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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Mai20

A cara de pau de Moro com o ‘aviso’ da PF a Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Tijolaço

- - -

É absolutamente cínico – e nisso não há novidade – a reação do Sr. Sergio Moro dizendo que pretende pedir que seja tomado o depoimento do suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, de que a Polícia Federal tenha “segurado” a investigação do caso Fabrício Queiroz para não prejudicar eleitoralmente Jair Bolsonaro e ainda mandado avisar o então candidato para que ele e o filho demitissem o ex-PM e sua filha, esta funcionária do seu gabinete na Câmara.

Ora, Moro não apenas escolheu sozinho o diretor da PF como, no mínimo desde que começaram as pressões para trocar a direção do órgão no Rio de Janeiro para, supostamente, favorecer o já presidente da República. É inacreditável que, dentro da estrutura da corporação no Rio o “freio” na investigação – que envolvia muitos agentes, senão também outras autoridades policiais – e que não se soubesse do “segura aí” de um processo que envolvia seis deputados e o próprio presidente da Assembleia Legislativa.

Aliás, em movimento inverso, Moro não se acanhou em “acelerar” a liberação do desacreditado acordo de delação premiada de Antonio Palocci a poucos dias do pleito, numa evidente manobra para causar desgaste à candidatura do PT.

Maurício Valeixo e Ricardo Saadi – o primeiro superintendente afastado da PF do Rio – não sabiam desta história, ao menos de ouvir dizer? Admitir isso seria admitir que são dois péssimos policiais, que não sabem o que se passa debaixo de seus narizes.

O próprio ex-ministro da Justiça, antes mesmo de tomar posse, já tinha conhecimento do relatório do Coaf, então na sua pasta, implicava Fabrício Queiroz e o gabinete do “Filho 01”, como a Folha publicou em manchete no início de dezembro de 2018.

E vem Moro dizer que foi “corajoso” o depoimento de quem guardou por dois anos segredo sobre uma grave manipulação policial de um inquérito, com confessado objetivo eleitoral?

O senso de Justiça de Moro depende de suas conveniências?

A Lei é para todos, mas só quando interessa?

20
Mai20

PREVARICAÇÃO. Dallagnol se esquivou de investigar Flavio Bolsonaro na Furna da Onça

Talis Andrade

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II - Além da PF, procuradores da Lava Jato também devem ser investigados pela blindagem de Flávio Bolsonaro

 

por Jeferson Miola

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Paulo Marinho denunciou, a partir do relato do Flávio Bolsonaro a ele, que:

  1. uma semana depois do 1º turno da eleição de 2018, Flávio foi avisado por um delegado da PF sobre a deflagração da Furna da Onça, que atingiria Queiroz e a filha Nathalia, lotada no gabinete do Bolsonaro na Câmara dos Deputados;
  2. o delegado, que se declarou “eleitor, adepto, simpatizante da campanha” de Bolsonaro, teria dito que “nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição”;
  3. Flávio comunicou o episódio ao pai [Bolsonaro], que então mandou desligar Queiroz e a filha Nathália dos gabinetes do clã em 15 de outubro de 2018.

Em 8 de novembro de 2018, 11 dias depois do 2º turno da eleição, a ação da Furna da Onça foi finalmente deflagada com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal.

Nela, foram presos 10 deputados estaduais e 16 assessores parlamentares e agentes políticos. O incrível é que, apesar de apontados no relatório do COAF, nem Flávio Bolsonaro nem Fabrício Queiroz foram alvos de mandados de prisão.

Somente em 6 de dezembro de 2018, depois de longo tempo abafada, a informação sobre o relatório do COAF que incrimina Fabrício Queiroz vazou para a imprensa.

Com a repercussão do escândalo no noticiário, o chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol se esquivou do caso [e prevaricou]: “Relatório do COAF apontou que 9 ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram dinheiro para o seu motorista. Toda movimentação suspeita envolvendo políticos e pessoas a eles vinculadas precisa ser apurada com agilidade. É o papel do MP no RJ investigar” [tweet de 12 de dezembro de 2018].

