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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Ago18

Jornalista alerta presidência do STF sobre a vida de grevistas de fome

Talis Andrade

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“Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, vamos apascentar os corações deste país, antes que tenhamos que verter lágrimas”, diz Hildegard Angel em carta aberta
 
 
A jornalista Hildegard Angel publicou hoje em sua coluna no Jornal do Brasil uma carta aberta à presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Ela pede à ministra que coloque em pauta na Corte o julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que colocam em questão a privação de liberdade após condenação em segunda instância. O pedido é um dos pleito dos ativistas há 22 dias em greve de fome em Brasília.

Segundo as ações, levadas ao STF pelo PCdoB, a determinação de cumprimento de pena antes de se esgotarem as possibilidades de recurso viola o texto constitucional que trata da presunção de inocência e do direito de defesa. E leva antecipadamente à prisão, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito à eleição presidencial em outubro, entre 150 mil e 200 mil pessoas que podem estar sofrendo privação de liberdade – um bem irrecuperável caso venham a comprovar, mais adiante, sua inocência – num país em que o sistema carcerário está saturado e falido.

A jornalista, filha da estilista Zuzu Angel, morta pela ditadura em represália a sua luta para desvendar a participação do Estado brasileiro na prisão e assassinato de Stuart Angel, irmão de Hildegard, recorre à lembrança da mãe e de outras mulheres mineiras – como Zuzu e a própria Cármen – de destacado papel em defesa da liberdade: Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, ativista na Inconfidência Mineira, e Tiburtina Alves, na Revolução de 1930.

A carta menciona ainda um ex-ministro do Supremo, Adauto Lúcio Cardoso, outro mineiro. “Primo-irmão de minha mãe, em família divergiam no pensamento político, mas eram convergentes na causa comum das liberdades democráticas.” E faz referência ao fato de que a um magistrado não cabe colocar preferências partidárias à frente da letra da lei. “Peço a Vossa Excelência e aos demais membros da Corte que ouçam as vozes, não as que lhes são mais próximas, mas as das ruas.”

Hildegard alerta para o momento delicado vivido pelo país. “No momento, a causa extrema é a da nossa Democracia. Faz-nos aflição nos sentirmos na iminência de perdê-la, abalada pela disseminação de um ódio que contamina e torna violenta a nossa sociedade.”

Ela ainda chama a atenção para o fato de sete militantes de movimentos populares em greve de fome, motivada por essa causa, estarem com a vida em perigo. “Vamos apascentar os corações deste país, antes que tenhamos que verter lágrimas por esse sacrifício em seu momento extremo, que parece estar próximo.”

No momento, a causa extrema é a da nossa Democracia. Faz-nos aflição nos sentirmos na iminência de perdê-la, abalada pela disseminação de um ódio que contamina e torna violenta a nossa sociedade
 

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Carta aberta à presidente do Supremo Tribunal Federal

Presidente Cármen Lúcia,

Pretendia fazer esse pleito pessoalmente, por ocasião da visita a Vossa Excelência do sr. Adolpho Perez Esquivel, na pequena comissão de representantes da sociedade brasileira. Mas isso não foi possível. Resta-me faze-lo por esta carta, animada por suas demonstrações de solidariedade à luta e à memória de minha mãe, já feitas publicamente e diretamente a mim.

As mulheres mineiras, como são ambas vocês, têm tradição em nossa História de bravura e compaixão. Assim foram, na Inconfidência, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo e, na Revolução de 1930, Tiburtina Alves, que, em suas épocas, na defesa de causa maior, desafiaram o medo e o senso comum.

No momento, a causa extrema é a da nossa Democracia. Faz-nos aflição nos sentirmos na iminência de perdê-la, abalada pela disseminação de um ódio que contamina e torna violenta a nossa sociedade, pela primeira vez na História republicana dividida radicalmente.

Amigos rompem relação, parentes não se falam, vizinhos deixam de se cumprimentar. Não houve precedentes em nossa sociedade, a não ser nas ditaduras, quando o temor de retaliações e estigmas levava pessoas a evitarem umas às outras.

Felizmente, lá se vão mais de trinta anos do último período de exceção. Contudo, os ares da excepcionalidade voltam a nos sufocar, confundir e separar. Urge que a Constituição Brasileira volte a ser cumprida em sua integralidade o quanto antes, o tempo atropela o desenrolar dos fatos, e as consequências são imprevisíveis.

