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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Jun20

É nóis por nóis!

Talis Andrade

 

Agora que a situação se complica, o coronavírus chega às periferias das grandes cidades, às favelas, ao interior, às regiões mais pobres do país; agora que a morte, o desemprego e a fome batem à porta, de quem essas pessoas podem esperar amparo, proteção, cuidados? A quem elas poderão recorrer?

Quem é que vai cantar a dor que nóis sente?

Quem é que vai sangrar na linha de frente?

Quem é que vai somar, fortalecer a corrente?

Se não for nóis por nóis, quem é que vai ser pela gente?

A286, “Nóis por nóis”

 

por Silvio Caccia Bava

Le Monde

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No mundo inteiro, o discurso neoliberal está mudando e reconhecendo a importância do Estado como único agente capaz de atender ao interesse público nesta pandemia, prover a segurança alimentar e os serviços e equipamentos de saúde necessários, e enfrentar o desafio da profunda recessão e desemprego que se anunciam. Os investimentos públicos são considerados essenciais para a retomada das atividades econômicas.

Infelizmente, no Brasil o governo Bolsonaro não investe na saúde – aliás, segura os recursos disponíveis para o enfrentamento da Covid-19 para não repassá-los a governadores de oposição – e continua querendo destruir o Estado e privatizar tudo que é público. Contra o isolamento, o governo federal também não paga ou atrasa o auxílio-pandemia, os R$ 600 por três meses, para forçar os mais pobres a sair para o trabalho. E, para sustentar sua posição contra o isolamento, produz desinformação e fake news, confundindo as pessoas e estimulando a volta à vida normal.

O resultado é o pior possível. Com mais de 25 mil mortes por Covid-19 em maio e uma curva ascendente de contaminação e mortes, o Brasil já é o segundo país, depois dos Estados Unidos, mais afetado pela pandemia. E o desastre será maior no futuro próximo, pois não há nenhum plano para combater a pandemia nem para enfrentar economicamente a recessão e o desemprego. O presidente trocou dois ministros da Saúde nos últimos dois meses e o cargo está vago. Os governos estaduais e municipais fazem o que podem, e é importante que se reconheça isso, mas a concentração da receita nas mãos do governo federal limita suas ações.

As orientações para o combate à epidemia são impossíveis de ser cumpridas. Isolamento? Ficar em casa nas favelas? Como alimentar a família sem trabalhar? Lavar as mãos? Mas não tem água na torneira todos os dias…

De fato, as palavras do governo ignoram a existência e as formas de vida de mais de 80 milhões de brasileiros, a parcela da população que se habilita a receber os R$ 600 de socorro, a parcela que mais precisa de proteção, amparo, cuidados. Paulo Guedes acha que com esses recursos as babás vão passear na Disneylândia. Agora propõe a redução para R$ 200 do socorro pela pandemia se essa doação ultrapassar três meses. (Continua)

 

03
Jun20

Bolsonaro, o “projeto secreto da cúpula militar”

Talis Andrade

laerte bolsonaro mito senhor das armas e arminhas.

 

 

por Jeferson Miola

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Líder!, Líder!, Líder! …”.

Com esta exaltação ao estilo “Führer!, Führer!, Führer! …” da Alemanha dos anos 1930, os aspirantes-a-oficial da Academia Militar das Agulhas Negras recepcionaram o então deputado Jair Bolsonaro, recém reeleito para o 7º mandato na Câmara Federal.

Acompanhado dos filhos Eduardo e Carlos, Bolsonaro comparecia pela enésima vez a uma solenidade de formatura dos aspirantes da AMAN. Na ocasião, ele retribuiu a recepção efusiva dos cadetes com um discurso que é o marco do lançamento formal da candidatura dele à presidência, que só ocorreria 4 anos depois, em 2018:

“Parabéns pra vocês. Nós temos que mudar este Brasil, tá ok? Alguns vão morrer pelo caminho, tá; mas eu estou disposto em 2018, seja o que deus quiser, tentar jogar pra direita este país!

[aplausos e gritos de “líder!, líder!”]

O nosso compromisso é dar a vida pela Pátria, tá ok?, e vai ser assim até morrer. Nós amamos o brasil, temos valores e vamos preservá-los. Agora, o risco que eu vou correr, posso ficar sem nada, mas eu terei a satisfação do dever cumprido, tá ok? Esse é o nosso juramento esse e o nosso lema: Brasil acima de tudo! Esse Brasil é maravilhoso, tem tudo aqui, tá faltando é político! Há 24 anos que eu apanho igual a um desgraçado em Brasília, mas apanho de bandidos. E apanhar de bandidos é motivo de orgulho e glória, tá ok? Vamos continuar assim. Boa sorte para todos. Um abraço a todos”.

[aplausos e mais gritos de “líder!, líder!”].