 

Uma investigação séria e isenta deve investigar toda a operação lavajatista Furna da Onça. A investigação deve abarcar, além de policiais federais, procuradores da Lava Jato que eventualmente agiram para proteger os interesses do clã miliciano. (Continua)

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19
Mai20

PF do Rio vazou informação na época de delegado ‘morista’

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

A ânsia “morista” da grande mídia tem destacado que Alexandre Ramagem, o preferido de Jair Bolsonaro estaria envolvido na Operação Cadeia Velha, da qual teria se originado a “Furna da Onça”, na qual surgiu a investigação sobre a “rachadinha” de Fabrício Queiroz e o gabinete de Flávio Bolsonaro.

Calma, porque a história é bem mais complicada.

O aviso de “um delegado da PF” a Flávio Bolsonaro, segundo afirma seu suplente, Paulo Marinho, deu-se em outubro de 2018. Nesta ocasião, Ramagem já estava afastado do Rio de Janeiro há seis meses, porque foi nomeado, em 29 de março de 2018, Coordenador de Recursos Humanos da Diretoria de Gestão de Pessoal do Departamento de Polícia Federal. Deste cargo ele só sairia após as eleições, no dia 29 de outubro, para chefiar a segurança do já então presidente eleito.

Quem chefiava a PF do Rio de Janeiro quando aconteceu o vazamento da informação era, vejam só, o delegado Ricardo Saadi, o mesmo que Bolsonaro – segundo o próprio Moro – queria trocar desde agosto de 2019 e que estava no cargo desde fevereiro de 2018.

Saadi foi, em outubro do ano passado, depois de sair da chefia da PF no Rio, nomeado chefe do  Serviço de Repressão a Crimes Financeiros, do Ministério de Justiça, um cargo que, é claro, não seria preenchido sem a anuência de Sérgio Moro.

Será que o então superintendente não sabia de uma operação que envolvia vários deputados estaduais, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa? Será que um caso de tamanha importância não estava, ao menos, ciente de que o caso envolvia um candidato a presidente?

É bom que se ponha atenção à apuração deste caso. Há sinais de que pode ter havido mais cumplicidade de que a de um delegado bolsonarista que resolveu defender o seu “mito”.

 

19
Mai20

Do Centrão para Paulo Marinho: obrigado!

Talis Andrade

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por Helena Chagas

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A entrevista do empresário e ex-aliado Paulo Marinho a Mônica Bergamo, na Folha, fortalecendo as investigações em torno da interferência do presidente da República na Polícia Federal, foi uma espécie de presente para o Centrão. O grupo, que vinha reclamando das nomeações a conta-gotas para cargos no governo em troca de seu apoio contra o impeachment na Câmara, está vendo agora a tinta da caneta de Jair Bolsonaro.

Diante da situação cada vez mais desconfortável, o Planalto acelerou as nomeações e começou a ceder as “jóias da coroa” ao Centrão, dando ao PL de Valdemar Costa Neto uma das diretorias do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que tem um fabuloso orçamento de R$54 bilhões. Nos próximos dias, ou horas, a presidência do órgão será destinada ao PP. Outras indicações, como para o conselho de Itaipu, também saíram a toque de caixa, numa indicação de que o Diário Oficial vai ficar gordo.

De nada adiantaram as reclamações do ministro ideológico Abraham Weintraub. Entre ele e Centrão, Bolsonaro já deixou clara a sua escolha. Ninguém vai se surpreender se o ministro acabar – finalmente – deixando o cargo nas próximas semanas. Mudou o desenho e o equilíbrio de forças no governo Bolsonaro, e nos bastidores do Congresso o que se comenta é que o próximo lugar onde os centristas vão meter a faca é no primeiro escalão. Vão querer ministérios. Para se manter funcionando no “modo sobrevivência”, Bolsonaro vai acabar tendo que ceder.

18
Mai20

Bolsonaro só chegou ao poder por conta de uma sucessão de trapaças

Talis Andrade

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por Leonardo Attuch

A reportagem deste domingo da jornalista Mônica Bergamo, em que o empresário Paulo Marinho, coordenador de campanha de Jair Bolsonaro, diz que a Polícia Federal vazou para Flávio Bolsonaro que investigava Fabrício Queiroz e o esquema das rachadinhas, revela mais uma faceta do jogo sujo usado na disputa presidencial de 2018, mas não surpreende. Foi apenas mais uma entre a coleção de trapaças que permitiu a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. E todas essas manipulações, de um modo ou de outro, contaram com a participação das instituições que, segundo nos relatam os golpistas, "estão funcionando" a contento no Brasil.