Peço a Vossa Excelência e aos demais membros da Corte que ouçam as vozes, não as que lhes são mais próximas, mas as das ruas. Que atentem para o clamor popular, que se faz revolta pelo descrédito que agora inspiram ao povo as nossas instituições. Vemos manifestações em lugares públicos, marchas, movimentos, até greves de fome ocorrerem, na esperança de lhes atrair a atenção. De lhes merecerem um olhar ou até mesmo a preocupação.

Por favor, sra. Ministra, Deus lhe deu esta missão importante de apaziguar a Nação com seus atos, conduzindo este momento da História. Sei que o Supremo de nosso país tem sido capaz de atos de coragem que desafiam o próprio tempo. Como o do saudoso ministro Adauto Lúcio Cardoso, outro mineiro. Primo-irmão de minha mãe, em família divergiam no pensamento político, mas eram convergentes na causa comum das liberdades democráticas.

Ministra Carmen Lúcia, lhe rogo que paute as Ações Declaratórias de Constitucionalidade, que colocam em questão o entendimento firmado pela Corte de autorizar o cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Esta é a reivindicação que temos percebido no clamor das ruas, levando até sete militantes de movimentos populares a completarem hoje 22 dias de greve de fome no Distrito Federal.

Vamos apascentar os corações deste país, antes que tenhamos que verter lágrimas por esse sacrifício em seu momento extremo, que parece estar próximo.

Sei de sua bravura, peço-lhe, também, a compaixão.

Muito respeitosamente,

Hildegard Angel
 
18
Ago18

Decisão favorável a Lula fez Temer vetar o envio de militares brasileiros em missão de paz na África

Talis Andrade

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O Itamaraty mentiu quando afirmou que não recebeu da ONU, em momento algum, qualquer aviso prévio ou "pedido de informação" acerca da decisão liminar, do Comitê de Direitos HUmanos, de garantir os direitos políticos de Lula da Silva.

 

 

Em janeiro, Michel Temer anunciou para a imprensa que o Brasil deveria enviar 750 militares brasileiros para participar da Missão de Paz das Nações Unidas na República Centro Africana, onde confrontos entre grupos paramilitares já causaram milhares de mortes e obrigaram cerca de 700 mil pessoas a abandonar seus lares.

 

Dez militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica viajaram em janeiro para aquele país africano, em uma operação prévia de reconhecimento. 

 

Não informou o governo, que o Itamarati tentou chantagear a ONU. O envio de uma tropa de paz brasileira estava condicionado a uma recusa da ONU de defender os direitos de Lula, negados pelos tribunais de exceção do golpe que derrubou Dilma Rousseff. Na noite de 10 de abril, o Ministério da Defesa divulgou nota, afirmando que o governo brasileiro recusou o pedido da ONU, de novembro de 2017, para o envio de tropas para as missões de paz na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo. 

 

Seis dias antes, no dia 4 de abril, a imprensa noticiava que a defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva protocolou, no Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), em Genebra, uma medida cautelar com pedido de liminar para impedir a prisão de Lula até o exaurimento de todos os recursos jurídicos.

 

"A decisão por uma estreita margem, tomada pelo Supremo Tribunal Federal, demonstra a necessidade de um tribunal independente examinar se a presunção de inocência foi violada no caso de Lula, como também as alegações sobre as condutas tendenciosas do juiz Sérgio Moro e dos desembargadores contra o ex-presidente". 

 

A imprensa noticiou que a "ONU havia aberto espaço para o crescimento da importância do Brasil no cenário geopolítico internacional -- e o país perdeu a oportunidade, o que pode não se repetir."

 

O Brasil também tem pressionado o Governo da Noruega, para que Lula não receba o Nobel da Paz. 

 

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17
Ago18

Esquivel, após ele e Amorim visitarem o ex-presidente: “A prisão de Lula é uma ação política, para falsificar a sua imagem”

Talis Andrade

“Quem tira milhões de pessoas da fome constrói a paz”, diz prêmio Nobel após visita a Lula

 

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Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, e Celso Amorim, chanceler do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitaram Lula nesta quinta-feira (16/8), na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

 

Durante a visita, eles conversaram com Lula sobre o cenário latino-americano e sobre a postura de subserviência do governo ilegítimo de Temer perante os EUA e sobre a perda da soberania internacional.

 

Esquivel , que já havia tentado visitar Lula, mas foi impedido, afirmou que encontrou o ex-presidente com muito ânimo e força, pensando no país, no povo brasileiro e na América Latina.

 

“A prisão dele é uma ação política, para falsificar sua imagem”, afirmou o Nobel da Paz.

