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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Abr21

Povo também quer vacina, general

Talis Andrade

Por Paulo Moreira Leite /Brasil-247

 
Ao admitir que tomou vacina contra a Covid-19, o general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil da Presidência da República, um dos mais altos cargos na hierarquia do Estado brasileiro, criou um problema para Jair Bolsonaro.

Num país onde a ciência informa que 161 milhões precisam de vacina, mas a imunização só atingiu 30 milhões - menos que 1/5 do necessário - a confissão desmascara a hipocrisia que orienta a política sanitária em curso desde que ocorreram os primeiros casos de covid-19 no país. 

No mesmo governo que fez o possível para sabotar todos os esforços para vacinar a população brasileira, chegando a definir a pandemia como "gripezinha", divulgando vídeos onde se dizia que a doença logo seria eliminada em poucos meses, permite-se que seus ministros de Estado tomem vacina. Nem todos o fazem às escondidas, como o próprio general admitiu ter feito.

Em 27 de março, o Portal 360 registrou que mesmo ministro Paulo Guedes que acusou a China de inventar o vírus tomou a primeira dose de Coronavac, baseada numa fórmula importada daquele país. Outro ministro, o general Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, também recebeu sua dose. 

Mesmo assim, nas aparições públicas, Bolsonaro não perdia uma chance de condenar as vacinas, numa postura que nem seus ministros nunca levaram a sério, como se viu pela confissão de Luiz Carlos Ramos, especialmente chocantes num momento em que o país se aproxima da marca dos 400 000 óbitos. 

Alguma dúvida?

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09
Fev21

Papel da CIA na prisão de Lula deve ser investigado

Talis Andrade

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Por Paulo Moreira Leite /Jornalistas pela Democracia

Talvez a mais chocante revelação da Operação Spoofing seja uma frase de Deltan Dallagnol, o chefe da Força Tarefa. No momento em que a Justiça decreta a prisão de Lula, Dallagnol afirma: "Presente da CIA". 

Mesmo involuntariamente, Dallagnol abriu caminho para o que pode ser uma das mais esclarecedoras -- e chocantes -- informações sobre um lance decisivo em nosso retrocesso político atual. 

Em abril de 2018, a prisão de Lula representou um marco divisório numa campanha eleitoral encerrada com uma cena impensável poucos meses antes: a  vitória de Jair Bolsonaro, aliado assumido da Lava  Jato, e a posse de seu carcereiro, Sérgio Moro,  no Ministério da Justiça. 

O fato decisivo na definição do pleito, sabemos todos,  foi a prisão de Lula, que retirou o candidato do PT de uma campanha onde despontava como favorito. 

Meses depois, quando o STF foi julgar um pedido de habeas corpus de Lula, que cobrava sua soltura com base na exigência constitucional do trânsito em jugado para o cumprimento de sentença condenatória, o debate sobre seus direitos  havia mudado de natureza. 

Impedir a presença de Lula na campanha tornara-se uma questão de Estado, o que explica a sugestão de intervenção militar apontada num tuíte onde o comandante Villas Boas ameaçava o STF. 

Basta recordar o histórico de interferência da principal agencia norte-americana de inteligência em assuntos internos do Brasil e da América Latina para entender que afirmação de Dallagnol faz parte de um contexto maior.   

Impossível contar a história de golpes de Estado de nossa época, sem fazer referência a potencia norte-americana cuja intervenção nem sempre envolveu o emprego de tropas -- mas ações de inteligência, cooptação de possíveis aliados e organizações de fachada, comandadas pela CIA. 

Foi assim no golpe de 1973 que derrubou Allende, no Chile, e também em 1964, no Brasil. A CIA  participou do combate, prisão e captura de Che Guevara na Bolívia, embora a decisão final de executar o prisioneiro já dominado tenha sido assumida por um oficial boliviano, conforme entrevista ao El País. 

A história da Lava Jato inclui cursos e treinamentos promovidos pelo Departamento de Justiça (DoJ). Em 2015, quando a Operação encontrava-se em seu início, o Ministério Publico Federal recebeu, em Curitiba, a visita de 17 cidadãos norte-americanos, ligados ao DoJ e ao FBI, evento que deu início a uma série de atividade comuns, no Brasil e nos Estados Unidos (Conjur, 1/07/2020). 

