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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

22
Fev22

Moro cria sua “polícia de campanha”

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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No Valor, a repórter Isabela Peron conta que Sérgio Moro cria canal para apurar denúncias contra a sua [própria] campanha para que “a cúpula da candidatura possa tomar conhecimento de eventuais deslizes de terceiros e prestadores de serviços que vão atuar na campanha”.

É a “autopolícia”, que policia a si mesma? E o que faz com isso, denuncia a sua própria campanha ao TSE?

Mas não é só: a Polícia do Marreco vai, segundo seu advogado-chefe, Gustavo Guedes, “vai monitorar e avaliar as postagens nas redes sociais, para poder colher elementos, inclusive com a possibilidade de pedir quebras de sigilo, para identificar os autores das manifestações inverídicas na internet. “A lógica, além de você tirar de circulação a fake news, é você investigar quem fez e punir quem fez”

Quer dizer que a própria campanha vai “monitorar, avaliar, investigar, quebrar o sigilo (!??) e punir”? Tirando a CIA e a KGB, não se tinha notícia de qualquer grupo que pudesse acumular tantas funções.

É o retrato do “Direito do Moro”, onde tudo só depende de suas “convicções”. Será que vai criar uma “Justiça Eleitoral” paralela?

Nada a ver com a tal “compliance”, porque numa empresa privada há uma autossuficiência dos donos para investigar e punir (com demissão, em geral) aqueles que se desviem de regras estabelecidas unilateralmente. E o dinheiro é privado, não público como o empregado em campanhas eleitorais.

Mas vá em frente, Doutor, e quem sabe o senhor começa logo recebendo denúncias sobre contratos obscuros e milionários com multinacionais que gerem as empresas quebradas pela Lava Jato e exigindo a sua “tolerância zero” em matéria de transparência…

Não era assim que o senhor fazia com os outros?

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O DECRETO DA BESTA 666666 GIFs - Get the best GIF on GIPHY

Super ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro para proteger o chefe Jair Bolsonaro e a família miliciana assinou o Decreto da Besta 666. E para se vingar de Glenn Greenwald e todos os jornalistas que iniciaram a Operação Vaza Jato, que acabou com a autodenominada Liga da Justiça da autodenominada República de Curitiba que tinha como capos juízes, procuradores e delegados da Polícia Federal que iniciaram as atividades criminosas no assalto ao Banco do Estado do Paraná - BanEstado. 

Os paranaenses de vergonha na cara ainda hoje lastimam a falência do seu banco estatal, nas mãos de traficantes de moedas, de juizes, procuradores e delegados safados, que participaram do maior assalto a banco da história da humanidade, junto com os barões da imprensa que, em pagamento, endeusaram a autodenominada Lava Jato, a mesma quadrilha que atuou no Banestado e os chamados garotos dourados.CPI Banestado – andradetalis

Moro conhece o FHC e o Serra desde o Banestado

por Paulo Henrique Amorim

No site da CartaCapital, Henrique Beirangê publica um detalhado artigo sobre os personagens de uma operação que, embora movimentasse bilhões e envolvesse alguns dos mais famosos nomes do empresariado nacional, nunca foi além dos bagrinhos.

Nas duas pontas, os mesmos personagens famosos de hoje : Alberto Youssef e Sérgio Moro.

No meio, empreiteiras, empresas como a Globo e a Abril, políticos, a fina flor do dinheiro movimentando meio trilhão de reais (US$ 134 bilhões) através do Banestado, a maioria pela agência de Foz do Iguaçu.

A história é tenebrosa, inclusive por mostrar que a indulgência e a cumplicidade com os poderosos - agora intoleráveis, desde que com outros “poderosos” – cobram um preço bem descrito no velho adágio de que “quem poupa os inimigos pelas mãos lhe morre”.

 

Geuvar on Twitter: "TRANSPOSIÇÃO DO SÃO MORO Apoie o trabalho do cartunista  Tocantinense *Geuvar Oliveira* (clique no link): https://t.co/5992OBs9nn  #rioSaoFrancisco #transposiçãoDasAguas #privatizaçãodaágua, @duploexpresso  @romulusmaya #banestado ...A semente dos escândalos

por Henrique Beirangê, na CartaCapital

O juiz Sergio Moro arbitra uma operação que investiga um extenso esquema de corrupção e evasão de divisas intermediadas por doleiros que atuam especialmente no Paraná. Uma força-tarefa é montada e procuradores da República propõem ações penais contra 631 acusados. Surgem provas contra grandes construtoras e grupos empresariais, além de políticos.

Delações premiadas e acordos de cooperação internacional são celebrados em série. Lava Jato? Não! Trata-se do escândalo do Banestado, um esquema de evasão de divisas descoberto no fim dos anos 90 e enterrado de forma acintosa na transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o de Lula.

Ao contrário de agora, os malfeitos no banco paranaense não resultaram em longas prisões preventivas. Muitos envolvidos beneficiaram-se das prescrições e apenas personagens menores chegaram a cumprir pena.

Essas constatações tornam-se mais assustadoras quando se relembram as cifras envolvidas. As remessas ilegais para o exterior via Banestado aproximaram-se dos 134 bilhões de dólares. Ou mais de meio trilhão de reais em valor presente. Para ser exato, 520 bilhões.

De acordo com os peritos que analisaram as provas, 90% dessas remessas foram ilegais e parte tinha origem em ações criminosas. A cifra astronômica foi mapeada graças ao incansável e inicialmente solitário trabalho do procurador Celso Três, posteriormente aprofundado pelo delegado federal José Castilho. Alguém se lembra deles? Tornaram-se heróis do noticiário?

Empreiteiras, executivos, políticos e doleiros que há muito frequentam o noticiário poderiam ter sido punidos de forma exemplar há quase 20 anos. Não foram. Os indiciamentos rarearam, boa parte beneficiou-se da morosidade da Justiça e a maioria acabou impune.

Quanto à mídia, não se via o mesmo entusiasmo “investigativo” dos tempos atuais. Alberto Youssef, Marcos Valério, Toninho da Barcelona e Nelma Kodama, a doleira do dinheiro na calcinha, entre outros, tiveram seus nomes vinculados ao esquema.

Salvo raras exceções, CartaCapital entre elas, a mídia ignorou o caso. Há um motivo. Os investigadores descobriram a existência de contas CC5 em nome de meios de comunicação. Essa modalidade de conta foi criada em 1969 pelo banco para permitir a estrangeiros não residentes a movimentar dinheiro no País.

Era o caminho natural para multinacionais remeterem lucros e dividendos ou internar recursos para o financiamento de suas operações. Como dispensava autorização prévia do BC, as CC5 viraram um canal privilegiado para a evasão de divisas, sonegação de imposto e lavagem de dinheiro.

Em seu relatório, o procurador Celso Três deixa claro que possuir uma conta CC5, em tese, não configuraria crime, mas que mais de 50% dos detentores não “resistiriam a uma devassa”.  Nunca, porém, essa devassa aconteceu. A operação abafa para desmobilizar o trabalho de investigação começou em 2001. Antes, precisamos, porém, retroceder quatro anos a partir daquela data.

A identificação de operações suspeitas por meio das CC5 deu-se por acaso, durante a CPI dos Precatórios, em 1997, que apurava fraudes com títulos públicos em estados e municípios. Entre as instituições usadas para movimentar o dinheiro do esquema apareciam agências do Banestado na paranaense Foz do Iguaçu, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina e famosa no passado por ser uma região de lavagem de dinheiro.