 

Esquivel falou sobre sua preocupação com a volta da fome e da pobreza no Brasil, e sobre a judicialização de governos populares na América Latina, citando os casos de Rafael Correa, no Equador, e Cristina Kirchner, na Argentina.

 

O ativista de direitos humanos afirmou seu compromisso em levar adiante o documento com 300 mil assinaturas requerendo a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

 

“Lula foi o único presidente que tirou da pobreza 36 milhões de brasileiras e brasileiros. É um feito reconhecido. Tirar milhões de pessoas da fome é construir a paz. E a paz, como a democracia, precisa ser construída. Uma democracia se constrói, com igualdade de direitos para todos, mas estamos perdendo o que conquistamos”, disse Esquivel.

 

Ministro das Relações Exteriores nos dois mandatos de Lula, Amorim contou ao ex-presidente os detalhes da visita ao papa.

 

Sobre a política de relações exteriores submissa do governo Temer, Amorim disse que “Lula lembrou todos os esforços que fez pela integração da América Latina, que estão sendo destruídos. Ele está revoltado com a submissão do Brasil aos Estados Unidos, que vem dar ordens sobre com quem devemos relacionar, como se fôssemos vassalos deles. O tempo que um estadunidense vinha dar ordem no Brasil tinha acabado, mas agora voltou. Ele não tem palavras para descrever sua revolta ante esse assédio a nossa soberania”.

 

Amorim lembrou ainda o discurso em que Papa Francisco fala sobre os golpes de estado: “O papa disse, em sua homilia, que hoje em dia os golpes começam com difamação pela grande mídia, depois vem o golpe judiciário e depois vem o golpe em si”.

 

 

 

15
Ago18

DESCONFORTO Cármem Lúcia mostra constrangimento ao receber manifestantes por Lula livre

Talis Andrade
Favorável à prisão após segunda instância, ministra ouviu de religiosos, juristas e do prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel que ex-presidente é ‘preso político’
 
 
 
 
 
COMUNICAÇÃO DA GREVE DE FOME
Audiência com Cármen Lúcia

Audiência no gabinete de Cármen Lúcia durou cerca de uma hora. Grevistas querem ser recebidos

 

por Hylda Cavalcanti, da RBA 

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Brasília – Irredutível desde o início na decisão de não pautar as ações para avaliar a constitucionalidade de prisão após condenação em segunda instância, a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, teve de passar por um constrangimento na tarde de hoje (14). A magistrada recebeu em audiência pública um grupo que pediu, entre outras coisas, para adiantar a tramitação dessas ações e disse textualmente que considera o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “preso político” e que “as eleições 2018 estarão ameaçadas, caso Lula não possa ser candidato”.

 

O grupo foi formado pelo prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, por um dos integrantes da greve de fome realizada desde o início do mês pela liberdade de Lula, Frei Sérgio Görgen, pelo ator Osmar Prado e pelo dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, além de juristas, intelectuais e representantes da sociedade civil. 

 

O recado repassado para Cármen Lúcia poderia até parecer “lugar comum” desde que foi decretada a prisão de Lula, em abril passado. Mas as frases destacadas na audiência de hoje nunca foram ditas de forma solene, oficialmente, durante uma audiência pública para a magistrada que preside a mais alta Corte do país.

 

Ela tentou ser diplomática, mas, segundo assessores do STF presentes, não conseguiu esconder em certos momentos o ar de desconforto.

 

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Ao lado do ator Osmar Prado e da advogada Carol Proner, Esquivel fala sobre reunião no STF

 

“Não tivemos a intenção de constranger a ministra, mas precisávamos deixar claro nosso entendimento de que é preciso que o Judiciário reconheça Lula como preso político e que as eleições de 2018 estarão ameaçadas caso ele não possa ser candidato, já que está na frente em todas as pesquisas”, afirmou Esquivel. “Viemos mostrar, também, que esta é a visão que o mundo inteiro está tendo do Brasil, principalmente a América Latina: a de país que vive um momento delicado desde o golpe que tirou a então presidenta Dilma Rousseff do poder, num processo de impeachment sem provas concretas até hoje”, acrescentou.