Nesse contexto, o "presente da CIA" representa um passo a mais numa promiscuidade indesejável e perigosa  -- e que por isso mesmo deve ser esclarecido.

Alguma dúvida?

08
Dez20

Marielle Franco foi assassinada há mil dias. Crime ainda não foi elucidado

Talis Andrade

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247 - Nesta terça-feira (8) completam-se 1000 dias do assassinato de Marielle Franco, então vereadora do PSOL no Rio de Janeiro que teve seu carro alvejado por tiros após sair de uma reunião no centro da cidade. Conduzindo o carro, estava Anderson Gomes, motorista da parlamentar que também não resistiu aos ferimentos. Em participação no programa Bom dia 247 desta terça-feira (8),  o jornalista Paulo Moreira Leite disse que “a solução do crime aponta para a cúpula do Estado brasileiro”.

Em sua visão, os responsáveis pela investigação “dispersam a investigação porque sabe que irá encontrar provas de um dos maiores crimes cometidos no Brasil”. 

O jornalista ressaltou que as provas do assassinato “apontam para quem hoje mandam no estado brasileiro”. 

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Neste 8 de dezembro transcorre o milésimo dia desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu assessor Anderson Gomes.

A Delegacia de Homicídios e o Ministério Público segue investigando os assassinatos. O secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski afirma que  quer que o crime seja solucionado com prioridade, de acordo com fontes ouvidas pelo G1. Em março de 2021, o assassinato completa três anos, sem que Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz tenham ido a julgamento em júri popular.

Anielle Franco, irmã de Marielle, não perde a esperança de que o crime seja elucidado.

O ex-presidente Lula usou suas redes sociais para exigir justiça.

O assassinato de Marielle diz muito sobre o Brasil que vivemos hoje. Há mil dias o país espera respostas. Há mil dias assistimos a escalada do ódio, da política das ameaças, do preconceito e da intolerância. Precisamos de paz e de Justiça. Justiça para Marielle e para o Brasil”. 

 

03
Dez20

“Moro é um cadáver insepulto e o STF não pode mais se omitir”

Talis Andrade

Humor Político בטוויטר: "A Justiça cega! por Marcio Vaccari #humor #Justiça  #cega #charge #cartoon… "

247 - O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista do Brasil 247 e da TV 247, cobra uma ação do Supremo Tribunal Federal depois da revelação de que o ex-juiz Sérgio Moro, que prendeu o ex-presidente Lula e ajudou a eleger Jair Bolsonaro, de quem foi ministro, e quebrou as construtoras nacionais para depois ser sócio da firma Alvarez & Marsal, que administra os escombros dessas empresas, vai receber R$ 1,7 milhão no novo emprego. “A suspeição do Moro já se consolidou no plano internacional”, diz PML. “O Supremo sentou em cima da suspeição do Moro e não pode mais se omitir. Não dá mais para deixar esse cadáver insepulto”.

30
Nov20

“Ida de Moro para consultoria americana revela promiscuidade sem limites”

Talis Andrade
 
Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
nas teias do MPF em razão daquele incansável serviço de combate à corrupção da Lava Jato, que, segundo o ministro Luiz Fux, há de durar para sempre? Bem, então já sabe o caminho. É a A&M. Moro é o mal e também é a cura. (...) íntegra no noticias.uol.com.br/colunas/reinal
Reinaldo Azevedo - Moro vira sócio de americanos que ajudam empresas investigadas. Entenderam?
A notícia mais, como posso dizer, especiosa desta segunda, em razão de fatos ocorridos no ...
noticias.uol.com.br
Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
E por que uma empresa como a A&M contrata Sergio Moro? Ora, quem conhece mais os arcanos das empresas enroladas em investigação do que ele? Quem tem mais trânsito neste submundo — aplico a palavra no sentido de um mundo particular, à parte — que mistura procuradores, policiais

247 - O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista do Brasil 247 e da TV 247, criticou, no programa Bom Dia 247, a decisão do ex-juiz Sergio Moro de se tornar sócio da consultoria estadunidense Alvarez & Marsal, que atua em processos de recuperação judicial de grandes empresas, como a Odebrecht e a OAS. “Isso revela a promiscuidade sem limites da Lava Jato”, diz PML, que escreveu o livro “A outra história da Lava Jato”. Segundo ele, há um claro conflito de interesses e Moro vai agora atuar na recuperação de empresas que ele próprio ajudou a quebrar.