Das agências, os recursos ilegais seguiam para a filial do Banestado em Nova York. Informado das transações, o Ministério Público Federal recorreu ao Banco Central, à época presidido por Gustavo Loyola. Os procuradores comunicaram em detalhes ao BC as movimentações suspeitas.

Em vez de auxiliar o trabalho do Ministério Público, o Banco Central de Loyola preferiu criar dificuldades para o acesso dos procuradores às contas suspeitas. Segundo Celso Três, as informações eram encaminhadas de forma confusa, propositadamente, diz, com o intuito de atrasar as investigações. Diante dos entraves causados pelo BC, a Justiça Federal tomou uma decisão sem precedentes. Determinou a quebra de todas as contas CC5 do País.

Uma dúvida surgiu de imediato: se havia formas regulares, via Banco Central, de enviar dinheiro ao exterior, qual a razão de os correntistas optarem por essas contas especiais que não exigiam autorização prévia nem estavam sujeitas à fiscalização da autoridade monetária?

Pior: antes do alerta da CPI dos Precatórios, o BC parece nunca ter suspeitado da intensa movimentação financeira por agências de um banco estatal paranaense, secundário na estrutura do sistema financeiro. Até então, nenhum alerta foi dado pelo órgão responsável pela fiscalização dos bancos. Vamos repetir o valor movimentado: 134 bilhões de dólares.

Editada em 1992, uma carta-circular do Banco Central determinava que movimentações acima de 10 mil reais nas contas CC5 deveriam ser identificadas e fiscalizadas. Jamais, nesse período, as autoridades de investigação foram comunicadas pelo BC de qualquer transação incomum.

Com a quebra de sigilo em massa determinada pela Justiça, milhares de inquéritos foram abertos em todo o País, mas nunca houve a condenação definitiva de um político importante ou de representantes de grandes grupos econômicos. Empresas citadas conseguiram negociar com a Receita Federal o pagamento dos impostos devidos e assim encerrar os processos contra elas.

O Ministério Público chegou a estranhar mudanças repentinas em dados enviados pelo governo FHC. Em um primeiro relatório encaminhado para os investigadores, as remessas da TV Globo somavam o equivalente a 1,6 bilhão de reais.

Mas um novo documento, corrigido pelo Banco Central, chamou a atenção dos procuradores: o montante passou a ser de 85 milhões, uma redução de 95%. A RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e atualmente envolvida no escândalo da Zelotes, também foi beneficiada pela “correção” do BC: a remessa caiu de 181 milhões para 102 milhões de reais.

A quebra do sigilo demonstrou que o Grupo Abril, dono da revista Veja, fez uso frequente das contas CC5. A Editora Abril, a TVA e a Abril Vídeos da Amazônia, entre outras, movimentaram um total de 60 milhões no período. O SBT, de Silvio Santos, enviou 37,8 milhões.

As mesmas construtoras acusadas de participar do esquema na Petrobras investigado pela Lava Jato estrelavam as remessas via Banestado. A Odebrecht movimentou 658 milhões de reais. A Andrade Gutierrez, 108 milhões. A OAS, 51,7 milhões. Pelas contas da Queiroz Galvão passaram 27 milhões. Camargo Corrêa, outros 161 milhões.

O sistema financeiro não escapa. O Banco Araucária, de propriedade da família Bornhausen, cujo patriarca, Jorge, era eminente figura da aliança que sustentava o governo Fernando Henrique Cardoso, teria enviado 2,3 bilhões de maneira irregular ao exterior.

Leia a íntegra no site da CartaCapital

O CASO BANESTADO NÃO PODE FICAR NA “GAVETA DO ESQUECIMENTO” - JORNAL  IMPACTO PARANÁ

Portaria 666: por que medida de Moro sobre expulsão de estrangeiros é inconstitucional na visão de especialistasArquivos da Vaza Jato já estão no STF - O Cafezinho

por Mariana Sanches

A Portaria 666, divulgada nessa sexta-feira, 26 de julho de 2019, no Diário Oficial e assinada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, comete uma série de ilegalidades e inconstitucionalidades ao estabelecer condições para a deportação de estrangeiros do Brasil. Essa é avaliação de seis especialistas no tema ouvidos pela BBC News Brasil.

De acordo com os novos critérios, fica impedido de ingressar no país, sujeito a repatriação, deportação sumária ou redução de prazo de permanência qualquer estrangeiro que seja considerado "pessoa perigosa para a segurança do Brasil".

Segundo o texto, se for considerada "suspeito" e receber uma notificação de deportação, o imigrante tem 48 horas para se defender antes de ser efetivamente expulso.

"Essa portaria viola valores da lei de imigração e constitucionais importantes", afirma Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional e coordenador do Centro de Pesquisa Supremo em Pauta da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo (FGV-SP).

 

O caso Glenn Greenwald e a Operação Spoofing

A edição da portaria acontece em um momento em que Moro trava com o jornalista americano Glenn Greenwald um debate a respeito de mensagens atribuídas ao ex-juiz federal e aos procuradores da Operação Lava Jato publicadas no site The Intercept, de Greenwald.

As mensagens revelariam atos impróprios do magistrado enquanto julgava os casos ligados a corrupção na Petrobras. Moro não reconhece a autenticidade das mensagens.

 

Em sua conta no Twitter, Glenn Greenwald chamou de 'terrorismo' a publicação da portaria.

"A avaliação dessa portaria é indissociável do contexto em que o ministro está, contrariando as limitações legais em relação a investigações sigilosas da Polícia Federal", continua Glezer, referindo-se ao fato de que Moro teve acesso a dados e provas colhidos pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Spoofing, deflagrada para apurar o hackeamento das mensagens de Moro e que está sob segredo de Justiça.

De acordo com os investigadores, na última terça-feira, dia 23 de julho, quatro hackers responsáveis pelo vazamento dos dados de Moro e dos procuradores foram presos. Ainda segundo a PF, em depoimento, um dos acusados, Walter Delgatti Neto, admitiu ter sido a fonte de Greenwald. Até o momento, Greenwald não é investigado, tampouco confirma que Delgatti seja sua fonte.

Depois do início da publicação das reportagens do The Intercept, há cerca de um mês, perfis apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais iniciaram uma campanha pela deportação do jornalista americano, que é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), com quem tem dois filhos.

"O Ministério da Justiça não pode, a fim de atingir uma pessoa, editar uma medida dessa que tem repercussão geral, vai afetar milhões de pessoas", afirma Maristela Basso, professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP).

O Ministério da Justiça qualifica a publicação da portaria como um ato de rotina, desconectado da Operação Spoofing.

"Essa ação estava prevista, é rotina dentro do Ministério. Precisamos de instrumentos que deem agilidade para o Estado retirar pessoas perigosas que nem deveriam ter entrado no Brasil", afirmou André Furquim, diretor do Departamento de Migrações, segundo nota da pasta.

 

Lei da Imigração versus Estatuto do Estrangeiro

Por ser ministro da Justiça, cabe a Moro estabelecer como deve ser cumprida a Lei de Imigração, promulgada em 2017, em substituição ao Estatuto do Estrangeiro, de 1980.

No entanto, a portaria excederia sua pregorrativa de regulamentação e ressuscitaria elementos autoritários do período da ditadura, apontam especialistas ouvidos para esta reportagem.

"A Lei de Imigração não prevê a classificação de pessoas como 'perigosas' para a segurança nacional, como na portaria. Esse termo era usado no Estatuto do Estrangeiro, que já está ultrapassado e em desuso. Então, é chocante ver esse termo. E portarias não podem criar nova hipótese de punição, por isso considero inconstitucional", diz Marina Faraco, professora de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

De acordo com o documento de Moro, são consideradas pessoas perigosas aquelas que possam ser enquadradas nas legislações referentes a terrorismo, organização criminosa, tráfico de drogas, pessoas ou armas de fogo, pornografia ou exploração sexual e violência em estádios de futebol.