Este comício político-partidário, realizado numa unidade de alta significação das Forças Armadas, aconteceu no longínquo 29 de novembro de 2014

 

Parêntesis: [Cinco anos e cinco meses depois, em 19 de abril de 2020, e já como presidente da República, Bolsonaro promoveu outro comício político-partidário, desta vez na frente do maior totem das FFAA, o QG do Exército, para defender o fechamento do STF e do Congresso e a intervenção militar com ele mesmo, Bolsonaro, no poder.]

Instantes depois dos cadetes da AMAN confraternizarem com seu Führer naquele fim de primavera de 2014, o então ministro da Defesa Celso Amorim, acompanhado dos comandantes das três armas das Forças Armadas, conduziu a cerimônia de formatura. O quê dizer disso: negação, ou alienação da realidade pelos integrantes do governo Dilma?

A genealogia do “plano Bolsonaro” como dispositivo para a construção do poder militar tem raízes antigas. Hoje já é possível comprovar que a candidatura presidencial de Bolsonaro em 2018 foi metodicamente construída e preparada nos anos precedentes.

O discurso do Bolsonaro em novembro de 2014 na AMAN foi a rampa de lançamento deste projeto que estava sendo amadurecido bem antes. Ele foi o personagem que coube sob medida no figurino para contracenar, na eleição, o plano militar meticulosamente planejado. Os tuítes do general Villas Bôas, nesta perspectiva, nem de longe são peças improvisadas. Daí o segredo sepulcral firmado entre ele e Bolsonaro.

Em reportagem de 7 de outubro de 2018, a partir de informações e relatos de um alto oficial das Forças Armadas [FFAA] brasileiras, o jornalista argentino Marcelo Falak escreveu que Bolsonaro era o projeto secreto da cúpula militar; “o homem que a cúpula das FFAA elegeram, há 4 anos, para que ele se fosse convertido no presidente do Brasil”.

Segundo a influente fonte militar, Bolsonaro seria “convertido no aríete de uma doutrina para uma ‘nova democracia’ em que os militares terão voz e atuação política, superando o papel subalterno a que são confinados pelo poder civil” […], sendo que o “programa do futuro governo cívico-militar será conservador no político e absolutamente liberal no econômico, e buscará erradicar de uma vez para sempre a ‘extrema-esquerda’”.

Neste conceito de nova democracia, os militares se reconhecem “numa nova etapa”, e exigem “serem tratados como cidadãos plenos, não de segunda”. Na visão dos militares, nesta nova democracia “não deve haver nenhuma restrição à participação deles em cargos públicos” – o que se traduz hoje, concretamente, em mais de 3 mil cargos do Estado aparelhados por eles.

Estes militares mostram-se imodestos, cultivam uma imagem muito elogiosa de si mesmos. E, por isso, ambicionam exercer postos de comando do país – para aumentarem seus proventos – mesmo que incompetentes para certas funções técnicas. Gabam-se que “somos pessoas muito qualificadas, somos competentes, sabemos idiomas, temos pós-graduações. Entendem, por isso, que “tem que terminar com isso de não podermos ser ministros”.

Ainda de acordo com o alto oficial entrevistado, “o modo como Bolsonaro defendeu as FFAA fez com que crescesse nossa ponderação sobre ele, sobretudo porque o Comando estava ocupado por nós, que tínhamos sido contemporâneos dele na Academia” [AMAN].

A fonte militar de Falak menciona que Bolsonaro “se abriu para o diálogo, e dia-a-dia fomos vendo que ele mostrava valores importantes, como disciplina, respeito e muita humildade. Aceitava nossas sugestões e mudou muitas das suas posturas anteriores. Por exemplo, passou do nacionalismo econômico que antes defendia, ao liberalismo. Isso que se vê na campanha eleitoral foi produto do diálogo que o Exército abriu com ele, não tenha dúvidas”.

Segundo informou a fonte de Falak, em virtude da abordagem do comando das FFAA, Bolsonaro “mudou muito no pessoal, se casou com sua terceira mulher, teve uma filha e, algo que ninguém sabe, inclusive fez dois anos de psicanálise”.

O militar também confirma que “O nacionalismo econômico já não é nosso programa, esse deixamos para o Partido dos Trabalhadores. Agora é o liberalismo. Isso é o que dissemos a Bolsonaro. Queremos um país o mais livre possível, o que nos coloca radicalmente contra o que diz o PT”.

Por isso, reporta Falak, “o manejo da economia ficará para um civil: o ex-banqueiro ultra-liberal Paulo Guedes, cuja proposta é privatizar a totalidade das participações do Estado em empresas, incluída a Petrobras, e vender todos os bens que ainda estão em poder estatal”.

Refletindo uma visão embolorada da guerra fria, o oficial brasileiro diz ao jornalista argentino que “Pretendemos fechar o círculo que começou no Brasil com a intentona comunista de 1935, algo que ainda não acabou. Não vamos permitir estas propostas que enganam e se disfarçam de socialismo”.

