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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

11
Jul22

Vassalo de Bolsonaro, ministro da Defesa compartilha artigo lavajatista que diz que eleição de Lula será “ruína moral da nação”

Talis Andrade

Mundo Tentacular: O Carniceiro de Uganda - O Canibal, torturador e Tirano Idi  AminBolsonaro é um projeto de Hitler tropical? - O Cafezinho

Idi Amin, o precursor de Bolsonaro

 

Paulo Sérgio Nogueira compartilhou artigo de um general golpista, da extrema direita, com ataques mentirosos ao ex-presidente Lula

 

Agenda do Poder - O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, compartilhou na noite deste sábado, via WhatsApp, um artigo de um general da reserva que diz que a eventual vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro “será o desastre e a ruína moral da nação e de suas instituições”. Um general que repete a quadrilha da lava jato que destruiu as empresas multinacionais brasileiras. 

A informação é da repórter Malu Gaspar em seu blog no Globo.

Malu informa também:

“O texto não é assinado por Nogueira, mas pelo general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e diretor de geopolítica e conflitos do Instituto Sagres", entidade salazarista composta por militares da reserva. Todos saudosistas da ditadura de 1964, que prendeu, matou e roubou adversários políticos. 

O título do artigo, que também foi publicado na página de Rocha Paiva no Facebook, é “Lula presidente – Ruína moral da nação e das instituições”. 

Em março do ano passado, esse mesmo militar disse que o Brasil vivia o risco de ruptura institucional e que as “Forças Armadas serão chamadas pelos próprios Poderes da União, como reza a Constituição”. 

Questionado sobre o artigo com críticas a Lula, o ministro da Defesa respondeu que “o texto é muito bom” e que o autor “é uma das maiores inteligências da história do Exército”. É! o nível anda mesmo baixo. Daí a liderança de Jair Bolsonaro, que o presidente Ernesto Geisel considerava um mau militar que pedia um novo golpe, a volta da ditadura. 

Bolsonaro foi expulso do Exército pelo seu terrorismo, e parece que, filnamente, seu sonhado golpe vai mesmo acontecer, sendo ele, quem imaginaria, o novo ditador militar, o Idi Amin tupiniquim, o soba de uma republiqueta de bananas com seus generais vassalos.

O envio do artigo pelo WhatsApp ocorre depois de uma semana em que o ministro fez indiretas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma audiência na Câmara dos Deputados e aumentou a tensão entre os poderes ao reforçar ataques de Jair Bolsonaro. 

Adotando um discurso dúbio, Nogueira disse na Câmara que não colocava em dúvida o sistema eleitoral, mas que “nenhum sistema é inviolável” e que “as Forças Armadas estavam quietinhas no seu canto” quando foram chamadas pelo TSE para participar de uma comissão técnica para melhorar a segurança e a transparência nas eleições. Na santa ignorância, o ministro da Defesa deu como possibilidade de fraude nas urnas: o exemplo a clonagem do seu próprio cartão de crédito:

“Tem os bancos que gastam milhões com segurança e eu tive meu cartão clonado há três semanas. A minha esposa, no ano passado”, disse o Pazuello do ministério da Defesa em audiência na Câmara dos Deputados. Leia mais aqui

Intramuros, na reunião ministerial no Planalto, ele adotou um tom diferente, corroborando os ataques de Jair Bolsonaro à corte eleitoral e às urnas eletrônicas. Na ocasião, ele reclamou que o TSE até hoje não atendeu seu pedido para uma reunião específica dos militares com a corte e sugeriu que vai tentar impor um cronograma para que a corte atenda às sugestões dos militares para o sistema eletrônico de votação”. 

Prossegue a coluna:

“Numa entrevista recente, Bolsonaro afirmou que Supremo Tribunal Federal “tudo faz” para “eleger Lula de forma não aceitável”. O petista é hoje o líder de todas as  pesquisas de intenção de voto nas eleições presidenciais. 

O artigo compartilhado por Nogueira ontem diz que Lula “representa o que são antivalores” para as Forças Armadas.