Jandira Feghali 
@jandira_feghali
E Moro virou sócio de empresa americana que atua na recuperação judicial de empresas brasileiras quebradas pela Lava Jato. Primeiro você quebra diversas empresas brasileiras, depois você ganha dinheiro para atuar na recuperação delas. A cara nem arde.
 
Marco da Silva 
@marserafim
Pensei que ele tivesse sido juiz da 13° vara federal de Curitiba.
"Especialista na liderança de investigações anticorrupção complexas" não é uma tarefa de juiz, na verdade é uma confissão de culpa!
Léo
@Leo_Placido
Replying to
Agora achar que esse senhor teria o poder de fazer o que fez sozinho, sem uma força invisível muito poderosa agindo é acreditar em duende. Essa história me lembra o livro que li “O Papa Negro” do escritor Ernesto Mezzabota.
26
Out20

“Pedido da Petrobrás ao STF é confissão de culpa no crime de lesa-pátria”

Talis Andrade

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O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista do 247, considera absurdo o pedido formulado pela Petrobrás para não compartilhar seus acordos com autoridades dos Estados Unidos, recusando assim um pedido formulado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Este pedido da Petrobrás ao Judiciário é uma confissão de culpa no crime de lesa-pátria. Por trás da Lava Jato, havia o grande interesse econômico dos Estados Unidos em se apoderar da Petrobrás.” E do Pré-Sal.

Segundo Paulo Moreira Leite, o objetivo agora da estatal é fazer o Supremo Tribunal Federal cúmplice de uma ação de lesa-pátria.

Reportagem do Valor revelou esse estranho e antipatriótico pedido da Petrobrás, que citou como precedente um habeas corpus de relatoria do ex-decano Celso de Mello, julgado pela Segunda Turma dez anos atrás. Na ocasião, o colegiado decidiu que o STF não tinha poder para impor, às delegações diplomáticas estrangeiras sediadas no país, o cumprimento de determinações judiciais, pois elas não estariam sujeitas à jurisdição do Estado brasileiro. Ora, ora, a Petrobras não tem nada de delegação diplomática. É uma empresa brasileira, apesar dos pesares, da privataria tucana com Fernando Henrique, do entreguismo de Temer, da vassalagem de Bolsonaro.

“Naturalmente, a pretensão formulada na inicial não trata de determinação a embaixada estrangeira, mas a racionalidade do entendimento pode ser perfeitamente transportada para o presente caso”, escreveram os advogados da empresa, citando que os documentos são sigilosos e estão sob titularidade das autoridades americanas. Que profundos segredos existem para os brasileiros, quando a empresa está de pernas abertas para os Estados Unidos? No caso, a Petrobrás um anexo da embaixada do Tio Sam, depois de espionada pela Lava Jato & agentes da CIA, do FBI & outros.

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15
Set20

Julguem a suspeição de Moro e acabem com essa palhaçada

Talis Andrade

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O jornalista Paulo Moreira Leite destacou “que é urgente” a suspeição de Sérgio Moro por parte do STF, no que diz respeito às arbitrariedades cometidas pelo ex-juiz no âmbito da operação Lava Jato, que sentenciou o ex-presidente Lula para beneficiar Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. 

Em análise concedida à TV 247 nesta terça-feira (15), Moreira Leite expõe que “os ministros do STF Celso de Mello, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski têm uma dívida com o Brasil”. “Eles têm nas mãos o direito de decretar a suspeição de Sergio Moro, um juiz suspeito que rompeu regras, perseguiu Lula”, acrescentou 

Sabemos que temos uma janela para que essa suspeição ocorra, que é com o prazo limite da aposentadoria de Celso de Mello. Faço aqui um apelo que todo democrata deveria fazer: Por favor, julguem a suspeição de Moro e acabem com essa palhaçada. 