Acerca da geopolítica regional, o alto oficial entrevistado por Falak em outubro de 2018 não escondeu que “ficamos muito felizes que se foi Cristina Kirchner e chegou Maurício Macri”, que ocorreu na eleição de 2015.

Como prova de reconhecimento da autoridade do capitão Bolsonaro, o alto oficial do Exército disse: “não vamos tutelar Bolsonaro. Seremos subordinados a nosso comandante Supremo. Ele é um homem com personalidade”.

Ilude-se, por isso, quem imagina que as Forças Armadas não estejam escalando a ditadura junto com Bolsonaro e tramando a intervenção militar com ele no poder. Bolsonaro é o “projeto secreto da cúpula militar”.

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01
Jun20

Peça 2 – o fracasso do governo

Talis Andrade

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II - Xadrez do caminho aberto para a cassação de Bolsonaro

por Luis Nassif

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Para completar o ciclo semanal, a divulgação do PIB do primeiro trimestre comprovou que Paulo Guedes blefava, quando mencionava uma suposta recuperação da economia que teria sido abortada pelo coronavirus. Os dados trimestrais, portanto com dois meses sem o Covid, mostraram uma economia exangue, sem fôlego, mesmo antes da pandemia. O capital estrangeiro já tinha começado a sair meses antes.

O quadro vai piorar devido à absoluta inoperância de Guedes, na frente econômica, e do gabinete da crise, comandado pelo general Braga Neto, na frente sanitária.

Guedes não foi capaz de destravar o crédito para pequenas e médias empresas, nem para financiamento da folha salarial. Atrasou enormemente os repasses para estados, travou o plano Pró-Brasil, ignorou as grandes discussões mundiais para financiamento do gasto público, minimizando os desdobramentos da crise. Só acordou com os resultados do PIB e, aí, desesperou-se, comportando-se como aeromoça apavorada com a tempestade.

Por tudo isso, fica claro que o governo Bolsonaro é uma ameaça não apenas devido às pirações fundamentalistas do presidente, mas a uma incompetência generalizada, que coloca em risco as relações externas, as políticas científico-tecnológicas, educacional, o meio ambiente.

O ponto final desse festival de amadorismo foi a tomada do Ministério da Saúde por militares sem conhecimento do setor.

27
Mai20

Sérgio Moro, o canastrão da Globo, se embanana no Fantástico

Talis Andrade

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por Osvaldo Bertolino

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A persistência do Grupo Globo nas derivações da fatídica reunião ministerial do governo do presidente Jair Bolsoanro impressiona pela contundência. O vídeo liberado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello vem sendo decomposto, minuto a minuto, para alimentar a pauta que passa longe do dever jornalístico.

Os crimes de Bolsonaro e sua turma não são novidade. Assim como os das turmas de Paulo Guedes – o ministro da Economia – e de Sérgio Moro, o capo da Operação Lava Jato. Eles existem, estão lá provados nas falas da reunião obscena e se repetem amiúde desde que as gangues bolsonaristas, lavajatistas e guedistas entraram no Palácio do Planalto como governo eleito em 2018.

Quem disser que não sabia deles vive no mundo da lua. Até a mais desinformada e o mais desinformado telespectadores do Jornal Nacional e da novela das nove da Globo sabem que por trás dessas turmas há aquilo que Willian Shakespeare disse, na peça Hamlet, existir no reino da Dinamarca. O que os fanáticos da Globo não sabiam, possivelmente, é que as facções golpistas criaram um mundo movido a síndrome de Poliana com a fantasia de que o Brasil estava mergulhado no mar de corrupção lulopestista.

Para o bolosnarismo, esse mundo não existe mais. O Grupo Globo tirou seu representante do governo, o capo Sérgio Moro, que agora se apresenta devidamente vestido para matar politicamente Jair Bolsonaro. Sua performance na reunião dos gritos, xingamentos e ameaças que vieram a público com o vídeo da Globo foi omitida num primeiro momento e finalmente explorada no programa Fantástico do domingo (24).

Em entrevista a Poliana Abritta, Moro foi apertado sobre questões que qualquer estagiário com um mínimo de percepção jornalística e alguma autonomia profissional teria levantado já na entrevista coletiva em que ele anunciou a sua saída do Ministério da Justiça. Mesmo sendo uma entrevista combinada, ele se embananou para responder perguntas óbvias da jornalista do Fantástico.

Suas evasivas e omissões foram absolutamente previsíveis. A entrevista não fora para esclarecer pontos elementares, mas para dar veracidade às denúncias que ele fez na sua calculada saída do governo. O mais relevante das suas respostas foi a reiteração na chamada “agenda anticorrupção”, seu samba de uma nota só que não vale uma moeda furada. No governo, a tal “agenda” se limitou à tentativa de aprovar o seu farsesco “pacote anticrime”, de caráter fascista e ilegal.