"Há um amplo grau de subjetividade nos crimes listados, especialmente em organização criminosa ou na lei de terrorismo", diz Glezer.

Além disso, na avaliação de especialistas, a portaria desconsidera a presunção de inocência ao determinar que são passíveis de deportação estrangeiros que sejam meramente suspeitos de crimes, que estejam sob investigação criminal e não tenham ainda sido julgados.

"Certamente, essa parte da portaria vai acabar sendo questionada no Supremo, porque pode afrontar princípios constitucionas", diz a advogada constitucionalista Vera Chemim, que afirma esperar uma longa batalha sobre o assunto nos tribunais.

Para Faraco, até mesmo um simples boletim de ocorrência poderia servir para abrir um processo de retirada de uma pessoa do Brasil, o que gera insegurança jurídica.

Além disso, o tempo para a defesa após a notificação de deportação ou extradição foi reduzido para 48 horas, considerado inviável para que um imigrante consiga reverter a situação de deportação. Em uma deportação ordinária, há um prazo mínimo de 60 dias.

"As pessoas vão poder ser retiradas do país em 48 horas em uma condição de grande insegurança jurídica. Fere a presunção de inocência, o devido processo legal, o direito à ampla defesa, o princípio de igualdade entre estrangeiros e nacionais", diz Glezer.

Para Basso, como o Congresso não aprovou deportações sumárias, Moro estaria legislando em seu lugar. "É um abuso de poder do Ministro da Justiça", completa.

 

Decisões no escuro

A portaria prevê ainda que, por motivos de segurança, o Estado pode fazer deportações sumárias sem dar publicidade aos motivos. Na prática, as razões para a expulsão do estrangeiro do país não estariam disponíveis ao público nem mesmo por pedidos feitos com base na Lei de Acesso à Informação.

"Medidas arbitrárias tendem a ser sigilosas, porque assim fica mais difícil garantir a defesa das pessoas e a fiscalização da ação das autoridades pela sociedade civil", diz Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas, entidade que defende os direitos de imigrantes.

Em sua conta no Twitter, Glenn Greenwald chamou de "terrorismo" a publicação da portaria. De acordo com o Ministério da Justiça, "a portaria não permite a expulsão de estrangeiros por motivo diverso do enquadramento em condutas criminais específicas, nem permite a deportação em casos nos quais há vedação legal, como de estrangeiro casado com brasileiro ou com filhos brasileiros."

O texto deve ser questionado judicialmente, segundo Glezer. "A portaria aponta para um processo de desinstitucionalização, em que as autoridades políticas demonstram não se importar com os limites institucionais e jurídicos da suas funções. Elas perseguem o poder, sua agenda independente das limitações legais."

Juristas: manipulação do grampo de Dilma e Lula é o mais grave da Vaza Jato  - CTB

15
Jan22

A interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil

Talis Andrade

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Parceria Lava Jato-EUA foi movida por ódio e dinheiro, revela ex-agente da CIA

Sara Vivacqua entrevista John Kiriakou (continuação)

 

O ex-juiz e ex-ministro da justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol tiveram uma colaboração secreta, extraoficial e conivente com o Departamento de Justiça dos EUA, o DOJ Tudo em nome da luta anticorrupção. Você pode nos explicar qual é o papel do governo dos EUA em tais operações no exterior e como eles cooptam essas figuras como Moro e Dallagnol?

Esta não é uma teoria da conspiração. Esse é um excelente exemplo da interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos de outro país. Isso é algo que em qualquer outra situação resultaria em um muito forte protesto diplomático, porque realmente é uma interferência.

E não é apenas o Departamento de Justiça. Eu gostaria de alertar as pessoas que também o Departamento de Estado, o Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro se envolvem em acusações de lavagem de dinheiro que aparecem do nada, ou acusações de corrupção. Esse é o Departamento do Tesouro. E agora, temos que nos preocupar com o Departamento de Segurança Interna também. E o tempo todo você também tem a CIA trabalhando nos bastidores.

Então isso não é uma conspiração, este é um esforço concentrado dos elementos mais importantes do governo americano para, essencialmente, instalar líderes no exterior de quem eles gostem e que irão apoiar a agenda americana, e para destruir, não apenas para atrapalhar, mas para destruir aqueles líderes que não apóiam a agenda americana. Além disso, nos Estados Unidos têm dois partidos: os democratas e os republicanos; e os republicanos chamam os democratas de “esquerda radical”, e os democratas chamam os republicanos “a direita radical”.

A verdade é que ambos são partidos de centro. Os democratas estão um pouco à direita de centro e os republicanos estão muito à direita do centro. Não há nada de radical nos democratas, não há nada de esquerda nos democratas, mas com isso dito, no exterior qualquer pessoa cuja ideologia esteja à esquerda dos democratas é comunista e o comunismo é uma ameaça aos Estados Unidos. Essa é a mentalidade aqui, e aqui estamos todos esses anos depois da queda do muro de Berlim e da dissolução da União Soviética, as pessoas ainda estão obcecadas com a ideia de movimentos políticos progressistas no exterior.

Nos Estados Unidos as pessoas estão indignadas agora que Daniel Ortega voltou a ganhar a presidência da Nicarágua, por exemplo. O governo Biden, que se supõe tão progressista e radicalmente de esquerda, recusa-se a restabelecer relações diplomáticas com o governo de Cuba.

Olhe o Brasil, olhe o presidente Lula, olhe para Dilma Rousseff, eles não tinham más intenções contra os Estados Unidos. Eles foram eleitos democraticamente em seu país e os Estados Unidos decidiram: “Não gostamos deles, queremos alguém bem mais à direita”. Então, ao invés de interferir na eleição ou talvez eu deva dizer apenas interferindo nas eleições, um programa foi traçado para destruí-los e assim o pobre presidente Lula acabou na prisão, a presidenta Dilma Rousseff acabou com a reputação destruída e o mundo acabou com Jair Bolsonaro.

Todos esses vazamentos mostrados para quem tem olhos e pode ler, pode ver o vazamento e pode ver por sua própria boca e sua própria admissão de que eles se envolveram extraoficialmente com o Departamento de Justiça, mas não só, que havia mais. Vazaram mensagens em que o procurador Dallagnol se referia à prisão de Lula como um presente da CIA. E depois Jair Bolsonaro e Sergio Moro, o juiz que colocou Lula na prisão, fizeram uma visita inédita à sede da CIA, em Langley, logo após chegar ao poder com o apoio de Wall Street.

Lula, no dia em que foi preso

 

Como você acha que essa cooperação da CIA aconteceu?

Muito facilmente. Em primeiro lugar, deixe-me enfatizar o quão incomum é um líder estrangeiro ir à sede da CIA. Muito, muito incomum. De vez em quando eu era chamado por ser um líder estrangeiro, mas normalmente era como, numa vez, o primeiro ministro de Fidji, ou o vice-primeiro-ministro da Albânia, mas o presidente de um grande país como o Brasil ir à sede da CIA, e quando você mencionou pela primeira vez eu estava tentando pensar em outro exemplo onde algo assim aconteceu, eu não consegui lembrar de nenhum momento enquanto eu estava na CIA que algo assim tenha acontecido. 

É tão inapropriado que nem consigo imaginar como foi autorizado. Em primeiro lugar, a menos que fosse parte de uma operação para destruir essencialmente Lula e assumir o governo brasileiro. Eu acho que é isso mesmo o que aconteceu. 