Celso de Mello integra a Segunda Turma do Supremo, que vai analisar a suspeição de  Moro e irá se aposentar da Corte no dia primeiro de novembro. E Bolsonaro promete nomear um ministro "terrivelmente evangélico". 

Terrível tem os seguintes sinônimos:

Que deve ser temido:
Que cansa e importuna:

3 cansativodesagradávelenfadonhoentediantefastidiosoimportunomaçador,         maçantetedioso.

Que produz maus resultados:

4 funestograveinquietantenefastosério.

Que é invencível:
Que é de má qualidade:

6 horrívelhorrendohorrorosoinferiormauordináriopéssimoruim.

Que é estranho:

7 esquisitoestranhoextraordináriosinistro.

Que é muito grande:

8 colossaldescomunalenormeestupendoformidávelgigante,                                     gigantescoimensoimensurávelincomensurávelmonstruoso.

Terrivelmente evangélico | Humor Político – Rir pra não chorar
31
Ago20

Censura ao GGN mostra horizonte preocupante

Talis Andrade

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por Paulo Moreira Leite 

- - -

A decisão do juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, da 32a Vara Cível Rio de Janeiro, que  obrigou o jornal GGN a tirar do ar um conjunto de reportagens sobre o Banco BTG mo Pactual, constitui um fato político cuja gravidade não pode ser diminuída.

Para começar, desde 1988 vivemos num país onde a Constituição assegura a liberdade de expressão  com toda clareza permitida pela língua de Camões,  sem abrir espaço para ambiguidades nem segundas interpretações.

O  inciso IX do artigo 5 afirma que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

Como se fosse pouco, o parágrafo 2 do artigo 220 é ainda mais específico: "é vedada toda censura de natureza política, ideológica ou artística".

Há outro elemento de preocupação, porém, que  envolve a conjuntura política. A censura ao GGN, dirigido por Luiz Nassif, um dos mais reconhecidos jornalistas econômicos do país, não ocorre numa situação isolada.

A medida foi anunciada poucos dias  depois que, numa decisão monocrática, o STJ decidiu afastar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel,  de seu posto, pelo prazo de 180 dias.

Qualquer que seja a opinião de cada cidadão sobre as responsabilidades de Witzel  diante da montanha de denúncias reunidas contra seu governo, é impossível ignorar um fato maior, que envolve a soberania popular.

A Constituição diz que o afastamento de um governador de Estado envolve um ritual específico, definido pelas regras que autorizam o impeachment, que entrega a palavra final à  Assembléia Legislativa.

Embora o plenário já tenha aprovado -- com 69 votos a favor e uma abstenção -- o início dos debates sobre as denúncias contra Witzel, a legislação prevê um julgamento em várias fases.

Será necessário, inclusive, formar uma comissão especial, integrada por cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e cinco deputados escolhidos em plenário. Essa comissão irá ouvir a acusação e a defesa, apresentar um veredito -- que deverá ser aprovado, ou não, por dois terços do plenário.

Então estamos assim.

Após a decisão monocrática do STJ, o país volta às incertezas e dúvidas que marcam as crises políticas em tempos de bolsonarismo.

A dúvida, agora, é saber se o destino de Witzel será resolvido -- ou não -- dentro das regras do Estado Democrático de Direito. Basta lembrar o impacto da intervenção federal no Rio de Janeiro, em 2018, que abriu caminho para o avanço de Bolsonaro e seus aliados na campanha presidencial.

O mesmo cabe perguntar diante da censura ao GGN.

Num caso, a soberania popular está ameaçada. Em outro, são os artigos 5 e 220 da Constituição.

São questões de natureza diferente, mas que apontam para uma mesma questão -- o enfraquecimento da democracia.

Alguma dúvida?

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29
Mai20

Golpe: Bolsonaro está comprando apoio da base militar

Talis Andrade

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247 - O jornalista Paulo Moreira Leite, afirmou durante o Bom Dia 247 desta sexta-feira (25), que Jair Bolsonaro prepara uma estrutura de apoio para executar um golpe de Estado no país. “Ele compra apoio da base militar” além de comprar também “o apoio da polícia militar”, concedendo diversos “benefícios materiais”, avaliou o jornalista. 