A encenação na entrevista do Fantástico foi tão grotesca que chegou ao detalhe de uma olhada de Bolsonaro em direção ao ainda ministro da Justiça, na reunião de 22 de abril, quando o presidente disse que interferiria em todos os ministérios, cena do vídeo mil vezes repetida pela Globo. “Acho que o vídeo fala por si. Quando ele olha na minha direção, isso evidencia que ele estava falando desse assunto da Polícia Federal”, respondeu o capo da Lava Jato.

Moro disse ainda que Bolsonaro não se empenhou no combate à corrupção, esvaziando a sua “agenda”. “E, recentemente, vimos essas alianças, que são realizadas com políticos que não têm um histórico, assim, totalmente positivo dentro da história da administração pública”, atacou, recuperando seu velho recurso de criminalizar a política, sentado em seu extenso histórico de corrupção desde antes de comandar a facção criminosa que lhe deu projeção política como capanga dos interesses representados pelo Grupo Globo.

Ele não foi para o governo para cumprir agenda nenhuma. Foi para representar politicamente uma das facções do arranjo de poder eleito em 2018 – o lavajatismo –, também composto pelo bolsonarismo e pelo guedismo. Sua conduta corrupta prosseguiu, se omitindo criminosamente diante da corrupção desbragada do bolsonarismo, sempre a postos para agir de acordo com o molde fascista do lavajatismo.

 

24
Mai20

Gana de Bolsonaro armar ‘todo mundo’ vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia

Talis Andrade

 

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Vídeo mostrou reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos

por Janio de Freitas

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Ninguém, nem o próprio Bolsonaro, sabia que nele se escondia, até agora, uma vontade stalinista de exterminar fisicamente os ricos e os bem remediados. Sabê-lo foi, a meu ver, o mais importante efeito do vídeo —liberado em decisão retilínea do decano Celso de Mello no Supremo— da reunião de gente do governo. Como ato, a reunião está acima e abaixo de qualquer qualificativo.

A exibição justificou a expectativa, mas não pelo pretendido esclarecimento entre as versões de Bolsonaro e Moro sobre manipulações do primeiro na Polícia Federal. Tivemos o privilégio de ver e ouvir um fato, mais do que sem precedente, sem sequer algo assemelhado no que se sabe dos 520 anos brasileiros.

Foi a reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos como o então ministro Nelson Teich. E alguém que se divertiu, sem dar descanso ao ríctus irônico, às vezes insuficiente para deter o sorriso —o vice Mourão, um general, ora veja, com senso de humor.

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A exibição do ambiente de alta cafajestada, enfeitado pelo idioma doméstico de Bolsonaro, seguiu-se a uma sessão preparatória, da lavra do general Augusto Heleno e convalidada pelos generais palacianos. Resumido de corpo e ressentido típico, Augusto Heleno é dos que não falham: onde esteja, sua soma de arrogância e agressividade frutificará em problemas.

Exemplo definitivo: sua única missão propriamente militar levou a ONU ao ato inédito de pedir ao governo brasileiro a sua retirada do Haiti, onde manchou com operações desastradas e numerosas mortes o comando brasileiro de uma força internacional contra a violência local.

nota de Augusto Heleno contra Celso de Mello e o Supremo é uma dupla consagração da ignorância que nunca deveria estar no generalato. Nesse nível, tomar uma tramitação judicial corriqueira por uma medida “inaceitável e inacreditável”, de “consequências imprevisíveis” sobre a “estabilidade nacional”, é ameaça criminosa. Essas consequências silenciadas por covardia resumem-se a uma, que conhecemos. Por um acaso preciso, apenas horas antes da nota obtusa e ameaçadora a Folha trazia este título: “Militares não vão dar golpe no país”. Nota e declaração do general Augusto Heleno.

O vídeo não nega, nem reforça, a intenção de manipular a PF, já clara em fatos anteriores e posteriores à reunião. Mas o confessado propósito de proteção policial também para amigos, além de familiares, não é bondade ilegal de Bolsonaro. É necessidade e recado.

Com dois balaços, o capitão PM Adriano Nóbrega deixou de ser amizade preocupante, mas para o sumido Fabrício Queiroz, e sabe-se lá para quantos outros, continua a preocupação protetora e mútua. Isso vale vidas, em meios peculiares como milícias, gangues e tráficos.

As vidas que nada valem são outras. “Eu quero todo mundo com arma!”, “eu quero todo brasileiro armado!”, “eu quero o povo armado!”, berrou o chefe aos seus generais impassíveis e paisanos desossados.

Bolsonaro sabe que o povão maltratado, humilhado, explorado e roubado em todos os seus direitos, no dia em que também tivesse ou tiver armas, não teria dúvida sobre o alvo do fogo de sua dor secular. Adeus ricos, adeus classe média alta.

Em quase três décadas no Congresso e ano e meio com o título de presidente, Bolsonaro só teve atos e posições prejudiciais aos assalariados, aos trabalhadores aposentados, aos que sobrevivem do trabalho informal —à larga maioria brasileira, ao povo.