Tem uma piada na CIA, que é uma espécie de piada de batismo, que a inteligência é um negócio de grana. Quando eu estava no Paquistão, em 6 meses eu provavelmente gastei 10 milhões de dólares em dinheiro vivo. Jogávamos dinheiro para fora do helicópteros para os senhores da guerra afegãos. Não consegui gastar o dinheiro rápido o suficiente, literalmente, um orçamento ilimitado. A CIA não é avessa a fazer pequenos acordos laterais. Talvez esse juiz gostaria de ter uma casa nova, ou talvez o seu filho gostaria de ir para uma universidade americana com todas as despesas pagas.

 

Ele foi para o programa “60 minutes”. Ninguém sabia quem ele era no “60 minutes”…

Então, sempre tem um acordo, todo mundo tem um preço. Eles nos ensinam na escola de espionagem quais são os fatores motivacionais. Por que as pessoas querem trabalhar para a CIA? Por que eles querem espionar para a CIA? Para 90% deles, é dinheiro. O dinheiro é fácil. Temos mais dinheiro do que podemos contar, vamos apenas dar a você quanto dinheiro você quiser, se você produzir para nós. Para algumas pessoas, é ideologia.

Eles são verdadeiros crentes nos Estados Unidos e querem fazer algo para ajudar os Estados Unidos. Há muitas pessoas assim. 

Mas o outro é o outro fator motivador é o ódio. Você odeia seu chefe, você odeia o outro partido político, você odeia o Lula, você quer arruiná-lo. O ódio é um fator muito motivador, o dinheiro é secundário, mas se você estiver alguém que tem um ódio profundo por alguém e você está em uma posição de destruir a vida dele você ficaria surpreso com o número de pessoas que realmente buscam isso. E então, acho que estamos vendo uma combinação de coisas aqui. Eu não ficaria surpreso se o dinheiro mudasse de mãos; provavelmente muito dinheiro, mas também não ficaria surpreso se o ódio fosse um dos fatores de motivação

 

Portanto, não é apenas instrumental. Há algo que aconteceu recentemente. Você acha que é possível que a CIA esteja monitorando o filho de Jair Bolsonaro? 

Com certeza, absolutamente. Eles ainda estão me monitorando e eu não sou ninguém. Então, você sabe, temos uma situação aqui nos Estados Unidos, onde a tecnologia agora está tão avançado que todos, literalmente todos, estão sujeitos à vigilância.

A NSA construiu uma nova instalação no estado de Utah que tem armazenamento de memória suficiente, para guardar cada chamada, cada mensagem de texto e cada e-mail de cada americano pelos próximos 500 anos.

Os tribunais também decidiram que escutas telefônicas sem justificativa não é uma violação constitucional e não é porque tudo o que você tem a dizer é “terrorismo” “11 de setembro”, “terrorismo”… e assim todos estão sujeitos a serem espionados. Não é apenas contra a lei, mas é parte do estatuto da NSA, seu estatuto de fundação, que eles não tem permissão para espionar pessoas dos EUA que sejam cidadãos americanos ou qualquer pessoa nos Estados Unidos com um visto de imigrante.

Mas eles fazem isso todos os dias e os tribunais se recusam a impedi-los. Então, pegue isso e associe-o à ideia de que o trabalho do FBI é vigiar a todos. É uma organização de aplicação da lei e o trabalho da CIA é, pelo menos, vigiar eletronicamente cidadãos estrangeiros. Sabemos, por exemplo, graças a Ed Snowden, que a CIA estava interceptando o celular de Angela Merkel há anos.

Steve Bannon e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

 

Você acha que Eduardo Bolsonaro deveria ter medo da CIA?

Não acho que ele deva ter medo porque acho que a CIA o ama, eles amam homens fortes e políticos fascistas de direita. Mas eu também presumo, se eu fosse Jair Bolsonaro, que todas as suas comunicações estão sendo monitoradas. Todos elas. E você pode perguntar por quê? Você perguntaria por que Angela Merkel? Parece uma contradição. Mas as informações coletadas não são apenas para ficar nos arquivos da CIA, é para compartilhar com as empresas americanas, dar-lhes vantagens no comércio, na banca, nas finanças. Você pode usar essas informações de fechamento, de retenção de várias maneiras e, geralmente, no final do dia, o motivo é financeiro. 

 

Quero abordar um pouco uma temática diferente. Gerald Ford, ex-presidente dos EUA, admitiu que a CIA usava missionários evangélicos como agentes. Você pode confirmar isso e se ainda é uma prática?

Posso confirmar e, oficialmente, eles interromperam essa prática em 1975, durante o governo Ford. Mas isso é apenas a CIA. O FBI cultiva esses movimentos. Eu estive na Guatemala também, há bastante tempo e uma das coisas que aprendi lá é que as 2 mais rápidas religiões em crescimento na Guatemala, que é um país tradicionalmente católico, religiões em crescimento eram evangélicas, este cristianismo evangélico de direita e o Islã, ao estilo saudita. Como praticante ortodoxo grego, e nós somos muito semelhantes, é claro, aos católicos voltados ao cristianismo primitivo, nem mesmo consideramos esses grupos como cristãos. Nós os consideramos grupos políticos de direita, e em muitos casos, na maioria dos casos, sua maior questão, sua maior causa, é o apoio a Israel.

Eles querem que todos os judeus voltem para Israel porque isso vai apressar o retorno de Cristo. Eles querem impulsionar a segunda vinda de Cristo e a única maneira de fazer isso é trazer todos os judeus de volta para Israel. Então, muitas vezes é nisso que eles se concentram. Esses grupos de direita são muito políticos, muito mais políticos do que religiosos. Eles são perigosos e eles estão ativamente em oposição ao que eles pensam ser a “esqueridista” Teologia da Libertação. E é engraçado porque em muitos casos a teologia não é libertação de forma alguma, é apenas o catolicismo dominante. É o original, é apenas o cristianismo primitivo, o que chamamos de fé. 

 

Essa tradição de tortura vinha com a CIA, que treinava militares brasileiros para torturar. Isso foi no Brasil, Uruguai, Argentina, México. Por todo o lugar. por que eles estão tão interessados na América Latina, por que somos os alvos?

Porque este é o nosso quintal. Temos a Doutrina Monroe, que ainda é uma preocupação primordial na política externa americana. Nós vemos isso como nossa área. Não queremos os russos aqui, não queremos chineses aqui, não queremos ninguém mais. Eu escrevi um artigo de opinião em 2008 para o Los Angeles Times falando exatamente sobre isso, de como os iranianos tinham investido em uma fábrica de bicicletas na Venezuela, e como nós pensamos que eles estavam construindo armas nucleares para apontar para os Estados Unidos. A CIA ficou muito louca, muito brava, só porque os iranianos abriram uma fábrica de bicicletas. Não queremos ninguém na América Latina além de nós. É isso.

 

Seria muito interessante entender como a CIA pode mudar sua cultura se você tem Trump no poder ou se você tem Biden no poder. Você vê alguma mudança ou é apenas mais do mesmo? 

A política de inteligência e a política externa são quase sempre consistentes. Certamente a CIA é consistente entre os partidos, seja democratas ou republicanos, nada vai mudar. Donald Trump foi um presidente incomum porque ele era tão fora do mainstream, ele era um extremista protecionista de direita.

Houve algumas diferenças na política externa, mas Donald Trump se foi e não importa quem serão os indicados democráticos e republicanos em 2024. Não acho que haja quaisquer mudança significativa na política externa, política de defesa ou política de inteligência. Então Brasil, América Latina, desde que existimos como países fomos colonizados, quer pelos portugueses ou espanhóis, quer pelos norte-americanos.