A mais grave delas, como todos sabem, foi a inabilitação eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obtida graças a um processo forçado de lawfare, que contou com a participação da justiça federal de Curitiba, do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral e do próprio Supremo Tribunal Federal. O golpe, como profetizou Romero Jucá, foi "com Supremo, com tudo".

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No entanto, prender Lula e silenciá-lo durante a campanha eleitoral não seria suficiente para garantir a vitória da direita tradicional ou da extrema-direita. Foi também necessário vazar, antes do segundo turno da disputa presidencial, a delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci para prejudicar Fernando Haddad e reforçar a intoxicação da opinião pública com o discurso fake do combate à corrupção. Discurso que cairia por terra se os eleitores soubessem, também antes do segundo turno, que Jair Bolsonaro e sua família estavam envolvidos no esquema das rachadinhas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Por isso mesmo, foi necessário adiar a Operação Furna da Onça e avisar Flávio Bolsonaro de que Fabrício Queiroz, tesoureiro do clã, vinha sendo investigado. Não por acaso, Queiroz e sua filha Nathalia foram providencialmente demitidos antes do segundo turno.

É evidente que esta trapaça não foi obra apenas de um delegado. Ele teria a capacidade de vazar a investigação, mas não de segurar a operação. Quais foram os outros responsáveis? Por que as ações só foram deflagradas depois que Johnny Bravo já estava eleito? Tudo isso poderia ser esclarecido por uma CPI já proposta pelo deputado Alessandro Molon, mas é óbvio que a eleição de 2018 deveria ser anulada pela sucessão de fraudes já conhecidas. E isso sem falar no esquema de fake news, na "facada de Juiz de Fora", na mamadeira de piroca e em tantas outras trapaças. A ascensão da extrema-direita no Brasil foi o maior assalto à democracia na história da humanidade.

18
Mai20

A cara de pau de Moro com o ‘aviso’ da PF a Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Tijolaço

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É absolutamente cínico – e nisso não há novidade – a reação do Sr. Sergio Moro dizendo que pretende pedir que seja tomado o depoimento do suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, de que a Polícia Federal tenha “segurado” a investigação do caso Fabrício Queiroz para não prejudicar eleitoralmente Jair Bolsonaro e ainda mandado avisar o então candidato para que ele e o filho demitissem o ex-PM e sua filha, esta funcionária do seu gabinete na Câmara.

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Ora, Moro não apenas escolheu sozinho o diretor da PF como, no mínimo desde que começaram as pressões para trocar a direção do órgão no Rio de Janeiro para, supostamente, favorecer o já presidente da República. É inacreditável que, dentro da estrutura da corporação no Rio o “freio” na investigação – que envolvia muitos agentes, senão também outras autoridades policiais – e que não se soubesse do “segura aí” de um processo que envolvia seis deputados e o próprio presidente da Assembleia Legislativa.

Aliás, em movimento inverso, Moro não se acanhou em “acelerar” a liberação do desacreditado acordo de delação premiada de Antonio Palocci a poucos dias do pleito, numa evidente manobra para causar desgaste à candidatura do PT.

Maurício Valeixo e Ricardo Saadi – o primeiro superintendente afastado da PF do Rio – não sabiam desta história, ao menos de ouvir dizer? Admitir isso seria admitir que são dois péssimos policiais, que não sabem o que se passa debaixo de seus narizes.

O próprio ex-ministro da Justiça, antes mesmo de tomar posse, já tinha conhecimento do relatório do Coaf, então na sua pasta, implicava Fabrício Queiroz e o gabinete do “Filho 01”, como a Folha publicou em manchete no início de dezembro de 2018.

E vem Moro dizer que foi “corajoso” o depoimento de quem guardou por dois anos segredo sobre uma grave manipulação policial de um inquérito, com confessado objetivo eleitoral?

O senso de Justiça de Moro depende de suas conveniências?

A Lei é para todos, mas só quando interessa?

 

18
Mai20

Além da PF, Lava Jato de Moro e Deltan também acobertou Flávio Bolsonaro

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A denúncia do empresário Paulo Marinho sobre a proteção da Polícia Federal a Flávio Bolsonaro confirma as suspeitas de manipulação não só da PF, mas da Lava Jato na Operação Furna da Onça, executada em 8 de novembro de 2018.

Furna da Onça, “um desdobramento da Lava Jato no estado do Rio de Janeiro, contou com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal”.

Na ação, foram presos 10 deputados estaduais colegas de Flávio Bolsonaro, todos eles adeptos da mesmíssima prática da “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro.