“E, após condenado por unanimidade em três instâncias da justiça e descondenado com base em questões formais de discutível legitimidade, criou-se uma situação de extremo embaraço para as FA (Forças Armadas). Como promover o culto a valores morais, cívicos e éticos, ao mesmo tempo em que se submeteriam e prestariam honras militares a um comandante supremo com o histórico de Lula? Quais os reflexos na coesão, disciplina, autorrespeito e autoestima nas FA?”, questiona Paiva. Que esquece que a ditadura militar de 64 prendeu o presidente JK. E que Lula foi inocentada pelo STF e pela Onu, pelos tribunais brasileiros e internacionais. Que os algozes de Lula já foram condenados pela História. 

O general não menciona e parece não considerar passíveis de gerar embaraço para as Forças Armadas o escândalo de corrupção sobre o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e nem os episódios de tráfico de influência em negociações para a venda de vacinas contra a Covid, na gestão do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde – igualmente capazes de criar embaraço para as Forças Armadas. Idem o orçamento secreto, o orçamento paralelo, o orçamento terceirizado, a pec das eleições, a pec do desespero, a pec kamikaze. 

Não escandaliza a Nação a farra do cabaré do Viagra, do lubrificante íntimo, das próteses penianas tamanho gigante -23 cm. Farra com vinhos, licores, filé, picanha superfaturados. Quando a insuficiência alimentar, a fome de milhões de brasileiros é um tormento exclusivamente civil. 

Mas diz que que a volta de Lula à cena política poderia provocar a “ruína” das instituições, ao discorrer sobre as decisões do STF que restabeleceram a elegibilidade do ex-presidente. 

No passado, o STF anulou as condenações impostas a Lula na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Justiça Federal de Curitiba, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso do triplex do Guarujá. 

A Lava Jato é reconhecidamente uma quadrilha a serviço dos interesses dos Estados Unidos, criada para destruir as empresas multinacionais brasileiras, a destruição da construção pesada, destruicão da construção civil, destruição da indústria brasileira, e de 4,5 milhões de empregos. 

Citando uma declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que disse no mês passado que “ninguém pode esquecer” que houve corrupção no Brasil, o general Rocha Paiva avança: 

“Caso a Nação o eleja em 2022, o Brasil passará um atestado de indigência moral, ferindo de morte o seu futuro”, em apontando o que considera “injustificável a adesão ou a leniência de segmentos da sociedade, inclusive de grande parte da mídia e de empresários, aos desígnios de um político inconfiável como Lula”, ele conclui: “Na realidade, as instituições não funcionam e, por isso, o Brasil é uma pseudodemocracia.” Pior, o Brasil pode ter Bolsonaro como ditador, que bem representa o Exército do gal Rocha Paiva. 

Um trecho do artigo, porém, revela o que talvez seja a real preocupação tanto do general Rocha Paiva como do próprio ministro da Defesa:  “Em sua autocrítica, após a queda de Dilma, o PT e militantes comuno-socialistas declararam que o erro cometido foi não ter assumido o controle das Forças Armadas (FA), em particular de seus sistemas de ensino, promoções e designação de cargos. Assim, para implantar seu projeto de poder, as Instituições mais atacadas serão as FA”.

Ora, ora, o golpe contra Dilma foi para prender Lula, e abrir caminho para eleger Bolsonaro sucessor de Michel Temer, que nomeou Braga Neto interventor militar do Rio de Janeiro que metralhou Marielle Franco. Vide tags 'sinergia golpista', 'stf tutela militar'.

O exército golpista é a escória da Nação, envergonha o Brasil e trama um golpe sangrento com listas estaduais de presos políticos e listas de lideranças marcadas para morrer. 

Esses militares nazifascistas deviam ser presos por conspiração, por tramar uma guerra civil, para manter o centrão, a mamata militar, e desejar um genocida como ditador, o Idi Amin brasileiro, o tenente terrorista Bolsonaro, capo miliciano do Rio das Pedras, que bem representa os coronéis Brilhante Ustra e Paulo Manhães, serial killers.  