 

Você vê alguma saída para que alcancemos nossa soberania? Como podemos, como podemos ir contra essa enorme máquina que existe na América?

Isso foi algo que aprendi no Paquistão: se você quiser os EUA fora do seu negócio, a única maneira de fazer isso é educar sua população e desenvolver sua economia. É isso mesmo, caso contrário, você terá intromissão e manipulação americanas e os Estados Unidos vão sair com sacos gigantes de dinheiro, subornando seus oficiais e essencialmente comprando sua política externa. A única maneira de fazer com que isso pare é por meio da educação e do desenvolvimento econômico. 

 

Você faria tudo de novo?

Absolutamente! Valeu a pena. Alguém tinha que dizer algo sobre o programa de tortura. Eu apenas assumi que outra pessoa não diria. Mas estou feliz. O custo foi alto, foi muito alto, mas valeu a pena. Eu consigo dormir à noite, meus filhos têm orgulho de mim e valeu a pena porque tinha que ser feito.

Deltan Dallagnol e Sergio Moro

Deltan Dallagnol e Sergio Moro.
Foto: Jorge Araújo/Folhapress

 

Você me enviou um artigo sobre o filme “O Caçador de Pipas” publicado na primeira página do New York Times. Você salvou a vida de muitas crianças no Afeganistão. Pode nos contar sobre isso?

Depois que saí da CIA, estava trabalhando para uma empresa privada e recebi um telefonema da Paramount Studios me perguntando se eu consideraria ir ao Afeganistão para resgatar algumas crianças que haviam aparecido no filme Kite Runner. Afegãos são pessoas muito simples, talvez a maioria deles, e eles não acreditavam que essa era apenas uma história inventada, eles achavam que era real e havia duas cenas questionáveis ​​no filme. 

Numa um menino fora estuprado por outro menino, e a outra em que um menino foi forçado a fazer uma dança homoerótica para um membro do Talibã. Então, o estúdio me disse para ir ao Afeganistão, avaliar a situação de segurança, avaliar o perigo para o crianças e, em seguida, se as crianças estivessem de fato em perigo, eu devia retirá-las e suas famílias do país.

Tirei duas semanas de férias, fui para o Afeganistão secretamente, passei pela Índia e encontrei muitas pessoas, determinei que aquelas crianças realmente estavam em perigo e para encurtar a história, acabei colocando 27 pessoas, as crianças e todos os membros de sua família fora do país. Eu subornei todos no Ministério das Relações Exteriores para nos dar vistos de saída e passaportes.

Depois alugamos vans e nos dirigimos para o aeroporto, e eu fui e disse que precisava de 27 assentos mais um, no primeiro voo para fora e que eu não me importava para onde o voo ia.

Eu disse que precisávamos chegar bem a Dubai, e eles disseram que tinha um voo para a Índia em 11 horas e então você pode ir da Índia para Dubai. Eu disse não, nós temos que sair agora e eles disseram Tem um voo para o Irã. Bem, eu sou um americano e ex-oficial da CIA, eu não posso voar para o Irã. Mas eu não tive escolha, então eu disse para me dar 28 passagens para o Irã. Então voamos para o Irã na CanAir, uma companhia aérea iraniana e nós saímos do avião no Irã, e eu consegui mais 28 passagens para Dubai. Quer dizer, havia voos de 2 em 2 horas para Dubai, um amigo meu nos encontrou em Dubai e acabamos matriculando as crianças em escolas, em escolas de idiomas, conseguimos empregos para os pais e apartamentos para todos os 27 viverem juntos como uma família.

E os resgatei e então voei de volta para casa e voltei direto para o trabalho para fazer meu trabalho normal.

Foi em 2007, eu estava trabalhando na Deloitte na época uma das quatro grandes empresas de contabilidade. Fico muito desapontado em dizer que depois de um ano os pais decidiram voltar para o Afeganistão e o estúdio me pediu para ligar para eles. Então eu liguei e disse que eles estavam cometendo um erro terrível. Nós demos a todos vocês uma vida nova em Dubai. Todos eles, todos os 27 deles, e então eu perdi contato com eles.

 

Gostaria de ouvir suas palavras finais

Apenas lembra-te. Eu digo isso a mim mesmo o tempo todo. Nós somos os mocinhos, estamos certos e eles estão errados e então, se você acredita no que está comprometido, continue lutando e pressionando, porque eventualmente todo mundo vai voltar. Uma clara maioria do povo americano apoiava uma política de tortura, mas eu sabia que a tortura era errada e agora chegamos a um ponto onde a tortura foi proibida nos Estados Unidos, que Gina Haspel, ex-chefe da CIA, admitiu que o programa de tortura foi um erro, o senador John Mccain levantou-se no Senado e disse que o povo americano nunca saberia o que seu país estava fazendo se eu não tivesse contado a eles. Se você confia no que acredita, mantenha-se firme e continue lutando.

22
Ago21

A grande mentira

Talis Andrade

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por Hildegard Angel

- - -

Tudo uma grande mentira. Uma conspiração indecente protagonizada pelos procuradores "lesa pátria", o ex-juiz Sérgio Moro - o homem da cara de aço - , e vários segmentos do Judiciário, STF inclusive, todos respaldados, estimulados e enaltecidos pela grande mídia, o PIG - Partido da Imprensa Golpista, como batizou Paulo Henrique Amorim.

O Instituto Millenium, a FIESP, a Firjan e outras entidades patronais, os bancos, esse conjunto genericamente chamado de "o mercado", botou grana.

O tucanato, liderado por Aécio Neves (e como lamento por isso), manobrou desde o impeachment de Dilma.

Sei que estou sendo repetitiva, mas não será por falta de lembrar que esses fatos cairão no esquecimento.

Vivemos então a chamada "guerra híbrida", com os cordéis desses fantoches manobrados pelos Estados Unidos. Queriam o pré-sal, a Petrobras, nossos poços, nossas refinarias. Quiseram destruir nossa indústria de construção pesada que já disputava com eles no mundo. Quiseram o nosso passaporte para o futuro. Quiseram e levaram, graças a esse poderoso grupo de traidores da pátria brasileira, engrossado - pasmem! - pelas Forças Armadas, cujo Partido Militar desejava voltar ao poder.

Repetiu-se 1964, quando sob pressão de Carlos Lacerda (Aécio), das lideranças católicas como TFP (os pastores evangélicos), a grande imprensa (o PIG), os empresários do IPÊS, IBAD, CONCLAP entre outras siglas (o mercado), uniram-se para dar o golpe, que batizaram de "Revolução". Como pretexto motivador, usaram o fantasma do "comunismo" (como agora), argumento desgastado mesmo naquela época, já que no Brasil NUNCA houve comunismo. 

E o que aconteceu em 64? Os políticos de extrema direita ralaram pra Jango cair, mas quem levou foram os militares.

E o que acontece agora? Mesma coisa. Bolsonaro, capitão que até hoje recebe soldo integral, é o boneco de ventríloquo do PM (Partido Militar). Está lá enquanto deixarem. 

Agora, vejam: Lula absolvido em TODOS os processos. Era TUDO mentira. Vai ser duro pra quem já estava de cabeça feita, os lambedores da suástica de Moro, ter que aceitar isso.

Pelo menos ficamos sabendo quem são os fascistas-raiz de nosso convívio. A fala mansa, o sorriso fofo não nos enganam mais.

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04
Abr21

"Sergio Moro é o maior traidor da história do Brasil", diz Joaquim de Carvalho

Talis Andrade

 

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247 - O jornalista Joaquim de Carvalho, em participação na TV 247 neste sábado (3), afirmou que o ex-juiz Sergio Moro, que se utilizou do sistema de justiça brasileiro para perseguir o ex-presidente Lula e favorecer seu próprio projeto de poder, "é o maior traidor da história do Brasil". 