 

Horas antes, foi realizado em frente ao STF, bem próximo do gabinete da ministra – que foi noviça na juventude e é católica fervorosa, do tipo de não faltar à missa aos domingos – um ato religioso “em defesa da democracia e pelo combate à fome”. Os organizadores foram manifestantes que desde segunda-feira (13) estão chegando a Brasília para apoiar, nesta quarta (15), o registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Embora sem destacar sua opinião, Cármen Lúcia – que deixa o comando do tribunal no início de setembro – tentou dar um tom amável ao encontro, procurou mais ouvir do que se manifestar e disse, ao final, que tinha ficado “comovida” com a audiência. Mas, bem ao seu estilo de protelar o que não tem interesse em julgar, tudo o que prometeu foi relatar o pedido feito pelo grupo aos demais magistrados que integram o tribunal para que decidam sobre a votação das ações.

 

Com saúde frágil, o frei Sérgio Görgen, que completa hoje 14 dias de greve de fome, não aguentou caminhar da frente do Supremo até o local onde seria realizada a coletiva com os jornalistas. Ele foi encaminhado, num carro, para a frente do Centro Cultural Banco do Brasil, onde descansou.

 

Além disso, ao contrário de reuniões com governadores e outras autoridades, em que muitas vezes câmeras e repórteres podem entrar para acompanhar a conversa, a audiência teve a presença de jornalistas vetada.

Nobel para Lula

 

Os participantes do encontro lembraram também do pedido para que Lula seja indicado ao prêmio Nobel da Paz. “Ele foi um presidente que teve altos índices de popularidade e levou 36 milhões de pessoas a ter uma vida mais digna. Esperamos que isso alimente o coração da ministra”, afirmou Esquivel.

 

“Viemos até aqui para destacar que é preciso muita coragem de um homem como o Lula, denunciar a situação vivida por ele e o fato de estar onde está. Ele poderia ter pedido para se refugiar em algum outro país, mas preferiu ficar e ser preso para deixar clara sua inocência e o caráter ilegal da sua condenação”, disse Osmar Prado. “No fundo, eu acho que há um grande medo desse pessoal que trabalhou por tudo isso com o alvoroço que a população tem feito em torno do Lula, porque todos sabem que se ele for candidato, ganhará a eleição. Não podemos nos calar. Nosso papel é exigir que a Constituição seja cumprida, que essa prisão seja encerrada e que amanhã a candidatura seja registrada.”

 

Os integrantes do grupo lembraram à ministra que foi levada uma mensagem sobre toda esta situação ao Papa Francisco, recentemente, e este manifestou  preocupação com o Brasil. Ressaltaram, em sequência, que além do caso de Lula, a ação do PCdoB que questiona a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância, prejudica mais de 150 mil presos no país.

 

Advogados presentes pediram, ainda, para ser respeitado o direito de liberdade de expressão do ex-presidente, que não tem obtido autorização para conceder entrevistas. E afirmaram para a magistrada que a interpretação feita por eles é de que, se existia alguma dúvida sobre o caráter político da prisão, essa dúvida deixou de existir no início de julho.

 

Na ocasião, um desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) concedeu liminar de soltura para o ex-presidente, mas a ordem foi sobreposta por outros desembargadores e depois pelo presidente do tribunal, por interferência do juiz federal Sérgio Moro.

 

O grupo entregou a Cármen Lúcia manifesto intitulado “Eleição Sem Lula é Fraude”, com mais de 330 mil assinaturas, que tem a adesão de personalidades brasileiras e estrangeiras e denuncia ações do Poder Judiciário para impedir que o ex-presidente seja candidato.

Manifestantes em Brasília

 

Em vários lugares do Plano Piloto, da frente da rodoviária, passando pela Esplanada dos Ministérios ao trecho em frente ao estádio Nilson Nelson, onde muitos estão acampados, camponeses, agricultores, integrantes do MST e manifestantes do PT estão se encontrando, vindos de diversos estados brasileiros para o ato de apoio, amanhã (15), ao registro da candidatura de Lula.

 

Distribuídos por toda a capital do país, os grupos têm agregado estudantes e trabalhadores para as passeatas, provocado confusão no trânsito e até situações inusitadas, dando uma prova do ambiente de estímulo à candidatura do petista.

 

“Tão bonita e tão burra”, gritou para a veterinária Ana Albuquerque um motorista, provavelmente irritado com o tumulto provocado pelas passeatas e contrário à caravana. “Melhor que você, que é feio e golpista”, gritou de volta ela, provocando reação de solidariedade das pessoas presentes, risadas e vaias ao motorista.

 

Conforme informações dos organizadores, já estão em Brasília perto de 8 mil pessoas, mas o grupo tende a ser ampliado até amanhã.