 

NAZIL: cartunistas estrangeiros comparam Brasil de Bolsonaro ao nazismo -  Socialista Morena

20 charges sobre o nazismo e outros absurdos no governo Bolsonaro em 2020 –  blog da kikacastro

Chargistas denunciam tentativas de censura: "Como nos piores | Geral

Alemanha acima de tudo! | Opinião

TRIBUNA DA INTERNET

Charge que associa Bolsonaro ao nazismo não gera dever de indenizar

10
Jul22

'Comprem o que comer, e na hora de votar, deem uma banana neles', diz Lula em Diadema

Talis Andrade

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Sobre a PEC Kamikaze, Lula deu um conselho para que a população pegue o dinheiro, compre comida e, depois, na hora do voto, escolha quem tem soluções definitivas

 

Metrópoles - Em evento neste sábado, em Diadema (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT à Presidência da República, falou sobre a chamada PEC dos Auxílios, que deverá ser votada na Câmara nesta semana, com apoio da oposição. O petista deu um conselho para que população pegue o dinheiro, compre comida e, depois, na hora do voto, escolha quem tem soluções definitivas.

“Se o dinheiro cair na conta de vocês, peguem e compre o que comer. Na hora de votar, dê uma banana neles e votem para a gente mudar a história desse país”, disse Lula. Ele refere-se ao governo de Jair Bolsonaro (PL), que lançou o pacote com o objetivo de minimizar o impacto da inflação e do preço dos combustíveis para a população mais pobre.

“Não se recusa dinheiro não. Se cair o dinheiro pegue, mas na hora do voto é preciso votar em quem vai cuidar desse país definitivamente”, disse o petista, lembrando que os benefícios, pelo projeto do governo, só valem até o dia 31 de dezembro.

 

 

 

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09
Jul22

Varrer da esquerda pra direita

Talis Andrade

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Lenio Luiz Streck no Twitter
 
 
Lenio Luiz Streck
O Brasil é demais. Parece que o Anonimus Nescius que deixou gasolina derramar (vide Twitter que postei) está devendo IPVA. Bingo! Tinha que ser!! Deve estar esperando, agora, um auxílio -IPVA! Deve ser a próxima PEC.

Manchete de Zero Hora, maior jornal do RS: “Argentina caminha para o fundo poço”. Bingo. E o Brasil vai muito bem, caríssimos jornalistas e jornaleiros. A PEC Kamikaze, parlamento apatifando a CF. E TCU apontando superfaturamento de Viagra por militares! Brasilll!!
PEC KAMIKAZE
J. Bosco
Não quero me meter na vida dos outros. Mas já que o cara postou, expôs-se. Assumiu o risco! Comete crime, inclusive. E se vangloria de seu gesto idiota. Eco tinha razão: os idiotas perderam o pudor. Surge a figura do anonimus nescius. Pega fogo, cabaré!

Brasileiros não sabem o que está na PEC do Vale Tudo. Nem a oposição. Desde Emendas secretas impositivas em 2023 até o total de “bondades” de 343 Bi. Brasil é filme TRASH: Quer-se sério, mas aparece o zíper da fantasia do monstro. Como “Ataque dos Vermes Assassinos”. Alguém viu?Pec Kamikaze | A Gazeta
 
SOBRE A AGORA JÁ FAMOSA PEC do “vale tudo” ou do arrastão, pergunto: O BRASIL morre no final? Tem spoiler?
PEC do vale-tudo: só o Serra votou contra. Larguei. Não há mais Constituição. E com o auxílio da oposição. Que entrou numa fria, votando a favor de uma PEC inconstitucional. Hegel disse no séc XIX: Alemanha já não é um Estado (Deutschland ist kein Staat mehr). O Brasil também!!PEC Kamikaze
Ai é que está.
Replying to @LenioStreck and @MartinHolistica
...Com apoio de QUASE TOTALIDADE DOS SENADORES. Os mesmos que aprovaram um Aras, um Nunes Marques e um Mendonça. Apenas um senador votou contra ( PSDB ). Deviamos cancelar todos esse "politicos" nas redes sociais e não dar palco e nem voto e VARRER da ESQUERDA pra DIREITA.Image
 