"Moro é o maior traidor, ponto final. Foi ele que, como juiz, vendeu a sentença para se tornar ministro, e o [Jair] Bolsonaro é consequência de todo esse processo", afirmou.

Ele, no entanto, destacou que Moro só conseguiu avançar no processo de lawfare contra Lula porque teve o apoio de instituições brasileiras. "Temos que considerar que hoje existem setores das instituições que precisam ser vistos como traidores, porque o Moro sozinho não faria verão, ele teve apoio das instituições".

Segundo o jornalista, três instituições "precisam ser revistas, olhadas com muita atenção, porque elas foram a base do golpe: o Ministério Público, a imprensa brasileira e o Exército Brasileiro".

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07
Fev21

Sobre jornalismo, Vaza-Jato e Spoofing

Talis Andrade

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“Lula não pode voltar porque pobre não pode ter direito”

- - -

Em meio à tragédia anunciada que é o genocídio de mais de 226 mil brasileiros, oficialmente, até agora pela pandemia de Covid-19, temos assistido desde a semana passada à volta das revelações dos inacreditáveis diálogos da Força-Tarefa da Lava Jato a mostrar com todas suas ilegalidades e imoralidades o caminho que nos trouxe até aqui.

Bons amigos e colegas têm criticado, uns desde antes e outros agora, a estratégia utilizada pelo Intercept Brasil, primeiro recebedor dos diálogos no aplicativo Telegram, para a escolha e a divulgação do conteúdo que deveria ter escandalizado qualquer pessoa com o mínimo de fibra moral e derrubado o governo ainda no seu primeiro ano. Afinal, o material revelado tinha de fato esse potencial, como ficou provado nas audiências em que foi tratado no Congresso e na forma indecente como seu principal jornalista foi atacado no Roda Viva (nunca irei me recuperar da vergonha alheia) e ameaçado de prisão e expulsão do Brasil.

Não tenho procuração para defender colega jornalista e pessoalmente sempre desconfiei do tamanho do ego e dos interesses comerciais-financeiros de Gleen Greenwald. Desconfiança que somente aumentou com sua saída do Intercept e sua tentativa de emplacar notícias de fontes mais que suspeitas que poderiam, teoricamente, ajudar a campanha de Donald Trump na reta final das eleições nos Estados Unidos. Mas essa é outra história e não se pode negar o êxito profissional de um vencedor do Pulitzer e do Oscar que foi também, é importante ressaltar, o primeiro a receber o material de que trata esse texto exatamente por causa do seu prestígio profissional.

Há que se entender, em primeiro lugar, que o material divulgado pela Vaza-Jato e o agora revelado com a abertura do sigilo da Operação Spoofing não é “exatamente” o mesmo. Os terabytes de arquivos compartilhados pelo hacker, na posição de fonte jornalística legítima e que foi preservada assim como deveria e dentro da lei, com o Intercept não estavam organizados de forma alguma e não tinham comprovação de sua origem. O trabalho jornalístico inicial fundamental, portanto, era se certificar de sua autenticidade, algo que foi feito dentro dos melhores métodos jornalísticos: checagem com as fontes originais de diálogos selecionados, especialmente jornalistas que usaram o Telegrama para trocar informações com Moro, Dellagnol e cia. Além de uma checagem óbvia de corrupção ou edição dos arquivos em si e da checagem de datas e de fatos comprováveis fora dos diálogos.

Já o material da Spoofing foi recolhido diretamente dos computadores e celulares do hacker em operação conduzida pelo então Ministro da Justiça, supostamente com auxílio inclusive de especialistas estadunidenses, periciado pela Polícia Federal e formalmente incluído em processos judiciais que se encontram hoje no Supremo Tribunal Federal. Não há mais, portanto, como de fato nunca houve, qualquer possibilidade, como ainda tenta fazer o ex-juiz Sérgio Moro, de dizer que se trata de “supostas conversas” obtidas de forma ilegal. O material é autêntico, facto e juridicamente.

Mas e o que o Intercept não revelou? Até o momento, das 50 páginas de indecências que tiveram seu sigilo levantado a duras penas pelo ministro Ricardo Lewandowski, me parece que há pouca coisa realmente nova. A orientação de Moro aos procuradores nos processos, a manipulação e construção de “provas” e delações, o objetivo político de prisão do ex-presidente Lula, o cuidado para “não melindrar” apoiadores, a manipulação e conluio com a mídia hegemônica, a ilegal parceria com investigadores e autoridades estrangeiras à revelia do governo brasileiro e muitos outros crimes estavam mais do que claros nas centenas de reportagens derivadas da Vaza-Jato. Essas reportagens foram feitas tanto pelo Intercept, como também por parceiros de alto nível jornalístico, como a Agência Pública, vencedora de diversos prêmios internacionais como o prestigiado Gabriel García Márquez de Periodismo Latinoamericano.

Lula não pode voltar porque pobre não pode ter direito

Tirando o diálogo em que Moro e Dellagnol combinam reunião com estadunidenses e suíços para dividir dinheiro a ser recolhido pela Operação Lava-Jato, do qual parte provavelmente foram os R$ 2.5 bilhões que sigilosamente a juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sérgio Moro na 13ª Vara, destinou a uma fundação particular “contra a corrupção” que seria gerida pelos procuradores, qual a grande revelação? Temos o incrível diálogo no dia da prisão do ex-presidente atestando “tesão”, “orgasmos múltiplos” e desejos sexuais de fotos da humilhação. Mas alguém duvidava disso a essa altura do campeonato ou foi mesmo necessário ler a afirmação de uma procuradora de que “Lula não pode voltar porque pobre não pode ter direito”?

Temos também o almoço de Dellagnol com um dos filhos do Roberto Marinho para combinar como a Rede Globo realizaria sua parte no complô. Novamente, isso sempre foi conhecido “até pelo mundo mineral”, como dizia Paulo Henrique Amorim. Só não estou certo de ter lido nas reportagens (como disse, centenas) da Vaza Jato sobre a liberação “se for só 38 mil, acho que não tem problema” de dinheiro público da Operação Lava-Jato para realização de peça publicitária na Globo de apoio ao projeto político das tais “10 Medidas Contra a Corrupção”.

Sem um único tiro, a Lava-jato destruiu uma parte importante da economia nacional, jogando milhões de pessoas na miséria

Não há dúvidas que os fatos novamente apresentados e uma ou outra nova revelação são, mais uma vez, o atestado da falência das instituições brasileiras, incluindo a justiça e a imprensa hegemônica, e um histórico claro de como foi arquitetado e executado um golpe de estado, sem um único tiro, que destruiu uma parte importante da economia nacional, jogando milhões de pessoas na miséria, e abriu caminho para um governo fascista e genocida que empurra deliberadamente as pessoas para a morte por fome e peste enquanto arma parte da população na preparação de uma guerra civil anunciada há mais de 20 anos.

A grande novidade, a meu ver, é exatamente a diferença entre o material da Vaza-Jato e o da Spoofing. A sociedade, por meio do trabalho jornalístico, não foi capaz, inclusive pelo boicote que ainda ocorre nas TVs abertas, de se organizar para resistir e tomar de volta o controle da República. O sistema político-partidário institucional é em sua maior parte sócio e beneficiário do golpe, como de resto ficou mais que provado, novamente, com a eleição essa semana do comando da Câmara e do Senado. Não se pode esperar nada de uma casa legislativa de um presidente do Senado que recebe um celular do corrupto Flávio Bolsonaro para ouvir o cumprimento do “presidente da república” e nem de um presidente da Câmara espancador de mulheres que faz uma festa sem máscaras para 300 pessoas em meio a uma pandemia com gente “opositora do governo” como Joice Hasselmann e a acusada de assassinato Flordelis.