 

Durante a madrugada, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), se reuniu à marcha numa das rodovias, ao lado de deputados como Benedita da Silva (RJ), Valmir Assunção (BA), Marcon (RS), João Daniel (SE) e Leonardo Monteiro (MG). Segundo Pimenta, o movimento é uma prova de que “nada pode parar o povo que toma as rédeas do seu destino”. “Lula é muito mais que um líder popular”, afirmou.

 

Ao todo, estão em marcha desde a última sexta-feira no entorno do Distrito Federal, integrantes da Coluna Tereza de Benguela, formada por pessoas da Amazônia e do Centro-Oeste; das Ligas Camponesas, formada por nordestinos; e da Coluna Prestes, formada por moradores do Sul e Sudeste.

 

De acordo com um dos coordenadores da coluna Ligas Camponesas, Antonio Rodrigues, a ação, que se concentrará amanhã na Esplanada dos Ministérios, representa a retomada dos movimentos populares por mais democracia e pela realização de eleições que contem com todos os representantes da população, numa referência a Lula.

 

05
Jul18

PELA PAZ E PELA REFUNDAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

Talis Andrade

 

por Pedro Augusto Pinho

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Vejamos o Brasil de hoje, passados mais de dois anos de governo estabelecido por golpe, articulado, estruturado e financiado por interesses estrangeiros e executado pelos representantes destes mesmos interesses, no Brasil.

 

Não me deterei no golpe, mas em duas consequências absolutamente nefastas que precisam, com urgência, pautar a ação política e eleitoral dos brasileiros nacionalistas, para correção do nosso rumo.

 

A primeira é a pacificação do Brasil. A segunda: a nova constituição, a redefinição institucional brasileira.

 

Para o sucesso do golpe, a mídia hegemônica, oligárquica, antinacional, incentivou todo tipo de ódio entre os brasileiros: ódio às diferenças – raciais, étnicas, religiosas, sociais – ódio às ideias, pois qualquer reflexão desnudaria os interesses alienígenas, com essa ideologia neoliberal que pretende dominar o planeta, e ódio até às manifestações de apreço, amizade, amor.

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Não será possível conviver com os oligopólios midiáticos privados no Brasil reformulado. A comunicação de massa constrói ou destrói qualquer nação; não pode ficar ao sabor do lucro, da venda de espaços e de notícias.

 

Veja os exemplos de todos os países onde exista alguma soberania do Estado e naqueles onde os Estados estão desaparecendo, servindo apenas para controlar as revoltas dos povos contra a ocupação estrangeira. As novas colônias do sistema financeiro internacional, da banca, como o designo.

 

Colocada a paz como princípio permanente e a necessidade de projeto de Estado, vamos buscar algumas referências para sua refundação.

 

O primeiro e básico fundamento é a democracia. O sistema que permitirá a todos e em todas as circunstâncias, pacificamente, expressarem seu desejo, sua ideia, sua orientação, independente de qual seja. A democracia deve ser tão forte que derrote seus inimigos.

 

Mas não nos iludamos. A democracia é cara, difícil, exige compromissos e aceitação de discordâncias.

 

A democracia não surge de dádiva divina nem de dispositivo constitucional. É uma construção nacional – atente por favor, democracia não é bem de exportação nem de importação: pergunte aos líbios, iraquianos e aos iludidos com as primaveras árabes, ucranianas etc.

 

A democracia se constrói com a cidadania. Precisemos os termos. O que é um cidadão, o ator principal da democracia?

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O cidadão é um par, ou seja, um igual. Pode uma sociedade de desigualdades tão grandes como a nossa ter cidadãos? Então quem serão os iguais? Uma classe? Um partido? Uma ideologia religiosa?

 

Repito, aqui, o que já escrevi algumas vezes. A cidadania é construção permanente, como a paz e a democracia. Para que a tenhamos, o projeto de sua construção precisa constar entre os “deveres do Estado”. Para os quais, acima de qualquer superavit fiscal, não poderão faltar recursos. É o pão que alimenta a democracia.

 

A construção da cidadania se desenvolve em três eixos, simultaneamente implementados: existência, consciência e vocalização.

 

Existência é a vida. São todos recursos que permitam ao ser humano existir de modo livre, sem sujeição a quem quer que seja senão a sua expressão coletiva: o Estado Nacional. Compõem este eixo os programas de renda mínima, de saúde preventiva e corretiva, de habitação, saneamento básico, proteção ambiental e transporte urbano.

 

É muito importante ressaltar a característica sistêmica da construção da cidadania. Por exemplo: o planejamento habitacional deve observar e interferir reciprocamente com da mobilidade urbana e com os projetos de higiene e preservação ambiental, a renda mínima com a agricultura familiar e, assim, todos os programas terão uma interseção, uma estreita relação com vários outros voltados para construção da cidadania.