Governo mete goela abaixo a PEC do Desespero. Raspando as burras do Estado. Arrastão do Centrão. 39 bilhões fora do teto. PIX caminheiro de 6 bi. Etc etc . E dizem que as instituições funcionam. E cria Estado Emergência. Tout và très bien, madame.
Tudo normal
.PEC Kamikaze - charge do Fraga - Blog do Guara
El Pais hoje: Congresso espanhol “ilegalizará” o franquismo e investigará crimes até 1983. E suprimirá títulos. Isso lhes diz algo? Por aqui, tudo ao contrário: Presidente e deputados fazem apologia à torturador. Promove-se Ustra a Marechal. E se fala em golpe todos os dias…!Image
 
Lenio Luiz Streck
Moro, famoso ex-juizeco, faz um vídeo infame-criminoso contra Lula. Moro deve ter bebido. Não há outra explicação para tamanha degradação. Atingiu o fundo poço. Ou enlouqueceu. Ou está deprimido? Tem de se tratar. O vídeo só mostra que foi mesmo parcialImageNinguém morre de tédio em Pindorama. Com a prisão de M. Ribeiro, casa civil compra sem licitação 100 caixas de Bepantol (para queimaduras de rosto)! E também Nebacetim. Queimaduras fortes.Image
08
Jul22

PEC Kamikaze – a morfina eleitoral do governo Bolsonaro

Talis Andrade

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Proposta é um simples paliativo para a grave situação econômica pela qual passa o Brasil

 

por José Luis Oreiro /A Terra É Redonda

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A pouco menos de 100 dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022 a base de apoio do governo Bolsonaro no Senado Federal conseguiu aprovar, com o apoio praticamente unânime da bancada de oposição (com a exceção do senador José Serra) a PEC 1/2022, que cria uma série de políticas públicas para amortecer o impacto da elevação dos preços dos combustíveis e da inflação sobre a população brasileira.

Entre essas políticas destacam-se um auxílio de R$ 1.000 para os caminhoneiros, o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 com ampliação da base de beneficiários do programa em aproximadamente 1,6 milhão de pessoas – número equivalente ao de pessoas que estão atualmente na fila de espera do benefício por fazerem jus ao mesmo – e o aumento do valor do vale-gás para a população de baixa renda. O valor total das medidas está estimado em R$ 41,2 bilhões para o ano de 2022. Deve-se destacar, contudo, que tais medidas têm prazo de vigência até o dia 31 de dezembro, quando termina o mandato presidencial de Jair Messias Bolsonaro.

Os economistas liberais, muitos dos quais apoiaram a eleição de Bolsonaro em 2018 por temerem que um eventual governo de Fernando Haddad traria de volta (sic) o “populismo fiscal”, estão agora aterrorizados com a destruição de facto, ainda que não de jure, do teto de gastos implementado na gestão de Michel Temer por intermédio da EC 95.

A facilidade com a qual o Senado Federal suspendeu, ainda que temporariamente, o teto de gastos deixa muito claro que (i) colocar uma regra fiscal na Constituição Federal não é garantia de que a mesma será cumprida sob quaisquer circunstâncias e (ii) o teto de gastos é uma regra fiscal anacrônica que amarra as mãos dos formuladores de política econômica, tirando o espaço de manobra necessário para se enfrentar “eventos inesperados” como a forte elevação dos preços internacionais da energia e dos alimentos decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia no dia 24 de fevereiro de 2022.

Como qualquer economista que se tenha dado ao trabalho de ler ao menos uma vez a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda do economista britânico John Maynard Keynes sabe muito bem, o processo de tomada de decisão – tanto do setor público como do setor privado – está sujeito à incerteza, ou seja, a ocorrência de “eventos inesperados”, a qual demanda flexibilidade para adaptar-se às novas circunstâncias que não haviam sido originalmente previstas. Nesse contexto, uma regra fiscal rígida como o teto de gastos é o equivalente a atar-se ao mastro de um navio na esperança de que ele não será afundado por uma tempestade não prevista.