E, além dos 10 deputados, também foram presos 16 assessores parlamentares, todos eles colegas do fugitivo Fabrício Queiroz, e todos eles igualmente “laranjas” e operadores dos esquemas corruptos dos gabinetes parlamentares.

A investigação que causou as prisões se baseou em relatórios do COAF de movimentações financeiras atípicas de parlamentares e assessores.

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No caso de Fabrício Queiroz, parceiro de churrascadas e pescarias do Jair e assessor do Flávio Bolsonaro, o COAF identificou a movimentação atípica de pelo menos R$ 1,2 milhão, mas que na realidade pode ultrapassar os R$ 6 milhões. O COAF inclusive encontrou depósitos de Queiroz na conta da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Como se percebe, a sucursal da Lava Jato no RJ poupou tanto Flávio Bolsonaro como Queiroz do destino dos demais 26 criminosos enjaulados.

Quando finalmente o escândalo do envolvimento de Flávio Bolsonaro veio à tona e a identidade de um personagem de nome Queiroz foi descoberta, Deltan Dallagnol mostrou estranha inapetência com o caso.

E, então, num ato supremo de prevaricação/crime, ele abandonou a investigação.

 

Via twitter, o prevaricador Deltan afirmou em 12 de dezembro de 2018: “Relatório do COAF apontou que 9 ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram dinheiro para o seu motorista. Toda movimentação suspeita envolvendo políticos e pessoas a eles vinculadas precisa ser apurada com agilidade. É o papel do MP no RJ investigar” [aqui].

A decisão do Deltan, além de ilícita, é insustentável. Como ele pode defender que “É o papel do MP no RJ investigar” um caso que “contou com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal”, mas que não envolveu nenhum policial militar ou civil do Rio, nenhum membro do MP do Rio e nenhum auditor fiscal do Rio?

Aliás, é curioso que em março de 2020, um ano e meio depois de Deltan se desincumbir duma investigação que caberia à Lava Jato presidir, o juiz lavajatista Marcelo Bretas tenha mandado bloquear R$ 420,4 milhões em bens dos 26 réus da Furna da Onça a pedido, justamente, de colegas de Lava Jato do Deltan. Ou seja, os colegas do procurador chefe da Operação Lava Jato fizeram aquilo que Deltan, o prevaricador, se recusou a fazer. [aqui].

A denúncia de Paulo Marinho é mais uma extraordinária evidência de que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol usaram seus cargos públicos para atuarem na política para auxiliarem a eleição do fascista Bolsonaro.

Isso inclusive corrobora a reclamação da defesa do ex-presidente Lula no STF sobre a suspeição do Moro e consequente anulação de todas as farsas jurídicas por ele fabricadas em nome de interesses político-ideológicos.

Esta denúncia também comprova que facções criminosas, constituídas por funcionários públicos – juízes, procuradores, policiais –, em associação ilícita com agentes políticos, capturaram e aparelharam o Estado brasileiro para viabilizar o ascenso do extremismo fascista ao poder.

Só a anulação da eleição de 2018 e a convocação de eleições limpas, livres e democráticas será capaz de devolver alguma esperança para o país evitar a hecatombe.

 

18
Mai20

Suplente do ’01” revela que PF já era de Bolsonaro em 2018

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Tijolaço

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Manchete da Folha de hoje, a proximidade entre a Polícia Federal e a família Bolsonaro não surpreende, embora tenha a força de uma confissão de quem, direta e pessoalmente, tomou conhecimento da montagem de uma farsa que impediu o povo brasileiro e ir às urnas sabendo a verdade – ou o que já se conhecia dela – sobre o episódio da “rachadinha” do gabinete de Flávio Bolsonaro e a orientação direta de seu pai para o encobrimento do caso.

A entrevista de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado é isto: a denúncia de um crime, diante do qual o Ministério Público, se ainda existir, terá de pedir a imediata instauração de inquérito.

Pois o fato de que, entre os dois turnos das eleições a Polícia Federal, através de um delegado que procurou o coronel-aviador da reserva da FAB Miguel Ângelo Braga Grillo, chefe de gabinete do “Filho o1” e o advogado deste, Victor Alves para avisar que havia sido descoberto o esquema de dinheiro operado por Fabrício Queiroz mas os responsáveis pela inquérito tinham decidido que iriam “segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição [presidencial]”.