Para isso tem Paulo Guedes na orientação do que pode fazer para destruir os ralos programas sociais, a educação, o arremedo de assistência à saúde. A gana de armar “todo mundo” não vem de insuspeitada e extremada revolta de Bolsonaro com a desumanidade dominante no Brasil. Vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia, até mesmo por meio de um vírus.

O desespero de Bolsonaro por certo corresponde à gravidade do que teme, se levadas com decência as investigações que o envolvam e a seus filhos maiores. Daí que a figura de Bolsonaro no vídeo seja a de quem não está longe da implosão.​

 

 

22
Mai20

Guedes, o perverso, agora fala em reduzir auxílio para R$ 200

Talis Andrade

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Especialistas falam em manter a renda básica, enquanto a economia se recupera da pandemia, mas ministro de Bolsomaro diz que não dá para garantir ajuda ao povo: “Se falarmos que vai ter mais três meses, mais três meses, mais três meses, aí ninguém trabalha”

Em diversas partes do mundo, notadamente em países da Europa e nos Estados Unidos, governos e especialistas vêm discutindo a proposta de criar um programa de renda básica universal para assegurar recursos e minimizar a crescente desigualdade social. No Brasil, mesmo economistas de corte liberal, como Monica de Bolle, defendem a medida para promover inclusão e garantir um mínimo de dinheiro às pessoas em tempos de pandemia. Mas, se depender do ministro da Economia, Paulo Guedes, nem o parco auxílio emergencial de R$ 600 é certeza para os pobres, autônomos e trabalhadores que vivem na informalidade.

Na quarta-feira, 20, o ministro admitiu a hipótese de estender para depois de julho algum dinheiro para o povo, mas só como solução temporária e de curto prazo. Na cabeça dele, a cifra mágica é R$ 200, como defendeu o próprio Palácio do Planalto antes de o Congresso aprovar o seguro-quarentena de R$ 600. Guedes topa manter o auxílio, mas o dinheiro seria pago em, no máximo, duas parcelas. “Se falarmos que vai ter mais três meses, mais três meses, mais três meses, aí ninguém trabalha”, disse o perverso ministro de Bolsonaro.

“Ninguém sai de casa e o isolamento vai ser de oito anos porque a vida está boa, está tudo tranquilo”, ironizou Paulo Guedes. Desumano e criminoso e humilhante é que nem a primeira parcela de R$ 600 foi paga a todos que a solicitaram, há mais de 50 dias. Trinta e sete milhões de brasileiros ainda estão à espera do dinheiro, impedidos pela burocracia de ter acesso ao benefício. Pelo visto, nem R$ 200 receberão, a depender da crueldade de Guedes.

O pensamento abjeto do ministro da Economia é a tradução do desprezo de Jair Bolsonaro pelo povo brasileiro. Aos pobres, farelos do que o andar de cima administra a seu bel-prazer, mesmo em tempos de pandemia. Num dos países mais desiguais do mundo, o Brasil mantém uma parcela ínfima – 1% do topo da pirâmide social – abocanhando nada menos que 29% da renda nacional. Os miseráveis no Brasil já somam 13,9 milhões de brasileiros, de acordo com dados de 2019. Mas a situação tende a se agravar com a paralisação da economia. De qualquer forma, a declaração de Guedes confirma que nada virá desse governo a não ser arrocho e mais miséria.

Não precisava ser assim. Em artigo publicado na revista ‘Época’, Monica de Bolle sintetizou a crueldade da agenda neoliberal do governo. “Temos um governo cujo discurso é a exclusão”, lamentou. “No entanto, temos uma pandemia e uma crise econômica que revelam a forma crua a uma extensão dessa exclusão, como injustiças a ela associadas e precariedade da vida da imensa parte de nossa população, logotipo e nossa economia. Podemos optar por manter uma economia de exclusão. Ou podemos finalmente fazer algo para começar a resolver problemas que, se não solucionados, implicam em um desperdício de vidas e redução da capacidade de desenvolvimento do Brasil”.

A probabilidade da adoção de um bloqueio total de algumas das principais cidades brasileiras, levou um grupo de pesquisadores ligados às universidades do ABC e de Bristol, no Reino Unido, a alertarem que o governo será obrigado não apenas a rever os protocolos de saúde na resposta à pandemia, mas ampliar as medidas de socorro às populações vulneráveis, principalmente às populações que vivem nas favelas e nas periferias, onde as recomendações de isolamento e distanciamento sociais são quase impossíveis de serem adotadas.

Professores das universidades federais do Paraná (UFPR), do Rio de Janeiro (UFRJ) e de São Paulo (USP) desenvolveram o Índice de Vulnerabilidade Covid-19 (IVC19). Construído a partir de dados do Censo 2010, o indicador aponta o grau de exposição de cidades e bairros à pandemia. Com isso, as simulações determinam o nível de confinamento necessário.