 

Também os programas e projetos da construção da cidadania terão a mesma relação sistêmica com os grandes programas da consolidação e da sustentação da Soberania Nacional.

 

O eixo da consciência trata do conhecimento. O conhecimento do cidadão, dos demais cidadãos, das identidades, das diferenças, culturas, opções e o respeito devido a todo ser humano. Também será formador das qualificações civis e militares em defesa da Pátria e para operações produtivas.

 

A vocalização trata da comunicação. É inimaginável um sistema privado comercial controlar a comunicação social, a comunicação de massa de qualquer País. Não desenvolverei estes eixos da cidadania. Apenas os identifico como necessários para efetiva democracia.

 

Façamos algumas reflexões sobre a refundação do Estado; as instituições basilares que o formarão.

 

Sendo o Poder o centro de toda doutrina do Estado, nada mais óbvio que definirmos, no documento de estabelecimento do Estado – a Constituição – quem detém o Poder.

 

Coerente com a democracia, apenas serão poderes do Estado aqueles advindos da vontade popular, da expressa manifestação do voto do povo. Teremos então dois poderes: o executivo e o legislativo, ambos com todos seus membros escolhidos, cada um, sem exceção, pelo voto do cidadão. Presidentes, prefeitos, vices, senadores e suplentes, todos só atingirão este poder pelo voto direto dado a cada um.

 

A legitimação das medidas que alterem de algum modo os dispositivos constitucionais só ocorrerá pelo voto direto, assim como inclusões e exclusões ao texto constitucional. Isto significa que decisões fundamentais para a condução do País serão, obrigatoriamente, plebiscitárias.

 

Diante deste quadro, devemos territorializar o poder e suas atuações.

 

Muitos, ainda hoje, discutem o poder em termos meramente ideológicos: esquerda vs direita, luta de classes vs paz social etc etc. Não cabe, a meu ver, orientar qualquer mudança com olhos no espelho retrovisor. Precisamos, ao contrário, de um telescópio que nos alerte para o porvir.

 

Não estou propondo soluções para questão do exercício do poder. Abro possibilidades em face da certeza que o mundo atual se debate entre o imobilismo social do poder financeiro – concentrador de renda, espoliador e estéril – e a aplicação do progresso tecnológico para o desenvolvimento humano.

 

E, neste caso, pela ressurreição do nacionalismo.

 

A gestão nacional, como não poderia ser diferente, será concentrada na Soberania e na Segurança Interna.

 

A Soberania, como parece óbvio, não se limita ao preparo das Forças Armadas e da diplomacia, mas se funda na economia, na ciência e na tecnologia.

 

O Brasil, destruído pelos interesses estrangeiros e da oligarquia que lhe é aliada desde antes da formal independência, chega a um momento de absoluta falta de sintonia: da economia com as necessidades nacionais, da política com a população, das técnicas com suas aplicações, enfim há em tudo um desconcerto. Transcrevi trechos

 

22
Jun18

Mujica teme pelo futuro do Brasil: O perigo de uma penosa confrontação

Talis Andrade

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"Vim trazer um abraço a um velho amigo de luta. Recordem: os homens e mulheres podem ter seu corpo preso. Mas a causa pela que lutamos não pode ser presa, porque caminha pelas pernas dos nossos companheiros. É uma luta que não começou com vocês e nem com a gente. E nem vai terminar com a nossa vida. Vale à pena estar vivo e lutar por igualdade nesta terra", disse Mujica ao deixar a sede da PF

O ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, visitou nesta quinta-feira (21) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cela onde está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. Mujica, que foi preso político por 14 anos, trouxe sua solidariedade a Lula e afirmou que a América Latina sofre com a situação atual do Brasil.

 

"Vim trazer um abraço a um velho amigo de luta. Recordem: os homens e mulheres podem ter seu corpo preso. Mas a causa pela que lutamos não pode ser presa, porque caminha pelas pernas dos nossos companheiros. É uma luta que não começou com vocês e nem com a gente. E nem vai terminar com a nossa vida. Vale à pena estar vivo e lutar por igualdade nesta terra", disse Mujica ao deixar a sede da PF.

 

O ex-presidente uruguaio relembrou o legado de Lula para a América Latina. "Venho de um pequeno país. E Lula quando foi presidente desse país gigantesco teve uma atitude de muita consideração com os países pequenos da América Latina. O Brasil se comportou, na era Lula, como uma espécie de irmão mais velho. E isso reconheceremos sempre".