A PEC 1/2022 foi rapidamente denominada de PEC Kamikaze por parte da imprensa e da oposição. Eu, francamente, não consigo concordar com o, por assim dizer, apelido. Como é bem sabido, os kamikazes eram os pilotos da força aérea do Império do Japão, que numa tentativa desesperada de impedir o avanço da imensamente superior esquadra norte-americana em direção ao arquipélago japonês na Segunda Guerra Mundial, jogavam seus aviões carregados de bombas sobre os porta-aviões norte-americanos com o intuito de afundá-los. Está claro que se tratava de uma missão suicida cujo resultado foi inócuo: as perdas sofridas pela esquadra norte-americana puderam ser rapidamente substituídas pela enorme capacidade industrial dos Estados Unidos.

Não há dúvida de que a PEC 1/2022 é a tentativa desesperada do governo Bolsonaro de reverter a enorme rejeição do governo (cerca de 55% do eleitorado se diz contrário ao atual governo) e assim ter chance de (i) levar a eleição para o segundo turno e (ii) conseguir reduzir a vantagem de Lula sobre Bolsonaro para, no evento de derrota nas urnas, poder contestar o resultado das eleições, numa edição à moda brasileira do 6 de janeiro de 2020 nos EUA. O que não está claro, no entanto, é o caráter “kamikaze” dessa PEC. Na sequência vamos analisar essa questão mais detalhadamente.

O que exatamente o governo tem a perder com essa PEC? Os economistas liberais vão dizer que se trata de um atentado à (sic) responsabilidade fiscal. Sobre esse ponto quero tecer duas considerações. Em primeiro lugar, quando comparado ao valor gasto em 2020 com as diversas medidas de enfrentamento dos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19 (cujo valor alcançou quase R$ 600 bilhões), a PEC 1/2022 é bastante modesta: trata-se de pouco menos de 7% do valor gasto naquele ano.

Em segundo lugar, a PEC 1/2022 não difere substancialmente das medidas que países como Espanha e França estão adotando para amortecer o impacto sobre a população mais pobre do aumento dos preços da energia e dos alimentos. Com efeito, no último dia 25, o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, anunciou um pacote de medidas que incluíam um auxílio de € 200 mensais para os trabalhadores de baixa renda, por conta própria e para os desempregados, além de um aumento de 15% nas aposentadorias não contributivas e por invalidez. O valor desse pacote de medidas está estimado em € 9 bilhões, o equivalente a R$ 52,2 bilhões.

A inação do governo Bolsonaro certamente lhe custaria a derrota nas eleições de outubro já no primeiro turno. Dessa forma, para o Palácio do Planalto trata-se de um claro jogo de ganha-ganha.

Minha crítica à PEC 1/2022 é de que ela é um simples paliativo ou “morfina” para a grave situação econômica pela qual passa o Brasil. O Banco Central já declarou publicamente que, pelo segundo ano consecutivo, a inflação irá fechar acima do teto do regime de metas de inflação, devendo ficar entre 8 e 9% em 2022. Embora a expectativa de crescimento do PIB tenho sido revista para 1,7% ao longo deste ano, trata-se de um crescimento pífio equivalente a 60,7% do ritmo de crescimento observado no período 1980-2014 e insuficiente para recuperar o PIB do ano de 2013! Por fim, mas não menos importante, deve-se destacar que entre março de 2021 até fevereiro de 2022, o número de famílias na pobreza – segundo dados do Cadastro Único – aumentou em 29%.

As medidas previstas da PEC 1/2022 podem atenuar, mas estão bem longe de serem capazes de resolver esses problemas, ou seja, é muito pouco e muito tarde tanto para resolver os graves problemas socioeconômicos do país, como para salvar o governo Bolsonaro da derrota certa nas urnas nas eleições de outubro de 2022.

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08
Jul22

Retrato de uma nação ferida

Talis Andrade

 

A crise social na qual o Brasil está mergulhado desde o Golpe de 2016, que levou à deposição de Dilma Rousseff da Presidência da República por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade, mantém o povo refém da agenda econômica tocada por Paulo Guedes no governo de Jair Bolsonaro.

O resultado é o aumento da pobreza, que já supera 40% da população em 14 estados brasileiros, a inflação fora de controle, que explica a falta de comida na mesa do povo, e o aumento da desigualdade e da fome. Falta emprego para o povo.