Grande parte dos habitantes das favelas divide espaços precários, com fornecimento deficitário de água, além do alto índice de informalidade. “Isso significa que o governo terá que redirecionar recursos do asfalto, realocando no morro”, afirma o professor e economista José Paulo Guedes Pinto, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), referindo-se à topografia de Copacabana, em que as favelas estão nas encostas.

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20
Mai20

ELEIÇÕES 2018. Não tem nada de moralidade no arranjo que uniu o bolsonarismo & o lavajatismo

Talis Andrade

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II - A guerra entre Moro e Bolsonaro, plim plim por plim plim

por Osvaldo Bertolino

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Imponderável de Almeida

O episódio do vídeo segue rendendo sordidez de parte a parte. A troca de chumbo alimenta a já fraca audiência da novela, mas tem se revelado apenas o conhecido mais do mesmo. Dificilmente sairá algum coelho desse mato infestado de raposas.

Claro, sempre é possível sair alguma coisa de onde menos se espera. Mas a regra, segundo dizia o Barão de Itararé, é de que de onde menos se espera é que nada sai mesmo. O episódio vem sendo incensado pelo Grupo Globo e seus satélites da mídia como instrumento de desgaste de Bolsonaro, certamente preparando algo que vai muito além da proclamada defesa do interesse público.

Não é de hoje que Bolsonaro se incompatibilizou com os setores dominantes que não tinham ele e seu séquito como opção do pós-impeachment fraudulento, golpista, contra a ex-presidenta da República Dilma Rousseff. Como disse o ex-ministro da Ciência e da Tecnologia do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Amaral, Bolsonaro montou no cavalo encilhado que passou à sua frente.

Os golpistas não tinham um projeto de poder delineado. Assim como não tinham no golpe militar de 1964 e no processo que impediu Lula de ser eleito presidente em 1989. No regime militar, foram feitos diversos arranjos políticos, muitas vezes com fraturas profundas.

No pós-1989, o fracasso de Fernando Collor de Mello na Presidência da República possibilitou a eleição e a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC) com base no combate à inflação, encenação para a aplicação do perverso projeto neoliberal.

Na ditadura, o chamado “milagre econômico” impulsionou a economia e depois cobrou um alto preço com a crise da dívida externa. Na “era FHC”, o combate à inflação também legou uma dívida monstruosa, essa interna. Em ambos os casos, a mentira econômica sustentou o regime, não um projeto efetivo de poder.

No pós-golpe de 2016, não se viu nenhuma medida com esse teor. O que seria a “ponte para o futuro” propagada por Michel Temer antes da usurpação do cargo presidencial por meio da fraude do impeachment, se revelou mera reedição de ideias antigas, que ficaram conhecidas tanto no regime militar quando na “era neoliberal”. Mas o surgimento de algo que pudesse ser apresentado como repetição do “milagre econômico” e do combate à inflação não aconteceu.

Paulo Guedes chegou com essa promessa no arranjo que uniu o bolsonarismo e o lavajatismo. Era a tábua de salvação da direita. Mas, com sua enrolação para justificar a ausência dos resultados prometidos com as “reformas” e o arrocho orçamentário da Emenda Constitucional do teto dos gastos públicos, acabou se desgastando, apesar de ser, ainda, o cimento que sustenta o arranjo eleito em 2018.

É aí que está o nó da questão. Não tem nada de moralidade ou coisa que o valha, como apregoa o Grupo Globo e seus arredores ao insistir no vídeo que virou novela. Óbvio, como disse Roberto Amaral, deve-se bater em Bolsonaro independente das batidas do Grupo Globo. O alvo é Bolsonaro. Mas, na lógica da frente ampla, não se pode deixar de constatar que cada setor tem o seu foco de atuação. O binômio unidade e luta é o que dá base para a sua consistência. (Continua)

 

05
Mai20

Demissão de Moro marca o divórcio entre a Lava Jato e o bolsonarismo

Talis Andrade

 

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por João Filho

The Intercept

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O PEDIDO DE DEMISSÃO de Sergio Moro representou o fim da aliança entre o lavajatismo e o bolsonarismo. O fim é melancólico e previsível, mas não dá para dizer que a união não foi um sucesso enquanto durou. A Lava Jato, que começou como uma operação policial, se tornou uma máquina política capaz de derrubar e eleger presidentes da República. As publicações da Vaza Jato escancararam o cunho político da operação, que tinha obsessão punitiva em relação aos políticos do PT, mas poupava políticos mais à direita como FHC e Álvaro Dias. Havia uma preferência ideológica na operação, tanto que em 2014 seus integrantes já faziam campanha a favor da eleição de Aécio nas redes sociais. O antiesquerdismo foi a liga que uniu o lavajatismo e o bolsonarismo. Não foi à toa que Bolsonaro foi o candidato dos integrantes da Lava Jato na última eleição, como confessou um ex-chefe da operação.

