade de fazê-lo.”

 
10
Jul21

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro

Talis Andrade

ConJur - Cristina Boner é absolvida pelo TJ-DFT de condenação por  improbidade

Cristina Boner

 

por Constança Rezende e Eduardo Militão /UOL

 

Uma empresa ligada à ex-mulher e sócia do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O valor se refere a pagamentos efetuados entre janeiro de 2019 e junho de 2020 pelo governo federal para a Globalweb Outsourcing — empresa fundada por Cristina Boner Leo.

Os valores pagos à Globalweb em menos de um ano e meio da gestão Bolsonaro, R$ 41 milhões, já chegam aos pagos à empresa nos quatro anos de gestão compartilhada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), R$ 42 milhões.

A empresa presta serviços de informática e tecnologia da informação a diferentes órgãos da administração federal, como o Ministério da Educação e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Segundo levantamento feito pelo UOL no portal da Transparência e Diário Oficial, os contratos que a empresa tinha negociado com governos anteriores foram prorrogados e receberam aditivos de R$ 165 milhões pela gestão de Bolsonaro.

Além disso, o novo governo fechou novos contratos com a Globalweb Outsourcing no valor de R$ 53 milhões — totalizando um compromisso de R$ 218 milhões a serem pagos pelos cofres públicos nos próximos anos.

Questionado, Wassef disse que os negócios da empresa não têm relação alguma com ele, acusou um ex-marido de Cristina de persegui-la e defendeu Jair Bolsonaro. A Globalweb e Cristina negaram "qualquer tentativa de vinculação de seus resultados ou das contratações como fruto de influência política". O Palácio do Planalto não se manifestou. 

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro -  21/06/2020 - UOL Notícias

Foi em um imóvel do Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo, que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso pela polícia na última quinta-feira (18) sob acusação de lavagem de dinheiro. O advogado não quis comentar esse assunto com o UOL.

Cristina representa a empresa em eventos

Aberta em 2010, a Globalweb é hoje administrada por Bruna Boner Leo Silva, filha de Cristina, ex-mulher de Wassef.Bruna Boner Léo Silva e Cristina Boner falam sobre Formação de Liderança

Bruna Boner Leo Silva 

 

Além de ter criado a empresa, Cristina foi apresentada como CEO e presidente do Conselho de Administração da Globalweb, durante fórum do Instituto de Formação de Líderes (IFL), em 2017. Em agosto de 2019, ela também representou a empresa num evento da Rede Nacional de Pesquisas (RNP).

Em junho do ano passado, a empresária foi condenada por improbidade administrativa no chamado "mensalão do DEM" e proibida de fechar contratos com a administração pública até 2022, de acordo com sentença do juiz Mário Henrique Silveira, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. 

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro

Advogado e ex são sócios em terreno

A empresária e Wassef mantêm amizade até hoje, apesar de estarem separados. Até o ano passado, o advogado era representante legal de Cristina em processos judiciais.

Eles também são sócios em um terreno comprado com 339 mil metros quadrados, em São Francisco do Sul (SC). Em maio de 2013, a Justiça de São Paulo chamou Wassef de "companheiro" de Cristina, em processo criminal envolvendo outro ex-marido da empresária.

Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro e diz que tem procurações assinadas pelo presidente que comprovam isso. Ele também costuma dar entrevistas em nome do presidente e frequentar o Palácio do Planalto.

Na quinta-feira (18), a advogada Karina Kufa, que também frequenta o Palácio, enviou nota afirmando que estão com o seu escritório todas as ações do presidente, "sejam elas cíveis, criminais ou eleitorais, em curso no poder Judiciário, exceto aquelas de competência da Advocacia Geral da União - AGU".

"O advogado Frederick Wassef não presta qualquer serviço advocatício em nenhuma ação em que seja parte o senhor Jair Messias Bolsonaro e não faz parte do referido escritório, não constando seu nome em qualquer processo", declarou.

Presidente comprou Land Rover

A empresária também ganhou destaque na imprensa após a revista Veja revelar, em abril do ano passado, que Bolsonaro havia comprado, anos antes, uma Land Rover blindada de uma outra firma dela, a Compusoftware, na época comandada por Cristina. O presidente adquiriu um veículo preto modelo 2009/2010.

À revista, a empresária disse que uma agência de veículos intermediou o negócio e que Bolsonaro quitou a compra por meio de uma transferência eletrônica de R$ 50 mil, embora o veículo, fosse avaliado em cerca de R$ 77 mil à época. Texto atualizado em 21.06.2020. 

Uživatel Humor Político na Twitteru: „“Wassef a metamorfose ambulante..''  https://t.co/ePasHyjfLD… “

 

10
Jul21

Wasseff é a voz de seu dono

Talis Andrade

Presidente da OAB abre processo disciplinar contra Frederick Wassef -  Tribuna da Imprensa Livre

 

por Fernando Brito

- - -

O presidente nacional da Ordem dos Advogados, Felipe Santa Cruz, anuncia que a Corregedoria da OAB vai abrir processo contra Frederick Wasseff pelas agressões e ameaças que fez à jornalista Juliana Dal Piva, ontem, através de mensagem – reproduzida acima.

Wasseff é advogado do presidente da República e de seu filho Flávio e está furibundo com as reportagens de Juliana, publicadas pelo UOL, sobre as rachadinhas, com documentos e áudios que tornam mais que evidente a sucção de dinheiro por pai e filho, recolhendo a maior parte dos salários dos parentes – deles e de Fabrício Queiroz – para engordar seus recursos pessoais.

O advogado é um perfeito representante do clã, expressando-se aos mesmos coices e intimidações em lugar de fatos e argumentos. E, como eles, nos seus mandatos, sempre metido em situações sombrias, como a de ajudar – ou compelir – Queiroz a homiziar-se num sítio particular, registrado como escritório de advocacia para ganhar imunidades legais.

Wasseff é matéria semelhante à que expele, nas suas falas, o seu constituinte presidencial.

A sua notoriedade, se atrai moscas, também o inutiliza. Afinal, onde ele está, está uma suspeita.

Anjo" Wassef vira 'homem bomba' no laranjal - O CORRESPONDENTE

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