“Este país não nasceu para ser pequeno e esse país não nasceu para que o povo passe fome. Não tem explicação alguém em Piracicaba, ou alguém em minha Caeté, lá em Pernambuco, ou alguém na capital de São Paulo ir dormir com fome porque não tem o que comer”, afirma, indignado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele voltou a sinalizar o compromisso de acabar com a fome vez e fazer o Brasil voltar a crescer, a se desenvolver, a gerar emprego e oportunidades para as pessoas.

“O que nós queremos na verdade é provar que este país não precisa ter fome. Já fizemos isso uma vez. Não tem explicação econômica nem política do povo brasileiro ter fome, 33 milhões de pessoas passando fome e 105 milhões com algum problema de insegurança alimentar, sem conseguir as proteínas e calorias necessárias para sobrevivência’, disse, durante entrevista concedida à Rádio Educadora, de Piracicaba (SP), na quarta, 30.

O ex-presidente da República, que lidera o movimento Juntos pelo Brasil ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), tem defendido que a situação dramática atual pode ser revertida. E que a derrota de Jair Bolsonaro em outubro será a primeira medida para fazer o país se reencontrar com um modelo de desenvolvimento econômico com Justiça social. “O país está desmontado, as instituições estão desacreditadas, brigando entre si. Precisamos fazer o pais voltar à normalidade”, defende Lula. “Este país precisa voltar a ter paz, voltar a ser humanista para que a gente se trate bem e se respeite. E isso vai acontecer com muito investimento para gerar emprego e esperança. Estou convencido de que isso vai acontecer”.

O aumento da pobreza é um problema a ser enfrentado imediatamente, diante da situação de descalabro. Na última semana, um estudo da FGV Social mostrou que em 14 estados mais de 40% da população estão em situação de pobreza. Em quatro estados, o percentual ultrapassa a metade da população: Maranhão (57,90%), Amazonas (51,42%), Alagoas (50,36%) e Pernambuco (50,32%). Na média brasileira, a parcela é de 29,62%, ou quase um terço da população vive em situação de pobreza. Ao todo, eram 62,9 milhões de brasileiros em 2021 nesta situação, quase 10 milhões a mais que em 2019.

Por esta classificação, pobres são aqueles que vivem com menos de R$ 497 per capita por mês ou U$ 5,50 por dia. A linha de corte de R$ 497 per capita mensal por mês é a mais alta para se classificar o contingente de pobres no país e segue os critérios internacionais de pobreza. Pelo Auxílio Brasil, por exemplo, só é considerado pobre quem vive com menos de R$ 210 per capita por mês.

O estudo da FGV Social aponta ainda que 25 das 27 unidades da federação registraram aumento do percentual da população na pobreza entre 2019 e 2021. A pior evolução dos indicadores no período da pandemia foi observada em Pernambuco, com um aumento de 8,14 pontos percentuais: o percentual de pobres subiu de 42,18% em 2019 para 50,32% em 2021.

 

“O contingente de pessoas com renda domiciliar per capita até R$ 497 mensais atingiu 62,9 milhões de brasileiros em 2021, cerca de 29,6% da população total do país. Este número representa 9,6 milhões a mais que 2019, quase um Portugal de novos pobres surgidos ao longo da pandemia”, alerta o economista Marcelo Neri, responsável na FGV Social pelo estudo produzido a partir de microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele foi ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Dilma Rousseff.

Essa tragédia social é que tem levado Lula e Alckmin a destacarem que é prioridade cuidar do bem-estar da população no novo governo, a partir de janeiro de 2023. “Quero criar um estado de bem-estar social em que as pessoas trabalhem, as pessoas morem, as pessoas comam, as pessoas vivam em paz”, defende o ex-presidente.

O ex-presidente declarou que está preocupado com o endividamento crescente das famílias brasileiras. “É preciso reduzir a política de juros, é preciso resolver o problema da dívida de 70 milhões de famílias brasileiras que estão endividadas nos cartões, algumas porque estão utilizando o cartão para comprar comida”, declarou. Ele considera que o endividamento da população e  a inadimplência são consequências do contexto de desemprego, inflação alta e empobrecimento da população sob Bolsonaro, que retirou direitos dos trabalhadores e não criou políticas de valorização do salário mínimo e de geração de emprego.