 

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Mujica afirmou ainda que encontrou Lula "com ânimo, um pouco mais magro e lendo muitos livros" e preocupado com o futuro do Brasil e da América Latina. "O importante é se ter uma causa para viver e não viver só porque nascemos. Lula são todos os que tem problemas na imensidão da nossa América Latina."

 

Mujica dijo que cuando Lula fue presidente, Brasil se comportó "como una especie de hermano mayor" de Uruguay, y dijo que esa "es una de las razones que reafirman una amistad que venía de antes".

 

Consultado sobre los temas que formaron parte de su conversación con Lula, Mujica evitó dar mayores detalles. "¿De qué podemos conversar? De la preocupación de lo que pasa en América y...", dijo con un ritmo pausado y sin terminar la frase.

 

Por otra parte, anunció que "lo que más" le "preocupa" es "que el pueblo brasilero pueda encausar su futuro, sobrellevar sus contradicciones, no perder su alegría, y no caer en una confrontación penosa".

 

Moverse con astucia

Mujica estacó que los latinoamericanos necesitan astucia para el mundo que va a venir “para tener vínculos porque sino en el mundo que viene no existimos, debido a que no somos ni el 10% de la economía mundial”.

 

06
Jun18

ESQUIVEL: Lula presidente "mudaria o panorama latino-americano, coisa que os Estados Unidos não querem"

Talis Andrade

O arquiteto e ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, de 86 anos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1980, reiterou suas críticas à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que define como “golpe de Estado no Brasil”. As suas opiniões foram expressas nesta terça-feira (5) em Roma, durante a apresentação do “Apelo à resiliência e à esperança nas lutas por justiça e por democracia no século XXI”. A cerimônia, feita com o líder budista e escritor japonês Daisaku Ikeda, tem o objetivo de despertar a consciência dos jovens.

 


 

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por Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

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O ativista e criador da associação Serviço Paz e Justiça, que promove uma cultura de não-violência baseada nos direitos humanos, confirmou em entrevista exclusiva à RFI Brasil que vai apresentar em setembro a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz em 2019. A campanha, lançada por Esquivel em abril pelo site Change.org, já conseguiu 309 mil assinaturas.

 

“Lula tirou mais de 36 milhões de brasileiros da pobreza. Ele também deu dignidade à vida dessas pessoas, além de educação e saúde. A dignidade é o primeiro passo para a liberdade. O que Lula fez é único na história”, afirmou.

 

Esquivel também falou do seu afeto pelo país. “O Brasil é a minha segunda pátria. Estive preso em São Paulo durante a ditadura militar brasileira e fui libertado graças à intervenção do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Conheci Lula há muitos anos, por volta de 1981, quando ele era dirigente sindical no ABC”, lembra.

 
 

“Hoje os grandes problemas do Brasil são a pobreza, a marginalidade e a violência. Estive com os companheiros e companheiras de Mariella Franco. É uma gente maravilhosa que tenta superar a pobreza através da solidariedade.”

 

Lula é um preso político de um governo ilegítimo

 

Na última vez que esteve no Brasil, em 18 de abril deste ano, Esquivel pediu autorização, junto com o teólogo Leonardo Boff, para visitar Lula na Polícia Federal de Curitiba. Na ocasião, a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela custódia do ex-presidente, negou o consentimento.

“Vou pedir de novo aos juízes a autorização para visitar Lula na próxima vez que eu for ao Brasil. Estão tentando destruí-lo. Somente permitem que ele tenha contato com sua família e com os advogados”, lamenta. “O golpe contra Dilma Rousseff foi para neutralizar Lula. Sergio Moro não tem nenhuma prova para colocá-lo na prisão”, denuncia Esquivel.

 

“É preciso explicar isso aqui na Europa porque há uma versão equivocada feita pela grande mídia, que é cúmplice no golpe de Estado contra Dilma Rousseff e Lula. É preciso trabalhar para mudar esta mentalidade porque Lula é um preso político de um governo ilegítimo.”

 

Apelo aos jovens

Segundo Esquivel, a solução seria a candidatura de Lula à Presidência da República nas próximas eleições em outubro – decisão que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Se Lula conseguisse ser candidato e vencesse no Brasil, isso mudaria o panorama latino-americano, coisa que os Estados Unidos não querem”, decreta.