Mais: deu orientações para que “limpassem a área”, demitindo Queiroz e sua filha Nathália, o que foi feito a seguir pelo filho e pelo pai, de quem eram, pai e filha, funcionários de confiança.

É claríssima a obstrução de investigações com finalidades político-eleitorais, mas isso não é tudo.

É sinal de que as estruturas da PF já serviam a Jair Bolsonaro mesmo antes da eleição e que, afinal, bastaria – ou bastou – que o ex-capitão mantivesse a sua influência sobre os inquéritos, como ocorreu naquele caso agora confessado por Paulo Marinho.

Como a ele serviam, também, o então juiz Sérgio Moro – lembram da súbita divulgação pré eleitoral das confissões sem provas de Antonio Palocci? – e todos os que participaram da manobra judicial-policial – que rendeu a Maurício Valeixo a chefia da PF – para manter Lula encarcerado mesmo depois de um desembargador federal ter-lhe dado liberdade provisória.

Vamos ver, agora, se a notícia-crime que Mônica Bergamo traz na entrevista de Paulo Marinho vai ser tratada como o que é e se disso se revela o quão grande e profunda já era a infiltração da milícia bolsonarista dentro da Polícia Federal.

 
17
Mai20

Polícia Federal uma dama oferecida antes de Bolsonaro ser presidente

Talis Andrade

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Na Castanhola, zona de meretrício da minha cidade natal Limoeiro, Pernambuco, havia um dancing ao som de radiola. Na parede um letreiro: Atenção. As damas não são obrigadas aos cavaleiros". 
 
Ricardo Noblat: Entrevista explosiva de empresário agrava a situação dos Bolsonaro
Senador Humberto Costa: Suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, confirma que integrantes da Polícia Federal anteciparam informações sobre a operação que investigava o escândalo "rachadinhas". Entenderam o interesse de Bolsonaro na PF do Rio de Janeiro?
Randolfe Rodrigues: A matéria da Folha revela que a interferência de Bolsonaro e de sua família na Polícia Federal, já ocorria antes mesmo do início de seu governo. As revelações feitas por Paulo Marinho são gravíssimas!
PF antecipou a Flávio Bolsonaro que Queiroz seria alvo de operação, diz suplente do senador
 
Empresário afirma que revelação foi feita a ele em 2018 pelo filho do presidente, que demitiu assessor para tentar prevenir desgaste
folha.uol.com.br
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Para ajudar a campanha de Bolsonaro de combate à corrupção, Sergio Moro vazou para a imprensa a delação mentirosa de Antonio Palocci contra o PT de Fernando Haddad que disputava a presidência com o candidato de Sergio Moro, dos procuradores e delegados da Lava Jato, a falsa delação de Palocci contra Lula, que foi preso por Moro, para não disputar as eleições de 2018.
 
Durantes as eleições, Paulo Guedes foi o pombo-correio do namoro de Moro com Bolsonaro. 
 
Eleito, Bolsonaro sela a negociação criminosa de dois ministérios para Moro. Ministério da Justiça. Ministério da Segurança. Pelos serviços prestados, Moro acha pouco. Exige uma pensão. Não existe legado, melhor espólio que ser ministro do Superior Tribunal de Justiça, STF, com pensão vitalícia para a esposa e a filha. 
 
Bolsonaro entrega a Moro o comando das forças policiais do Brasil. 
 
Para comandar a Polícia Federal, Moro convence Bolsonaro nomear Maurício Valeixo, o delegado que tentou sequestrar Lula numa prisão ilegal sob vara, e que depois prendeu Lula condenado por Moro, e que se negou a cumprir a soltura do ex-presidente, rasgando habeas corpus concedido pelo desembargador Rogério Favreto.
 
Com Sergio Moro ministro, Maurício Valeixo no comando da Polícia Federal, Fabrício Queiroz, Adriano Magalhães da Nóbrega e parceiros ficaram de fora da lista dos criminosos mais procurados do Brasil: Lista dos criminosos mais procurados do Brasil
 
 
 
 
 
 
20
Nov19

Moro, o vendilhão desmascarado

Talis Andrade
 

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É verdade que nenhum deles – estou falando de quem cerca Jair Bolsonaro – vale grande coisa. E isso, na melhor das hipóteses: a imensa maioria não vale é nada. 
 

Ninguém que tenha sido chamado para integrar esse governo merece nem verniz de respeito. Isso vale, é claro, para os militares empijamados. 