Voluntariamente ou não, a Lava Jato pavimentou o caminho para o triunfo do discurso anti-política que colocou o bolsonarismo no poder. Durante a campanha presidencial, Sergio Moro atuou nos tribunais para influenciar o processo eleitoral. Faltando seis dias para o fim do primeiro turno, Moro resolveu, sem absolutamente nenhum motivo para isso, divulgar trechos de uma delação de Palocci que prejudicaria o então candidato petista Haddad. Mais tarde, a Vaza Jata comprovaria que nem o próprio Moro acreditava nas delações de Palocci, mas as divulgou mesmo assim.

Naquela época, Moro já conversava com Paulo Guedes sobre um convite para chefiar o Ministério da Justiça. Esse momento talvez tenha sido o nascimento formal da aliança entre bolsonarismo e lavajatismo. O que era namoro virou um casamento, diria Bolsonaro, tão afeito a esse tipo de analogia idiota. O homem que personificava a Lava Jato e era pintado como uma reserva moral decidiu integrar o governo de um extremista de direita que construiu uma carreira como deputado na base das rachadinhas, defendendo milícias, empregando funcionários fantasma e atacando valores democráticos. O lavajatismo emprestou seu verniz de seriedade para um bolsonarismo destrambelhado. Sem esse apoio, Bolsonaro jamais venceria a eleição.

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No governo, Sergio Moro se mostrou um bolsonarista de quatro costados. Perdoou o caixa 2 de Onyx, atuou como advogado da família Bolsonaro em episódios cabeludos como do condomínio Vivendas da Barra, e apoiou o presidente em quase todas as suas loucuras autoritárias. Em boa parte da sua gestão, não atuou com a grandeza que requer o cargo, mas como um soldado raso do bolsonarismo.

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Houve muitos atritos também. Bolsonaro vetou nomeações do ministro, tirou o Coaf do ministério e interferiu na Polícia Federal. Mesmo assim, a manutenção da aliança continuava interessante para ambos. Moro seguia com seu palanque eleitoral — a essa altura imagino que ninguém mais duvide das suas pretensões políticas —, e Bolsonaro mantinha o seu fiador ético.

Para proteger seus filhos de investigações, Bolsonaro determinou a exoneração do diretor-geral da PF Maurício Valeixo à revelia do ministro. Esse teria sido o estopim para a demissão de Moro. Não foi um pedido de demissão qualquer. Foi uma demissão histórica. Moro saiu, mas saiu atirando. O ministro mais popular do governo Bolsonaro acusou, ainda que indiretamente, o presidente de diversos crimes durante o exercício do cargo, entre eles: falsidade ideológica, obstrução da justiça e crime de responsabilidade. Disse ainda que Bolsonaro admitiu que a exoneração do diretor da PF era, sim, uma interferência política. Revelou também que o presidente tinha preocupação com inquéritos em curso no STF, desejava colher informações diretamente com o diretor-geral e os superintendentes, e exigia ter acesso a relatórios de inteligência. Moro também fez uma acusação de falsidade ideológica ao afirmar que o decreto da exoneração de Valeixo não foi assinado por ele. Além disso, a exoneração publicada no Diário Oficial da União consta como se tivesse sido um pedido do diretor, o que é mentira. Ou seja, um importante instrumento de transparência do governo foi usado para fazer politicagem barata e enganar a população. (Continua)

29
Abr20

Boaventura de Sousa Santos: “Moro é o candidato dos EUA para 2022”

Talis Andrade

Entrevista exclusiva de um dos maiores pensadores Ibero Americano da atualidade que comenta sobre a saída de Moro e a crise politica no Brasil

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Entrevista a Bruno Falci e Clara Domingos, de Lisboa, especial para o Jornalistas Livres

O professor Boaventura de Sousa Santos, doutor em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale, professor e coordenador do CES – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e um dos mais importantes pensadores ibero-americanos, concedeu esta entrevista, ao vivo, enquanto que, coincidentemente, em Brasília, o ministro da justiça Sérgio Moro fazia um pronunciamento sobre sua demissão ao governo de Jair Bolsonaro, em mais um capítulo da crise política brasileira.

O cenário abordado é do Brasil vivendo uma dupla crise – uma sanitária, provocada pelo Coronavírus e outra política. Neste cenário conturbado pela pandemia, o governo de Bolsonaro revela uma profunda instabilidade institucional, onde ocorrem hostilidades ao Congresso e Supremo Tribunal Federal.  Enquanto isso, o combate à pandemia ocorre dentro de outra situação grave, tendo ocorrido, na semana passada, a saída do ministro da saúde que era aprovado pela OMS e, portanto, favorável isolamento social.

Na quarta-feira, dia 22, o ministro da economia, Paulo Guedes, responsável pela agenda neoliberal do governo não participou de uma reunião coordenada pelo ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto para anunciar o lançamento de um programa de recuperação econômica pós-covid-19, que prevê aumento dos gastos com investimentos públicos para os próximos anos. Agora, nesta sexta-feira, dia 24, o Brasil, com um governo que também parece ser tutelado pelos militares, em meio a diversos encaminhamentos de impeachment do presidente, o cenário é agravado com a queda do ministro Sérgio Moro.