 

“Passei pela prisão, pela tortura, sobrevoei a morte e sou um sobrevivente. Não me mataram por causa das campanhas internacionais da Europa, da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá. Até a família Kennedy fez um pedido a favor da minha liberdade e de minha vida, caso contrário eu seria um desaparecido a mais”, declara. “Hoje posso contar o que aconteceu comigo, mas muitos companheiros não tiveram a mesma chance”.

 

Aos jovens de todo o mundo, Adolfo Pérez Esquivel e o Mestre Budista Daisaku Ikeda deixaram o “testemunho à defesa dos Direitos Humanos, da Paz e do Desenvolvimento Sustentável”, documento entregue durante o evento em Roma. De acordo com o Nobel da Paz, o texto é um ato de confiança na capacidade dos jovens de identificar e percorrer novos caminhos e resgatar o legado do passado para enfrentar os desafios do futuro.

 

21
Mai18

Este domingo 8 millones 603 venezolanos ejercieron su derecho al voto

Talis Andrade

La presidenta del CNE detalló que el candidato del Frente Amplio de la Patria, Nicolás Maduro, consiguió 5 millones 823.728 votos

 

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ÚN.- La presidenta del Consejo Nacional Electoral (CNE), Tibisay Lucena, informó este domingo que un total de 8 millones 603.936 venezolanos votaron en las elecciones convocadas por el Poder Electoral para escoger al Presidente de la República y diputados de los consejos legislativo del país.

 

Desde la sede del ente comicial, en Plaza Caracas, indicó que la cantidad de electores que participaron en la jornada comicial representan el 46,01% de los venezolanos registrados en el padrón electoral.

 

Detalló que el candidato del Frente Amplio de la Patria, Nicolás Maduro, consiguió 5 millones 823.728 votos; el candidato opositor Henri Falcón, abanderado por Avanzada Progresista, Mas y Copei, obtuvo 1 millón 820.552; y el candidato del movimiento de electores Esperanza por el Cambio, Javier Bertucci, logró 925.042 votos, según reseña AVN.

 

Los venezolanos salieron este domingo a votar desde tempranas horas de la mañana. Este proceso contó con la participación de 150 acompañantes de 40 países provenientes de Asia, África, América Latina y El Caribe.

 

En estos comicios organizados por el Consejo Nacional Electoral (CNE) estuvieron convocados 20 millones 526.978 electores para elegir al Presidente y 18 millones 919.364 para escoger a los miembros de los consejos legislativos.

 

Presidente Maduro: Venezuela, ganó la paz

En Venezuela se celebró este 20 de mayo las elecciones número 24 de los últimos 19 años, en las que la Revolución Bolivariana sumó su vigésima segunda victoria con la reelección de Nicolás Maduro, quien obtuvo el respaldo de 6 millones 157.185 de venezolanos (67,7% de los votos).

 

El presidente de la República, Nicolás Maduro, destacó este triunfo revolucionario como una victoria de la paz y de la garantía de la soberanía y de la autodeterminación de la Nación, frente a las agresiones y ataques que enfrenta de sectores de la derecha nacional e internacional, que, auspiciados por agentes imperiales, han pretendido doblegar al pueblo venezolano.

 

"Hemos garantizado el derecho a la autodeterminación del Pueblo venezolano. Hemos garantizado el derecho colectivo a la Patria y al futuro, últimamente vulnerado por fuerzas imperiales en el mundo a través del belicismo y la violencia. Venezuela, ganó la paz", escribió el Mandatario nacional en su cuenta oficial en Twitter.

 

Más temprano, el Jefe de Estado reiteraba su llamado al diálogo constructivo en favor del país, convocatoria que fue extendida a los candidatos presidenciales con quien se midió este domingo en la contienda electoral.

 

El objetivo es establecer una agenda constructiva, subrayó el Mandatario nacional en la red social.

 

"Convoco a todos los candidatos presidenciales que participaron en la elección del 20 de mayo y a sus equipos políticos a una jornada de encuentro y diálogo para establecer una agenda constructiva. Estoy listo para reunirme a dialogar", escribió.

 

 

30
Abr18

Poemas aos Homens do nosso tempo

Talis Andrade

de Hilda Hilst

 

 

hilda hilst.jpg

 

 

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

***

Ao teu encontro, Homem do meu tempo,
E à espera de que tu prevaleças
À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras,
Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheças
E convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros,
Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa.
As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantarei
Minha própria rudeza e o difícil de antes,
Aparências, o amor dilacerado dos homens
Meu próprio amor que é o teu
O mistério dos rios, da terra, da semente.
Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeu

 

Compaixão e ternura e paz na Terra
Se ainda encontrasse em ti, o que te deu.

 

 

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