Resta saber se o Supremo Tribunal Federal do ministro “InFuxWeTrust” terá o mínimo de vergonha na cara, coragem também é algo que não se pode esperar do colegiado, de pelo menos fingir que foi enganado e ensaiar uma volta ao Estado Democrático de Direito. As provas, como disse anteriormente, não são mais jornalísticas, são jurídicas! É preciso anular imediatamente as condenações ilegais de Lula, independentemente das consequências políticas disso, e abrir processos, ora vejam só, pela Lei de Segurança Nacional que o PT não teve coragem de derrubar, contra a organização criminosa que em conluio com potências estrangeiras, por meio de uma farsa jurídico-midiática chamada Lava-Jato, causou o desastre econômico, social, político e mesmo sanitário em que morremos agora.

Se essas medidas não forem tomadas, e logo, pode esquecer. O último que sair que apague a luz porque a briga de foice vai ser feia.

12
Jul19

Blogueiros de Sergio Moro anunciam censura e prisão de jornalistas

Talis Andrade

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Três blogueiros da extrema direita anunciam a prisão da fonte (que eles chamam de hacker, repetindo Sergio Moro e procuradores) das reportagens do Intercepet. Isso é terrorismo mais justificativa antecipada da censura de imprensa pelo governo de ex-fardados e ex-togados de Jair Bolsonaro, o malogrado e complexado capitão. 

Três 'espalhafatos', que dependem de verbas oficiais, avisam, ordenados por Sergio Moro, via Polícia Federal: "O hacker que roubou as mensagens de Deltan Dallagnol vai ser preso". Sacanagem. Esse "vai" pode ser hoje, amanhã, ou dia de são nunca, como Moro fazia nos corredores dos porões da lava jato com os delatores que decoravam os depoimentos, os torturados e depenados "papagaios".

Delações que sempre começavam com o chefe da máfia libanesa Alberto Youssef, que financiava e financia impune, e numa boa, os tráficos internacionais de cocaína e pedras preciosas e moedas. 

Agora mesmo estão armando mais uma arapuca com Youssef, o faz tudo das sujeiras do BanEstado e da lava jato para Sergio Moro e Carlos Fernando dos Santos Lima. Que a Polícia Federal colocou escuta na cela do bandido, que pegou mais tempo de cadeia que "seu" Cabral, e já está leve e solto e podre de rico com amigos advogados da indústria de delações premiadas, com as participações nas multas milionárias e bilionárias, sendo que a vida de crimes não oficiais ficam por conta da adrenalina. Isso tem coisa. Transcrevo do GGN:

No dia que anuncia a prisão do hacker, cinco anos depois de ter sido revelado pela defesa de Alberto Youssef, a existência de um grampo ilegal na antiga cela do doleiro, na Superintendência em Curitiba, foi admitida em relatório produzido por um perito da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S. Paulo nesta sexta (12).

Segundo o jornal, uma análise feita pela PF mostrou que a escuta instalada sem autorização judicial captou falas de ao menos 3 presos da Lava Jato em 2014. São 260 horas (11 dias) de conversas entre Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama, amante de Youssef, reponsável pela entrega da grana para financiar o tráfico de cocaína.

A apuração começou a ser feita entre 2015 e 2016, mas “até hoje as circunstâncias da instalação da escuta ainda não foram esclarecidas”, frisou o jornal. Recentemente, a PF voltou a colher, em São Paulo, depoimentos de Youssef para “um processo administrativo disciplinar sobre o agente responsável pela instalação do equipamento de escuta, Dalmey Werlang.” Outro hacker famoso no Brasil ninguém conhece o nome. Foi preso pelo então secretário de Segurança de Alckmin Alexandre de Morais, e tal como aconteceu com Moro, recebeu o ministério da Justiça como prêmio. O sujeito invadiu o celular de Marcela Temer, esposa de Michel Temer. O hacker foi preso com nome falso, e assim julgado. Pegou seis anos de cadeia. Parece Fabrício Queiroz, que depositou dinheiro na conta de Michelle Bolsonaro. Ninguém sabe se está vivo ou morto. Ainda como prêmio, o Sergio Moro espera o mesmo. Ser nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça. 

 

“O advogado de Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse que não sabia da existência da análise e que a polícia negou o acesso da defesa às sindicâncias.”

Segundo a Veja, numa audiência de julho passado, o doleiro afirmou que Sergio Moro disse a seus advogados que não deu autorização para o grampo na cela. E mais: Os delegados apontados como mandantes da escuta ilegal, agora, ocupam postos de comando na Polícia Federal de Moro. O agente, segundo as perguntas da PF a Youssef, apontou os delegados Igor Romário, Márcio Anselmo e Rosalvo Franco, que atuavam na Lava-Jato naquele período, como os mandantes da ação clandestina.

Inventa o Antagonista super favorável a Bolsonaro e Moro: "Desde que supostas conversas entre os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro começaram a ser publicadas no site The Intercept e em veículos parceiros do site, comparações com os hackers Julian Assange, Edward Snowden e Chelsea Manning foram ventiladas para tentar legitimar ou dignificar os atos criminosos cometidos no Brasil. A ideia subjacente é a de que, ao roubar mensagens privadas e publicá-las, os envolvidos na ação brasileira estariam seguindo a trilha dos que revelaram dados secretos do governo americano em nome da transparência e do combate ao abuso de autoridade. Se este é o caso, então o destino dos hackers estrangeiros deveria servir de aviso. Após desafiar o sistema de Justiça dos Estados Unidos e da Inglaterra, Assange, Chelsea e Snowden levaram a pior. Os dois primeiros estão presos. Snowden só não teve a mesma sorte porque se exilou na Rússia. É um aviso". Também já aterrorizaram com a ditadura da censura, o assédio judicial e degola de jornalistas (Caso mais recente: Paulo Henrique Amorim) 

O Antagonista acredita que só Delta ou D.D. foi invadido, penetrado. Juízes e procuradores outros, que denunciaram que também foram hackeados, mentiram, falsearam. E ameaça o Antagonista, em nome do ministro da Segurança Pública, que a notícia da prisão do "hacker" é "um aviso".

Ora, ora, que os jornalistas podem esperar de um governo que sonha uma ditadura, de um ministro quando juiz fez mais do que campanha eleitoral, prendeu o único adversário que podia derrotar o candidato Jair Bolsonaro? 

247 informa: Na tentativa de tirar a credibilidade das reportagens do Intercept Brasil que revelaram um conluio entre Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato, agentes policiais devem prender nas próximas horas o que o ministro da Justiça chama de "hacker", após o vazamento de conversas dele com membros do Ministério Público Federal (MPF-PR). A informação é do site O Antagonista, porta-voz da direita e de Moro.

O jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do Intercept, revelou que Moro interferiu no trabalho de procuradores quando era juiz da Lava Jato. Chegou, por exemplo, a pedir acréscimo de informações na elaboração de uma denúncia e recomendou a inversão da ordem das operações.

 

 

 

 

10
Jul19

Fascismo faz nova vítima: Paulo Henrique Amorim

Talis Andrade

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por Eduardo Guimarães

---

Morre Paulo Henrique Amorim. Como dona Marisa Letícia, vítima de perseguição política. Falamo-nos anteontem por mensagem. Mais de cem processos fraudulentos na “justiça”, perda do emprego na Record por ação do nazifascista que nos “governa”. O fascismo faz mais uma vitima.