Ainda assim, oscila entre o curioso, o engraçado e o extremamente sério o que falam aqueles que romperam com o destrambelhado clã presidencial. Do ex-ator pornô Alexandre Frota à robusta plagiadora Joice Hasselman, que do mais que merecido ostracismo saltaram para o palco graças justamente ao desmiolado candidato que acabou virando presidente, todos saem dizendo pestes e contando podres da família miliciana.

Um dos casos que cabem perfeitamente na categoria do extremamente sério é a revelação feita por Gustavo Bebianno, defenestrado do vistoso posto de ministro da Secretaria Geral da Presidência dois meses depois de ter sido nomeado. Sua saída humilhante ocorreu depois de um embate com Carlos Bolsonaro, o mais hidrófobo dos muito hidrófobos filhos presidenciais.

Carlos acusou Bebianno de ter mentido, o acusado provou que o mentiroso era Carlos, e Bolsonaro apoiou justamente quem mentiu. 

Isso aconteceu em fevereiro, e o primeiro grande medo de Bolsonaro foi que Bebianno, que era seu advogado, resolvesse cobrar os honorários dos quais tinha aberto mão.

Bobagem de dimensões olímpicas: devia ter tido é medo daquilo que o cão de guarda que coordenou sua campanha eleitoral sabia. E, mais que medo, devia ter pavor do que Bebianno pudesse contar se alguma vez resolvesse abrir a boca e contasse uma parte milimétrica do que tinha feito.

Ele ainda não contou um milésimo do que sabe. Mas uma das coisas que contou confirma o que muitos de nós sabíamos: pelo menos entre o primeiro e o segundo turno, o então juiz Sérgio Moro foi convidado e aceitou largar a toga para virar ministro de Justiça do candidato altamente beneficiado por ele e a turma da Lava Jato. 

Quando Moro soltou um trecho da delação premiada de Antônio Palocci faltando pouquíssimo para o segundo turno, ficou mais do que claro que se tratava de uma jogada cujo único e exclusivo objetivo era ajudar Bolsonaro na reta final da campanha.

Pois agora Bebianno, em uma entrevista ao jornalista Fabio Pannunzio, precisou de apenas e exatos dois minutos e cinco segundos para revelar e comprovar o que eu e muitíssima gente sabíamos: a cumplicidade do então juiz com o candidato ultradireitista não se limitou a impedir Lula de ganhar a eleição. Teve seu prêmio assegurado com antecedência.

Bebbiano foi, mais que coordenador, o grande articulador da campanha eleitoral e participou ativamente da estruturação do governo de Bolsonaro. Pretendia ser ministro da Justiça. E quando foi informado por Paulo Guedes que seu candidato pessoal tinha sido preferido por Bolsonaro, achou perfeitamente natural. 

Num gesto de lealdade ao passado, na entrevista Bebianno diz que até onde ele saiba, Bolsonaro e Moro não tinham tido nenhum contato pessoal direto. Tudo foi feito por Paulo Guedes. 

O que ele não disse, nem precisava, é que Guedes pode ter sido escolhido por Bolsonaro para as sondagens e negociações com o juizeco que desde sempre se mostrou absolutamente parcial e manipulador.

Com essa revelação feita pelo condutor da campanha eleitoral, que ainda por cima menciona testemunhas da conversa – Onyx Lorenzoni, o empresário Paulo Marinho, Paulo Guedes – a situação de Moro como ministro fica insustentável. 

Quer dizer: ficaria, se tanto ele como Bolsonaro tivessem uma gota de vergonha na cara e um mínimo vestígio de dignidade.

Em compensação, vossas excelências que integram o Supremo Tribunal Federal passam a ter um motivo a mais – o centésimo – para julgar a conduta do então juiz Sergio Moro. Uma conduta imoral, indecente, abjeta. 

E, além de motivo, têm uma nova oportunidade para mostrar que não se trata de um tribunal omisso, cúmplice, poltrão. Oxalá não a desperdicem como desperdiçaram todas as anteriores. 

Também a Câmara de Deputados tem uma excelente oportunidade de tentar desfazer ao menos em parte, pequena parte, sua péssima imagem: Moro já compareceu e mentiu aos deputados.

Por que não fazer uma convocação ampla, incluindo, além de Moro, Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni, e provocar uma acareação do trio com Gustavo Bebianno? 

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