Em 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez, assegurar que cada brasileiro pudesse tomar café da manhã, almoçar e jantar foi uma obsessão do governo federal. O poder de compra do salário mínimo aumentou continuamente durante todos os anos das gestões de Lula e Dilma. Em 2014, o Brasil saiu do Mapa da Fome das Nações Unidas.

No começo de junho, o país se assustou com a revelação do IBGE que apontou que o Brasil tem 33 milhões de pessoas passando o dia todo sem comer nada e qye apenas quatro em cada 10 famílias brasileiras têm acesso pleno à alimentação. Bolsonaro trouxe de volta a fome e hoje um salário mínimo não compra sequer uma cesta básica em São Paulo.

Em 2006, durante o governo Lula, era possível comprar duas cestas básicas (R$ 172,31) com um salário mínimo (R$ 350). O mesmo acontecia no governo Dilma. Em 2014, a cesta valia R$ 354,63 e o salário mínimo era R$ 724. Em maio de 2022, em São Paulo, uma cesta básica custava R$ 1.226,12, enquanto o salário mínimo é de R$ 1.212 – são R$ 14,12 a mais.

Ex-ministra de Desenvolvimento Social, a economista Tereza Campello diz que deixar a fome voltar foi uma opção do governo Bolsonaro. Em entrevista ao Jornal PT Brasil, ela acusou o atual  presidente de adotar medidas que permitiram chegarmos ao caos que o Brasil vive hoje. “Nos governos Lula e Dilma, ano a ano, a insegurança alimentar caiu. Se olharmos o governo Bolsonaro, ano a ano a insegurança alimentar cresceu. E isso começou a acontecer antes da pandemia”, observou.

Entre as opções feitas pelo Palácio do Planalto e que favoreceram a volta da fome, Tereza destaca o desmonte de políticas de segurança alimentar, como o apoio à agricultura familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos e o programa de cisternas.

“O governo tinha que viabilizar o acesso à alimentação, à renda e a produtos saudáveis”, defende. “Isso é tarefa do governo: fazer política de segurança alimentar e nutricional. Inclusive é um dispositivo da Constituição Federal, que diz que a população tem direito a alimentação adequada e saudável. Para garantir esse direito, tem que haver políticas públicas”.

Na quinta-feira, 30, a derrota do governo diante da inflação se tornou oficial. O Banco Central apontou que probabilidade de a inflação ultrapassar os limites do intervalo de tolerância da meta este ano subiu de 88% na estimativa de março para 100%. E sinalizou que a inflação deverá continuar em alta em 2023.

“A surpresa inflacionária no trimestre decorreu do comportamento dos preços livres, principalmente de alimentos. A inflação de serviços e de bens industriais se mantém alta, e os recentes choques continuam levando a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustíveis”, aponta relatório do BC. Ou seja, não há muito o que fazer, se depender da autoridade monetária.

O cenário econômico ruim é agravado pela perspectiva de uma recessão, que parece inevitável no país. A avaliação não é de nenhum economista heterodoxo ou político de esquerda, mas de gente do mercado financeiro. Essa é a opinião, por exemplo, do economista-chefe do Citi, Ernesto Revilla, para quem a recessão é certa, ainda sem poder avaliar o impacto de quando quando vai ocorrer e qual será a intensidade da contração do PIB. Ele diz que Brasil e outros países da América Latina devem voltar a enfrentar um cenário de recessão entre o fim do ano e o começo de 2023.

A possibilidade de o governo Bolsonaro conseguir uma carta-branca do Congresso para largar a política fiscal e aumentar e criar novos benefícios sociais, como o vale-caminhoneiro de R$ 1.000,  o vale-gás de R$ 120 e o Auxílio Brasil de R$ 600 — com a chamada PEC do Desespero — só agrava a situação. Afinal, se aprovado o estado de emergência, que dá mais poderes ao Bolsonaro, o céu seria o limite para o Palácio do Planalto, que busca a reeleição a qualquer custo. Mas a desgraça já está feita. •

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