O Blog da Cidadania lançou uma nota de pesar pela morte do jornalista, leia aqui.

 
...levaram ele a morrer antes do tempo
 
por Fabina Freire Pompeu
___
Gente, que perda essa de Paulo Henrique Amorim. Vivo, ácido, inteligente, extremamente ativo aos 77 anos. Uma conversa tão afiada. Notícia muito triste mesmo num dia já especialmente difícil. Penso ser um exercício de adivinhação inócuo, mas passa pela cabeça se a perseguição ocorrida à exaustão, com sequestro de bens, demissão e o escambau, não levaram ele a morrer antes do tempo.
 
Há muitas perdas nesse mundo. Algumas doem mais. É o caso. E eu demorei muito a virar fã. Somente ali em 2015, 2016, quando ele denunciou duramente o golpe contra Dilma, é que me rendi. PHC era, hoje, um dos poucos jornalistas a honrar a profissão. Que ele siga em paz. Adeus, Paulo Afiado Amorim. Obrigada por tudo.
 
 
26
Jun19

Perseguição bolsonarista ameaça jornalistas

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

Nesta segunda-feira (24), a Rede Record – comandada com mãos de ferro pelo “bispo” Edir Macedo, o bilionário mercador da fé religiosa no Brasil e em vários outros países – anunciou o afastamento do apresentador Paulo Henrique Amorim do programa Domingo Espetacular. 

O renomado jornalista, que já atuou nos principais veículos de comunicação do país, ganhou vários prêmios e publicou livros de sucesso, era o âncora do programa de maior audiência da emissora há quase 15 anos. Ele nunca foi afastado e atuou de forma ininterrupta. 

 

Já fora da Record, Paulo Henrique Amorim edita com independência um dos blogs mais acessados do país, o Conversa Afiada, conhecido por suas posições nacionalistas e democráticas. O “ansioso” blogueiro, como ele mesmo brinca, sempre agiu com coragem e altivez, defendendo suas ideias. 

Exatamente por isso, há muito tempo o jornalista era alvo de perseguição, inclusive com ameaças de agressão, das milícias bolsonaristas. Agora, a TV Record, que não esconde suas ligações carnais com o “capetão” Bolsonaro, decide afastá-lo. Ele segue na emissora, mas ainda sem função definida. 

Na prática, Paulo Henrique Amorim é vítima da onda de ataques à liberdade de expressão na atual “era bolsonarista” – ou Bolsonazista, como alguns já apelidaram esse período sombrio. O site The Intercept, que tem vazado mensagens trocadas por Sergio Moro com seus “conjes” e comparsas, que comprovam os abusos de autoridade da Lava-Jato, também é alvo dessas hordas fascistas. Elas têm rosnado pelo fechamento do site, pela expulsão do país do seu editor, Glenn Greenwald. 

Até mesmo jornalistas e veículos da mídia monopolista, que ajudaram a chocar o ovo da serpente fascista que resultou no golpe do impeachment de Dilma, na prisão política de Lula e na chegada ao governo dos milicianos de Jair Bolsonaro, são vítimas desses ataques à liberdade de expressão. 

Reinaldo Azevedo, que criou o termo “petralha” quando ainda trabalhava na obscena revista Veja, é hoje detestado pelas hordas bolsonaristas. Por suas críticas aos abusos de autoridade de Sergio Moro, ele é visto por olavetes e outros lunáticos como comunista, esquerdista e “petralha”. 

Outro comentarista que ganhou os holofotes por sua obsessão contra as forças de esquerda, Marco Antonio Villa, recentemente foi afastado da rádio Jovem Pan – também conhecida por rádio Ku Klus Kan por sua linha editorial fascista, racista, e por suas ligações com o clã Bolsonaro. 

Há também o caso curioso da jornalista Rachel Sheherazade, âncora do SBT, que hoje é perseguida pelos financiadores de Bolsonaro. Nessa semana, o dono das Lojas Havan, Luciano Hang – famoso picareta que enricou mamando nas tetas do BNDES e que está metido em inúmeras denúncias de falcatruas –, pediu a cabeça da jornalista a Silvio Santos, o “topa tudo por dinheiro” do SBT. 

Esses casos – e muitos outros – evidenciam que o Brasil está vivendo uma perigosa regressão. A democracia está sendo asfixiada. Os fascistas estão excitados – perseguem, exigem demissões e não vacilariam, inclusive, em promover agressões físicas, em bancar crimes. 

Ou a sociedade se levanta contra essa onda autoritária – inclusive os veículos e jornalistas da mídia monopolista que ajudaram a criar esse monstro – ou todos padecerão. Não haverá liberdade para ninguém. Vingará o silêncio da censura, da morte, da escuridão.

29
Jul18

TSE vai cassar Lula até o dia 15

Talis Andrade
Luiz Moradia Fux está pronto
 

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por Paulo Henrique Amorim
---
 

De Lauro Jardim, um dos 70 colonistas do Globo Overseas (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção):

 

Eleições 2018 - Decisão rápida


Está sendo articulada no TSE uma solução para barrar a candidatura de Lula já no dia 15 de agosto, quando for registrada. O objetivo é não estender a dúvida sobre se Lula será candidato - centro da estratégia petista - até as vésperas da eleição.

 

A propósito, ler na Fel-lha:

 

"Meu exercício de mandato (de Presidente do tribunal (sic) superior (sic) Eleitoral - PHA) é até o dia 14, até o dia 14 o tribunal será célere, e tenho certeza que também o será quando a ministra Rosa assumir", afirmou (Luiz Moradia - PHA)Fux, em 26/VII.

 

 

 

 

 
15
Jul18

POLÍCIA FEDERAL DO GOLPE DE TEMER Jornalista Paulo Henrique Amorim preso sob vara

Talis Andrade

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A mais nova vítima da ditadura policialesca, lavajatesca, que se instaurou no país é o jornalista Paulo Henrique Amorim, dono do canal Conversa Afiada, que costuma dirigir críticas ao sistema corrompido do período pós-golpe.

 

Ele foi conduzido coercitivamente à Policia Federal pelo fato de ter feito uso de sua liberdade de expressão e manifestado seu repúdio ao estado de exceção vigente no país, o que, segundo os agentes da repressão, seria um atentado contra a reputação daquela instituição, e não deveria ser permitido.

 

O jornalista foi processado pelos delegados federais Mauricio Moscardi da operação Carne Fraca e Igor de Paula da operação Lava Jato, pela delegada Érika Marena, também da Lava Jato, pelo deputado federal Fernando Francischini (PSL), dentre muitos outros, tendo sido obrigado a gastar dinheiro e tempo com viagens a várias cidades para se defender.

 

Em Duque de Caxias, no Rio, Amorim teve que se apresentar a uma juíza leiga, pois, segundo ele, nao havia uma autoridade judicial competente para ouví-lo. A audiência durou apenas um minuto, e a acusação foi de que ele teria divulgado manifestações públicas, de redes sociais, feitas por funcionários da Polícia Federal que se destinavam a recriminar Lula e Dilma e a favorecer Aécio Neves nas eleições de 2014.

 

Paulo Henrique Amorim também sugeriu que a Polícia Federal, depois do golpe de 2016, deveria ser fechada e reconstruída, refundada, como uma nova instituição republicana.

 

Nota-se, com isto, que a ditadura está em pleno vigor e não se pode depositar nenhuma confiança nas instituições. Está mais do que claro que é necessário sair às ruas, se mobilizar, e exigir o fim do golpe de estado pelas vias de fato, pela força popular, sem esperar nenhuma outra arbitrariedade por parte dos usurpadores do poder.

 

 

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