Segundo Boaventura de Sousa Santos, “realmente é uma condição extraordinária estarmos as falar neste momento em que o Sérgio Moro está a fazer uma transição. Eu acho que o Brasil é o único país do mundo que, no meio da pandemia, tem uma grave crise política. Eu acompanho a situação em diversos países e nenhum deles apresenta esta situação, que eventualmente poder ser uma crise do regime político. A demissão de Sérgio Moro tem causas próximas e causas longínquas. As causas próximas que sido aventadas é que a PF estará no caminho de incriminar a família Bolsonaro, senão o presidente diretamente, mas também os seus filhos. Isso naturalmente já se sabia há muito tempo”.

Boaventura de Sousa Santos é incisivo:

“O Moro é o homem dos Estados Unidos, é o candidato dos Estados Unidos para 2022. Ele fez todo um trabalho. E a  carreira política dele é exatamente esta –  destruir a economia brasileira, destruir a esquerda, abrir o caminho para um político de transição, que abra o obviamente o caminho para ele mesmo, ele é o candidato deles.  Isso significa que provavelmente a própria  Embaixada dos Estados Unidos deve estar  envolvida com   tudo isso. Isso significa que o  Moro, começou a ver, para sua carreira política, o Bolsonaro já não é um recurso, pode descartá-lo”.

Para o sociólogo, Bolsonaro seria um presidente descartável:

“O que me parece é que devido a crise produzida pelo comportamento dele na pandemia, ele está sendo descartado mais cedo, porque a agenda de Paulo Guedes que é neoliberal e dos Estados Unidos,  também está neste momento em risco uma vez que o general Braga Netto, que todos consideram ser o  presidente operacional, vem com uma política de emergência que efetivamente neutraliza a política de Paulo Guedes. Então, é natural que o próprio Guedes tem os dias contados.

Boaventura acrescenta:

“Moro está a sinalizar que já não lhe interessa participar deste governo, precisamente porque ele quer se sair bem. A popularidade dele está acima da de Bolsonaro. Moro tem estado num silêncio absolutamente criminoso, no meio de tantas coisas surgindo, como as declarações em frente à porta do quartel do exército a clamar por um golpe. Bolsonaro para ele hoje é mais um fardo do que um recurso. Não precisa dele para ser um bom candidato, um candidato forte para 2022”.

Veja entrevista completa no vídeo a seguir:

 

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O retrocesso de Brasil de Paulo Guedes-Bolsonaro e do general Braga interventor de Temer

Talis Andrade

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Paulo Guedes, um agiota, um rentista de golpes econômicos, propôs para o governo militar de Bolsonaro o atraso do plano O Ladrilho, imposto ao Chile, em 1973, planejado por um grupo de economistas, chamados pela imprensa internacional da época de "os Chicago Boys", provenientes da Universidade de Chicago. O Ladrilho continha os fundamentos do que, depois, viria a ser chamado de neoliberalismo

Os governo militares do Cone Sul apelidaram esse período de "milagre chileno" da tirania de Pinochet. Na mesma época, o Brasil teve 'milagre' idêntico com Delfim Neto, com ditadores marechais e generais. Delfim tinha sua corte de economistas, os Delfim Boys, que eram também seus valets-de-chambre.

O general Braga, o interventor militar de Michel Temer no Rio de Janeiro, pretende o atraso no tempo do Plano Marshall dos Estados Unidos, para a reconstrução dos países aliados da Europa nos quatro anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, 1948-52. O objetivo principal era impedir a disseminação do comunismo.

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Pensava esse caboclo Plano Marshall visava impedir o avanço das quatro Bestas do Apocalipse: a Fome, a Peste, a Guerra do tráfico, das milícias, a Morte das lideranças dos sem terra, dos povos indígenas, dos quilombolas, dos movimentos sociais, notadamente dos direitos humanos, e o genocídio dos jovens negros. Esse Plano Marshall pura embromação, como enrolação foi a intervenção militar no Rio de Janeiro. Braga pediu 6,5 bilhões. Ninguém sabe quanto Michel Temer liberou. Sei que não teve, e nunca terá prestação de contas. A intervenção foi em ano de eleições, 2020. As milícias do Rio de Janeiro, camarada, democrática e pacificamente liberadas elegeram seus candidatos a presidente, a governador, dois senadores, mais deputados federais e estaduais. Essa dinheirama aquietou os golpistas militares. Com Bolsonaro presidente os oficiais das forças armadas tiveram régio aumento salarial e as filhas solteiras, maiores de idade, principesca pensão vitalícia. Para militares de pijama, a feira, o trem da alegria de mais de 2 mil e 500 cargos comissionados.  Entenda a demagogia, a safadeza, a ficção macabra desse Plano Marshall lendo Fernando Brito aqui, e Reinaldo Azevedo aqui

 

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