“O comando do Exército, exercido pelo General [Edson Leal] Puljol, não dá sinais de que está numa conspiração golpista, mas já existe um movimento para trocá-lo por um outro nome da confiança de Bolsonaro”, acrescentou. 

Moreira Leite disse ainda que quando Bolsonaro fala em “armar a população”, ele estimula um golpe. “Sofremos um golpe em 2015, mas teoricamente ainda estamos em uma democracia, com eleições presidenciais agendadas para 2022. O sonho de Bolsonaro é acabar com a democracia e dar um auto-golpe”. 

“Bolsonaro quer institucionalizar uma ditadura”, alertou o jornalista.

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18
Mar20

Panelas mostram esgotamento de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Paulo Moreira Leite

A perspectiva é que a manifestação de ontem  sirva de estimulo para um protesto ainda maior na noite de hoje. 

Mais do que um descontentamento previsível num país estagnado economicamente, o panelaço registra o deslocamento da parcela de uma classe social que funciona como pêndulo político do país.

Recordando grandes fatos. Se a capacidade de mobilizar a classe média foi um elemento importante para o golpe cívico-militar  de 64, a campanha pelas diretas-já, vinte anos mais tarde,  seria impensável sem uma virada política ocorrida na luta contra a ditadura.

Entre 2002 e 2014, as quatro vitórias eleitorais sucessivas do Partido dos Trabalhadores foram obra do imenso apoio popular aos projetos Lula-Dilma. Não teriam ocorrido, contudo, sem um forte apoio nos setores médios da sociedade. 

A ascensão de Jair Bolsonaro mostrou uma situação política inversa.

Conforme o Ibope, no segundo turno de 2018 Fernando Haddad cravou  uma vantagem de 52% a 36%, junto ao numeroso contingente de  brasileiros da menor faixa de renda -- até 1 salário mínimo -- enquanto o desempenho de Bolsonaro ganhava fôlego maior na medida em que a fatia de renda se elevava. 

Em dezembro, quando Bolsonaro já estava em minoria no país, por 36% a 30%, um levantamento do Data Folha mostrava um quadro inverso.

Entre os mais pobres, a diferença era radical: 43% reprovavam seu governo, contra 22 a favor. Na faixa de 2 a 5 salários, que deu uma vantagem de 57% a 30% para Bolsonaro um ano antes, a diferença se aproximava da margem de erro, 35% positivos contra 31% negativos.

As panelas voltam a se manifestar, em março de 2020, numa resposta a desilusões sucessivas que costumam criar  desgastes irreversíveis.  

Inaceitável, num país democrático, a presença festiva de Bolsonaro no circo de extrema-direita, no domingo, foi a demonstração vergonhosa de quem não respeita a Constituição nem se encontra a altura do cargo.

Em meio a fracassos que já colocam a  luta interna num patamar selvagem, como se vê nas disputas em torno da condução da luta contra o coronavírus, Bolsonaro tornou-se tecnicamente  incapaz de governar um país com 210 milhões de habitantes, uma das dez maiores economias do mundo, num dos momentos mais difíceis de sua história.

Seria preciso dar respostas eficazes e rápidas a epidemia do Covid-19, que ameaça produzir uma das grandes tragédias dos últimos 500 anos. Para imaginar a dificuldade a ser enfrentada, basta acompanhar a luta difícil mesmo  nos países desenvolvido  e recordar o desfalque de 21 bilhões nos cofres da saúde pública brasileira entre 2018, 2019 e 2020.

Também é urgente recuperar o emprego,  sucateado por uma paralisia prolongada da economia. Alguém enxerga Paulo Guedes fazendo isso?

As panelas começam a bater quando ninguém mais acredita que um presidente será capaz de resolver os problemas que interessam o país. Expressam o inconformismo de quem foi atingido no plano moral, sentido-se uma gente que se sente lesado e enganado. Bolsonaro passou deste limite.

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